Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara


Memorial day of only your once ????
Jovem ciclista de Nara junto a um outdoor com uma legenda misteriosa.
Varanda-templo-Nigatsu-do-Nara-Kansai-Japão
Visitantes à varanda do templo Nigatsu.
Uma Doce Profissão
Empregados trabalham numa loja de doces tradicionais.
Lago de Outono
Cores de Outono do jardim Isuiem num dia cinzentão.
Bici-compras
Moradora de Nara examina produtos numa rua da cidade.
Nigatsu, quase noite
O templo Nigatsu iluminado, sobre o lusco-fusco.
Banca de
Moradores de Nara examinam a montra de uma banca de rua de Nara.
Silhuetas-pagodes-Yakushi-ji-Nara-Kansai-Japão
Silhuetas produzidas pelos pagodes Yakushi sobre o pôr-do-sol.
Momento da rua Sanjo-dori
Vista da longa rua Sanjo-dori.
Compras em grupo
Grupo de alunas examina uma loja de bijutaria em Nara.
No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.

No banco imediatamente em frente do comboio, Yumi começa por afirmar, com timidez, que é de Osaka. Com a continuação da conversa, corrige e assume que nasceu e vive em Nara, Japão. Acaba por nos justificar de forma meio esforçada : “I’m shy … I prefer to say I’m from Osaka …“.

Foi com surpresa que apurámos que, para alguns dos habitantes mais jovens, Nara pode ser considerada “campo” na sua faceta depreciada, motivo de retracção e até alguma vergonha, pela comparação crua ao Japão cosmopolita e ultra-sofisticado de Tóquio, Nagoya, Kobe ou Osaka.

Parecem faltar motivos reais para este tipo de complexos. Herança e testemunho vivo do passado medieval do país do sol nascente, nunca cairiam bem a Nara os arranha-céus e os néones, os ecrãs de alta definição das metrópoles nipónicas ou a linha de shinkansen (comboio-bala) que as liga e lhe passa uns quilómetros ao lado.

O estilo de Nara é outro, comparável, em escala reduzida, ao da vizinha Quioto: pouco luminoso. Nem por isso, menos brilhante e vistoso.

Certas características que lhe são únicas – como o maior edifício de madeira do mundo, o Todai-ji, os vastos jardins relvados e os veados que os percorrem sem destino certo – encantaram os primeiros visitantes e valorizaram-na, desde então, ao ponto de a UNESCO ter qualificado os “Historic Monuments of Ancient Nara” – ruínas, seis templos e oito florestas primárias – como património mundial.

Rua Sanjo-dori, Nara, Japão

Vista da longa rua Sanjo-dori.

A Nara Moderna e Atarefada da rua Sanjo-dori

Quando descemos das longas composições Japan Rail que servem Nara chegamos, claro está, à hora prevista. Como é do conhecimento universal, no que diz respeito a tabelas e responsabilidades profissionais, os japoneses não se desleixam.

Introduz-nos à cidade a longa Sanjo-dori, a principal rua comercial e a que conduz à sua zona histórica, onde se encontram quase todos os jardins e edifícios seculares.

De ambos os lados, sucedem-se estabelecimentos díspares. Um McDonalds que dá para uma loja de quimonos, que se opõe a uma casa de pachinko (jogo de sorte que viciou muitos japoneses) que, por sua vez, revela uma loja de conveniência e por aí fora, sem qualquer lógica temática ou visual.

Por coerência com a incoerência, a pé e de bicicleta, passa por nós gente de todas as idades, nacionalidades e tipos.

Jovem ciclista junto a outdoor, Nara, Japão

Jovem ciclista de Nara junto a um outdoor com uma legenda misteriosa.

São assalariados locais prisioneiros de fatos escuros, rapazes e raparigas a gastar a sua derradeira liberdade teenager: elas, de mini-saia nos limites, botas de cano alto e gorro soviético ushanka; eles menos expostos ao frio, mas igualmente rendidos aos visuais ocidentalizados cool que enfeitam as montras.

Cruzam-se ainda bandos de estudantes estridentes, submetidos aos uniformes infantis das suas escolas e visitantes japoneses e estrangeiros sortidos, dos mochileiros desenrascados aos milionários aperaltados.

Massa de Pasteis e o Dar de Caras com a Nara Secular

Um aglomerado destas personagens assiste à produção tradicional de massa de chá verde, usada em vários tipos de bolos típicos japoneses, recheados com um creme adocicado de feijão.

Os protagonistas são dois pasteleiros munidos de marretas que martelam em alternância e com toda a força o conteúdo de uma tina e gritam em jeito militar, a cada movimento. A coreografia impressiona outros transeuntes que, aos poucos, se juntam à assistência.

Pasteleiros amassam massa de pasteis, Sanjo-dori, Nara, Japão

Pasteleiros batem a massa usada no fabrico de pastéis tradicionais do Japão, em plena Sanjo-dori.

Ao lado, as margens arredondadas do lago Sarusawano são um ponto de confluência natural para quem vem de fora. Ocupam-nas pintores e fotógrafos amadores hiper-equipados ou de máquina compacta em riste, estrategicamente posicionados face ao reflexo do pagode mais alto (50.1 m) do templo Kofuku-ji, outro dos destaques patrimoniais de Nara e antigo pretendente do título do mais elevado do Japão que perdeu, no entanto, para um rival de Quioto.

O Kofuku-ji actual – constituído apenas por quatro edifícios construídos posteriormente: os pagodes de três e cinco andares (goju-no-tou), a Casa do Tesouro e o Tokondo Hall – é uma parte ínfima dos cerca de 175 que o formavam no auge do seu esplendor e que desapareceram durante os 1300 anos que passaram desde o início da sua construção, datado de 710.

Silhuetas pagodes Yakushi, Nara

Silhuetas produzidas pelos pagodes Yakushi sobre o pôr-do-sol.

Apesar de diminuído, este é, ainda hoje, um dos principais templos japoneses da corrente budista Hosso, também conhecida por yuishiki, que defende que toda a existência é consciência e, como tal, que nada existe para lá da mente.

Dessi Tambunan, uma Indonésia com Ansiedade Nipónica

A consciência de Dessi Tambunan, uma jovem mulher indonésia expatriada que nos acolhe em sua casa pouco depois de chegarmos a Nara quase a levava ao desespero. “Sabem… já não sei que mais posso fazer”, desabafa em jeito de amuo, a puxar pelo visual ternurento de boneca de Java: “Eu dou o meu melhor para me adaptar e ser reconhecida como deles. Parece que nunca é suficiente.

Olham sempre para mim de uma maneira diferente. Não sei bem explicar porquê mas estou cá há quase três anos. Continuo a sentir-me apenas e só uma estrangeira…” prossegue na mais pura das sinceridades.

O desabafo comove-nos. Suscita-nos conclusões perturbadoras. A mais óbvia era que a jovem indonésia tinha chegado ao Japão com uma ansiedade do tamanho das enormes expectativas. Ela própria pertencente a uma família rica e influente de Jacarta, Dessi deixara-se contagiar pelo sonho da alta-sociedade nipónica.

Um japonês abastado, atraente e sensível – como, a seu ver, eram quase todos – cairia pelo seu beicinho de porcelana e a vida seria um conto de fadas, longe da humidade atroz, da pobreza e do atraso civilizacional que, assim o considerava, envolviam a sua, apesar de tudo, querida pátria tropical.

A escola de danças orientais e de inglês que tinha aberto no centro de Nara funcionava graças a alguns adolescentes tímidos mas corajosos de Nara que procuravam combater a rigidez e formalidade secular em que foram educados. Mas as suas ancas ossudas impediam-nos de aspirar aos movimentos graciosos da professora e, a um nível oral, o mesmo tipo de problema, enrolava e prendia o ensinamento da língua “do mundo”.

Um Projecto Pessoal de Niponização

Dessi queixava-se de tudo e mais alguma coisa. Mesmo assim, às Segundas, Quartas e Sextas lá deixava o seu estúdio-triplex espelhado ao princípio da noite para se trajar de quimono e aprender, ajoelhada entre as senhoras de bem da cidade, os movimentos complexos da cerimónia do chá, que encarava como o passaporte para a desejada integração. Quando regressava, voltava a lamentar-se da irresolúvel marginalização.

O seu projecto existencial começara na vizinha Osaka, a grande metrópole laboral do Kansai. Mas os preços exorbitantes dos alugueres e uma forte concorrência forçaram-na a mudar-se para Nara, uma cidade que os teenagers sofisticados da região, fãs da supra-sumo Tóquio, veem como antiquada e conservadora e que as autoridades continuam a proteger da mudança em homenagem do passado glorioso.

Nara: Capital por Quase um Século e a sua Única Gueixa no Activo

Nara, cujo nome se acredita provir do termo narashita, que significa alisado, manteve-se a capital japonesa durante a maior parte do século VIII. Chamava-se originalmente Heijō-kyō. Tal como Quioto, numa altura em que o Japão procurava seguir o exemplo civilizacional da China, foi erguida à imagem de Chang’an, a actual cidade de Xi’an, onde se encontra o famoso exército de terracota.

Várias das obras dessa era foram consumidas pelo tempo e seus adventos. Quanto às personagens vivas representantes do tempo clássico do Japão, Nara tem uma mais famosa que qualquer outra. A data da nossa visita, Kikuno era a única gueixa a residir na cidade. A única de duzentas que em tempos lá coexistiam.

Gueixa Kikuno, em Nara, Japão

Kikuno assume uma das poses que as gueixas apuram como forma de sensualidade.

Kikuno dedicava-se ao ofício desde os seus 15 anos. Contava agora com 45. Desi tinha por ela uma enorme admiração. Levou-nos a assistir a um dos seus espectáculos nocturnos. Um dos vários para que a gueixa se via requisitada no dia-a-dia, razão porque, mesmo sendo a protagonista – a artista a solo do espectáculo, aliás – o acabou por abandonar à pressa após duas curtas exibições de dança.

Desi saiu da sala a suspirar, inspirada para novo chorrilho de lamentos quanto à sua situação. Ainda assim, tivemos tempo para comentar o desempenho de Kikuno, a sua pressa, e a lenta extinção da arte gueixa, em geral, no Japão.

No dia seguinte, Desi esteve ocupada com os seus afazeres. Nós, prosseguimos a aturada exploração de Nara, com excepção para o seu grande templo budista, o Todai Ji, o maior edifício de madeira à face da Terra, a que já tínhamos dedicado quase toda uma tarde.

À Descoberta da Nara Florestal e Histórica

Entregámo-nos à paisagem outonal dos parques, sempre de olho nos veados afoitos que se habituaram a perseguir os transeuntes, ansiosos pelos biscoitos que os visitantes compram para lhes darem.

Subimos ao monte Kaigahira-yama, o mais alto da cidade, com 822 metros. Do cimo ventoso, contemplamos a vista panorâmica do casario moderno disseminado ao longo do vale. Logo, voltamos a descer, em busca de outros dos monumentos históricos e religiosos que fazem de Nara um caso à parte.

Telhado do templo todai-ji e o casario de Nara, Japão

Panorama de Nara com o telhado do templo Todai-ji em destaque.

De todos aqueles porque havíamos passado, o santuário Kasuga Taisha provou-se de longe o mais iluminado.

As Lanternas de Pedra Deslumbrantes de Kasuga Taisha

O caminho que o precede revela-nos cerca de duas mil lanternas de pedra que são acesas durante os dias de um tal de Festival Chugen Mantoro. Todos os anos, nos dias – ou melhor, noites de 14 e 15 de Agosto – gera uma atmosfera misteriosa solene que deslumbra crentes budistas e não crentes.

Lanternas de pedra do Santuário Kazuga, Nara, Japão

As lanternas de pedra do santuário Kazuga.

Percorremos as longas alamedas do templo entre famílias orgulhosas das suas crianças trajadas de quimonos coloridos. Vemo-las deterem-se para se fotografarem, de dez em dez metros.

Em todos os recantos que se destacassem do cenário natural e durante os vários ritos budistas que antecedem a entrada nos templos: a purificação com a água sagrada das fontes, a oração e doação de ienes que se crê ajudar a obter a benevolência dos deuses e por aí fora.

Assim dita a tradição social e religiosa que, em função da forte psicologia de grupo nipónica, a maior parte dos japoneses faz questão de respeitar.

Pai e filho, santuário Kazuga, Nara, Japão

Pai e filho purificam-se com água à entrada do santuário Kazuga de Nara.

Recuperamos energias no jardim bucólico de Isuien, famoso pelos cenários de postal, principalmente de Outubro a fim de Novembro, quando as folhas das árvores ganham tons suaves de vermelho e amarelo que combinam com o fundo enevoado da montanha em redor.

Dali, seguimos a zona residencial anciã de Nara Nara-Machi, o pequeno bairro onde habita uma pequena percentagem dos quase quatrocentos mil habitantes da cidade. Lá se sucedem casas térreas de madeira escura, construídas no século XIX, algumas ainda usadas como lares, muitas – identificadas pelos letreiros em caracteres kanji, de origem chinesa – já convertidas em pequenos negócios de artesanato em que os gaijin (estrangeiros) metem o nariz para satisfazerem a curiosidade

Em termos históricos, neste pequeno reduto residencial e mercantil ancião de Nara estávamos nos antípodas da zona moderna em que o comboio nos havia deixado e da avenida Sanjo dori.

Corvos em árvore no Nara Park, Japão

Bando de corvos ocupa uma árvore sem folhas do Nara Park.

Tóquio, Japão

O Vídeo-Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.

Nara, Japão

O Berço Colossal do Budismo Nipónico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Quioto, Japão

Sobrevivência: A Última Arte Gueixa

Já foram quase 100 mil mas os tempos mudaram e estas acompanhantes de luxo estão em vias de extinção. Hoje, as poucas que restam vêem-se forçadas a ceder a modernidade menos subtil e elegante do Japão

Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A industria japonesa da noite é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, somos acolhidos por uma sua assalariada enigmática que opera algures entre a arte gueixa e a prostituição convencional.

Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Ogimashi, Japão

Uma Aldeia Fiel ao "A"

Ogimashi revela uma herança fascinante da adaptabilidade nipónica. Situada num dos locais mais nevosos à face da Terra, esta povoação aperfeiçoou casas com verdadeiras estruturas anti-colapso.

Tóquio, Japão

O Imperador sem Império

Após a capitulação na 2ª Guerra Mundial, o Japão submeteu-se a uma constituição que encerrou um dos mais longos impérios da História. O imperador japonês é, hoje, o único monarca a reinar sem império.

Tóquio, Japão

Um Santuário Casamenteiro

O templo Meiji de Tóquio foi erguido para honrar os espíritos deificados de um dos casais mais influentes da história do Japão. Com o passar do tempo, especializou-se em celebrar uniões.

Arquitectura & Design
Napier, Nova Zelândia

De volta aos Anos 30 – Calhambeque Tour

Numa cidade reerguida em Art Deco e com atmosfera dos "anos loucos" e seguintes, o meio de locomoção adequado são os elegantes automóveis clássicos dessa era. Em Napier, estão por toda a parte.
Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Dragão Humano
Cerimónias e Festividades

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Cores e sombras
Cidades

Mérida, México

A Mais Exuberante das Méridas

Em 25 a.C, os romanos fundaram Emerita Augusta, capital da Lusitânia. A expansão espanhola gerou três outras Méridas no mundo. Das quatro, a capital do Iucatão é a mais colorida e animada, resplandecente de herança colonial hispânica e vida multiétnica.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Cavalgada em tons de Dourado
Cultura

El Calafate, Argentina

Os Novos Gaúchos da Patagónia

Em redor de El Calafate, em vez dos habituais pastores a cavalo, cruzamo-nos com gaúchos criadores equestres e com outros que exibem para gáudio dos visitantes, a vida tradicional das pampas douradas.

Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Em Viagem
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-Braga, Nepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Casinhas de outros tempos
Étnico
Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
White Pass & Yukon Train
História

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Doca gelada
Ilhas

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Esqui
Inverno Branco

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

De visita
Literatura

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Os vulcões Semeru (ao longe) e Bromo em Java, Indonésia
Natureza
PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Dunas da ilha de Bazaruto, Moçambique
Parques Naturais
Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.
Património Mundial UNESCO
Estradas Imperdíveis

Grandes Percursos, Grandes Viagens

Com nomes pomposos ou meros códigos rodoviários, certas estradas percorrem cenários realmente sublimes. Da Road 66 à Great Ocean Road, são, todas elas, aventuras imperdíveis ao volante.
Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Desembarque Tardio
Praias

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Religião
Circuito Anapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
Tren del Fin del Mundo, Ushuaia, Argentina
Sobre carris
Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.
Modelos de rua
Sociedade

Tóquio, Japão

À Moda de Tóquio

No ultra-populoso e hiper-codificado Japão, há sempre espaço para mais sofisticação e criatividade. Sejam nacionais ou importados, é na capital que começam por desfilar os novos visuais nipónicos.

Vendedores de fruta, Enxame, Moçambique
Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Devils Marbles
Vida Selvagem

Alice Springs a Darwin, Austrália

A Caminho do Top End

Do Red Centre ao Top End tropical, a Stuart Hwy percorre mais de 1.500km solitários através da Austrália. Nesse trajecto, a grande ilha muda radicalmente de visual mas mantém-se fiel à sua alma rude.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.