Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente


Shin Marunouchi life
Transeuntes num cruzamento complexo em frente ao edifício garrido Shin Marunouchi.
Tóquio sem fim
Vista do casario infindável e elevado de Tóquio, dourado pela luz urbana.
Lost in the Crowd
Multidão cruza-se no cruzamento de Shibuya tornado ainda mais famoso pelo filme "Lost in Translation" de Sophia Coppola.
Salarymen vs hosutos
Salarymen (executivos de empresas) passam junto a um hosuto club repleto de imagens de hosts. Muitos destes hosutos ganharão facilmente mais que eles.
Um refúgio da pressão
Salarymen, conviven num recanto de um bar de rua protegido do vento e da chuva.
Jantar a 500 ienes
Cliente deixa um restaurante de noodles e outras especialidades de baixo custo.
Brinde ao passado
Poster de antiquário à entrada de um bar sinalizado com balão de papel iluminado.
Novidades ou contas ?
Morador de Tóquio abre a sua caixa de correio ou apartado.
Catálogo de hosutos
A entrada de um hosuto club, decorada com as imagens dos hosutos (hosts) disponíveis.
Milk tea para 2
Maid moe Macaro e um amigo aquecem-se a beber milk tea junto a uma das incontáveis máquinas de bebidas de Tóquio.
Mãos para tudo
Ciclista faz-se a uma passadeira numa noite chuvosa de Tóquio.
Atmosfera de grelhados
Restaurante de rua fumarento protegido dos elementos numa passagem debaixo de uma linha de comboio urbana.
LOHB
Iluminação sofisticada do restaurante LO HB Natural Dining, em plena praça de Shibuya.
Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.

Procuramos um Maid Café do distrito de Akihabara quando, nas traseiras sombrias de um bloco de prédios, reparamos na silhueta de um casal junto a uma das incontáveis máquinas de bebidas da cidade. Sem pressas, ainda meio perdidos na excêntrica vida nocturna de Tóquio, aproximamo-nos deles com o pretexto válido de usarmos o dispositivo.

Faz um frio de rachar. Sabemos que as máquinas nos dispensam, num ápice, contra uma centena de ienes, um milk tea aquecido e revigorante. Pedimos desculpa por perturbarmos o seu convívio e abordamo-los. Vestida de maid, Macaro prenda-nos com um sorriso tão rasgado como os seus olhos de Lolita inebriada.

Pausa para milk tea, Tóquio

Maid moe Macaro e um amigo aquecem-se a beber milk tea junto a uma das incontáveis máquinas de bebidas de Tóquio.

Enfiado num gorro de picachu que lhe cobre o cabelo alaranjado, com os lábios trespassados por piercings, o amigo, esforça-se por rir. Também o duo se aquecia, tudo indicava num curto intervalo ou fuga dos afazeres do estabelecimento que buscávamos, ou de outro do género.

Três ou quatro perguntas depois, confirmamos que não falam palavra de inglês. Tentar nipónico ou qualquer outro idioma estava fora de questão. Em vez, brindamos com eles quase em surdina, fotografamo-los, interpretamos os seus gestos de que o café em que trabalhava(m) estava ali ao lado e despedimo-nos.

Dobramos a esquina. Identificamos um letreiro com um grafismo que não deixava lugar a dúvidas. Subimos a escadaria estreita.

No cimo, outra “empregada” vestida com tanta cor quanto Macaro, quase se desfaz em boas-vindas: “Okaerinasaimase, goshujinsama!” grita com uma das vozes mais agudas e infantis que alguma vez ouvimos, para logo nos instalar num recanto abonecado e decorado em estilo “Candy Candy” do estabelecimento.

Pedimos chá. Enquanto o beberricamos, apreciamos a intrigante servilidade e graciosidade de desenho animado com que as empregadas de mesa atendem e mimam os clientes.

Pormenor de restaurante de Shibuya, Tóquio, Japão

Salarymen (executivos de empresas) passam junto a um “hosuto club” repleto de imagens de hosts. Muitos destes hosutos ganharão facilmente mais que os salaryman.

A Tara rentável dos Maid Cafes e Cuddle Cafes

Na origem, os Maid Cafes surgiram como satisfação comercial da tara nipónica masculina otaku, que é como dizer dos fans de anime, manga e afins com fetiches particulares pelas maid moe, raparigas jovens, inocentes mas atraentes, ainda mais nos seus trajes afrancesados encolhidos, repletos de rendas e folhos típicos das empregadas gaulesas de outros tempos.

Nos maid cafes mais atenciosos, as empregadas chegam a dar comida à boca dos clientes, a limpar-lhes os ouvidos e a dar-lhes massagens sobre a roupa. Também os entretêm com jogos infantis, de tabuleiro, à sardinha etc..

Conscientes da tara de muitos clientes, os estabelecimentos regem-se por uma série de princípios éticos rígidos: não é permitido fotografar ou tocar as maids de forma abusiva. Não é tolerado aos clientes pedir-lhes os contactos ou persegui-las, entre outras restrições.

Outros Estabelecimentos Menos Aconchegantes

De há algum tempo para cá, os maid cafés como que abriram portas a uma panóplia de cafés e restaurantes concorrentes fora da caixa. São uma variante em tudo distinta são os prolíficos restaurantes, cafés e clubes nocturnos “robot” em que estes protagonistas automatizados de metal servem as refeições ou dançam, exibem coreografias e animam a vida nocturna barulhenta.

Alguns, em discotecas apocalípticas inspiradas na “Guerra das Estrelas”; outros, em que os robôs de serviço são femininos, algures entre mulheres de verdade e maid moes.

Em simultâneo, têm surgido variantes quase inimagináveis destas excêntricas variantes: restaurantes Ninja, um café Alice no País das Maravilhas, bares masmorras e o Yurei Izakaia, um bar-restaurante com atmosfera arrepiante de género comboio-fantasma.

Mais uma volta na cena noctívaga da megalópole e regressamos ao âmbito da carência afectiva e da incontornável suplementação feminina. Lá damos com os Cuddle Cafés, em que, ao invés do sucedido nos Maid Cafes, os clientes pagam para dormir com as raparigas, mas não do modo que a sociedade se apressou a convencionar com o termo.

Pagam, sim, para se aninharem em conchinha com jovens donzelas “residentes”, para delas receberem os afectos de que carecem nas suas vidas escravas dos PCs e alienadas de tudo e de todos.

Os Cuddle Cafes são, na prática, uma espécie de versão ternurenta e asséptica do que se passa nos Red Light Districts de Kabukicho e Shinjuku. Ali, mulheres kaba kuras kurabu (contracção de Cabaret Club, com pouco que ver com as gueixas sobreviventes de Quioto) e homens hosuto kurabu (contração de hosts de clubs) entretêm clientes contra pagamento, em boa parte dos lugares, com sexo envolvido.

Hosutos, os incontáveis hosts de Tóquio

As imagens dos hosutos surgem disseminadas por toda a cidade, não só nas imediações dos clubes em que trabalham. Os para cima de duzentos estabelecimentos que exploram o seu charme e dotes sedutores geram rios de dinheiro. E gastam-nos a divulgarem estes seus chamarizes andróginos em espaços publicitários retro-iluminados dispendiosos que reservam em localizações fulcrais, com habitantes e transeuntes abastados.

Salarymen passam por um hosuto club, em Tóquio, Japão

Salarymen (executivos de empresas) passam junto a um hosuto club repleto de imagens de hosts. Muitos destes hosutos ganharão facilmente mais que eles.

Roland é considerado o hosatu Top da cidade. Trabalha para o Club Platina de Kabukicho onde, rezam as crónicas que, em 2017, durante o seu aniversário, clientes femininas gastaram com ele dez milhões de ienes (77.500€) em apenas três horas.

Num mês normal, este hosuto aufere 370.000€. Para consolidar o seu estatuto, gastou já 80.000€ em ajustes plásticos à sua face. E despende 1600€ mensais para a manter imaculada.

Mas as Maid Moes, as kubakuras, os hosuto kurabu e Roland são apenas alguns dos inúmeros passatempos nocturnos da capital nipónica.

Com os seus quase 15 milhões de habitantes, Tóquio tem de tudo um pouco, de pousos recatados aos antros mais fumarentos e barulhentos da Ásia.

Incluem-se, há já muito, na primeira classe, as casas de internet, de videojogos 24/7 e de Pachinko. A quantidade de info e vídeoadictos tornou-se tal, que proliferam estes estabelecimentos que os acolhem noite fora, no conforto de boas poltronas, à frente de ecrãs e auscultadores topo de gama, se for caso disso, durante o sono.

Confrontados com os preços assustadores das dormidas na cidade, a determinada altura, os forasteiros de visita começaram também eles a dormir nestes Internet Cafés almofadados e artilhados. Até que os argutos empresários locais detectaram a oportunidade e lançaram os claustrofóbicos hotéis cápsula.

Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão

Transeuntes num cruzamento complexo em frente ao edifício garrido Shin Marunouchi.

A Noite Nipónica de todas as Vidas

Mas nem sempre os moradores de Tóquio conseguem prever onde aterram para noite. À imagem de quem quer passe mais que uns dias na cidade, não demoramos a constatar a realidade das saídas devastadoras de outros dos seus badalados escravos, os laborais.

É famosa a abnegação socialmente forçada dos japoneses para com o trabalho. E só um pouco menos notória – não estamos certos de que quanto ainda prevalecente – a realidade dos subalternos que, por extensão dessa pressão, se veem obrigados a sair às sextas-feiras à noite com os superiores das suas empresas e de os acompanharem em desventuras nocturnas encharcadas em sakê, whisky ou afins.

A verdade é que, tenham-se eles enfrascado com os chefes, na companhia de colegas ou sós, chegado o fim-de-semana, encontramos sempre inúmeros desses sararymen enfiados nos seus fatos executivos negros, a caminharem aos esses ou já a dormir onde o destino os fez aterrar.

Noutras partes, esteja o céu estrelado, caia chuva ou neve, o convívio faz-se ao ar livre, em grupos bem mais naturais e saudáveis. Durante várias das longas caminhadas que fazemos por Tóquio reparamos no oportunismo dos barzinhos-restaurante que se encaixam nas laterais das passagens sob os viadutos ferroviários.

Restaurante debaixo de ponte, Tóquio, Japão

Restaurante de rua fumarento protegido dos elementos numa passagem debaixo de uma linha de comboio urbana.

Atravessamos algumas delas vezes sem conta, fascinados com as atmosferas fumarentas e festivas de santos populares nipónicos conferidas pelos letreiros coloridos e pelos balões de papel vermelhos.

Nessas arcadas arredondadas e convenientes, são grelhados non stop petiscos sobre o carvão servidos a preços comedidos, acompanhados com muita conversa, cerveja e, claro está, mais sakê. Nem os deslizares recorrentes e infernizantes dos comboios por cima dos festins  fazem desanimar os convivas.

Famoso cruzamento de Shibuya, Tóquio, Japão

Multidão cruza-se no cruzamento de Shibuya tornado ainda mais famoso pelo filme “Lost in Translation” de Sophia Coppola.

Shibuya, Roppongi, Ginza: cada bairro, sua Vida Nocturna de Tóquio

Os comboios também passam nas imediações de Roppongi e de Shibuya. Aí, o ambiente é, no entanto, outro. Durante os anos posteriores à 2ª Guerra Mundial, Roppongi tornou-se um dos poisos predilectos dos militares aliados.

Desde então, por razões adicionais que só a razão conhece, o bairro mantém-se um dos favoritos dos gaijin, assim chamam os japoneses aos expatriados e visitantes.

Há muito que o bairro concentra boa parte dos clubes nocturnos da cidade e tem a reputação de uma das suas vidas nocturnas mais animadas. Sobretudo pela moda rap e hip-hop que foi importada dos E.U.A. no fim dos anos 80, aparentemente para ficar. Sobretudo em Roppongi, também em Shibuya e em Shinjuku proliferam os protagonistas afro da vida nocturna.

São tantos os DJs, rappers, performers e dançarinos pagos a peso de ouro para exibirem os seus dotes como outros que constataram a mina que ali estava e se instalaram de armas e bagagens. Possuem agora os seus próprios Clubs.

Prédios dourados de Tóquio, Japão

Vista do casario infindável e elevado de Tóquio, dourado pela luz urbana.

Controlam pequenos exércitos de colaboradores igualmente afros e imigrados, touts (angariadores) que percorrem os distritos circundantes a distribuir panfletos que anunciam Nights e Ladiesnights especiais, e que, mais em cima desses eventos, patrulham as zonas em redor a atrairem transeuntes sem rumo.

Nas nossas deambulações pelas ruelas frenéticas de Shibuya, cruzamo-nos com eles e recusamos – ou então recebemos – os folhetos que impingem.

É impossível falhá-los. Além do tom desfasado de pele, têm quase o dobro da altura e volume dos japoneses. Usam roupas garridas, bling bling a condizer e ostentam um à vontade quase soberbo de ídolos das massas teenager nipónicas.

Ginza, um Bairro à Parte

O distrito de Ginza, forma um mundo com pouco que ver com este. Durante o dia, acolhe as lojas mais conceituadas e caras de Tóquio e uma das maiores concentrações de marcas de luxo à face da Terra. Pouco depois do sol assentar, converte-se na zona de entretenimento Premium da cidade.

Ao contrário de outras, não atrai, todavia, uma multidão de rua irrequieta. Os seus estabelecimentos surgem fora da vista, nos andares superiores das enormes lojas e centro comerciais.

Lá estão ocultados os melhores restaurantes de Sushi japoneses. E outros com culinárias distintas mas o mesmo tipo de serviço requintado e multimilionário. Lá estão também os melhores bares-chic e clube nocturnos opulentos e sofisticados.

Poster à entrada de um bar, Tóquio, Japão

Poster de antiquário à entrada de um bar sinalizado com balão de papel iluminado.

Por mais voltas que o mundo tenha dado na última década, o Japão permanece uma das suas quatro mais poderosas economias.

Com 15 milhões de moradores e, em redor, quase 130 milhões de japoneses ávidos por se divertirem a gastar, Tóquio mal tem tempo para respirar. Quanto mais para dormir.

Mais informações sobre Tóquio no site da JNTO – Japan National Tourism Organization.

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Okinawa, Japão

Danças de Ryukyu: têm séculos. Não têm grandes pressas.

O reino Ryukyu prosperou até ao século XIX como entreposto comercial da China e do Japão. Da estética cultural desenvolvida pela sua aristocracia cortesã contaram-se vários estilos de dança vagarosa.

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Nara, Japão

O Berço Colossal do Budismo Nipónico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Takayama, Japão

Entre o Passado Nipónico e a Modernidade Japonesa

Em três das suas ruas, Takayama retém uma arquitectura tradicional de madeira e concentra velhas lojas e produtoras de saquê. Em redor, aproxima-se dos 100.000 habitantes e rende-se à modernidade.

Okinawa, Japão

O Pequeno Império do Sol

Reerguida da devastação causada pela 2ª Guerra Mundial, Okinawa recuperou a herança da sua civilização secular ryukyu. Hoje, este arquipélago a sul de Kyushu abriga um Japão à margem, prendado por um oceano Pacífico turquesa e bafejado por um peculiar tropicalismo nipónico.

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Ogimashi, Japão

Uma Aldeia Fiel ao "A"

Ogimashi revela uma herança fascinante da adaptabilidade nipónica. Situada num dos locais mais nevosos à face da Terra, esta povoação aperfeiçoou casas com verdadeiras estruturas anti-colapso.

Magome-Tsumago, Japão

O Caminho Sobrelotado Para o Japão Medieval

Em 1603, o shogun Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é frequentemente invadido por uma turba ansiosa por evasão.

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Tóquio, Japão

O Vídeo-Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Gentlemen Club & Steakhouse
Arquitectura & Design

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Pleno Dog Mushing
Aventura

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.

Parada e Pompa
Cerimónias e Festividades

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Memória cruel
Cidades

Hiroxima, Japão

Uma Cidade Rendida à Paz

Em 6-8-1945, Hiroxima sucumbiu à explosão da primeira bomba atómica usada em guerra. Volvidos 70 anos, a cidade luta pela memória da tragédia e para que as armas nucleares sejam erradicadas até 2020.

Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Cultura
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

De volta ao porto
Em Viagem

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Telhados cinza
Étnico

Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Em plena costa do Ouro
História

Elmina, Gana 

O Primeiro Jackpot dos Descobrimentos Portugueses

No séc. XVI, Mina gerava à Coroa mais de 310 kg de ouro anuais. Este proveito suscitou a cobiça da Holanda e da Inglaterra que se sucederam no lugar dos portugueses e fomentaram o tráfico de escravos para as Américas. A povoação em redor ainda é conhecida por Elmina mas, hoje, o peixe é a sua mais evidente riqueza.

Manhã cedo no Lago
Ilhas

Nantou, Taiwan

No Âmago da Outra China

Nantou é a única província de Taiwan isolada do oceano Pacífico. Quem hoje descobre o coração montanhoso desta região tende a concordar com os navegadores portugueses que baptizaram Taiwan de Formosa.

Santas alturas
Inverno Branco

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Suspeitos
Literatura

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Caçada com Bolhas
Natureza

Juneau, Alasca

Na Capital Diminuta do Grande Norte

De Junho a Agosto, Juneau desaparece por detrás dos navios de cruzeiro que atracam na sua doca-marginal. Ainda assim, é nesta cidade ínfima que se decidem os destinos do 49º estado norte-americano.

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Terraços de Sistelo, Serra do Soajo, Arcos de Valdevez, Minho, Portugal
Parques Naturais
Peneda-Gerês, Portugal

Do “Pequeno Tibete Português” às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo ao vale do Vez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de “tibetanas”.  Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras minhotas.
Sob um céu mais que dourado
Património Mundial UNESCO

Goiás Velho, Brasil

Uma Sequela Da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.

Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Magníficos Dias Atlânticos
Praias

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.

Debate ao molho
Religião

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Assento do sono
Sobre carris

Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

Autoridade bubalina
Sociedade

Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem a maior manada bubalina e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.

Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China
Vida Quotidiana
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Devils Marbles
Vida Selvagem

Alice Springs a Darwin, Austrália

A Caminho do Top End

Do Red Centre ao Top End tropical, a Stuart Hwy percorre mais de 1.500km solitários através da Austrália. Nesse trajecto, a grande ilha muda radicalmente de visual mas mantém-se fiel à sua alma rude.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.