Grande Terre, Nova Caledónia

O Grande Calhau do Pacífico do Sul


Torres Kanak

O Centro Cultural Jean Marie Tjibaou, um monumento à cultura Kanak criado pelo arquitecto Renzo Piano.

Baie des Tortues

Uma das enseadas mais famosas e agitadas de Grande Terra, limitada pelos pinheiros-de-Cook característicos da Nova Caledónia.

Mergulho Temerário

Banhista desafia a ondulação forte da Baie des Tortues.

Estendal Tropical

Roupa seca num tribu (pequena povoação) da costa nordeste de Grande Terre.

Bendita descida

Ciclista passa em frente à catedral de Saint Joseph, na capital Nouméa.

Balsa do Ouaiéme

Balsa acaba de cruzar o rio Ouaiéme, num cenário luxuriante e abafado do nordeste de Grande Terre.

Cores da Terra

Nativa num vestido tradicional Kanak.

Formação Defensiva

Vacas de criadores caldoches (franceses nascidos na Nova Caledónia) examinam a aproximação de estranhos na beira da estrada.

Surf sem Ondas

Casal percorre a Baie des Citrons em Prancha a Remo.

Arte Kanak

Pormenor de uma escultura tribal no Centro Cultural Jean Marie Tjibaou, nos arredores de Nouméa.

Torres Kanak II

Torres iluminadas do Centro Cultural Jean Marie Tjibaou destacadas contra o céu crepuscular sobre Magenta.

James Cook baptizou assim a longínqua Nova Caledónia porque o fez lembrar a Escócia do seu pai, já os colonos franceses foram menos românticos. Prendados com uma das maiores reservas de níquel do mundo, chamaram Le Caillou à ilha-mãe do arquipélago. Nem a sua mineração obsta a que seja um dos mais deslumbrantes retalhos de Terra da Oceânia.

Chega mais um fim-de-semana e Nouméa muda para o seu modo de descompressão. Bem cedo, na manhã de Sábado, a longa marginal da cidade enche-se de desportistas determinados em suar do corpo o castigo de segunda a sexta, quando só podem sentir a atmosfera veraneant

e do exterior através das janelas dos escritórios, sujeitos aos horários das sucursais francesas da ilha, ou dos negócios e vidas alternativas em que se aventuraram para enriquecer e escapar aos constrangimentos da longínqua metrópole.

Os audazes p

arecem alcançar o primeiro dos objectivos com relativa facilidade.

Depois do jogging, dos patins em linha e da volta de bicicleta, segue-se uma passagem rápida por casa para o duche e, logo se unem à romagem aos areais arredondados da Baie des Citrons e de Anse Vata.  

A distância dos apartamentos só em casos raros justifica uma deslocação motorizada mas o desgaste do esforço matinal aliado a alguma necessidade de ostentação complica o transito paralelo ao mar. Circulam veículos banais, pequenos Peugeots, Citroens e Renaults que a pátria-mãe exporta a preços inflacionados. Mas, entre estes, procura estacionamento uma quantidade incomum de bólides recém-adquiridos, Audis Q7s, BMW’s exuberantes e os sumptuosos Porsches Cayenne que, graças à homenagem prestada pela marca germânica à capital exótica da Guiana Francesa, seduzem duplamente os milionários gauleses.

É um litoral urbano mas recompensador este partilhado pelos metros, zoreilles ou zozos (franceses que nasceram em França), caldoches caledonianos (franceses nascidos na Nova Caledónia descendentes de condenados penais ou emigrantes livres) e kanaks (os indígenas melanésios). Não oferece a cor ou o glamour tropical de outros que o Pacífico do Sul esconde ao largo mas está a três ou quatro minutos do centro da cidade. 

Como na maior parte das realidades coloniais, os kanaks reduzem-se à sua sobrevivência imigrada na dispendiosa capital. Ao invés, um surpreendente número de metros, caldoches citadinos e habitantes de origem asiática recorrem aos veleiros e iates que entopem a marina da cidade para navegarem às ilhas de sonho da Nova Caledónia. Ou dinamizam a economia emergente do território com os seus gastos nas lojas e esplanadas sofisticadas de Nouméa.

Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou: um monumento à identidade kanak

A meio da tarde, a meteorologia atraiçoa o lazer balnear da população. Nuvens escuras como breu aproximam-se vindas dos lados de Vanuatu e soltam um dilúvio fulminante a que os raios e trovões ininterruptos dão ares de apocalipse nunca anunciado.

Por essa altura, entramos no Centro Cultural Tjibaou. Segundos antes de nos refugiarmos sob a estrutura excêntrica do complexo kanak desenhado por Renzo Piano, de longe, a estrutura mais criativa da cidade, atingem-nos umas meras gotas pesadas.

Uma exposição de fotografia exibe imagens históricas da Melanésia (região do Pacífico do Sul que abarca as Ilhas Salomão, a Nova Caledónia, Vanuatu e Fiji) encontrada por antropólogos aventureiros do início do século XX. Ao som da chuva, da trovoada e dos ensaios de músicos kanaks que vão actuar à noite, essas imagens permitem-nos recuar no tempo.

Como aconteceu com tantas outras paragens do Pacífico, foi o inevitável James Cook o primeiro navegador europeu a deparar-se com a ilha de Grande Terre, em 1774. Apesar de já então tropical, a seu ver, a costa acidentada e montanhosa assemelhava-se, à da Escócia, de onde era originário o seu pai. Cook decidiu, por isso, baptizá-la com o nome latino daquele território.

No século XIX, baleeiros começaram a operar a partir do litoral da principal ilha do arquipélago, bem como comerciantes de sândalo. A matéria-prima esgotou-se entretanto mas, à medida que outras ilhas em redor eram colonizadas pelos britânicos, estes incrementaram o blackbirding. Dedicaram-se a raptar nativos da Melanésia para os usar como escravos nas plantações de cana-de-açúcar de Fiji e da província australiana de Queensland. Com o tempo, as vítimas e todos os povos nativos da Oceânia seriam chamados de kanakas, segundo a palavra havaiana para “homem”. 

Após a anexação francesa da Nova Caledónia, conseguida por Napoleão III em competição acérrima com os ingleses, o termo viria a ser encurtado para kanak e começou a ser usado de forma pejorativa pelos colonos. Em reacção ao preconceito, a população autóctone adaptou-o com orgulho, para se auto-definir e à sua nação.

“Bonjour monsieur, madame” saúdam-nos as funcionárias melanésias na recepção do Centro Cultural Jean Tjibaou. O cumprimento é formalmente educado. Soa à delicada e tantas vezes forçada compostura gaulesa em vez de à timidez típica dos indígenas e diz muito do dilema em que vivem actualmente os kanaks.

Dois anos antes, tínhamos visitado  Vanuatu, um vasto reduto insular também colonizado pelos franceses, em condomínio com os britânicos, até 1980. E, apenas algum tempo depois de aterrarmos em Nouméa, espanta-nos já a distância civilizacional que separa aquele arquipélago da Nova Caledónia, apesar da proximidade geográfica e étnica dos seus povos, ambos, alguns séculos antes, selvagens e canibais. 

Por razões históricas e políticas, os franceses influenciaram a paisagem e a cultura da Nova Caledónia de uma forma bem mais forte. Marcaram presença com uma comunidade crescente de caldoches e metros e, mais tarde, com empresas e instituições importadas da metrópole. Hoje, como no passado, muitos kanaks duvidam ou discordam dos benefícios da presença francesa e do estatuto de colectividade francesa especial atribuído à sua nação.

Reexaminam os ideais e a contestação do padre-mártir Jean-Marie Tjibaou que deixou os estudos de Sociologia na Universidade Católica de Lyon e regressou à Nova Caledónia para liderar um processo de revolução cultural que visava recuperar a dignidade do povo kanak e perseguir a independência.

Tjibaou abandonou a vocação religiosa por considerar que, à época, “era impossível a um padre tomar posição, por exemplo, a favor da restituição das terras ao povo kanak. Entre outras formas posteriores de luta, liderou, em 1975, a Manifestação Melanésia 2000 que agrupou, no lugar do centro que o homenageia, todas as tribos da Nova Caledónia.  

Tendo sido evitada, em última instância, uma eminente guerra civil entre os nativos e os colonos, assinou, em Paris, em 1988, os Acordos de Matignon que estabeleceram um período de desenvolvimento de dez anos com garantias económicas e institucionais para a comunidade kanak, antes que os neo-caledonianos se pronunciassem sobre a independência.

Passado esse período, um novo acordo foi aprovado pela população e assinado em Nouméa, sob a égide de Lionel Jospin. Previa a transferência de soberania, em 2018, e a independência em todos os domínios excepto a defesa, a segurança, a justiça e a moeda.

Jean-Marie Tjibaou já não esteve presente em nenhum dos acordos pós-Matignon. Foi assassinado, na ilha de Ouvéa por um independentista radical, que se opunha às cedências do líder.  

À Descoberta da Grande Terre

Antes de deixarmos Nouméa, passamos pelo aeroporto para tratar de burocracias relacionadas com o aluguer do carro. E o funcionário ao balcão, dono de um visual eternamente juvenil que lembra o de Jean-Paul Belmondo não disfarça a sua curiosidade: “E que fazem dois portugueses na Nova Caledónia, coisa tão rara?”

Exulta, depois, com a resposta: “Repórteres? Olha que maravilha! É óptimo que nos promovam lá na Europa. Sabem que os franceses não ligam muito a isto. Para terem uma ideia, quando a TV francesa emite imagens das passagens de ano do Pacífico, mostram sempre Sydney e ignoram-nos, quando a nossa festa até acontece antes da de Sydney.”

Tomamos a auto-estrada em direcção a norte. Desvendamos as primeiras planícies e colinas verdejantes da La Brousse, a vastidão rural da Grande Terre de que os caldoches se apoderaram e continuam a explorar. A caminho de La Foa e de Sarraméa, a selva impenetrável que cobre ainda a maior parte do arquipélago Vanuatu vizinho, foi ali substituída por pastos sem fim percorridos por grandes manadas de vacas. Para as conduzirem, os cowboys caledonianos recorrem cada vez mais a carrinhas pick-up e a motos-quatro, em vez dos clássicos cavalos. 

A auto-estrada dá lugar a estradas convencionais, bem mantidas, que os locais, aborrecidos pelas distâncias, percorrem a enorme velocidade. O nome não engana. A Grande Terre é realmente grande. Feitas as contas surge no ranking geográfico como 52ª ilha do mundo, 22ª do Pacífico e tem o dobro do tamanho da Córsega.  Precavidos, continuamos para norte, na esperança de vislumbramos o coração de Voh – a capa do ilustre livro “A Terra Vista do Céu” de Yann Arthus-Bertrand – e explorar os cenários circundantes. Mas a realidade depressa desfaz qualquer romantismo.

Outro dos nomes dados pelos franceses à Grande Terre é Le Caillou, em português, O Calhau. Em Voh, tivemos oportunidade de perceber porquê.

O solo da ilha contem uma enorme riqueza de elementos e minerais industriais críticos, incluindo um quarto do níquel do mundo. A prospecção e mineração são visíveis um pouco por todo o lado mas a região de Voh concentra a actividade e a sua paisagem foi inevitavelmente revolvida e ferida.

O coração vegetal, esse, surge num pequeno mangal próximo das minas mas, como indicia o livro de Arthus-Bertrand, só é detectável do ar e em condições meteorológicas específicas.

Regressamos, assim, para sul, com Bourail em vista. Um vale verdejante conduz a uma praia ampla em que o litoral, por caprichos geológicos, surge ligeiramente abaixo do nível do mar. Repetem-se os aviso de perigo em caso de tsunami mas nenhum dos donos das vivendas ali instaladas se parece preocupar, ocupados com os jardins e os churrascos.

Logo ao lado, o Pacífico castiga a Baie des Tortues com as primeiras ondas a sério que vimos na Grande Terre que, como toda a Nova Caledónia, é protegida pela maior lagoa fechada do Mundo.

Percorridos alguns quilómetros adicionais no mato da La Brousse e chegamos a Pouembout, povoação em que tem início uma das possíveis travessias longitudinais da ilha. Internamo-nos e contornamos as montanhas para revalidar a visão de uma natureza com máculas evitáveis.  

Ao longo do caminho, pequenos exércitos de kanaks trabalham na berma da estrada, a cortar a vegetação resiliente que o clima tropical renova. Em plena época de monção do Pacífico do Sul, a chuva instala-se e some-se consoante o declive no percurso e dá a mais preciosa das contribuições.

Uma hora mais tarde, chegamos a Touho, na costa este da Grande Terre.

Naquele lado, a atmosfera cozinha a humidade e o calor como numa panela de pressão, fenómeno reforçado pela retenção da selva agora compacta e pela ausência de vento que faz do Pacífico interno ao largo (envolto por uma barreira de recife longínqua) uma espécie de mar morto.

Prosseguimos por uma via sombria e estreita em que surgem, a espaços, novos tribus – lugarejos ou aldeias kanaks – tranquilos, ou apenas as suas casas, identificadas por bancas de venda pouco preenchidas ou por estendais que exibem os padrões étnicos garridos das roupas indígenas.

Hienghène é a primeira povoação digna desse nome que encontramos no nordeste da ilha. E, se a população se prova, ali, maioritariamente kanak, a intromissão da modernidade francesa faz-se, de novo, sentir.  Várias mulheres que conversam agrupadas no mercado local formam um curioso conglomerado de vestidos folclóricos. A discussão flui animada sob a sombra do edifício branco polido mas não se vislumbra ou sente um verdadeiro ambiente de comércio tribal, como o que em tempos animou a região. Em vez, kanaks, caldoches e metros compram baguetes nas pequenas mercearias contíguas. Comprova-se, dessa maneira, a predominância funcional da francofonia por toda a Grande Terre.

O nordeste prolonga-se, no mapa, para cima de Hienghène, adornado por montanhas costeiras imponentes que só o Mont Panié bate em altitude. E quebrado por rios escuros perdidos na selva, como Ouaiéme que, ao jeito modernizado do imaginário Camel, é regularmente cruzado por uma balsa a motor.

Ouaiéme marca o limite setentrional que havíamos traçado para a exploração da Grande Terre. Investigadas mais uma ou outra das suas vistas exóticas, invertemos marcha para regressar a Nouméa. Algures nas imediações do Pacífico do Sul, aguardava-nos a Île des Pins, um dos recreios idílicos perfeitos da Nova Caledónia.

Lifou, Ilhas Lealdade

A Maior das Lealdades

Lifou é a ilha do meio das três que formam o arquipélago semi-francófono ao largo da Nova Caledónia. Dentro de algum tempo, os nativos kanak decidirão se querem o seu paraíso independente da longínqua metrópole.

Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Pentecostes, Vanuatu

Naghol: O Bungee Jumping sem Modernices

Em Pentecostes, no fim da adolescência, os jovens lançam-se de uma torre apenas com lianas atadas aos tornozelos. Cordas elásticas e arneses são pieguices impróprias de uma iniciação à idade adulta.

Honiara e Gizo, Ilhas Salomão

O Templo Profanado das Ilhas Salomão

Um navegador espanhol baptizou-as, ansioso por riquezas como as do rei bíblico. Assoladas pela 2a Guerra Mundial, por conflitos e catástrofes naturais, as Ilhas Salomão estão longe da prosperidade.

Guadalupe

Um Delicioso Contra-Efeito Borboleta

Guadalupe tem a forma de uma mariposa. Basta uma volta por esta Antilha para perceber porque a população se rege pelo mote Pas Ni Problem e levanta o mínimo de ondas, apesar das muitas contrariedades.

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Espiritu Santo, Vanuatu

Divina Melanésia

Pedro Fernandes de Queirós pensava ter descoberto o grande continente do sul. A colónia que propôs nunca se chegou a concretizar. Hoje, Espiritu Santo, a maior ilha de Vanuatu, é uma espécie de Éden.

Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Em Ouvéa, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Praia soleada
Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Aurora ilumina o vale de Pisang, Nepal.
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Celebração newar, Bhaktapur, Nepal
Cerimónias e Festividades
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Canal de Lazer
Cidades

Amesterdão, Holanda

Numa Holanda Surreal (Sempre a Mudar de Canal)

Liberal no que a drogas e sexo diz respeito, Amesterdão acolhe uma multidão de forasteiros. Entre canais, bicicletas, coffee shops e montras de bordéis, procuramos, em vão, pelo seu lado mais pacato. 

Basmati Bismi
Comida

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China
Cultura
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Vendedores de fruta, Enxame, Moçambique
Em Viagem
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Étnico
Circuito Anapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com agrado.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Épico Western
História

Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos E.U.A. Hoje, na Navajo Nation, os navajos também vivem na pele dos velhos inimigos.

Vale de Kalalau
Ilhas

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Suspeitos
Literatura

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Uma Busca solitária
Natureza

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Caminhada Solitária
Parques Naturais

Mérida, Venezuela

Nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.

Cortejo garrido
Património Mundial UNESCO

Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Monumento do Heroes Acre, Zimbabwe
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Pura Vida em risco
Praias

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

As forças ocupantes
Religião

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
À sombra da árvore
Sociedade

PN Tayrona, Colômbia

Quem Protege os Guardiães do Mundo?

Os indígenas da Serra Nevada de Santa Marta acreditam que têm por missão salvar o Cosmos dos “Irmãos mais Novos”, que somos nós. Mas a verdadeira questão parece ser: "Quem os protege a eles?"

O projeccionista
Vida Quotidiana

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Vida Selvagem
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Voos Panorâmicos
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.