Ilha Robinson Crusoe, Chile

Na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe


Vista de Selkirk

Um dos panoramas perscrutado por Alexander Selkirk vezes sem conta em busca de navios ao largo.

Trilho verdejante

Mulher desce um trilho íngreme numa zona elevada de Robinson Crusoe.

Briefing de Segurança Informal

Piloto da rota Robinson Crusoe-Valparaíso-Santiago dá indicações aos passageiros da sua aeronave.

Sephanoides fernandensis

Colibri de Juan Fernandez, uma ave endémica cada vez mais rara do arquipélago.

Bibelot Crustáceo

Uma lagosta decorativa coroa parte da bagagem de um residente prestes a embarcar para o aeródromo de Robinson Crusoe.

Nuvem curiosa

Uma pequena nuvem paira sobre a ilha de Santa Clara, ao largo de uma ponta de Robinson Crusoe.

Pista à vista

Avião faz-se à pista elevada de Robinson Crusoe, com início no topo de um enorme penhasco.

A reboque

Traineira que faz a ligação entre a Baía del Padre e San Juan Bautista é rebocada por um barco mais pequeno após ser danificada pela ondulação.

Território Chileno

Uma bandeira do Chile assinala a posse chilena de um arquipélago situado a mais de 600km da costa do país.

Pesca de luxo

Pescador mostra uma das muitas lagostas pescadas ao largo do arquipélago Juan Fernández.

Contemplação marinha

Pierre, um visitante francês, admira a costa exuberante de Robinson Crusoe.

IRCrusoe

Barco identifica na popa, a principal ilha do arquipélago chileno Juan Fernández.

Curiosidade anfíbia

Em tempos quase extintos por capturas sistemáticas, os leões-marinhos voltam a ocupar o litoral de Juan Fernández.

Dia de mar

Pescadores deixam o porto de San Juan Bautista.

Beligerância barulhenta

Leões-marinhos debatem-se pelo território rochoso no sopé de uma enorme falésia.

Contacto arriscado

Visitantes de Robinson Crusoe pegam numa cria de leão-marinho sob o olhar da progenitora.

Percurso solitário

Jipe envelhecido transporta passageiros e carga entre o aeródromo de Robinson Crusoe e a Bahia del Padre.

Confronto visual

Visitante e leão-marinho observam-se frente a frente.

Colónia sobrelotada

Dezenas de leões-marinhos disputam uma laje elevada.

Cratera verde

As alturas do miradouro de Alexander Selkirk revelam o passado vulcânico do arquipélago Juan Fernández.

Abastecimento eminente

Cargueiro "Navarino" aproxima-se de San Juan Bautista para começar um dos abastecimentos da cidade que assegura de tempos a tempos.

Monumento a Alexander Selkirk

Uma placa descreve a aventura de Alexander Selkirk na ilha que, por sua inspiração, viria a ser baptizada de Robinson Crusoe.

Cavalgada vertiginosa

Nativo desce a cavalo do miradouro de Selkirk para o litoral de San Juan Bautista.

Bahia del Padre

Uma enseada circular quase fechada de Robinson Crusoe, partilhada por leões-marinhos e pescadores.

Ignição manual

Piloto acciona o motor do avião Lassa's Twin Otter que pilota entre Robinson Crusoe e o continente chileno.

Pormenor do Monumento a Selkirk

Sobrenome do marinheiro que ficou abandonado na principal ilha do arquipélago Juan Fernández e inspirou o romance de Daniel Dafoe.

Lagosta box

Pescadores empacotam lagostas pescadas ao largo do arquipélago de Juan Fernández.

San Juan Bautista

A principal povoação do arquipélago Juan Fernández, abrigada numa enseada virada a sul, foi muito afectada por um tsunami gerado pelo sismo que assolou o Chile em 2010.

Vislumbre

Brecha num manto de nuvens revela um recanto da ilha Robinson Crusoe.

San Juan Bautista

A única povoação do arquipélago Juan Fernández, com uma população de cerca de 500 habitantes.

Barreira geológica

Um istmo bem definido que delimita a Bahia Del Padre.

Luvas em cartão

Pescadora embala lagostas para envio aéreo para o continente chileno.

Colónia Sobrelotada II

Dezenas de leões-marinhos disputam uma laje elevada.

Pistas para Tesouros

Guia Pedro Niada explica diversas pistas que parecem confirmar a presença de tesouros escondidos em Robinson Crusoe.

De empurrão

Habitantes de Robinson Crusoe tentam dar vida ao jipe que faz a ligação entre o aeródromo e a Bahia del Padre.

Porto natural

Barcos de pesca alinhados ao largo de San Juan Bautista.

Abrigo marinho

Leões-marinhos partilham uma saliência rochosa batida pelas ondas.

Prioridade: lagosta

Auxiliares removem cadeiras de um avião prestes a descolar para o continente chileno para terem espaço para transportar caixotes de lagostas.

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe

Assim que deixa para trás o continente sul-americano, o elegante Twin Otter encontra um céu salpicado de pequenas nuvens que, aqui e ali, vai perfurando. Seiscentos quilómetros depois, a nebulosidade intensifica-se e encobre o arquipélago de Juan Fernandez deixando ape

nas algumas arestas de terra descobertas que o piloto reconhece sem hesitações. A pista surge apertada entre as nuvens e o topo dos penhascos de Robinson Crusoe mas, apesar do vento forte, o piloto conduz o avião suavemente à terra batida. Onde se detém, uma bandei

ra esvoaçante anula qualquer dúvida que a distância e a estranheza do terreno pudessem levantar. Regressámos a solo chileno.

O aeródromo fica num lado da ilha, San Juan Bautista, a povoação onde se concentram os seus quinhentos habitantes, fi

ca noutro. Não é possível fazer o caminho por terra o que obriga a um translado pelo mar que, além de lento, é complicado. O velho jipe ferrugento que assegura a ligação ao barco recusa-se a pegar. Quando pega, porque é o único veículo disponível, tem que cumprir várias viagens de ida e volta, cada uma mais arrastada que anterior.

Como se não bastasse, a ondulação é forte. Atira a embarcação em que devíamos prosseguir contra o molhe da Bahia del Padre, o que gera sucessivas discussões entre a tripulação. Em redor, dezenas de leões-marinhos nadam inquietos analisando o porquê de tanto frenesim. Quando o barco finalmente zarpa, seguem-no por algumas centenas de metros, como que a assegurar a segurança do seu território.

As desventuras ainda estão por terminar. A apenas cinco minutos de chegar ao destino, o barco imobiliza-se e a tripulação percebe que vem a perder combustível desde que embateu com mais violência num dos pilares do molhe da Bahia del Padre. Em Robinson Crusoe, tudo se resolve e, em três tempos, surge uma embarcação ainda mais pequena que, a grande esforço, nos reboca.

A chegada à vila é atribulada mas apoteótica. Dezenas de ilhéus acenam ansiosos pelos reencontros com os familiares ou tão só entusiasmados pelo renovar das gentes. Começa a desvendar-se uma peculiar forma de vida. 

Sobre o molhe, os locais pescam à linha, puxando, da água, peixe atrás de peixe. Ao largo, pequenas embarcações descarregam caixotes de lagosta acabada de capturar, contribuindo para a principal exportação da ilha. São muitas as toneladas destes crustáceos enviadas, todos os anos, para o continente chileno. As suas remessas tornaram-se de tal maneira importantes que a Lassa – a companhia aérea que opera os voos de e para Valparaíso e Santiago – lhes dedica regularmente metade dos seus aviões.

Quando escrevemos metade, referimo-nos a todo um dos lados da cabine. Como pudemos testemunhar, nessas ocasiões, as cadeiras são removidas e o espaço é preenchido por caixotes que tresandam a marisco.

O mar é generoso para os locais. Dá-lhes que fazer e alimenta-os anulando as razões mais óbvias para deixarem o isolamento anestesiante de Robinson Crusoe, uma separação que nem o passar dos séculos nem a modernização do Chile conseguiram ainda resolver.

Dos Piratas ao Caçador de Tesouros

Assim que nos instalamos, damos início à exploração da ilha com os guias e instrutores de mergulho Pedro Niada e Marco Araya Torres, acompanhados de um casal de franceses recém-chegado e de Toni um barcelonense estudante ERASMUS de Biologia, há já algum tempo na ilha. Saímos com o propósito de desbravar o litoral rude e mergulhar com os leões-marinhos, uma das espécies endémicas locais, agora em plena recuperação da matança sistemática levada a cabo por caçadores de vários países até ao início do século XIX.

O percurso para as colónias dos “lobos” (como lhes chamam em Robinson Crusoe) revela o esplendor vulcânico dos cenários contrastantes que mudam consoante a orientação e a exposição aos ventos húmidos do Pacífico.

Há também tempo para uma paragem estratégica na Baía do Inglês. Aqui, Pedro Niada introduz-nos a história de George Anson, o marinheiro que baptizou a baía onde se formou o povoado pirata de Cumberland e deu ao vale contíguo o seu nome. Diz-nos que ali escondeu um tesouro de valor incalculável e que já foram muitos os que o procuraram desenterrar, sempre em vão. Adianta ainda que Bernard Keiser, um milionário norte-americano, continua a tentar. 

Niada havia acompanhado Bernard Keiser em várias das suas épocas de trabalho. Com paciência e eloquência, à laia de documentário, o guia chileno vai percorrendo a enseada e elucida-nos sobre cada marca na rocha, cada medida e pista deixada pelos piratas com referência a pedras com formas curiosas, riachos ou árvores. A narração deixa-nos ainda mais fascinados pela ilha e pena é que estivéssemos em pleno semestre de restrição às escavações de Kaiser imposto pelo governo chileno…

Um Arquipélago Único

Deixamos a Baía do Inglês e seguimos por mais alguns minutos, ao longo de uma costa batida pelo mar agitado que acalma apenas quando nos deparamos com a enseada dos leões-marinhos. Detectado um recanto suficientemente tranquilo para o mergulho, equipamo-nos e saltamos para a água. Em três tempos, vêmo-nos cercados por crias e adultos frenéticos que não resistem à curiosidade e nos desafiam, chegando a morder-nos as barbatanas como que a tentar perceber de que espécie somos.

Por questões de calendário relacionadas com os voos e com as limitações impostas pelo transporte de lagosta, não temos todo o tempo que queríamos para descobrir a ilha. Como tal, após várias viagens pelo litoral, decidimos explorá-la para o interior, por trilhos inevitavelmente íngremes. 

Assim que nos começamos a internar em Robinon Crusoe, sobressai a sua flora fascinante enriquecida por espécies endémicas. Só por si, as paisagens despertam um enorme fascínio. Mas o interesse de Robinson Crusoe e das suas irmãs vai muito além dos panoramas. A quantidade de espécies animais e vegetais autóctones e a geologia dramática que está na base dos seus ecossistemas, atraem, há muito, ao arquipélago inúmeros cientistas. Como causa e consequência, em 1977, a UNESCO declarou-o uma Reserva Mundial da Biosfera, representativa da Região Oceânica da Polinésia do Sudeste.

O Verdadeiro Robinson Crusoe 

A personagem chave da ilha Robinson Crusoe chegou muito antes. Estava pouco interessada na fauna e na flora mas, sem quase ter tido tempo de perceber como ou porquê, passou a delas depender. A peripécia ficou para a posteridade como um dos mais excêntricos momentos da navegação corsária britânica.

À imagem das ilhas próximas – Alexander Selkirk e Santa Clara – Robinson Crusoe foi descoberta em 1574, por Juan Fernández, um navegador castelhano de família portuguesa. Pouco depois, o arquipélago agora seu homónimo, transformou-se num porto de abrigo dos piratas que atacavam os galeões carregados de ouro e pedras preciosas destinados a Cartagena das Índias e a outras paragens do vasto império hispânico.

Em 1704 fundeou na baía de Cumberland, o Cinque Ports, um navio corsário inglês. O seu capitão era William Dampier, um criador de mapas admirado mas considerado inapto para liderar embarcações repletas de homens rudes e conflituosos nos mares mais perigosos de que havia conhecimento.

Obcecado por saquear os navios espanhóis e portugueses que contornavam a costa Oeste da América do Sul, Dampier insistiu – contra o bom senso e a vontade dos seus marinheiros – em vencer o temido Cabo Horn durante o Inverno Austral, altura em que as tempestades eram mais frequentes e ameaçadoras.

Por três vezes tentou o feito e em todas, o navio foi afastado para longe da rota, sofrendo avultados danos. Quando a tripulação – que, em parte, já sofria de escorbuto – ameaçou revoltar-se, o contramestre, o escocês Alexander Selkirk, alertou Dampier.

Este, recusou-se a dar ouvidos. Conduziu o Cinque Ports uma vez mais para sul do Cabo Horn, sempre à mercê de um mar traiçoeiro. 

A sorte estava do lado do capitão. Apesar de danificado, o navio conseguiu passar do Atlântico para o Pacífico, e Dampier conduziu-o a Masatierra (a actual Robinson Crusoe) para que os seus homens pudessem recuperar.

Selkirk esperava que ordenasse uma reparação geral do Cinque Ports, mas Dampier continuava ansioso e queria zarpar o quanto antes. Convicto de que o navio não iria aguentar mais tempestades, o contramestre exigiu ser deixado na ilha. Farto das confrontações do contramestre, Dampier fez-lhe a vontade, com agrado. 

Selkirk voltou uma derradeira vez ao barco e levou para terra o seu colchão, uma espingarda, pólvora e balas, tabaco, um machado e uma faca, uma bíblia, instrumentos de navegação e alguns livros. Pensou que assim estaria bem preparado para o que estimava ser uma curta espera.

No momento decisivo, à medida que o barco a remos se afastava da costa de Masatierra, Selkirk ainda foi assolado pela dúvida e correu para a borda da água para chamar de volta os companheiros. Forçados pelo capitão a ignorá-lo, os remadores continuaram em direcção ao Cinque Ports. Selkirk ficou a ver o navio desaparecer no horizonte.

A sua solidão acabaria por durar quatro anos e quatro meses. Durante esse tempo, conseguiu alimentar-se de cabras que tinham escapado de outros barcos e colonizado a ilha, bem como de leite, frutas e de vegetais que tinham sido plantados anos antes pelos espanhóis.

A paisagem circundante era, à sua maneira, paradisíaca e proliferavam nascentes de água doce mas, apesar de um relativo bem-estar sobrevivente, Selkirk ansiou, desde o primeiro minuto, pela embarcação que o pudesse salvar. Subia, várias vezes por dia, aos pontos mais altos da ilha para perscrutar o horizonte. Passaram-se meses sem que o Pacífico lhe trouxesse novidades.

Tratou, então, de se instalar melhor. Construiu uma cabana com troncos que forrou com peles de cabra. Mais tarde, mudou-se para o interior de uma gruta.

Onde quer que estivesse, mantinha, no exterior, uma fogueira acesa, na esperança de que alguém avistasse o fumo.

A sua longa solidão terminou apenas no início de 1709 quando avistou o Duque, o navio que o levaria de volta à Grã-Bretanha. Por ironia das ironias, o piloto deste navio era William Dampier, o ex-capitão do Cinque Ports que lhe havia validado o cruel destino.

Após o regresso, a sua aventura correu as docas, tabernas e estalagens da velha Albion. Incluía trechos tão mágicos como danças e cantorias com cabras amestradas sob a luz da lua e tornou-se de tal forma famosa que inspirou Daniel Dafoe a escrever As Incríveis e Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoe com base numa personagem fictícia e passado nas Caraíbas. 

Nos Passos de Alexander Selkirk

Ao jeito de homenagem e para aproveitar o potencial turístico da relação entre Alexander Selkirk e Robinson Crusoe, este ultimo seria adaptado como o nome actual da ilha. Foi escolhido pelos habitantes para substituir Masatierra, usado, até então, por a ilha ser a mais próxima do continente sul-americano.

Deixámos para o fim o percurso doloroso que conduz ao Miradouro de Selkirk. Após dois quilómetros de curvas e contracurvas sempre íngremes, passa a fazer-se debaixo de autênticos túneis formados pela vegetação densa. Logo depois, revela-nos o posto de vigia, celebrado na aresta elevada da montanha por uma placa de bronze explicativa.

Dali, cansados e fustigados pelo vento, observamos, deliciados, a beleza fascinante de Robinson Crusoe, destacada pelas vertentes verdejantes dos montes em redor e pela língua de terra inóspita que se prolonga para sul das Tres Puntas.

No que a terra diz respeito, a vista termina na distante Isla de Santa Clara, a menor das ilhas de Juan Fernández e a mesma “vizinha” que Alexander Selkirk se habituou a contemplar dia após dia, até à passagem do “Duke” a embarcação que o resgatou, mas nunca resgatou Robinson Crusoe.

Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.

PN Torres del Paine, Chile

A Mais Dramática das Patagónias

Em nenhuma outra parte os confins austrais da América do Sul se revelam tão arrebatadores como na cordilheira de Paine. Ali, um castro natural de colossos de granito envolto de lagos e glaciares projecta-se da pampa e submete-se aos caprichos da meteorologia e da luz. 

De Barco

Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Ilha da Páscoa, Chile

Sob o Olhar dos Moais

Rapa Nui foi descoberta pelos europeus no dia de Páscoa de 1722. Mas, se o nome cristão da ilha faz todo o sentido, a civilização que a colonizou de estátuas observadoras permanece envolta em mistério

Deserto de Atacama, Chile

A Vida nos Limites

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.

Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Lenha
Aventura

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Cerimónias e Festividades
Apia, Samoa Ocidental

Fia Fia: Folclore Polinésio de Alta Rotação

Da Nova Zelândia à Ilha da Páscoa e daqui ao Havai, contam-se muitas variações de danças polinésias. As noites samoanas de Fia Fia, em particular, são animadas por um dos estilos mais acelerados.
Wilkommen in Africa
Cidades

Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Mar-de-Parra
Cultura

Mendoza, Argentina

A Eno-Província Argentina

Os missionários espanhóis perceberam, no século XVI, que a zona estava talhada para a produção do “sangue de Cristo”. Hoje, Mendoza está no centro da maior região vinícola da América Latina.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Via caribenha
Em Viagem

Overseas Highway, E.U.A. 

A Alpondra Caribenha dos E.U.A.

Os Estados Unidos continentais parecem encerrar-se, a sul, na sua caprichosa península da Flórida. Não se ficam por aí. Mais de cem ilhas de coral, areia e mangal formam uma excêntrica extensão tropical que há muito seduz os veraneantes norte-americanos.

Dança dos cabelos
Étnico

Longsheng, China

A aldeia chinesa dos maiores cabelos do mundo. Nutridos a arroz, claro

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Normatior
História

PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.

Banco improvisado
Ilhas

Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Fajazinha (Ocaso)
Natureza
Flores, Açores

Os Confins Inverosímeis de Portugal (e da Europa)

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Dunas no meio do mar
Parques Naturais

Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.

Arranha-céus maltês
Património Mundial Unesco

Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta será a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que haverá memória.

Palestra
Personagens

Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

Perigo de praia
Praia

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Auto-flagelação
Religião

Gasan, Filipinas

A Paixão Filipina de Cristo

Nenhuma nação em redor é católica mas muitos filipinos não se deixam intimidar. Na Semana Santa, entregam-se à crença herdada dos colonos espanhóis.A auto-flagelação torna-se uma prova sangrenta de fé

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Erika Mae
Sociedade

Filipinas

Os Donos da Estrada

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, os filipinos transformaram milhares de jipes norte-americanos abandonados e criaram o sistema de transporte nacional. Hoje, os exuberantes jeepneys estão para as curvas

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilômetros de Nampula, fruta tropical é coisa que não falta.
Acima de tudo
Vida Selvagem

Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história. 

Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.