Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo


Casinhas de outros tempos

Casinhas de lava vendidas por nativos, à entrada do PN Fogo.

No cimo de Cabo Verde

Guia João da Silva contempla o oceano Atlântico em redor da ilha do Fogo.

Meandro na lava

Moradora da Chã das Caldeiras percorre a estrada que sobrou do grande mar de lava.

No lugar errado

Edifícios de Portela e de Bangaeira engolidos pelo mar de lava libertado pelo vulcão Fogo.

O grande Fogo

O cone quase perfeito do vulcão Fogo, a maior das montanhas de Cabo Verde, com 2829 m de altitude.

Car-sharing

Tiago e Aírson, crianças descendentes do clã Montrond, um alourado como, com o tempo, se tornou comum na Chã das Caldeiras.

Vítima isolada

Casa perdida na torrente de lava.

Por esse vulcão abaixo

Guia João da Silva caminha pela base do Fogo, rumo à zona habitada da Chã das Caldeiras.

Encurralados

Gado guardado num curral cercado pela lava libertada pelo Fogo.

Adriano & Filomena

Adriano e Filomena Montrond, à entrada da casa que habitavam, agora preenchida por lava solidificada.

No lugar errado II

Casas de Chã das Caldeiras debaixo da lava que delas se apoderou em Novembro de 2014.

Persistência

Casas recém-construídas uma vez mais no possível caminho da lava libertada numa próxima erupção do Fogo.

Aos saltos

Guia João da Silva salta vertente abaixo em direcção à cratera do Pequeno Fogo, de onde têm tido origem as últimas erupções.

No lugar errado III

Pormenor de outro edifício invadido pela lava.

A grande Chã

A vasta caldeira do Fogo, com 9km de diâmetro e a oeste do grande cone do vulcão.

Ocaso envolve o cone do Fogo de um céu ardente.

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.

A Viagem Madrugadora de São Filipe a Chã das Caldeiras

Os despertadores tocam às 5h15. Quinze minutos depois, ainda escuro como breu, zarpamos de São Filipe, no táxi conduzido por Edilson, o mesmo adolescente que, uns dias antes, nos tinha trazido do aeroporto para a capital.

Aos poucos, ascendemos a encosta sudeste do grande cone no âmago da ilha. Não vislumbramos vivalma quando passamos a grande placa de madeira que sinaliza a entrada no Parque Natural do Fogo. Entramos no âmago da montanha. A vastidão de lava solidificada em redor e acima só acentua o negrume.

Edilson avança devagar devagarinho receoso de que a estrada irregular e dura provocasse estragos no carro do patrão. É, assim, com a iminente aurora já a reavivar a caldeira que chegamos à zona habitada da Chã.

Lá nos encontramos com João Silva, o guia local com quem subiríamos ao cume do vulcão. João dá-nos as boas-vindas. Não desperdiça palavras. Já tinha conquistado o Fogo inúmeras vezes, à frente de forasteiros de distintas partes. Para ele, aquela ascensão seria apenas mais uma. Em simultâneo, uma ajuda financeira preciosa e um transtorno no trabalho de construção da nova e desafogada pousada que, apesar da ameaça sempre latente do vulcão, a sua família erguia.

A Ascensão dolorosa ao Cume do vulcão Fogo

Nas suas últimas más-disposições, o Fogo tinha recoberto a secção leste da caldeira com lava fresca. O caminho abrasivo que tomamos começa por a atravessar numa inclinação branda para, pouco depois, apontar às alturas da vertente oriental e nos submeter a um exasperante esforço.

Quanto mais subimos, melhor se define o leito circular e raso da Chã e a torrente de lava que a preenchia e havia envolvido e arrasado boa parte dos edifícios de Portela, Bangaeira e de Dje de Lorna, povoações de que, dali ou de onde quer que fosse, já só quase se avistavam telhados.

A visão longínqua da sua desgraça deteve-nos por várias vezes num fascínio contemplativo.

Sensibilizava-nos o destino da lava que fluiu, imparável, para leste, condicionada pelo sopé da vertente oposta da Bordeira, a orla elevada e escarpada da vasta e profunda caldeira que mede 9km de diâmetro delimitados por penhascos com 1km de altura.

Intrigavam-nos ainda o como e o porquê de, com tanta ilha do Fogo à sua disposição, lá se terem instalado de armas e bagagens duas povoações, à mercê dos caprichos naturais da maior das montanhas de Cabo Verde, do seu mais jovem, majestoso e intimidante vulcão.

Quatro horas depois, com muitas paragens fotográficas pelo meio, atingimos o cume. Recuperamos energias com snacks convenientes. Aos 2,829 metros do Pico do Fogo, sobre o mais alto a que poderíamos almejar chegar em todo o arquipélago cabo-verdiano, contemplamos a imensidão da caldeira.

E a do Atlântico em redor, abafado por um manto de nuvens bem mais baixas que escondia os picos aguçados da ilha vizinha de Santiago e lhe trazia um conveniente filtro solar, naquela altura invernal e ainda seca do ano, nem pensar em chuva.

Passamos para o lado de lá da orla da cratera, com cuidado redobrado para evitarmos tropeços que nos poderiam fazer rebolar por ali abaixo. Por fim, um trilho interno leva-nos a uma passagem protegida pela rocha. Aproveitamo-la para nos apoiarmos e espreitarmos o fundo arredondado do cone que nos sustinha.

As suas vertentes revelavam-se também elas curvas. Explicava-se, assim, que tranquilizados pelo facto de a última erupção dali saída datar do ano longínquo de 1769, vários dos visitantes do Pico do Fogo lá descessem e deixassem testemunhos – na sua maioria de identidade e de amor – escritos com pedras claras sobre o solo cinzento escuro.

Contornamos alguns metros adicionais do interior do cone. Em breve, regressamos ao lado de fora e à vista descomunal da caldeira. Vencemos um lajedo atulhado de pedras mal fixas ao solo poroso. Ultrapassado esse obstáculo, deparamo-nos com o Pico Pequeno, uma das aberturas do vulcão que, em 2014, deu origem à última das erupções e a fluxos de lava de estilo havaiano, lentos, mas inexoráveis.

Do Cume, aos saltos, de Volta ao Sopé

Sucede aos pedregulhos um declive acentuado, coberto de uma areia vulcânica volumosa e poeirenta. João faz-se a ela numa correria alternada com longos saltos. Seguimos-lhe o exemplo. Chegámos, assim, em três tempos, mas com as botas cheias de detritos, ao cimo da cratera secundária onde tresandava a enxofre e fazia um calor redobrado.

João detém-se para nos mostrar o quão activo e energizado se mantinha ali o vulcão. Reúne alguns galhos, coloca-os sobre uma fenda enegrecida e fica a olhar para a obra. Quinze segundos depois, os galhos sucumbiam ao fogo do Fogo.

O resto do percurso, cumprimo-lo ao longo do sopé, entre as vinhas e as figueiras que antecediam as habitações. Chegamos à pousada de um dos seus dez irmãos, Alcindo.

Lá repousamos na companhia de uma turma de alunos franceses numa privilegiada viagem escolar. E de lá nos mudamos para a pousada dos vizinhos Adriano e Filomena, ela um dos muitos Montronds que, a determinada altura, tomaram conta da Chã.

A História e Descendência Prolífica dos Montrond

Os Montrond não chegaram directos àquelas paragens de fim de mundo, nem nada que se parecesse. A sua história começa com um conde francês nascido em Grenoble.

Por alguma razão – especula-se que descontentamento político e ideológico, necessidade de fuga por dívidas ou até ambas, entre outros possíveis motivos – François Louis Armand de Montrond deixou França com destino ao Brasil. Em 1872, aportou em São Vicente. Depressa se encantou com a proximidade com a terra e com o calor afável de Cabo Verde.

Explorou outras ilhas. Mas acabou por se instalar na do Fogo. Lá se entregou a sucessivos romances. Sabe-se que se apaixonou por Clementina, por Camila, Demitília, Josefa, Antónia, Guelhermina e Jesuína. Todas elas, mães dos seus muitos filhos. Cada parceira mereceu-lhe a construção de um sobrado – em Achada Maurício, Baluarte, Mosteiros, São Filipe e outros sítios.

Alguns deles foram construídos com materiais que encomendou em França e estiveram na origem de novas povoações da ilha, como Genebra (hoje Luzia Nunes) que ele próprio baptizou, inspirado por um monte nas imediações de Grenoble.

Culto, dotado de formação aristocrata, filantropo, Armand Montrond empregou os seus conhecimentos (incluindo médicos) e influência no serviço dos nativos.

Plantou vinhas com videiras também trazidas da terra natal, e produziu café em quantidade suficiente para exportar para Portugal. Montrond ganhou o respeito e afecto dos nativos. De tal maneira que o povo de D’jar Fogo o começou a tratar por Nho Erman di França. Os genes de Montrond depressa se disseminaram por toda a ilha. Mais tarde, via emigração baleeira mas não só, também pelos Estados Unidos e outras partes do mundo.

Mas o que mais interessa à Chã das Caldeiras é que, apesar das erupções recentes e recorrentes de 1847, 1852 e 1857, os filhos de Armand Montrond, Manuel da Cruz e Miguel, para lá se mudaram com as suas famílias. Esta curta migração ainda justifica que, hoje, em nenhuma outra parte da ilha do Fogo ou de Cabo Verde sejam os genes e os visuais francófonos tão óbvios e abundantes.

A Gente Resiliente da Chã das Caldeiras

Instalamo-nos no quarto que Adriano e Filomena nos haviam reservado. Almoçamos. Em seguida, navegamos pelo mar de lava sólida, entre os destroços dos lares por ela engolidos. Exploramos o que restava de Portela e de Bangaeira.

Ambas as povoações foram habitadas até que a lava libertada pela erupção dramática de Novembro de 2014, avançou na fatídica direcção, no mais temido, mas também mais lógico dos sentidos: aquele que desce do sopé do Pico do Fogo rumo à enorme abertura leste da caldeira.

Acompanhamos os esforços de reconstrução de algumas das famílias então expulsas pela erupção, mas que decidiram persistir. Vemo-las amontoar blocos de cimento e tijolos. Acertar placas de tectos e molduras de janelas, tudo feito por eles, só em casos raros, com a ajuda de um ou dois operários contratados nas terras mais baixas da ilha.

Algumas, mantêm bancas de artesanato à beira da estrada e correm para o tentar vender sempre que intuem a passagem de visitantes. “Levem umas recordações, senhores. É tudo feito cá por nós!” diz-nos uma rapariga com tom determinado.

Admiramos as casinhas de lava, colmo e sementes que os nativos criam em menos de cinco minutos com material à mão, mas que, ainda assim, emulam na perfeição as reais, tantas delas enchidas de lava pelas mais recentes erupções.

Umas são cabanas básicas; outras maiores e mais complexas, outras ainda colocadas no cimo de penhascos afiados. Já tínhamos decidido trazer presentes de Cabo Verde. Encontramos ali algo que nos agradava e que, ao mesmo tempo, nos permitia contribuir para o esforço de reconstrução dos nativos.

Uma Cratera Prolífica mas que a Lava Não Poupa

Despedimo-nos e regressamos à caminhada. Damos com o que restava dos pomares que abasteciam os nativos e os visitantes. E com as figueiras e as vinhas que se crê terem sido introduzidas pelo conde Montrond, a origem do vinho manecom ali produzido de forma artesanal, diz-se que, renovado, mais tarde, com vinha “Jacquez” importada dos Estados Unidos por Néné Fontes, nativo de Cova Figueira.

Malgrado o aspecto inóspito da paisagem, o vinho do Fogo em geral e da caldeira em particular, foi de tal forma aprimorado que está prestes a conquistar a sua própria denominação de origem “Vinho Chã das Caldeiras”.

Encontramos as crianças exóticas da Chã, com longos cabelos louros. E adolescentes e adultos com peles e olhos claros, improváveis em Cabo Verde, não fosse o contributo genético dos Montrond.

Escurece. Até se desvanecer, a luz solar poente incide e aquece o Pico do Fogo. Quando se vai de vez, regressamos ao abrigo de Adriano e Filomena. Devastados pela longa ascensão da manhã, adormecemos bem mais depressa do que desejávamos.

Despertamos cedo a condizer e espreitamos a propriedade do casal, envolta pelo caudal de lava que ali quase tudo arrasou. Do terraço em frente à sala de refeições, vemos Adriano e Filomena passarem no quintal afundado do lar que antes usavam.

Descemos e interrompemos a lida de Filomena que estendia roupa em frente a portas e janelas de que espreitavam pontas atrevidas de lava. Sem querermos forçar-lhes o drama que viveram, abordamos o sempre curioso tema da génese Montrond.

Indagamo-los sobre a pele alva e os olhos verdes-água de Filomena. Adriano não se furta a esclarecer: “Eu também poderei ser em parte, mas a minha mulher é que tem o apelido e tudo. Até há uns tempos, esta era a Casa Tito Montrond, o pai dela que morreu em 2011. Montrond (s) aqui na Chã e por esse Fogo fora, nunca hão de faltar!”

PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a dois mil metros no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.

Cabo Verde 

O Milagre de São Vicente

Uma volta a esta ilha revela uma aridez tão deslumbrante como inóspita. Contra todas as probabilidades, por um capricho da história, São Vicente viu o Mindelo prosperar como a segunda cidade mais populosa de Cabo Verde e a sua indisputada capital cultural.

Pico, Açores

Com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. O Pico é a sua montanha aguçada mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.

La Palma, Espanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

Big Island, Havai

À Procura de Rios de Lava

São 5 os vulcões que fazem a Big Island aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.

Monte Mauna Kea, Havai

Um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra

Pucón, Chile

A Brincar com o Fogo

Pucón abusa da confiança da natureza e prospera no sopé da montanha Villarrica.Seguimos este mau exemplo por trilhos gelados e conquistamos a cratera de um dos vulcões mais activos da América do Sul.

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Saint-Pierre, Martinica

A Cidade que Renasceu das Cinzas

Em 1900, a capital económica das Antilhas era invejada pela sua sofisticação parisiense, até que o vulcão Pelée a carbonizou e soterrou. Passado mais de um século, Saint-Pierre ainda se regenera.
Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Cansaço em tons de verde
Cerimónias e Festividades

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

De volta ao porto
Cidades

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Casal Gótico
Cultura

Matarraña a Alcanar, Espanha

Uma Espanha Medieval

De viagem por terras de Aragão e Valência, damos com torres e ameias destacadas de casarios que preenchem as encostas. Km após km, estas visões vão-se provando tão anacrónicas como fascinantes.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
À sombra da falésia
Em Viagem

Red Centre, Austrália

No Coração Partido da Austrália

O Red Centre abriga alguns dos monumentos naturais incontornáveis da Grande Ilha. Impressiona-nos pela grandiosidade dos cenários mas também a incompatibilidade renovada das suas duas civilizações.

Étnico
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-Braga, Nepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Budas
História

Nara, Japão

Budismo Hiperbólico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Ilhas
São Nicolau, Cabo Verde

Sodade, Sodade

A voz de Cesária Verde cristalizou o sentimento dos caboverdeanos que se viram forçados a deixar a sua ilha. Quem visita São Nicolau percebe porque lhe chamam, para sempre e com orgulho, "nha terra".
Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

A derradeira luz
Natureza

Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Mini-snorkeling
Parques Naturais

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Danças na Catedral
Património Mundial Unesco

Antigua, Guatemala

Guatemala à Moda Antigua

Em 1743, vários sismos arrasaram uma das cidades coloniais pioneiras mais encantadora das Américas. Antigua regenerou-se mas preserva a religiosidade e o dramatismo do seu passado épico-trágico.

Riso no elevador
Personagens

Osaka, Japão

Na Companhia de Mayu

A industria japonesa da noite é um negócio bilionário e multifacetado. Em Osaka, somos acolhidos por uma sua assalariada enigmática que opera algures entre a arte gueixa e a prostituição convencional.

Leme Manual
Praia

Ilhabela, Brasil

A Caminho de Bonete

Uma comunidade de caiçaras descendentes de piratas fundou uma povoação num recanto da Ilhabela. Apesar do acesso difícil, Bonete foi descoberta e considerada uma das 10 melhores praias do Brasil.

Estante Sagrada
Religião

Tsfat, Israel

Quando a Cabala é Vítima de Si Mesma

Nos anos 50, Tsfat congregava a vida artística da jovem nação israelita e recuperava a sua mística secular. Mas convertidos famosos como Madonna vieram perturbar a mais elementar discrição cabalista.

Sobre carris
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Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
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Quem Protege os Guardiães do Mundo?

Os indígenas da Serra Nevada de Santa Marta acreditam que têm por missão salvar o Cosmos dos “Irmãos mais Novos”, que somos nós. Mas a verdadeira questão parece ser: "Quem os protege a eles?"

Retorno na mesma moeda
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