Deserto Branco, Egipto

O Atalho Egípcio para Marte


Deserto (Pouco) Branco
Jipe sulca a imensidão extraterrestre do Deserto Branco, uma secção do grande Deserto Ocidental do Sahara.
Estilo El-Bawiti
Beduíno no meio do palmeiral de tamareiras, a caminho do centro urbano de El-Bawiti
El-Bawiti dos Pequeninos
Motociclista passa junto a uma réplica de barro do bairro antigo de El-Bawiti.
Dantesco
Montanhas bicolores do Deserto Negro, 50km para sul de El-Bawiti.
Portal para o Deserto
Trânsito percorre a grande auto-estrada Cairo-Farafra.
Tempo de lavra
Agricultor beduíno bem disposto, apesar da obrigatoriedade do trabalho.
Esculturas do tempo
Dois dos inúmeros recortes geológicos de calcite do Deserto Branco.
A mais doce Bawiti
Vendedores de tâmaras na sua loja de El-Bawiti, em pleno oásis de Bahariya.
Deserto (mesmo) Branco
Solo alvo de calcite, surge em várias zonas do Deserto Branco.
Dantesco II
Camião atravessa a vastidão mineral do Deserto Negro.
Luz da noite
Numa altura em que a conquista do vizinho do sistema solar se tornou uma obsessão, uma secção do leste do Deserto do Sahara abriga um vasto cenário afim. Em vez dos 150 a 300 dias que se calculam necessários para atingir Marte, descolamos do Cairo e, em pouco mais de três horas, damos os primeiros passos no Oásis de Bahariya. Em redor, quase tudo nos faz sentir sobre o ansiado Planeta Vermelho.

Deixamos os arredores da capital egípcia. Aladino desliga o aparelho que limitava a velocidade do jipe. Em jeito de magia inesperada das Arábias, liberta-nos para uma viagem pelo Deserto Branco por certo menos segura, mas cumprida num tempo genial. O prodígio cedo se prova imperfeito.

Passada a cidade de 6 de Outubro, já bem a sério no Deserto Branco, o dispositivo dá de si e inaugura um tilintar irritante de alarme que se repetiria ao longo de toda a viagem.

Um pouco antes do meio-dia, aproximamo-nos de uma estação de serviço perdida na vastidão arenosa. Ayman, o guia, avisa-nos que vamos parar para esticar as pernas. Juntamo-nos a uma pequena multidão de outros condutores e de passageiros de autocarros. Bebericamos chá e café ferventes sem grandes pressas. Ayman abrevia o seu chá e retira-se.

Ao sairmos do estabelecimento para aguardarmos lá fora o regresso à estrada, reparamos que tinha entrado numa sala de orações. Quando espreitamos, Ayman fazia parte de uma comunidade masculina casual que partilhava um mesmo manto de retalhos atapetado, a direcção de Meca e prostrações alternadas movidas por uma fé inquestionada em Alá a que, tudo assim indicava, não se entregava Aladino.

O crente tarda o que tarda. Dez minutos depois, junta-se a nós. Cada qual revigorado à sua maneira, o duo de cicerones anuncia-nos a segunda metade do trajecto: “Vamos a isto! Daqui em diante, o deserto vai ficar bem mais deserto.”

Portal para o Deserto na estrada Cairo-Farafra, Deeserto Branco, Egipto

Trânsito percorre a grande auto-estrada Cairo-Farafra.

El-Bahariya: o primeiro dos grandes oásis

Duas horas adicionais a voarmos baixinho Saaara adentro, chegamos a um dos seus raros e sempre surpreendentes oásis, o de El-Bahariya. Em pleno mês de Dezembro, a temperatura pouco passa dos 20ºC.

Não vemos vivalma estrangeira que seja no Hotel Panorama em que damos entrada, como não se exibia também o cenário desafogado prometido pelo estabelecimento. Instalamo-nos. Descemos logo em seguida e partilhamos um almoço rápido com o duo de cicerones.

Em seguida, o proprietário faz questão de nos mostrar e a Ayman os encantos de El-Bahariya. Sem objeções, enfiamo-nos os três noutro jipe e saímos à descoberta.

Estávamos longe de pensar que, mesmo enquanto oásis que era, o lugar se pudesse revelar tão luxuriante. E, no entanto, o que desvendamos já a 370 km do Cairo é uma incrível excepção da paisagem desolada e rochosa que nos cercava.

El-Bahariya começa por ser uma depressão com 90km por 40 km, envolta de montanhas comedidas e que atrai boa parte da água só na aparência inexistente. Nas suas áreas mais profundas, um palmeiral denso de tamareiras carregadas de frutos desponta do solo.

Estilo El-Bawiti

Irrigam-no nascentes e veios de água, uns subterrâneos, outros que fluem à superfície por riachos e canais que os camponeses daquelas partes manipulam numa rede complexa de pequenos diques, abertos e fechados com uma ou duas pedras ou três ou quatro sacholas de terra.

Caminhos de terra entre o húmido e o ensopado sulcam a floresta. Percorrem-nos lavradores de enxada ao ombro e produtores e fornecedores trajados com jilabas e turbantes que montam burros sobrecarregados com alforges repletos de tâmaras. No centro urbano de El-Bawiti, os vendedores aguardam-nos.

Tempo de lavra,

Agricultor beduíno bem disposto, apesar da obrigatoriedade do trabalho.

El-Bawiti: Capital do Oásis de El-Bahariya.

El-Bawiti é a principal povoação do oásis de El-Bahariya. Acolhe 30 mil habitantes wahati (leia-se do oásis), beduínos muçulmanos com ancestrais na Líbia, junto à costa mediterrânica e no Vale do Nilo.

Confessamos a Ayman que adoramos tâmaras. O guia egípcio intercede junto do  anfitrião da área para que nos levasse a uma loja onde as comprássemos com confiança. Num ápice, deixamos a floresta e passamos por uma tal de avenida Sharia Safaya em que, se destaca uma sequência de casas miniatura e modelo de barro, algumas, coloridas, outras no tom natural da lama solidificada.

El-Bawiti dos PequeninosEntramos numa grelha de ruas de terra mal batida que chuvas recentes tinham tornado menos poeirentas que o habitual. Delimitam-nas estabelecimentos incaracterísticos: mercearias, lojinhas rurais, talhos, uma casa de chá mal-amanhada frequentada apenas por homens.

Letreiros em árabe e material promocional das multinacionais do costume digladiam-se pelo protagonismo comercial de cada ruela, brandindo os tons mais artificiais e garridos a que puderam recorrer.

De quando em quando, surge uma velha pick-up atafulhada de carga, ou como pudemos apreciar, de passageiras, várias munaqqabat, que é como quem diz enfiadas em abayas e niqabs negros que lhes revelam apenas os olhos.

Estes trajes lúgubres e intimidantes por norma por elas usadas no exterior do lar, onde são contempladas por outros homens, estão longe de merecer a admiração ou até a concordância dos egípcios em geral, além de que a sua propagação gerou apreensão nas autoridades que a interpretam como um sinal de que se alastra tanto o fundamentalismo religioso como o desdém pelo governo do Cairo.

Tâmaras com Fartura

Naquele Egipto profundo por que andávamos, poucas eram as mulheres com que nos cruzávamos. As que víamos, ou vestiam essa mesma combinação de negrume ou outra só algo menos soturna. Perdidos neste deslumbre, algures entre a antropologia e a moda muçulmana, chegamos à loja de tâmaras que nos fora prometida. Ali, El-Bawiti resplandece de cor.

A mais doce BawitiO letreiro exibe grandes caracteres arábicos verde-azeitona e cianos sobre um fundo branco decorado com tamareiras e montanhas. As tâmaras, disponíveis em distintos tamanhos e tons de amarelo, castanho e dourado, surgem expostas em pequenos outeiros frutícolas que despontam de caixotes.

Estão à venda naturais, mas também empacotadas, enlatadas, em óleo e sob outras formas menos expectáveis. Seguimos o conselho do vendedor. Compramos um quilo das recém-chegadas, as mais frescas, as mais melosas. Por volta das seis da tarde, com o sol que as amadurecera já a pingar para trás do palmeiral, regressamos ao abrigo desolado do Hotel Panorama.

O Lado Negro do Deserto Branco

Com a manhã seguinte, chega a hora de prosseguirmos para sudoeste, rumo ao âmago egípcio do Sahara. Acompanha-nos Mahmoud, um jovem beduíno auxiliar do hotel. Voltamos a deter-nos em El-Bawiti para comprar víveres, incluindo um reforço de tâmaras que, como era de esperar, já tinham levado um enorme rombo desde a tarde anterior. Às dez e meia, deixamos a povoação.

Percorridos apenas cinquenta quilómetros, detemo-nos  numa secção do itinerário chamada de Deserto Negro. Subimos a uma das suas muitas colinas vulcânicas polvilhadas de doleritos e quartzitos escuros. Do cimo, apreciamos a vastidão meio amarela meio negra em redor e a passagem quase insignificante de um ou dois veículos oriundos de um aparente nada, destinados a outro nada, que só reforçam a imensidão envolvente.

DantescoDurante essa tarde, por aquele Egipto, cirenaico em tempos romanos, adentro, o deserto assume vários outros visuais, cada qual mais surreal que o anterior. A roçar as quatro horas, chegamos ao Deserto Branco de Farafra de que, pelo menos Mahmoud afiançava conhecer o suficiente para não nos perdermos.

Fazemos fé na sua promessa. Deixamos a autoestrada Cairo-Farafra e enfiamo-nos num labirinto de rochas e grandes calhaus disseminados sem aparente fim, um labirinto e deserto do género daqueles que, em 636 a.C. terão desorientado o rei persa Cambises II e o seu exército quando, em plena conquista do Egipto, buscavam o Oráculo de Amón.

Farafra: o portal excêntrico para o Planeta Vermelho

Farafra é a segunda de cinco depressões do grande Deserto Ocidental. Com apenas 980km2, ocupa metade da de Bahariya. A alvura do seu subdeserto cedo se torna óbvia. Depósitos de cálcio cobrem o solo ou dele se destacam como esculturas que nos custa acreditar serem meros produtos milenares do impacto de cristais de areia arrastados pelo vento furioso que assola com frequência estas partes.

Os nossos guias rejubilam com a profusão de esculturas de rocha de giz (calcite) que nos indicam com um entusiasmo infantil. A mais famosa é a “galinha e o cogumelo” também conhecida como “galinha e a bomba atómica”. Uma  formação próxima lembra um sorvete. E assim foi denominada. Outras, têm nomes mais grandiosos e formais. Há “o monólito” e o “Inselberg”.

Esculturas do tempoFartamo-nos de circular a bordo do jipe. Quando detectamos uma meseta mais alta nas imediações do que Ayman designara como acampamento, saímos a pé e apontamos ao seu cimo com o sol já a cair sobre o horizonte.

Quando chegamos ao cume, mais que com formas engraçadas, confrontamo-nos com uma incrível imensidão de pedras e rochas polidas assentes no solo manchado de calcite. Por essa altura do ocaso, o deserto pouco preservava de branco. Aliás, como o dali víamos, não estávamos nem num Deserto Branco nem sequer na Terra.

O panorama ocre-amarelado era – ninguém nos convencia do contrário – marciano. Mais vermelho e marciano ficava à medida que o crepúsculo avançava para o arrebol e submetia as nuvens invernais a uma exuberante incandescência.

Até então, tínhamos estado sozinhos. Sem que o esperássemos, dois outros jipes surgem sabe-se lá de onde e cruzam o cenário inverosímil. Não queríamos arruinar o imaginário extraterrestre. De acordo, imaginamo-los como Rovers da NASA em missão de exploração.

Marte na Terra

O Ocaso Aquecido à Fogueira de Farafra

Passada meia-hora, a luz resistente cede ao breu. Descemos da meseta enquanto o podíamos fazer em segurança e caminhámos para junto de Ayman, Aladino e Mahmoud que há algum tempo preparavam o acampamento. Ajudamos a resolver a falta de iluminação incauta com que o último saíra de El-Bawiti.

Luz da noite

Pouco depois, já em volta de uma fogueira vigorosa, partilhamos um jantar com os companheiros egípcios sob o firmamento híper-estrelado.

Ayman faz passar alguma música egípcia no seu telemóvel. Com a banda sonora que escolhera em fundo, tenta resolver um problema bem terreno.

Conta-nos estórias e faz reparos que visam encurtar a distância a que, na sua mente, a religião e a cultura islâmica nos mantinham. “Sabem que nós, muçulmanos, também acreditamos em Jesus e Maria, pelo menos enquanto personagens históricas.” afiança-nos entre narrativas distintas, outra delas relacionada com a Arca de Noé.

Marte na Terra

Não tarda, fala-nos dos cantores nacionalistas egípcios que, durante a Guerra dos Seis dias em que o Egipto (e várias nações vizinhas) se confrontaram com Israel, quase só cantavam hinos nacionalistas: “Amo-te Egipto” e outros do género.

 

O fogo, como as energias de todos, depressa se extinguiu. Nós, Ayman e Aladino recolhemos às tendas. Mais habituado ao deserto, Mahmoud dormiu ali mesmo ao lado, ao relento, apesar das raposas e coiotes que há muito nos observavam, malgrado as suas visitas em busca de comida.

Despertamos antes da alvorada. Por momentos, o cenário volta ao perfil avermelhado de Marte. Mal o sol se destaca do horizonte, o Deserto Branco reassume a sua brancura e traz-nos de volta à Terra do Deserto Ocidental. Até ao crepúsculo seguinte.

Estranho culto

Viagem realizada com o apoio do operador ImageTours. Consulte os Programas do Egipto da ImageTours.

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.
Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.
Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.

Assuão, Egipto

Onde O Nilo Acolhe a África Negra

1200km para montante do seu delta, o Nilo deixa de ser navegável. A última das grandes cidades egípcias marca a fusão entre o território árabe e o núbio. Desde que nasce no lago Vitória, o rio dá vida a inúmeros povos africanos de tez escura.

Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.

Monte Sinai, Egipto

Força nas Pernas e Fé em Deus

Moisés recebeu os Dez Mandamentos no cume do Monte Sinai e revelou-os ao povo israelita. Hoje, centenas de peregrinos vencem, todas as noites, os 4000 degraus daquela dolorosa mas mística ascensão.

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Sirocco
Arquitectura & Design

Helsínquia, Finlândia

O Design que Veio do Frio

Com parte do território acima do Círculo Polar Árctico, os finlandeses respondem ao clima com soluções eficientes e uma obsessão pela estética e pelo modernismo inspirada pela vizinha Escandinávia.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Aventura
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Chegada à festa
Cerimónias e Festividades

Perth, Austrália

Em Honra da Fundação, de Luto Pela Invasão

26/1 é uma data controversa na Austrália. Enquanto os colonos britânicos o celebram com churrascos e muita cerveja, os aborígenes celebram o facto de não terem sido completamente dizimados.

Luzes aussies da Ribalta
Cidades

Perth, Austrália

A Cidade Solitária

A mais 2000km de uma congénere digna desse nome, Perth é considerada a urbe mais remota à face da Terra. Apesar de isolados entre o Índico e o vasto Outback, são poucos os habitantes que se queixam.

Muito que escolher
Comida

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

Sapphire
Cultura

Tóquio, Japão

Fotografia Tipo-Passe à Japonesa

No fim da década de 80, duas multinacionais nipónicas já viam as fotocabines convencionais como peças de museu. Transformaram-nas em máquinas revolucionárias e o Japão rendeu-se ao fenómeno Purikura.

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Fuga de Seljalandsfoss
Em Viagem

Islândia

Ilha de Fogo, Gelo e Quedas d’água

A catarata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.

Moldura
Étnico

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
À boleia do mar
História
Maui, Havai

Divino Havai

Maui é um antigo chefe e herói do imaginário religioso e tradicional havaiano. Na mitologia deste arquipélago, o semi-deus laça o sol, levanta o céu e leva a cabo uma série de outras proezas em favor dos humanos. A ilha sua homónima, que os nativos creem ter criado no Pacífico do Norte, é ela própria prodigiosa.
Submarino Vesikko, Suomenlinna, Helsínquia, Finlândia
Ilhas
Suomenlinna, Finlândia

A Fortaleza em Tempos Sueca da Finlândia

Destacada num pequeno arquipélago à entrada de Helsínquia, Suomenlinna foi erguida por desígnios político-militares do reino sueco. Durante mais de um século, a Rússia deteve-a. Desde 1917, que o povo suómi a venera como o bastião histórico da sua espinhosa independência.
Esqui
Inverno Branco

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Dia escuro
Natureza

Lago Cocibolca, Nicarágua

Mar, Doce Mar

Os indígenas nicaraos tratavam o maior lago da América Central por Cocibolca. Na ilha vulcânica de Ometepe, percebemos porque o termo que os espanhóis converteram para Mar Dulce fazia todo o sentido.

Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Entusiasmo Vermelho
Parques Naturais

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Uma Busca solitária
Património Mundial UNESCO

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Fila Vietnamita
Praias

Nha Trang-Doc Let, Vietname

O Sal da Terra Vietnamita

Em busca de litorais atraentes na velha Indochina, desiludimo-nos com a rudeza balnear de Nha Trang. E é no labor feminino e exótico das salinas de Hon Khoi que encontramos um Vietname mais a gosto.

Portal para uma ilha sagrada
Religião

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Composição Flam Railway abaixo de uma queda d'água, Noruega
Sobre carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Sociedade
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Gado
Vida Quotidiana

Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.

Salvamento de banhista em Boucan Canot, ilha da Reunião
Vida Selvagem
Reunião

O Melodrama Balnear da Reunião

Nem todos os litorais tropicais são retiros prazerosos e revigorantes. Batido por rebentação violenta, minado de correntes traiçoeiras e, pior, palco dos ataques de tubarões mais frequentes à face da Terra, o da ilha da Reunião falha em conceder aos seus banhistas a paz e o deleite que dele anseiam.
Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.