Maguri Bill, Índia

Um Pantanal nos Confins do Nordeste Indiano


À boleia
Um bando de bicos abertos
Voo em esquadrão
Rumo às redes
A Caminho
Manobras sobre ponte
Névoa matinal
Embarcações rústicas ancoradas numa zona pantanosa do Maguri Beel.
Nenúfares resplandecentes
Tudo a postos
Bovinos intimidantes
O Maguri Bill ocupa uma área anfíbia nas imediações assamesas do rio Bramaputra. É louvado como um habitat incrível sobretudo de aves. Quando o navegamos em modo de gôndola, deparamo-nos com muito (mas muito) mais vida que apenas a asada.

Didas estava consciente do tráfico horrífico que íamos apanhar nos 170km que ligavam Sivasagar ao Babblers Inn, nas imediações de Tinsukia e do Maguri Bill.

Opta, assim, por nos conduzir por uma via alternativa, bem mais rural e pitoresca que cruza sucessivas terreolas de beira de estrada, elevadas face a arrozais sem fim que a debandada da monção, por volta de fins de Setembro, deixara a ressecar.

Pelo estado de Assam acima

Boa parte dessas aldeias e lugarejos são islâmicos. Só o estado indiano de Assam abriga mais de trinta milhões de pessoas. Destas, um terço são muçulmanos com uma profunda génese histórica, que resistiram aos fluxos da Partição da Índia de 1947 e à migração forçada para o Bangladesh ou o Paquistão.

Didas é hindu. Diz-nos que vários dos trinta e três distritos do estado têm, inclusive, maiorias islâmicas. E afiança que o aumento das suas populações pela alta natalidade mas, mais ainda, devido à fixação não documentada de bangladeshianos vindos do outro lado da fronteira se tem intensificado. Ao ponto de o governo de Delhi o considerar um dos seus problemas prioritários.

Ciclista na ponte sobre o rio Doom-Domla, Maguri Beel, Assam, Índia

Ciclista surge da neblina matinal sobre a ponte do rio Doom-Domla.

Tal como a apreciávamos pelas janelas do carro, a abundância de homens de barbas em jilabas e turbantes brancos e a sucessão de pequenas mesquitas locais confirmava o fenómeno, comparável à realidade de Cachemira mas em que, ao contrário do que acontece em Assam, a resistência independentista se mantém bem activa.

Três horas e meia após a partida, passamos por Tinsukia. Não demoramos a achar o Babblers Inn. Partha Sarathi Das, o proprietário, recebe-nos com lenços sedosos de boas-vindas e instala-nos. Almoçamos sem pressas. Por volta das três, saímos os três juntos.

Maguri Bill ou Maguri Beel: uma Deslumbrante Lagoa Assamesa

Amante da fotografia e da vida animal, Partha queria mostrar-nos as maravilhas do Maguri Bill, uma lagoa comprida e recortada, alimentada pelo rio Doom Dooma que a secura relativa do Inverno do Nordeste Indiano, mantinha então pouco profunda, salpicada de ilhas e ilhotas de vegetação.

Névoa matinal, Maguri Beel, Assam, Índia

Embarcações rústicas ancoradas numa zona pantanosa do Maguri Beel.

Maguri Bill ficava represada aquém do caudal dos rios Dibru e Bramaputra e de uma das suas maiores línguas insulares, a de Dibru Saikhowa, por sinal, um parque nacional reputado da Índia e uma das suas mais amplas e ricas reservas da Biosfera. Após se espraiar nessa vastidão lacustre, o Doom Dooma reassume o seu perfil fluvial serpenteante e desagua no Dibru. Não chegamos a testemunhar essa união.

Partha detem-se por momentos num tal de Kohuwa Eco Camp que servia de base às incursões à lagoa. Dali, caminhamos para junto de uma grande ponte de ferro de visual militar sobre o Dibru. Partha apresenta-nos a um barqueiro local. Este, faz-nos embarcar. Mal nos vê recostados, zarpa contra a corrente.

Pescadores transportam redes, Maguri Beel, Assam, Índia

Pescadores preparam-se para estender redes para montante do Maguri Beel.

Nesta altura do ano, a lagoa não está tão rasa quanto pode ficar. Mesmo assim, os barqueiros que dela vivem propulsionam as embarcações de madeira com varas longas. Usam-nas como alavancas sempre que encalham em bancos de areia ou na selva densa de jacintos-de-água.

Os pescadores destas partes chamaram o cenário de Beel. Em tempos, proliferava no Beel que continuávamos a subir o Magur, uma espécie de peixe-gato muito procurado.

De acordo, o nome completo da lagoa passou a ser Maguri Beel (lagoa cheia de Magurs). Com o passar dos anos e a pesca, os peixes-gato terão diminuído. Várias outras espécies lá continuam a habitar, com predomínio das aves.

Bando de bicos abertos, Maguri Beel, Assam, Índia

Bicos Abertos brancos cruza o céu acima do Maguri Beel.

Um Remoto Paraíso Ornitólogo

À medida que o barco desliza, sucessivos bandos de patos, gansos, garças, cegonhas, corvos-marinhos e afins, todos com nomenclaturas curiosas reagem à nossa incursão. Alguns, nadam até ao limite da desconfiança. Só após desatam a esvoaçar.

Outros, mais intolerantes, levantam voo quando ainda estamos a umas dezenas de metros. Limitamo-nos a acompanhar e a fotografar os movimentos dos bandos que se mantêm ao alcance das nossa lentes, com frequência de Bicos-Abertos-Brancos, um tipo de cegonha menor que a comum em Portugal, com um bico que, tal como o nome deixa antever, nunca se fecha por completo.

Bicos abertos brancos, Maguri Beel, Assam, Índia

Bicos abertos brancos destacam-se acima do Maguri Beel dourado.

Tanto o Maguri Beel como o vizinho Dibru Saikhowa atraem uma horda de turistas ornitólogos obcecados por avistarem as espécies e os espécimes dos seus sonhos.

Acontece, todavia, que alguns deles chegam entusiasmados com a dimensão e a fama suprema do Parque Nacional Dibru Saikhowa mas depressa se desanimam com as dificuldades logísticas e a paciência lá impostas.

Nesses casos, acabam por se render à facilidade e ao imediatismo do Maguri Beel onde, numa simples manhã a bordo de um barco de madeira, detectam boa parte das espécies que pensavam exclusivos da Reserva Biológica.

Foi, aliás, essa a razão porque a BirdLife International – uma Rede Global de Organizações dedicadas à conservação de aves e dos seus habitats e diversidade – o declarou um IBA (Important Birding Site).

Os Pescadores e Recolectores Habitantes de Maguri Beel

Debaixo do tapete de jacintos-de-água e de nenúfares, o Maguri Beel  também é lar de uma miríade de peixes e de criaturas anfíbias. Avisados desta disponibilidade de alimento, os nativos mantêm instaladas redes de pesca em lugares estratégicos.

Ave sobre jacintos flutuantes, Maguri Beel, Assam, Índia

Pequena ave aproveita o pouso formado por jacintos d’água flutuantes.

Improvisam-nas a partir de redes mosquiteiras ou de grandes sacos usados pelas plantações vizinhas do famoso chá de Assam. Usam ainda barreiras feitas de canas, bem mais ecológicas já que permitem a passagem dos peixes mais jovens.

E também os vemos recorrer a modelos de arremesso, com pesos nas pontas e que lhes concedem pescarias casuais. Alguns pescadores ficam instalados em tendas básicas que armam sobre secções de terra firme.

Essas tendas improvisadas permitem-lhes prolongar as suas pescarias e aumentarem os rendimentos. Uma pequena minoria detém casas de madeira, por norma (mas nem sempre), a salvo das inundações trazidas pelas monções.

Nas zonas baixas do Maguri Beel em que a água mal passa dos joelhos, observamos ainda homens e mulheres a recolherem e filtrarem grandes tufos encharcados de vegetação. Partha vê-nos intrigados e esclarece-nos: “Andam a apanhar caracóis de água que vêm agarrados às raízes. As pessoas aqui adoram-nos. Eles vendem-nos facilmente nos mercados.”

De Volta à Margem e ao Babblers Inn

Ao fim de uma hora e meia de deambulação embarcada, constatamos que o ambiente se rosava, à medida que o sol pousava sobre o horizonte dissimulado atrás de um manto denso de nuvens.

Nenúfares, Maguri Beel, Assam, Índia

Nenúfares bem viçosos, destacam-se ao o pôr-do-sol

Em simultâneo, o reflexo do grande astro aterrava aos poucos sobre o Maguri Beel e tingia-o de tons de magenta condizentes com os dos muitos nenúfares que se mantinham abertos. Invertemos o rumo. A favor da corrente, regressamos num ápice ao embarcadouro do Kohuwa Eco Camp. Partha instala-nos numa mesa exterior.

Serve-nos um pequeno lanche que inclui milkteas bem quentes. Àquela hora tardia, com tanta água em volta, uma cacimba invernal frígida tinha-se apoderado dos nossos corpos. Os chás açucarados disfarçam de imediato o desconforto e renovam-nos a disposição.

Regressamos ao Babblers Inn. Jantamos. Partha convida-nos para nos juntarmos a ele e ao seu padrinho de casamento, em volta duma fogueira. “And would you join us for some booze?” questionam-nos sem cerimónias, com a maior das vontades de que nos integrássemos.

Bebemos do que eles estavam a beber. Ficamos um bom tempo à conversa. Até que o calor do fogo e o álcool se aliam ao cansaço da viagem matinal e dos sucessivos despertares madrugadores. Partha tinha marcado a alvorada seguinte para as cinco. Um sono precoce, embalado pelo afago da fogueira e do convívio, vinha a calhar.

Uma Nova Incursão Matinal

Despertamos àquela hora cruel mas essencial. Voltamos a sair os três rumo ao Maguri Beel. Um nevoeiro cerrado cobre a lagoa de mistério, sem sinais de ceder.

Partha sugere caminharmos em vez de embarcamos logo no ancoradouro da véspera. Atravessamos a ponte para o lado de lá do Doom Dooma, comunidade ribeirinha de Purani Motapung adentro. Prosseguimos pela estrada de terra batida que dela se prolongava, ao largo de um mato verde ensopado coroado por estranhas plumas com jeito de penas de pavão que se destacavam contra a névoa.

Pescadora, Maguri Beel, Assam, Índia

Moradora do Maguri Beel, prestes a sair para uma pequena pescaria matinal.

Partha leva-nos à casa de corda e bambu de uma das famílias residentes. Tinham despertado fazia pouco. Preparavam-se para sair para os seus fazeres. Partha saúda-os, apresenta-nos e questiona-os quanto a novidades da fauna da lagoa; queria saber, em particular, se sabiam se andavam por perto os búfalos que costumam deambular pelas suas margens.

Respondem-lhe que ainda não tinham dado por eles nessa manhã mas que ainda era cedo, e que era possível que estivessem mais para dentro do Maguri Beel.

Partha decide procurá-los. Instrui o barqueiro que nos acompanhava a resgatar uma embarcação enquanto nós prosseguimos estrada acima até uma zona mais rasa da lagoa em que – tudo assim indicava – conseguiríamos passar para o barco sem nos atolarmos.

Frente a Frente com uma Armada de Búfalos Asiáticos

Retomamos a navegação livre do fim de tarde anterior, entre redes de pescas suspensas, espécies de véus lacustres que o sol ainda difuso mas cada vez mais insinuante transformava em silhuetas e reflexos enigmáticos.

A disputa entre a névoa e o grande astro inundavam o pântano de um forte misticismo matinal. O guia e o barqueiro levam-nos ainda mais para dentro da lagoa. Mantemo-nos atentos às aves camufladas pela alvura flutuante. Equipado com binóculos, Partha vê mais à frente.

“Encosta ali!” diz, entusiasmado, ao barqueiro. Voltamos a desembarcar e cumprimos um ligeiro desvio ilusório. Quando apontamos uma teleobjectiva para a direcção que nos indicava, percebemos o motivo do seu sobressalto. Uma grande manada de búfalos asiáticos partilhava uma zona alagada entre um prado verdejante e nova floresta de mato alto.

Manada de búfalos asiáticos, Maguri Beel, Assam, Índia

Manada de búfalos asiáticos estranha a intrusão de humanos no seu território.

“Vamos aproximar-nos mas muito, muito devagar.” comunica-nos. “Por norma, eles só não toleram os movimentos bruscos na direcção deles ou demasiada proximidade. Se avançarmos a pouco e pouco, se ficarmos a uma boa distância, não nos metemos em sarilhos.”

Verdade seja dita que a formação de várias dezenas daqueles bovídeos hiperbólicos, donos de longos e afiados chifres deixava-nos intranquilos. Até porque o seu reflexo na água parada do lodaçal dava a ideia de serem o dobro.

Sabíamos que, onde quer que existem, os búfalos selvagens provocam um número considerável de vítimas entre os humanos. Mas também estávamos conscientes de que Partha explorava o Maguri Bill e com eles se confrontava com frequência. De acordo, seguimo-lo.

Regresso à Base

Apontamos as objectivas. Rejubilamos tanto quanto possível quando os grandes machos líderes da manada se viram para nós e tentam intuir as nossas intenções. Aproximamo-nos um pouco mais. Um dos machos-alfa ergue o focinho, a sondar o que a brisa lhe levava, e raspa uma das patas no solo.

Barco entre redes, Maguri Beel, Assam, Índia

Barco que navega no Maguri Beel aproxima-se de grandes redes de pesca.

A repetição do seu sinal por mais um ou dois espécimes chega para concluirmos que ali estávamos há demasiado tempo e que tínhamos imagens suficientes. Reembarcamos. Invertemos o rumo orientados para o canal em que o Maguri Bill afunilava no canal que o levava até ao grande Dibru, do lado de cá do majestoso e mítico Bramaputra.

Regressamos ao Babblers Inn. São dez e meia da manhã quando nos despedimos de Partha e da família. As dez horas seguintes passamo-las a viajar de volta para Guwahati, a cidade também ela às margens do Bramaputra, em que tínhamos inaugurado aquele périplo já bem longo por Assam.

 

Got2Globe agradece o apoio na realização deste artigo às seguintes entidades: Embaixada da Índia em Lisboa; Ministry of Tourism, Government of India; Assam Development Corporation e Babblers Inn, Tinsukia.

 

Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.

Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.

Manaus, Brasil

Ao Encontro do Encontro das Águas

O fenómeno não é único mas, em Manaus, reveste-se de uma beleza e solenidade especial. A determinada altura, os rios Negro e Solimões convergem num mesmo leito do Amazonas mas, em vez de logo se misturarem, ambos os caudais prosseguem lado a lado. Enquanto exploramos estas partes da Amazónia, testemunhamos o insólito confronto do Encontro das Águas.
Passo da Lontra, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
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Kikuno
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No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
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Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
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Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
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Em Viagem
Viajar Não Custa

Compre Voos Antes de os Preços Descolarem

Conseguir voos baratos tornou-se quase uma ciência. Fique a par dos princípios porque se rege o mercado das tarifas aéreas e evite o desconforto financeiro de comprar em má hora.
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O programa de TV “Meet the Natives” levou representantes tribais de Tanna a conhecer a Grã-Bretanha e os E.U.A. De visita à sua ilha, percebemos porque nada os entusiasmou mais que o regresso a casa.

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Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
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Tbilisi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.
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Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Santas alturas
Inverno Branco

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Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

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Natureza
Príncipe, São Tomé e Príncipe

O Nobre Retiro de Príncipe

A 150 km de solidão para norte da matriarca São Tomé, a ilha do Príncipe eleva-se do Atlântico profundo num cenário abrupto e vulcânico de montanha coberta de selva. Há muito encerrada na sua natureza tropical arrebatadora e num passado luso-colonial contido mas comovente, esta pequena ilha africana ainda abriga mais estórias para contar que visitantes para as escutar.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Garranos galopam pelo planalto acima de Castro Laboreiro, PN Peneda-Gerês, Portugal
Parques Naturais
Castro Laboreiro, Portugal  

No Cimo Raiano-Serrano de Portugal

Chegamos à eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
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Património Mundial UNESCO
Novgorod, Rússia

A Avó Viking da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.
Verificação da correspondência
Personagens

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Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Caribe profundo
Praias

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Puro Caribe

Cenários tropicais perfeitos e a vida genuína dos habitantes são os únicos luxos disponíveis nas também chamadas Corn Islands, um arquipélago perdido nos confins centro-americanos do Mar das Caraíbas.

Via Crucis
Religião

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Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.

White Pass & Yukon Train
Sobre carris

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Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Trólei Azul
Sociedade

Oslo, Noruega

Uma Capital Sobrecapitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.

Vendedores de fruta, Enxame, Moçambique
Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Perigo de praia
Vida Selvagem

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.