Singapura

A Ilha do Sucesso e da Monotonia


Repuxo Merlion

Estátua de Merlion, a criatura meio peixe meio leão símbolo de Singapura projecta um repuxo sobre o mar da Marina Bay.

Rua do lampião

Lampiões vermelhos enfeitam uma rua sobrelotada durante uma época festiva da Chinatown de Singapura.

Meia bola e força

Paragem de autocarro transformada promove um campeonato de snooker a ter lugar em Singapura.

Sino-arquitectura

Um prédio decorado com caracteres chineses destaca-se do casario típico da Chinatown.

Numa espécie de Trono

Denise Ang, uma jovem singapurense de origem chinesa, à data, directora do Hotel Scarlett.

The Clinic

Jovens conversam sobre as camas de hospital instaladas pelo clube nocturno The Clinic.

Multidão multiétnica

Transeuntes de distintas etnias cruzam-se ao longo da Orchard Rd, uma avenida moderna de Singapura.

Estátua ao Fundador

Estátua de Sir Stamford Raffles, o inglês ambicioso que, contra todas as probabilidades fundou Singapura em 1819 e fez da ilha um território invejado.

Tempo de repouso

Condutor de rickshaw a pedal descansa sobre o seu veículo.

Requinte

Mulher atravessa uma velha ponte de ferro nas imediações do Fullerton Hotel, uma das zonas mais sofisticadas de Singapura.

Paredes garridas

Bicicleta repousa encostada contra uma fachada viva do bairro malaio de Kampong Glam.

Habituada a planear e a vencer, Singapura seduz e recruta gente ambiciosa de todo o mundo. Ao mesmo tempo, parece aborrecer de morte alguns dos seus habitantes mais criativos.

Apesar de toda a sua ambição, o fundador da cidade de Singapura, Stamford Raffles, não podia imaginar a visão que tem da sua ex-colónia quem, como nós, chega por mar.

A ilha indonésia de Batam está quarenta minutos para trás

. À medida que o ferry serpenteia por entre a vasta frota de petroleiros e cargueiros que percorre o estreito de Singapura, torna-se mais nítida a silhueta novaiorquina, formada pela linha de arranha-céus do CDB (Central Business District). Para quem vem de mês e meio no m

aior país muçulmano do mundo, terminado no interior de Sumatra, aquele horizonte cinzento deixa antever uma espécie de retorno a um mundo não igual, mas do tipo do que conhecemos.

O ferry contorna a ilha de Sentosa e atraca na doca de Harbour Front. Assim que de

sembarcamos, deparamo-nos com a sofisticação tecnológica com que se processa o controle fronteiriço. Não restam dúvidas: estamos de volta à modernidade pura e dura. Há caixas multibanco reluzentes, passadeiras rolantes e vários balc&otil

de;es de apoio ao turista, repletos de informação; sobressaem anúncios a produtos familiares e reconhecemos os franchisings, dos mais óbvios aos menos populares. Regressamos à esfera capitalista; o MRT – Mass Rapid Transit – parte dali com ligações aos recantos mais longínquos da ilha. Não se pode comer, fumar e transportar duriões malcheirosos no metro. Deixa de haver lugar para o desleixo, tomado pelas proibições.

Singapura ocupa actualmente uma área de 6823 km2, atravessada pelo rio homónimo. Os arranha-céus que vislumbrámos do ferry ficam a sul da foz, contíguos à Marina Bay. Em conjunto, estas duas zonas formam a parte mais imponente da cidade. Instalamo-nos à pressa na proximidade do bairro de Little India, e é nessa mesma tarde, que inauguramos a descoberta dos lugares mais emblemáticos da ilha .

A Esterilidade Funcional de Singapura

Continuamos a acompanhar o rio Singapura seguindo a movimentação dos seus sampans, os barcos típicos de casco com listas garridas e providos de olhos. Quando não atracados no Clifford Pier, cruzam o rio em direcção à marginal das esplanadas, situada logo ao lado do CBD para facilitar a vida dos executivos que assim que deixam os escritórios, ali se instalam em grupos barulhentos, para beber uns copos e depois jantar. Até a vida de rua, em Singapura, é programada ao pormenor e demasiado fácil. 

Desta zona de refeições, rio acima, até aos Clarke, Boat e Robertson Quays, onde se concentra a vida nocturna, é só um pulo, ou uma estação de MRT. Tudo por aqui está organizado, de tal forma que, para não perturbar em demasia a harmonia da ilha, até há três décadas atrás, a vida nocturna era limitada ao mínimo possível com os poucos estabelecimentos permitidos a fecharem tão cedo que mal tinham tempo para lucrar.

Entretanto, até por razões económicas (nenhum jovem executivo promissor se quereria mudar para um país sem vida nocturna) o panorama foi-se alterando.

Hoje, os bares e as discotecas como o The Clinic, o The Cannery ou o Ministry of Sound ostentam imagens de marca fortes e decorações temáticas hiper-criativas. Os clientes, esses, provenientes dos quatro cantos do mundo, transpiram estilo e sofisticação e pagam o que for necessário pela entrada nos clubes da moda. Para que a chuva, frequente, não perturbe este festival de glamour, as ruas do Clarke Quay foram dotadas de coberturas de vidro. Até quando os seus filhos e enteados se preparam para entrar num bar com striptease o Nanny State singapurense está presente, a evitar que se constipem. Como pudemos constatar, alguns não estão preparados para tanto mimo.

Um dos comentários frequentes dos singapurenses mais exigentes acerca do seu próprio país é: “Isto aqui é tão estéril”.

Não são precisos muitos dias para compreendermos a que se referem. Percebemos também que a segunda queixa mais comum se prende com o isolamento. Em termos civilizacionais, a maior parte dos singapurenses – excepção feita para a etnia malaia – e dos ocidentais ali expatriados sentem-se fisicamente cercados pelo vasto mundo muçulmano em redor. Mas a questão também não acaba aí.

Situada logo acima do equador, Singapura parece viver dentro de uma panela de pressão. O calor e a humidade são opressivos. Quando não há sol, nuvens densas e altas, vindas da Indonésia com o vento de monção, pairam sobre o país, ameaçadoras, e, a qualquer momento, descarregam em bátegas diluvianas, acompanhadas de trovoadas fulminantes. Se as nuvens abrem um pouco, a luz solar incide tão forte que branqueia um panorama já de si, dominado pelo aço e o cimento.

Não é que faltem jardins e outros espaços verdes mas, como se queixava um motorista de táxi, demasiados edifícios históricos porque se lembrava de passar deram lugar a construções modernas sem alma. Parece que a ilha está tão preocupada em facturar para triunfar – o espírito singapurense kiasu criticado pelos vizinhos malaios e indonésios – que não se apercebe do seu aspecto pré-fabricado. 

Quando passamos sobre a Elgin Bridge, somos abordados por uma holandesa que percebe que também somos estrangeiros. Pergunta-nos o que estamos a achar. Hesitamos na resposta. Ela aproveita para acrescentar: “Estou cá há dois dias e até agora só vi lojas e galerias comerciais… não me aconselham nada mais genuíno?“ Enviamo-la para a Little India, no Domingo que se aproxima. Avisamos, obviamente, que vai mudar de país por uns tempos.

Perante o seu desapontamento, estava fora de questão aconselhar o Kampong Glam, o distrito malaio dominado pela Mesquita do Sultão e pelas boutiques caras. Muito menos a Chinatown, em que vagueiam milhares de visitantes ávidos por gastar e onde, sob a arquitectura típica dos edifícios coloniais coloridos, se escondem mais lojas orientadas para o turista; mais empregados de esplanada que exigem o pagamento da despesa de forma seca, assim que despejam a bandeja.

Quando visitamos o distrito chinês, balançam candeeiros de papel vermelhos. Assinalam o aproximar de nova época de celebrações chinesas, a culminar com a inauguração de um novo templo budista, o Tooth Relic Temple. Vamos investigar a obra e reparamos que parte considerável dos trabalhadores são indianos. Como, se não bastasse, alguns metros à frente, mas em pleno coração da Chinatown, achamos  o templo dravidiano Sri Mariamman, com o seu gopuram (torre repleta de divindades) sobre a portada. Somos atraídos por trajes garridos e cânticos exóticos e entramos para observar a cerimónia que se revela fascinante e hipnótica. De um momento para o outro, a estéril e aborrecida Singapura de que se queixam os singapurenses surpreende. 

A noite já se apodera do Sudeste Asiático quando chegamos à majestosa Marina Bay, a que os imigrantes trazem as famílias de visita para lhes exibir a magia do lusco-fusco quando as luzes das ruas e dos escritórios nas alturas se acendem, a pouco e pouco, e pintam o cenário – durante o dia deslavado – de todas as cores. O ponto de observação eleito, permanentemente repleto de locais e estrangeiros equipados com máquinas de fotografar e filmar, é o Merlion Park, um cais com plataforma panorâmica sobre a àgua de que se destaca a estátua enorme do estranho meio-peixe, meio-leão designado, em 1960, como mascote de Singapura.

Aceitam-se estrangeiros. Excelente ambiente de trabalho

A sobrevivência e posterior riqueza asseguradas por Singapura contra todas as probabilidades, após a expulsão da Federação da Malásia, deveu-se essencialmente aos programas de industrialização e urbanização levado a cabo por Lee Kuan Yew. 

Por volta dos anos 90, a cidade tinha o maior rácio de posse de casas do mundo e, apesar da ausência total de matérias-primas, o fabrico e exportação de produtos de alta-tecnologia assegurou-lhe o bem-estar da sua população e um papel de destaque na esfera económica mundial. 

Esta bonança foi e continua a ser ameaçada pela ascenção súbita de países concorrentes com custos de produção muito mais baixos, sendo a China o caso óbvio.

De 33% dos seus 2.5 milhões de trabalhadores há dez anos atrás, a força produtora industrial encolheu para apenas 20%. Como consequência directa, os singapurenses perderam poder de compra. Confrontados com a crise, os mais novos passaram a procurar emprego no estrangeiro. Os que ficam têm cada vez menos filhos. 

Os números são claros: Singapura debate-se com um grave problema de estagnação mas trabalhar na solução faz já algum tempo. Literalmente. Desde 2008, 2009 que as gruas e escavadoras não param.

O objectivo, herculiano, então estabelecido foi passar rapidamente de 4.4 para 6 milhões de habitantes recrutando empresas e trabalhadores qualificados de outros países. O governo chegou à conclusão de que a fama de entreposto comercial próspero mas, aborrecido, era, de certa forma, merecida. Resolveu contra-atacar transformando a ilha de Sentosa – situada apenas a 500 metros da costa sul de Singapura – num mega-parque de diversões ligado a Harbour Front por uma linha de MRT.

Foram importadas centenas de toneladas de areia para criar praias artificiais. Protegeram-se as novas praias da corrente, do tráfego marítimo infernal do estreito de Singapura e da vista desagradável das suas refinarias recorrendo a enormes muros de pedra de que brotam coqueiros e palmeiras.

Além das praias, várias outras atracções surgiram do nada: museus, um Water World com SPA, uma torre e teleférico panorâmicos, cinemas, espectáculos multimédia, campos de golf e pistas de bicicleta, para mencionar apenas uma ínfima parte. A juntar ao pacote, foram construídos condomínios de habitação VIP que os promotores estão a fazer tudo, mas mesmo tudo, para despachar, incluindo promovê-los em enormes outdoors com imagens dos areais de Sentosa tão pós-produzidas e falsas que mais parecem o Caribe. 

Mas a batalha contra a estagnação não se ficou por aqui e obrigou a concessões inesperadas por parte dos senhores das leis. Até 2002, os clubes nocturnos eram proíbidos, em Singapura, e o jogo mantinha-se tema tabu. De um momento para o outro, tudo mudou. 

Na orla leste da Marina Bay, foram erguidos novos edifícios que a urbanizaram por completo: as torres triplas do complexo Marina Bay Sands, um casino-resort gigantesco construído com arquitectura revolucionária pelo operador Las Vegas Sands que, quando completo (em 2009) disponibilizou mais de 2500 quartos de hotel, um centro comercial atravessado por canais, uma pista de patinagem no gelo, dois teatros cada um com 2000 lugares, destinados a espectáculos da Broadway e um museu. A partir da última torre deste empreendimento para oeste e até à proximidade do CDB surgiram mais arranha-céus destinados a albergar as empresas que empregaram os esperados imigrantes.

Após sacrificar alguns dos seus antigos princípios em nome da sobrevivência da nação, Lee Kuan Yew, transformou-se num dos vendedores mais activos do projecto. A metamorfose foi tal que, no seu discurso anual do Ano Novo Chinês, depois de menções a acordos de comércio livre e fortalecimento de laços políticos na região, passou para referências repetidas a jantares ao ar livre, bandas de jazz, vela, windsurf e pesca, tentando impingir a qualidade de vida superior com que pensava atrair trabalhadores especializados estrangeiros. Como resumiu: “Singapura será uma versão tropical de Nova Iorque, Paris e Londres numa só”.

Perante expectativas tão elevadas, há que pensar positivo. Se o plano de Kuan Yew falhar, Singapura será sempre uma cidade-país invulgar, com uma fascinante população multiétnica e uma das gastronomias mais variadas do mundo.

Da vingança de Raffles ao paternalismo de Lee Kuan Yew

Após Napoleão ter invadido a Holanda, em 1795, os Britânicos procuraram a todo o custo evitar uma expansão da França nos territórios do Sudeste Asiático e ocuparam Malaca e Java. Com a derrota dos franceses na Europa, decidiram-se pela devolução desses territórios aos holandeses. A medida permitiu evitar um provável conflito e consolidar a cada vez mais rentável presença britânica na Península Malaia. Não evitou, no entanto, o enorme ressentimento do Tenente-Governante de Java, Stamford Raffles, que viu todo o seu trabalho ser entregue a uma potência concorrente quando sentia que a Grã-Bretanha, a nação mais poderosa da Europa, devia estender a sua influência no Sudeste Asiático. 

Humilhado mas não vencido, Raffles persuadiu a East India Company que o estabelecimento de uma colónia na ponta da península malaia era fulcral para lucrar com a rota marítima entre a China e a Índia. Em 1819, Raffles desembarcou em Singapura, então, parte do sultanato de Johor. Imiscuindo-se em conflitos de sucessão e linhagem, depressa conquistou a protecção de uma das partes e o direito a construir um entreposto comercial. Cinco anos depois, assinou um segundo tratado que entregava Singapura à Grã-Bretanha em troca de dinheiro e uma pensão vitalícia a ser paga ao sultão que apoiara e a um chefe local.

Em apenas cinco anos, o seu novo território surgia no mapa. O próximo plano de Raffles era fazer dele um bastião económico do Império Britânico, apostando em não cobrar taxas pelas transacções comerciais.

Por essa altura, Singapura era habitada por cerca de 150 pescadores malaios e agricultores chineses. Com a perspectiva

da “adopção” britânica e da riqueza anunciada pelo projecto, acorreram à ilha milhares de outros chineses e malaios. Alguns dos primeiros desposaram mulheres malaias e formaram o povo e a cultura Perakanan (meia-casta) .

Em 1821, a população de Singapura (do malaio Singa=leão + Pura=cidade) contava 10.000 habitantes. Tal como planeado, o porto atraía cada vez mais comércio e a colónia evoluía a olhos vistos, entretanto com o contributo de milhares de indianos recrutados por Raffles que os considerava mais aptos para a construção de edifícios e dos caminhos de ferro.

Foram erguidas ruas amplas com lojas e passadiços cobertos, docas, igrejas e até um jardim botânico. Toda a obra tinha como fim fazer de Singapura uma colónia imponente e importante do império.

Curiosamente, em termos sociais, a estratégia de Raffles passava por dividir e administrar a população de acordo com a sua origem étnica. Já nessa altura, europeus, indianos, chineses e malaios viviam nos seus bairros respectivos.

Mais recentemente, passado o susto da invasão japonesa da 2ª Guerra Mundial e separação forçada pela expulsão da Federação da Malásia (a quem os britânicos haviam já concedido a independência), causada pela recusa da ilha em conceder privilégios institucionais aos malaios residentes, em 1965, Singapura seguiu o seu próprio caminho receosa do que o futuro guardava.

Com a saída dos britânicos da cena política, a gestão do território ficou entregue aos chineses do People Action Party (PAP). Estes, ao longo das vigências paternalísticas de Lee Kuan Yew – um advogado educado em Cambridge que governou mais de 30 anos – e Goh Chok Tong – no poder de 1990 até muito recentemente – elevaram Singapura do terceiro mundo ao primeiro, utrapassando problemas tão graves como a crise cambial asiática de 1997 e conseguiram recuperar o passado  de prosperidade herdado dos britânicos.

Com o avançar dos anos, a estrutura étnica da população de Singapura definiu-se inequivocamente. Hoje, dos seus 3.3 milhões de habitantes fixos, 77% são chineses; 14% malaios e 8% indianos. Vivem, ainda, permanentemente na ilha, 1.1 milhões de estrangeiros que trabalham nas muitas multinacionais com sedes e sucursais no país. 

Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta foi a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que há memória.

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Little India, Singapura

Singapura de Sari

São uns milhares de habitantes em vez dos 1.3 mil milhões da pátria-mãe mas não falta alma à Little India, um bairro da ínfima Singapura. Nem alma, nem cheiro a caril e música de Bollywood.

Brasília, Brasil

Da Utopia à Euforia

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.

Sentosa, Singapura

O Recreio de Singapura

Foi uma fortaleza em que os japoneses assassinaram prisioneiros aliados e acolheu tropas que perseguiram sabotadores indonésios. Hoje, a ilha de Sentosa combate a monotonia que se apoderava do país.

Oslo, Noruega

Uma Capital Sobrecapitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.

Filhos da Mãe-Arménia
Arquitectura & Design
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Indígena Coroado
Cerimónias e Festividades

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

A ver a vida passar
Cidades
Dali, China

A China Surrealista de Dali

Encaixada num cenário lacustre mágico, a antiga capital do povo Bai manteve-se, até há algum tempo, um refúgio da comunidade mochileira de viajantes. As mudanças sociais e económicas da China fomentaram a invasão de chineses à descoberta do recanto sudoeste da nação.
Muito que escolher
Comida

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

Gentlemen Club & Steakhouse
Cultura

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Ferry Nek Luong
Em Viagem

Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso

Casinhas de outros tempos
Étnico
Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.    
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Uma Busca solitária
História

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Aulas de surf
Ilhas

Waikiki, Havai

A Invasão Nipónica do Havai

Décadas após o ataque a Pearl Harbour e da capitulação na 2ª Guerra Mundial, os japoneses voltaram ao Havai armados com milhões de dólares. Waikiki, o seu alvo predilecto, faz questão de se render.

Solidariedade equina
Inverno Branco

Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

Baie d'Oro
Literatura

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Punta Cahuita
Natureza

Cahuita, Costa Rica

Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral costariquenho tão afro quanto caribenho. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Parques Naturais
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-Braga, Nepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
As forças ocupantes
Património Mundial Unesco

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Verificação da correspondência
Personagens

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Pesca no Paraíso
Praia

Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Em Ouvéa, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.

A Crucificação em Helsínquia
Religião

Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.

A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Solidão andina
Sociedade

Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução desde 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida chegou à sua estação terminal. Foi levada a cabo nas montanhas andinas por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.

O projeccionista
Vida Quotidiana

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Brincadeira ao ocaso
Vida Selvagem
PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.
Os sounds
Voos Panorâmicos

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Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.