Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio


Assento do sono

Vários executivos dormem lado a lado numa carruagem de metro de Tóquio.

Metro-sono

Passageiro dorme num metro que está há algum tempo estacionado na estação terminal.

Ombro amigo

Executivos dormem de ambos os lados da fotógrafa Sara Wong, durante uma viagem de metro em Tóquio.

Segurança

Metro ilumina um anúncio de uma empresa de segurança protagonizado por um actor nipónico famoso.

Sono fácil

Salaryman adormece num curto trajecto de metro.

Transporte matinal

Carruagem de metro faz-se à primeira estação do seu percurso onde depressa ficará lotada.

Metro no Inverno

Passageiros de metro aguardam pela chegada de uma nova composição a uma estação de Tóquio. Por norma a chegada é anunciada com a mensagem "mamona ku" (brevemente).

De rastos

Passageiro dorme profundamente numa composição de metro já há muito parada.

Manhã colorida

Transeuntes atravessam uma ponte sobre a linha de comboio de Harajuku, em Tóquio.

Sono duplo

Executivos dormem em tandem numa carruagem de metro.

Ponte para outro dia

Comboio atravessa a noite, acima da vida fatigante de Tóquio.

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

São sete da manhã e Tóquio já despertou há algum tempo, tal como Kazuya Takeda que nos hospeda por alguns dias e tinha saído de casa há mais de meia-hora, determinado em não chegar atrasado à principal filial nipónica da multinacional DHL.

Descemos à estação de metro de Nishifunabashi e juntamo-nos ao fluxo humano que se move coordenado e a grande velocidade em direcção ao centro da cidade. Como tantas outras linhas ferroviárias, a Tozai parte dos arredores longínquos da cidade e transporta muitos milhares de outros trabalhadores fiéis e pontuais como Kazuya.

As composições sucedem-se com intervalos que não chegam ao meio minuto. Metemo-nos numa das carruagens lotadas. A bordo, predomina o negro dos fatos de um pequeno exército de salarymen e de mulheres com trajes executivos equivalentes. Sem sabermos bem como, pouco depois, detectamos dois lugares vagos em assentos opostos. Apesar de constarmos o seu aperto, lembramo-nos que vamos ter novo longo dia de exploração, em grande parte pedestre, e decidimos aproveitar a benesse.

Instalamo-nos quase frente a frente. Ficamos a analisar a atmosfera  soturna na cabine e acção em cada uma das estações em que paramos.

Faltam 40 minutos para chegarmos a Ginza, o nosso destino final mas não o do metro. Alguns passageiros fazem viagens ainda mais longas. Aproximamo-nos do meio da semana. A maioria deles já sente o cansaço provocado pelos sucessivos despertares madrugadores, pelas deslocações intermináveis de e para casa e, em tantos casos, pelas horas tardias de saída dos empregos a que não querem ou simplesmente não podem resistir.

Nos anos de reconstrução da nação nipónica a seguir à 2ª Guerra Mundial, um executivo japonês mantinha uma vida estável, estatuto social e regalias invejáveis. Mas, com o passar das décadas e o reforço da competitividade capitalista, estas vantagens deixaram de existir. Muitos salarymen não têm praticamente prestígio na hierarquia corporativa das empresas. Trabalham agora em jornadas intermináveis que os impedem de fazer algo mais na vida que não seja servir os departamentos que integram. Há, inclusive, a famosa noção sobre o Japão de que os assalariados devem seguir os chefes até mesmo fora da esfera profissional, em particular, quando chega a noite de sexta-feira e os seus superiores precisam de companhia para sair, beber até cair e descomprimir.

Compreende-se, assim, que, exauridos pelas agruras da sua vida laboral, estes servos se deixem simplesmente descansar a caminho dos empregos ou de casa e, durante a viagem, dois deles acabam por aterrar as cabeças nos nossos ombros.

Sem que o esperássemos, aconchegamos um pouco da fadiga da nação nipónica, tarefa que nos diverte mas parece causar  incómodo ou vergonha alheia nos compatriotas acordados, entretidos com os seus telefones de última geração. E, no entanto,  este deslize acontece vezes sem conta entre os próprios japoneses.

Apesar de toda a tecnologia empregue, as viagens de metro ou comboio das grandes cidades nipónicas podem revelar-se, além de longas, muito desconfortáveis. Mais ainda quando se fazem a bordo de composições a transbordar de gente como as que passam pela estação de Shinjuku, conhecida por ter o maior tráfego humano do mundo e onde funcionários dedicados têm como missão empurrar para dentro as pessoas que ficam entaladas e impedem as portas das carruagens de fechar.

Mas os transportes japoneses, à imagem do Japão em geral, primam pela absoluta segurança. Enquanto que, um pouco por todo o planeta urbanizado, os passageiros sonolentos teriam que se preocupar, no mínimo, com os carteiristas, por terras do imperador, qualquer posse esquecida é deixada no lugar em que ficou ou, melhor ainda, entregue às autoridades da estação.

Esta garantia revela-se, por si só, um descanso. Se aliada a uma mais que aparente propensão dos asiáticos para adormecerem quando embalados pelo movimento, ao cansaço e à rotina fica, assim, plenamente justificada, a quantidade surpreendente de cochilares simultâneos a que fomos assistindo.

Como era de esperar, o Japão tem consciência desta realidade e preocupa-se com os seus dormidores incorrigíveis. Desde há algum tempo para cá, certos inventores disputam a melhor solução para lhes facilitar a vida. Criaram capacetes semelhantes aos das obras que podem ser presos aos vidros das janelas das carruagens com ventosas. Além da fixação da cabeça, o autor deste dispositivo lembrou-se ainda de resolver a questão do despertar atempado e acrescentou ao capacete uma placa para inserir mensagens que alertem os passageiros acordados para acordarem o utilizador na estação em que deve sair.

Outro inventor concorrente desenvolveu uma espécie de tripé desdobrável que, quando aberto, faz subir um apoio almofadado para o queixo, excêntrico mas alegadamente de grande utilidade para todos os passageiros que queiram adormecer em pé. Falta, no entanto, a ambas as invenções a subtileza necessária para que os japoneses as utilizem sem embaraço. Por esse motivo, continuam a prevalecer as formas convencionais de adormecimento não suportado, nos comboios e no metro.

Não é o caso de Ginza mas, também encontrámos inúmeras pessoas a dormir em estações terminais, nas carruagens já vazias, mesmo enquanto os empregados da JR (Japan Railways) ou do metro procedem à sua limpeza. Os próprios maquinistas estão habituados ao exercício adicional de examinarem as composições pelas câmaras de segurança e a terem que despertar os passageiros exaustos.

Quando nos aproximamos da estação em que tínhamos planeado ficar, o metro vai de novo à pinha e exige que preparemos a saída. Somos obrigados a sacudir os adormecidos que nos usavam como almofadas para seu óbvio desconforto físico e emocional.

No fim de mais um dia de descoberta de Tóquio, regressamos ao domicílio de Kazuya e, conversa puxa conversa, lembramo-nos de comentar o sucedido cómico dessa manhã. Sempre pragmático e desenvolto, o anfitrião confessa sem qualquer pejo: “Sei muito bem do que estão a falar. Como devem ter reparado os meus horários também são terríveis. E, sim… tenho que reconhecer que sou desses. Felizmente, é raro falhar a estação do emprego mas já me aconteceu mais do que uma vez ir parar à terminal, ao outro lado da cidade. O pior, nesses casos, ainda é o atraso com que chego ao escritório.”

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.

Tóquio, Japão

O Vídeo-Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.

Tóquio, Japão

Ronronares Descartáveis

Tóquio é a maior das metrópoles mas, nos seus apartamentos exíguos, não há lugar para mascotes. Empresários nipónicos detectaram a lacuna e lançaram "gatis" em que os afectos felinos se pagam à hora.

Tóquio, Japão

O Imperador sem Império

Após a capitulação na 2ª Guerra Mundial, o Japão submeteu-se a uma constituição que encerrou um dos mais longos impérios da História. O imperador japonês é, hoje, o único monarca a reinar sem império.

Um
Arquitectura & Design

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Pleno Dog Mushing
Aventura

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.

Via Crucis
Cerimónias e Festividades

Marinduque, Filipinas

Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.

Silhuetas Islâmicas
Cidades

Istambul, Turquia

Onde o Oriente encontra o Ocidente, a Turquia Procura um Rumo

Metrópole emblemática e grandiosa, Istambul vive numa encruzilhada. Como a Turquia em geral, dividida entre a laicidade e o islamismo, a tradição e a modernidade, continua sem saber que caminho seguir

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
O projeccionista
Cultura

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Um rasto na madrugada
Em Viagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Deserto (Pouco) Branco
Étnico
Deserto Branco, Egipto

O Atalho Egípcio para Marte

Numa altura em que a conquista do vizinho do sistema solar se tornou uma obsessão, uma secção do leste do Deserto do Sahara abriga um vasto cenário afim. Em vez dos 150 a 300 dias que se calculam necessários para atingir Marte, descolamos do Cairo e, em pouco mais de três horas, damos os primeiros passos no Oásis de Bahariya. Em redor, quase tudo nos faz sentir sobre o ansiado Planeta Vermelho.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Bark Europa
História

Canal Beagle, Argentina

No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Mme Moline popinée
Ilhas

Lifou, Ilhas Lealdade

A Maior das Lealdades

Lifou é a ilha do meio das três que formam o arquipélago semi-francófono ao largo da Nova Caledónia. Dentro de algum tempo, os nativos kanak decidirão se querem o seu paraíso independente da longínqua metrópole.

Recta Final
Inverno Branco

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A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Frescura da manhã
Natureza
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Uma Aldeia à Tona do Gana

Partimos da estância balnear de Busua, para o extremo ocidente da costa atlântica do Gana. Em Beyin, desviamos para norte, rumo ao lago Amansuri. Lá encontramos Nzulezu, uma das mais antigas e genuínas povoações lacustres da África Ocidental.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

No rumo da Democracia
Parques Naturais

PN Thingvelir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.

Património Mundial Unesco
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-Braga, Nepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Fila Vietnamita
Praia

Nha Trang-Doc Let, Vietname

O Sal da Terra Vietnamita

Em busca de litorais atraentes na velha Indochina, desiludimo-nos com a rudeza balnear de Nha Trang. E é no labor feminino e exótico das salinas de Hon Khoi que encontramos um Vietname mais a gosto.

Wall like an Egyptian
Religião
Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
Colosso Ferroviário
Sobre carris

Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.

À sombra da árvore
Sociedade

PN Tayrona, Colômbia

Quem Protege os Guardiães do Mundo?

Os indígenas da Serra Nevada de Santa Marta acreditam que têm por missão salvar o Cosmos dos “Irmãos mais Novos”, que somos nós. Mas a verdadeira questão parece ser: "Quem os protege a eles?"

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana
Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Vai-e-vem fluvial
Vida Selvagem

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.