Deserto Branco, Egipto

O Atalho Egípcio para Marte


Deserto (Pouco) Branco
Jipe sulca a imensidão extraterrestre do Deserto Branco, uma secção do grande Deserto Ocidental do Sahara.
Estilo El-Bawiti
Beduíno no meio do palmeiral de tamareiras, a caminho do centro urbano de El-Bawiti
El-Bawiti dos Pequeninos
Motociclista passa junto a uma réplica de barro do bairro antigo de El-Bawiti.
Dantesco
Montanhas bicolores do Deserto Negro, 50km para sul de El-Bawiti.
Portal para o Deserto
Trânsito percorre a grande auto-estrada Cairo-Farafra.
Tempo de lavra
Agricultor beduíno bem disposto, apesar da obrigatoriedade do trabalho.
Esculturas do tempo
Dois dos inúmeros recortes geológicos de calcite do Deserto Branco.
A mais doce Bawiti
Vendedores de tâmaras na sua loja de El-Bawiti, em pleno oásis de Bahariya.
Deserto (mesmo) Branco
Solo alvo de calcite, surge em várias zonas do Deserto Branco.
Dantesco II
Camião atravessa a vastidão mineral do Deserto Negro.
Luz da noite
Numa altura em que a conquista do vizinho do sistema solar se tornou uma obsessão, uma secção do leste do Deserto do Sahara abriga um vasto cenário afim. Em vez dos 150 a 300 dias que se calculam necessários para atingir Marte, descolamos do Cairo e, em pouco mais de três horas, damos os primeiros passos no Oásis de Bahariya. Em redor, quase tudo nos faz sentir sobre o ansiado Planeta Vermelho.

Deixamos os arredores da capital egípcia. Aladino desliga o aparelho que limitava a velocidade do jipe. Em jeito de magia inesperada das Arábias, liberta-nos para uma viagem pelo Deserto Branco por certo menos segura, mas cumprida num tempo genial. O prodígio cedo se prova imperfeito.

Passada a cidade de 6 de Outubro, já bem a sério no Deserto Branco, o dispositivo dá de si e inaugura um tilintar irritante de alarme que se repetiria ao longo de toda a viagem.

Um pouco antes do meio-dia, aproximamo-nos de uma estação de serviço perdida na vastidão arenosa. Ayman, o guia, avisa-nos que vamos parar para esticar as pernas. Juntamo-nos a uma pequena multidão de outros condutores e de passageiros de autocarros. Bebericamos chá e café ferventes sem grandes pressas. Ayman abrevia o seu chá e retira-se.

Ao sairmos do estabelecimento para aguardarmos lá fora o regresso à estrada, reparamos que tinha entrado numa sala de orações. Quando espreitamos, Ayman fazia parte de uma comunidade masculina casual que partilhava um mesmo manto de retalhos atapetado, a direcção de Meca e prostrações alternadas movidas por uma fé inquestionada em Alá a que, tudo assim indicava, não se entregava Aladino.

O crente tarda o que tarda. Dez minutos depois, junta-se a nós. Cada qual revigorado à sua maneira, o duo de cicerones anuncia-nos a segunda metade do trajecto: “Vamos a isto! Daqui em diante, o deserto vai ficar bem mais deserto.”

Portal para o Deserto na estrada Cairo-Farafra, Deeserto Branco, Egipto

Trânsito percorre a grande auto-estrada Cairo-Farafra.

El-Bahariya: o primeiro dos grandes oásis

Duas horas adicionais a voarmos baixinho Saaara adentro, chegamos a um dos seus raros e sempre surpreendentes oásis, o de El-Bahariya. Em pleno mês de Dezembro, a temperatura pouco passa dos 20ºC.

Não vemos vivalma estrangeira que seja no Hotel Panorama em que damos entrada, como não se exibia também o cenário desafogado prometido pelo estabelecimento. Instalamo-nos. Descemos logo em seguida e partilhamos um almoço rápido com o duo de cicerones.

Em seguida, o proprietário faz questão de nos mostrar e a Ayman os encantos de El-Bahariya. Sem objeções, enfiamo-nos os três noutro jipe e saímos à descoberta.

Estávamos longe de pensar que, mesmo enquanto oásis que era, o lugar se pudesse revelar tão luxuriante. E, no entanto, o que desvendamos já a 370 km do Cairo é uma incrível excepção da paisagem desolada e rochosa que nos cercava.

El-Bahariya começa por ser uma depressão com 90km por 40 km, envolta de montanhas comedidas e que atrai boa parte da água só na aparência inexistente. Nas suas áreas mais profundas, um palmeiral denso de tamareiras carregadas de frutos desponta do solo.

Estilo El-Bawiti

Irrigam-no nascentes e veios de água, uns subterrâneos, outros que fluem à superfície por riachos e canais que os camponeses daquelas partes manipulam numa rede complexa de pequenos diques, abertos e fechados com uma ou duas pedras ou três ou quatro sacholas de terra.

Caminhos de terra entre o húmido e o ensopado sulcam a floresta. Percorrem-nos lavradores de enxada ao ombro e produtores e fornecedores trajados com jilabas e turbantes que montam burros sobrecarregados com alforges repletos de tâmaras. No centro urbano de El-Bawiti, os vendedores aguardam-nos.

Tempo de lavra,

Agricultor beduíno bem disposto, apesar da obrigatoriedade do trabalho.

El-Bawiti: Capital do Oásis de El-Bahariya.

El-Bawiti é a principal povoação do oásis de El-Bahariya. Acolhe 30 mil habitantes wahati (leia-se do oásis), beduínos muçulmanos com ancestrais na Líbia, junto à costa mediterrânica e no Vale do Nilo.

Confessamos a Ayman que adoramos tâmaras. O guia egípcio intercede junto do  anfitrião da área para que nos levasse a uma loja onde as comprássemos com confiança. Num ápice, deixamos a floresta e passamos por uma tal de avenida Sharia Safaya em que, se destaca uma sequência de casas miniatura e modelo de barro, algumas, coloridas, outras no tom natural da lama solidificada.

El-Bawiti dos PequeninosEntramos numa grelha de ruas de terra mal batida que chuvas recentes tinham tornado menos poeirentas que o habitual. Delimitam-nas estabelecimentos incaracterísticos: mercearias, lojinhas rurais, talhos, uma casa de chá mal-amanhada frequentada apenas por homens.

Letreiros em árabe e material promocional das multinacionais do costume digladiam-se pelo protagonismo comercial de cada ruela, brandindo os tons mais artificiais e garridos a que puderam recorrer.

De quando em quando, surge uma velha pick-up atafulhada de carga, ou como pudemos apreciar, de passageiras, várias munaqqabat, que é como quem diz enfiadas em abayas e niqabs negros que lhes revelam apenas os olhos.

Estes trajes lúgubres e intimidantes por norma por elas usadas no exterior do lar, onde são contempladas por outros homens, estão longe de merecer a admiração ou até a concordância dos egípcios em geral, além de que a sua propagação gerou apreensão nas autoridades que a interpretam como um sinal de que se alastra tanto o fundamentalismo religioso como o desdém pelo governo do Cairo.

Tâmaras com Fartura

Naquele Egipto profundo por que andávamos, poucas eram as mulheres com que nos cruzávamos. As que víamos, ou vestiam essa mesma combinação de negrume ou outra só algo menos soturna. Perdidos neste deslumbre, algures entre a antropologia e a moda muçulmana, chegamos à loja de tâmaras que nos fora prometida. Ali, El-Bawiti resplandece de cor.

A mais doce BawitiO letreiro exibe grandes caracteres arábicos verde-azeitona e cianos sobre um fundo branco decorado com tamareiras e montanhas. As tâmaras, disponíveis em distintos tamanhos e tons de amarelo, castanho e dourado, surgem expostas em pequenos outeiros frutícolas que despontam de caixotes.

Estão à venda naturais, mas também empacotadas, enlatadas, em óleo e sob outras formas menos expectáveis. Seguimos o conselho do vendedor. Compramos um quilo das recém-chegadas, as mais frescas, as mais melosas. Por volta das seis da tarde, com o sol que as amadurecera já a pingar para trás do palmeiral, regressamos ao abrigo desolado do Hotel Panorama.

O Lado Negro do Deserto Branco

Com a manhã seguinte, chega a hora de prosseguirmos para sudoeste, rumo ao âmago egípcio do Sahara. Acompanha-nos Mahmoud, um jovem beduíno auxiliar do hotel. Voltamos a deter-nos em El-Bawiti para comprar víveres, incluindo um reforço de tâmaras que, como era de esperar, já tinham levado um enorme rombo desde a tarde anterior. Às dez e meia, deixamos a povoação.

Percorridos apenas cinquenta quilómetros, detemo-nos  numa secção do itinerário chamada de Deserto Negro. Subimos a uma das suas muitas colinas vulcânicas polvilhadas de doleritos e quartzitos escuros. Do cimo, apreciamos a vastidão meio amarela meio negra em redor e a passagem quase insignificante de um ou dois veículos oriundos de um aparente nada, destinados a outro nada, que só reforçam a imensidão envolvente.

DantescoDurante essa tarde, por aquele Egipto, cirenaico em tempos romanos, adentro, o deserto assume vários outros visuais, cada qual mais surreal que o anterior. A roçar as quatro horas, chegamos ao Deserto Branco de Farafra de que, pelo menos Mahmoud afiançava conhecer o suficiente para não nos perdermos.

Fazemos fé na sua promessa. Deixamos a autoestrada Cairo-Farafra e enfiamo-nos num labirinto de rochas e grandes calhaus disseminados sem aparente fim, um labirinto e deserto do género daqueles que, em 636 a.C. terão desorientado o rei persa Cambises II e o seu exército quando, em plena conquista do Egipto, buscavam o Oráculo de Amón.

Farafra: o portal excêntrico para o Planeta Vermelho

Farafra é a segunda de cinco depressões do grande Deserto Ocidental. Com apenas 980km2, ocupa metade da de Bahariya. A alvura do seu subdeserto cedo se torna óbvia. Depósitos de cálcio cobrem o solo ou dele se destacam como esculturas que nos custa acreditar serem meros produtos milenares do impacto de cristais de areia arrastados pelo vento furioso que assola com frequência estas partes.

Os nossos guias rejubilam com a profusão de esculturas de rocha de giz (calcite) que nos indicam com um entusiasmo infantil. A mais famosa é a “galinha e o cogumelo” também conhecida como “galinha e a bomba atómica”. Uma  formação próxima lembra um sorvete. E assim foi denominada. Outras, têm nomes mais grandiosos e formais. Há “o monólito” e o “Inselberg”.

Esculturas do tempoFartamo-nos de circular a bordo do jipe. Quando detectamos uma meseta mais alta nas imediações do que Ayman designara como acampamento, saímos a pé e apontamos ao seu cimo com o sol já a cair sobre o horizonte.

Quando chegamos ao cume, mais que com formas engraçadas, confrontamo-nos com uma incrível imensidão de pedras e rochas polidas assentes no solo manchado de calcite. Por essa altura do ocaso, o deserto pouco preservava de branco. Aliás, como o dali víamos, não estávamos nem num Deserto Branco nem sequer na Terra.

O panorama ocre-amarelado era – ninguém nos convencia do contrário – marciano. Mais vermelho e marciano ficava à medida que o crepúsculo avançava para o arrebol e submetia as nuvens invernais a uma exuberante incandescência.

Até então, tínhamos estado sozinhos. Sem que o esperássemos, dois outros jipes surgem sabe-se lá de onde e cruzam o cenário inverosímil. Não queríamos arruinar o imaginário extraterrestre. De acordo, imaginamo-los como Rovers da NASA em missão de exploração.

Marte na Terra

O Ocaso Aquecido à Fogueira de Farafra

Passada meia-hora, a luz resistente cede ao breu. Descemos da meseta enquanto o podíamos fazer em segurança e caminhámos para junto de Ayman, Aladino e Mahmoud que há algum tempo preparavam o acampamento. Ajudamos a resolver a falta de iluminação incauta com que o último saíra de El-Bawiti.

Luz da noite

Pouco depois, já em volta de uma fogueira vigorosa, partilhamos um jantar com os companheiros egípcios sob o firmamento híper-estrelado.

Ayman faz passar alguma música egípcia no seu telemóvel. Com a banda sonora que escolhera em fundo, tenta resolver um problema bem terreno.

Conta-nos estórias e faz reparos que visam encurtar a distância a que, na sua mente, a religião e a cultura islâmica nos mantinham. “Sabem que nós, muçulmanos, também acreditamos em Jesus e Maria, pelo menos enquanto personagens históricas.” afiança-nos entre narrativas distintas, outra delas relacionada com a Arca de Noé.

Marte na Terra

Não tarda, fala-nos dos cantores nacionalistas egípcios que, durante a Guerra dos Seis dias em que o Egipto (e várias nações vizinhas) se confrontaram com Israel, quase só cantavam hinos nacionalistas: “Amo-te Egipto” e outros do género.

 

O fogo, como as energias de todos, depressa se extinguiu. Nós, Ayman e Aladino recolhemos às tendas. Mais habituado ao deserto, Mahmoud dormiu ali mesmo ao lado, ao relento, apesar das raposas e coiotes que há muito nos observavam, malgrado as suas visitas em busca de comida.

Despertamos antes da alvorada. Por momentos, o cenário volta ao perfil avermelhado de Marte. Mal o sol se destaca do horizonte, o Deserto Branco reassume a sua brancura e traz-nos de volta à Terra do Deserto Ocidental. Até ao crepúsculo seguinte.

Estranho culto

Viagem realizada com o apoio do operador ImageTours. Consulte os Programas do Egipto da ImageTours.

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.
Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.

Assuão, Egipto

Onde O Nilo Acolhe a África Negra

1200km para montante do seu delta, o Nilo deixa de ser navegável. A última das grandes cidades egípcias marca a fusão entre o território árabe e o núbio. Desde que nasce no lago Vitória, o rio dá vida a inúmeros povos africanos de tez escura.

Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.

Monte Sinai, Egipto

Força nas Pernas e Fé em Deus

Moisés recebeu os Dez Mandamentos no cume do Monte Sinai e revelou-os ao povo israelita. Hoje, centenas de peregrinos vencem, todas as noites, os 4000 degraus daquela dolorosa mas mística ascensão.

Um
Arquitectura & Design

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Aventura
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Preces ao fogo
Cerimónias e Festividades

Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se

Kremlin de Rostov Veliky, Rússia
Cidades
Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.
Moradora obesa de Tupola Tapaau, uma pequena ilha de Samoa Ocidental.
Comida
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Dança dos cabelos
Cultura
Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Lento fim do dia
Em Viagem

Avenida dos Baobás, Madagáscar

O Caminho Malgaxe para o Deslumbre

Saída do nada, uma colónia de embondeiros com 30 metros de altura e 800 anos ladeia uma secção da estrada argilosa e ocre paralela ao Canal de Moçambique e ao litoral piscatório de Morondava. Os nativos consideram estas árvores colossais as mães da sua floresta. Os viajantes veneram-nas como uma espécie de corredor iniciático.

Retorno na mesma moeda
Étnico
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
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Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Santuário sobre a floresta II
História

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Litoral Gentil
Ilhas

Ilhabela, Brasil

Depois do Horror, a Beleza

90% de Mata Atlântica preservada, cachoeiras idílicas e praias gentis e selvagens fazem-lhe jus ao nome. Mas, se recuarmos no tempo, também desvendamos a faceta histórica horrífica de Ihabela.

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Cabo da Cruz, colónia focas, cape cross focas, Namíbia
Natureza
Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Monte Lamjung Kailas Himal, Nepal
Parques Naturais
Circuito Annapurna: 2º - Chame a Upper PisangNepal

(I)Eminentes Annapurnas

Despertamos em Chame, ainda abaixo dos 3000m. Lá  avistamos, pela primeira vez, os picos nevados e mais elevados dos Himalaias. De lá partimos para nova caminhada do Circuito Annapurna pelos sopés e encostas da grande cordilheira. Rumo a Upper Pisang.
Mergulhão contra pôr-do-sol, Rio Miranda, Pantanal, Brasil
Património Mundial UNESCO
Passo da Lontra, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião
Praias
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
Solovestsky Outonal
Religião

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Mini-snorkeling
Sociedade

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Vai-e-vem fluvial
Vida Selvagem

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.