PN Chobe, Botswana

Chobe: um rio na Fronteira da Vida com a Morte


Hipo-comunidade
Hipopótamos semi-submersos no rio Chobe.
Safari Fluvial I
Visitantes do PN Chobe admiram o cenário e a fauna a partir no meio do rio Chobe.
Hierarquia de Paquiderme
Elefantes sobem em fila para uma das muitas ilhotas deixadas pelo baixar do caudal do rio Chobe.
Game Drive
Safari em jipe na margem do rio Chobe.
De Olho bem Aberto
Crocodilo de alerta numa margem elevada do Chobe.
Bulls Girl
Rapariga de uma aldeia tribal nas margens do rio Chobe.
Elefantes insulares
Elefantes pastam num ilhéu no meio do rio Chobe.
Asas Grandes, bico maior
Bando de Marabus voa sobre a planície nas margens do rio.
Safari fluvial II
Visitantes do Parque Nacional Chobe a bordo de um barco que os conduz num safari fluvial.
Natureza-morta
Ninho abandonado no topo de uma árvore seca, na faixa de Caprivi.
Hipo-Protecção
Hipopótamo juvenil permanece bem junto à progenitora durante a passagem mais próxima de embarcações.
Frente-a-frente
Passageiros de um safari de rio admiram elefantes num ilhéu no meio do Chobe.
Elegância Pernalta
Uma cegonha-de-bico-amarelo no rio Chobe.
Hierarquia de Paquiderme II
Elefantes disputam de uma espécie de trono fluvial numa ilha ervada em pleno caudal do rio Chobe.
Tons Africanos
Aves pousadas sobre os ramos de uma árvore seca inclinada sobre o rio Chobe.
O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Quando questionado sobre as razões do re-casamento com Elisabeth Taylor, apenas 16 meses depois de se divorciarem após 10 anos de vida conjugal, Richard Burton respondeu “Não se pode bater duas barras de dinamite uma contra a outra sem esperar que não rebentem”.

O casal escolheu um lugar de que poucos norte-americanos precavidos se lembrariam, na iminência da guerra civil explosiva que então grassava na Rodésia, um estado decretado pela minoria de colonos brancos para evitar a passagem directa do poder da Grã-Bretanha para líderes indígenas. Um estado não reconhecido pela maior parte da comunidade internacional.

Burton e Taylor meteram-se num jacto privado na África do Sul e voaram para aquele mesmo território, o Zimbabué dos dias de hoje).

Cruzaram então para o Botswana. Celebraram a sua segunda cerimónia nupcial em Kasane, uma cidade tão improvável como habituada a conviver com uniões.

Kasane está situada sobre os Four Corners de África, junto à confluência dos rios Chobe e Zambeze. A lua de mel dos actores foi passada no Chobe Game Lodge, na margem do rio homónimo.

Conscientes da beleza natural da sua terra e da quantidade de vezes que Taylor se divorciou, é frequente ouvir-se os tswanas daquelas paragens reiterarem que a diva “era muito melhor a escolher sítios do que maridos”.

rapariga de aldeia, parque nacional chobe, botswana

Rapariga de uma aldeia tribal nas margens do rio Chobe.

A Conveniência Ribeirinha do Chobe Lodge

Estávamos a caminho desse mesmo albergue. As estradas dignas do Botswana comprovavam-nos o desnível económico entre a nação pouco habitada mas fortemente diamantífera dos tswanas e a dupla Zim-Zam a norte. Permitiam-nos avançar a velocidades surpreendentes. Não tardaria a que também ouvíssemos a piada.

O Chobe Lodge teve a sua inauguração em 1974. Acolheu o casal em Outubro de 1975. Alguns anos depois, foi encerrado devido ao alastrar da já longa Guerra de Libertação do Zimbabué.

Durante sete anos, manteve-se de portas seladas, com os seus jardins entregues ao mato e aos elefantes que os espezinhavam a caminho do rio.

Com o fim do conflito, dois jovens sul-africanos compraram-no, recuperaram a tradição das bodas de famosos e impulsionaram-no para um inevitável estrelato mundial.

O rio que deu sentido à sua construção e ao sucesso fluiu ao longo das décadas, indiferente às escaramuças militares e às capas das revistas de sociedade, dependente apenas da meteorologia caprichosa da região.

elefantes em fila, parque nacional chobe, botswana

Elefantes sobem em fila para uma das muitas ilhotas deixadas pelo baixar do caudal do rio Chobe.

As Flutuações Meteorológicas do Rio Chobe

O Chobe é abastecido por várias nascentes perenes de água. Ainda assim, o volume do seu caudal oscila de forma drástica da época seca (por norma de Maio a Outubro) para a das chuvas.

Os animais tentam ajustar-se o melhor que podem mas, como constatamos e voltamos a constatar em incontáveis documentários televisivos, no geral, a qualidade das suas vidas decresce à medida que o sol escaldante intensifica a estiagem e o rio encolhe.

cegonha de bico amarelo, parque nacional chobe, botswana

Uma cegonha-de-bico-amarelo no rio Chobe.

Nenhuma espécie tem que raciocinar por aí além para evitar o calor sufocante que se faz sentir a partir do meio da manhã. A maior parte dos animais acerca-se cuidadosamente das margens pela fresca.

De acordo, as saídas fluviais levadas a cabo pelo lodge são ou madrugadoras ou – à imagem da primeira em que participamos – de fim de tarde.

passageiros e fauna, parque nacional chobe, botswana

Visitantes do PN Chobe admiram o cenário e a fauna a partir no meio do rio Chobe.

Embarque para um Glorioso Safari Fluvial

A embarcação zarpa da pequena doca. Interna-se no rio sob o olhar perscrutador de uma águia pesqueira no topo de um tronco morto. Seguimos rente à água.

Momentos depois, confrontamo-nos com manadas de búfalos e de elefantes que pastam relva fresca. Sem que o esperássemos, a beira do rio eleva-se.

Num ápice, passamos a admirá-los de baixo para cima. Alguns espécimes tiram-nos as medidas a partir do pedestal ervado.

elefantes numa ilha, parque nacional chobe, botswana

Elefantes disputam de uma espécie de trono fluvial numa ilha ervada em pleno caudal do rio Chobe.

Como o fazem também, do bordo oposto, elefantes curiosos, reis e senhores de pequenas ilhas verdejantes de que se lançam crocodilos intimidados.

A balsa continua o seu percurso arrastado, entre o Botswana e a Namíbia, entretanto sob um céu magenta que se reflecte na água e tinge grandes colónias de hipopótamos quase submersos.

hipopotamos, parque nacional chobe, botswana

Hipopótamos semi-submersos no rio Chobe.

Percebemos apenas as suas orelhas e olhos de fora, estranhamente rosados pelo crepúsculo que se anuncia e à hora de regresso ao ancoradouro.

E o Game Drive Complementar do Chobe

Com a alvorada seguinte, subimos a bordo de um jipe, em vez da balsa. Por terra, exploramos uma vasta área ribeirinha percorrida por gazelas e alguns predadores, parte de um game drive – assim lhe chamam os anglófonos – que não trouxe grandes novidades.

safari em jipe, parque nacional chobe, botswana

Safari em jipe na margem do rio Chobe.

Entretanto, regressamos a Kasane com o objectivo primordial de cruzarmos o Chobe e a fronteira para a Namíbia, através da inusitada faixa de Caprivi, uma espécie de lança cartográfica que os germânicos espetaram em África, durante a era colonial.

No final do século XIX, o território de que nos aproximamos enquanto atravessamos o Chobe estava integrado na Bechuanalândia, o Botswana dos dias de hoje.

Em 1890, a Alemanha fez finca pé para juntar a ilha de Zanzibar – então britânica – à sua colónia Tanzânia.

Após diversos ensaios diplomáticos, os britânicos concordaram em ceder Caprivi e em dar aos alemães acesso directo ao rio Zambeze. Como contrapartida, preservaram Zanzibar e apoderaram-se de Heligoland, uma outra ilha remota do Mar do Norte.

Instalamo-nos no Chobe Savanna Lodge. Ali, os cenários do rio são, semelhantes aos do Chobe Lodge.

visitantes num safari fluvial, parque nacional chobe, botswana

Visitantes do Parque Nacional Chobe a bordo de um barco que os conduz num safari fluvial.

A grande novidade e emoção a condizer tem lugar quando, durante novo safari fluvial, a balsa invade o território de alguns hipopótamos e um deles investe furibundo contra a embarcação.

O ataque faz-nos perder o equilíbrio. Obriga o skipper a afastar-se com recurso à potência máxima dos motores. Por sorte, dura pouco. Uma vez passado o perigo, alimenta inúmeras piadas oportunistas.

Um Susto Inesperado mas Merecido do Chobe

Já em pleno desembarque, sobre o pôr-do-sol e num exagerado modo fotográfico, seguimos a fila de passageiros, quando observamos a beleza de uma árvore morta em contraluz com o ocaso.

aves em arvore seca, parque nacional chobe, botswana

Aves pousadas sobre os ramos de uma árvore seca inclinada sobre o rio Chobe.

Por momentos, perdemos a consciência do lugar em que estamos. Deixamos a fila e percorremos umas dezenas de metros na direcção dessa árvore, sempre à beira rio.

Já de frente para o motivo, não resistimos a aproximar-nos da água e a agachar-nos, de maneira a fazer sobressair os ramos contra ao céu. Estamos embrenhados nesse processo do enquadramento quando, reparamos em vários pares de brilhos arredondados na água.

crocodilo, parque nacional chobe, botswana

Crocodilo de alerta numa margem elevada do Chobe.

Num ápice, somos acometidos pelo regresso dramático da razão. Estávamos a um mero metro e meio, dois metros que fossem, de crocodilos que tanto podiam ser juvenis como os maiores a habitar o Chobe.

Damos um salto comedido para trás. Recuperada a segurança da maior distância e da postura vertical. Retiramos a tremer para o interior fortificado do Chobe Lodge. Tínhamos sobrevivido àquele momento de inesperada loucura.

O próximo poderia não correr tão bem.

Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.
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O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

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PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
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PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

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