Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés


Portal para uma ilha sagrada

Iluminação faz reflectir e destacar o torii (pórtico xintoísta) do santuário de Itsukushima da quase noite nipónica.

Alienação de Fé

Fiel arrebatada à saída da passadeira de brasas durante o ritual Hiwatarishiki levado a cabo no templo Daishoin.

Num cume rapado

Visitantes no cimo pedregoso da ilha de Miyajima: o monte Misen, com 500 metros de altura.

De arco e leque

Actores de uma peça de noh, uma forma de drama musical clássico que perdura, no Japão, desde o século XIV.

A entrada de Miyajima

Apanhadora de marisco e visitantes de Miyajima caminham nas imediações do torii que antecede o santuário de Itsukushima.

Fauna e flora

Veado numa das escadarias que ligam o litoral ao cimo do monte Misen, a maior elevação de Miyajima.

Recolectoras do Mar de Seto

Apanhadoras de bivalves com cestos e baldes repletos após algumas horas de trabalho no lodo em frente ao santuário de Itsukushima.

Fé que neutraliza a dor

Monges caminham em fila sobre brasas durante o ritual Hiwatarishiki realizado no templo Daishoin de Miyajima.

Num Mar Espiritual

Barqueiros conduzem passageiros num passeio em redor do pórtico do santuário de Itsukushima.

Entre Budas

Visitante do templo de Daoshin perdida entre rakans, pequenas estátuas de Buda.

Caridade budista

Monges auxiliam uma fiel a atravessar um tapete de brasas durante o ritual budista Hiwatarishiki da seita Shingon.

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Nem todos os comboios japoneses são supersónicos e a viagem suburbana que nos trazia de Kure, através de Hiroxima até à doca de Miyajimaguchi demorava o seu tempo. Mesmo tendo acordado às 8h30, já só apanhámos o ferry do meio-dia, com

pouco tempo para procurar o recinto religioso em que se realizaria o ritual Hiwatarishiki, levado a cabo por uma seita budista de nome Shingon. Apressados, contornamos as várias esquinas  do templo Itsukushima e apontamos para uma das ladeiras que nos conduziriam encosta acima. Pouco depois, tão ofegantes como curiosos com o que nos esperava, demos entrada no templo Daishoin, já repleto de monges, fiéis e visitantes de Miyajima, estes últimos, dispostos em redor do pátio em que se moviam os atarefados cenobitas.

Em trajes amarelos e brancos, de cabeças rapadas enfeitadas por fitas de tecido, estes começam por dar uma volta a fazer soar grandes búzios, acompanhados de pratos. Segue-se a purificação do altar e do público, momento em que somos temperados com sal. Logo após, os monges correm agarrados a uma grande corda, em redor de uma fogueira que queima ramos verdes de cedros em que deitam pequenas ripas de madeira com orações. A fogueira não tarda a consumir-se e deixa um legado de brasas incandescentes que é igualmente purificado com sal, sempre sob o som grave dos búzios. O único dos sacerdotes com vestes púrpuras, lidera uma espécie de pacificação divina das brasas que realiza na direcção de todos os pontos cardeais. Por fim, os outros monges envolvem-nas das tais folhas verdes e deixam apenas um trilho central aberto. Passam uma espécie de estandarte ao seu líder que, com um grito estóico, inaugura a fase sacrificial da cerimónia e atravessa as brasas com passadas profundas.

Seguem-no vários outros monges já ao ritmo de tambores, instrumentos de sopro e outros que animam mantras entoados de forma cada vez mais hipnótica. Não tardam a juntar-se ao cortejo fiéis de todas as idades que vencem a dor perdidos na névoa branca produzida pelo lento consumo da vegetação morta. Passam mães com crianças ao colo, idosas a que os religiosos dão as mãos para evitar que caiam e crentes de tal maneira arrebatadas pela experiência que, à saída da passadeira incandescente, mais parecem terem pressentido o Nirvana.

Por fim, a longa fila de seguidores esgota-se. Então, os monges extinguem as brasas, põem fim ao evento e recolhem aos seus aposentos, em redor do pátio. Ficamos ali por perto a examinar de que artefactos se tinha composto o ritual. Sem que o esperássemos, ainda espreitamos a sua lavagem minuciosa de pés, com recurso a baldes com água ensaboada e a toalhas brancas.

Abandonamos o templo Daishoin encosta abaixo em direcção ao litoral de Miyajima quando um casal que falava um inglês o mais básico possível nos convida para uma cerimónia de chá. Aceitamos e seguimos juntos para uma das esplanadas elegantes instaladas a meio da vertente. Os anfitriões esforçam-se por nos relembrar a importância do ritual do chá para a cultura nipónica e tentamos apreciá-lo e segui-lo a preceito. De qualquer maneira, as largas horas sem comer e a caminhada intensa desde que o ferry havia atracado em Miyajima há muito nos estavam a fazer penar. Foi, assim, como uma bênção grená de feijão e trigo mourisco que vimos aterrar à nossa frente dois pastéis manjus, ainda para mais dos nossos favoritos que durante os vários dias de exploração do Japão já os tínhamos experimentado de todas as formas e feitios.

Doumo Arigatou gozaimasu, thank you, thank you”. Agradecemos a experiência e o repasto de uma forma bilingue e o mais educada possível com sucessivas quase-vénias. Cumprida a atenção, descemos a escadaria e diversos trilhos na direcção do litoral. Voltamos a contornar o templo de Itsukushima que constatamos ter sido abandonado ao lodo marinho e aos limos pelo baixar da maré. Aproveitamos a duração cíclica do fenómeno para investigarmos o templo e a ilha a partir do leito do mar interior de Seto.

Para lá chegar, passamos pelas suas ruelas comerciais ladeadas de pequenos restaurantes especializados em ostras e outros mariscos abundantes em redor. Também em pastelarias e confeitarias de petiscos vendidos a preços híper-inflacionados.

Esbarramos com uma sessão casamenteira de dois noivos que ali se fazem fotografar em trajes tradicionais a bordo de um velho riquexó puxado por força humana. Pelo caminho, a fome volta a assolar-nos. Compramos biscoitos. Enquanto percorremos a marginal que conduz à frente de Itsukushima, quatro ou cinco dos veados que vagueiam por Miyajima cheiram o pitéu e perseguem-nos de forma tão tresloucada que nos obrigam a correr à sua frente, apesar de termos mochilas pesadas às costas.

Descemos umas escadarias para o areal e ficamos, por fim, a salvo. Mais uma centena de metros a pé e vemo-nos diante do grande torii “flutuante” do templo, uma das principais imagens de marca do Japão.

Este pórtico cor-de-laranja excêntrico foi dedicado às três filhas do deus xintoísta dos mares e das tempestades, irmão da deusa do Sol.

Desde há muito que Miyajima foi considerada sagrada. Por esse motivo, a populaça simplesmente não podia lá assentar pé. Para que os peregrinos pudessem aproximar-se e atracar no seu santuário – algo que deveriam, fazer através do torii – Itsukushima foi erguido como um pontão sobre a água, como se flutuasse e estivesse separado do resto da ilha.

A preservação da pureza espiritual de Miyajima foi levada a tais extremos que, desde 1878, foram evitados, por todos os meios, nascimentos ou mortes nas suas imediações. Até hoje, é suposto as mulheres grávidas se retirarem para o continente quando o dia do parto se aproxima. Passa-se o mesmo com as pessoas com doenças terminais ou idosos que estão visivelmente no término das suas vidas. Os funerais são proibidos na ilha. Entretanto, o acesso da população a alguns recursos da ilha foi aliviado.

Damos a volta ao torii e chegamos ao limiar arenoso que dá para um lodaçal coberto de limos verdes. Ali, uma brigada de anciãos cada qual com o seu chapéu escava com afinco em busca de ostras. Pouco depois, encontramo-los de baldes cheios a caminho dos restaurantes da povoação que se habituaram a fornecer.

A maré não tarda a encher. Devolve o estatuto de “flutuante” ao pórtico e o trabalho vespertino aos barqueiros com chapéus cónicos que assim pode, contar com centenas de passageiros ansiosos por contornarem e fotografarem o monumento e o santuário a bordo de um dos seus barcos gondolados.

A noite cai. Ficamos a admirar como a iluminação destaca o torii contra a silhueta da montanha oposta e o céu em lusco-fusco acima. Escurece de vez e o pórtico ganha um reflexo marinho fidedigno. Metemo-nos no ferry de volta ao continente com o plano de regressar a Miyajima na manhã seguinte para dar sequência à sua exploração.

Às dez da manhã, estamos a desembarcar uma vez mais. Sem qualquer desvio, apontamos para o Monte Misen, o ponto mais elevado da ilha, com 500 metros de altitude. Ladeira após ladeira, degrau após degrau, conquistamos o seu cume rapado e pejado de grandes rochedos de granito. De início, quebra-lhe a aspereza cromática apenas uma amendoeira bem florida. Mas, logo, junta-se-nos uma excursão escolar e o cimo enche-se de jovens nipónicos coloridos e faladores.

Subimos a um dos rochedos e contemplamos as encostas, o canal e os ilhéus do Mar de Seto subsumidas na névoa.

No regresso ao litoral-base, voltamos a passar pelo reduto do templo Daisho-in e descemos a sua escadaria mais encantadora, ladeada e abençoada por quinhentas estátuas rakan discípulas de Buda.

À chegada ao santuário de Itsukushima, a maré está mais cheia que nunca e parece fazer navegar o edifício com mais de quinhentos anos.

Numa das suas alas, um protagonista escondido atrás de máscara antiga de madeira de cipreste e num shozoku – robe largueirão de seda – leva a cabo um acto de uma actuação de noh, uma forma de drama musical clássico nipónico que perdura, no Japão, desde o século XIV.

A ascensão e descida ao Monte Misen tinham-nos deixado derreados. Foi, assim, num estranho misto de fascínio e sedação que nos deixámos ficar durante mais de uma hora a acompanhar as flautas e percussões exóticas e as vozes cavernosas e que as acompanhavam. Em breve, a peça terminaria. A maré voltou a descer mais ou menos em simultâneo com o cair da noite. Miyajima permaneceu fiel à sua rígida espiritualidade.

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Quioto, Japão

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Quioto, Japão

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Quioto, Japão

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Quioto, Japão

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