Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas


Comodidade até na Natureza

Veado passa em frente a máquina de bebidas colocadas em pleno parque de Nara.

Cliente frequente

Mayu, uma habitante de Osaka habituada a comprar latas de café nas máquinas da sua cidade.

Chá Kirin

Diferentes chás frios da marca Kirin. As bebidas quentes tem a barra por debaixo vermelha, em vez de azul.

Lolita Style

Moradora de Asakusa, Tóquio vestida em estilo Lolita, posa em frente a uma máquina do bairro.

Refeição Rápida

Casal partilha uma sopa instantânea em frente a uma máquina de bebidas de Takayama, na região de Hida.

Máquina Vintage

Máquina com design clássico, uma raridade entre os milhões de espécimes sofisticados.

Arte e Vending

Máquinas de bebidas lado a lado com obras de arte de rua na ilha de Ishigaki, a sul de Okinawa.

Chá Kirin II

Chás frios da marca Kirin. As bebidas quentes tem a barra por debaixo vermelha, em vez de azul.

Recreio

Empregados de um Maiden Café de Asakusa, tiram um tempo para saborear bebidas nas traseiras do seu local de trabalho.

Bebidas para todos os gostos

Máquina com bebidas quentes e frias numa rua de Tóquio.

Versão túnel

Sequência de máquinas por baixo de uma ponte ferroviária de Tóquio repleta de pequenos restaurantes de rua.

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Graças à proximidade da vasta e gélida Sibéria, o Inverno japonês instala-se, com frequência, mais cedo do que se espera e, por vezes, invade os meses próprios de uma Primavera solarenga.

Vivia-se o último desses caprichos meteorol&o

acute;gicos quando explorávamos os domínios do Monte Fuji, a partir da base da sua vertente sul, encaixada entre a baía de Saruga e a encosta do vulcão. Os dias amanheciam húmidos e frígidos e só de tempo em tempo vislumbrávamos o seu cume nevado distante, entre as nuvens que se haviam instalado.

Para aproveitarmos ao máximo esses períodos efémeros de visibilidade, sacrificávamo-nos a despertares madrugadores que nos faziam chegar à estação de comboio de Kofu antes dos primeiros “autómatos” laborais japoneses e até da abertura das lojas de conveniência da zona, menos presentes que o habitual por estarmos a quase 100km de Tóquio.

A caminhada de vinte minutos enregelava-nos e despertava um apetite voraz. Assim que chegávamos à plataforma, tirávamos das mochilas um qualquer snack industrial comprado na véspera e voávamos para as máquinas de vending ali instaladas. Cento e trinta e ienes (pouco mais que 1 euro), garantiam-nos o primeiro momento recompensador do dia e a compra não podia ser mais fácil e rápida. Já sabíamos de cor e salteado a posição da bebida preferida. As moedas de 100 ienes e de cêntimos que inseríamos caíam quase sem som e bastava-nos não falhar o botão correcto para uma garrafa de Milk Tea Kirin bem quente se precipitar para o depósito, como uma espécie de jackpot alimentar garantido.

Em redor, a geada pintava de branco a paisagem suburbana e cobria secções da estação. Os pequenos bolicaos nipónicos mais pareciam esferovite mas os primeiros golos daquele chá com leite tinham o sabor da salvação. Durante vários meses de exploração do Japão, aquelas máquinas salvaram-nos vezes sem conta.

Há uma máquina de bebidas para cada vinte e dois habitantes nipónicos (cerca de 5 milhões, no total). Surgem em menor número nos recantos rurais ou montanhosos mais insólitos do país ou como parte de verdadeiros exércitos electrificados que tomaram as cidades e os seus arredores. Pertencem a grandes companhias tecnológicas que as alugam às principais empresas japonesas e multinacionais que vendem bebidas. Nas zonas de maior circulação de pessoas – como em Shinjuku, Tóquio, onde se situa a estação de comboios e metro mais movimentada do mundo – podem aparecer em sequências infindáveis que levam ao desespero os clientes mais indecisos. A oferta não é para menos. Além de uma panóplia de águas minerais, vitaminadas e com sabores e dos refrigerantes internacionais do costume – Coca Cola, Pepsi, Fanta, etc – são ainda oferecidos inúmeros refrigerantes e sumos nipónicos (os japoneses chamam a todos jusuu) vários tipos de chás, chás com leite, incontáveis tipos de cafés (normais, Premium e hiper-fortes), de cafés com leite e até achocolatados.

Por norma, as bebidas surgem organizadas por categoria e uma barra azul ou vermelha abaixo da linha dos preços determina se são produtos quentes ou refrigerados sendo que os primeiros diminuem à medida que o Inverno fica para trás mas, com excepção para Okinawa e restantes ilhas subtropicais de Ryukyu, têm sempre algumas latas e garrafas a representá-los.

Passada esta pré-escolha da temperatura, a selecção da bebida pode envolver distintos factores. O hábito será um dos principais, como a necessidade física e o estado de espírito do cliente. Mas não se pode menosprezar a aptidão manipuladora das empresas. Nenhum país desenvolveu a arte do design como o Japão e os rótulos e o packaging das pequenas latas e garrafas conquistam muitos cérebros até porque parece pouco credível que, numa nação com o poder de compra do Japão, a ténue diferença entre os 100 e os 150 ienes (preços mínimos e máximos das bebidas) exerça demasiada influência.

No nosso caso particular, conseguimos chegar às bebidas eleitas em relativamente pouco tempo: Milk Tea da Kirin ou  de duas ou três outras marcas (o sabor pouco muda) foi a eleita para pequeno-almoço, para aquecer ou refrescar já que existe quente e refrigerada. Optamos por uma excepcional bebida isotónica quando o calor e a sede apertam e por um café ou café com leite nas raras alturas em que é preciso um estímulo extra para vencer o sono ou o cansaço e continuar à descoberta.

Mas milhões de japoneses e de gaijins (estrangeiros) continuam indecisos. Com o propósito de os influenciar, foram lançadas recentemente algumas máquinas equipadas com sistemas de reconhecimento facial que recomendam bebidas com base na idade e no género do cliente. A título de curiosidade, a empresa responsável pela sua criação e comercialização é a JR East Water Business Co, nem mais nem menos que uma subsidiária da empresa ferroviária JR East Co. E este facto contribui para demonstrar a versatilidade e dinâmicas de negócio a que se entregam empresas de transportes nipónicas.

De regresso ao reconhecimento facial, se for identificado um homem na casa dos 50, a recomendação cairia provavelmente sobre um chá verde. Se esse homem for mais novo, passará a ser um café. A uma mulher nos seus vinte e poucos anos será sugerido um milk tea ou algo mais doce. Mas os criadores previram também outras situações. 

A recomendação da bebida pode, por exemplo, depender da temperatura e da altura do dia. Em qualquer caso, o produto aconselhado é identificado com uma etiqueta electrónica especial que se activa de imediato. E, segundo um acordo entre municipalidades japonesas e as empresas de vending, máquinas posicionadas em lugares estratégicos – como estações de metro e de comboio – foram equipadas com sistema de suporte energético especial e programadas para oferecer bebidas em caso de desastres naturais.

Em tempos de normalidade, o pagamento das bebidas pode ser feito com recurso a moedas ou notas, ou ainda a sistemas de cartões inteligentes como o popular Suica que tomou conta do Japão e é usado para inúmeros fins. Mas as leis do mercado ditaram que nem sempre é necessário pagamento.

Alguns operadores de vending de bebidas menos dispendiosas (70 a 120 ienes e servidas em copos de papel com logos e até mini-anúncios neles impressas) lembraram-se de oferecer descontos ou até mesmo as bebidas às pessoas que, em troca, assistissem a filmes publicitários com cerca de 30 segundos. A tarefa pareceu simples e até divertida a milhões de nipónicos. Hoje, estas máquinas superam já as 50.000 unidades e juntaram-se às mais de cinco milhões que tinham já conquistado a nação dos imperadores.

Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.

Okinawa, Japão

O Pequeno Império do Sol

Reerguida da devastação causada pela 2ª Guerra Mundial, Okinawa recuperou a herança da sua civilização secular ryukyu. Hoje, este arquipélago a sul de Kyushu abriga um Japão à margem, prendado por um oceano Pacífico turquesa e bafejado por um peculiar tropicalismo nipónico.

Tóquio, Japão

O Vídeo-Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.

Tóquio, Japão

Ronronares Descartáveis

Tóquio é a maior das metrópoles mas, nos seus apartamentos exíguos, não há lugar para mascotes. Empresários nipónicos detectaram a lacuna e lançaram "gatis" em que os afectos felinos se pagam à hora.

Tóquio, Japão

O Imperador sem Império

Após a capitulação na 2ª Guerra Mundial, o Japão submeteu-se a uma constituição que encerrou um dos mais longos impérios da História. O imperador japonês é, hoje, o único monarca a reinar sem império.

Tóquio, Japão

À Moda de Tóquio

No ultra-populoso e hiper-codificado Japão, há sempre espaço para mais sofisticação e criatividade. Sejam nacionais ou importados, é na capital que começam por desfilar os novos visuais nipónicos.

Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.

Filhos da Mãe-Arménia
Arquitectura & Design
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

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Totens tribais
Aventura

Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula

Bom conselho Budista
Cerimónias e Festividades

Chiang Mai, Tailândia

300 Wats de Energia Espiritual e Cultural

Os tailandeses chamam a cada templo budista wat e a sua capital do norte tem-nos em óbvia abundância. Entregue a sucessivos eventos realizados entre santuários, Chiang Mai nunca se chega a desligar.

Santuário sobre a floresta II
Cidades

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Um Japão Quase Perdido

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Ilha menor
Comida
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Verificação da correspondência
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