Maguri Bill, Índia

Um Pantanal nos Confins do Nordeste Indiano


À boleia
Um bando de bicos abertos
Voo em esquadrão
Rumo às redes
A Caminho
Manobras sobre ponte
Névoa matinal
Embarcações rústicas ancoradas numa zona pantanosa do Maguri Beel.
Nenúfares resplandecentes
Tudo a postos
Bovinos intimidantes
O Maguri Bill ocupa uma área anfíbia nas imediações assamesas do rio Bramaputra. É louvado como um habitat incrível sobretudo de aves. Quando o navegamos em modo de gôndola, deparamo-nos com muito (mas muito) mais vida que apenas a asada.

Didas estava consciente do tráfico horrífico que íamos apanhar nos 170km que ligavam Sivasagar ao Babblers Inn, nas imediações de Tinsukia e do Maguri Bill.

Opta, assim, por nos conduzir por uma via alternativa, bem mais rural e pitoresca que cruza sucessivas terreolas de beira de estrada, elevadas face a arrozais sem fim que a debandada da monção, por volta de fins de Setembro, deixara a ressecar.

Pelo estado de Assam acima

Boa parte dessas aldeias e lugarejos são islâmicos. Só o estado indiano de Assam abriga mais de trinta milhões de pessoas. Destas, um terço são muçulmanos com uma profunda génese histórica, que resistiram aos fluxos da Partição da Índia de 1947 e à migração forçada para o Bangladesh ou o Paquistão.

Didas é hindu. Diz-nos que vários dos trinta e três distritos do estado têm, inclusive, maiorias islâmicas. E afiança que o aumento das suas populações pela alta natalidade mas, mais ainda, devido à fixação não documentada de bangladeshianos vindos do outro lado da fronteira se tem intensificado. Ao ponto de o governo de Delhi o considerar um dos seus problemas prioritários.

Ciclista na ponte sobre o rio Doom-Domla, Maguri Beel, Assam, Índia

Ciclista surge da neblina matinal sobre a ponte do rio Doom-Domla.

Tal como a apreciávamos pelas janelas do carro, a abundância de homens de barbas em jilabas e turbantes brancos e a sucessão de pequenas mesquitas locais confirmava o fenómeno, comparável à realidade de Cachemira mas em que, ao contrário do que acontece em Assam, a resistência independentista se mantém bem activa.

Três horas e meia após a partida, passamos por Tinsukia. Não demoramos a achar o Babblers Inn. Partha Sarathi Das, o proprietário, recebe-nos com lenços sedosos de boas-vindas e instala-nos. Almoçamos sem pressas. Por volta das três, saímos os três juntos.

Maguri Bill ou Maguri Beel: uma Deslumbrante Lagoa Assamesa

Amante da fotografia e da vida animal, Partha queria mostrar-nos as maravilhas do Maguri Bill, uma lagoa comprida e recortada, alimentada pelo rio Doom Dooma que a secura relativa do Inverno do Nordeste Indiano, mantinha então pouco profunda, salpicada de ilhas e ilhotas de vegetação.

Névoa matinal, Maguri Beel, Assam, Índia

Embarcações rústicas ancoradas numa zona pantanosa do Maguri Beel.

Maguri Bill ficava represada aquém do caudal dos rios Dibru e Bramaputra e de uma das suas maiores línguas insulares, a de Dibru Saikhowa, por sinal, um parque nacional reputado da Índia e uma das suas mais amplas e ricas reservas da Biosfera. Após se espraiar nessa vastidão lacustre, o Doom Dooma reassume o seu perfil fluvial serpenteante e desagua no Dibru. Não chegamos a testemunhar essa união.

Partha detem-se por momentos num tal de Kohuwa Eco Camp que servia de base às incursões à lagoa. Dali, caminhamos para junto de uma grande ponte de ferro de visual militar sobre o Dibru. Partha apresenta-nos a um barqueiro local. Este, faz-nos embarcar. Mal nos vê recostados, zarpa contra a corrente.

Pescadores transportam redes, Maguri Beel, Assam, Índia

Pescadores preparam-se para estender redes para montante do Maguri Beel.

Nesta altura do ano, a lagoa não está tão rasa quanto pode ficar. Mesmo assim, os barqueiros que dela vivem propulsionam as embarcações de madeira com varas longas. Usam-nas como alavancas sempre que encalham em bancos de areia ou na selva densa de jacintos-de-água.

Os pescadores destas partes chamaram o cenário de Beel. Em tempos, proliferava no Beel que continuávamos a subir o Magur, uma espécie de peixe-gato muito procurado.

De acordo, o nome completo da lagoa passou a ser Maguri Beel (lagoa cheia de Magurs). Com o passar dos anos e a pesca, os peixes-gato terão diminuído. Várias outras espécies lá continuam a habitar, com predomínio das aves.

Bando de bicos abertos, Maguri Beel, Assam, Índia

Bicos Abertos brancos cruza o céu acima do Maguri Beel.

Um Remoto Paraíso Ornitólogo

À medida que o barco desliza, sucessivos bandos de patos, gansos, garças, cegonhas, corvos-marinhos e afins, todos com nomenclaturas curiosas reagem à nossa incursão. Alguns, nadam até ao limite da desconfiança. Só após desatam a esvoaçar.

Outros, mais intolerantes, levantam voo quando ainda estamos a umas dezenas de metros. Limitamo-nos a acompanhar e a fotografar os movimentos dos bandos que se mantêm ao alcance das nossa lentes, com frequência de Bicos-Abertos-Brancos, um tipo de cegonha menor que a comum em Portugal, com um bico que, tal como o nome deixa antever, nunca se fecha por completo.

Bicos abertos brancos, Maguri Beel, Assam, Índia

Bicos abertos brancos destacam-se acima do Maguri Beel dourado.

Tanto o Maguri Beel como o vizinho Dibru Saikhowa atraem uma horda de turistas ornitólogos obcecados por avistarem as espécies e os espécimes dos seus sonhos.

Acontece, todavia, que alguns deles chegam entusiasmados com a dimensão e a fama suprema do Parque Nacional Dibru Saikhowa mas depressa se desanimam com as dificuldades logísticas e a paciência lá impostas.

Nesses casos, acabam por se render à facilidade e ao imediatismo do Maguri Beel onde, numa simples manhã a bordo de um barco de madeira, detectam boa parte das espécies que pensavam exclusivos da Reserva Biológica.

Foi, aliás, essa a razão porque a BirdLife International – uma Rede Global de Organizações dedicadas à conservação de aves e dos seus habitats e diversidade – o declarou um IBA (Important Birding Site).

Os Pescadores e Recolectores Habitantes de Maguri Beel

Debaixo do tapete de jacintos-de-água e de nenúfares, o Maguri Beel  também é lar de uma miríade de peixes e de criaturas anfíbias. Avisados desta disponibilidade de alimento, os nativos mantêm instaladas redes de pesca em lugares estratégicos.

Ave sobre jacintos flutuantes, Maguri Beel, Assam, Índia

Pequena ave aproveita o pouso formado por jacintos d’água flutuantes.

Improvisam-nas a partir de redes mosquiteiras ou de grandes sacos usados pelas plantações vizinhas do famoso chá de Assam. Usam ainda barreiras feitas de canas, bem mais ecológicas já que permitem a passagem dos peixes mais jovens.

E também os vemos recorrer a modelos de arremesso, com pesos nas pontas e que lhes concedem pescarias casuais. Alguns pescadores ficam instalados em tendas básicas que armam sobre secções de terra firme.

Essas tendas improvisadas permitem-lhes prolongar as suas pescarias e aumentarem os rendimentos. Uma pequena minoria detém casas de madeira, por norma (mas nem sempre), a salvo das inundações trazidas pelas monções.

Nas zonas baixas do Maguri Beel em que a água mal passa dos joelhos, observamos ainda homens e mulheres a recolherem e filtrarem grandes tufos encharcados de vegetação. Partha vê-nos intrigados e esclarece-nos: “Andam a apanhar caracóis de água que vêm agarrados às raízes. As pessoas aqui adoram-nos. Eles vendem-nos facilmente nos mercados.”

De Volta à Margem e ao Babblers Inn

Ao fim de uma hora e meia de deambulação embarcada, constatamos que o ambiente se rosava, à medida que o sol pousava sobre o horizonte dissimulado atrás de um manto denso de nuvens.

Nenúfares, Maguri Beel, Assam, Índia

Nenúfares bem viçosos, destacam-se ao o pôr-do-sol

Em simultâneo, o reflexo do grande astro aterrava aos poucos sobre o Maguri Beel e tingia-o de tons de magenta condizentes com os dos muitos nenúfares que se mantinham abertos. Invertemos o rumo. A favor da corrente, regressamos num ápice ao embarcadouro do Kohuwa Eco Camp. Partha instala-nos numa mesa exterior.

Serve-nos um pequeno lanche que inclui milkteas bem quentes. Àquela hora tardia, com tanta água em volta, uma cacimba invernal frígida tinha-se apoderado dos nossos corpos. Os chás açucarados disfarçam de imediato o desconforto e renovam-nos a disposição.

Regressamos ao Babblers Inn. Jantamos. Partha convida-nos para nos juntarmos a ele e ao seu padrinho de casamento, em volta duma fogueira. “And would you join us for some booze?” questionam-nos sem cerimónias, com a maior das vontades de que nos integrássemos.

Bebemos do que eles estavam a beber. Ficamos um bom tempo à conversa. Até que o calor do fogo e o álcool se aliam ao cansaço da viagem matinal e dos sucessivos despertares madrugadores. Partha tinha marcado a alvorada seguinte para as cinco. Um sono precoce, embalado pelo afago da fogueira e do convívio, vinha a calhar.

Uma Nova Incursão Matinal

Despertamos àquela hora cruel mas essencial. Voltamos a sair os três rumo ao Maguri Beel. Um nevoeiro cerrado cobre a lagoa de mistério, sem sinais de ceder.

Partha sugere caminharmos em vez de embarcamos logo no ancoradouro da véspera. Atravessamos a ponte para o lado de lá do Doom Dooma, comunidade ribeirinha de Purani Motapung adentro. Prosseguimos pela estrada de terra batida que dela se prolongava, ao largo de um mato verde ensopado coroado por estranhas plumas com jeito de penas de pavão que se destacavam contra a névoa.

Pescadora, Maguri Beel, Assam, Índia

Moradora do Maguri Beel, prestes a sair para uma pequena pescaria matinal.

Partha leva-nos à casa de corda e bambu de uma das famílias residentes. Tinham despertado fazia pouco. Preparavam-se para sair para os seus fazeres. Partha saúda-os, apresenta-nos e questiona-os quanto a novidades da fauna da lagoa; queria saber, em particular, se sabiam se andavam por perto os búfalos que costumam deambular pelas suas margens.

Respondem-lhe que ainda não tinham dado por eles nessa manhã mas que ainda era cedo, e que era possível que estivessem mais para dentro do Maguri Beel.

Partha decide procurá-los. Instrui o barqueiro que nos acompanhava a resgatar uma embarcação enquanto nós prosseguimos estrada acima até uma zona mais rasa da lagoa em que – tudo assim indicava – conseguiríamos passar para o barco sem nos atolarmos.

Frente a Frente com uma Armada de Búfalos Asiáticos

Retomamos a navegação livre do fim de tarde anterior, entre redes de pescas suspensas, espécies de véus lacustres que o sol ainda difuso mas cada vez mais insinuante transformava em silhuetas e reflexos enigmáticos.

A disputa entre a névoa e o grande astro inundavam o pântano de um forte misticismo matinal. O guia e o barqueiro levam-nos ainda mais para dentro da lagoa. Mantemo-nos atentos às aves camufladas pela alvura flutuante. Equipado com binóculos, Partha vê mais à frente.

“Encosta ali!” diz, entusiasmado, ao barqueiro. Voltamos a desembarcar e cumprimos um ligeiro desvio ilusório. Quando apontamos uma teleobjectiva para a direcção que nos indicava, percebemos o motivo do seu sobressalto. Uma grande manada de búfalos asiáticos partilhava uma zona alagada entre um prado verdejante e nova floresta de mato alto.

Manada de búfalos asiáticos, Maguri Beel, Assam, Índia

Manada de búfalos asiáticos estranha a intrusão de humanos no seu território.

“Vamos aproximar-nos mas muito, muito devagar.” comunica-nos. “Por norma, eles só não toleram os movimentos bruscos na direcção deles ou demasiada proximidade. Se avançarmos a pouco e pouco, se ficarmos a uma boa distância, não nos metemos em sarilhos.”

Verdade seja dita que a formação de várias dezenas daqueles bovídeos hiperbólicos, donos de longos e afiados chifres deixava-nos intranquilos. Até porque o seu reflexo na água parada do lodaçal dava a ideia de serem o dobro.

Sabíamos que, onde quer que existem, os búfalos selvagens provocam um número considerável de vítimas entre os humanos. Mas também estávamos conscientes de que Partha explorava o Maguri Bill e com eles se confrontava com frequência. De acordo, seguimo-lo.

Regresso à Base

Apontamos as objectivas. Rejubilamos tanto quanto possível quando os grandes machos líderes da manada se viram para nós e tentam intuir as nossas intenções. Aproximamo-nos um pouco mais. Um dos machos-alfa ergue o focinho, a sondar o que a brisa lhe levava, e raspa uma das patas no solo.

Barco entre redes, Maguri Beel, Assam, Índia

Barco que navega no Maguri Beel aproxima-se de grandes redes de pesca.

A repetição do seu sinal por mais um ou dois espécimes chega para concluirmos que ali estávamos há demasiado tempo e que tínhamos imagens suficientes. Reembarcamos. Invertemos o rumo orientados para o canal em que o Maguri Bill afunilava no canal que o levava até ao grande Dibru, do lado de cá do majestoso e mítico Bramaputra.

Regressamos ao Babblers Inn. São dez e meia da manhã quando nos despedimos de Partha e da família. As dez horas seguintes passamo-las a viajar de volta para Guwahati, a cidade também ela às margens do Bramaputra, em que tínhamos inaugurado aquele périplo já bem longo por Assam.

 

Got2Globe agradece o apoio na realização deste artigo às seguintes entidades: Embaixada da Índia em Lisboa; Ministry of Tourism, Government of India; Assam Development Corporation e Babblers Inn, Tinsukia.

 

Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.

Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.

Manaus, Brasil

Ao Encontro do Encontro das Águas

O fenómeno não é único mas, em Manaus, reveste-se de uma beleza e solenidade especial. A determinada altura, os rios Negro e Solimões convergem num mesmo leito do Amazonas mas, em vez de logo se misturarem, ambos os caudais prosseguem lado a lado. Enquanto exploramos estas partes da Amazónia, testemunhamos o insólito confronto do Encontro das Águas.
Passo da Lontra, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Shillong, India

Selfiestão de Natal num Baluarte Cristão da Índia

Chega Dezembro. Com uma população em larga medida cristã, o estado de Meghalaya sincroniza a sua Natividade com a do Ocidente e destoa do sobrelotado subcontinente hindu e muçulmano. Shillong, a capital, resplandece de fé, felicidade, jingle bells e iluminações garridas. Para deslumbre dos veraneantes indianos de outras partes e credos.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Sem corrimão
Arquitectura & Design

Brasília, Brasil

Da Utopia à Euforia

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.

Fogo-de-artifício branco
Aventura

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Cerimónias e Festividades
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Detectamo-los por todo o lado, mesmo em tempos de paz. A maior parte dos que encontramos a postos, nas cidades, cumpre apenas missões rotineiras que requerem, acima de tudo, rigor e paciência.
Tsumago em hora de ponta
Cidades

Magome-Tsumago, Japão

O Caminho Sobrelotado Para o Japão Medieval

Em 1603, o shogun Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é frequentemente invadido por uma turba ansiosa por evasão.

Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Seydisfjordur
Cultura

Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando a frota pesqueira de Seydisfjordur foi comprada por armadores de Reiquejavique, a povoação teve que se adaptar. Hoje captura discípulos de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Em Viagem
Chefchouen a Merzouga, Marrocos

Marrocos de Cima a Baixo

Das ruelas anis de Chefchaouen às primeiras dunas do Saara revelam-se, em Marrocos, os contrastes bem marcados das primeiras terras africanas, como sempre encarou a Ibéria este vasto reino magrebino.
Tatooine na Terra
Étnico

Sudeste da Tunísia

A Base Terráquea da Guerra das Estrelas

Por razões de segurança, o planeta Tatooine de "O Despertar da Força" foi filmado em Abu Dhabi. Recuamos no calendário cósmico e revisitamos alguns dos lugares tunisinos com mais impacto na saga.

 

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Àgua doce
História

Maurícias

Uma Míni-Índia nos Fundos do Índico

No século XIX, franceses e britânicos disputaram um arquipélago a leste de Madagáscar antes descoberto pelos portugueses. Os britânicos triunfaram, re-colonizaram as ilhas com cortadores de cana-de-açúcar do subcontinente e ambos admitiram a língua, lei e modos francófonos precedentes. Desta mixagem, surgiu a exótica Maurícia.    

Transbordo
Ilhas

Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a “Survivor”

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Natureza
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Vai-e-vem fluvial
Parques Naturais

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Os vulcões Semeru (ao longe) e Bromo em Java, Indonésia
Património Mundial UNESCO
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Verificação da correspondência
Personagens

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Caribe profundo
Praias

Islas del Maiz, Nicarágua

Puro Caribe

Cenários tropicais perfeitos e a vida genuína dos habitantes são os únicos luxos disponíveis nas também chamadas Corn Islands, um arquipélago perdido nos confins centro-americanos do Mar das Caraíbas.

As forças ocupantes
Religião

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

A Toy Train story
Sobre carris
Darjeeling Himalayan Railway, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
No coração amarelo de San Cristóbal
Sociedade

San Cristóbal de Las Casas, México

O Lar Doce Lar da Consciência Social Mexicana

Maia, mestiça e hispânica, zapatista e turística, campestre e cosmopolita, San Cristobal não tem mãos a medir. Nela, visitantes mochileiros e activistas políticos mexicanos e expatriados partilham uma mesma demanda ideológica.

Gado
Vida Quotidiana

Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.

Campo de géiseres
Vida Selvagem

El Tatio, Chile

Uma Ida a Banhos Andina

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4300 m de altitude. Os seus geiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes. Ditou o tempo que uma das mais concorridas celebrações dos Andes e do Deserto do Atacama passasse por lá partilharem uma piscina aquecida a 30º pelas profundezas da Terra.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.