Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade


Paz & Amor

Pomba e escultura feminias, ambas tingidas de vermilhão, em Kamakhya.

Preces escarlates

Devota ora perante uma conjunto de figuras monolíticas e vermelhas de deuses hindus.

Kamakhya a 2

Casal deixa uma estátua escarlate de Ganesh a que acabou de oferendar algumas moedas.

Uma forma de ser

O templo peculiar de Kamakhya que combina uma cúpula hemisférica com uma estrutura cruciforme.

Cidade em expansão

O casario de Guwahati, a sul do rio Bramaputra. Guwahati é uma das cidades que mais cresce no mundo. 

Espera atrás das grades

Jovens crentes hindus atrás do gradeamento que contem os visitantes do interior sagrado do templo de Kamakhya.

Banho bendito

Rapazes banham-se na metade da Piscina da Piscina da Divina Bendição, onde os crentes de devem purificar antes de entrar no edifício principal do templo de Kamakhya.

Moda asceta

Sadhu exibe a sua exuberância ascética numa zona retirada do templo.

Colegas de volante

Condutores de riquexó, à saída do templo de Kamakhya

Preces na névoa

Crentes hindus oram envoltos em névoa de incenso.

Moda asceta II

Saddhu produzido a rigor.

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Guwahati, capital assamesa à beira do Bramaputra

Brahmaputra. É especial o rio que flui no vale de Assam, após serpentear pelo planalto do Tibete, por alguns dos desfiladeiros mais impressionantes dos Himalaias chineses e da província indiana de Arunachal Pradesh. As chuvas persistentes das monções e o degelo das terras altas pausaram faz três meses.

O seu caudal desfila vagaroso e barrento, paralelo à longa marginal da cidade. “Este é o único rio masculino da Índia, repetem, orgulhosos, os guias residentes. Filho de Brahma, criador do Universo, e da mulher do sábio Shantanu, criança que assumiu a forma de água.”

Ao contemplarmos o cenário quase só natural a norte, limitado ao rio e a uma linha de montanhas comedidas, cedemos ao pensamento de que Brahma se apressou a meter folga. E, no entanto, basta invertermos a direcção para constatarmos que, em Guwahati, os seus serviços se sucedem como nunca.

De momento, os habitantes ficam-se pelo milhão, número, na megapopulosa Índia, inexpressivo. Mas não é a demografia actual que impressiona, por estes lados, é a sua evolução. A este ritmo de migração e de aumento populacional estima-se que já em 2025 ascenderão a três milhões os moradores da cidade. O casario salpicado de vegetação tropical e o tráfico infernal de Guwahati expandem-se de acordo.

Durante vários dias, vivemos a grande urbe de Assam a partir da sua artéria aorta, esclerosada de todos os negócios imagináveis, de hotéis de luxo a bancas que servem chás masala ao copinho sem parar e assim espevitam as inúmeras almas hindus (85%), muçulmanas (13%), jainistas e cristãs (ambas menos de 1%) que a disputam, entorpecidas pela rotina e – por altura da nossa visita – pela ocasional névoa invernosa.

GS Road – Uma Encruzilhada Frenética do Nordeste Indiano

Faz sentido que esta GS Road promovida a estrada, se revele a mais disputada. Como as suas iniciais indiciam, atravessa boa parte de Guwahati e prossegue para Shillong, a capital de Meghalaya, o estado indiano vizinho e cristão por excelência que precede o Bangladesh e a Baía de Bengala.

Da aurora, à noite bem escura, percorrem as suas duas vias separadas por um gradeamento motoretas, riquexós motorizados, carros e autocarros, ciclistas, pedestres, carroças e até algumas vacas sagradas e outro gado tresmalhado. Às horas de ponta, a artéria congestiona com gravidade só vista.

A maior parte dos condutores vitimados é, no entanto, hindu. A sua forma devota e paciente de acatar tal mundano destino evita que sucumbam a ataques de nervos ou de fúria. Em vez, mantêm-se atentos ao tráfego e conquistam cada centímetro de estrada com uma fascinante sofreguidão cortês.

Uma Região que Combate o Desfavorecimento Geográfico

Também Guwahati tem onde chegar. A cidade é o motor do desenvolvimento do Nordeste Indiano, um conjunto de estados quase enclaves da Índia, encerrados entre o Bangladesh a oeste, o reino do Butão a norte e o Myanmar a leste.

Conscientes do relativo desfavorecimento geográfico face ao vasto “triângulo” indiano, as suas autoridades envidam todos e mais alguns esforços compensatórios.

Uns dias antes de lá aterrarmos, passavam na TV partidas de Portugal no Campeonato de Futebol de Sub-17. Só in loco nos apercebemos que Guwahati as havia acolhido. Não tinham ainda sido removidos os cartazes e painéis promocionais desse evento, já vários outros conviventes anunciavam torneios internacionais de badminton.

Culturistas de todo o mundo exibiam o físico inchado em competições disputadas, realizadores, os seus filmes num festival de cinema, agentes e operadores de viagem concentravam-se numa feira de turismo, isto para mencionar apenas algumas das realizações promocionais de 2017.

Uma força comprometida de empresários e funcionários locais agradece o emprego e os rendimentos gerados por tamanho dinamismo. O jovem Panku Baruah e uma colega são só dois deles. A organização do evento em que participamos incumbira as suas empresas de assistir os convidados internacionais.

Panku e Lena – Um Pitoresco Casal de Colegas

Durante três ou quatro dias, acompanham-nos, determinados a nos resolver toda e qualquer dificuldade. À despedida, Panku revela-nos e a outros jornalistas um segredo. “Vou-vos contar uma coisa. Eu e a Leena estamos noivos. Vamos casar entretanto.” Alguns dos participantes mostram-se surpreendidos e felicitam-no.

Para outros, em boa parte femininos, não parecia haver novidade no comunicado. “Bem me parecia que era ternura a mais para só trabalharem juntos” sibilam línguas intriguistas do sul europeu. Panku mostrava-se rejubilante. Segundo a ordem indiana e assamesa das coisas, o matrimónio realizar-se-ia com mais ou menos pompa, por certo tão garrido quanto festivo.

O casal haveria de gerar rebentos e de contribuir, assim, para o crescimento imparável de Guwahati. Tudo sob os auspícios mais ou menos tântricos de Kamakhya, cujo reverenciado santuário, à imagem de incontáveis famílias e parceiros, voltariam a visitar.

Algo macabra como acontece tantas vezes no âmbito do hinduísmo, a origem mitológica do tempo condiz com a realidade cómico – às vezes trágica – de muitas famílias indianas.

A Relação Mitológica algo Macabra de Shiva e Sati

Segundo narra a lenda, Sati a esposa de Shiva, desiludiu o seu pai e deus-rei Daksha com uma má escolha de marido. Quando Daksha levou a cabo uma tal de cerimónia Yajna de devoção, não convidou nem Shiva nem Sati. Furiosa, Sati atirou-se ao fogo da cerimónia do pai, consciente de que isto tornaria a cerimónia impura. Shiva viu-se atordoado pela dor e raiva da perda da mulher.

Colocou Sati sobre um ombro e deu início à sua dança cómica da destruição. Prometeu não se deter enquanto o corpo não tivesse apodrecido. Receosos da sua própria aniquilação, outros deuses rogaram a Vishnu que acalmasse Shiva. Vishnu enviou um dos seus chacras em forma de disco para destruir o cadáver de Sati.

Caíram 52 (segundo outras interpretações 108) pedaços do seu corpo em diferentes partes do Subcontinente, Tibete, Bangladesh, Nepal e Paquistão. A vagina aterrou na colina de Nimachal, que viria a ser adorada pelos hindus em geral, em especial pelos crentes e praticantes do shakti, a veneração tântrica do poder espiritual feminino.

O riquexó que lá nos conduzia ainda só tinha chegado a meio da elevação mas já depreendíamos a peculiaridade do lugar. Uma ruela pejada de lojas de artefactos religiosos, percorrida por crentes vestidos com os seus melhores trajes tradicionais, conduzia a um pórtico cuidado por guardas que, claro está, nos obrigam a remover os sapatos.

Templo de Kamakhya: o Grande Santuário do Desejo e da Fertilidade

É, assim, descalços que inauguramos a visita ao templo de Kamakhya, bem mais demorada e deslumbrante do que alguma vez pudéssemos esperar.

Kamakhya é o principal de um complexo de dez templos individuais dedicados ao mesmo número de Grandes Sabedorias (Mahavidyas) do hinduísmo.

Surge encaixado numa plataforma ladeada por uma bancada em jeito de ghat, se tivermos em conta a ausência de rio. Foi renovado e alterado por várias vezes entre os séculos VIII e XVIII, de tal maneira que tem hoje um formato peculiar, com uma espécie de campânula hemisférica dourada assente numa base cruciforme.

Começamos por subir a um extremo da bancada e por dali apreciarmos o edifício e uma “assistência” de fiéis que lá repousavam e meditavam numa curiosa partilha do espaço com cabras, cães e pombos. Desse cimo, apreciamos o movimento de tantos outros para cá e para lá do edifício.

Piscina da Divina Bendição: Tanque de Banhos e Reservatório do Hinduísmo

Constatamos que o complexo é refrescado por uma Piscina da Divina Bendição, um tanque que acolhia uma colónia de grandes tartarugas, esse sim, cercado por ghats e dividido em dois. Uma sua metade era dedicada à limpeza do complexo. Na outra, os fiéis purificam-se antes de prosseguirem para o interior do templo.

Os crentes que por lá passavam autónomos, borrifavam a cabeça e as faces com alguma da água. Após o que se dedicavam a preces e oferendas a uma quadra de pequenas representações divinas monolíticas e escarlates. Outros, chegavam na companhia de sacerdotes do templo de Kamakhya que os guiavam numa cerimónia bem mais elaborada.

Já um bando de miúdos usava o reservatório com sérios fins balneares, entregues a mergulhos acrobáticos e natações remediadas. Para diversão do funcionário local, que os parecia invejar mas se via obrigado a expulsá-los de cada vez que novo grupo de fiéis chegava.

Da Piscina da Divina Purificação, a passagem ao recinto sagrado do templo de Kamakhya era tudo menos imediata. No fim-de-semana em que estávamos, o número de pretendentes aumentava a olhos vistos. Encontramo-los, alinhados numa longa e sinuosa passagem gradeada, com aspecto de prisão momentânea, se bem que colorida por saris lustrosos e animada por um convívio respeitoso.

A Vulva Sagrada de Garbhagriha

Enfiados naquele estranho corredor, os crentes aproximam-se, aos poucos, da Garbhagriha, a zona mais sagrada do templo de Kamakhya, uma pequena câmara escura acessível por uma escadaria íngreme de pedra. No interior, há uma laje em que se aninha uma depressão com 25 cm em forma de vulva.

Lá são proibidas as fotos, mas é esta escultura avermelhada, humedecida em permanência por água de uma nascente subterrânea, que vemos os fiéis hindus e do Tantra tocarem, sentirem e idolatrarem como a deusa do desejo sexual e da criação Kamakhya.

Em Junho, em plena época húmida da monção do subcontinente, Guwahati e o templo de Kamakhya recebem ainda um festival anual, o Ambubachi Mela, que celebra o ciclo anual de menstruação da deusa.

Os crentes acreditam que, por esta altura, o poder criativo e de gestação da sua menstruação se torna transferível a todos os devotos. Como ao rio Bramaputra que surge tingido de vermelho, mais pelo pigmento vermelhão lá colocado pelos escolares hindus que propriamente devido a sangue gerado pelo período da deusa. Isto, apesar de milhares de devotos preferirem acreditar na versão sobrenatural.

O próprio templo e a crença de que se rodeia é visto, por muitos fiéis mais esclarecidos, como milagroso. Em Kamakhya, a fé não surge centrada em redor do habitual panteão dos deuses hindus. Não existem sequer verdadeiras estátuas para idolatrar. Mais que isso. Um pouco por toda a Índia, a menstruação continua a ser vista como um tabu, algo desprezível que é suposto ser evitado nas conversas.

Pois, em Guwahati e na colina de Nimachal, assumiu um improvável estatuto divino. Mesmo que, como acontece com a maior parte dos templos indianos, muitas famílias continuem a proibir as adolescentes e mulheres de o visitarem durante os seus períodos de menstruação. Há muito que a espiritualidade indiana convive com estas suas contradições. Tão cedo não irá mudar.

Os autores agradecem o apoio na realização deste artigo às seguintes entidades:  Embaixada da Índia em Lisboa; Ministry of Tourism, Government of India; Assam Development Corporation

 

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Dragão Humano
Cerimónias e Festividades

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Go Go
Cidades
Banguecoque, Tailândia

Mil e Uma Noites Perdidas

Em 1984, Murray Head cantou a magia e bipolaridade nocturna da capital tailandesa em "One Night in Bangkok". Vários anos, golpes de estado, e manifestações depois, Banguecoque continua sem sono.
Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Cultura
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

A derradeira luz
Em Viagem
Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.
Étnico
Nelson a Wharariki, Nova Zelândia

O Litoral Maori em que os Europeus Deram à Costa

Abel Janszoon Tasman explorava mais da recém-mapeada e mítica "Terra Australis" quando um equívoco azedou o contacto com nativos de uma ilha desconhecida. O episódio inaugurou a história colonial da Nova Zelândia. Hoje, tanto a costa divinal em que o episódio se sucedeu como os mares em redor evocam o navegador holandês.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Parking de Kalesas
História

Vigan, Filipinas

A Mais Hispânica das Ásias

Os colonos espanhóis partiram mas as suas mansões estão intactas e as kalesas circulam. Quando Oliver Stone buscava cenários mexicanos para "Nascido a 4 de Julho" encontrou-os nesta ciudad fernandina

Recanto histórico
Ilhas

Tasmânia, Austrália

À Descoberta de Tassie

Há muito a vítima predilecta das anedotas australianas, a Tasmânia nunca perdeu o orgulho no jeito mais rude que aussie de ser e mantém-se envolta em mistério no seu recanto meridional dos antípodas.

Solidariedade equina
Inverno Branco

Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

De visita
Literatura

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

À boleia do mar
Natureza
Maui, Havai

Divino Havai

Maui é um antigo chefe e herói do imaginário religioso e tradicional havaiano. Na mitologia deste arquipélago, o semi-deus laça o sol, levanta o céu e leva a cabo uma série de outras proezas em favor dos humanos. A ilha sua homónima, que os nativos creem ter criado no Pacífico do Norte, é ela própria prodigiosa.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Chapéu Lenticular
Parques Naturais

Mount Cook, Nova Zelândia

O Monte Fura Nuvens

O Aoraki/Monte Cook até pode ficar muito aquém do tecto do Mundo mas é a montanha mais imponente e elevada da Nova Zelândia.

Santuário sobre a floresta II
Património Mundial UNESCO

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Riso no elevador
Personagens

Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A industria japonesa da noite é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, somos acolhidos por uma sua assalariada enigmática que opera algures entre a arte gueixa e a prostituição convencional.

Espantoso
Praias

Ambergris Caye, Belize

O Recreio do Belize

Madonna cantou-a como La Isla Bonita e reforçou o mote. Hoje, nem os furacões nem as disputas políticas desencorajam os veraneantes VIPs e endinheirados de se divertirem neste refúgio tropical.

Via Conflituosa
Religião

Jerusalém, Israel

Pelas Ruas Beliciosas da Via Dolorosa

Em Jerusalém, enquanto percorrem o caminho de Cristo para a cruz, os crentes mais sensíveis apercebem-se de como a paz do Senhor é difícil de alcançar nas ruelas mais disputadas à face da Terra.

A Toy Train story
Sobre carris
Darjeeling Himalayan Railway, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Sociedade
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Um
Vida Quotidiana

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Patrulha réptil
Vida Selvagem
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.