Ogimashi, Japão

Um Japão Histórico-Virtual


Acolhimento de Satoko

Kigurumi de Satoko abre os braços aos novos amigos portugueses.

Namoro kigurumi?

Mion e Keiichii Maebara partilham o encanto da paisagem outonal de Ogimashi.

Ogimashi

VIsta de Ogimashi ao cair da noite.

Lena com cutelo

O lado sombrio e demoníaco de “Higurashi no Naku Koro ni”: Lena voa a empunhar um cutelo.

Satoko & Rika

Satoko e Rika conversam.

Satoko & Chikima

Kigurumi da personagem Satoko de “Higurashi no Naku Koro ni” e um dos criativos da série, Chikima.

Futurismo Xintoísta

Rika destaca-se do cenário xintoísta do templo de Hachiman-jinja.

Convívio Kigurumi

Rena, Satoko, Mion e Keiichii Maebara este, último, aquele que, na série, desvenda a maior parte dos mistérios.

Sessões intensas

Fotógrafos de ocasião fazem as suas próprias imagens de personagens famosas que há muito conhecem.

Mensagem manga

Mensagem deixada por um jovem fã de manga no templo Hachiman.

Trio Kigurumi

Satoko, Rena e Keiichii Maebara posam para fotógrafos de ocasião.

Até há pouco, os estúdios nipónicos produziam 60% de todas as séries de animação. “Higurashi no Naku Koro ni” teve enorme sucesso. Em Ogimashi, damos com um grupo de kigurumis das suas personagens.

A evolução depressa se revelou fascinante como um qualquer nível do jogo que lhe deu origem. “Onikakushi-ken”, o primeiro título electrónico da série “Higurashi no Naku Koro ni” (“Quando as Cigarras Choram”) foi lançado em Agosto de 2002 para PC, em estilo visual novel e baseado no motor NScripter, informação que, nos dias de hoje, só dirá algo aos programadores mais informados.

A história desenrolava-se numa aldeia rural fictícia chamada Hinamizawa, aparentemente pacífica e tranquila mas onde a recém-chegada protagonista Keiichi Maebara vem a descobrir que, nos últimos quatro anos, tem morrido uma pessoa e desaparecido uma outra durante o Watanagashi-matsuri (Festival do Algodão Flutuante) que ali presta homenagem ao guardião da aldeia Oyashiro-sama. Ao longo dos jogos, intrigada e determinada, a adolescente investiga os vários mistérios com que se depara.

Não satisfeitos com o já de si complexo enredo passado para as pranchas e computadores, os criadores deram-se ao trabalho de desenvolverem um contexto histórico tão ou mais exaustivo e, surpreendentemente macabro. Foi esta dicotomia dinâmica entre o visual patusco predominante entre as personagens e o envolvimento malévolo por detrás que atraiu e fidelizou os fãs da série.

O seu principal mentor, Ryukishi07 (cavaleiro do dragão), confessou-se um fã inveterado da epopeia electrónica-nipónica “Final Fantasy”. Aliás, a Reina Ryugu de “Higurashi no Naku Koro ni” – uma das suas 6 adolescentes  – foi inspirada na heroína semi-homónima daquela outra produção.

De acordo com a imaginação de Ryukishi07, séculos antes, Watanagashi era conhecido como o Festival dos Intestinos Flutuantes. Servia para os aldeões limparem os seus pecados com o sangue de um humano torturado com recurso a ferramentas disponíveis no templo fictício Furude, segundo um processo meticuloso que envolvia pregar pregos em cada junta dos dedos da vítima antes de um sacerdote lhe retirar o estômago e os intestinos com um instrumento parecido com uma enxada, a que se seguia uma dança intrincada. As vísceras e o corpo seriam depois atirados ao rio e flutuariam com a corrente, simbolizando, assim, o afastar dos pecados das pessoas.

Em tempos mais recentes, o Watanagashi original começara a ser visto como demasiado violento e cruel. Os aldeões adaptaram, assim, o outro significado do prefixo wata (algodão em vez de intestinos).

A partir de então, contribuíram com velhas peças de vestuário cujo algodão seria retirado e reunido num grande futon. O sacerdote passou a esventrar o futon em vez de um infeliz humano e caberia a cada aldeão retirar um pedaço do enchimento para colocar a flutuar no rio. Vários outros acontecimentos e ligações passados apimentam o desenrolar da saga que segue as fórmulas mais inesperadas do suspense psicológico.

Em Agosto de 2006, já existiam oito jogos. “Higurashi no Naku Koro ni” teve tanto sucesso que justificou o lançamento de CDs com animação. Pouco depois, seguiu-se a adaptação para manga, publicada na revista “Gangan Powered” com ilustrações da famosa artista Karin Suzuragi. Quase ao mesmo tempo, saíram a versão animéHigurashi no Naku Koro ni Kai” e um conjunto de animações vídeo originais.

O sucesso, cada vez mais internacional, nunca cessou de aumentar e esta última experiência, em particular, justificou, em 2008, a adaptação cinematográfica da série. 

Da última vez que viajámos pelo Japão, sentimos o mesmo apelo inspirador de Ryukishi07 por Shirakawa-Go, um reduto interior e semi-rural da região de Hida que a UNESCO classificou como Património Mundial para proteger a sua cultura e, em particular, as casas gassho-zukuri («mãos em oração»), aperfeiçoadas com o passar dos séculos com o fim de resistir à meteorologia caprichosa daquela que é uma das zonas mais nevosas à face da Terra.

Visitamos o lugar com expectativas elevadas que, malgrado o fluxo excessivo de visitantes quase inevitável nas ilhas do sol nascente, acabam por se cumprir.

Chegamos ao fim do segundo dia de exploração da zona. O sol já desapareceu por detrás da encosta íngreme da montanha de Hakusan e a noite anuncia-se sobre o vale de Shokawa. Sem qualquer aviso, o cenário misterioso do templo Hachiman-jinja é invadido por um bando de kigurumis (bonecos animados por pessoas).

As suas figuras garridas e cândidas passeiam-se sobre a escadaria irregular. Insinuam-se e interagem com movimentos e poses tão expressivos e sentimentais que poderiam seduzir o mais rude dos humanos. Persegue-os um grupo coordenado de fotógrafos que reage a qualquer solicitação, sob supervisão descontraída e afável de Chikima, um criativo sui generis da série.

No tempo que passou, o filme tinha tido um excelente retorno de bilheteiras e justificou a aposta do estúdio numa sequela cinematográfica “Higurashi no Naku Koro ni Chikai” um título que, à boa maneira nipónica, voltou a explorar o duplo sentido das palavras: naku pode significar tanto “sons feitos por organismos não humanos” como “chorar”.

Em cada episódio da longa saga, a protagonista descobre que um dos amigos tinha sofrido uma demonização e cometido os crimes. Para cúmulo dos cúmulos, por norma, as vítimas são os seus próprios amigos: Mion, Shion, Rena, Satoko, Hanyū e Rika. A história desenvolve-se em capítulos questão, capítulos de resposta e alguns outros extra. São também criados finais paralelos, uns aterrorizantes outros mais suaves.

No fim de 2009, foi lançado para Playstation “Higurashi no Naku Koro Ni Matsuri: Kakera Asobi”. Nesta versão, se os jogadores tomarem determinadas decisões, podem gerar um desfecho mais terrível ou agradável para dois fins distintos da série: “Miotsukushi-hen” (Drenagem do Canal) que é, segundo o autor, o verdadeiro final ou o mais feliz “Matsuribayashi-hen” (Música do Festival).

Quando encontramos os kigurumis, apesar do cenário algo arrepiante formado pelos pinheiros e ciprestes nipónicos da floresta de Ogimashi, o grupo está a salvo e exibe as suas melhores expressões de empatia. Aproveitamos para entramos, por momentos, naquele improvável convívio abonecado e fazemo-nos fotografar na sua companhia e na de Chikima sem grande comunicação verbal para lá de uns "segoys" (cool, giro) e "arigatos" ou não fossem aqueles japoneses, como a grande parte, inábeis no uso de línguas estrangeiras e, nós, meros estudantes preguiçosos do seu exigente dialecto.

Faltam apenas uns minutos para o escuro se apoderar em absoluto do vale e os curiosos que acompanhavam a acção promocional já debandaram.

Os telhados dos gasshos soltam fumo branco com cheiro a lenha mesmo ao lado do parque de estacionamento improvisado em que tínhamos deixado o carro alugado, numa espécie de quintal repleto de diospireiros carregados. Ali, assistimos a um inesperado desmistificar da série.

Damos com a carrinha da comitiva de Chikima na proximidade da nossa. Fechado mais um dia de trabalho, os jovens que animavam os sete kigurumis despiam as cabeleiras e fatos e transformavam-se em adolescentes de carne e osso – mais osso que carne, diga-se de passagem. De cuecas, sob uma temperatura quase negativa, tremiam de frio, desejosos de  mudarem aquele desagradável final.

Espectáculos

A Terra em Cena

Um pouco por todo o Mundo, cada nação, região ou povoação e até bairro tem a sua cultura. Em viagem, nada é mais recompensador do que admirar, ao vivo e in loco, o que as torna únicas.

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Takayama, Japão

Entre o Passado Nipónico e a Modernidade Japonesa

Em três das suas ruas, Takayama retém uma arquitectura tradicional de madeira e concentra velhas lojas e produtoras de saquê. Em redor, aproxima-se dos 100.000 habitantes e rende-se à modernidade.

Ogimashi, Japão

Uma Aldeia Fiel ao "A"

Ogimashi revela uma herança fascinante da adaptabilidade nipónica. Situada num dos locais mais nevosos à face da Terra, esta povoação aperfeiçoou casas com verdadeiras estruturas anti-colapso.

Tóquio, Japão

O Vídeo-Vício Que Deprime o Japão

Começou como um brinquedo mas a apetência nipónica pelo lucro depressa transformou o pachinko numa obsessão nacional. Hoje, são 30 milhões os japoneses rendidos a estas máquinas de jogo alienantes.

Sirocco
Arquitectura & Design

Helsínquia, Finlândia

O Design que Veio do Frio

Com parte do território acima do Círculo Polar Árctico, os finlandeses respondem ao clima com soluções eficientes e uma obsessão pela estética e pelo modernismo inspirada pela vizinha Escandinávia.

Radical 24h por dia
Aventura

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

Parada e Pompa
Cerimónias e Festividades

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Verão Escarlate
Cidades

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Sombra de sucesso
Cultura

Champotón, México

Rodeo debaixo de Sombreros

Com o fim do ano, 5 municípios mexicanos organizam uma feira em honra da Virgén de La Concepción. Aos poucos, o evento tornou-se o pretexto ideal para os cavaleiros locais exibirem as suas habilidades

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Bark Europa
Em Viagem

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No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Convívio masai
Étnico

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Um Povo Entregue à Bicharada

A savana de Mara tornou-se famosa pelo confronto entre os milhões de herbívoros e os seus predadores. Mas, numa comunhão temerária com a vida selvagem, são os humanos Masai que ali mais se destacam.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Dia escuro
História

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Mar, Doce Mar

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Autoridade bubalina
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Solidariedade equina
Inverno Branco

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Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

Silhueta e poema
Literatura

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Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Picos florestados
Natureza

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Os picos graníticos de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.

Aposentos dourados
Outono

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Outono no Cáucaso

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Punta Cahuita
Parques Naturais

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Costa Rica de Rastas

Em viagem pela América Central, exploramos um litoral costariquenho tão afro quanto caribenho. Em Cahuita, a Pura Vida inspira-se numa fé excêntrica em Jah e numa devoção alucinante pela cannabis.

Património Mundial Unesco
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
Curiosidade ursa
Personagens

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Desembarque Tardio
Praia

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Folia Divina
Religião

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Mini-snorkeling
Sociedade

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana
Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Devils Marbles
Vida Selvagem

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A Caminho do Top End

Do Red Centre ao Top End tropical, a Stuart Hwy percorre mais de 1.500km solitários através da Austrália. Nesse trajecto, a grande ilha muda radicalmente de visual mas mantém-se fiel à sua alma rude.

Os sounds
Voos Panorâmicos

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Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.