Ushuaia, Argentina

A Última das Cidades Austrais


Velho Farol
Farol antigo de Ushuaia, situado na proximidade do presídio da cidade.
Porto à pinha
Cruzeiros e outros navios ancorados ao largo de Ushuaia
El Bodegon Fueguino
Um dos restaurantes acolhedores do fim do mundo, instalado numa casa das muitas casas de madeira de Ushuaia.
De regresso do glaciar Martial
Passageiros do sistema de transporte que conduz às imediações do glaciar Martial.
Casario de Ushuaia
Vista de Ushuaia, com o seu casario disperso ao longo do Canal Beagle.
Dali para o Mundo
Placa com direcções nos arredores de Ushuaia.
Glaciar Martial
O pequeno - e a diminuir de ano para ano - glaciar El Martial, no topo das montanhas homónimas.
Husky puxador
Husky da matilha de El Mono um criador de cães de dogsledge de Ushuaia.
Marinheiro Bark Europa
Marinheiro prepara velas do navio Bark Europa, prestes a zarpar para a Antárctida.
Marinheiro no Fim do Mundo
Marinheiro francês faz-se fotografar junto do painel que assinala Ushuaia como o fim do mundo.
Georges Leygues
Um marinheiro francês de visita ao fim do mundo.
Moradora de Ushuaia
Moradora de Ushuaia com traços indígenas.
Embarque para a Antárctida
Passageiros atrasados por uma greve no aeroporto de Buenos Aires sobem a bordo do barco em que viajarão até à Antárctida.
Cela do Presídio
Visitantes examinam uma cela do velho presídio de Ushuaia, para onde foram enviados os prisioneiros mais perigosos ou problemáticos da Argentina
Bar Ideal
Moradores de Ushuaia no interior acolhedor do Bar Ideal.
Ushuaia e o Canal Beagle
Panorama de Ushuaia vista do cimo do Glaciar Martial.
A capital da Terra do Fogo marca o limiar austral da civilização. De Ushuaia partem inúmeras incursões ao continente gelado. Nenhuma destas aventuras de toca e foge se compara à da vida na cidade final.

À medida que o avião baixa tornam-se mais nítidos os recortes irregulares da Terra do Fogo e as suas cores dominantes: o azul-escuro do mar gélido, os verdes, amarelos e vermelhos da vegetação e o branco e negro das montanhas finais dos Andes e o casario de Ushuaia.

A aterragem requer uma inversão de sentido. Sobrevoamos, em círculo, o Canal Beagle e confrontamo-nos com o casario brilhante de Ushuaia, espraiado ao longo do sopé da Cordilheira Darwin, aqui com cerca de 1500 metros de altitude. Quando o deixamos de ver, o avião pousa, como mandam as regras, contra o vento e suavemente.

A Recepção Calorosa de Ushuaia

Por pura diversão, rogamos pragas à panóplia de roupa invernal que nos atafulha as mochilas. Sabemos que aos 54,48 graus sul, momentos quase estivais como o que encontramos são tão raros como coqueiros e que de um momento para o outro, as massas de ar frio provenientes do continente gelado reconquistam o seu território.

Não foram os dias solarengos destes confins que ficaram para a história. Nem são o deleite e o conforto as sensações que mais se retiram das peripécias dos aventureiros que o desbravaram.

Mesmo assim, muito mudou desde então. Como no tempo de Magalhães e Fitz Roy, Ushuaia e Buenos Aires continuam a 3500 km de distância mas a Terra do Fogo deixou de ser apenas uma região de provações e privações. A sua capital usufrui do título de urbe mais austral do mundo.

Em 1975, Bruce Chatwin narrou-a “Na Patagónia” como “uma cidade sem crianças com residentes com faces que azularam devido ao frio e que lançam olhares hostis aos forasteiros”.  Ainda assim, Ushuaia encanta, todos os anos, milhares de visitantes bem menos destemidos que os seus pioneiros.

Com 64.000 habitantes, Ushuaia é apenas a 97a urbe da Argentina. Desde há algumas décadas, o estatuto de cidade mais meridional à face da Terra tem-lhe concedido privilégios que compensam a sua pequenez.

Direcções para o Mundo, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Placa com direcções nos arredores de Ushuaia.

A Disputa pelo Título de Cidade Mais Austral

Esse estatuto é invejado pelos suspeitos do costume, sempre que se debatem questões fronteiriças ou geográficas destas paragens: os rivais chilenos.

Do outro lado do Canal Beagle, mais a sul, longínqua mas real, fica Puerto Williams, a povoação congénere chilena que os Fueginos querem que continue sem fornecimento de gás natural e privada do estatuto de cidade para que o epíteto de Ushuaia não pule para lá da fronteira.

Com o objectivo de conquistar o embalo civilizacional que beneficiou a vizinha argentina, Puerto Williams reclama com frequência o título. Franco, o dono de um veleiro em que navegamos pelo litoral próximo, explica-nos a seriedade da questão, enquanto arruma o convés: “amigos, vocês passam cá uns dias.

É-vos difícil perceber o que está envolvido. Só para terem uma ideia… apesar de com isso ter prejuízo financeiro, o governo argentino barra o fornecimento de gás natural a Puerto Williams para evitar que se desenvolva. Impressionante não é? Na minha opinião fazem muito bem. Nem quero imaginar o rombo que a nossa economia ia sofrer se eles passassem a cidade.”

Os intentos de Puerto Williams são tão ambiciosos como difíceis de concretizar. A população local é constituída por apenas dois mil habitantes, na maioria famílias de militares aquartelados nas bases dos arredores.

De cada vez que os chilenos voltam a reclamar o título, Ushuaia derrota-os citando a legislação que define oficialmente como cidade uma entidade urbana com mais de 5000 habitantes. Incomparavelmente menos que os de Ushuaia.

A Origem Missionária de Ushuaia, a Última das Cidades

Ushuaia começou a formar-se, em 1870, por acção da Sociedade Missionária da América do Sul, uma instituição religiosa britânica que ali ergueu a sua filial na Terra do Fogo, para abordar e converter os indígenas, principalmente os de etnia Yahgan.

Moradora de Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Moradora de Ushuaia com traços indígenas.

Pouco depois, os governantes argentinos construíram um presídio.

De 1884 até cerca de 1947, juntaram-se à pequena povoação milhares de vizinhos problemáticos: os criminosos e presos políticos mais temidos do país.

Presídio, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Visitantes examinam uma cela do velho presídio de Ushuaia, para onde foram enviados os prisioneiros mais perigosos ou problemáticos da Argentina

Por essa altura – a segunda metade do século XX -, fruto da sua posição privilegiada, Ushuaia assumiu-se como uma base naval de grande importância militar para a Argentina e aliados.

Pelo mesmo motivo – acrescido de significantes regalias financeiras concedidas pelo governo argentino – instalaram-se, mais recentemente, diversas empresas, principalmente de montagem de componentes electrónicos.

Os salários elevados e baixa tributação provocaram um afluxo de novos habitantes, recém-chegados argentinos e estrangeiros. Com o advento suplementar do turismo, a cidade desenvolveu-se até à sua dimensão e aspecto actual.

Ascensão ao Glaciar Martial e a Vista para a Última das Cidades

Na mesma manhã em que chegamos, saímos em direcção às montanhas e ao glaciar Martial que nos dizem ter vistas ideais para apreciar e compreender a localização dramática de Ushuaia.

Glaciar Martial, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

O pequeno – e a diminuir de ano para ano – glaciar El Martial, no topo das montanhas homónimas.

Após uma longa subida que combina caminhada e teleférico, pelo meio de uma densa floresta ainda a amarelar, chegamos ao primeiro ponto panorâmico.

Bem acima da floresta verdejante de lengas e de nires, a meia-encosta da cordillera Martial – onde o glaciar homónimo se rende ao aquecimento global – revela a vastidão azul do Canal Beagle, a península sinuosa em que se espraia Ushuaia e o casario colorido, denso e numeroso que, em parte, a preenche.

Percebemos, então, melhor que nunca, como a derradeira cidade negociou a sua existência com a cordilheira e com o mar.

Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Panorama de Ushuaia vista do cimo do Glaciar Martial.

Só a componente natural deste panorama existia, em 1520, quando Fernão de Magalhães liderou a sua expedição através do estreito mais a norte, e descobriu uma inesperada passagem do oceano Atlântico para o Pacífico.

À data, Magalhães deparou-se, ali, com tribos indígenas Alakaluf, Mane’kenk, Selk’nam e Yamaná, os nativos que partilhavam a área. Surpreendeu-o a solução a que chegaram para sobreviverem ao frio austral, sempre munidos de pequenos fogos, incluindo, em deslocação, sobre as suas canoas.

Inspirado pela estranha abundância de fogueiras, Magalhães baptizou a região de Terra dos Fumos. O nome viria a ser alterado para o que perdura e define a última das províncias argentinas: Terra do Fogo.

De cada vez que o sol vence as nuvens, é reflectido pelos telhados metálicos das casas, feitos de zinco e alumínio.

Bodegon Fueguino, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Um dos restaurantes acolhedores do fim do mundo, instalado numa casa das muitas casas de madeira de Ushuaia.

Muitos são pintados. Isso dá ao casario um visual multicolor que se projecta no azul vivo do canal Beagle, para lá dos limites urbanos.

E nos tons variados das folhas das faias que cobrem a montanha até às imediações do glaciar.

Teleférico para glaciar Martial, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Passageiros do sistema de transporte que conduz às imediações do glaciar Martial.

Calle contra Calle, na Última das Cidades Austrais

Regressamos ao sopé da cordilheira e retomamos a deambulação por Ushuaia.

Depressa percebemos que o centro urbano da cidade se resume a umas quantas ruas que se repetem de forma linear, inclinadas e delimitadas por edifícios baixos.  Abrange duas calles principais, a Maipu e a Deloqui.

À primeira vista, as verdadeiras atracções escasseiam. Destacam-se sobretudo os edifícios históricos da Legislatura Provincial, a Iglésia de la Merced, a Casa Beban e o Presídio.

Não vemos sinal de vendedores de rua ou angariadores de clientes a pressionar quem passa mas, apesar de tranquilo, este cientro depressa se prova uma armadilha comercial, repleto de lojas de recordações, roupa e equipamento para os desportos de Inverno, de pequenas agências de tours, bares, restaurantes e geladarias.

Bar Ideal, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Moradores de Ushuaia no interior acolhedor do Bar Ideal.

Mas não foi o turismo que esteve na origem da fundação de Ushuaia. E a capital fuegina continua pouco disposta a depender apenas dos forasteiros.

A abundância de peixe e de gás natural facilita a tarefa e os governos argentino e da Terra do Fogo têm cumprido a sua parte concedendo incentivos fiscais que atraíram várias multinacionais tecnológicas, como a Grundig.

Chegamos ao fim da encosta. Lá desvendamos a Baía de Ushuaia e as paisagens firmes da Cordilheira Darwin, retocadas pela luz suave que sempre incide neste recanto meridional do mundo.

Casario de Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Vista de Ushuaia, com o seu casario disperso ao longo do Canal Beagle.

A Inesperada Invasão Francesa de Ushuaia

Seguimos ao longo da baía até chegarmos ao pontão que acolhe os navios militares, de carga e de passageiros atracados na cidade. Ficamos a observá-los do Molhe do Turista até que, subitamente, de e uma enorme fragata de guerra francesa na extremidade da doca, zarpam vários zodiacs carregados de marinheiros.

Avançam, a grande velocidade, na nossa direcção. Desembarcam exactamente no passadiço em que nos encontramos que passa de refúgio tranquilo a “território gaulês”. Forma-se um frenesim justificado, se vindo de uma tripulação que há muitos dias não põe pé em terra.

Quando nada o fazia prever, damos por nós a fotografar grupos de marujos francius que fazem questão de se eternizar em frente à placa que assinala “Ushuaia: fin del mundo”. “La derniére, monsieur, s’il vous plait! 

Marinheiro de Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Marinheiro francês faz-se fotografar junto do painel que assinala Ushuaia como o fim do mundo.

Antárctida: rumo à Última Fronteira

A partir do Molhe do Turista, avistam-se os navios acabados de chegar ou prestes a zarpar para o continente gelado. São antigas embarcações científicas ou militares russas, argentinas e americanas: o “Orlova“, o “M/V Discovery“, o “Antartica AA“, o “M/V Grigoriy Mikheev“, entre outros, e até uma antiga barca holandesa – o “Bark Europa” – que o recém-descoberto potencial turístico da Antárctida fez com que fossem transformadas em ferries, se bem que artilhados contra ondas gigantescas e mares brancos e semi-sólidos.

À espera do início da viagem das suas vidas estão passageiros com contas bancárias recheadas. O continente gelado está ali a apenas 1000km mas aventura não é para todos. Os programas mais acessíveis rondam os 3000 dólares para percursos de 9 a 15 dias.

Parece-nos dinheiro bem gasto. Ao observarmos os itinerários, detectamos lugares míticos: as Falkland (Malvinas), o Cabo Horn, a Geórgia do Sul e as Shetland do Sul ainda antes de ancorar na Península Antárctica.

Percorremos o pontão de cima abaixo e partilhamos um pouco da agitação e da expectativa que paira no ar.

Passageiros de cruzeiro Antárctida, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Passageiros atrasados por uma greve no aeroporto de Buenos Aires sobem a bordo do barco em que viajarão até à Antárctida.

Há uma greve no aeroporto de Ezeiza, de Buenos Aires. Atrasados, os passageiros chegam a conta gotas . Enquanto estes são recebidos pela tripulação e a sua bagagem é içada por grua, os que conseguiram cumprir o horário convivem a bordo.

A pressa é relativa. O embarque oficial devia fazer-se nessa tarde mas os barcos só zarpam na madrugada seguinte.

O Anacrónico Bark Europa

Damos atenção especial ao Bark Europa, uma embarcação de três mastros, movida por um máximo de 30 velas mas, quando necessário, apoiada por motores. Foi construída em 1911 e restaurada em 1994 para conduzir as mais diversas expedições.

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Marinheiro contempla as montanhas nos arredores de Ushuaia sobre o navio Bark Europa

Recentemente foi-lhe atribuído um itinerário anual com início em Amsterdão, que passa por Lisboa e Tenerife, continua até Salvador e Ushuaia onde se mantém de fins de Novembro a fins de Fevereiro operando sucessivas expedições à Antárctida.

A tripulação do “Bark Europa” é composta por catorze marinheiros profissionais mas integra dezenas de voluntários que assim podem realizar o sonho de navegar à moda antiga, naquelas paragens desafiantes do Planeta

Do cais, observamos um dos tripulantes residentes cumprir diversas tarefas a toda a latitude dos mastros e do labirinto de cordas que sustém as velas.

Husky, Marinheiro Bark Europa, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Marinheiro prepara velas do navio Bark Europa, prestes a zarpar para a Antárctida.

Trajado de jardineira de ganga, à moda arrojada dos marinheiros dos nossos tempos, move-se com a ligeireza ganha em intermináveis dias de treino mas também com a segurança da experiência adquirida.

No convés, os passageiros admiram as manobras, conversam e saboreiam vinho. Entretanto escurece. Vamos investigar outro barco, ancorado em terra.

Após uma noite revigorante de sono, na madrugada seguinte, os navios e passageiros na longa doca vão deixar Ushuaia, para lá do fim do mundo.

Porto, Ushuaia, ultima das cidades, Terra do Fogo, Argentina

Cruzeiros e outros navios ancorados ao largo de Ushuaia

Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta foi a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que há memória.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Salta e Jujuy, Argentina

Pelas Terras Altas da Argentina Profunda

Um périplo pelas províncias de Salta e Jujuy leva-nos a desvendar um país sem sinal de pampas. Sumidos na vastidão andina, estes confins do Noroeste da Argentina também se perderam no tempo.
Canal Beagle, Argentina

Darwin e o Canal Beagle: no Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies
Ushuaia, Argentina

Ultima Estação: Fim do Mundo

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul.
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O Glaciar Que Resiste

O aquecimento é supostamente global mas não chega a todo o lado. Na Patagónia, alguns rios de gelo resistem.De tempos a tempos, o avanço do Perito Moreno provoca derrocadas que fazem parar a Argentina
El Chalten, Argentina

O Apelo de Granito da Patagónia

Duas montanhas de pedra geraram uma disputa fronteiriça entre a Argentina e o Chile.Mas estes países não são os únicos pretendentes.Há muito que os cerros Fitz Roy e Torre atraem alpinistas obstinados
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De Um Lado ao Outro dos Andes

Saída da Mendoza cidade, a ruta N7 perde-se em vinhedos, eleva-se ao sopé do Monte Aconcágua e cruza os Andes até ao Chile. Poucos trechos transfronteiriços revelam a imponência desta ascensão forçada
Visitantes em caminhada, Fortaleza de Massada, Israel
Parques nacionais
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Massada: a Derradeira Fortaleza Judaica

Em 73 d.C, após meses de cerco, uma legião romana constatou que os resistentes no topo de Massada se tinham suicidado. De novo judaica, esta fortaleza é agora o símbolo supremo da determinação sionista
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Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
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Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Aventura
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Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
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Cerimónias e Festividades
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Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.
Graffiti deusa creepy, Haight Ashbury, Sao Francisco, EUA, Estados Unidos America
Cidades
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Órfãos do Verão do Amor

O inconformismo e a criatividade ainda estão presentes no antigo bairro Flower Power. Mas, quase 50 anos depois, a geração hippie deu lugar a uma juventude sem-abrigo, descontrolada e até agressiva.
Comida
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Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
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Por uns Trás-os-Montes da Venezuela em Fiesta

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.
arbitro de combate, luta de galos, filipinas
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Quando só as Lutas de Galos Despertam as Filipinas

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.
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Circuito Annapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca dos Annapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
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Gizo, Ilhas Salomão

Gala dos Pequenos Cantores de Saeraghi

Em Gizo, ainda são bem visíveis os estragos provocados pelo tsunami que assolou as ilhas Salomão. No litoral de Saeraghi, a felicidade balnear das crianças contrasta com a sua herança de desolação.
Crepúsculo exuberante
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Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
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Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado, Moçambique. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, a ilha Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.
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A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Na ilha de Ouvéa, arquipélago das Lealdade, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.
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Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.
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Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.
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Em 1917, o botânico Henri Pittier afeiçoou-se à selva das montanhas marítimas da Venezuela. Os visitantes do parque nacional que este suíço ali criou são, hoje, mais do que alguma vez desejou
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Entre as Araucárias de La Araucania

A determinada latitude do longilíneo Chile, entramos em La Araucanía. Este é um Chile rude, repleto de vulcões, lagos, rios, quedas d’água e das florestas de coníferas de que brotou o nome da região. E é o coração de pinhão da maior etnia indígena do país: a Mapuche.
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Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.
Vista do topo do Monte Vaea e do tumulo, vila vailima, Robert Louis Stevenson, Upolu, Samoa
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Upolu, Samoa

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado. Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração.
vista monte Teurafaatiu, Maupiti, Ilhas sociedade, Polinesia Francesa
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Uma Sociedade à Margem

À sombra da fama quase planetária da vizinha Bora Bora, Maupiti é remota, pouco habitada e ainda menos desenvolvida. Os seus habitantes sentem-se abandonados mas quem a visita agradece o abandono.
Portal para uma ilha sagrada
Religião

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

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Sobre carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Vegetais, Little India, Singapura de Sari, Singapura
Sociedade
Little India, Singapura

Little Índia. A Singapura de Sari

São uns milhares de habitantes em vez dos 1.3 mil milhões da pátria-mãe mas não falta alma à Little India, um bairro da ínfima Singapura. Nem alma, nem cheiro a caril e música de Bollywood.
Casario, cidade alta, Fianarantsoa, Madagascar
Vida Quotidiana
Fianarantsoa, Madagáscar

A Cidade Malgaxe da Boa Educação

Fianarantsoa foi fundada em 1831 por Ranavalona Iª, uma rainha da etnia merina então predominante. Ranavalona Iª foi vista pelos contemporâneos europeus como isolacionista, tirana e cruel. Reputação da monarca à parte, quando lá damos entrada, a sua velha capital do sul subsiste como o centro académico, intelectual e religioso de Madagáscar.
Abastecimento
Vida Selvagem

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

The Sounds, Fiordland National Park, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Fiordland, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o sub-domínio retalhado entre Te Anau e Milford Sound.