Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa


Indígena Coroado

Um jovem índio Cospes, bem distinto pela sua coroa altiva de penas, sorri para outros do outro lado da rua.

Pauliteiros em Acção

Pauliteiros dançam em honra de São Isidro, o padroeiro dos agricultores, na estrada que liga Mucusún a San Juan, nas imediações de Tostes.

San José de Acequias

Uma das povoações fulcrais dos Pueblos del Sur de Mérida, perdida num vale verdejante percorrido por um rio homónimo.

Danças com Locainas de Santa Rita

Locainas (homens vestidos de damas) dançam em êxtase num canto da praça central de San José de Acequias. As locainas são só algumas das personagens do calendário de festas preenchido dos Pueblos del Sur.

Às compras

Jovem moradora de San José de Acequias recorre a uma velha loja do pueblo, situada numa casa colonial da praça central.

Índios Fuliginosos

Índios Cospes enegrecidos continuam a "resisitir à evangelização hispânica" em Mucusún, um lugarejo nas imediações de San José de Acequias.

Transacção de Pauliteiros

Dois Pauliteros completam um pequeno negócio de ocasião no fim de uma longa exibição das suas artes em honra de San Isidro.

À margem da festa

Carolina segura o filho Jean Alejandro no pátio antigo de uma casa colonial do coração de San José.

Pausa Conveniente

Dois índios Cospes repousam das suas danças em honra da Virgem de Coromoto, junto a uma casa de beira de estrada de Mucusún.

Pauliteiro de Colo

Pai segura um pequeno pauliteiro a quem nem a animação dos congéneres junto a Mucuambin rouba o sono.

Colonial-Milheiral

A avenida de entrada em San José de Acequias.

Amigas Cospes

Jovens mascaradas de indígenas seguem a bordo da caixa de uma pick-up após as danças em honra à Virgem de Coromoto.

A Estrela da Peça

Jovem actriz de San José de Acequias canta num dos trechos musicais da peça juvenil que protagoniza.

Pequeno Pirata y Viajero

Dona Marilin Fernández eleva o seu neto Jean Alejandro junto ao tabuleiro de jogo que lhe mostrava.

Pauliteiro em Serapilheira

Um dos muitos pauliteiros presentes na festa, trajado à sua própria moda.

Capacete não-homologado

Pauliteros rumam a San José, um deles ainda com a sua máscara felpuda assustadora posta, apesar do sol forte que se fazia sentir na região dos Pueblos del Sur.

Paciência de Índio

Nativo dos Pueblos del Sur vestido de índio Cospes aguarda por companheiros para prosseguir para San José de Acequias, onde é suposto a festa continuar.

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

Enquanto descemos das terras elevadas de Mérida (1.610 m) por uma longa estrada de desfiladeiro, o cenário abrigado entre encostas íngremes torna-se, primeiro, mais árido e logo pedregoso e salpicado por cactos. Quase meia-hora de pendente depois, alcançamos Las González e damos com o portal de entrada para os Pueblos del Sur decorado com um painel semi-político que classifica o destino como turístico e, ao mesmo tempo, promove a figura de Marcos Díaz Orellana, o governador bolivariano do estado.

O rio Chama broa por ali, acelerado pelo declive que o faz desaguar ainda mais depressa no lago Maracaibo, de cujas margens a Venezuela extrai a maior parte da sua riqueza petrolífera. 

Atravessamo-lo por uma velha ponte de ferro com aspecto de campanha. Na margem oposta, tem início a ascensão para as montanhas e vales em que se escondia o destino final.

A estrada de asfalto prova-se desgastada, sinuosa e cada vez mais estreita. O desfazer de uma das suas curvas e contracurvas revela-nos um motociclista-artista da região que se havia detido junto a uma paredão argiloso e ali trabalhava numa escultura comemorativa, de canivete em riste e capacete colocado com a viseira para baixo, para se proteger da poeira que a sua escavação provocava.

À conta da paragem propositada do autocarro e da curiosidade do grupo multinacional de passageiros, o trânsito deixa praticamente de fluir.

Somos forçados a prosseguir caminho e voltamos apenas a deter-nos à chegada a um lugarejo de nome Mucusún. Ali, surpreende-nos um bando de nativos enegrecidos trajados apenas com saias de vime e coroas de penas e plumas, todos eles pauliteiros solidários que dançam entregues à música chiadeira de um violoncelista acompanhado por dois tocadores de viola e a uma coreografia que privilegia a soltura de movimentos. 

A exibição destes índios Cospes homenageia a Virgem de Coromoto. Em tempos, os Cospes foram refugiados da colonização e evangelização forçada dos espanhóis. Até que a Virgem lhes apareceu na selva de Guanare em que se refugiavam e os incitou a baptizarem-se a converterem-se. Quase todos os indígenas aceitaram. Não foi esse o caso do cacique – de nome Coromoto – que receava perder a sua importância. Coromoto fugiu mas a Virgem voltou a aparecer-lhe.

Irado, Coromoto tentou agarrá-la mas a Virgem desapareceu, materializada numa pequena estampa vegetal que viria a ser encontrada e venerada pelos venezuelanos. 

Quanto a Coromoto, o cacique foi mordido por uma cobra venenosa. Regressou moribundo a Guanare, onde, em transe, começou a pedir o seu próprio baptismo. Salvo da morte pela Virgem e convertido, tornou-se num apóstolo e rogou a um grupo de índios que ainda resistiam a também se converterem. Mais tarde, já com o nome católico de Ángel Custódio, morreu de velhice.

A dança desenrola-se entre uma plantação elevada e um casario rural oposto, coberto de telhas coloniais envelhecidas. Quando termina, o cacique dos “indígenas” inaugura um discurso o mais pomposo possível – mas, ainda assim, humilde – em que louva a chegada dos visitantes da FITVEN – a feira internacional de turismo venezuelana que havia suscitado toda a encenação – e, acima de tudo, a iniciativa do Ministério do Turismo da sua pátria em fazer daquelas paragens remotas um destino turístico.

Confrontamos Coromoto de câmaras em riste. O cacique regressa ao seu papel de líder dos indígenas fuliginosos. Pega num arco cupídico de madeira e faz-se ainda mais selvagem. Aponta-nos o seu arquinho e a flecha proporcionalmente diminuta. Ao mesmo tempo, esconde a face e emite gritos e uivos de criatura em pânico, intercalados com bufos de fúria.

Acompanhamos o acto até ao índio Cospe lhe pôr cobro. Depois, regressamos ao autocarro benzidos pelo som de uma maraca que passa a tocar na nossa direcção.

Continuamos serra adentro perseguidos por uma carrinha pick up carregada de índios cospes que se haveriam de juntar à festa mais à frente. Chegamos às imediações de Mucuambin e a cena repete-se mas, desta feita, a cores.

Descemos para a beira da estrada e somos prendados com as danças frenéticas de paliteiros, muitos em trajes garridos repletos de franjas, em estilo de caretos das Américas e homenagem a San Isidro, o santo padroeiro dos agricultores. Cada qual exibe o seu visual irreverente, também máscaras que incluem cabeças medonhas de cabra, vaca e outros animais domésticos, eternizações fascinantes de cultos e rituais totémicos dos povos chibcha e arawak com que os colonos espanhóis se debateram no século XVI e que acabaram por aniquilar ou assimilar.

Até bebés se sujeitam à tradição. Vemo-los adormecerem ao colo, em  vestes reduzidas com os mesmos padrões das dos mais velhos enquanto alguns adultos capricham na infantilidade e cavalgam sobre cavalitos de pau no meio de uma roda de pauliteiros incansáveis. Também ali, o espectáculo chega ao seu término. Regressamos mais uma vez à boleia do autocarro da organização. Dessa feita, segue-nos um bando folclórico de motociclistas movidos pela satisfação do dever cumprido.

Vencidas mais umas curvas quase sempre sobre abismos e uma enorme ladeira que atravessa o vale repleto de milharais do rio San José, chegamos à praça central da cidade homónima, aquela que é considerada a povoação nuclear dos Pueblos del Sur. Junto à esquadra de polícia, um mural a negro junta o trio Chávez, Castro e Morales e valida o bolivarianismo da municipalidade com a máxima “No estamos dispuestos a dejarle a nuestros hijos una pátria reducida a escombros por el capitalismo”. 

Uma multidão ansiosa aguardava a vinda da comitiva à sombra das árvores e, alinhada numa diagonal vertiginosa, sob os telheiros do casario secular. Mal damos entrada na praça, em vez de locos, é um batalhão de locainas também com grandes cabeleiras e em longos vestidos antigos de cores vivas que assume o protagonismo.

Fazem ressoar os inevitáveis paulitos uns nos outros. Esse ritmo, sincronizado com o dos tambores, mantém os moradores – habituados àquela animação apenas noutras alturas do ano – sob uma espécie transe.

O dono do negócio mais bem localizado da aldeia, de chapéu de vaqueiro, não se faz rogado e factura muitos bolívares extra, abrigado entre um balcão de madeira envelhecido e prateleiras mal arrumadas.

Também Marilin Fernández, a vizinha do lado, cede ao chamariz do lucro. Aproveita a disponibilidade da sua geleira decana e improvisa a sua própria bodega que assinala com um simples rectângulo de papel escrito a marcador sobre a janela.

“Venham ver o meu forno de lenha!”. Convida-nos para compensar a  resistência rebelde da sua mais jovem filha ao convívio com os forasteiros. Não pensamos duas vezes. No interior do lar, damos com divisões espartanas e lúgubres mas também com um pátio central a céu aberto que pouco ou nada teria mudado desde a construção pós-medieval do domicílio. Nesse mesmo pátio, Carolina produz-se com grande minúcia ao espelho, sempre de olho no neto de Marilin mas, mesmo assim, esperançada de ainda apanhar o melhor da romaria.

Lá fora, a comemoração tinha-se mudado para uma pequena hacienda a que autoridades de ocasião haviam restringido o acesso por forma a evitarem uma indesejada enchente.

Sobre a relva da fazenda, tem lugar um banquete de almoço e uma exibição mais ampla da vida e das festas tradicionais dos Pueblos del Sur.

Há um trapiche histórico em regime de self-service. E uma espera a que alguns visitantes se sujeitam para conseguirem copos de sumo de cana-de-açúcar acabado de espremer. Sob telheiros próximos, outro conjunto de músicos toca temas famosos entre os nativos. Vendedores dão a conhecer artesanato e o sabor dos principais pitéus da região.

Ainda nos juntamos ao público entusiasta de uma peça de teatro musical, feminina e juvenil que aborda as dificuldades em encontrar o homem certo para o casamento.

Mas, há muito que nuvens escuras como breu se apoderavam do vale. Mal a peça termina, desata a chover a potes e todo San José se refugia da mais que garantida molha. Detemo-nos entre a hacienda e a praça central junto a um grupo de adolescentes que haviam terminado uma qualquer prova desportiva e se premeiam com sorvetes caseiros embalados em sacos. Um deles ouve-nos dialogar e pergunta se somos portugueses. “Pois, bem me parecia que estava a reconhecer essa maneira de falar. Há mais uns poucos por aí. Já há muito que não falam como vocês mas de certeza alguns vos percebem bem melhor que eu!”.  Esperamos que o aguaceiro ceda à bonança e regressámos ao coração daquele Pueblo del Sur em êxtase atentos a sinais de vida dos inesperados descendentes de luso-venezuelanos.

Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.

Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.

Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.

Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.

Gran Sabana, Venezuela

Um Verdadeiro Parque Jurássico

Apenas a solitária estrada EN-10 se aventura pelo extremo sul selvagem da Venezuela. A partir dela, desvendamos cenários de outro mundo, como o da savana repleta de dinossauros da saga de Spielberg.

Monte Roraima, Venezuela

Uma Ilha no Tempo

Perduram no cimo do Mte. Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.

Mérida, Venezuela

Nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.

PN Canaima, Venezuela

O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra

Mérida, Venezuela

A Renovação Vertiginosa do Teleférico mais Alto do Mundo

Em execução desde 2010, a reconstrução do teleférico de Mérida chegou à sua estação terminal. Foi levada a cabo nas montanhas andinas por operários intrépidos que sofreram na pele a grandeza da obra.

PN Henri Pittier, Venezuela

Entre o Mar das Caraíbas e a Cordilheira da Costa

Em 1917, o botânico Henri Pittier afeiçoou-se à selva das montanhas marítimas da Venezuela. Os visitantes do parque nacional que este suíço ali criou são, hoje, mais do que alguma vez desejou

Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Aventura
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Cerimónias e Festividades
Pentecostes, Vanuatu

Naghol: O Bungee Jumping sem Modernices

Em Pentecostes, no fim da adolescência, os jovens lançam-se de uma torre apenas com lianas atadas aos tornozelos. Cordas elásticas e arneses são pieguices impróprias de uma iniciação à idade adulta.
Uma espécie de portal
Cidades

Little Havana, E.U.A.

A Pequena Havana dos Inconformados

Ao longo das décadas e até aos dias de hoje, milhares de cubanos cruzaram o estreito da Flórida em busca da terra da liberdade e da oportunidade. Com os E.U.A. ali a meros 145 km, muitos não foram mais longe. A sua Little Havana de Miami é, hoje, o bairro mais emblemático da diáspora cubana.

Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Tempo de surf
Cultura

Ilha do Norte, Nova Zelândia

A Caminho da Maoridade

A Nova Zelândia é um dos países em que descendentes de colonos e nativos mais se respeitam. Ao explorarmos a sua lha do Norte, inteirámo-nos do amadurecimento interétnico desta nação tão da Commonwealth como maori e polinésia. 

Radical 24h por dia
Desporto

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

Via caribenha
Em Viagem

Overseas Highway, E.U.A. 

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.

De partida
Étnico

Wala, Vanuatu

Cruzeiro à Vista, a Feira Assenta Arraiais

Em grande parte de Vanuatu, os dias de “bons selvagens” da população ficaram para trás. Em tempos incompreendido e negligenciado, o dinheiro ganhou valor. E quando os grandes navios com turistas chegam ao largo de Malekuka, os nativos concentram-se em Wala e em facturar.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Passerelle secular
História

Galle, Sri Lanka

Nem Além, Nem Aquém da Lendária Taprobana

Camões eternizou o Ceilão como um marco indelével das Descobertas onde Galle foi das primeiras fortalezas que os portugueses controlaram e cederam. Passaram-se cinco séculos e o Ceilão deu lugar ao Sri Lanka. Galle resiste e continua a seduzir exploradores dos quatro cantos da Terra.

Mme Moline popinée
Ilhas

Lifou, Ilhas Lealdade

A Maior das Lealdades

Lifou é a ilha do meio das três que formam o arquipélago semi-francófono ao largo da Nova Caledónia. Dentro de algum tempo, os nativos kanak decidirão se querem o seu paraíso independente da longínqua metrópole.

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Baie d'Oro
Literatura

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Pico Rosa
Natureza
Pico, Açores

Com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. O Pico é a sua montanha aguçada mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.
Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Budismo majestoso
Parques Naturais
Circuito Anapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca das Anapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
Foz incandescente
Património Mundial Unesco

Big Island, Havai

À Procura de Rios de Lava

São 5 os vulcões que fazem a Big Island aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.

Gang de 4
Personagens

Tombstone, E.U.A.

A Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.

Insólito Balnear
Praia

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

Num equilíbrio fluvial
Religião

Chiang Kong - Luang Prabang, Laos

Por Esse Mekong Abaixo

Os custos mais baixos e a beleza dos cenários são as principais razões para fazer esta viagem. Seja como for, a descida pelo rio "mãe de todas as águas" pode ser tão pitoresca como incómoda.

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Aos repelões
Sociedade

Perth, Austrália

Cowboys da Oceania

O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilômetros de Nampula, fruta tropical é coisa que não falta.
Vida Selvagem
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.