PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil


Respeito felino

Jovem leão hesita em aproximar-se de uma das muitas manadas de elefantes do PN Hwange.

Um bebedouro conveniente

Elefantes bebem água num tanque instalado pelo Somalisa Expeditions Lodge.

Na peugada

Robert analisa marcas de animais deixadas na areia do deserto do Kalahari.

O clã juvenil

Alcateia de leões reunida junto a uma lagoa artifical do  PN Hwange.

Robert “Kalahari”

Guia Robert Chadyendia  junto a uma das lagoas frequentadas pelos animais do parque. 

Familiaridade

Roberta observa a alcateia descendente dos já falecidos leões Cecil e Jericho.

Cecil Jr.

Um dos jovens leões descendentes de Cecil.

Cecil Jrs.

Dois outros leões acabam de devorar uma zebra capturada durante a madrugada.

De olho nos olhos

Robert perscruta as imediações do caminho de regresso ao Somalisa Expeditions Camp, em busca de animais nocturnos.

Somalisa Expeditions Camp

A área de BOMA (em redor da fogueira) do Somalisa Expeditions Camp.

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.

São os elefantes, mais que os leões, os animais emblemáticos e predominantes do PN Hwange. Ainda assentamos os pés na elegante sala principal do Somalisa Expeditions quando alguns espécimes nos surpreendem. “Venham cá, espreitem aqui!” apela-nos Nônô da abertura da grande tenda militar. Quando chegamos à sua companhia, vemos quatro enormes paquidermes alinhados a sorver água do tanque que o lodge instalara nos fundos do seu pátio exterior. “Podem lá ir sem problema. Não passem é das cadeiras para diante. Eles estão habituados a encontrar gente!”. Avançamos com a desconfiança natural de quem não gosta de arriscar a vida ao desbarato. Aos poucos, chegamos a dois ou três metros dos bichos que interrompem o sorvedouro barulhento para perceber o se aproximava. Um deles solta um ténue rugido de alerta mas continuam a hidratar-se. Nós, sentamo-nos no estrado a apreciar a sua portentosa beleza. Até que a sede se dissipa, a quadra nos vira as costas e se some na vastidão do Kalahari. A partir desse momento de tão próxima comunhão, avistaríamos centenas de outros elefantes. As suas visitas ao Somalisa Expeditions haveriam de se repetir, algumas não tão tranquilas.

Tudo isto se passa no tempo entre chegarmos de jipe e nos instalarmos na tenda que nos tinham destinado. Nessa tarde, ainda saímos para um game drive, conduzidos e guiados por Robert Chadyendia, um dos especialistas em vida animal do Kalahari dos Somalisa.

Robert inteirou-se de que não era propriamente o primeiro game drive que fazíamos. Não precisávamos de lhe dizer que gostávamos de encontrar grandes predadores. Pelo caminho, os elefantes eram tantos que, aos poucos, deixaram de nos entusiasmar. Por mais que se revelassem, os herbívoros de estilo antílope nunca nos encheriam as medidas. Consciente desta exigência, Robert aponta para um dos charcos reabastecidos de forma artificial para manter os animais na área do parque. “Vamos lá espreitar, nunca se sabe. A esta hora podem andar por qualquer parte mas eles adoram beber ali ao fim da tarde…” A sua aposta foi ganha: “Está ali um jipe de outro campo. Eu diria que sim, temos leões …”

Ao chegarmos às imediações da lagoa, a primeira coisa em que reparamos é na estranheza do atardecer. Duas enormes árvores mortas tinham os seus ramos recortados contra o céu. Um bando de patos chafurdava de cabeça enfiada na água e duas tarambolas piavam, como sempre, incomodadas e estridentes. O grupo de leoas e jovens leões repousava, soberbo, uns poucos metros para lá da margem oposta. “Estão a vê-los? São os descendentes do Cecil. Depois de o Cecil morrer, o Jericho – o outro leão com quem ele se aliou – ficou com duas alcateias. Mas o Jericho morreu em Outubro do ano passado, de causas naturais. Daí em diante, os leões com mais idade de uma das alcateias tomaram conta do recado. São aqueles … “

Escureceu em três tempos. Ao lusco-fusco, os leões que pouco mais tinham feito que dormitar e espreguiçar-se, levantam-se e seguem pelo mesmo trilhado de que tínhamos vindo. Quando se metem na vegetação baixa da savana, perdemos-lhes o rasto. No primeiro dia de Julho de 2015, aconteceu o mesmo aos rangers do PN Hwange – e aos cientistas da Universidade de Oxford – quanto ao grande leão Cecil, a estrela do parque.

Cecil tinha sobrevivido a confrontos com os Askaris, leões de uma alcateia rival com poder consolidado. Para lhes resistir, associou-se a um outro macho solitário, Leander. Leander foi mortalmente ferido pelo líder dos Askaris quando este, mais volumoso e agressivo, resistiu a um ataque concertado de Cecil e Leander. Cecil sofreu, ele próprio, danos consideráveis mas recuperou. Decorrido algum tempo, foi expulso pelos restantes Askaris para a ala sudeste do parque. Ali, cresceu e floresceu. Tornou-se num leão majestoso, com uma juba negra exuberante inconfundível. Entre leoas e crias, a sua alcateia chegou a congregar vinte e dois espécimes. Em 2012, dois jovens leões recém-chegados afugentaram-no. Jericho, que tinha previamente uma outra aliança, teve o seu parceiro abatido por um caçador de trofeus. No início de 2013, os arquirivais Cecil e Jericho (um Askari) viram-se frente a frente. Em vez de lutarem, perceberam que estariam melhor aliados. De início, a sua relação foi conturbada, com ambos a tentarem desancar-se para afirmar supremacia. Ainda assim, vieram a formar um duo inseparável e imbatível. Em breve, comandavam duas alcateias num território vasto de uma zona muito frequentada por visitantes. Tornaram-se os protagonistas do PN Hwange. Até que nova e horrífica intervenção humana pôs cobro à vida de Cecil.

Como quase todos os rangers do Somalisa e de outros campos do parque, Robert sabe a história de cor e salteado. Conta-nos uma parte no fascinante regresso nocturno ao ponto de partida, sob um dos firmamentos mais carregados de estrelas que alguma vez tínhamos visto e, aqui e ali, de foco poderoso em riste, em busca de animais nocturnos.

Apesar da oposição activa de muitas instituições ambientalistas e de incontáveis figuras públicas, a caça recreativa de trofeus angaria, todos os anos vários milhões de euros. Principalmente por este motivo financeiro mas, claro está, devido à persistente procura por parte de criaturas humanas perversas, o “desporto” prospera em países como a África do Sul, a Namíbia e … o Zimbabué. Uma das organizações que mais o fomenta é o Safari Club International (SCI), uma organização com sede em Tucson, Arizona. O SCI conglomera milhares de caçadores de troféus de todo o mundo mediante joias anuais que vão dos 65 aos 225 USD. Além de estar por detrás dos mais influentes lobbies pró-caça de vida selvagem, organiza expedições em que esta mesma é levada a cabo, selada com carnificinas dos animais, assim justifica o direito dos caçadores a colocarem os troféus nas paredes de suas casas. Apesar de considerado um leão especial, Cecil foi só mais uma das milhares de vítimas anuais do SCI.

Em 1 de Julho de 2015, Jericho e Cecil estavam numa área que se tornara seu território mas que ficava fora dos limites do PN Hwange, numa reserva privada em que a caça recreativa era permitida. Walter Palmer, um norte-americano do Minnesota, sócio do SCI, tinha pago cerca de 50.000 dólares americanos a um guia de caça profissional, Theo Bronkorst, para este o auxiliar a matar um leão, se possível com arco e flecha. Bronkorst atraiu alegadamente Cecil com isco de carne de elefante. Palmer feriu-o com uma flecha. Ambos perseguiram o leão horas a fio. Palmer afirma que matou Cecil – então com treze anos – com mais uma flecha. As autoridades reclamam que o terá abatido com uma espingarda. O caso foi reportado por instituições de protecção de vida selvagem. Tornou-se um escândalo mundial. Palmer viu-se perseguido e insultado, tanto nas redes sociais como em todo o lado em que era visto. Teve que encerrar a clínica dentária que mantinha em Bloomington, no Minnesota. O exterior da sua casa de férias da Flórida foi adornado com sucessivas mensagens de repúdio e ódio. Figuras públicas como Leonardo di Caprio insurgiram-se contra ele e ditaram a extensão da sua perseguição. O dentista-caçador fez questão de sublinhar que não fazia ideia de que Cecil era um leão famoso mas nunca mostrou qualquer arrependimento por matar animais selvagens. Nada indica ter deixado a caça de trofeus.

Palmer livrou-se de qualquer condenação quer nos E.U.A. quer no Zimbabué, isto por ter todos os papéis em ordem na altura da caçada.

A aflição depressa lhe passou. No dia em que se cumpriu um ano do abate de Cecil, os paparazzi apanharam-no a conduzir um Porsche Cayenne Turbo e a exibi-lo ao pessoal do vallet parking dum bar faustoso de Minneapolis. Foi descrito como satisfeito da vida.

E, no entanto, a animosidade gerada em seu torno causou mudanças na atitude de várias autoridades nacionais face à caça recreativa de troféus. Nos E.U.A. e na União Europeia, os legisladores esforçaram-se por banir de vez a importação de trofeus de leões. A polémica fez com que as três maiores companhias aéreas americanas proibissem o seu transporte. Entretanto, uma petição de nome “Justiça para Cecil” que reclamava que o governo do Zimbabué parasse de emitir permissões de caça para animais em perigo de extinção foi assinada por 1.2 milhões de pessoas, isto apesar de, como fez notar o jornal zimbabueano “The Chronicle”, 99.99% dos seus compatriotas não fazerem ideia de quem era o tal leão.

O governo do Zimbabué cedeu. Decretou que tais mortes passariam a ter que ser justificadas e autorizadas pela Direcção Geral dos Parques Nacionais e da Vida Selvagem do país. Para bem dos leões que encontrámos no PN Hwange – vários deles filhos e netos de Cecil e de Jericho – e de tantos outros.

O dia seguinte amanhece com Warthog – um elefante assim baptizado pelo pessoal do Somalisa por ter as presas a apontar para fora como os javalis-africanos – a tentar ultrapassar a barreira de troncos que protegia o pátio do campo. Warthog mostra-se uma vez mais ansioso por devorar os frutos das acácias acumulados no solo. A obsessão do elefante é tal que Nônô se vê obrigada a chamar Robert. Com recurso a um pau e a repetido bater de palmas, este, consegue, por fim, afugentá-lo para logo detectarem um babuíno escondido na casa de banho oposta à grande tenda. “Este agora habituou-se a isto”, contam-nos como se de nada se tratasse. “Esconde-se ali e fica a ver se nós deixamos a sala. Quando saímos, entra e rouba bolachas e açúcar!”

Robert relembra a Nônô que se deve manter de olho na bicharada. Logo em seguida, retomamos o jipe e a descoberta do PN Hwange. Passamos por um outro charco frequentado por dezenas de elefantes e a que acorrem dezenas mais, em longas caravanas. Num parque qualquer, seria este o foco das atenções mas o Hwange é especial. Robert recebe uma comunicação via rádio. “Já os acharam outra vez. Agora estão lá todos.” Dez minutos depois, damos connosco a cinco ou seis metros da alcateia deixada aos seus destinos por Cecil e Jericho. Tinham caçado uma zebra durante a noite. Um jovem leão afirmava-se num lugar privilegiado para devorar o que restava da carcaça. Se algum dos outros esboçava uma aproximação, ameaçava-os com o pior do seu mau-feitio. Não é que fosse necessário, mas Robert deixou bem claro que, na já longa ausência de Cecil e Jericho, aquele jovem da alcateia se afirmava como um provável novo líder.

Neste momento, no Zimbabwe, arrasta-se uma batalha entre o movimento pró-caça da ignóbil SCI e a força de ambientalistas e conservacionistas que tudo fazem para lhe resistir. No meio, está o governo do Zimbabué, liderado pelo decano Robert Mugabe, o “leão” mais resiliente de toda a África. Bom mesmo, seria que a Natureza se conseguisse defender da loucura humana.

 

Artigo criado no PN Hwange, Zimbabwé, com o apoio precioso dos AFRICAN BUSH CAMPS

 

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