São Jorge, Açores

De Fajã em Fajã


Fajã dos Vimes
Luz solar faz destacar a Fajã dos Vimes da costa sul de São Jorge.
Rosais
Contraste dramático na Ponta Ocidental da longilínea São Jorge.
Fajã do Ouvidor
Luz solar faz destacar o casario da Fajã do Ouvidor.
Manada Ensopada
Manada de vacas frisias sob um dos frequentes aguaceiros da ilha de São Jorge.
Pico da Boa Esperança
Marco C. Pereira e Sara Wong à beira de uma das lagoas do Pico da Boa Esperança.
Abençoado Declive
Torre da igreja da Fajã de São João, a leste da de Vimes.
Capuchinho Azul
Sara Wong caminha entre os cedros da floresta de Sete Fontes, em Rosais.
Ocaso bovino
Vacas pastam contra a derradeira luz do dia.
A Calheta
Casario de Calheta, apertado entre a falésia sul de São Jorge e o oceano.
Ponta de Rosais
Farol da Ponta de Rosais visto da Vigia da Baleia local.
Ocaso sobre o gado
Sol prestes a por-se a ocidente de São Jorge e dos Açores.
Calheta
A vila de Calheta na base de uma fajã estreita.
Vista para o sul do Leste
Um de muitos chafarizes de São Jorge, distrai do cenário grandioso do sul da ilha.
Curto Descanso
António Correia e Luís Azevedo numa curta pausa de trabalho rural num prado inclinado.
O Portão do Mar
Vulto cruza o Portão do Mar na beira-mar de Velas.
Café de Vimes
Café ainda verde numa plantação da Fajã de Vimes.
À Luz de Velas
Iluminação artificial faz resplandecer o casario de Velas, a capital de São Jorge.
Abundam, nos Açores, faixas de terra habitável no sopé de grandes falésias. Nenhuma outra ilha tem tantas fajãs como as mais de 70 da esguia e elevada São Jorge. Foi nelas que os jorgenses se instalaram. Nelas assentam as suas atarefadas vidas atlânticas.

A primeira vez que sobrevoámos o Grupo Central açoriano, sentados à janela, reparámos em dois atributos.

A montanha cónica do Pico, tecto de Portugal, muito acima do plano médio em que assenta o triângulo insular. Do outro lado do mais longo dos canais, uma ilha longilínea, escarpada como nenhuma outra, uma gigantesca e verdejante nau da Terra por ali ancorada, com 54 km de comprimento por 7km de largura. Sobressaiam ainda várias das fajãs de São Jorge.

Não era esse o caso, mas, sempre que São Jorge é o destino final, ao fazer a sua aproximação à pista, o avião orienta-se a duas delas, a da Queimada e a de Santo Amaro.

A primeira vez que desembarcamos em São Jorge, deixamos o ferry oriundo de São Roque, destinado ao cais da Vila das Velas, a capital, também ela no fundo de um enorme declive.

Os vários dias na ilha, passamo-los sob esta ditadura geológica, entre as alturas da ilha e os seus acrescentos, fossem gerados por colapsos das vertentes ou por escoamentos ancestrais de lava.

Os Tempos de Incerteza da Descoberta e da Colonização

Malgrado a configuração, à primeira vista, desafiante de São Jorge, a Vila de Velas comprova o êxito da colonização local, com mais de meio milénio.

Foi inaugurada trinta anos após o descobrimento da ilha que se crê ter ocorrido por volta de 1439, mesmo que não se saiba ao certo quando se deu o primeiro avistamento e quem foi o marinheiro autor.

Os quase dois mil moradores de Velas habitam um casario prolífico que, com o tempo, ocupou a maior das áreas planas da ilha, na extensão de uma enseada generosa, favorável à ancoragem.

De 1470 em diante, as embarcações não mais pararam de chegar e zarpar, não tarda, incumbidas de carregar, destinados a Portugal Continental e ao norte da Europa, vinho, milho, inhame, pastel-dos-tintureiros e urzela.

À imagem do que aconteceu nas vizinhas ilhas do Pico e do Faial, boa parte dos colonos de São Jorge chegaram da Flandres. Deles se destacou o nobre Willem van der Haegen, cuja complexidade do nome justificou que o aportuguesassem para Guilherme da Silveira.

As Velas das Naus, e a Vila das Velas

As velas de tais embarcações terão, com forte probabilidade, inspirado o baptismo popular da Vila de Velas, se bem que coexistam diversas outras hipóteses, entre as quais a distorção de “belas”, a simples adaptação do nome de uma terra do Continente português ou até origem numa expressão derivada do “velar” sinónimo de vigiar, fosse a passagem de baleias, fosse a actividade vulcânica que, como veremos adiante, se veio a revelar um sério obstáculo à constância e paz do assentamento.

Caminhamos pelas ruas de Velas, do seu Portão do Mar para cima.

Admiramos a elegância açoriana da vila, abençoada como é suposto, por um templo do Senhor condigno, neste caso, a sua Igreja Matriz.

A inclinação do terreno pouco ou nada obstou à harmonia do casario, espaçado, polido, em certos pontos até resplandecente de cor, como em redor do Jardim da Praça da República, com coração no seu coreto escarlate.

Haveríamos de voltar a Velas dia após dia.

Com toda São Jorge por desvendar, fizemo-nos à estrada e à ladeira sinuosa que sobe do limiar da povoação às alturas da ilha.

No tempo que decorrera desde a travessia do Pico, uma tal de tempestade Bárbara afectava o Continente. Como o víamos, ou era outra que sobre nós se intensificava, ou chegava com tal nível de barbaridade que atormentava em simultâneo os Açores.

Quanto mais ascendemos na ilha e perdemos a protecção do seu Sul mais sentimos a força do vento. Avolumava-se em nós a curiosidade quanto à vertente setentrional de São Jorge.

Umas rabanadas invernosas e aguaceiros imprevisíveis, não chegariam para nos intimidar.

Barrados pela passagem de uma manada extensa de vacas frísias, deixamos a estrada N1.

Metemo-nos numa outra que, perdida em pastos e rectângulos agrícolas murados, intersecta a ilha.

A Visão Deslumbrante da Fajã do Ouvidor

Numa quase diagonal sinuosa, contornamos o domínio repleto de caldeiras do Pico da Boa Esperança (1053 m, maior elevação da ilha) e prosseguimos para Norte Grande. No limiar norte desse Norte, damos com o cimo e com o miradouro que procurávamos, o da Fajã do Ouvidor.

Por diante, mas cerca de 400 metros abaixo, destacava-se da ilha uma sua adenda. O nome da fajã advém de, nos tempos idos da colonização, ter sido seu proprietário Valério Lopes de Azevedo, o Ouvidor do Capitão Donatário de então.

Não obstante uma cobertura densa de ervado agrícola, a lava negra e sulcada a descoberto na orla do mar, parecia comprovar uma origem em escoadas lávicas. Uma vez solidificada e erodida, moldaram-se nela diversas piscinas marinhas naturais nessa altura, invadidas e batidas pelas vagas aumentadas pelo vento.

O factor balnear da fajã do Ouvidor faz com que, nos meses de Verão, seja uma das mais concorridas da ilha. As casas mais modernas ameaçam suplantar em número as de construção tradicional.

Por outro lado, malgrado durante quase todo o ano ser usada pelos agricultores da zona, com o Estio, chegam dezenas de famílias de férias.

O Café, o restaurante e, se for caso disso, até a discoteca abrem.

A Ouvidor ganha outra vida.

A Sequência Deslumbrante de Fajãs da Costa Norte

Do cimo do Miradouro, olhando a leste, vislumbrávamos também os contornos da fajã mais próxima, a da Ribeira da Areia. Logo, menos óbvias, a do Mero, a da Penedia, a das Pontas.

Mais distante, pronunciada sobre o Atlântico, em forma de vulcão achatado, distinguíamos ainda a dos Cubres, inacessível por estrada, senhora de uma fascinante lagoa de água salobra, vulnerável às marés mais cheias e às vagas fortes das tempestades.

A Fajã dos Cubres é ainda o ponto de partida de uma caminhada deslumbrante à vizinha Fajã da Caldeira do Santo Cristo a que dedicaremos o seu próprio artigo. Até lá, regressemos às terras cimeiras de São Jorge.

Voltamos a atravessar para a costa sul onde descemos para a Calheta, a vizinha, que em tempos fazia parte do concelho de Velas mas que se emancipou e, já como vila, continuou a contribuir para a colonização e o desenvolvimento da ilha que não evitou um progressivo decréscimo populacional.

Calheta: há Séculos na Calha da Vila de Velas

Passada a segunda metade do século XIX, a Calheta, em particular, tinha quase 8400 habitantes. Em 2011, contava com 3773.

Como seria de esperar, a vila passou pelas mesmas provações que Velas. Ataques de piratas e corsários, sismos – com destaque para o “Mandado de Deus” de 1757 -, erupções vulcânicas, derrocadas e maremotos inundantes como o de Outubro de 1945.

Hoje, protege a Calheta do Atlântico o término áspero de uma torrente lávica pré-histórica e um muro que a municipalidade lhe acrescentou como limite extra da marginal.

Chegamos ao limiar leste da sua enseada e porto. Espreitamos a antiga fábrica de conservas, recém-transformada em hotel.

Sentimos o pulso ao dia-a-dia da povoação, após o que voltamos a ascender a vertente jorgense.

De Volta ao Cimo, Rumo à Ponta Leste de São Jorge

Retomamos o rumo para o oriente da ilha, sempre atentos ao mapa, em busca das fajãs na sua base. Pelo caminho, deliciamo-nos com a sucessão de chafarizes seculares da ilha, todos marcados com as iniciais O.P. (obras públicas), e o ano da sua construção.

Um deles, de pedra vulcânica dourada pelo tempo, parecia querer distrair-nos da obra de arte natural que se estendia por detrás: o resto verdejante e abrupto da ilha, desdobrado em três grandes recortes de falésias meridionais.

Um meandro da estrada leva-nos à base de uma encosta resplandecente, verdejante e salpicada por pedras de um velho moinho de água. Uns quilómetros para diante, um novo miradouro revela-nos nova fajã, a de Vimes.

O Café Prodigioso da Fajã de Vimes

Ziguezagueamos a favor da gravidade, até desembocarmos no seu litoral humanizado. Mesmo se o dia continuava ventoso e fresco, o cenário acima tinha o seu quê de quase tropical. De tal maneira que em termos vegetais e rurais, o produto estrela da Fajã de Vimes é o café.

Metemo-nos por um trilho pedregoso acima. Não tarda, entre muros e uma quase selva açoriana, identificamos as suas bagas, por essa altura, amareladas de verdes.

Tentávamos ainda perceber a configuração caótica da plantação, quando o céu plúmbeo nos soltou um dilúvio em cima. Corremos para a beira-mar. Logo, desviamos para um estabelecimento. Já encharcados, mas em boa-hora, refugiamo-nos no Café Nunes. Ao balcão, Sr. Nunes, o próprio, dá-nos as boas-vindas. “Mas podiam ter-se metido no carro e traziam-no aqui até à porta.”

Agradecemos-lhe a atenção, pedimos dois cafés e queijadas para acompanhar. “E que tal? É especial, não é?” Expressamos ao Sr. Nunes a nossa concordância.

Ele, retorque com preocupações justificadas com o futuro do seu negócio. “Eu tenho cada vez menos saúde para tratar da plantação e não posso pagar para a manterem. O mato, ali, volta a crescer nuns poucos dias. O meu filho é arquitecto, a minha filha trabalha no turismo. Sobra-lhes pouco tempo. Mesmo assim, o ano passado conseguimos colher uma boa tonelada de café, arábica e do melhor!”

A conversa dura bem mais que a chuva. Amornados pelo calor do acolhimento, despedimo-nos.

Em Busca do Topo de São Jorge

Retornamos à estrada principal no cimo da falésia. Da qual, descemos à fajã de São João, onde, por algum tempo, a esplanada da pitoresca taberna Águeda nos serve de pouso.

Logo, visamos o extremo sudeste de São Jorge, ponta que os seus ilhéus chamam de Topo, e povoação senhora de um Império do Espírito Santo amarelo-vermelho dos mais elegantes que encontrámos por terras dos Açores.

Tudo, por estes lados, é conotado com o apogeu. Desviamos para o farol da Ponta do Topo.

Chegados à finisterra jorgense abaixo, ficamos a admirar a fúria com que o Atlântico castigava a costa em redor e, ao largo, o excêntrico Ilhéu do Topo.

Revertemos no itinerário.

Cumpridos 40km opostos da EN2 de São Jorge, chegamos a terras de Urzelina.

Damos com o que sobra da velha igreja local, a sua torre sineira danificada.

Do Evento Vulcânico Inesperado de Urzelina à Vastidão da Ponta dos Rosais

Em 1808, uma inesperada erupção do vulcão de Urzelina arrasou boa parte da povoação, mas não só. A sua lava fluiu encosta abaixo. Só se deteve após acrescentar um V  lávico bem aberto ao sopé da ilha.

A erupção fez os moradores fugirem em pânico.

Na narrativa mais fidedigna do evento, o Padre João Ignácio da Silveira, conta que as freiras de Urzelina se refugiaram na igreja de Rosais. Seguimos-lhe os passos.

Cruzamos a floresta de cedros lúgubre e húmida de Sete Fontes.

Do lado oposto, encaramos a ponta de São Jorge oposta à do Topo e uma imensidão de retalhos agrícolas ainda fustigados pelo vendaval.

O farol abandonado de Rosais e a Vigia da Baleia que também olha pelas suas ruínas foi tanto quanto pudemos explorar do extremo ocidental intrigante de São Jorge.

Deixámos muitas das fajãs da ilha por desvendar.

E um pretexto incontornável para regressarmos.

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Ilha do Pico: o Vulcão dos Açores com o Atlântico aos Pés

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Santa Maria: Ilha Mãe dos Açores Há Só Uma

Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.
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Ilha da Terceira: Viagem por um Arquipélago dos Açores Ímpar

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Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
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Na Pista do Mistério dos Capelinhos

De uma costa da ilha à opostoa, pelas névoas, retalhos de pasto e florestas típicos dos Açores, desvendamos o Faial e o Mistério do seu mais imprevisível vulcão.
Graciosa, Açores

Sua Graça a Graciosa

Por fim, desembarcarmos na Graciosa, a nossa nona ilha dos Açores. Mesmo se menos dramática e verdejante que as suas vizinhas, a Graciosa preserva um encanto atlântico que é só seu. Quem tem o privilégio de o viver, leva desta ilha do grupo central uma estima que fica para sempre.
Corvo, Açores

O Abrigo Atlântico Inverosímil da Ilha do Corvo

17 km2 de vulcão afundado numa caldeira verdejante. Uma povoação solitária assente numa fajã. Quatrocentas e trinta almas aconchegadas pela pequenez da sua terra e pelo vislumbre da vizinha Flores. Bem-vindo à mais destemida das ilhas açorianas.
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À Descoberta da Finisterra Madeirense

Curva atrás de curva, túnel atrás de túnel, chegamos ao sul solarengo e festivo de Paul do Mar. Arrepiamo-nos com a descida ao retiro vertiginoso da Quebrada Nova. Voltamos a ascender e deslumbramo-nos com o cabo derradeiro de Ponta do Pargo. Tudo isto, nos confins ocidentais da Madeira.
Pico do Arieiro - Pico Ruivo, Madeira, Portugal

Pico Arieiro ao Pico Ruivo, Acima de um Mar de Nuvens

A jornada começa com uma aurora resplandecente aos 1818 m, bem acima do mar de nuvens que aconchega o Atlântico. Segue-se uma caminhada sinuosa e aos altos e baixos que termina sobre o ápice insular exuberante do Pico Ruivo, a 1861 metros.
Porto Santo, Portugal

Louvada Seja a Ilha do Porto Santo

Descoberta durante uma volta do mar tempestuosa, Porto Santo mantem-se um abrigo providencial. Inúmeros aviões que a meteorologia desvia da vizinha Madeira garantem lá o seu pouso. Como o fazem, todos os anos, milhares de veraneantes rendidos à suavidade e imensidão da praia dourada e à exuberância dos cenários vulcânicos.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
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Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
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Parques nacionais
PN Manuel António, Costa Rica

O Pequeno-Grande Parque Nacional da Costa Rica

São bem conhecidas as razões para o menor dos 28 parques nacionais costarriquenhos se ter tornado o mais popular. A fauna e flora do PN Manuel António proliferam num retalho ínfimo e excêntrico de selva. Como se não bastasse, limitam-no quatro das melhores praias ticas.
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Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
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