Príncipe, São Tomé e Príncipe

Viagem ao Retiro Nobre da Ilha do Príncipe


Príncipe da Selva
Vista aérea de Príncipe, com a habitual cobertura de nuvens que abafa o seu clima tropical.
Muro das Aspirações
Crianças de Principe alinhadas ao longo do muro que fecha a cidade de Santo António nas suas melhores roupas devido a ser Dia da Criança.
O vale verde de Santo António
Casario de Santo António, a única cidade e capital da ilha de Príncipe.
À sombra da vida
Moradores de Santo António ocupam os bancos ao lado da igreja de Nª Senhora de Conceição.
Uma espécie de Vale Tudo
Rapazes da roça de Porto Real entregues a brincadeiras e risadas fáceis.
Barba, cabelo e TV
Barbeiro numa das margens do rio Papagaio, em Santo António. Além de barbeiro, o pequeno estabelecimento também é usado por vários rapazes da cidade para lá verem filmes na TV.
Cores e sabores do equador
Pormenor de uma banca do mercado de Santo António, sempre repleto de frutas e vegetais produzidos na ilha.
Tempo de ensaio
Chico Roque e outros músicos da ilha ensaiam numa sala, espécie de estúdio improvisado no centro de Santo António.
Âmago de Santo António
A igreja de Nª Senhora da Conceição, o centro religioso de Santo António, na altura na companhia de um cartaz da UNITEL.
Banana Tropical
A Praia Banana, uma das melhores praias de África, em tempos usada pela marca Bacardi, num anúncio promocional do seu rum.
Humidade da Gravana
Vista do centro histórico de Santo António com o Pico Papagaio bem elevado sobre o casario da cidade.
Gerações Principescas
Duas jovens habitantes da Roça Porto Real, uma das roças em tempos mais produtivas de Príncipe.
Um panorama exuberante
Monte Papagaio, visto da roça São Joaquim.
Uma Roça Achocolatada
Guarda à entrada da roça Terreiro Velho, hoje propriedade do produtor de chocolate italiano Claudio Corallo, residente em São Tomé.
Lar Doce Lar
Pequena casa de Santo António, envolta da vegetação que cresce às margens do rio Papagaio.
Amor de Mãe
Matilde e filha sobre o muro que separa Santo António do oceano Atlântico, durante o Dia da Criança celebrado nas escolas da ilha do Príncipe.
Multifunções
Cremilda, Márcia e Eula compõem as trancinhas afro de Késia enquanto esta segue chats no seu telemóvel.
A 150 km de solidão para norte da matriarca São Tomé, a ilha do Príncipe eleva-se do Atlântico profundo num cenário abrupto e vulcânico de montanha coberta de selva. Há muito encerrada na sua natureza tropical arrebatadora e num passado luso-colonial contido mas comovente, esta pequena ilha africana ainda abriga mais estórias para contar que visitantes para as escutar.

O voo fica-se pelos quarenta minutos. E, no entanto, o facto de seguirmos quase só nós na cabine e de, lá em baixo, o azul-marinho profundo monopolizar o cenário, faz com que o tempo se pareça arrastar. A monotonia não tarda a ser recompensada. Um súbito vislumbre revela-nos um manto de nuvens densas e um estranho esboço do que poderia a Ilha do Príncipe.

Ilha do Principe, São Tomé e Principe

Vista aérea de Príncipe, com a habitual cobertura de nuvens que abafa o seu clima tropical.

Pairam sobre um pedaço luxuriante de Terra salpicada de protuberâncias geológicas. O piloto ajeita o avião à ilha. Passados uns minutos, estamos a aterrar os pés no solo morno da Ilha do Príncipe.

E, na manhã que se segue, numa das mais belas beira-mares de África, a da Praia Banana. Nos anos 80, o rum Bacardi exibiu-a num dos seus anúncios. Esse crédito mediático perdura.

O vaivém das vagas esmeralda sobre a areia dourada sugere um memorável recreio balnear mas, não nos demoramos. Atrai-nos, em simultâneo, um miradouro no topo de uma pilha de grandes rochedos basálticos.

Praia da Banana, ilha de Príncipe, São Tomé e Principe

A Praia Banana, uma das melhores praias de África, em tempos usada pela marca Bacardi, num anúncio promocional do seu rum.

Damos com o caminho para as suas alturas por entre o coqueiral sombrio da Banana. Vários meandros íngremes depois, recuperamos o fôlego apoiados no seu muro decrépito, a contemplarmos a sumptuosidade do que, ao nível do mar, nos havia já deliciado.

Aquele mirante e a sua propriedade Belo Monte marcaram a primeira de várias visitas a antigas roças da Ilha do Príncipe. A Belo Monte estava, contudo, transformada em hotel. Limitámo-nos a espreitá-la.

A Caminho de Santo António do Príncipe

De volta ao Bom Bom resort, apanhamos boleia de uma das pick ups de serviço para Santo António, a cidade solitária da ilha. Pelo caminho, o Sr. João dá boleia a boa parte dos caminhantes na beira da estrada. Às tantas, a carrinha carrega uma lotação considerável.

Todos a bordo se conhecem. Todos estranham a nossa presença naquela caixa metálica por norma indigna dos clientes. Mal a admiração se desvanece, os parceiros de viagem entregam-se às suas galhofas e gargalhadas descomplexadas. Não tarda, convocam-nos para conversas entre a curiosidade e uma forçada formalidade.

Passamos uma série de casas básicas em que cirandam uma criançada reguila e animais domésticos. Deixamos o aeroporto para trás. Por fim, descemos para o vale rumo à baía em que se alojou a capital.

O fluir de um rio, o Papagaio, cavou a planície aluvial em que hoje se espraia o casario semi-colonial gasto, delimitado por todos os lados por uma selva de montanha, excepto a oeste-noroeste, onde o caudal negro do rio encontra um Atlântico domado pela baía.

O vale verde de Santo António, Santo António, Ilha do Principe, São Tomé e Principe

Casario de Santo António, a única cidade e capital da ilha de Príncipe

Descemos da carrinha em frente à igreja amarela e vermelha da cidade. Ali mesmo, um cartaz da operadora angolana UNITEL que exibe um surfista de telemóvel colado ao ouvido profetiza “Para Melhor Muda-se Sempre”.

Deambulações pela Capital Vagarosa da Ilha

Basta-nos uma hora de deambulação para percebermos que, salvo raras excepções, Santo António evoluía devagar devagarinho. Ao lado da igreja, sentados em quatro bancos de jardim, número igual de moradores veem o dia esvair-se, impávidos e serenos, à sombra de uma árvore frondosa.

A igreja de Nª Senhora da Conceição, em Santo António, ilha de Principe, São Tomé e Principe

A igreja de Nª Senhora da Conceição, o centro religioso de Santo António, na altura na companhia de um cartaz da UNITEL

Só a estrada principal, ostenta real animação urbana, em redor das suas mercearias desarrumadas, das lojas de roupa, do parque central das mototáxis e, mais abaixo, da escola secundária.

Ali, num intervalo das aulas, Cremilda, Márcia e Eula compõem as trancinhas afro de Kélsia. Esta, de olhos enfiados no telemóvel, mantém-se em modo multichat com amigos online e as colegas “cabeleireiras”.

Estudantes de Santo António, Ilha de Príncipe, São Tomé e Principe

Cremilda, Márcia e Eula compõem as trancinhas afro de Késia enquanto esta segue chats no seu telemóvel

Do lado oposto da avenida, a velha sede do Sporting Clube de Príncipe já teve melhores dias. Só uma árvore que desponta do betão musgoso de um dos seus recantos, dá sinais de saudável verdura. Na fachada do edifício roçado, um painel de prevenção de saúde aconselha: “Prolongue a sua vida bebendo água tratada”.

Examinamo-lo quando, do meio da estrada, Chico Roque, nos confronta. A hora é matinal. Após uma introdução arrastada, promove-se como músico. Convence-nos a gravarmos um show musical dele e de um colega.

Combinamos às duas horas de daí a dois dias na praça Marcelo da Veiga, o coração administrativo de Santo António, um dos seus agradáveis jardins e retiros lúdicos.

A Vida às Margens do rio Papagaio

Até lá, deambulamos por aquela que chegou a ser capital e assento da diocese da colónia de São Tomé e Príncipe, de 1753 a 1852, três séculos após a descoberta do arquipélago em 1471, alguns anos antes de D. João II a ter baptizado em honra do Príncipe Afonso, seu filho favorito, que viria a falecer, apenas com 16 anos, tombado de um cavalo nas imediações do Tejo.

Quando regressamos às margens do Papagaio, contrariado pela praia-mar, o rio local fluía na direcção do Pico homónimo que desde sempre se impõe à cidade. Metemos o nariz numa barbearia sobranceira à margem. Mesmo surpreendido, o artista capilar proprietário dá-nos as boas-vindas e continua a embelezar o cliente do momento.

Barbeiro e mini-cinema em Santo António de Principe, São Tomé e Principe

Barbeiro numa das margens do rio Papagaio, em Santo António. Além de barbeiro, o pequeno estabelecimento também é usado por vários rapazes da cidade para lá verem filmes na TV.

Mais para dentro do estabelecimento de madeira azul-celeste, uma catrefada de miúdos sentados num banco comprido, mal descola os olhos de um filme que passa na TV daquele seu “Cinema Paraíso” remediado. Numa rua paralela, damos com o restaurante da Dª Juditinha. É lá que evitamos o pior da brasa vespertina e repomos energias.

Dia da Criança. Nem todos os Dias são Dias assim

Durante o repasto, vemos passar pais com os filhos pela mão, carregados com bolos e outras sobremesas. Tão elegantes quanto possível, dirigem-se a uma escola daquela rua. “Sabem, hoje é dia da Criança!” informa-nos Dª Juditinha enquanto nos serve cervejas Rosema que provamos pela primeira vez, em detrimento das marcas portuguesas do costume. “Cá na ilha do Príncipe, tratamos a data com carinho.”

Outra das escolas em festa ficava de frente para o longo muro branco que separa a cidade do Atlântico. Ali, à medida que o ocaso se insinua, os adultos e as suas crianças, confraternizam, uns debruçados, outros sentados sobre o muro, todos eles com a vista hipnótica da baía viçosa por diante.

Varandim de Santo António, Ilha do Principe, São Tomé e Principe

Crianças de Principe alinhadas ao longo do muro que fecha a cidade de Santo António nas suas melhores roupas devido a ser Dia da Criança

Durante o almoço, tínhamos recebido uma chamada do Secretário Regional da Economia. Convocava-nos para o seu gabinete, paredes meias com a estação de correios da cidade que mais parecia tirada de uma vila portuguesa dos anos 50.

Entusiástico, Silvino Palmer explana-nos projectos para o futuro da Ilha do Príncipe e os obstáculos ao seu desenvolvimento, em particular, a escala anã da economia, vítima do isolamento e de a nação ser a segunda mais diminuta de África, atrás apenas das Seicheles.

Silvino, também faz fé na nossa missão divulgadora. Prenda-nos com o uso da sua pick up de serviço e com a ajuda de dois guias. Às oito em ponto do novo dia, já saudámos o condutor Armandinho, Francisco Ambrósio e Eduardo. Apontamos ao sul da ilha.

Pela Selva da Ilha do Príncipe Acima

A selva que envolve o Papagaio sufoca o caminho sinuoso aberto na profundeza dos tempos coloniais. Mesmo assim, prova-se bem menos cerrada que a abaixo no mapa, esta, parte da Reserva da Biosfera da Ilha do Príncipe. Ao longo da história, admitiu roças e povoados, hoje, relíquias umas mais decadentes que outras.

Como o que resta da mansão e propriedade de Maria Correia, filha de uma nativa da ilha do Príncipe e de um emigrante brasileiro que ficou para a história como dona e senhora dos seus dois maridos e de centenas de servos.

Apesar dos bloqueios britânicos à escravatura portuguesa no arquipélago popularmente abordados por Miguel Sousa Tavares em “Equador”, Maria Correia terá ludibriado as suas verificações vezes sem conta.

Mesmo mulata, até falecer em 1862, foi uma das maiores proprietárias de escravos da ilha.

Com o tempo, tornou-se uma personagem lendária, digna de aturada investigação, ou vá lá que seja, de um bom filme.

As Primeiras Roças: Porto Real e São Joaquim

A próxima roça porque passamos, a de Porto Real, guarda bem mais da sua era auspiciosa. Foi desenvolvida pela Sociedade Agrícola Colonial, com áreas laborais, habitacionais, com hospital e um caminho-de-ferro de 30km que escoava uma produção agrícola diversa, incluindo um óleo de palma prodigioso.

Agora, abriga uma comunidade que, longe de a conseguir recuperar e explorar, se limita a subsistir em boa parte do que a terra e os animais domésticos providenciam.

No mesmo itinerário, deparamo-nos com a de São Joaquim, uma antiga dependência da de Porto Real. Encontramo-la arruinada, então, entregue a mulheres e crianças que partilham as antigas sanzalas e o pátio ervado com uma manada de vacas, porcos malhados e outros animais domésticos. Intriga-as a nossa inesperada visita, para mais, num veículo do governo.

“Cheguem, aqui! Vão gostar disto.” apela-nos Francisco Ambrósio, professor da ilha que as crianças com que nos cruzamos provocam a chamar de vampiro (com os erres longos e carregados, à boa moda nativa) devido à sua parecença com o Wesley Snipes que os assombra, em “Blade”, nas TVs da cidade.

Vista do Monte Papagaio, ilha do Principe, São Tomé e Principe

Monte Papagaio, visto da roça São Joaquim.

Ao longe, entre a selva que cobria o Monte Papagaio e parte das nuvens que havíamos avistado do avião, impunham-se dois rochedos graníticos. A erosão esculpira o menor à laia de pilar.

A Velha Fazenda Achocolatada de Terreiro Velho

Àquela distância, o duo megalítico resplandecia, projectado do estranho panorama clorofilino. Estimulou-nos a irmos até Terreiro Velho, roça ainda repleta de cacau, histórias e vistas litorâneas de encantar. Já só regressamos à cidade em cima do anoitecer. A jornada seguinte, dedicamo-la ao extremo noroeste da ilha.

Foi ali, a oeste do ilhéu do Bom Bom que os descobridores portugueses fundaram Ribeira Izé, a primeira povoação da ilha do Príncipe. Exploramos as ruínas da igreja percursora que a abençoou e que a predação secular das figueiras-da-índia envolveu de enigma.

Roça de Terreiro Velho, ilha do Príncipe, São Tomé e Príncipe

Guarda à entrada da roça Terreiro Velho, hoje propriedade do produtor de chocolate italiano Claudio Corallo, residente em São Tomé

Em seguida, o sr. Armandinho mete-nos num atalho encosta acima, de tal forma sumido na vegetação e no solo encharcado que reclama da pick up toda a sua potência. Mesmo assim, conduz-nos ao destino desejado: a roça Sundy.

Na origem, a Sundy, surgiu como mais uma plantação de cacau e café da ilha. Num determinado período áureo, os seus lucros determinaram a expansão e uma maior complexidade orgânica. Também a Sundy sucumbiu à produção menos dispendiosa e em maior escala de outras partes do Mundo. A roça acabou como casa de férias da realeza portuguesa. Não seriam os novos condóminos quem mais contribuiria para a sua notoriedade.

Roça Sundy e a Confirmação da Teoria da Relatividade

Em 1919, o astrofísico britânico Sir Arthur Stanley Eddington estimou na ilha do Príncipe um lugar ideal para examinar um eclipse previsto. Visava exemplificar que a luz das estrelas era desviada pela gravidade solar e provar, dessa forma, a Teoria da Relatividade de Einstein sobre a há muito vigente Lei da Gravidade de Newton.

Eddington certificou a esperada curvatura da luz, instalado na roça Sundy. Tal honra permanece assinalada numa das varandas aterraçadas do edifício principal que, na altura em que o espreitámos, sofria – à imagem da já terminada na roça Belo Monte – uma séria conversão em hotel histórico.

Esperava-se que o projecto viesse a contribuir para melhorar a vida da verdadeira povoação em que Sundy se transformou, com dezenas de famílias a residir lado a lado em sanzalas exíguas e espartanas, outras, em casas recentes, instaladas em redor.

De Regresso a Santo António

Percorremos as suas ruelas cinzentas para lá e para cá, logo, as muralhas até aos seus recantos e os dos palacetes no coração colonial e funcional da enorme fazenda. Fazemo-lo com o fascínio de quem assiste à História a reciclar e baralhar algumas da suas já quase esquecidas variáveis. Até que nos lembramos do compromisso com Chico Roque e antecipamos o regresso a Santo António.

Chico Roque e outros músicos de Santo António, ilha do Príncipe, São Tomé e Principe

Chico Roque e outros músicos da ilha ensaiam numa sala, espécie de estúdio improvisado no centro de Santo António

Pouco passava da hora combinada e os dois músicos esperavam-nos sentados junto aos canhões que protegem a imagem de Marcelo da Veiga. Ao nosso sinal, desfilam um repertório de canções ora populares, ora da sua autoria. Assistimos e registamos a sua actuação quando um grupo de miúdos que brincava no jardim, se aproxima e debruça sobre os canhões. O duo rejubila.

Cantam, então, um tema ecologista popular em São Tomé e recrutam a criançada para coro. É com esta banda sonora infantil e orelhuda de “Biosfera” na cabeça (cantada Biosferrrrrrra) que nos despedimos de Santo António. Na tarde seguinte, da tão ou mais memorável ilha do Príncipe.

centro histórico de Santo António, ilha do Principe, São Tomé e Principe

Vista do centro histórico de Santo António com o Pico Papagaio bem elevado sobre o casario da cidade.

A TAP voa para São Tomé Terças, Sábados e Domingos com partida de Lisboa às 09h35 e chegada às 17h35. A viagem de São Tomé para Lisboa faz-se Terças, Sábados, Domingos e Quintas-feiras com partidas às 20h e chegada às 04h10 do dia seguinte. 

Ilha Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado, Moçambique. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, a ilha Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.
Ilha de Moçambique, Moçambique  

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.
São Vicente, Cabo Verde

O Milagre de São Vicente

Uma volta a esta ilha revela uma aridez tão deslumbrante como inóspita. Contra todas as probabilidades, por um capricho da história, São Vicente viu o Mindelo prosperar como a segunda cidade mais populosa de Cabo Verde e a sua indisputada capital cultural.
São Tomé e Príncipe

Roças de Cacau, Corallo e a Fábrica de Chocolate

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Goiás Velho, Brasil

Um Legado da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.
Elafonisi, Creta, Grécia
Praia
Chania a Elafonisi, Creta, Grécia

Ida à Praia à Moda de Creta

À descoberta do ocidente cretense, deixamos Chania, percorremos a garganta de Topolia e desfiladeiros menos marcados. Alguns quilómetros depois, chegamos a um recanto mediterrânico de aguarela e de sonho, o da ilha de Elafonisi e sua lagoa.
Caminhada Solitária, Deserto do Namibe, Sossusvlei, Namibia, acácia na base de duna
Parque Nacional
Sossusvlei, Namíbia

O Namibe Sem Saída de Sossusvlei

Quando flui, o rio efémero Tsauchab serpenteia 150km, desde as montanhas de Naukluft. Chegado a Sossusvlei, perde-se num mar de montanhas de areia que disputam o céu. Os nativos e os colonos chamaram-lhe pântano sem retorno. Quem descobre estas paragens inverosímeis da Namíbia, pensa sempre em voltar.
Rebanho em Manang, Circuito Annapurna, Nepal
Parques nacionais
Circuito Annapurna: 8º Manang, Nepal

Manang: a Derradeira Aclimatização em Civilização

Seis dias após a partida de Besisahar chegamos por fim a Manang (3519m). Situada no sopé das montanhas Annapurna III e Gangapurna, Manang é a civilização que mima e prepara os caminhantes para a travessia sempre temida do desfiladeiro de Thorong La (5416 m).
Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Lençóis da Bahia, Diamantes Eternos, Brasil
Arquitectura & Design
Lençois da Bahia, Brasil

Lençois da Bahia: nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.
Aventura
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Cansaço em tons de verde
Cerimónias e Festividades
Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival.
Cores e sombras
Cidades

Mérida, México

A Mais Exuberante das Méridas

Em 25 a.C, os romanos fundaram Emerita Augusta, capital da Lusitânia. A expansão espanhola gerou três outras Méridas no mundo. Das quatro, a capital do Iucatão é a mais colorida e animada, resplandecente de herança colonial hispânica e vida multiétnica.

Comida
Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Cultura
Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.
Desporto
Competições

Homem, uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, as competições dão sentido ao Mundo. Umas são mais excêntricas que outras.
Caiaquer no lago Sinclair, Cradle Mountain - Lake Sinclair National Park, Tasmania, Austrália
Em Viagem
À Descoberta de Tassie, Parte 4 -  Devonport a Strahan, Austrália

Pelo Oeste Selvagem da Ilha da Tasmânia

Se a quase antípoda Tazzie já é um mundo australiano à parte, o que dizer então da sua inóspita região ocidental. Florestas densas, rios esquivos e um litoral rude batido por um oceano Índico quase Antártico geram enigma e respeito a norte do Estreito de Bass. À descoberta da região mais acessível entre Devonport e Strahan, ficamos com uma leve ideia da sua excentricidade meridional.
Forte de São Filipe, Cidade Velha, ilha de Santiago, Cabo Verde
Étnico
Cidade Velha, Cabo Verde

Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

arco-íris no Grand Canyon, um exemplo de luz fotográfica prodigiosa
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Garranos galopam pelo planalto acima de Castro Laboreiro, PN Peneda-Gerês, Portugal
História
Castro Laboreiro, Portugal  

Do Castro de Laboreiro à Raia da Serra Peneda – Gerês

Chegamos à (i) eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Centro Cultural Jean Marie Tjibaou, Nova Caledonia, Grande Calhau, Pacifico do Sul
Ilhas
Grande Terre, Nova Caledónia

O Grande Calhau do Pacífico do Sul

James Cook baptizou assim a longínqua Nova Caledónia porque o fez lembrar a Escócia do seu pai, já os colonos franceses foram menos românticos. Prendados com uma das maiores reservas de níquel do mundo, chamaram Le Caillou à ilha-mãe do arquipélago. Nem a sua mineração obsta a que seja um dos mais deslumbrantes retalhos de Terra da Oceânia.
Passageiros sobre a superfície gelada do Golfo de Bótnia, na base do quebra-gelo "Sampo", Finlândia
Inverno Branco
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor”. Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o quebra-gelo Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Trio das alturas
Literatura

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Iguana em Tulum, Quintana Roo, México
Natureza
Iucatão, México

A Lei de Murphy Sideral que Condenou os Dinossauros

Cientistas que estudam a cratera provocada pelo impacto de um meteorito há 66 milhões de anos chegaram a uma conclusão arrebatadora: deu-se exatamente sobre uma secção dos 13% da superfície terrestre suscetíveis a tal devastação. Trata-se de uma zona limiar da península mexicana de Iucatão que um capricho da evolução das espécies nos permitiu visitar.
Estátua Mãe-Arménia, Erevan, Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Mergulhão contra pôr-do-sol, Rio Miranda, Pantanal, Brasil
Parques Naturais
Passo do Lontra, Brasil

O Brasil Alagado a um Passo da Lontra

Estamos no limiar oeste do Mato Grosso do Sul mas mato, por estes lados, é outra coisa. Numa extensão de quase 200.000 km2, o Brasil surge parcialmente submerso, por rios, riachos, lagoas e outras águas dispersas em vastas planícies de aluvião. Nem o calor ofegante da estação seca drena a vida e a biodiversidade de lugares e fazendas pantaneiras como a que nos acolheu às margens do rio Miranda.
Passerelle secular
Património Mundial UNESCO

Galle, Sri Lanka

Nem Além, Nem Aquém da Lendária Taprobana

Camões eternizou o Ceilão como um marco indelével das Descobertas onde Galle foi das primeiras fortalezas que os portugueses controlaram e cederam. Passaram-se cinco séculos e o Ceilão deu lugar ao Sri Lanka. Galle resiste e continua a seduzir exploradores dos quatro cantos da Terra.

aggie grey, Samoa, pacífico do Sul, Marlon Brando Fale
Personagens
Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.
Cruzeiro Princess Yasawa, Maldivas
Praias
Maldivas

Cruzeiro pelas Maldivas, entre Ilhas e Atóis

Trazido de Fiji para navegar nas Maldivas, o Princess Yasawa adaptou-se bem aos novos mares. Por norma, bastam um ou dois dias de itinerário, para a genuinidade e o deleite da vida a bordo virem à tona.
Composição sobre Nine Arches Bridge, Ella, Sri Lanka
Religião
PN Yala-Ella-Kandy, Sri Lanka

Jornada Pelo Âmago de Chá do Sri Lanka

Deixamos a orla marinha do PN Yala rumo a Ella. A caminho de Nanu Oya, serpenteamos sobre carris pela selva, entre plantações do famoso Ceilão. Três horas depois, uma vez mais de carro, damos entrada em Kandy, a capital budista que os portugueses nunca conseguiram dominar.
Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Sociedade
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
O projeccionista
Vida Quotidiana
Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.
tunel de gelo, rota ouro negro, Valdez, Alasca, EUA
Vida Selvagem
Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.
Napali Coast e Waimea Canyon, Kauai, Rugas do Havai
Voos Panorâmicos
NaPali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto exploramos a sua Napalo Coast por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.