Ushuaia, Argentina

A Última das Cidades


Derradeiro casario austral
Vista de Ushuaia, com o seu casario disperso ao longo do Canal Beagle.
Recordação
Marinheiro francês faz-se fotografar junto do painel que assinala Ushuaia como o fim do mundo.
Em suspenso

Marinheiro prepara velas do navio "Europa", prestes a zarpar em direcção à Antárctida.

De partida
Passageiros atrasados por uma greve no aeroporto de Buenos Aires sobem a bordo do barco em que viajarão até à Antárctida.
Velho farol

Farol antigo de Ushuaia, situado na proximidade do presídio da cidade.

Bar Ideal
Moradores de Ushuaia no interior acolhedor do Bar Ideal.
Porto lotado

Cruzeiros e outros navios ancorados ao largo de Ushuaia.

Huskie no sul

Huskie da matilha de "El Mono", um criador de cães de dogsledge de Ushuaia.

Glaciar El Martial
O pequeno - e a diminuir de ano para ano - glaciar El Martial, no topo das montanhas homónimas.
Fim del Mundo
Placa com indicações nos arredores de Ushuaia.
Georges Leygues

Um marinheiro francês de visita ao fim do mundo.

Bodegon Fueguino

Um dos restaurantes acolhedores do fim do mundo, instalado numa casa das muitas casas de madeira de Ushuaia.

Vigia permanente

Visitantes examinam uma cela do velho presídio de Ushuaia, para onde foram enviados os prisioneiros mais perigosos ou problemáticos da Argentina.

De volta das alturas

Passageiros do sistema de transporte que conduz às imediações do glaciar Martial.

Derradeiras montanhas sul-americanas

Picos da cordilheira Martial, acima da linha de coníferas.

Canal Beagle adentro
Panorama de Ushuaia vista do cimo do Glaciar Martial.
A capital da Terra do Fogo marca o limiar austral da civilização. De Ushuaia partem inúmeras incursões ao continente gelado. Nenhuma destas aventuras de toca e foge se compara à da vida na cidade final.

À medida que o avião baixa tornam-se mais nítidos os recortes irregulares da Terra do Fogo e as suas cores dominantes: o azul-escuro do mar gélido, os verdes, amarelos e vermelhos da vegetação e o branco e negro das montanhas finais dos Andes e o casario de Ushuaia.

A aterragem requer uma inversão de sentido. Sobrevoamos, em círculo, o Canal Beagle e confrontamo-nos com o casario brilhante de Ushuaia, espraiado ao longo do sopé da Cordilheira Darwin, aqui com cerca de 1500 metros de altitude. Quando o deixamos de ver, o avião pousa, como mandam as regras, contra o vento e suavemente.

A Recepção Calorosa de Ushuaia

Por pura diversão, rogamos pragas à panóplia de roupa invernal que nos atafulha as mochilas. Sabemos que aos 54,48 graus sul, momentos quase estivais como o que encontramos são tão raros como coqueiros e que de um momento para o outro, as massas de ar frio provenientes do continente gelado reconquistam o seu território.

Não foram os dias solarengos destes confins que ficaram para a história. Nem são o deleite e o conforto as sensações que mais se retiram das peripécias dos aventureiros que o desbravaram.

Mesmo assim, muito mudou desde então. Como no tempo de Magalhães e Fitz Roy, Ushuaia e Buenos Aires continuam a 3500 km de distância mas a Terra do Fogo deixou de ser apenas uma região de provações e privações. A sua capital usufrui do título de urbe mais austral do mundo.

Em 1975, Bruce Chatwin narrou-a “Na Patagónia” como “uma cidade sem crianças com residentes com faces que azularam devido ao frio e que lançam olhares hostis aos forasteiros”.  Ainda assim, Ushuaia encanta, todos os anos, milhares de visitantes bem menos destemidos que os seus pioneiros.

Com 64.000 habitantes, Ushuaia é apenas a 97a urbe da Argentina. Desde há algumas décadas, o estatuto de cidade mais meridional à face da Terra tem-lhe concedido privilégios que compensam a sua pequenez.

Placa indicações, Ushuaia, Argentina

Placa com indicações nos arredores de Ushuaia.

A Disputa pelo Título de Cidade Mais Austral

Esse estatuto é invejado pelos suspeitos do costume, sempre que se debatem questões fronteiriças ou geográficas destas paragens: os rivais chilenos.

Do outro lado do Canal Beagle, mais a sul, longínqua mas real, fica Puerto Williams, a povoação congénere chilena que os Fueginos querem que continue sem fornecimento de gás natural e privada do estatuto de cidade para que o epíteto de Ushuaia não pule para lá da fronteira.

Com o objectivo de conquistar o embalo civilizacional que beneficiou a vizinha argentina, Puerto Williams reclama com frequência o título. Franco, o dono de um veleiro em que navegamos pelo litoral próximo, explica-nos a seriedade da questão, enquanto arruma o convés: “amigos, vocês passam cá uns dias.

É-vos difícil perceber o que está envolvido. Só para terem uma ideia… apesar de com isso ter prejuízo financeiro, o governo argentino barra o fornecimento de gás natural a Puerto Williams para evitar que se desenvolva. Impressionante não é? Na minha opinião fazem muito bem. Nem quero imaginar o rombo que a nossa economia ia sofrer se eles passassem a cidade.”

Os intentos de Puerto Williams são tão ambiciosos como difíceis de concretizar. A população local é constituída por apenas dois mil habitantes, na maioria famílias de militares aquartelados nas bases dos arredores.

De cada vez que os chilenos voltam a reclamar o título, Ushuaia derrota-os citando a legislação que define oficialmente como cidade uma entidade urbana com mais de 5000 habitantes. Incomparavelmente menos que os de Ushuaia.

A Origem Missionária de Ushuaia

Ushuaia começou a formar-se, em 1870, por acção da Sociedade Missionária da América do Sul, uma instituição religiosa britânica que ali ergueu a sua filial na Terra do Fogo, para abordar e converter os indígenas, principalmente os de etnia Yahgan.

Pouco depois, os governantes argentinos construíram um presídio e, de 1884 até cerca de 1947, juntaram-se à pequena povoação milhares de vizinhos problemáticos: os criminosos e presos políticos mais temidos do país.

Por essa altura – a segunda metade do século XX -, fruto da sua posição privilegiada, Ushuaia assumiu-se como uma base naval de grande importância militar para a Argentina e aliados.

Pelo mesmo motivo – acrescido de significantes regalias financeiras concedidas pelo governo argentino – instalaram-se, mais recentemente, diversas empresas, principalmente de montagem de componentes electrónicos.

Os salários elevados e baixa tributação provocaram um afluxo de novos habitantes, recém-chegados argentinos e estrangeiros. Com o advento suplementar do turismo, a cidade desenvolveu-se até à sua dimensão e aspecto actual.

Glaciar El Martial, em Ushuaia, Argentina

O pequeno – e a diminuir de ano para ano – glaciar El Martial, no topo das montanhas homónimas.

Ascensão ao Glaciar Martial

Na mesma manhã em que chegamos, saímos em direcção às montanhas e ao glaciar Martial que nos dizem ter vistas ideais para apreciar e compreender a localização dramática de Ushuaia. Após uma longa subida que combina caminhada e teleférico, pelo meio de uma densa floresta ainda a amarelar, chegamos ao primeiro ponto panorâmico.

Bem acima da floresta verdejante de lengas e de nires, a meia-encosta da cordillera Martial – onde o glaciar homónimo se rende ao aquecimento global – revela a vastidão azul do Canal Beagle, a península sinuosa em que se espraia Ushuaia e o casario colorido, denso e numeroso que, em parte, a preenche. Percebemos, então, melhor que nunca, como a derradeira cidade negociou a sua existência com a cordilheira e com o mar.

Ushuaia, Tierra del Fuego, Argentina

Panorama de Ushuaia vista do cimo do Glaciar Martial.

Só a componente natural deste panorama existia, em 1520, quando Fernão de Magalhães liderou a sua expedição através do estreito mais a norte, e descobriu uma inesperada passagem do oceano Atlântico para o Pacífico.

À data, Magalhães deparou-se, ali, com tribos indígenas Alakaluf, Mane’kenk, Selk’nam e Yamaná, os nativos que partilhavam a área. Surpreendeu-o a solução a que chegaram para sobreviverem ao frio austral, sempre munidos de pequenos fogos, incluindo, em deslocação, sobre as suas canoas.

Inspirado pela estranha abundância de fogueiras, Magalhães baptizou a região de Terra dos Fumos. O nome viria a ser alterado para o que perdura e define a última das províncias argentinas: Terra do Fogo.

Ushuaia, Argentina

Vista de Ushuaia, com o seu casario disperso ao longo do Canal Beagle.

De cada vez que o sol vence as nuvens, é reflectido pelos telhados metálicos das casas, feitos de zinco e alumínio. Muitos são pintados. Isso dá ao casario um visual multicolor que se projecta no azul vivo do canal Beagle, para lá dos limites urbanos, e nos tons variados das folhas das faias que cobrem a montanha até às imediações do glaciar.

Calle contra Calle

Regressamos ao sopé da cordilheira e retomamos a deambulação por Ushuaia.

Depressa percebemos que o centro urbano da cidade se resume a umas quantas ruas que se repetem de forma linear, inclinadas e delimitadas por edifícios baixos.  Abrange duas calles principais, a Maipu e a Deloqui. À primeira vista, as verdadeiras atracções escasseiam. Destacam-se sobretudo os edifícios históricos da Legislatura Provincial, a Iglésia de la Merced, a Casa Beban e o Presídio.

Não vemos sinal de vendedores de rua ou angariadores de clientes a pressionar quem passa mas, apesar de tranquilo, este cientro depressa se prova uma armadilha comercial, repleto de lojas de recordações, roupa e equipamento para os desportos de Inverno, de pequenas agências de tours, bares, restaurantes e geladarias.

Mas não foi o turismo que esteve na origem da fundação de Ushuaia. E a capital fuegina continua pouco disposta a depender apenas dos forasteiros. A abundância de peixe e de gás natural facilita a tarefa e os governos argentino e da Terra do Fogo têm cumprido a sua parte concedendo incentivos fiscais que atraíram várias multinacionais tecnológicas, como a Grundig.

Bar Ideal, em Ushuaia, Argentina

Moradores de Ushuaia no interior acolhedor do Bar Ideal.

Chegamos ao fim da encosta. Lá desvendamos a Baía de Ushuaia e as paisagens firmes da Cordilheira Darwin, retocadas pela luz suave que sempre incide neste recanto meridional do mundo.

A Inesperada Invasão Francesa de Ushuaia

Seguimos ao longo da baía até chegarmos ao pontão que acolhe os navios militares, de carga e de passageiros atracados na cidade. Ficamos a observá-los do Molhe do Turista até que, subitamente, de e uma enorme fragata de guerra francesa na extremidade da doca, zarpam vários zodiacs carregados de marinheiros.

Avançam, a grande velocidade, na nossa direcção. Desembarcam exactamente no passadiço em que nos encontramos que passa de refúgio tranquilo a “território gaulês”. Forma-se um frenesim justificado, se vindo de uma tripulação que há muitos dias não põe pé em terra.

Quando nada o fazia prever, damos por nós a fotografar grupos de marujos francius que fazem questão de se eternizar em frente à placa que assinala “Ushuaia: fin del mundo”. “La derniére, monsieur, s’il vous plait! 

Marinheiro Francês em Ushuaia, Argentina

Marinheiro francês faz-se fotografar junto do painel que assinala Ushuaia como o fim do mundo.

Antárctida: rumo à Última Fronteira

A partir do Molhe do Turista, avistam-se os navios acabados de chegar ou prestes a zarpar para o continente gelado. São antigas embarcações científicas ou militares russas, argentinas e americanas: o “Orlova“, o “M/V Discovery“, o “Antartica AA“, o “M/V Grigoriy Mikheev“, entre outros, e até uma antiga barca holandesa – o “Bark Europa” – que o recém-descoberto potencial turístico da Antárctida fez com que fossem transformadas em ferries, se bem que artilhados contra ondas gigantescas e mares brancos e semi-sólidos.

À espera do início da viagem das suas vidas estão passageiros com contas bancárias recheadas. O continente gelado está ali a apenas 1000km mas aventura não é para todos. Os programas mais acessíveis rondam os 3000 dólares para percursos de 9 a 15 dias. Parece-nos dinheiro bem gasto. Ao observarmos os itinerários, detectamos lugares míticos: as Falkland (Malvinas), o Cabo Horn, a Geórgia do Sul e as Shetland do Sul ainda antes de ancorar na Península Antárctica.

Percorremos o pontão de cima abaixo e partilhamos um pouco da agitação e da expectativa que paira no ar.

Navio prestes a zarpar para a Antártida, Ushuaia, Argentina

Passageiros atrasados por uma greve no aeroporto de Buenos Aires sobem a bordo do barco em que viajarão até à Antárctida.

Há uma greve no aeroporto de Ezeiza, de Buenos Aires. Atrasados, os passageiros chegam a conta gotas . Enquanto estes são recebidos pela tripulação e a sua bagagem é içada por grua, os que conseguiram cumprir o horário convivem a bordo. A pressa é relativa. O embarque oficial devia fazer-se nessa tarde mas os barcos só zarpam na madrugada seguinte.

O Anacrónico Bark Europa

Damos atenção especial ao Bark Europa, uma embarcação de três mastros, movida por um máximo de 30 velas mas, quando necessário, apoiada por motores. Foi construída em 1911 e restaurada em 1994 para conduzir as mais diversas expedições.

Recentemente foi-lhe atribuído um itinerário anual com início em Amsterdão, que passa por Lisboa e Tenerife, continua até Salvador e Ushuaia onde se mantém de fins de Novembro a fins de Fevereiro operando sucessivas expedições à Antárctida.

A tripulação do “Bark Europa” é composta por catorze marinheiros profissionais mas integra dezenas de voluntários que assim podem realizar o sonho de navegar à moda antiga, naquelas paragens desafiantes do Planeta.

Em suspenso

Do cais, observamos um dos tripulantes residentes cumprir diversas tarefas a toda a latitude dos mastros e do labirinto de cordas que sustém as velas. Trajado de jardineira de ganga, à moda arrojada dos marinheiros dos nossos tempos, move-se com a ligeireza ganha em intermináveis dias de treino mas também com a segurança da experiência adquirida.

No convés, os passageiros admiram as manobras, conversam e saboreiam vinho. Entretanto escurece. Vamos investigar outro barco, ancorado em terra. Após uma noite revigorante de sono, na madrugada seguinte, os navios e passageiros na longa doca vão deixar Ushuaia, para lá do fim do mundo.

Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta foi a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que há memória.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Salta e Jujuy, Argentina

Nas Terras Altas da Argentina Profunda

Um périplo pelas províncias de Salta e Jujuy leva-nos a desvendar um país sem sinal de pampas. Sumidos na vastidão andina, estes confins do Noroeste da Argentina também se perderam no tempo.

Canal Beagle, Argentina

No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.

Perito Moreno, Argentina

O Glaciar Que Não se Rende

O aquecimento é supostamente global mas não chega a todo o lado. Na Patagónia, alguns rios de gelo resistem.De tempos a tempos, o avanço do Perito Moreno provoca derrocadas que fazem parar a Argentina

El Chalten, Argentina

Um Apelo de Granito

Duas montanhas de pedra geraram uma disputa fronteiriça entre a Argentina e o Chile.Mas estes países não são os únicos pretendentes.Há muito que os cerros Fitz Roy e Torre atraem alpinistas obstinados

Mendoza, Argentina

De Um Lado ao Outro dos Andes

Saída da Mendoza cidade, a ruta N7 perde-se em vinhedos, eleva-se ao sopé do Monte Aconcágua e cruza os Andes até ao Chile. Poucos trechos transfronteiriços revelam a imponência desta ascensão forçada

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Arquitectura & Design
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Lenha
Aventura

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Bebé entre reis
Cerimónias e Festividades
Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.
Coreografia pré-matrimonial
Cidades

Old Jaffa, Israel

Onde Assenta a Cidade que Nunca Pára

Telavive é famosa pela noite mais intensa do Médio Oriente. Mas, se os seus jovens se divertem até à exaustão nas discotecas à beira Mediterrâneo, é cada vez mais na vizinha Old Jaffa que dão o nó.

Basmati Bismi
Comida

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Rosa Puga
Cultura

Campeche, México

Há 200 Anos a Brincar com a Sorte

No fim do século XVIII, os campechanos renderam-se a um jogo introduzido para esfriar a febre das cartas a dinheiro. Hoje, jogada quase só por abuelitas, a loteria local pouco passa de uma diversão.

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

As Cores da Ilha Elefante
Em Viagem

Assuão, Egipto

Onde O Nilo Acolhe a África Negra

1200km para montante do seu delta, o Nilo deixa de ser navegável. A última das grandes cidades egípcias marca a fusão entre o território árabe e o núbio. Desde que nasce no lago Vitória, o rio dá vida a inúmeros povos africanos de tez escura.

Entusiasmo Vermelho
Étnico

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Pitões das Júnias, Montalegre, Portugal
História
Montalegre, Portugal

Lá pelo Alto de Trás-os-Montes

Mudamo-nos das Terras de Bouro para as do Barroso. Com base em Montalegre, deambulamos à descoberta das povoações e outros lugares deslumbrantes deste cimo elevado e raiano de Portugal. Se é verdade que o Barroso já teve mais habitantes, visitantes não lhe deviam faltar.
Doca gelada
Ilhas

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Verificação da correspondência
Inverno Branco

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Picos florestados
Natureza

Huang Shan, China

A Montanha dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Um Apocalipse Televisionado
Parques Naturais

La Palma, Espanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

Submarino Vesikko, Suomenlinna, Helsínquia, Finlândia
Património Mundial UNESCO
Suomenlinna, Finlândia

A Fortaleza em Tempos Sueca da Finlândia

Destacada num pequeno arquipélago à entrada de Helsínquia, Suomenlinna foi erguida por desígnios político-militares do reino sueco. Durante mais de um século, a Rússia deteve-a. Desde 1917, que o povo suómi a venera como o bastião histórico da sua espinhosa independência.
Palestra
Personagens

Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

Magníficos Dias Atlânticos
Praias

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.

Solovestsky Outonal
Religião

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

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Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
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Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
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Vida Quotidiana
Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.
Hipo-comunidade
Vida Selvagem

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.