Peneda-Gerês, Portugal

Do “Pequeno Tibete Português” às Fortalezas do Milho


“O Pequeno Tibete Português”
Os longos socalcos abaixo da aldeia de Porta Cova que se estendem até Padrão.
Vultos
Moradora da branda de Alhal e dois dos seus cães, numa manhã de muita névoa.
Maternidade
Potro e égua garranos numa encosta da Serra do Soajo virada a Travanca e ao Mezio.
Canastros II
Moradora de Lindoso usa um carrinho-de-mão para mudar espigas de um espigueiro para outro.
Uma grande ermida
O santuário da Nª Senhora da Peneda, abaixo de uma enorme fraga da serra homónima.
Ciclo-Vez
Ciclista percorre um passadiço que acompanha o caudal do Vez.
Dª Júlia
Moradora da branda de Alhal, uma povoação transumante acima de Sistelo.
Nas verdes profundezas
A aldeia de Padrão, enfiada num vale recortado da Serra de Soajo, aquém do rio Vez.
Espigueiros de Soajo
Espigueiros de Soajo, destacados numa eira de granito sobranceira.
Uma história de granito
Muralhas do castelo de Lindoso, acima da enorme eira de espigueiros da aldeia.
Aqui nasce o Vez
Urzal, em redor da nascente do rio Vez, no cimo da serra de Soajo.
Espigueiros de Sistelo
Espigueiros de Sistelo, à beira da rua Manuel António Gonçalves Roque, o único visconde de Sistelo.
Má camuflagem
Vaca cachena destacada de um denso fetal no cimo da Serra de Soajo.
Canastros
Alguns dos mais de cinquenta espigueiros de Lindoso.
O caminho de sempre
Moradora da branda de Alhal e dois dos seus cães, numa manhã de muita névoa.
Verde abrigo
Um dos vários portelhos no cimo húmido da branda de Alhal, uma povoaçãoo de Verão, acima de Sistelo.
Lindoso
Panorâmica de Lindoso com os seus mais de cinquenta espigueiros e, logo acima, o castelo secular da povoação.
Escadas a caminho de escadas
Escadaria de acesso ao santuário da Nª; Senhora da Peneda.
Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo a Arcos de ValdeVez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de Pequeno Tibete Português. Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras da Peneda-Gerês.

É profundo como o tempo que o escavou o vale do Minho e da Peneda-Gerês por que serpenteamos desde que a floresta encantada de Lamas de Mouro ficou para trás.

Detemo-nos pelo caminho para examinarmos uma colónia de plantas carnívoras carmesins sempre ávidas de insectos incautos.

Distraídos pelo tema e pela imponência dos cenários das encostas, as torres da Nª Senhora da Pena surgem como uma miragem acima da vegetação frondosa.

Contornamos o templo. Detemo-nos de frente para a sua fachada de granito e alvenaria branca e da fraga cinzenta que rasga o céu estival.

santuário da Nª Senhora da Peneda, PN Peneda Gerês, Minho, Portugal

O santuário da Nª; Senhora da Peneda, abaixo de uma enorme fraga da serra homónima.

Em pleno Verão, já não lá flui a Cascata da Peneda. O firmamento mantém-se tão azul e imaculado como estaria em 1220, quando se diz que a Nª Senhora das Neves apareceu a uma pastorinha numa atmosfera pouco condizente com o epíteto. Segundo a lenda,  a visão deu-se a um 5 de Agosto. Não estaria sequer fresco.

Em anos recentes, à laia de Fátima, a Srª da Peneda ganhou a sua própria feira. Quem a visita, fá-lo com fé e com tempo. Tempo para ascender as centenas de degraus e se refugiar na nave elevada e desafogada, numa espécie de Via Verde comungante para Deus.

Fá-lo com tempo para espreitar as lojas e bancas repletas de itens religiosos e profanos; de se sentar à sombra das árvores do adro vasto adiante e de recuperar as forças.

Um grupo de amigos cinquentões regressa ao fundo do escadório das Virtudes, recém-passados pela Fé, a Esperança, a Caridade e a Glória, as estátuas que a adornam. Instalam-se na rulote imediata.

Lá se entregam a cervejinhas geladas e a vinhos frisantes, a petiscos de pão com presunto e até a churros e farturas que consolidam a generosidade do repasto.

santuário da Nª; Senhora da Peneda, PN Peneda-Gerês, Minho, Portugal

Escadaria de acesso ao santuário da Nª; Senhora da Peneda

Por Caminhos da Serra do Soajo

Regressamos ao caminho. Apontamos a sul. O vale conflui  noutros tantos. Detemo-nos num miradouro de beira da estrada. De lá apreciamos a Srª da Peneda já ínfima. O recorte complexo dos montes em redor, a aldeia quinada de Tibo e a Lagoa dos Druidas, numa eminência bem mais rugosa de Espanha.

Prosseguimos vertente acima, na direcção oposta àquele estrangeiro familiar e Serra do Soajo adentro, não tarda por uma estrada rude de terra batida. As povoações somem-se.

Ficamos entregues a um planalto forrado de fetos e tojos conviventes. Neste alto ermo, os habitantes são as vacas cachenas, farruscas de se enlamearem ou passarem em zonas ainda tostadas por fogos do Verão passado.

Aqui nasce o Vez

Urzal, em redor da nascente do rio Vez, no cimo da serra de Soajo

Atravessamos o rio Vez nascido há uns meros metros e que ali irriga um extenso urzal. Vislumbramos o primeiro dos dois fojos do lobo da zona, grandes muros em forma de V, com vértices armadilhados onde, até cerca de 1930, um batalhão de pastores encurralava as feras e as exterminava.

A pastorícia e a transumância fazem, há muito, parte destes domínios. De tal maneira que integraram a paisagem. À esquerda da via e à distância, três ou quatro cachenas parecem contemplar o vale profundo do rio Castro Laboreiro, destacadas contra um muro celeste de cumulus nimbus.

Vaca cachena, Serra do Soajo, PN Peneda Gerês, Minho, Portugal

Vaca cachena destacada de um denso fetal no cimo da Serra de Soajo

Entre nós e as vacas, estão mariolas, as pilhas de pedras que os pastores erguiam para se orientarem na névoa. Na encosta abaixo da cachena contemplativa, jaz um castro enigmático de portelhos, as cabanas complementares em que se abrigavam do frio e das intempéries.

Contávamos encontrar garranos. Por alguma razão que desconhecemos não vemos um que seja. Isto até que nos aproximamos da falda sudoeste da serra, mais exposta às nuvens e à humidade.

Potro e égua garranos, Serra do Soajo, PN Peneda Gerês, Minho, Portugal

Potro e égua garranos numa encosta da Serra do Soajo virada a Travanca e ao Mezio.

Quem sabe se por o pasto lá ser refrescado, é dali para baixo que os cavalos se concentram, em manadas territoriais, algumas com potros recém-nascidos, sobrevoadas por bandos de abutres atentos a possíveis desgraças.

Da Porta do Mezio a Arcos de Valdevez

Chegamos ao sopé da serra e das Lagoas da Travanca. Luís Fernandes, o anfitrião destas paragens, instala-nos no parque de campismo da terra e prenda-nos com um lanche de broa, presunto e marmelada a que nos entregamos agradecidos e sem cerimónias.

Passamos pela Porta do Mezio – uma entrada ampla e sofisticada para o PN da Peneda-Gerês, de onde descemos a tempo de pernoitar em Arcos de Valdevez.

Despertamos revigorados. Espreitamos a vista da varanda do hotel Piemonte mesmo acima do rio Vez que ali flui sob uma das pontes históricas mais emblemáticas do Minho.

Aldeia de Padrão, Serra do Soajo, PN Peneda Gerês, Minho, Portugal

A aldeia de Padrão, enfiada num vale recortado da Serra de Soajo, aquém do rio Vez.

Regressamos à Serra da Peneda, em busca dos talvegues em que se instalaram Sistelo e as aldeias vizinhas. Necessitados de terrenos de cultivo neste reduto enfiado entre ladeiras, os nativos retalharam-nas em socalcos.

Criaram tantos e tão seguidos que, sem consciência do facto, moldaram as terras à imagem de outras asiáticas – do Vietname, da China, da Indonésia, das Filipinas – em que há milénios o arroz assim é plantado.

Terraços de Sistelo, Serra do Soajo, Arcos de Valdevez, Minho, Portugal

Os longos socalcos abaixo da aldeia de Porta Cova que se estendem até Padrão

Por um qualquer desvio do paralelo, o lugar viu-se apelidado de “Tibete Português”, quando os cenários místicos do Tecto do Mundo são terrosos e inóspitos, destoantes do Sistelo verdejante que, não tarda, temos em vista.

No Cimo de Brandas Nevoentas e Misteriosas

Uma névoa matinal que cai das alturas da serra. Em vez de aguardarmos que o sol empinasse e a expulsasse, subimos à Branda de Alhal, uma das muitas povoações transumantes erguidas pelos nativos para garantirem os melhores pastos ao seu gado também durante o Verão.

O nevoeiro é, ali, tão denso quanto possível. Concede-nos apenas silhuetas de alguns muros e casas e a visão de uma cachena fantasmagórica que um residente enfia à pressa no curral.

Exploramos a base da povoação inclinada. Sem aviso, um vulto lutuoso, apoiado num cajado, anunciado por um podengo felpudo, desce um caminho íngreme de cabras e saúda-nos.

Cláudia Fernandes – a cicerone destas paragens – apresenta-nos de maneira a nos distinguir das bateladas de turistas que agora afluem à região, ao ponto de deixarem os moradores avessos a que os fotografem e, como já aconteceu “depois lhes façam maldades no Facebook”.

Moradora de Branda de Alhal e podengo, Serra do Soajo, Arcos de Valdevez, Minho, PortugalMoradora da branda de Alhal e dois dos seus cães, numa manhã de muita névoa.

Mais à vontade, a Dª Júlia predispõe-se para a conversa. Perguntamos-lhe a graça dos cães. A resposta diverte-nos. “O meu marido é que lhes põe os nomes. Essa aí é a Luena. Há uma Milú, olhem… os outros já nem sei bem.“ Ao que apuramos, o esposo inspirava-se nas novelas da TV que o isolamento e as noites frias e ventosas lhes impingiam para o serão.

Metemo-nos por um caminho muralhado que entra por uma floresta lúgubre de enormes pinheiros exógenos. Do lado de lá, encontramos um núcleo de portelhos musgosos, dispersos no fetal ensopado pela névoa, uns mais preservados que outros.

Portelho, branda de Alhal, Arcos de Valdevez, Minho, Portugal

Um dos vários portelhos no cimo húmido da branda de Alhal, uma povoação de Verão, acima de Sistelo.

Apreciamo-los por uns bons vinte minutos. Quando o nevoeiro cede, regressamos ao jipe e baixamos a uma meia altura panorâmica da serra.

Sistelo, Porta Cova e Padrão – o “Tibete Português”

Empoleirados sobre rochedos, cercados por tojos, apreciamos os socalcos entre as aldeias de Porta Cova e de Padrão. Deslumbrante, o panorama listado mantém-nos entretidos por mais meia-hora.

Após o que regressamos ao asfalto e apontamos à aldeia que ficou com o crédito, a agora demasiado notória Sistelo.

Espigueiros de Sistelo, Arcos de Valdevez, Minho, Portugal

Espigueiros de Sistelo, à beira da rua Manuel António Gonçalves Roque, o único visconde de Sistelo

Conta trezentos habitantes a população há muito decrescente da aldeia medieval em que, em tempos, a Ordem de Malta terá detido propriedades e influência.

Hoje, fruto do triunfo na categoria “Aldeias” do concurso das “7 Maravilhas de Portugal”, alguns moradores prosperam com os visitantes. Outros, lamentam-se pelo excesso de malta que invade a povoação, que lhe rouba a tranquilidade e genuinidade.

Espreitamos a velha igreja matriz e os espigueiros alinhados à beira da rua principal. Foi baptizada em honra de Manuel António Gonçalves Roque (1834 – 1855), primeiro e único visconde do Sistelo, desde cedo emigrado no Brasil onde fez a fortuna que aplicou na terra-mãe – caso do seu Castelo – e em instituições de caridade brasileiras e portuguesas.

Com o fim da manhã, afluem mais excursões de estrangeiros, grupos de escuteiros, de forasteiros irrequietos em geral. Tínhamos muito por explorar pelo que a hora nos parece ideal para regressamos a Arcos de Valdevez.

Por terras de espigueiros: Soajo

Despedimo-nos de Cláudia. Viajamos 20km para leste e damos com Soajo. Soajo é dona do seu próprio núcleo de 24 espigueiros benzidos por cruzes, claro está, dispostos numa ampla eira comunitária instalada sobre uma laje de granito, sobranceira aos campos cultivados e à estrada que ali cruza a povoação.

Espigueiros de Soajo, Minho, Portugal

Espigueiros de Soajo, destacados numa eira de granito sobranceira

O café em frente está à pinha. Anima os clientes com cerveja gelada e música popular.

Rosinha e o seu “pacote” convidam à dança. Até os turistas estrangeiros concentrados em decifrar o intrigante monumento agrícola, construído há mais de dois séculos, mas que os camponeses da freguesia continuam a rechear de espigas preciosas.

Os espigueiros de Soajo não seriam os últimos no nosso caminho. Prosseguimos para leste, lado e lado com o rio Lima que, uma vez mais na raia de Espanha, nos conduz à barragem de Lindoso.

Cruzamo-lo pela crista da represa. Alguns meandros de asfalto depois, vislumbramos a torre do castelo da povoação.

Ainda por Terras de Espigueiros: Lindoso

Pela animação no interior, depreendemos que lá decorre uma qualquer festa privada. Contornamos as muralhas. Mais cedo do que esperávamos, damos de caras com a eira local e com os seus cinquenta e tal canastros, de longe, o maior conjunto de Portugal.

Espigueiros de Lindoso, PN Peneda Gerês, Minho Portugal

Panorâmica de Lindoso com os seus mais de cinquenta espigueiros e, logo acima, o castelo secular da povoação

Uma senhora repete vaivéns ao comando de um carrinho-de-mão. Às tantas, já nos custa conter a curiosidade.

Pedimos-lhe que nos revele o afazer. “Olhem, ando a mudar as espigas de um espigueiro para o outro. Calhou-me esta sina!” responde-nos a encolher os ombros.

Uma qualquer regra ou conveniência da eira teria ditado tal castigo, em absoluta dissonância com as pândegas que se arrastavam em redor: a circunscrita ao castelo.

Moradora entre espigueiros de Lindoso, PN Peneda Gerês, Minho, Portugal

Moradora de Lindoso usa um carrinho-de-mão para mudar espigas de um espigueiro para outro.

Em simultâneo, um casório de emigrantes, com os noivos e as famílias e amigos em fatos e vestidos demasiado lustrosos para o cenário rural pitoresco em que Lindoso os acolhia.

Um prateado crescente apodera-se do céu para ocidente da Serra Amarela, enquanto a banda sonora distorcida pelo granito da fortaleza animava o fim da tarde.

Castelo de Lindoso, Minho, Portugal

Muralhas do castelo de Lindoso, acima da enorme eira de espigueiros da aldeia.

Apesar de erguido no longínquo reinado de Afonso III e de se situar numa posição fronteiriça estratégica, o castelo da aldeia nunca foi palco de uma grande batalha.

Malgrado o aparato das celebrações, Lindoso terminaria o dia na paz de trazer por casa que Sistelo tanto anseia recuperar.

 

Os autores agradecem às seguintes entidades o apoio prestado à realização desta reportagem:

NATURE4 –  Reserve as suas actividades no PN PENEDA-GERÊS em www.nature4.pt 

ENTIDADE DE TURISMO DE PORTO E NORTE – www.portoenorte.pt

Castro Laboreiro, Portugal  

Do Castro de Laboreiro à Raia da Serra Peneda - Gerês

Chegamos à (i) eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Ilha Terceira, Açores

Ilha da Terceira: Viagem por um Arquipélago dos Açores Ímpar

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. São apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da ilha Terceira ímpar não têm conta.
Ilha das Flores, Açores

Os Confins Atlânticos dos Açores e de Portugal

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
São Miguel, Açores

Ilha de São Miguel: Açores Deslumbrantes, Por Natureza

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada.
Ilha do Pico, Açores

Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
Santa Maria, Açores

Santa Maria: Ilha-Mãe dos Açores Há Só Uma

Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
Parque Nacional
Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
festa no barco, ilha margarita, PN mochima, venezuela
Parques nacionais
Ilha Margarita ao PN Mochima, Venezuela

Ilha Margarita ao Parque Nacional Mochima: um Caribe bem Caribenho

A exploração do litoral venezuelano justifica uma festa náutica de arromba. Mas, estas paragens também nos revelam a vida em florestas de cactos e águas tão verdes como a selva tropical de Mochima.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Treasures, Las Vegas, Nevada, Cidade do Pecado e Perdao
Arquitectura & Design
Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.
Aventura
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Cerimónias e Festividades
Pentecostes, Vanuatu

Naghol: O Bungee Jumping sem Modernices

Em Pentecostes, no fim da adolescência, os jovens lançam-se de uma torre apenas com lianas atadas aos tornozelos. Cordas elásticas e arneses são pieguices impróprias de uma iniciação à idade adulta.
Escadaria Palácio Itamaraty, Brasilia, Utopia, Brasil
Cidades
Brasília, Brasil

Brasília: da Utopia à Capital e Arena Política do Brasil

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.
jovem vendedora, nacao, pao, uzbequistao
Comida
Vale de Fergana, Usbequistão

Uzbequistão, a Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Uzbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.
Danças
Cultura
Okinawa, Japão

Danças de Ryukyu: têm séculos. Não têm grandes pressas.

O reino Ryukyu prosperou até ao século XIX como entreposto comercial da China e do Japão. Da estética cultural desenvolvida pela sua aristocracia cortesã contaram-se vários estilos de dança vagarosa.
arbitro de combate, luta de galos, filipinas
Desporto
Filipinas

Quando só as Lutas de Galos Despertam as Filipinas

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.
Caiaquer no lago Sinclair, Cradle Mountain - Lake Sinclair National Park, Tasmania, Austrália
Em Viagem
À Descoberta de Tassie, Parte 4 -  Devonport a Strahan, Austrália

Pelo Oeste Selvagem da Ilha da Tasmânia

Se a quase antípoda Tazzie já é um mundo australiano à parte, o que dizer então da sua inóspita região ocidental. Florestas densas, rios esquivos e um litoral rude batido por um oceano Índico quase Antártico geram enigma e respeito a norte do Estreito de Bass. À descoberta da região mais acessível entre Devonport e Strahan, ficamos com uma leve ideia da sua excentricidade meridional.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Étnico
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Casario, cidade alta, Fianarantsoa, Madagascar
História
Fianarantsoa, Madagáscar

A Cidade Malgaxe da Boa Educação

Fianarantsoa foi fundada em 1831 por Ranavalona Iª, uma rainha da etnia merina então predominante. Ranavalona Iª foi vista pelos contemporâneos europeus como isolacionista, tirana e cruel. Reputação da monarca à parte, quando lá damos entrada, a sua velha capital do sul subsiste como o centro académico, intelectual e religioso de Madagáscar.
A pequena-grande Senglea
Ilhas

Senglea, Malta

A Cidade com Mais Malta

No virar do século XX, Senglea acolhia 8.000 habitantes em 0.2 km2, um recorde europeu, hoje, tem “apenas” 3.000 cristãos bairristas. É a mais diminuta, sobrelotada e genuína das urbes maltesas.

Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

silhueta e poema, cora coralina, goias velho, brasil
Literatura
Goiás Velho, Brasil

Vida e Obra de uma Escritora à Margem

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro
Normatior
Natureza

PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Vulcão ijen, Escravos do Enxofre, Java, Indonesia
Parques Naturais
Vulcão Ijen, Indonésia

Os Escravos do Enxofre do Vulcão Ijen

Centenas de javaneses entregam-se ao vulcão Ijen onde são consumidos por gases venenosos e cargas que lhes deformam os ombros. Cada turno rende-lhes menos de 30€ mas todos agradecem o martírio.
Passerelle secular
Património Mundial UNESCO

Galle, Sri Lanka

Nem Além, Nem Aquém da Lendária Taprobana

Camões eternizou o Ceilão como um marco indelével das Descobertas onde Galle foi das primeiras fortalezas que os portugueses controlaram e cederam. Passaram-se cinco séculos e o Ceilão deu lugar ao Sri Lanka. Galle resiste e continua a seduzir exploradores dos quatro cantos da Terra.

Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Pescador manobra barco junto à Praia de Bonete, Ilhabela, Brasil
Praias
Ilhabela, Brasil

Em Ilhabela, a Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das dez melhores praias do Brasil.
Um contra todos, Mosteiro de Sera, Sagrado debate, Tibete
Religião
Lhasa, Tibete

Sera, o Mosteiro do Sagrado Debate

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.
Executivos dormem assento metro, sono, dormir, metro, comboio, Toquio, Japao
Sobre carris
Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para o seu inemuri, dormitar em público.
Sociedade
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Crocodilos, Queensland Tropical Australia Selvagem
Vida Selvagem
Cairns a Cape Tribulation, Austrália

Queensland Tropical: uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.
Passageiros, voos panorâmico-Alpes do sul, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Aoraki Monte Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.