Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro


Voo marinho

Moa entra no mar raso de braços abertos, numa pose evocativa do culto de tangata manu

Cratera de retalhos

A cratera exuberante do vulcão extinto Ranu Kao, no extremo sudoeste de Rapa Nui e junto a Orongo.

Tangata manu rupestre

Pormenor de um petróglifo de Mata Ngarau, desenhado num dos abundantes rochedos de basalto de Rapa Nui.

Do ângulo certo

Visitante da Ilha da Páscoa fotografa um dos muitos petroglifos de Mata Ngarau.

Orgulho saudosista

Nativo Moa, faz ondular uma bandeira da nação rapa nui.

O Percurso do ovo

As rochas e petroglifos de Mata Ngarau, o âmago sagrado de Orongo. Ao longe, o trio de ilhéus ao largo de Rapa Nui: Motu Nui, o maior, antecedido de Motu Iti e do afiado Motu Kao Kao. Era em Motu Nui que os participantes no culto tangata manu deviam achar o desejado primeiro ovo do ano.

Cristianismo Rapa Nui

Pormenor do cemitério de Hanga Roa, a capital de Rapa Nui, com uma combinação de elementos indigenas e cristãos.

Abrigos ceremoniais

Edifícios seculares da aldeia de Orongo, construída para preparar a competição, e acolher os rituais e o tangata manu de cada ano.

A fábrica

Moais semi-enterrados na pedreira de Rano Raraku, onde os nativos rapa nui fabricavam os seus deuses de pedra.

Linha divina

Vislumbre dos moais de ahu Tongariki, a maior formação da Ilha da Páscoa.

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.

Ditaram o destino geológico e a recente urbanização colonial chilena que a caldeira mais exuberante da Ilha da Páscoa ficasse encaixada no recanto sudoeste do seu quase triângulo, num domínio verdejante trancado pela enorme pista do aeroporto, abaixo da ca

pital Hanga Roa.

Tínhamos prestado a nossa homenagem à maior parte das formações de moais que guardavam a ilha e visitado a pedreira de Rano Raraku em que os nativos antes os geravam. Estava na hora de abordarmos Ranu Kao e a velha aldeia vizinha de Orongo. Metemo-nos no jipe que usávamos há vários dias. Contornamos o espaço vasto do aeroporto. Detemo-nos junto ao início do trilho que conduz à caldeira do vulcão extinto, há muito um lago com a superfície coberta por um manto de retalhos multicolor de erva verdejante e água escura. Do cimo da orla, o cenário arredondado por diante arrebata-nos. Aquela era, de longe, uma das paisagens mais incríveis de toda a Polinésia e do oceano Pacífico em redor. Ficamos uns bons vinte minutos a contemplá-la. Só passado esse tempo, sentimos justo prosseguirmos borda fora rumo ao mar azulão e a Orongo.

As ruínas da povoação cerimonial estavam logo por ali. A ausência de outras pessoas, um silêncio natural desafiado pelo vento, pelo ressoar difuso do Pacífico abaixo e por ocasionais guinchos de aves marinhas envolveram a caminhada e a entrada na povoação de um mistério e solenidade que nos chegaram a arrepiar. Por fim, atingimos a secção em que a falda da caldeira quase se abria ao oceano. No extremo leste dessa espécie de falha, confrontamo-nos com um amplo crasto de construções feitas de pedras empilhadas com o interior apenas acessível por aberturas ínfimas alinhadas junto ao solo ervado.

Diante do agrupamento, junto ao limiar da aldeia e do sudoeste de Rapa Nui, encontramos uma formação rochosa repleta de petróglifos intrincados. Mesmo se a visão distante mas rival de três ilhéus perdidos na imensidão do oceano e do céu nos reclamava a atenção, examinamo-los com cuidado.

O vento era, ali, mais intenso. Fazia ondular o verde vegetal a nossos pés e o azul marinho-celeste sem fim. Ao mesmo tempo, rodeava os ilhéus de um branco pulsante. Estimulava-nos a curiosidade quanto ao que levara os indígenas rapa nui a instalar-se naqueles confins indómitos da sua ilha e a sulcar as rochas com tanta dedicação.

Como tudo o que diz respeito à Ilha da Páscoa, o tema intriga e apaixona uma larga comunidade de historiadores, arqueólogos e outros estudiosos. Teorias não faltam. Nem explanações aturadas dessas explicações. Em algo, a maior parte parece coincidir: uma nova realidade surgiu pouco depois de os indígenas rapa nui terem começado a derrubar os moais que antes haviam esculpido e erguido.

De um momento para o outro, Make Make, o deus criador, supremo e omnipotente deixou de proteger o povo Rapa Nui, incapaz de prever a catástrofe que, com a sua fé cega na supervisão dos moais, acabou por gerar.

As árvores da ilha terão sido quase todas cortadas para servirem de rolos e roldanas que permitiam a complexa deslocação dos moais da pedreira em que eram esculpidos para os lugares que lhes eram destinados. Sem árvores, os nativos deixaram de poder construir barcos e de pescar. Em pouco tempo, exterminaram as galinhas e aves afins da ilha. Até mesmo as aves marinhas se terão tornado escassas, de tal forma raras que os nativos as sacralizaram.

A Ilha da Páscoa é o lugar da Terra mais isolado. Dista 1850km das ilhas do Pacífico mais próximas, as do arquipélago, hoje, também chileno de Juan Fernández que ainda fica a 600km do continente sul-americano.

Ora, numa sociedade tão só e esperançada na benevolência do sobrenatural, a emergência do culto substituto do dos moais, o tangata manu (homem pássaro) não se fez esperar.

No século XVIII, os navegadores europeus começaram a ancorar nas enseadas da ilha. O pioneiro foi o holandês Jacob Roggeveen, em 5 de Abril de 1722, o Domingo de Páscoa que inspiraria o baptismo de Rapa Nui.

Em Novembro de 1770, chegaram os primeiros navegadores espanhóis e, quatro anos mais tarde, o incontornável britânico James Cook. Os diários dos espanhóis confirmam que todos os moais estavam de pé. Já os registos de James Cook, informam que alguns haviam sido derrubados.

De início, os habitantes de Rapa Nui estavam organizados em redor de um sistema de classes bem estruturado, com um ariki (chefe supremo) acima dos chefes de nove clãs. Com a sua existência ameaçada pela falta de árvores e de alimento, um grupo de líderes guerreiros terá organizado uma espécie de golpe de estado. Fundaram, assim, a nova religião que venerava Make Make e legitimava o sub-culto de Tangata Manu.

Daí em diante, ano após ano, jovens guerreiros (hopus) de cada clã eram nomeados pelos ivi-attuas (xamanes) de cada clã rival para participarem numa competição realizada de Julho a Setembro. Os competidores começavam por se concentrar nas grutas da ravina no prolongamento da cratera de Ranu Kao. Dessas grutas, deviam atravessar a nado o mar infestado de tubarões até Motu Nui, o maior dos ilhéus ao largo, antecedido de Motu Iti e do afiado Motu Kao Kao. Ali, aguardavam a chegada das manutara, as andorinhas-do-mar-escuras que migravam anualmente de outras partes do Pacífico, para lá nidificarem.

O participante que colhesse o seu primeiro ovo, escalava ao penhasco supremo de Motu Nui. Do topo, gritava para o seu xamane algo do género: “Temos o ovo, vai rapar a cabeça”. Então, os participantes derrotados nadavam juntos de volta à base de Rapa Nui. O felizardo, regressava sozinho, do ilhéu, com o ovo enrodilhado numa meda de longas ervas atada sobre a cabeça. Depois, tinha ainda que escalar os rochedos afiados que o separavam das alturas de Orongo para o entregar ao respectivo ivi-attua. Era declarado o Tangata manu, o ivi-attua do participante vencedor. Triunfante, esse xamane liderava, então, uma procissão que cruzava parte da ilha, até à zona a que o seu clã pertencia.

Três dias após ser colhido, o ovo era vazado, enchido de fibras vegetais e colocado na cabeça rapada e pintada de branco ou vermelho do Tangata Manu. Lá permaneceria por um ano mas, mais importante que o direito ao adereço, o Tangata manu passava a ser considerado tapu (sagrado). Recebia distintos tributos e oferendas de comida. Conquistava, aliás, para o seu clã, o direito de controlar a distribuição dos recursos escassos da ilha durante o ano seguinte, sendo o mais crucial, o privilégio de colherem os ovos postos pelas aves em Motu Nui durante cinco dos doze meses da sua vigência e residência em Orongo. No restante tempo, o Tangata manu permanecia num retiro espiritual num edifício erguido para o acolher.

A Orongo que examinávamos e de que perscrutávamos o trio de ilhéus terá sido erguida como a povoação oficial do evento que, contando com o cerimonial envolvido, durava quase um mês. Servia como ponto de chegada de uma marcha prévia dos clãs participantes com início em Mataveri, junto ao actual aeroporto.

Com a prova encerrada, eram gravadas nas rochas de basalto imagens de Make Make e do novo tangata manu. Na actualidade, perduram em Orongo e em redor cerca de 480 petróglifos. Algumas rochas exibem imagens dos homens-pássaro. Outras combinam os tangata manus com linhas comemorativas do deus Make Make.

Além de nada aliviar o já longo calvário do povo Rapa Nui, o novo culto colidiu com a obsessão dos missionários europeus entretanto instalados na ilha em converter os nativos ao Cristianismo. Foi banido sem apelo.

A partir de meio do século XIX, tornaram-se cada vez mais frequentes as incursões de traficantes de escravos vindos do litoral do Peru. Estes raides, epidemias fulminantes de tuberculose, varíola e outras doenças trazidas pelos forasteiros e deportações para outras paragens do Pacífico, causaram a diminuição drástica da população da ilha.

Em 1871, de muitos milhares (entre 7 a 20.000 no auge de Rapa Nui), sobravam 111 indígenas na ilha. Criadores de gado compraram boa parte das terras da há muito desmatada Rapa Nui que passou a servir de pasto aos seus ranchos.

Volvidos 17 anos, a Ilha da Páscoa viu-se anexada pelo Chile. Os nativos sobreviventes foram agrupados na zona da actual capital Hanga Roa. Só em 1966 lhes foi concedida a cidadania chilena. O censo de 2017, registou 9400 cidadãos que se consideraram de etnia Rapa Nui ,a habitar um pouco por todo o longilíneo Chile. Mesmo que o critério peque por excessiva ambiguidade, a Ilha da Páscoa abriga 7700 habitantes dos quais 60% se consideram descendentes dos aborígenes da Ilha da Páscoa.

Dias depois da nossa incursão a Orongo, Moa – de longe, o nativo que conhecemos na ilha mais determinado em recuperar a cultura Rapa Nui – leva a cabo uma série de orações e ritos em frente às formações de moais, hoje, quase todas reerguidas. Numa dessas estranhas actuações, coberto apenas com uma pequena tarja de cintura e com um estandarte da nação Rapa Nui atado à perna direita, o indígena entra pelo mar raso ao lado de um dos ahus. Altivo, orgulhoso, confronta a imensidão do oceano Pacífico e abre os braços numa pose simbólica do saudoso tangata manu.

Os séculos passaram e as embarcações dos colonos europeus ancoraram e zarparam. Por mais que evoque a história em tempos gloriosa do seu povo, dói a Moa a consciência de que nem o deus criador Make Make, nem os sucessivos Homens Pássaro salvaram a excêntrica mas frágil civilização Rapa Nui das garras da civilização ocidental.

 

El Tatio, Chile

Uma Ida a Banhos Andina

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4300 m de altitude. Os seus geiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes. Ditou o tempo que uma das mais concorridas celebrações dos Andes e do Deserto do Atacama passasse por lá partilharem uma piscina aquecida a 30º pelas profundezas da Terra.

PN Torres del Paine, Chile

A Mais Dramática das Patagónias

Em nenhuma outra parte os confins austrais da América do Sul se revelam tão arrebatadores como na cordilheira de Paine. Ali, um castro natural de colossos de granito envolto de lagos e glaciares projecta-se da pampa e submete-se aos caprichos da meteorologia e da luz. 

Ilha da Páscoa, Chile

Sob o Olhar dos Moais

Rapa Nui foi descoberta pelos europeus no dia de Páscoa de 1722. Mas, se o nome cristão da ilha faz todo o sentido, a civilização que a colonizou de estátuas observadoras permanece envolta em mistério

San Pedro de Atacama, Chile

O Oásis dos Gringos

Os conquistadores espanhóis tinham partido e o comboio desviou as caravanas de gado e nitrato. San Pedro recuperava a paz mas uma horda de forasteiros à descoberta da América do Sul invadiu o pueblo.

Ilha Robinson Crusoe, Chile

Na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe

Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.

Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.

Pucón, Chile

A Brincar com o Fogo

Pucón abusa da confiança da natureza e prospera no sopé da montanha Villarrica.Seguimos este mau exemplo por trilhos gelados e conquistamos a cratera de um dos vulcões mais activos da América do Sul.

Wilkommen in Africa
Arquitectura & Design

Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.

Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Cerimónias e Festividades
Pentecostes, Vanuatu

Naghol: O Bungee Jumping sem Modernices

Em Pentecostes, no fim da adolescência, os jovens lançam-se de uma torre apenas com lianas atadas aos tornozelos. Cordas elásticas e arneses são pieguices impróprias de uma iniciação à idade adulta.
Marcha Patriota
Cidades

Taiwan

Formosa mas Não Segura

Os navegadores portugueses não podiam imaginar o imbróglio reservado à ilha que os encantou. Passados quase 500 anos, Taiwan prospera, algures entre a independência e a integração na grande China.

Muito que escolher
Comida

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

Correria equina
Cultura
Castro Laboreiro, Portugal  

No Cimo Raiano-Serrano de Portugal

Chegamos à eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Surfspotting
Em Viagem

Perth a Albany, Austrália

Pelos Confins do Faroeste Australiano

Poucos povos veneram a evasão como os aussies. Com o Verão meridional em pleno e o fim-de-semana à porta, os habitantes de Perth refugiam-se da rotina urbana no recanto sudoeste da nação. Pela nossa parte, sem compromissos, exploramos a infindável Austrália Ocidental até ao seu limite sul.

Mme Moline popinée
Étnico

Lifou, Ilhas Lealdade

A Maior das Lealdades

Lifou é a ilha do meio das três que formam o arquipélago semi-francófono ao largo da Nova Caledónia. Dentro de algum tempo, os nativos kanak decidirão se querem o seu paraíso independente da longínqua metrópole.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Aposentos dourados
História

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Cabana de Brando
Ilhas

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Esqui
Inverno Branco

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

De visita
Literatura

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Mokoros
Natureza

Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Dunas no meio do mar
Parques Naturais

Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.

Rampa
Património Mundial Unesco

Badaling, China

Uma Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da maior estrutura criada pelo homem, recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.

Curiosidade ursa
Personagens

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Cap 110
Praia

Martinica, Antilhas Francesas

Caraíbas de Baguete debaixo do Braço

Circulamos pela Martinica tão livremente como o Euro e as bandeiras tricolores esvoaçam supremas. Mas este pedaço de França é vulcânico e luxuriante. Surge no coração insular das Américas e tem um delicioso sabor a África.

Cidade dourada
Religião

Jerusalém, Israel

Mais Perto de Deus

Três mil anos de uma história tão mística quanto atribulada ganham vida em Jerusalém. Venerada por cristãos, judeus e muçulmanos, esta cidade irradia controvérsias mas atrai crentes de todo o Mundo.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Sociedade
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Um
Vida Quotidiana

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Perigo de praia
Vida Selvagem

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Radical 24h por dia
Voos Panorâmicos

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.