Monte Roraima, Venezuela

Viagem No Tempo ao Mundo Perdido do Monte Roraima


Recompensa Kukenam
Participantes de uma expedição recuperam do cansaço no rio Kukenam.
No Caminho Certo
Sombra de caminhantes no trilho que conduz à base do Monte Roraima.
Gran Sabana
Vastidão primitiva da Gran Sabana, cenário de filmes como "Jurassic Park".
Trilho árduo
Marco Alexis sobe uma ladeira no caminho para o Monte Roraima.
El Fosso
Homem examina e fotografa El Fosso, uma cratera criada pela erosão na superfície do Monte Roraima.
Cascata El Pozo
Riacho gerado pelas chuvas frequentes flui para o interior da cratera El Pozo.
Sobre a Tripla Fronteira
Guia guianês Marco examina a vastidão rochosa do Monte Roraima do cimo do marco que assinala a tripla fronteira da Venezuela, Brasil e Guiana.
Pântano ervado
Uma das raras superfícies cobertas de vegetação do Monte Roraima.
Apreensão Meteorológica
Guia Marco examina o manto de nuvens a instalar-se entre os tepuys Roraima e Kukenam.
Vista abrupta
Carregadores olham para o penhasco vertical que os separa do cimo do Monte Roraima.
Apreensão Meteorológica II
Guia Marco examina o manto de nuvens a instalar-se entre os tepuys Roraima e Kukenam.
Predadora vegetal
Planta carnívora na superfície do Monte Roraima.
Faxina ao ar livre
Auxiliar de guia prepara-se para lavar loiça num rio com vista para o tepuy Kukenam.
A meio da ascensão
Participante de uma expedição examina os penhascos verticais do Monte Roraima.
El Fosso II
Vista de um fosso enorme escavado pela erosão na superfície do tepuy.
Em fila
Grupo caminha ao longo de uma saliência rochosa.
Descanso merecido
Guia repousa em plena rampa final para o cimo do Monte Roraima.
Vegetação pré-histórica
Enormes plantas endémicas projectadas do solo superficial do Monte Roraima.
Colinas ervadas
Cenário verdejante próximo do acampamento base, no sopé do Monte Roraima.
Perduram no cimo do Mte. Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.

A caminhada ainda não tinha começado quando surgem as primeiras queixas. Deixámos Santa Elena de Uairén – a cidade mais próxima da fronteira entre a Venezuela e o Brasil – num 4×4 que o condutor fez questão de levar aos limites.

Se na estrada asfaltada e larga saíamos das curvas praticamente a derrapar, depois do desvio para o trilho de terra que levava a Paraitepui, o desafio passou a ser proteger o corpo dos saltos que o jipe dava sobre os buracos e desníveis.

Günther, o alemão do grupo, já tinha acordado algo indisposto, segundo suspeitava graças a alguma empanada demasiado frita do dia anterior. Não aguentou. Algo contrariado, o condutor lá parou e pudemos todos recuperar do cataclismo motorizado.

Dez minutos depois, estávamos de novo em condições de prosseguir. Faltavam 15 quilómetros para chegarmos ao ponto de partida do itinerário.

A pequena escola de Paraitepui surge numa encosta. Daí para a frente, sucedem-se dezenas de cabanas típicas da região. Os habitantes não mostraram qualquer reacção à invasão dos forasteiros.

Malgrado o chamariz dos dólares, euros e bolívares aqui deixados pelos visitantes, a aldeia faz o possível para proteger o que resta da sua identidade cultural. Fotografar os seus membros, interior de habitações ou outros domínios privados é algo que só uma compensação financeira à altura da desfeita pode conseguir.

De acordo, seguimos sem paragens até uma espécie de quartel-general improvisado para acolher os grupos e tratar dos últimos preparativos. Faltava quantificar o que havia para transportar. E apurar quantos carregadores seriam necessários. Foi algo de que se encarregou, Marco Alexis, o guia nativo.

Marco estava habituado a acumular funções e a encarregar-se dos mantimentos e utensílios essenciais.

Como tal, decidimos em conjunto contar apenas com um homem adicional. Ouvimos algumas suas derradeiras indicações. Por fim, colocámos as mochilas às costas. Desde a chegada a Paraitepui que víamos, à distância, o objectivo da expedição. Chegara a hora de o perseguir.

Não fossem os jéjenes que infestam esta zona do norte da Venezuela, demoníacos mosquitos imunes aos repelentes convencionais e os quilómetros iniciais do percurso, sempre a descer, teriam sido um passeio.

Depois de atravessarmos um primeiro curso de água, aos mosquitos juntaram-se duas ou três subidas que exigiram esforço máximo. Até ao cume, nenhuma etapa nos pareceu tão desgastante como a primeira.

Sentíamos um cansaço a que Marco Alexis e o tio Manuel, habituados a repetir a jornada de ida e volta, já eram imunes mas que o primeiro sabia ser extremo para a maior parte dos viajantes que se metem nestas aventuras.

De acordo, o guia determinou a primeira paragem para descanso. Após servir guloseimas achocolatadas que repuseram, de imediato, as energias, transmitiu algumas informações suplementares.

Os Tepuis da Savana Venezuelana e os Indígenas que nunca foram Pemón

Tudo se passava no estado venezuelano de Bolívar. Mais precisamente numa região remota que entra pelos territórios brasileiro e guianês, denominada Gran Sabana.

Das centenas de tepuis (mesetas rochosas) existentes na Gran Sabana, tínhamos como destino o cimo do mais elevado (2723m), o Monte Roraima. Um “irmão”, de nome Kukenan, apenas 123 metros mais baixo, afirmava-se logo ao lado.

Entre eles, há uma espécie de desfiladeiro orientado de norte para sul. Dali, as nuvens oriundas do Atlântico espreitavam e, de tempos a tempos, invadiam a paisagem. Os penhascos verticais que separam os topos do Monte Roraima do solo ultrapassam os 500 metros de altura. Estabelecem uma fronteira que foi, durante muitos milénios, inexpugnável.

Em termos de extensão, nem o Roraima nem o Kukenan se podem comparar aos maiores tepuis existentes à face da Terra. Um destes, o Auyantepui é conhecido por ser do seu topo que mergulha a queda de água mais alta do Mundo, o Salto Angel, com 989 metros.

Ora, o Auyantepui abrange uma área de 700km². São quase vinte vezes os 34km² ocupados pelo Monte Roraima.

Cerca de doze quilómetros depois de Paraitepui, chegamos ao primeiro acampamento intermédio, junto ao rio Tok. Marco Alexis e um outro tio, também ele de apelido Alexis – uma espécie de guru do Monte Roraima preparam um jantar que o grupo devorou num ápice.

Logo, juntaram-se ao grupo, reforçaram a boa disposição geral e ofereceram uns goles de rum que nos anestesiaram do cansaço acumulado.

Alexis descartou alguma timidez inicial. Fez impor a sua sabedoria da savana e desbobinou uma série de contos e informações fascinantes. Destas, chamou-nos a atenção o descontentamento dos indígenas perante o termo “Pemón”, universalmente aceite pelos estrangeiros para os denominar.

Segundo fez questão de nos explicar, “Pemón” significa, num dialecto local, “os humanos”. foi a expressão utilizada pelos índios no primeiro encontro com europeus, para responder a uma questão do género “Quem são vocês?”.

Alexis voltou a realçar que não existe nem nunca existiu um grupo de índios Pemón. Mesmo contra a sua vontade, basta uma breve pesquisa na Internet para constatar como a palavra é usada de forma viral em qualquer texto sobre esta região da América do Sul.

A Caminho da Segunda Base e do Sopé do Tepui Monte Roraima

Apesar de alguma chuva e da trovoada rimbombante, nessa primeira noite, conseguimos dormir e recuperamos do forte desgaste muscular. Às seis e pouco da manhã estávamos prontos para percorrer os mais dez quilómetros até à segunda base, já situada no sopé do Monte Roraima.

Ainda era cedo quando chegámos à margem do rio Kukenan. Àquela latitude quase equatorial, o sol já nos queimava a pele sem cerimónia. Consciente da dificuldade crescente da caminhada, Marco deu-nos autorização para um mergulho. “Mesmo com tanta fotografia, são um grupo rápido!”, elogiou-nos. “Merecem a recompensa!”

Em pleno rio Kukenam, constatamos que a vista longínqua dos “manos” tepuis se tinha transformado numa imagem bem dotada de formas e cores. Daí para a diante, o caminho foi cumprido sempre a subir e debaixo de um sol cada vez mais cruel. Por essa altura, já ninguém se lamentava.

Conversa puxa conversa, atingimos o acampamento base.

À Descoberta do Cimo Extraterrestre da Ilha no Tempo do Monte Roraima

As tardes e noites ali passadas tiveram como tema incontornável de debate a localização da rampa para o topo. Malgrado a proximidade relativa, continuávamos a achar difícil acreditar que, no dia seguinte, chegaríamos ao cimo do tepui

Tudo o que sobressaia da rocha vertical era uma estreita saliência coberta de arbustos em que o equilíbrio parecia impossível. Os mais ansiosos começaram então a imaginar momentos de pura vertigem, de suspensão entre a parede e o abismo e a centenas de metros de altura.

Com a melhor das oportunidades, os guias não tardaram a presentear o grupo com novo jantar altamente calórico e mais alguns tragos do bom rum caribenho.

O último assalto fez-se entre a vegetação selvagem que cobria a encosta mesmo até ao paredão de rocha. Cumprimo-lo por um trilho em que se alternavam troços quase verticais que exigiam locomoção “quadrúpede” com outros, mais suaves, que se venciam com facilidade de pé.

De quando em quando, surgiam mais pequenos riachos e quedas d’água que sugeriam descanso e reabastecimento. Em duas ou três ocasiões, também passamos por zonas livres de mato que nos permitiram contemplar a vastidão da Gran Sabana.

Após um trecho final traiçoeiro que nos obrigou a caminhar apoiados no penhasco, com cuidado redobrado para evitarmos o resvalamento de pedras, conquistámos o topo.

Tiradas as fotos da praxe, impôs-se que achássemos o lugar em que iríamos passar a noite. Com esse objectivo em mente, Marco inaugurou uma bem mais exigente liderança na superfície do Monte Tepui.

Mesmo antes avisados, foi com surpresa que nos deparámos com a crueza do “Hotel”, uma simples reentrância numa falésia com espaço suficiente para as tendas e que assegurava relativa protecção contra a chuva e o vento. Ali nos instalámos sem caprichos. E dormimos.

Marco desperta-nos sobre o nascer do sol.

Tinha já preparado um novo pequeno-almoço bem venezuelano de arepas, huevos revueltos e café. A refeição durou pouco. A vontade de explorar sobrepunha-se a tudo. Como tal, quinze minutos depois, entregámo-nos ao cenário surreal.

O percurso revelou-se, uma vez mais, complexo. As fracturas na rocha sucediam-se, profundas. Alternavam com grandes cristas intransponíveis, longas superfícies com padrões de fragmentação, cursos de água, vales alagados e outras formações problemáticas.

Paramos pela primeira vez em El Foso, um enorme buraco circular para onde corria um riacho que mesmo antes de se juntar a lençóis subterrâneos, se transformava em lagoa.

Em seguida, alcançámos o Vale dos Cristais, como o nome indica, uma área coberta de cristal bruto em que se destacavam algumas esculturas naturais impressionantes.

Prosseguimos para norte. Contornamos, os vastos “Labirintos”. Ali, a negrura impressionante do Roraima torna-se mais densa. Parece não ter fim, um efeito gerado pela sucessão de milhares de blocos irregulares de rocha, intercalados com fendas suficientemente amplas para permitir a passagem.

Como Marco nos confessou, aquele era um reduto misterioso e algo perigoso em que nem os próprios guias se sentiam à vontade. A explicação, substanciada pelos exemplos das várias pessoas desaparecidas para sempre nos topos do Roraima e do “irmão” Kukenam, frustrou qualquer exigência ou iniciativa rebelde.

Manteve-nos na direcção do principal objectivo da expedição.

A Tripla Fronteira Disputada do Cimo do Monte Roraima

O lugar em que o Monte Roraima atinge a sua altitude máxima (2.800 m) assinala também a convergência das linhas que separam os territórios da Venezuela, Brasil e Guiana.

Esta fronteira é denominada pelos venezuelanos de BV 0 (Brazil-Venezuela: zero). Está identificada, no terreno, por um marco geodésico que deveria ter assinalados, em cada uma das suas faces, o país correspondente.

Mas a Venezuela reclama, há muito, uma parte significativa do território da Guiana. Por esse motivo, a placa que sinaliza o lado guianense é arrancada vezes sem conta pelos visitantes e guias venezuelanos do Monte Roraima.

A Tripla Fronteira coincidia com o ponto mais setentrional do tepui a que estava previsto chegarmos. Marco não cedeu à pretensão que partilhávamos de continuar em direcção à Proa de onde poderíamos observar a vastidão da savana brasileira e da selva guianense.

O guia aproveitou, inclusive, para dramatizar a sua resposta negativa: “amigos, prefiro dispensar o vosso pânico quando nos virmos perdidos, às escuras, enregelados, sem tendas nem sacos-cama, nesta vastidão agreste”.

Ele, melhor que ninguém, conhecia a realidade. Ao nosso ritmo fotográfico displicente, já seria difícil voltar ao “Hotel” antes do anoitecer, quanto mais metermo-nos em novos desafios.

Muito devido ao desaparecimento de nativos e descobridores forasteiros, o Roraima cedo se envolveu num profundo misticismo, alimentado e divulgado pelas tribos da região cujos relatos enigmáticos vieram a despertar a curiosidade de mais e mais exploradores.

Mesmo confirmada a sua inexistência, os dinossauros e outras criaturas pré-históricas, assim como personagens míticas são um tema recorrente das velhas lendas e estórias improvisadas pelos nativos de etnia Arekuna, Taurepan e Camaracoto.

Desde o meio do século XVIII que essas narrativas fascinavam aventureiros do velho mundo.

É mais que provável que a ascensão pioneira ao topo do Monte Roraima tenha sido feita pelos indígenas, antes da chegada das expedições europeias. Os primeiros registos escritos das tentativas de conquista do topo datam do início do século XIX e comprovam diversas desistências.

Foi apenas em 1838 que o cientista inglês Sir Robert Schomburgk achou forma de subir. Desde então, a lista de visitantes nunca mais cessou de aumentar. A ironia das ironias está em que, apesar de ter escrito e publicado o livro mais famoso sobre o Monte Roraima: “O Mundo Perdido”, Sir Arthur Conan Doyle nunca foi um deles.

Conan Doyle limitou-se a assimilar os relatos dos indígenas e dos primeiros exploradores. Elaborou, assim, uma ficção romantizada protagonizada por um cientista aventureiro e meio louco, o Professor Challenger, que chega a confrontar-se com dinossauros.

O tema d’ “O Mundo Perdido” foi várias vezes adaptado ao cinema e televisão mas a mais famosa das versões cinematográficas é a saga Parque Jurássico, filmada, em parte, nas planícies repletas de palmeiras da Gran Sabana.

A Origem Geológica do Monte Roraima

Como todos os tepuis da região, o Monte Roraima fazia parte da formação Roraima, um gigantesco maciço rochoso com mais de 3.6 biliões de anos gerado pela compressão de várias camadas de areia e sílica provocada por grandes oscilações térmicas.

Esta formação começou a fragmentar-se no fim do Período Jurássico (há cerca de 150 milhões de anos) quando a América do Sul se separou do continente africano.

Nessa era, forças provindas do interior da Terra, causaram fortes movimentações tectónicas que criaram as primeiras fissuras e fracturas na sua superfície.

Ao longo de milhões de anos, novas derivações das placas e uma forte erosão, fizeram com que a maior parte da rocha original fosse arrastada para o mar. Hoje, do gigantesco bloco inicial, resistem apenas algumas pequenas ilhas no tempo, os actuais tepuis da Venezuela, Guiana e Brasil.

Fish River Canyon, Namíbia

As Entranhas Namibianas de África

Quando nada o faz prever, uma vasta ravina fluvial esventra o extremo meridional da Namíbia. Com 160km de comprimento, 27km de largura e, a espaços, 550 metros de profundidade, o Fish River Canyon é o Grand Canyon de África. E um dos maiores desfiladeiros à face da Terra.

Gran Sabana, Venezuela

Um Verdadeiro Parque Jurássico

Apenas a solitária estrada EN-10 se aventura pelo extremo sul selvagem da Venezuela. A partir dela, desvendamos cenários de outro mundo, como o da savana repleta de dinossauros da saga de Spielberg.

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes da Venezuela em Fiesta

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.
Mérida, Venezuela

Mérida a Los Nevados: nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.
PN Tayrona, Colômbia

Quem Protege os Guardiães do Mundo?

Os indígenas da Serra Nevada de Santa Marta acreditam que têm por missão salvar o Cosmos dos “Irmãos mais Novos”, que somos nós. Mas a verdadeira questão parece ser: "Quem os protege a eles?"
PN Canaima, Venezuela

Kerepakupai, Salto Angel: O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra
Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução a partir de 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida foi levada a cabo na Sierra Nevada por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.
PN Henri Pittier, Venezuela

PN Henri Pittier: entre o Mar das Caraíbas e a Cordilheira da Costa

Em 1917, o botânico Henri Pittier afeiçoou-se à selva das montanhas marítimas da Venezuela. Os visitantes do parque nacional que este suíço ali criou são, hoje, mais do que alguma vez desejou
Leão, elefantes, PN Hwange, Zimbabwe
Safari
PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.
Braga ou Braka ou Brakra, no Nepal
Annapurna (circuito)
Circuito Annapurna: 6º – Braga, Nepal

Num Nepal Mais Velho que o Mosteiro de Braga

Quatro dias de caminhada depois, dormimos aos 3.519 metros de Braga (Braka). À chegada, apenas o nome nos é familiar. Confrontados com o encanto místico da povoação, disposta em redor de um dos mosteiros budistas mais antigos e reverenciados do circuito Annapurna, lá prolongamos a aclimatização com subida ao Ice Lake (4620m).
Escadaria Palácio Itamaraty, Brasilia, Utopia, Brasil
Arquitectura & Design
Brasília, Brasil

Brasília: da Utopia à Capital e Arena Política do Brasil

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.
Aventura
Viagens de Barco

Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque e deixe-se levar em viagens de barco imperdíveis como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
cavaleiros do divino, fe no divino espirito santo, Pirenopolis, Brasil
Cerimónias e Festividades
Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por padres portugueses, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações religiosas e pagãs. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.
MAL(E)divas
Cidades
Malé, Maldivas

As Maldivas a Sério

Contemplada do ar, Malé, a capital das Maldivas, pouco mais parece que uma amostra de ilha atafulhada. Quem a visita, não encontra coqueiros deitados, praias de sonho, SPAs ou piscinas infinitas. Deslumbra-se com o dia-a-dia maldivano  genuíno que as brochuras turísticas omitem.
mercado peixe Tsukiji, toquio, japao
Comida
Tóquio, Japão

O Mercado de Peixe que Perdeu a Frescura

Num ano, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Desde 1935, que uma parte considerável era processada e vendida no maior mercado piscícola do mundo. Tsukiji foi encerrado em Outubro de 2018, e substituído pelo de Toyosu.
Cruzamento movimentado de Tóquio, Japão
Cultura
Tóquio, Japão

A Noite Sem Fim da Capital do Sol Nascente

Dizer que Tóquio não dorme é eufemismo. Numa das maiores e mais sofisticadas urbes à face da Terra, o crepúsculo marca apenas o renovar do quotidiano frenético. E são milhões as suas almas que, ou não encontram lugar ao sol, ou fazem mais sentido nos turnos “escuros” e obscuros que se seguem.
Corrida de Renas , Kings Cup, Inari, Finlândia
Desporto
Inari, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final da Kings Cup - Porokuninkuusajot - , confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.
Motociclista no desfiladeiro de Sela, Arunachal Pradesh, Índia
Em Viagem
Guwahati a Sela Pass, Índia

Viagem Mundana ao Desfiladeiro Sagrado de Sela

Durante 25 horas, percorremos a NH13, uma das mais elevadas e perigosas estradas indianas. Viajamos da bacia do rio Bramaputra aos Himalaias disputados da província de Arunachal Pradesh. Neste artigo, descrevemos-lhe o trecho até aos 4170 m de altitude do Sela Pass que nos apontou à cidade budista-tibetana de Tawang.
Vista do John Ford Point, Monument Valley, Nacao Navajo, Estados Unidos
Étnico
Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos Estados Unidos. Hoje, na Nação Navajo, os navajo também vivem na pele dos velhos inimigos.
luz solar fotografia, sol, luzes
Portfólio Fotográfico Got2Globe
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Marcha Patriota
História
Taiwan

Formosa mas Não Segura

Os navegadores portugueses não podiam imaginar o imbróglio reservado a Formosa. Passados quase 500 anos, mesmo insegura do seu futuro, Taiwan prospera. Algures entre a independência e a integração na grande China.
La Digue, Seychelles, Anse d'Argent
Ilhas
La Digue, Seicheles

Monumental Granito Tropical

Praias escondidas por selva luxuriante, feitas de areia coralífera banhada por um mar turquesa-esmeralda são tudo menos raras no oceano Índico. La Digue recriou-se. Em redor do seu litoral, brotam rochedos massivos que a erosão esculpiu como uma homenagem excêntrica e sólida do tempo à Natureza.
Igreja Sta Trindade, Kazbegi, Geórgia, Cáucaso
Inverno Branco
Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbek (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.
Na pista de Crime e Castigo, Sao Petersburgo, Russia, Vladimirskaya
Literatura
São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Petersburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.
Eternal Spring Shrine
Natureza

Garganta de Taroko, Taiwan

Nas Profundezas de Taiwan

Em 1956, taiwaneses cépticos duvidavam que os 20km iniciais da Central Cross-Island Hwy fossem possíveis. O desfiladeiro de mármore que a desafiou é, hoje, o cenário natural mais notável da Formosa.

Sheki, Outono no Cáucaso, Azerbaijão, Lares de Outono
Outono
Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.
Terraços de Sistelo, Serra do Soajo, Arcos de Valdevez, Minho, Portugal
Parques Naturais
Sistelo, Peneda-Gerês, Portugal

Do “Pequeno Tibete Português” às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo a Arcos de ValdeVez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de Pequeno Tibete Português. Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras da Peneda-Gerês.
Mergulhão contra pôr-do-sol, Rio Miranda, Pantanal, Brasil
Património Mundial UNESCO
Passo do Lontra, Miranda, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Sósias dos irmãos Earp e amigo Doc Holliday em Tombstone, Estados Unidos da América
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Promessa?
Praias
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Ulugh Beg, Astrónomo, Samarcanda, Uzbequistão, Um matrimónio espacial
Religião
Samarcanda, Usbequistão

O Sultão Astrónomo

Neto de um dos grandes conquistadores da Ásia Central, Ulugh Beg preferiu as ciências. Em 1428, construiu um observatório espacial em Samarcanda. Os seus estudos dos astros levaram-lhe o nome a uma cratera da Lua.
Composição Flam Railway abaixo de uma queda d'água, Noruega
Sobre Carris
Nesbyen a Flam, Noruega

Flam Railway: Noruega Sublime da Primeira à Última Estação

Por estrada e a bordo do Flam Railway, num dos itinerários ferroviários mais íngremes do mundo, chegamos a Flam e à entrada do Sognefjord, o maior, mais profundo e reverenciado dos fiordes da Escandinávia. Do ponto de partida à derradeira estação, confirma-se monumental esta Noruega que desvendamos.
Uma espécie de portal
Sociedade
Little Havana, E.U.A.

A Pequena Havana dos Inconformados

Ao longo das décadas e até aos dias de hoje, milhares de cubanos cruzaram o estreito da Florida em busca da terra da liberdade e da oportunidade. Com os E.U.A. ali a meros 145 km, muitos não foram mais longe. A sua Little Havana de Miami é, hoje, o bairro mais emblemático da diáspora cubana.
Vendedores de fruta, Enxame, Moçambique
Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Jipe cruza Damaraland, Namíbia
Vida Selvagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos
Seward, Alasca

O Dog Mushing Estival do Alasca

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, o dog mushing não pode parar.
EN FR PT ES