Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a “Survivor”


Transbordo

Passageiros do "Congoola/Lady of the Seas" são transportados para uma das ilhas que acolheram "Survivor"

Robin of Efate

Robin, um tripulante do "Congoola/Lady of the Seas" nativo de Vanuatu que testemunhou o desenvolvimento do fenómeno "Survivor" de Efate.

Música da selva

A banda da Ekasup Cultural Village uma aldeia criada para exibir aspectos da vida tradicional de Vanuatu.

De escala

Barco de apoio prestes a chegar ao veleiro "Congoola/Lady of the Seas"

Nativos nas quedas d’água de Mele

Pai e filho percorrem a base inundada de uma das mais famosas quedas d' água da luxuriante Efate.

À proa

Passageiros convivem e apreciam os cenários de Efate a bordo do Congoola/Lady of the Seas.

À moda de um chefe

Figurante da Ekasup Cultural Village em trajes tradicionais de Vanuatu.

Selva vs Pacífico do Sul

Litoral de Efate: um encontro de recife coralífero com floresta tropical melanésia.

Verdadeira aldeia sobrevivente

Aldeia tradicional de Efate, perdida no interior luxuriante da ilha.

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Para a maior parte das pessoas, Vanuatu não é mais que uma grande interrogação, um vazio cognitivo que contempla todos os imaginários possíveis.  Na prática, o nome identifica um arquipélago absolutamente único do Pacífico do Sul, formado por oitenta e duas ilhas tropicais de origem relativamente recente em termos geológicos, de que se projectam vários vulcões activos. Do total, 65 mantêm-se inabitadas, ainda mais selvagens que as restantes. Durante quatro mil anos, as outras foram exclusivamente partilhadas por tribos melanésias guerreiras e canibais com uma proveniência que continua sob estudo. Até que os exploradores europeus chegaram à zona e as disputaram.

Sem a sua obrigação de reclamar o que quer que fosse, desembarcamos tranquilamente no aeroporto de Bauerfield e somos prendados com uma recepção hilariante. Uma string band toca com toda a alma, transmitindo-nos, pela postura caricata dos músicos, os instrumentos que mais parecem de brincar e as vozes de cana rachada, a sensação de que nos juntamos a um desenho animado.

Em termos turísticos, Port Vila, é a estrela nacional, mais famosa que Efate ou até que o país em si. A capital serve de porta aos australianos, neozelandeses e japoneses que ali afluem através de pacotes de férias baratos, limitados, por isso, aos lugares costeiros aflorados pelos navios e aos trilhos mais que batidos pelas agências. Port Vila e Efate são Vanuatu mas uma versão bem suave, um mundo à parte das suas restantes ilhas onde qualquer pequena expedição descamba num aventura tresloucada. Começamos por explorar aquela Vanuatu introdutória, nesse mesmo fim de tarde, pelos seus recantos mais interessantes.

Na manhã seguinte, visitamos o mercado. À primeira vista e naquela incursão quase pioneira na Melanésia popular, as parecenças dos visuais, as cores garridas das vestes dos nativos e os produtos tropicais básicos expostos fazem com que nos pareça um qualquer mercado da África sub-saaariana. Aos poucos, as diferenças sublinham-se. Ao contrário dos africanos, os padrões dos tecidos não incluem formas animais. Depois, reparámos ainda nos misteriosos cabelos louros das crianças e no dialecto bislama que infantiliza, de forma divertida, a milenar e institucional língua inglesa: “Tankyu Tumas” assim fecham as nossas compras os vendedores, descomprometidos para com o original “Thank you so much”. 

Compramos papaias e mangos. Também toranjas, as mais suculentas e doces que alguma vez provámos. Nunca pensámos que adaptação alimentar àquelas paragens se revelasse tão rápida. A partir de então, fizeram parte da nossa dieta, como os duriões, o taro e, sem grande alternativa, as baguetes, parte da herança deixada pelos franceses que controlaram o arquipélago em condomínio com os ingleses, até à independência de 1980.

Port Vila guarda alguns edifícios do período colonial que teve início em 1906. Passamos no seu principal núcleo na Rue Carnot e na Rue de Paris, agora conhecidas por Chinatown por grande parte das suas lojas e armazéns serem explorados por comerciantes chineses.

Durante a 2ª Guerra Mundial, as forças militares dos Estados Unidos estabeleceram enormes estações de rádio cruciais para a missão de travar a expansão nipónica no oceano Pacífico, até então, avassaladora. Essas estações chamaram-se Number One, Two e Three. As duas últimas foram preservadas com os nomes correspondentes em Bislama: Nambatu e Nambatri e situam-se na zona residencial mais requintada de Port Vila. A Nambawan foi ocupada pelo Independence Park.

Tinham-nos alojado num dos últimos andares de um dos edifícios mais altos da cidade. Da janela do quarto, admiramos a actividade de formigueiro em redor de dois barcos ancorados junto ao molhe que delimita a capital, entregues ao colorido carrega e descarrega que antecedia a sua partida e o percurso de alpondra por diversas ilhas habitadas da nação Vanuatu. Não tardámos a ver-nos a bordo de uma embarcação em tudo distinta.

Em tempos um dos veleiros da organização na regata Sydney-Hobart, a "Lady of the Sea" mudou-se para os mares bem mais quentes e suaves em redor de Efate e passou a revelar aos novos passageiros as suas maravilhas tropicais. Navegamos em direcção a uma ilha baptizada de Tranquility onde é suposto pararmos para recreio balnear, incluindo snorkeling entre as tartarugas. Antes de lá chegarmos, no entanto, o timoneiro e guia aponta para um litoral luxuriante. “Rapazes, ali está Gideon’s Landing um dos vários domínios Survivor de Efate. As celebridades australianas que participaram estiveram todos aí.

Dois adolescentes franceses chegam-se à amurada e admiram e comentam o cenário em êxtase, não pelo seu possível contexto bíblico, mais pela importância mediática que conquistou. Aguardam pela indicação do timoneiro de onde teve lugar a sexta série da versão francesa. Enquanto isso, entregam-se a uma série de recordações dos momentos para eles inolvidáveis de Koh Lanta, a versão gaulesa do reality show a que só a hora de entrar na água de máscaras e barbatanas põe cobro.

Cabe-nos elucidar os leitores que teimam em resistir à TV ou aos seus programas deste tipo: “Survivor” é um concurso reality show de perícia e sobrevivência. Inventou-o, em 1992, o produtor britânico Charlie Parson para a produtora Planet 24 que detinha a meias com (quem diria…) Sir Bob Geldof. O concurso foi franchisado. Emitiu-o pela primeira vez enquanto “Expedition: Robinson” a Sveriges Television da Suécia que, em 1997, levou os seus concorrentes para a Malásia. Essa estreia teve grande sucesso. A partir de então, o concurso alastrou-se ao mundo como um vírus televisivo. Inúmeros canais das mais distintas nações desenvolveram os seus próprios Survivors. “Vanuatu, Islands on Fire”, o primeiro a ser filmado em Efate, em 2004, foi já a nona série do concurso norte-americano. Nos anos seguintes, Efate recebeu ainda a segunda série do “Australian Survivor” e “Koh Lanta”, a sexta série da versão francesa.  Em 2011, até parte da versão portuguesa de “Perdidos na Tribo”, lá se instalou. O programa supunha que doze VIPs portugueses se mudassem para viver entre tribos de distintas regiões do mundo. Durou bastante menos do que estava previsto. Os concorrentes nunca estimaram que as condições em que iam viver fossem tão duras.

Em qualquer dos casos, a fórmula do reality show dita que os participantes se dividem em tribos rivais de pretensos náufragos. Essas tribos devem construir abrigos e sobreviver na selva com recursos mínimos: catanas, cantís, pequenos tachos e quantidades controladas de arroz e de outros cereais. Defrontam-se em desafios pré-estabelecidos pela produção que levam à sua sucessiva eliminação. Até que se forma uma tribo única em que os derradeiros sobreviventes se confrontam. Os prémios, monetários ou de bens invejáveis, são sempre chorudos.

Regressamos ao areal e à conversa com Robin, um jovem tripulante ni-vanuatu da embarcação. Não tardamos a abordar o tema: “a verdade é que deu dinheiro a ganhar a muita gente de cá. Os donos de alguns dos lugares fizeram os negócios da sua vida. Mas depressa percebemos como (os Survivor) usavam e corrompiam a nossa cultura.”

Bastou-nos investigar um pouco para os exemplos dessa sua conclusão se revelarem. Durante a série americana, as duas tribos em competição tomaram de empréstimo os nomes de Yasur e Lopevi, dois dos vulcões mais emblemáticos do arquipélago e de toda a Melanésia. “Vanuatu, Islands on Fire” foi inaugurado de forma teatral com os dezoito participantes norte-americanos a descerem do veleiro em que seguíamos para bordo de uma pequena frota de canoas. Dois dos concorrentes cairam ao mar mas foram içados pelos nativos que os levaram até próximo da costa. Enquanto os jovens “survivors” caminhavam sobre águas rasas, bandos de nativos pintados, cobertos de folhas e em saias também vegetais correram em direcção a eles aos gritos e a brandirem lanças.  Surgiu então um chefe tribal que deu as boas-vindas aos forasteiros, chegados com uma missão que, mais que não compreender, 95% da população ni-vanuatu considerou ridícula.

A sociedade e imprensa sediada em Port Vila, aproveitou para se divertir. O Vanuatu Daily Post publicou um cartoon que mostrava duas mulheres tribais da nação a apreciarem o briefing transmitido aos competidores por um anfitrião do reality show com visual militar e tom condizente: “Para ganharem o milhão de dólares, vocês têm que sobreviver 39 dias sem electricidade, água canalizada, duches quentes e telefones; completamente isolados do mundo moderno!” Ao lado, uma das senhoras comenta para a outra, em bislama: “Mas o quê, tia? O que é que aquilo tem de especial? A minha velha mãe viveu assim toda a sua vida!”

Por irónico que pareça, o concurso foi criticado vezes sem conta devido ao seu primitivismo radical, por os concorrentes serem largados na selva, entre animais e plantas perigosos ou letais de que as câmaras exibiam planos próximos ao som de rufar de tambores, isto, apesar de os campos tribais dos participantes se situarem a apenas uma hora de carro de hotéis de quatro estrelas de Port Vila.

Em Efate, eram poucos os nativos que se preocupavam demasiado com a falta de genuinidade e respeito étnico gritante de uma ficção que contribuiu para a prosperidade dos nativos, não necessariamente para a sua felicidade. Imagens usadas para ilustrar a equipa Yasur revelaram erupções exuberantes do vulcão Lopevi – aquele que simbolizava a equipa adversária homónima – isto porque o Yasur só tinha erupções estrombolianas, como tal, bastante contidas. O espectáculo tinha que resplandecer acima de tudo, incluindo as mais básicas verdades e realidades do país.

Durante quinze dias, explorámos outras partes de Efate e outras cinco ilhas, cada qual, incrível à sua maneira. Nesse tempo, percebemos como Vanuatu se mantém num fascinante equilíbrio entre a mais absoluta inocência e a forçosa aprendizagem da civilização ocidental. Aos poucos, mais e mais habitantes deixam de considerar curiosos caprichos ocidentais os reality shows que aproveitam a exuberância e essa mesma inocência do país. No computo geral, a nação preserva-se orgulhosamente ni-vanuatu com toda a pureza de valores que o gentílico encerra.

Quanto ao “Survivor”, volvidos vinte anos, resiste. Em Setembro de 2016, trinta e duas épocas e dezoito países depois, regressou à nação vizinha de Fiji.

Nos últimos tempos, Vanuatu tem tido a sua dose de desastres naturais. Situado sobre o anel de fogo, agitaram-no recentemente sismos com magnitude bem superiores a 7. Em 2015, o ciclone Pam causou danos avultados em diversas ilhas, incluindo Efate. Mesmo assim, repetem-se os boatos de que o concurso não tardará a lá regressar. No entretanto, continuam a chegar turistas mais interessados em descobrir os lugares em que os vários Survivors se desenrolaram que Vanuatu em si.

Wala, Vanuatu

Cruzeiro à Vista, a Feira Assenta Arraiais

Em grande parte de Vanuatu, os dias de “bons selvagens” da população ficaram para trás. Em tempos incompreendido e negligenciado, o dinheiro ganhou valor. E quando os grandes navios com turistas chegam ao largo de Malekuka, os nativos concentram-se em Wala e em facturar.

Pentecostes, Vanuatu

Naghol: O Bungee Jumping sem Modernices

Em Pentecostes, no fim da adolescência, os jovens lançam-se de uma torre apenas com lianas atadas aos tornozelos. Cordas elásticas e arneses são pieguices impróprias de uma iniciação à idade adulta.

Tanna, Vanuatu

Daqui se Fez Vanuatu ao Ocidente

O programa de TV “Meet the Natives” levou representantes tribais de Tanna a conhecer a Grã-Bretanha e os E.U.A. De visita à sua ilha, percebemos porque nada os entusiasmou mais que o regresso a casa.

Pentecostes, Vanuatu

Bungee Jumping para Homens a Sério

Em 1995, o povo de Pentecostes ameaçou processar as empresas de desportos radicais por lhes terem roubado o ritual Naghol. Em termos de audácia, a imitação elástica fica muito aquém do original.

Espiritu Santo, Vanuatu

Divina Melanésia

Pedro Fernandes de Queirós pensava ter descoberto o grande continente do sul. A colónia que propôs nunca se chegou a concretizar. Hoje, Espiritu Santo, a maior ilha de Vanuatu, é uma espécie de Éden.

Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula

Pela sombra
Arquitectura & Design
Miami, E.U.A.

Uma Obra-Prima da Reabilitação Urbana

Na viragem para o século XXI, o bairro Wynwood mantinha-se repleto de fábricas e armazéns abandonados e grafitados. Tony Goldman, um investidor imobiliário astuto, comprou mais de 25 propriedades e fundou um parque mural. Muito mais que ali homenagear o grafiti, Goldman fundou o grande bastião da criatividade de Miami.
Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Cavaleiros do Divino durante a Festa do Divino Espírito Santo, Pirenópolis, Brasil
Cerimónias e Festividades
Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por padres portugueses, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações religiosas e pagãs. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.
Ushuaia, Argentina
Cidades
Ushuaia, Argentina

A Última das Cidades

A capital da Terra do Fogo marca o limiar austral da civilização. De Ushuaia partem inúmeras incursões ao continente gelado. Nenhuma destas aventuras de toca e foge se compara à da vida na cidade final.
Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Parada e Pompa
Cultura

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Surfspotting
Em Viagem

Perth a Albany, Austrália

Pelos Confins do Faroeste Australiano

Poucos povos veneram a evasão como os aussies. Com o Verão meridional em pleno e o fim-de-semana à porta, os habitantes de Perth refugiam-se da rotina urbana no recanto sudoeste da nação. Pela nossa parte, sem compromissos, exploramos a infindável Austrália Ocidental até ao seu limite sul.

Pequeno navegador
Étnico

Honiara e Gizo, Ilhas Salomão

O Templo Profanado das Ilhas Salomão

Um navegador espanhol baptizou-as, ansioso por riquezas como as do rei bíblico. Assoladas pela 2a Guerra Mundial, por conflitos e catástrofes naturais, as Ilhas Salomão estão longe da prosperidade.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Glamour vs Fé
História
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Banco improvisado
Ilhas
Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado, Moçambique. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, a ilha Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.
Verificação da correspondência
Inverno Branco

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Baie d'Oro
Literatura

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Eternal Spring Shrine
Natureza

Garganta de Taroko, Taiwan

Nas Profundezas de Taiwan

Em 1956, taiwaneses cépticos duvidavam que os 20km iniciais da Central Cross-Island Hwy fossem possíveis. O desfiladeiro de mármore que a desafiou é, hoje, o cenário natural mais notável da Formosa.

Aposentos dourados
Outono

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Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Caminhada Solitária
Parques Naturais

Mérida, Venezuela

Nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.

De regresso a casa
Património Mundial UNESCO

Sigiriya, Sri Lanka

A Capital de um Rei Parricida

Kashyapa I chegou ao poder após emparedar o monarca seu pai. Receoso de um provável ataque do irmão herdeiro do trono, mudou a principal cidade do reino para o cimo de um pico de granito. Hoje, o seu excêntrico refúgio está mais acessível que nunca e permitiu-nos explorar o enredo maquiavélico deste drama cingalês.

Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Vista aérea de Moorea
Praias
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A Irmã Polinésia que Qualquer Ilha Gostaria de Ter

A meros 17km de Taiti, Moorea não conta com uma única cidade e abriga um décimo dos habitantes. Há muito que os taitianos veem o sol pôr-se e transformar a ilha ao lado numa silhueta enevoada para, horas depois, lhe devolver as cores e formas exuberantes. Para quem visita estas paragens longínquas do Pacífico, conhecer também Moorea é um privilégio a dobrar.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Religião
Circuito Anapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
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Sobre carris
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Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes e deslumbrantes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à última estação, é monumental esta Noruega que nos deslumbra.
Trólei Azul
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Uma Capital Sobrecapitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.

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Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
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Um Pantanal nos Confins do Nordeste Indiano

O Maguri Bill ocupa uma área anfíbia nas imediações assamesas do rio Bramaputra. É louvado como um habitat incrível sobretudo de aves. Quando o navegamos em modo de gôndola, deparamo-nos com muito (mas muito) mais vida que apenas a asada.
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