Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia


Doca gelada

Embarcações no porto gelado de Marjaniemi.

Linha de vida

Sampo desenrola a linha que permitirá puxar a rede sob o gelo.

Pesca a dois

Sampo e Iiris recolhem os peixes capturados sob as águas geladas do Golfo de Bótnia.

Pesca abaixo de 0º

Marko mostra um dos muitos peixes que pesca todas as manhãs.

Recolha abaixo de 0º

As mãos nuas de Sampo retiram peixes da rede estendida por debaixo da superfície gelada.

Estrada de frio

Trilhos deixados por uma moto de neve, sobre a beira-mar gelada da ilha de Hailuoto.

Acidente na Neve

Marko e um vizinho tentam libertar a moto de neve que o primeiro enterrou numa vala oculta.

Local de trabalho

Buraco no golfo gelado de Bótnia e uma protecção contra o vento forte que torna a tarefa ainda mais dolorosa.

A caminho da pescaria

Sampo prepara-se para escavar o buraco que lhe permitirá retirar os peixes da longa rede.

Peixe à Kievari

Prato de peixe acabado de pescar, puré e vegetais, uma refeição simples mas nutritiva da pousada-restaurante Kievari.

Velho moínho

Moínho de madeira sobressai do cenário crespuscular de Hailuoto.

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Não conseguimos evitar um ligeiro engolir em seco face ao último dos reparos de Iiris: “o homem já não me queria deixar passar à vinda mas lá se deixou convencer. Vamos outra vez agora mas duvido que amanhã ainda seja possível voltar por aqui. Vêem essas rachas e poças nas extremidades? Querem dizer que a superfície está a ficar demasiado frágil. Por isso estão prestes a fechá-la.”

Percorríamos a estrada de gelo oficial mais longa da Finlândia que, durante o longo Inverno, liga o continente à Ilha de Hailuoto sobre as águas pouco salgadas do Golfo de Bótnia que o frio intenso desta latitude solidifica com relativa facilidade.

Perguntamos à condutora se, com toda a tecnologia nórdica, não tinham inventado ainda um qualquer sistema para corrigir aquelas falhas e garantir o uso da estrada por mais tempo. A resposta leva-nos ao cerne da alma alternativa e contraditória de Hailuoto. “Não, não existe máquina nenhuma desse tipo. Depende tudo da meteorologia. Há, no entanto, uma discussão já com vários anos sobre a construção de uma ponte. Muitas pessoas da ilha estão contra. Querem mantê-la isolada e tranquila. Mas umas boas centenas trabalham em Oulu. Se forem de ferry, demoram 1h30. São 3 horas por dia em deslocação e isto quando não têm que esperar porque o ferry só leva 6 carros.

Questionamos porque essas pessoas não se mudam para Oulu. Iiris assegura que já não trabalha em Oulu mas que nem assim para lá voltaria e passa a explanar uma série de vantagens da sua nova vida insular com destaque para a segurança suplementar, para a tranquilidade e autonomia. Desde o pequeno-almoço no hotel de Oulu que estamos com ela. Sabemos que uma outra razão de coração teve influência no retiro.

“Fizeram a viagem do “Sampo”? Eu também tenho o meu próprio Sampo. Vão gostar de o conhecer”.

Segundo a mitologia finlandesa, sampo era um artefacto mágico difícil de qualificar mas que trazia boa sorte ao seu possuidor. Tinha sido construído por Seppo Ilmarinen, um espécie de deus rapaz, ferreiro, eterno martelador da mitologia finlandesa.

Mais a norte, em Kemi, “Sampo” foi também o nome dado a um quebra-gelo que deixou de ser útil para abrir caminho às embarcações cada vez mais largas a sulcar o Golfo de Bótnia e, por isso, adaptado por uma empresa para pequenos percursos turísticos demonstrativos do seu poder fragmentador e da beleza da paisagem marítima gelada.  

Entramos em Hailuoto. Entre florestas de coníferas polvilhadas pela neve e campos agrícolas enregelados, chegamos à pequena fazenda do casal. Iiris entra em casa. Pouco depois, regressa acompanhada do seu quebra-gelo cara metade. Sampo não faz jus à analogia. Começa por se mostrar intimidado pela presença destes forasteiros do sul e pouco fala enquanto reúne o que necessita para a manhã de pesca à rede que íamos acompanhar. O tempo na região manteve-se sempre sub-árctico. Em breve, à sua maneira, o anfitrião conceder-nos-ia um tratamento bem mais caloroso.

Metemo-nos os quatro na carrinha Volvo do casal, também carregada de instrumentos rurais e de pelos de animais. Um curto percurso conduz-nos de novo ao litoral congelado. Iiris prepara uma fogueira para nos despertar de uma certa inércia matinal com café e bolachas. Enquanto isso, Sampo regressa a casa para recuperar algo de que se havia esquecido e esperamos por Marko, um amigo da família e um dos verdadeiros pescadores profissionais da ilha.

Sampo demora-se. Marko, pelo contrário, aproxima-se a grande velocidade na sua mota de neve, sobre a superfície resistente mas nevada do golfo. Viramos-lhe as costas por momentos para responder a um qualquer repto de Iiris. Quando menos esperamos, ouvimos estalar os troncos e galhos de uma sebe natural. Entusiasmado com a sensação de liberdade sugerida pela ligeireza e pelo branco sem fim, o aventureiro tinha decidido meter-se terra adentro por uma abertura paralela ao trilho normal. Para seu infortúnio, a neve acumulada camuflava uma vala. Foi essa a última paragem do snowmobile, que ficou atascado entre árvores juvenis.

Marko entrou em choque. Como qualquer um faria, tentou emendar a mão antes que o incidente chamasse demasiada atenção mas, malgrado a sua enorme estatura, depressa percebeu que ia necessitar de ajuda.

Juntamo-nos aos seus esforços inglórios. Por largos minutos, escavamos enormes blocos de neve da vala para abrir uma trajectória de escape para a mota. Tudo em vão.

Sampo aparece finalmente com algumas pás. E um vizinho cinquentão, com força hercúlea, completa a equipa de salvamento. Enquanto manipula o volante o acelerador da mota, Marko auto-insulta-se e roga pragas à sua falta de discernimento. Mais cedo do que esperava, o grupo liberta-o daquela inusitada humilhação para uma foto comemorativa e para a já muito atrasada pescaria.

Agradecido, sobre a mota-de-neve também incólume, o finlandês organiza então um vai-e-vem que nos poupa a caminhadas extenuantes com neve pelos joelhos, até ao local em que Sampo mantinha as redes. Quando lá chegamos, o nativo instala um toldo rudimentar que o protege do vento cortante, cava um buraco redondo e descobre uma das pontas da longa malha estendida sob o gelo. Sampo veste uma camisola de pesca típica de Hailuoto que termina numas luvas do mesmo tom beije com os dedos cortados. Sem vestígio de pieguice, mete as mãos na água frígida e começa a puxar a rede, retirando os peixes nela emaranhados.

Marko conhece o ofício de cor. “Durante 15 anos, fui engenheiro da Nokia. Só que, em 2012, fartei-me de vez das viagens sem fim e de toda a instabilidade.” A ruptura foi tal que, mesmo consciente das suas habilitações e do salário generoso, optou por se retirar com a esposa tailandesa para a vida de Hailuoto que, como Sampo e Iiris considerava bem mais genuína e honesta que a subjugação corporativa predominante nas maiores cidades finlandesas. Também na ilha encontrou forma de subsistência.

Há muito que os restaurantes de Oulu e arredores pagavam bom dinheiro pelo peixe fresco. Marko não esteve para meias medidas. Comprou 1 km de redes e passou a vender as centenas de espécimes que recolhia todas as manhas, desde que a meteorologia o permitisse.

Começamos a tarde a degustar a iguaria numa mesa da Kievari, uma pousada-restaurante acolhedora de Hailuoto. Durante o repasto, surge um casal de vizinhos e amigos que viajavam com frequência para Goa. “Qual é mesmo o teu apelido?” perguntam. “Pereira?” Ah sim, já me lembro. É esse mesmo. Ainda o usam muito! Vamos voltar para lá em Abril.”

Depois do almoço, Sampo e Marko retornam aos seus afazeres. Iiris conduz-nos a Marjaniemi, uma península-doca da ilha que, malgrado o cenário frígido e inóspito, a anfitriã nos assegura ser uma praia divinal no Verão. O sol mergulha sobre o horizonte. Aquece ligeiramente os tons dos barcos de pesca em doca gelada e uma outra haste de vegetação que resiste ao Inverno implacável.

“Estas botas estão-me a falhar.” confessa-nos. “Tenho que ir a casa trocá-las. Estou com os pés encharcados.”

Pelo caminho, o lusco-fusco instala-se e tinge o céu de magenta. Passamos por alguns velhos moinhos de madeira e, por eles enfeitado, o cenário encanta-nos a dobrar. Pedimos à condutora para nos abandonar à beira da estrada e nos recuperar quando tivesse resolvido o problema do calçado. Nesse tempo, ainda sem raquetes de neve, resistimos a uma caminhada cruel com a neve quase pela cintura, só para chegarmos mais próximo das estruturas.

Quando Iiris nos resgata da berma, estamos de rastos. O regresso ao lar e o convívio descontraído no curral compartimentado em que ela, Sampo e a filha Elli criam porcos, ovelhas, cabras, galinhas e outras espécies menos usuais, surge como uma recompensa e faz-nos perder dois ferries de regresso. O casal convida-nos ainda para o conforto do seu lar e brinda-nos com chávenas de chá revigorantes. Faz-se tarde e o cansaço aperta mas conversamos sobre a ilha e os seus projectos de eco-turismo até ao limite.

Iiris reclama as últimas energias e leva-nos ao barco seguinte e a Oulu. Aproveita a viagem para contar outras peripécias da vida do casal em Hailuoto. A sua desinibição volta a parecer-nos bem mais latina que nórdica. Soa, no entanto, com o ritmo tranquilo e vagaroso com que os finlandeses aprendem a falar e hipnotiza-nos.

”Sabem que quando conheci o Sampo, estava sempre preocupada com a consanguinidade aqui da ilha. Como devem calcular, antes não existiam estas estradas nem os ferries. Isolados em Hailuoto, sempre foi inevitável que, de uma forma ou de outra, tudo ficasse mais ou menos em família. Envolvemo-nos depressa mas a última coisa que queria era ter filhos com problemas. Até que ele me disse que a mãe dele era do continente. Foi tudo o que precisava de ouvir. Agora temos a vida que queremos. Com todas as contas e mensalidades a acumularem-se, claro que não é fácil mas pelo menos lutamos à nossa maneira e, apesar de vivermos com um certo afastamento, gostamos muito de mostrar a ilha aos visitantes.”

Iiris conduz o carro para bordo do ferry. A embarcação zarpa para a imensidão álgida do Golfo de Bótnia. Três derradeiras horas e esta recém-convertida a Hailuoto estará de novo a salvo das luzes excessivas de Oulu e das agruras sociais da Finlândia cínica e competitiva.

Kemi, Finlândia

Não é Nenhum "Barco do Amor". Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Ilha Hailuoto, Finlândia

À pesca do verdadeiro peixe fresco

Abrigados de pressões sociais indesejadas, os ilhéus de Hailuoto sabem sustentar-se. Sob o mar gelado de Bótnia capturam ingredientes preciosos para os restaurantes de Oulu, na Finlândia continental.

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

Saariselka, Finlândia

O Delicioso Calor do Árctico

Diz-se que os finlandeses criaram os SMS para não terem que falar. Mas o imaginário dos nórdicos frios perde-se na névoa das suas amadas saunas, verdadeiras sessões de terapia física e social.

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Em louvor do vulcão
Cerimónias e Festividades

Lombok, Indonésia

Hinduísmo Balinês Numa Ilha do Islão

A fundação da Indonésia assentou na crença num Deus único. Este princípio ambíguo sempre gerou polémica entre nacionalistas e islamistas mas, em Lombok, os balineses levam a liberdade de culto a peito

Verde sem fim
Cidades
Terceira, Açores

Terceira: e os Açores continuam Ímpares

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. Estes são apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da Terceira especial não têm conta.
Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Cultura
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Em Viagem
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Ilha menor
Étnico
Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Uma Busca solitária
História

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Aulas de surf
Ilhas

Waikiki, Havai

A Invasão Nipónica do Havai

Décadas após o ataque a Pearl Harbour e da capitulação na 2ª Guerra Mundial, os japoneses voltaram ao Havai armados com milhões de dólares. Waikiki, o seu alvo predilecto, faz questão de se render.

Recta Final
Inverno Branco

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

De visita
Literatura

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Jingkieng Wahsurah
Natureza
Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Criam Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes de raízes deslumbrantes às futuras gerações.
Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
No rumo da Democracia
Parques Naturais

PN Thingvelir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.

Santuário sobre a floresta II
Património Mundial Unesco

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Acima de tudo e de todos
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Brigada incrédula
Praia

La Digue, Seichelles

Monumental Granito Tropical

Praias escondidas por selva luxuriante, feitas de areia coralífera banhada por um mar turquesa-esmeralda são tudo menos raras no oceano Índico. La Digue recriou-se. Em redor do seu litoral, brotam rochedos massivos que a erosão esculpiu como uma homenagem excêntrica e sólida do tempo à Natureza.

Solovestsky Outonal
Religião

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Sociedade
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Dança dos cabelos
Vida Quotidiana
Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Um rasto na madrugada
Vida Selvagem
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Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Radical 24h por dia
Voos Panorâmicos

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Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.