Islândia

Ilha de Fogo, Gelo e Quedas d’água


Fuga de Seljalandsfoss

Um visitante tenta abrigar-se da irrigação forte provocada por uma mudança súbita do vento, junto a Seljalandsfoss.

À beira do meandro

Um dos muitos rios e riachos que percorrem a Islândia.

O caminho para Detifoss

Placa de indicação da queda d'água mais volumosa da Europa, quase totalmente soterrada pela neve.

Padrão Svartifoss

Svartifoss, uma queda d'água que se precipita sobre uma falésia feita de colunas hexagonais esculpidas pela solidificação rápida de lava.

Travessia Forçada

Cavalo islandês atravessa um riacho gélido, durante os últimos dias de Inverno da ilha.

E.T. acrobata

Um estudante nativo vestido de extraterrestre em frente à queda d'água de Seljalandfoss.

À Beira de Gulfoss

Visitantes junto a Gulfoss, uma cascata majestosa do rio Hvítá.

Próximas Paragens

Placa indica 18 distâncias a partir de Bardardalur.

Riacho de Svartifoss

Caudal diminuto de Svartifoss precipita-se junto ao que resta de uma vasta cama de neve e gelo que se manteve nos meses anteriores.

Godafoss

A queda d'água em que o chefe Thorgeir Ljósvetningagodi se livrou dos antigos deuses pagãos.

A caminho de Myvatn

Ponte sobre o rio Svarta, em Bardardalur e nas imediações da queda d'água Godafoss.

A catarata suprema da Europa precipita-se na Islândia. Mas não é a única. Nesta ilha boreal, com chuva ou neve constantes e em plena batalha entre vulcões e glaciares, despenham-se torrentes sem fim.

Há muito que deixámos de vislumbrar o casario baixo de Akureyri e só ínfimos retalhos do riacho que acompanha o trecho setentrional da Ring Road por que seguimos se mantêm libertos do sufoco invernal.

A alvura não abafa um bruar crescente nem a n

évoa que vislumbramos a esvoaçar ao longe. Ao fim de muitos quilómetros de vertigem, o rio Skjálfandafljót sofre, ali, o mais dramático dos tropeções geológicos a que o submete o seu percurso do domínio supremo de Bárdarbunga à baía de Skjálfandi.

Cruzamos a ponte que o atravessa e estacionamos. Caminhamos sem tacto nem fé sobre neve com 40 cm de altura e, apesar da sensação de eminente colapso, atingimos a margem elevada. Daquela posição algo traiçoeira, desvendamos o esplendor semi-congelado e estalactítico de Godafoss, a cascata dos deuses.

O anfiteatro desta catadupa tem cerca de 30 metros. Ligeiramente amortecida antes da queda de 12 metros, a água do Skjálfandafljót parece solidificar a olhos vistos e retoca uma escultura que o frio molda desde os primeiros dias de Novembro.

Faça que temperatura fizer, Godafoss será sempre um monumento natural incontornável da Islândia. O seu nome mitológico tem justificação num dos livros mais antigos e reputados da história da ilha. Narra o Íslendingabók que, por volta do virar do primeiro milénio, a sua população teve que decidir se preservava o paganismo norueguês ou abraçava a cristandade. Depois de um dia e uma noite de meditação silenciosa debaixo de uma manta de peles, um legislador e chefe de nome Thorgeir Ljósvetningagodi – ele próprio até então pagão – escolheu converter-se à cristandade. No regresso à sua quinta em Ljósavatn, lançou nas águas revoltas da queda d´água os ídolos divinos que descartara. 

O itinerário prossegue por Sprengisandur e conduz-nos ao reduto vulcânico de Myvatn. Exploramos a sua superfície lunar ora encharcada ora gelada e continuamos para leste.

A determinada altura, detectamos um conjunto de indicações rodoviárias. Apesar de enormes, só o seu topo permanece a descoberto da neve acumulada. Percebemos que Detifoss, a catarata mais volumosa da Europa está apenas a 24 km para norte e mantemos o alento de a alcançarmos. Mas, uma placa vermelha à entrada do desvio informa que não existe serviço invernal de limpeza de neve e que a via secundária pode estar intransitável. Bastam uns minutos para nos debatermos com camadas de neve invencíveis. Rendemo-nos às evidências e voltamos à Ring Road.

Contornamos vários dos fiordes profundos que recortam a costa leste. Naquelas paragens, mais a chuva do que a neve irriga inúmeros véus de noiva que escorrem do topo de falésias verdejantes. Esta profusão intensifica-se com a proximidade do extremo oriental do glaciar Vatnaj­­ökkull, eterna fonte de vida da ilha do fogo e do gelo. 

Exploramo-lo a partir da lagoa Jokullsarlon, de onde os seus icebergs mais aventureiros zarpam para o Atlântico. Depois, viajamos até Skaftafell.

Chove a cântaros mas um aviso no parque de estacionamento improvisado dá conta que a continuação da estrada é restrita a empregados do parque nacional. Entregamo-nos, assim, ao trilho escorregadio e ao aguaceiro durante quase 2 km. Quando chegamos à confluência com o fim real da via asfaltada, percebemos que éramos os únicos visitantes semi-encharcados e a respeitar a indicação.

Para compensar, o alvo fluvial que se segue está iminente. Acercamo-nos e percebemos, numa escala mais digna, a sua excentricidade poligonal. Ao contrário das quedas d’água antecedentes, o fluxo de Svartifoss prova-se insignificante. Mas, como aconteceu noutras partes raras do mundo, a solidificação da lava deu-se ali em condições improváveis. Gerou paredões em arco, compostos de estranhas colunas hexagonais e em permanente risco de derrocada. 

Volta a chover. Primeiro só a cântaros, depois a cântaros e também sob a forma de um granizo sensorialmente pontiagudo. Batemos em retirada.

Passamos incontáveis granjas agrícolas em alternância com as vastidões aluviais deixadas por sucessivos degelos dos glaciares a norte. Faz sol, neva, chove, volta a nevar e a fazer sol. Também se sucedem os cenários deslumbrantes porque passamos. Mesmo assim, temos dificuldade em respeitar o limite de 90 km/h da interminável Ring Road. 

Estamos a caminho de Skogafoss quando, escondido numa berma baixa, o primeiro carro da polícia que víamos fora de Reiquevaique nos manda encostar. “Boa tarde. São de onde?” pergunta-nos o agente alourado enquanto examina os documentos. “Portugal? As coisas por lá não andam propriamente bem, pois não? “ continua com um sarcasmo elegante. “Por cá, já passou o pior mas sabem que as multas nem com a nossa crise baixaram. São horrivelmente caras! Vão-se lá embora mas olhem que é só desta vez. Já devem ter reparado que a Islândia tem coisas em que vale muito mais a pena gastar dinheiro”.

Afastamo-nos da autoridade a uma velocidade teatral e, por algum tempo, conseguimos manter-nos na linha.

Pouco depois, entrevimos Skogafoss encaixada entre falésias recuadas. Seguimos à margem do curso pedregoso a que dá origem e, acompanhados do lado de lá de uma vedação por um cavalo tresloucado, atingimos a sua base sombria. Sentamo-nos e admiramos o salto de 60 metros sobrevoados por andorinhões-pretos. Quando aquela talassoterapia nos parece suficiente, fazemo-nos a um trilho de cabras íngreme e conquistamos um miradouro erguido sobre o último estertor do rio Skógá, numa clara fronteira de plano entre a franja da costa sul e as terras altas do interior.

Seljalandfoss não fica longe. Encontramos a sua queda serpenteante também de 60 m numa arriba perpendicular à estrada. Começamos por a contemplar de uma plataforma lateral. Mas não tarda a instalar-se nova intempérie. O vento, a água da catarata e a mistura de neve e de chuva aliam-se e criam um turbilhão que nos fustiga sem piedade. Deixamos o posto de observação e abrigamo-nos no único lugar a coberto, atrás do seu caudal vertical, dentro da base côncava da falésia.

Tão depressa como se foram, o sol e o céu limpo retornam. Voltamos ao carro desejosos de recuperar o calor corporal, o que fazemos de frente para Seljalandfoss que a luz boreal em permanente oscilação tingia de diferentes tonalidades. Até que, somos surpreendidos por uma inesperada interferência visual. A meio caminho entre o carro e a falésia, uma criatura verde de aparência extraterrestre faz acrobacias, fotografado por um colega terráqueo.

A certo ponto, metade dos visitantes presta-lhe mais atenção que à queda d’água mas o ser verde mostra-se pouco preocupado. Ficamos intrigados. E como o carro a que regressa após o fim da sessão está mesmo ao lado do nosso, não resistimos a questioná-lo. “E.T. eu? Não!!” responde-nos com boa disposição. “Sou dos de cá. Islandês e tudo.” Esta macacada toda deve-se a um projecto da minha universidade em que tive a má ideia de me meter. Chama-se Green Chanel. Depois vamos processar as imagens com software de TV. Mas tenho que fazer estas figuras em mais lugares símbolo da Islândia. Já viram bem a minha sorte?”

Antes do retorno a Reiquejavique, ainda passaríamos por outras quedas d’água. A mais emblemática destas finais, Gullfoss, impressionou-nos pela sua configuração em camadas não tanto pelo volume do caudal do rio Hvitá.

O Inverno chegava, no entanto, ao fim. Dentro em pouco, o intensificar do degelo alimentaria com fartura de água as infindáveis torrentes islandesas.

Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.

PN Thingvelir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Lagoa de Jok​ülsárlón, Islândia

O Canto e o Gelo

Criada pela água do oceano Árctico e pelo degelo do maior glaciar da Europa, Jokülsárlón forma um domínio frígido e imponente. Os islandeses reverenciam-na e prestam-lhe surpreendentes homenagens.
Quedas d'água

Admiráveis Caudais Verticais

Dos quase 1000 metros de altura do Salto dançante de Angel à potência fulminante de Iguaçu ou Victoria após chuvas torrenciais, abatem-se sobre a Terra catadupas de todos os tipos.

Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

PN Canaima, Venezuela

O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra

Victoria Falls, Zimbabwe

O Presente Trovejante de Livingstone

O explorador procurava uma rota para o Índico quando nativos o conduziram a um salto do rio Zambeze. As quedas d'água que encontrou eram tão majestosas que decidiu baptizá-las em honra da sua raínha

Cataratas Iguaçu, Brasil/Argentina

O Grande Splash

Após um longo percurso tropical, o rio Iguaçu dá o mergulho dos mergulhos. Ali, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, formam-se as cataratas maiores e mais impressionantes à face da Terra.

Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando a frota pesqueira de Seydisfjordur foi comprada por armadores de Reiquejavique, a povoação teve que se adaptar. Hoje captura discípulos de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.

Arquitectura & Design
Fortalezas

O Mundo à Defesa

Sob ameaça dos inimigos desde os confins dos tempos, os líderes de povoações e de nações ergueram castelos e fortalezas. Um pouco por todo o lado, monumentos militares como estes continuam a resistir.
Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Bebé entre reis
Cerimónias e Festividades

Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.

A ver a vida passar
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A China Surrealista de Dali

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Protestos Pouco Ortodoxos

Uma construção em Jaffa, Telavive, ameaçava profanar o que os judeus radicais pensavam ser vestígios dos seus antepassados. E nem a revelação de se tratarem de jazigos pagãos os demoveu da contestação

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Comboio para o Meio da Selva

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No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Vida Selvagem
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Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

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Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.