Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino


Cansaço em tons de verde

Criança cansada da sua participação num desfile inaugural do festival.

Pepinos recordistas

Vencedores do concurso dos maiores pepinos com os seus frutos premiados.

Sessão apepinada

Amigas fotografam-se em trajes alusivos ao fruto que inspira o festival.

Pepino pouco surpresa

Polícia em uniforme faz-se fotografar junto a um urso embalsamado e apepinado

Feira à beira do rio Kamenka

Vista dos pequenos negócios que se instalam em Suzdal por ocasião do Festival dos Pepinos.

Parceiras de sanfona

Mulheres em trajes típicos tocam músicas tradicionais da região.

Luta de almofadas

Dois rapazes confrontam-se sobre um tronco com arbitragem de uma juíza pitoresca.

Em tandem

Irmãos gémeos apepinados experimentam andas, duas outras crianças esperam pela sua vez.

Nova dose

Vendedora expõe pepinos frescos prontos a comer.

i-Pepino

Mãe fotografa filha num traje de pepino.

Escultura

Montra artística de um vendedor de pepinos em calda.

Expressão multi-pepino

Mulher russa exibe pepinos durante o festival respectivo.

Dança da chuva

Amigos dançam sob um dilúvio que irriga Suzdal ao fim da tarde.

Pronto-a-comer

Visitante do festival compra um petisco simples de batata cozida e pepino.

Felicidade nacionalista

Casal celebra uma tarde bem passada em Suzdal, uma das povoações emblemáticas da história russa.

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

É Sábado de manhã. Deliciamo-nos com o mingau de arroz que Dona Irina Zakharova nos preparara uma vez mais para o pequeno-almoço. Há vários dias que massacrávamos o cicerone russo Alexey Kravschenko com despertares madrugadores. Nessa manhã, deixamo-lo sossegado no seu sétimo sono. Saímos a pé.

Tínhamos chegado ao dia do Festival Internacional do Pepino de Suzdal. Há muito que a data nos condicionava o itinerário daquelas partes da Rússia. E estávamos mais intrigados que nunca com o que nos revelaria tão excêntrica celebração.

Cruzamos um longo atalho através duma charneca ensopada, com a vegetação pelo pescoço ou ainda mais alta. Quando deixamos o trilho, aproximamo-nos do kremlin da cidade e da ponte de madeira que liga a uma tal de rua Pushkarskaya. Pouco depois, esbarramos com uma feira instalada na ladeira que conduz à entrada do Museu local da Arquitectura de Madeira.

Proprietários de barracas de petiscos grelham e promovem shashliks apetecíveis, outros, frutos secos e silvestres, algodão doce, maçãs caramelizadas e uma miríade de especialidades gastronómicas russas ou internacionais típicas daqueles eventos populares. Em complemento, pequenos empresários do ramo lúdico impingem passatempos apelativos.

Já à entrada do museu, velhotas porque tínhamos passado dezenas de vezes anunciam os souvenirs mais emblemáticos de Suzdal e o seu abundante artesanato, mas também pepinos.

Na Rússia, os vegetais comuns do dia a dia são as cebolas, as couves, as cenouras e os pepinos. Os russos consideram os últimos os mais nutritivos e importantes. Usam-nos em milhares de pratos e receitas. Podem ser consumidos em pickle (ou meio pickle) com sal, vinagre ou folhas de eucalipto, por norma acompanhados de vodka, polugar (vodka tradicional de centeio) e afins. Ainda em várias sopas como, por exemplo, o borsch, a mais popular do país. Os pepinos também são empregues em doces, pasteis, em carne adocicada e na própria elaboração de diversas bebidas licorosas mas não só. Quaisquer que sejam as circunstâncias, os russos têm sempre pepinos nas suas casas de cidade ou nas dachas, as vivendas no campo. São vendidos em quantidades impressionantes até à entrada das estações de metro e mercados de Moscovo e São Petersburgo.

As gentes de Suzdal, em particular, gabam-se de ter os melhores pepinos na Rússia central. Leva a cabo o mais conceituado festival do pepino da nação czar que, à imagem de tantos outros, se realiza em plena época de colheita, durante o Verão quando o calor aperta e os dias parecem não ter fim. Na zona de Suzdal, muitos lares conseguem rendimentos significativos do cultivo e venda. Alguns, prosperam a sério: “paguei a escola dos meus dois filhos, a nossa casa, o carro e muito mais, tudo com as plantações que temos. Para nós, os pepinos são quase sagrados!” De tal forma preciosos que uma crença tradicional da zona reclama que duendes verdes os protegem.

Quando entramos na área do evento, depressa confirmamos, pelo menos, o seu óbvio protagonismo no evento.

Dezenas de produtores e vendedores dispostos em duas linhas pouco rectas e divergentes, exibem, em pequenas bancas, pepinos de tipos e dimensões distintas, crus ou confeccionados. O fruto surge em sandes, sopas, saladas e pratos completos. Conservado dentro de frascos em estilo pickle ou em bagaços generosos. E, menos perceptível, em doces, compotas e chutneys. Outros comerciantes têm dispostos posters e postais, imanes, pulseiras e outras formas de bijutaria tradicional, bem como obras de arte que nos surpreendem pela criatividade. Examinávamos esta feira interior quando damos de caras com o cortejo que oficializava a inauguração do festival.

Uma banda filarmónica toca o hino dedicado. Seguem-na centenas de participantes com trajes inspirados em pepinos verdes ou que a ele aludem e que seguram balões verdes esvoaçantes. Outros figurantes fazem rolar um carro de bois com um arranjo campestre cuidado e em que se destaca um casal de pepinos de pano sentados costas contra costas, sobre um monte de erva seca. Na proximidade, cidadãos orgulhosos de Suzdal empunham uma bandeira russa e uma outra italiana, em representação da nação convidada.

A banda e a parada perseguidora vencem a encosta suave. No topo, os músicos sobem a um palco e continuam o espectáculo, agora de frente para uma plateia entusiasta que os aplaude.

Mas, como seria de esperar, também na Rússia – ou sobretudo na Rússia – os eventos têm as suas obrigações políticas. Um dos dirigentes de Suzdal assume o palanque improvisado e discursa com vigor. Do que expõe, só percebemos os incontornáveis spasibas finais às entidades que apoiaram e tornaram o festival possível. Logo após, o autarca cede o protagonismo a novo grupo musical que se encarrega de reanimar os espectadores.

Por essa altura, já há diversão um pouco por todo o lado, entre as igrejas e habitações tradicionais do museu. Entregamo-nos a um périplo descomprometido para investigar a acção.

Desde muito cedo, as crianças russas aprendem a dar valor ao pepino que veem os pais consumir – e ajudam a comer – em quantidades industriais.

O festival é, também para elas, um momento especial das suas jovens existência, um momento que vivem com a máxima intensidade possível.  Engasgamo-nos com palha quando decidimos fotografar as batalhas de alguns miúdos aloirados sobre um monte de feno seco instalado para o efeito. Acompanhamos ainda lutas de almofadas sobre uma barra elevada, em que outros aperfeiçoam os seus dotes guerreiros, sob a mediação de uma dama-árbitro excêntrica.

As recordações personalizadas são igualmente disputadas. Tanto adultos como crianças e idosos enfiam a cara em painéis humorísticos e incorporam pepinos sobrevoados por abelhas e borboletas. Ou visitam as barracas de fatos dedicados ao tema e disfarçam-se de distintas variantes do fruto para gáudio dos familiares e amigos que os contemplam. Metemo-nos com quatro estrangeiros que falam inglês com sotaque aussie. Quando lhes explicamos o que fazemos, Miah Gibson mostra-se tão orgulhosa quanto apreensiva. “Muito bem, mas não publicam essas imagens na Rússia, O.K.? É que eu trabalho no consulado australiano de Moscovo e a sério que o pessoal diplomático não me pode ver nestas figuras”.

À imagem do acontecera em dias anteriores, o fim da tarde traz nuvens altas e escuras. Até então, Suzdal tinha sido poupada a chuvas fortes mas nenhum pepino cresce sem água. A meteorologia encarregou-se da rega e de que maneira. O dilúvio e a trovoada assustadora fazem o público entusiasta abrigar-se sob as árvores com copas mais densas, os beirais das igrejas e casas e moinhos por ali dispersos.

Protegidos pela cobertura do palco, os músicos de serviço ignoram a intempérie compenetrados em animar a festa. Continua quente e abafado e alguns dos espectadores já estão demasiado entusiasmados ou embriagados para se preocuparem com a molha. Mantêm-se estóicos entre o palco e as cadeiras da plateia e improvisam uma estranha dança da chuva com resultados pré-garantidos.

Aos poucos, o aguaceiro desvanece-se. Os apresentadores do evento chamam o público de volta junto ao palco e inauguram uma aturada entrega de prémios. Há recompensas para uma série de categorias gastronómicas e de doçaria. Como as conquistam os primeiros classificados na prova de comer pepinos, em que é suposto enfardar a maior quantidade possível num determinado tempo. A competição de maior relevo é, no entanto, a do maior pepino.

O vencedor e o concorrente que fica em segundo lugar recebem o devido reconhecimento e sacos com brindes. Apanhamo-los a descer para as traseiras do palco. Quando lhes pedimos, posam para nós com boa disposição e surpreendente à vontade. O vencedor está visivelmente bebido. Mais uma vez, o vice-campeão não lhe fica muito atrás. Ao fim de um ou dois minutos de ordinarice mímica com os enormes pepinos, lá nos permitem tirar fotos decentes. Em jeito de recompensa pela paciência que acharam que nos deviam reconhecer, ainda nos oferecem os frutos hiperbólicos. De um momento para o outro, sem qualquer aviso, vemo-nos a braços com os dois enormes pepinos triunfantes e adiamos o mais que podemos o destino que lhes íamos dar.

Deixamos o espaço do museu com o festival prestes a encerrar. A caminho de casa, uma multidão intrigada tenta perceber o que fazem dois forasteiros com visuais tão contrastantes a transportar pepinos do Entroncamento russo. Uns atrás dos outros, apontam-nos os seus telefones e perguntam se nos podem fotografar ou fotografam-nos sem nunca pedir, como é suposto fazer-se quando se requer espontaneidade nas fotos. Estávamos pouco habituados à inversão dos papéis mas, pelo caminho fora, levamos o protagonismo com a diversão e as risadas que o deslumbrante festival merecia.

Ao chegarmos à pousada, Dona Irina mal pode acreditar no que vê. Logo, ri-se a bom rir com a explicação que Alexey lhe traduz. Oferecemos-lhe os pepinos e sugerimos que os sirva em salada ou faça pickles. Bem mais conhecedora da agricultura e culinária em questão, a senhora informa-nos que, daqueles espécimes exagerados e gastos, já só poderia aproveitar as sementes. Lembramo-la que, ao menos, a genética era garantida, que se as plantasse teria fortes hipóteses de ganhar o grande prémio do próximo festival. Por momentos, Irina Zakharova pondera a sugestão mas deixa-nos a impressão que tamanha glória a intimida.

O Inverno não tardaria a reclamar Suzdal e a cobri-la de branco. Com ou sem Irina, mal as neves e os gelos daquele interior russo dessem de si, vários dos seus agricultores competitivos assumiriam o novo repto. Num Julho tão abafado e verdejante como aquele em que Alexey Kravschenko nos deu a conhecer Suzdal, a gente da cidade voltaria a louvar os seus suculentos pepinos.

Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.

Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.

Novgorod, Rússia

A Avó Viquingue da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.

Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de "Crime e Castigo"

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Um
Arquitectura & Design

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Alturas Tibetanas
Aventura

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e a experiência que não se deve arriscar subir à pressa.
Coragem
Cerimónias e Festividades

Pentecostes, Vanuatu

Bungee Jumping para Homens a Sério

Em 1995, o povo de Pentecostes ameaçou processar as empresas de desportos radicais por lhes terem roubado o ritual Naghol. Em termos de audácia, a imitação elástica fica muito aquém do original.

De novo na ribalta
Cidades

Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

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Comida
Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

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Filhos da Mãe-Arménia
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Literatura

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Devils Marbles
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Aposentos dourados
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Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Um Apocalipse Televisionado
Parques Naturais

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A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

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Sósias, actores e figurantes

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De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

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Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Noite Pachinko
Sociedade

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O Vídeo-Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.

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