Savuti, Botswana

O Domínio dos Leões Comedores de Elefantes


Caminhada Suprema

Elefante percorre uma estrada de terra batida numa tarde quente do Savuti.

E abrem as caçadas

Pôr-do-sol anuncia mais um período de actividade dos leões, à caça de elefantes e de outras presas do Savuti.

Panthera leo

Leão avança portentoso pela savana, em horas da tarde pouco indicadas para caçar.

O grande Kalahari

Uma estrada corta a imensidão semi-ressequida do deserto do Kalahari, um dos maiores desertos do sul de África.

Espécie de hamburgueria

Impalas dispersas na savana, sempre atentas aos movimentos dos predadores nas redondezas

Uma caravana conveniente

Manada de impalas cruza a paisagem amarelada da savana do Savuti, em permanente perigo de vida.

Fred, o ranger corajoso

Fred, um ranger do Savuti perscruta a savana do Savuti em busca dos seus predadores mais poderosos.

Abrigo e camuflagem

Gazela protege-se das várias ameaças entre o capim mais alto da savana

Um Listado inconveniente

A listagem de uma zebra, péssima como camuflagem entre o ervado alto e contra a vegetação verde.

Avis struthius (pardal grande)

Avestruz de grande porte prepara-se para acelerar em fuga.

Rei dos necrófagos

Hiena observa a paisagem, atenta a sinais de animais vulneráveis ou já mortos.

Um retalho do deserto do Kalahari seca ou é irrigado consoante caprichos tectónicos da região. No Savuti, os leões habituaram-se a depender deles próprios e predam os maiores animais da savana.

Novo dia, novo lodge, com a variante de fazermos o primeiro trajecto de Cessna sobre o deserto do Kalahari. Espera-nos o Savuti Safari Lodge, localizado a 45 minutos de voo, na orla sudoeste do PN Chobe.

A perspectiva picada de África permitiu vislumbrar, em grande escala, a semi-aridez do Kalahari, as mudanças de tons e padrões da terra e da vegetação devido à maior ou menor quantidade de água no sub-solo; a devastação generalizada das árvores baixas e arbustos, causada pela passagem das manadas de elefantes, as intermináveis estradas de areia, tão problemáticas e rectas quanto as fronteiras traçadas na Conferência de Berlim.

Aterramos numa pequena pista de terra perdida na vastidão do Botswana. Daí, somos conduzidos em jipes até ao Savute Safari Lodge e recebemos novo briefing repetindo-se o aviso de que os animais entravam no lodge e, de que a partir do pôr-do-sol, só podíamos circular, entre edifícios, acompanhados por funcionários.

Em seguida, recolhemos aos quartos e qual não é o espanto quando constato que o meu fica a uns escassos metros de um conjunto de poças ocupadas por elefantes. Já tínhamos experimentado diversos tipos de safaris mas assistir às peripécias da vida animal sentado na varanda ia ser inédito. Como se não bastasse, sou informado que, naquelas poças, tinham sido filmadas várias cenas do Episódio 2 da famosa série "Planet Earth", da BBC, o documentário que deu a conhecer ao mundo os leões assassinos de elefantes do Savuti.

Nessa mesma noite, grande parte dos hóspedes fica de plantão numa esplanada construída para que pudessem seguir a acção confortavelmente instalados, a beber o seu copo. Não temos sorte. Os elefantes cumprem à risca o papel de presas mas as vedetas recusam-se a aparecer.

O cansaço causado pela viagem e os sucessivos despertares madrugadores acaba por cobrar o seu preço. Mesmo se os leões tivessem atacado, já não estávamos lá para acompanhar.

No game drive da manhã seguinte, além de incontáveis hambúrgueres da savana – as impalas -, das zebras, gnus e girafas, encontramos praticamente todas as espécies mais raras do Savuti a que se juntam clãs ociosos de leões com crias. Caçadas é que nem vê-las.

Talvez para compensar, Fred, o motorista e guia local que nos conduz, resolve abordar três hienas que se nos atravessam no caminho.

Pára o Land Rover, desce e começa a gatinhar em direcção a elas, provocando a sua curiosidade com sons estranhos. Nós ficamos no jeep, incrédulos, a registar a cena. A determinada altura, pergunta-me se também quero descer e, de um momento para o outro, dou comigo a gatinhar atrás dele e a fotografar. A situação tem o seu quê de engraçado e ao mesmo tempo, preocupante. A cada investida provocatória de Fred, as hienas afastam-se alguns passos. Assim que o guia se imobiliza, ameaçam elas investir para, depois, se deterem. O confronto vai-se repetindo, agravado pelos nossos grunhidos. Mais curioso que as hienas para saber que raio de animal estávamos, afinal, a imitar, acabo por perguntar. É então que Fred informa com eloquência e a maior das tranquilidades: “It’s just any kind of dying animal. As you know, hyenas are scavengers, they’re attracted by all dying creatures”. Era tudo o que precisava de ouvir. Antes da próxima investida, aviso o guia que me demito e regresso à segurança do Land Rover.

 

Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.
PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.

PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.

Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.

Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Masai Mara, Quénia

Um Povo Entregue à Bicharada

A savana de Mara tornou-se famosa pelo confronto entre os milhões de herbívoros e os seus predadores. Mas, numa comunhão temerária com a vida selvagem, são os humanos Masai que ali mais se destacam.

Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.

Victoria Falls, Zimbabwe

O Presente Trovejante de Livingstone

O explorador procurava uma rota para o Índico quando nativos o conduziram a um salto do rio Zambeze. As quedas d'água que encontrou eram tão majestosas que decidiu baptizá-las em honra da sua raínha

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Bungee jumping, Queenstown, Nova Zelândia
Aventura
Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades radicais reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.
Nana Kwame V, chefe ganês, festival Fetu Afahye, Gana
Cerimónias e Festividades
Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.
Teatro de Manaus, Brasil
Cidades
Manaus, Brasil

Os Saltos e Sobressaltos da ex-Capital Mundial da Borracha

De 1879 a 1912, só a bacia do rio Amazonas gerava o latex de que, de um momento para o outro, o mundo precisou e, do nada, Manaus tornou-se uma das cidades mais avançadas à face da Terra. Mas um explorador inglês levou a árvore para o sudeste asiático e arruinou a produção pioneira. Manaus voltou a provar a sua elasticidade. É a maior cidade da Amazónia e a sétima do Brasil.
Muito que escolher
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Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

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