Elmina, Gana 

O Primeiro Jackpot dos Descobrimentos Portugueses


Em plena costa do Ouro

Uma vaga desenrola-se no Golfo da Guiné, com a fortaleza de São Jorge da Mina em fundo. 

Sem retorno

Motorista de visita à fortaleza junto à porta sem retorno de onde os escravos ganeses eram enviados para o continente americano.

Mar de pescadores

Vista do porto de Elmina a partir do forte Coenraadsburg, uma fortaleza construída após a conquista de São Jorge da Mina e da região pelos holandeses.

Acima de Elmina

Visitantes ganeses num dos pátios dotados de canhões do forte de São Jorge da Mina.

Em rede

Pescadores ganeses em plena faina no porto sempre atarefado de Elmina.

O âmago de Elmina

Interior da fortaleza de São Jorge de Mina com o seu pátio na base de várias secções imponentes.

Mercado espontâneo

Vendedoras de peixe exibem o seu produto mesmo em frente à fortaleza de São Jorge da Mina

Uma chamada histórica

Ganês fala ao telefone sobre uma das varandas do interior do forte de São Jorge da Mina.

Doca em frenesim

Centenas de barcos de pesca coloridos pela sua pintura e por pequenas bandeiras de vários países do mundo, no estuário do rio Benya.

No séc. XVI, Mina gerava à Coroa mais de 310 kg de ouro anuais. Este proveito suscitou a cobiça da Holanda e da Inglaterra que se sucederam no lugar dos portugueses e fomentaram o tráfico de escravos para as Américas. A povoação em redor ainda é conhecida por Elmina mas, hoje, o peixe é a sua mais evidente riqueza.

As ondas do Atlântico desfazem-se areal acima. Desenrolam-se, vigorosas, quase até linha de coqueiros cimeira entre o limiar da Costa do Ouro e a estrada N1 que percorremos desde a já longínqua Acra. A determinada altura, um meandro do asfalto concede-nos a visão longínqua de um castelo branco ladeado por mais coqueiros hirtos e que parece flutuar entre o azul do oceano e o do céu. A configuração do percurso não tarda a esconde-lo mesmo se nos aproximamos, a cada quilómetro que passa, da povoação envolvente.

A estrada volta a render-se ao afago das vagas. Logo, serpenteia entre pequenas enseadas inundadas de barcos de pesca folclóricos ou pelo meio de um casario também garrido que se adensa.

Deixamos o carro. Completamos o que faltava do percurso até à base da língua de terra em que sabíamos ir-se materializar a miragem de há minutos. Os primeiros moradores da zona estão demasiado atarefados para ligarem à nossa incursão. Até que, com o castelo pela frente, na comunhão de bandos errantes de cabras e de uma multidão frenética de pescadores e varinas ganesas, nos abordam alguns vendedores e candidatos a guias cada qual com as suas próprias abordagens de encantar. “De que país são? Portugal? Isto era vosso, já sabem, não é ? … Encontraram o guia certo para vos explicar como tudo se passou!”

Prosseguimos em direcção ao forte a responder às propostas concorrentes e persistentes de venda de serviços e de artesanato da forma o mais paciente possível.

É assim, semi-escoltados, que chegamos à entrada do velho castelo, isolada por fossos e disfarçada na sua imponente fachada virada a terra, como é suposto numa fortaleza erguida para se conservar.

Invadimo-la curiosos pelo que encontraríamos no interior, onde nos esperava Alex Afful o guia pré-incumbido de nos apresentar o monumento. Instantes depois, já seguíamos os seus passos e as suas palavras numa deslumbrante viagem ao passado épico mas também pesaroso da actual Elmina.

O Infante D. Henrique enviava navegadores a explorar a costa africana desde 1418, instigado pelos rumores de abundância de ouro, marfim, pedras preciosas e de outras riquezas, pelo anseio de encontrar uma rota alternativa que permitisse chegar directamente às especiarias da Ásia, descartando os comerciantes árabes, até então, intermediários incontornáveis e pelo interesse da igreja em converter ao Cristianismo os povos a sul da Ibéria. Após cinquenta anos em que esses navegadores foram aportando ao longo da costa de África, em 1471, chegaram à zona de Mina. Regia, então, Afonso V pouco interessado em continuar a apoiar as expedições marítimas e o comércio da Guiné que só recentemente tinham começado a dar proveitos à Coroa. O rei arrendou a exploração da Costa da Guiné, sob regime de monopólio comercial, a um comerciante de nome Fernão Gomes. Ao chegar à zona do actual Gana, Fernão Gomes deparou-se com um comércio de ouro já estabelecido entre nativos de distintas etnias e entre estes e os sempre incómodos comerciantes árabes e berberes. Fernão Gomes apressou-se a impor as suas próprias regras, como era de esperar, apoiado pela Coroa. Já com o Tratado de Alcáçovas a assegurar os direitos exclusivos sobre a recém-baptizada Costa do Ouro, D. João II, o rei que se seguiu, deliberou que devia ser construído um novo entreposto que protegesse o comércio aurífero de Portugal no Golfo da Guiné. O projecto foi atribuído a um cavaleiro da Ordem de Aviz granjeado com várias comendas e conselheiro do rei. D. Diogo de Azambuja combatera lado a lado com Afonso V na conquista de Alcácer-Ceguer. Foi determinante na Guerra de Sucessão de Castela de 1475-1479 em que o inimigo lhe feriu gravemente uma perna.

A nova aventura africana de que D. João II o incumbiu celebrizou-o ainda mais. Em 1481, Azambuja comandou uma frota de nove caravelas e duas naus que transportou 600 soldados, 100 pedreiros e carpinteiros e toneladas de pedra e outros materiais necessários à construção da fortaleza planeada. Volvido um ano, Azambuja já aproveitava o pé-de-guerra entre as poderosas etnias da região: os Akans, os Ashantis, os Fantis e outros.  Aliado aos Akans, conseguiu permissão para erguer a fortaleza, obra que terá terminado em 1482.

Na sequência, enviou a frota de volta a Lisboa. Permaneceu em Mina até 1484, com 60 soldados – entre os quais Cristovão Colombo – e a tarefa adicional de aprofundar contactos comerciais com a população nativa que aumentassem o proveito da Coroa.

Enquanto seguimos Alex Afful, testemunhamos a seriedade com que Azambuja desempenhou a sua missão. Por ter sido construída sobre camadas profundas de rocha sedimentar, a fortaleza de Mina resistiu às vagas do Atlântico que, como presenciámos, a continuam a fustigar.  Passou pelo tempo de tal maneira que mal parece acabada de erguer. Mantêm-se intactos os seus três grandes pátios: o principal, o interior e o de serviço. À medida que a eles acedemos por escadarias íngremes e adarves amplos percebemos o grau de complexidade e a clareza arquitectónica da estrutura. Vislumbramos o Atlântico sem fim dos seus baluartes virados a Ocidente. Subimos aos aposentos construídos no cimo da estrutura para albergar o Capitão-Mor. Apercebêmo-nos, de imediato, de como são amplos e os ventila uma brisa permanente vinda do oceano. Ao contrário das divisões em redor do pátio principal que vieram mais tarde a servir para aprisionar captivos africanos.

Alex Afful sublinha que o comércio de escravos convencional só teve início após os portugueses perderem a fortaleza para os holandeses. Mesmo assim, atalha num ápice a visita guiada para os seus recantos mais tenebrosos e elucida-nos quanto às agruras que ali viriam, entretanto, a ser cometidas. “E esta era a famosa Door of No Return semelhante à de outros fortes e casebres ao longo da costa africana. Daqui, desta masmorra tenebrosa, os escravos eram acorrentados e despachados para os barcos. Aqueles que sobreviviam à travessia do oceano nunca mais voltavam a ver África.” Reparamos em várias grinaldas de flores colocadas por visitantes anteriores em pesar pelos seus antepassados e, à entrada do forte, num texto negro encrustado num mármore branco que dita ”Na Memória Eterna: da angústia dos nossos ancestrais. Que possam aqueles que morreram repousar em paz. Que possam aqueles que regressarem encontrar as suas raízes. Que a Humanidade nunca mais perpetre tal injustiça contra a Humanidade. Nós os que vivemos, juramos que assim será.”

Subimos a um varandim amplo virado para a povoação que acabamos por partilhar com um grupo de ganeses, alguns trajados de jilabas, que se fotografam de iPad em riste, entre uma bateria de velhos canhões negros. Desse miradouro muralhado, apreciamos o casario multicolor de Elmina e um outro forte destacado acima na encosta. E, mais impressionante, que tudo, testemunhamos a incrível azáfama que tomava conta da foz do rio Benya. Um atrás do outro, dezenas de barcos venciam as ondas do fim do estuário e na entravam na boca do rio apontados às docas de pesca mais repletas de embarcações e inundadas de gente e de peixe que até hoje presenciámos, em mais de quinze anos de viagens pela Terra. Haveríamos de examinar de mais perto. Até então, continuámos a descobrir os recantos intrigantes e os segredos do forte de São Jorge de Mina.

No ápice do comércio do ouro, no século XVIII, mais de 300 toneladas de ouro por ano foram trocadas por trigo, tecidos e roupas árabes, colares e artigos de latão, panelas e penicos que fizeram um sucesso muito especial. Entre 1504 e 1582, terão sido trocados por ouro mais de 270.000 unidades de penicos. Também eram trocados por ouro escravos trazidos do vizinho Benim e de outras paragens. Fosse qual fosse a moeda de troca, o ouro abundava. Em 1500, cerca de 10% das reservas de ouro do mundo.

Os corsários franceses e ingleses apressaram-se a atormentar os navios portugueses que lá ancoravam.

No contexto da dinastia filipina, a Espanha entrou em conflito com os Países Baixos. Estes expandiram os seus ataques a posses coloniais antes portuguesas tanto no Nordeste do Brasil como no Golfo da Guiné. Em 1637, após cinco dias de resistência de quarenta homens que se diz doentes e mal-armados tomaram a fortaleza de São Jorge de Mina, à imagem do que fizeram a outros fortes portugueses no litoral africano. Um dos factos mais fascinantes com que nos confrontamos é que os holandeses tiveram como reforços mercenários de várias partes da Europa. Também índios tapuias do Brasil que se aliaram ao conde Maurício de Nassau quando os holandeses se apoderaram de Pernambuco.

Os novos senhores de Mina rebaptizaram e ampliaram a fortaleza. Mas, por volta de 1620, o ouro diminuiu e tornou-se mais difícil de obter. Os holandeses reagiram. Adaptaram este e outros fortes erguidos pelos portugueses a um comércio que – numa rota geográfica bem distinta da aproveitada pelos portugueses – começara a gerar lucros exorbitantes: o fornecimento de escravos africanos às colónias das Américas, isto com o patrocínio dos próprios chefes das etnias akan, ashanti e fanti que os capturavam às tribos rivais e forneciam aos europeus.

O historiador ganês Kwesi Anquandah afiança que só no século XVII, a região da Costa do Ouro exportou mais de 650.000 escravos para o continente americano. Uma parte substancial, passou pela Door of No Return de Mina. Entre 1700 e 1755, muitos tiveram como destino o Brasil onde eram chamados de “minas”. Prisioneiros de guerra altivos, provaram-se desobedientes e pouco dispostos a trabalhos forçados. No Brasil, participaram na maior parte das revoltas de escravos do século XVIII e deram origem a inúmeros quilombos. Em 1850, os ingleses, proibiram e fomentaram o fim do comércio de escravos. Chegaram, inclusive, a capturar navios negreiros. Vinte e três anos depois, também capturaram aos holandeses o forte de Mina e apoderaram-se de todo o Gana. Como constatámos vezes sem conta, persiste uma forte cumplicidade histórica, cantada pelos novos ídolos do hip-hop e rap nacional entre o Gana e principalmente as Índias Ocidentais e os E.U.A.. Além da sua herança genética, ao invés da maior parte dos vizinhos africanos que, com a excepção da Nigéria, são francófonos, estas nações preservam língua e cultura anglófonas.

Após deixarmos o forte que ainda contornamos pelo exterior, embrenhamo-nos nas margens do rio Benya, olhados de soslaio pelas varinas que se mostram enfurecidas mal levantamos as máquinas fotográficas e, quase todas, se apressam a informar-nos do preço das suas imagens: “vai-vos custar 20 cedis! ”. Aquela fraca disposição para a fotografia obriga-nos a complexos lobbies e manobras diplomáticas. Colocamo-los em prática com paciência até mesmo no antro pestilento e caótico das margens e docas de pesca, entre barcos com bandeirinhas de centenas de países do mundo, e incontáveis espécimes recém-capurados no Atlântico ao largo, hoje, a prosperidade árdua mas garantida dos ganeses orgulhosos de Elmina.

Nzulezu, Gana

Uma Aldeia à Tona do Gana

Partimos da estância balnear de Busua, para o extremo ocidente da costa atlântica do Gana. Em Beyin, desviamos para norte, rumo ao lago Amansuri. Lá encontramos Nzulezu, uma das mais antigas e genuínas povoações lacustres da África Ocidental.
Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.
Table Mountain, África do Sul

À Mesa do Adamastor

Dos tempos primordiais das Descobertas à actualidade, a Montanha da Mesa sempre se destacou acima da imensidão sul-africana e dos oceanos em redor. Os séculos passaram e a Cidade do Cabo expandiu-se a seus pés. Tanto os capetonians como os forasteiros de visita se habituaram a contemplar, a ascender e a venerar esta meseta imponente e mítica.
Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado, Moçambique. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, a ilha Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.
Ilha de Moçambique

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Acra, Gana

A Cidade que Nasceu no Berço da Costa do Ouro

Do desembarque dos navegadores portugueses à independência em 1957, sucederam-se as potências que dominaram a região do Golfo da Guiné. Após o século XIX, Acra, a actual capital do Gana, instalou-se em redor de três fortes coloniais erguidos pela Grã-Bretanha, Holanda e Dinamarca. Nesse tempo, cresceu de mero subúrbio até uma das megalópoles mais pujantes de África.

Cebu, Filipinas

O Atoleiro de Magalhães

Tinham decorrido quase 19 meses de navegação pioneira e atribulada em redor do mundo quando o explorador português cometeu o erro da sua vida. Nas Filipinas, o carrasco Datu Lapu Lapu preserva honras de herói. Em Mactan, uma sua estátua bronzeada com visual de super-herói tribal sobrepõe-se ao mangal da tragédia.

Ilha de Goreia, Senegal

Uma Ilha Escrava da Escravatura

Foram vários milhões ou apenas milhares os escravos a passar por Goreia a caminho das Américas? Seja qual for a verdade, esta pequena ilha senegalesa nunca se libertará do jugo do seu simbolismo.​

Um
Arquitectura & Design

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Lenha
Aventura

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Cerimónias e Festividades
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Himalaias urbanos
Cidades
Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção dos Himalaias da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos crêem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.
Comida
Comida do Mundo

Gastronomia Sem Fronteiras nem Preconceitos

Cada povo, suas receitas e iguarias. Em certos casos, as mesmas que deliciam nações inteiras repugnam muitas outras. Para quem viaja pelo mundo, o ingrediente mais importante é uma mente bem aberta.
Verão Escarlate
Cultura

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Platipus = ornitorrincos
Em Viagem

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A Milhas do Natal (parte II)

A 25 Dezembro, exploramos o interior elevado, bucólico mas tropical do norte de Queensland. Ignoramos o paradeiro da maioria dos habitantes e estranhamos a absoluta ausência da quadra natalícia.

Cowboys basotho
Étnico

Malealea, Lesoto

O Reino Africano dos Céus

O Lesoto é o único estado independente situado na íntegra acima dos mil metros. Também é um dos países no fundo do ranking mundial de desenvolvimento humano. O seu povo altivo resiste à modernidade e a todas as adversidades no cimo da Terra grandioso mas inóspito que lhe calhou.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Minhocas
História

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Praia Islandesa
Ilhas

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Alturas Tibetanas
Natureza

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e a experiência que não se deve arriscar subir à pressa.
Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Correria equina
Parques Naturais
Castro Laboreiro, Portugal  

No Cimo Raiano-Serrano de Portugal

Chegamos à eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Um rasto na madrugada
Património Mundial Unesco
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Gang de 4
Personagens
Tombstone, E.U.A.

Tombstone: a Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.
Mme Moline popinée
Praia

Lifou, Ilhas Lealdade

A Maior das Lealdades

Lifou é a ilha do meio das três que formam o arquipélago semi-francófono ao largo da Nova Caledónia. Dentro de algum tempo, os nativos kanak decidirão se querem o seu paraíso independente da longínqua metrópole.

Rumo ao vale
Religião
Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.
White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Erika Mae
Sociedade

Filipinas

Os Donos da Estrada

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, os filipinos transformaram milhares de jipes norte-americanos abandonados e criaram o sistema de transporte nacional. Hoje, os exuberantes jeepneys estão para as curvas

O projeccionista
Vida Quotidiana

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Patrulha réptil
Vida Selvagem
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O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.