Montalegre, Portugal

Lá pelo Alto de Trás-os-Montes


A Caminho da Lavra
Moradores de Pitões das Júnias cruzam uma das suas ruas graníticas sobre um tractor.
Abençoado Gado
Pitões contra Fragas II
Cavalos desconfiados
Os lares de Pitões das Júnias
Arte de granito
As Paredes Religiosas do Rio
O Mais Velho Mosteiro II
O Mais Velho Mosteiro
Manhã em Sirvozelo
Paredes & Muralhas
Pôr-do-sol doura as torres do Castelo de Montalegre e o casario da vila
Mudamo-nos das Terras de Bouro para as do Barroso. Com base em Montalegre, deambulamos à descoberta das povoações e outros lugares deslumbrantes deste cimo elevado e raiano de Portugal. Se é verdade que o Barroso já teve mais habitantes, visitantes não lhe deviam faltar.

João Dias faz-nos companhia numa das mesas da sua Casa do Castelo, uma pousada-restaurante elegante e acolhedora, como o nome deixa antever, contígua às muralhas da fortaleza sobranceira de Montalegre. Os temas de conversa sucedem-se ao ritmo das garfadas na gastronomia barrosã deliciosa que saboreamos.

Como seria de esperar nestes confins de meteorologia inclemente, o tempo vem à baila. “Vocês tão a ver o Oscar Branco, certo?” pergunta-nos João. “Ele era daqui. O pai dele é que costumava dizer “em Montalegre só há duas estações: o Inverno e a dos Correios (onde ele trabalhava).” Em pleno Verão português, depressa constatamos que, humor e dramatismo à parte, estava longe de assim ser.

Os dias sucediam-se secos e mornos. Sentíamos o seu bafo na pele pouco depois de cada partida matinal e, por norma, ainda fresca do topo da vila.

Os Tons de Alvor do Castelo de Montalegre

Na primeira delas, descemos as ruelas para sul do castelo à pressa, determinados a acompanhar o incidir da luz solar suave nas muralhas. Boa parte dos moradores dormitavam. Três ou quatro cães surpresos pela nossa atabalhoada passagem, dedicaram-nos ladrares de indignação.

Castelo de Montalegre, Barroso, Trás-os-Montes, Portugal

Torres do Castelo de Montalegre acima do casario da vila

Desconhecíamos àquelas paragens. Apesar disso, lá encontrámos um recanto de onde conseguimos contemplar o lento amarelar das torres que coroam a povoação desde o 1273, ainda no reinado de D. Afonso III, se bem que a maior parte da sua construção como fortificação fulcral da região de Montalegre terá decorrido durante o do rei povoador Dom Dinis.

Povoações não faltam nas vastas Terras de Barroso que se avistam das suas ameias, serra do Gerês a oeste, a do Larouco a leste e, a norte, a iminente Galiza.

Com o sol já a galgar o plano das torres, regressamos à Casa do Castelo. De lá, apontamos a uma de tantas aldeias locais que continuam a padecer de despovoamento. Apanhamos a estrada M308. Serpenteamos para ocidente, não tarda, na companhia do Alto Cávado que por ali nasce e irriga uma albufeira homónima de que sai como mero Cávado. Passamos a sul de Frades. De Sezelhe. De Travassos do Rio e de Covelães.

O Cávado e a estrada prosseguem rumo à Albufeira de Paradela. Nós, ficamo-nos em Paredes do Rio. Passeamos ao longo da rua da Igreja. Conversamos com o senhor Artur, um ancião que encontramos a tentar limitar as desventuras encharcadas do Leão, o seu golden retriever.

Morador Paredes-do-Rio, região do Barroso, Montalegre, Portugal

Sr. Artur conduz o seu golden retriever junto à igreja de Paredes do Rio.

À Descoberta de Paredes do Rio

Passamos às portas da Casa da Travessa, uma casa senhorial de granito talhado quando o Sr. Acácio, proprietário da pousada e membro da Associação Social e Cultural de Paredes de Rio nos aborda: “Ah, são vocês que nos vêm visitar de Lisboa. Ligaram-nos de Montalegre e avisaram-nos disso.” Daí em diante, seguimo-lo em modo de périplo guiado. Acácio leva-nos directos ao ex-libris histórico da aldeia, o Pisão.

Várias corgas fluem pela encosta por que se dispõe a aldeia abaixo, na direcção do Cávado. Desde sempre rurais, necessitados de força motriz que processasse a sua produção agrícola, os habitantes de Paredes do Rio não se pouparam a esforços. Ao primeiro moinho, seguiu-se um segundo.

A esses, outros. A determinada altura, eram já oito. Em tempos mais recentes, o saudoso Sr. Adelino Gil, que vivia entre os moinhos, prendou a aldeia com um Pisão, um engenho hídrico que alimentava um gerador, uma serra eléctrica e dois enormes martelos que castigavam lã molhada em água quente, de forma a torná-la forte e impermeável.

O Invento Multiusos do Pisão

Com o passar dos anos, o Pisão teve diversos usos. O mais popular continua a ser a produção do burel, o famoso tecido artesanal negro, empregue nas capas, calças e coletas ainda hoje vestidas pelos nativos desta raia nortenha.

Já nos nossos dias, o Pisão foi legado à Associação Cultural. Também o forno comunitário de Paredes do Rio continua operacional. Ao longo dos tempos maioritariamente frios da região, serviu de Casa de Povo e de convívio. Acolheu debates e discussões. Abrigou viajantes e sem-abrigos a quem era permitido passar a noite ao calor alimentado a lenha, enquanto as broas coziam. Com frequência, às fornadas de trinta.

Antes de deixarmos Paredes do Rio, ainda espreitamos o tanque comunitário. Quando dele nos abeiramos, uma pequena manada de vacas barra-nos o caminho.

Um outro morador da aldeia conduzia-as ao bebedouro próximo, abaixo de um milheiral embelezado por girassóis. Não as seguia propriamente da forma tradicional de outras eras: a pé e de sachola ao ombro. Fazia-o ao volante de uma pequena e conveniente moto-quatro azul.

O Mosteiro Enigmático de Santa Maria das Júnias

Retomamos a M308. Retrocedemos na direcção de Montalegre. Chegados a Covelães, desviamos para a M513 que conduz a Tourem e à Espanha Galega.

A meio deste trecho, cortamos para Pitões das Júnias e, sem resistirmos mais ao apelo do seu misticismo, descemos em busca do Mosteiro de Santa Maria das Júnias.

Encontramo-lo nas profundezas de um vale estreito, nas imediações de um riacho que, mais abaixo, se precipita numa queda d’água àquela hora sombria, dissimulada entre os penhascos.

Mosteiro de Santa Maria das Júnias, Pitões das Júnias, Barroso, Trás-os-Montes, Portugal

Mosteiro de Santa Maria das Júnias prestes a ceder à sombra

Reparamos de imediato na combinação dos estilos românico e gótico da estrutura. Crê-se que o mosteiro foi erguido, aos poucos, ainda antes do estabelecimento da nação portuguesa (início do século XII), no lugar de um retiro de um ermita usado desde o século IX.

Da Origem Medieval, à Ruína do Século XIX

De início, ocuparam-no os monges da Ordem de São Bento. A meio do século XIII, tornou-se Cistercience e foi agregado à Abadia galega de Oseira.

Aninhado num nicho improvável, este nunca se revelou um mosteiro convencional. Por norma, mesmo isolados, os mosteiros costumavam subsistir do cultivo de coutos. Em vez disso, os monges das Júnias dedicaram-se à criação de animais e sua pastorícia. Mesmo assim, prosperaram tanto ou mais que outros mosteiros contemporâneos.

Com o passar dos anos, o Mosteiro de Santa Maria das Júnias congregou mais e mais terras da região do Barroso e da Galiza. Nesse período, o seu desafogo justificou diversas obras de expansão e melhoramentos que se prolongaram pela Idade Moderna adentro, até quase meio do século XVIII.

Mas a localização aventureira do monastério impôs distintos revezes. O ribeiro que escutámos e vimos fluir nas traseiras do edifício assoreou e destruiu parte das estruturas acrescentadas. Já em pleno século XIX, um incêndio avassalador arruinou outras das dependências.

De qualquer maneira, por essa altura, já o mosteiro havia sido abandonado. Em 1834, as ordens religiosas masculinas foram extintas. Pouco depois, o  derradeiro monge da abadia das Júnias assumiu a função de pároco da aldeia vizinha de Pitões. O mosteiro ficou entregue ao vale que o recebeu. E ao tempo.

ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, Barroso, Trás-os-Montes, Portugal

As ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, nas imediações de Pitões das Júnias

A Raia ex-Contrabandista de Tourém

A sombra não tardou a a apoderar-se do talvegue e a destacar as ruínas graníticas resplandecentes. Percebemos, então, que o dia se esgotava e dedicamos o que dele restava a outras paragens incontornáveis do Barroso.

De Pitões, retornamos à M513. Apontamos a uma estranha protuberância rectangular portuguesa na Galiza e a uma aldeia raiana situada já quase no cimo dessa península mapeada.

Atravessamos a ponte sobre o braço oriental do Encoro de Salas, assim chamam os galegos à represa. Do lado de lá, estamos no topo da freguesia de Tourém e já na Galiza. Entramos, assim, num dos dois únicos exclaves do território de Portugal, a par com o de Mourão.

À imagem de tantas outras das nossas povoações raianas, em tempos de fronteiras fechadas, Tourém prosperou. É algo em que reparamos quando percorremos a sua longa rua principal.

Constatamo-lo na abundância de domicílios, nas dimensões desafogadas dos lares e nos materiais bem mais modernos que o granito rude de outras partes e, hoje, em muito melhor estado de conservação.

“Tourém, foi sempre um caso à parte…” explica-nos João Dias, ele próprio experiente em cruzar fronteiras. João emigrou cedo para Boston, Estados Unidos. Graças a muita dedicação e trabalho a condizer, regressou a Montalegre e conseguiu um à vontade financeiro raro nesta região limítrofe e, durante largo tempo, serva da agricultura e da pecuária.

Do Bacalhau aos Colchões: mercadoria para todos os gostos

Em Tourém, com Espanha além do Salas, favorecidos pela escassez de vários bens e uma guarda fiscal algo permissiva, muitos moradores da aldeia que ainda hoje falam uma miscelânea de português e galego recorreram à única alternativa financeiramente equiparável à emigração: o contrabando. Assim orientaram as suas vidas.

Os comerciantes habituaram-se a contratar passadores de mercadoria que cobravam para cima de 1000 escudos (5€) à hora, nessa altura, um verdadeiro luxo. As mercadorias eleitas formavam um insólito sortido: os portugueses queriam sobretudo bacalhau e bananas. Mas também encomendavam colchões, azeite, vacas, colmeias e outros produtos díspares. Já os espanhóis, privilegiavam a roupa, os têxteis do lar e as televisões.

O negócio prosperou até à abertura das fronteiras. De 1990 em diante, boa parte destes homens tiveram que se adaptar a uma nova realidade: a vida rural, a criação do gado. Fosse como fosse, quase todos haviam acumulado boas poupanças e os sempre disponíveis fundos europeus só facilitaram a transição.

Os Garranos Esquivos do Planalto da Tourela

A tarde começa a ceder à noite. Voltamos a atravessar Tourém no sentido contrário e reentramos nos montes e vales verdejantes do Planalto da Mourela, a 1200m de altitude. Cruzamos terras idolatradas pelos observadores de aves que lá buscam, entre dezenas de pássaros, o picanço-de-dorso-ruivo. Sem que o esperássemos, os dorsos que avistamos são outros.

Garranos no Planalto da Mourela, Montalegre, Barroso, Trás-os-Montes, Portugal

Garranos inquietos pela presença de humanos no seu território do Planalto da Mourela.

Uma manada de garranos pasta sobre uma encosta forrada de tojo e de ervas tenras. Uns são pretos, outros são de um castanho-dourado, todos eles selvagens. Ao sinal do garanhão líder, esquivam-se das nossas tentativas de aproximação a trote. Acabam por trotar para trás de uma cumeada.

Somem-se para os lados do Couto Misto, um microestado que, favorecido por uma combinação de circunstâncias políticas, se manteve independente de Portugal, dos reinos a norte e, mais tarde, de Espanha, estima-se que desde o século XII até 1868.

Quando regressamos a Montalegre, o sol poente já alaranjava as torres do castelo e o casario da vila de que se destacavam.

Reabrigamo-nos na Casa do Castelo. Recuperamos energias. E retomamos a conversa prolífica com João Dias.

De Volta às Júnias. Agora aos seus Pitões

Na manhã seguinte, na sua companhia, saímos disparados para Pitões das Júnias.

À medida que subimos aos 1100 metros que fazem da aldeia uma das mais elevadas de Portugal, vemo-la definir-se nos seus tons de granito acinzentado e vermelho-telha, entre um retalho harmonioso de plantios murados e as fragas pedregosas da Serra do Gerês.

Casario de Pitões das Júnias, Montalegre, Barroso, Trás-os-Montes

Casario de Pitões das Júnias disposto no sopé de fragas ponteagudas

Entramos pelo povoado pela Avenida de São Rosendo e pela Rua Rigueiro. Chegados ao Largo Eiró, João Dias encontra um conhecido. Deixamo-los à conversa. Por nossa conta, continuamos a desvendar a aldeia que, entre os seus cerca de duzentos habitantes conta com vários emigrantes retornados e de brasileiros que, como o recém-chegado turismo rural, a ajudam a reavivar.

Chega a hora de apontarmos a Braga. Pelo caminho, João Dias ainda nos leva a Sirvozelo, outra aldeia encantadora, instalada entre grandes rochedos arredondados de granito. Em seguida, escolta-nos até Ferral onde se realiza um de frequentes concursos pecuários.

Subimos ao precinto do evento no momento exacto da Bênção do Gado. Lá assistimos ao Padre de serviço a borrifar de água benta vacas barrosãs com os cornos maiores que alguma vez testemunhámos em bovinos portugueses.

Bênção do Gado de Ferral, casario de granito e telha de Pitões das Júnias, região do Barroso, Trás-os-Montes

Padre borrifa vacas barrosãs com água benta durante a Bênção do Gado de Ferral

Os proprietários pacientes dos animais seguram-nos pelos focinhos, para assim evitarem interações que poderiam arruinar a passagem religiosa do sacerdote.

Nem tudo corre como é suposto. Alguns dos criadores de gado queixam-se, em modo de escárnio, de terem sido mais abençoados – leia-se aspergidos – que propriamente as vacas. Contamos o sucedido a João Dias e partilhamos risadas generosas. Após o que nos despedimos de Ferral, do anfitrião e do Barroso.

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Ilha do Pico, Açores

Com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. A ilha do Pico abriga a sua montanha mais elevada e aguçada. Mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
São Miguel, Açores

O Grande Éden Micaelense

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada.
Santa Maria, Açores

Ilha-Mãe dos Açores Há Só Uma

Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.
Ilha Terceira, Açores

Terceira: e os Açores continuam Ímpares

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. Estes são apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da Terceira especial não têm conta.
Ilha das Flores, Açores

Confins Inverosímeis de Portugal

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
Castro Laboreiro, Portugal  

No Cimo Raiano-Serrano de Portugal

Chegamos à eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Peneda-Gerês, Portugal

Do "Pequeno Tibete Português" às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo ao vale do Vez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de “tibetanas”.  Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras minhotas.
Campos de Gerês -Terras de Bouro, Portugal

Pelos Campos do Gerês e as Terras de Bouro

Prosseguimos num périplo longo e ziguezagueante pelos domínios da Peneda-Gerês e de Bouro, dentro e fora do nosso único Parque Nacional. Nesta que é uma das zonas mais idolatradas do norte português, cruzamos lugares repletos de visitantes. E visitamos muitos outros entregues apenas às suas gentes resilientes e à vidinha rural de há muito.
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Aventura
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Moa numa praia de Rapa Nui/Ilha da Páscoa
Cerimónias e Festividades
Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
Caçada com Bolhas
Cidades

Juneau, Alasca

Na Capital Diminuta do Grande Norte

De Junho a Agosto, Juneau desaparece por detrás dos navios de cruzeiro que atracam na sua doca-marginal. Ainda assim, é nesta cidade ínfima que se decidem os destinos do 49º estado norte-americano.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Bruxinha de chaleira
Cultura

Helsínquia, Finlândia

A Páscoa Pagã de Seurasaari

Em Helsínquia, o sábado santo também se celebra de uma forma gentia. Centenas de famílias reúnem-se numa ilha ao largo, em redor de fogueiras acesas para afugentar espíritos maléficos, bruxas e trolls

Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

De volta ao porto
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Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

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Conversa entre fotocópias
Étnico

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A nação sami é afectada pela ingerência das leis de 4 países, pelas suas fronteiras e pela multiplicidade de sub-etnias e dialectos. Mesmo assim, no parlamento de Inari, lá se vai conseguindo governar

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
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Baie d'Oro
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Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

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Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
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Outono
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Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
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Património Mundial UNESCO
Grande Zimbabwe

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Curiosidade ursa
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