Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado


Palestra

Ian Channel, feiticeiro da Nova Zelândia, ora de cima de um escadote.

Estátua de Christchurch

Estátua de bronze confere algum mistério à cidade atormentada de Christchurch.

Oficial Contrariado

Um figurante histórico junto a um canal de Christchurch.

Xadrez de rua

Habitantes de Christchurch jogam xadrez num tabuleiro da Cathedral Square.

No Escadote

Ian Channel, feiticeiro da Nova Zelândia durante uma das suas dissertações de rua.

Bridge of Remembrance

A Ponte da Memória que homenageia os mortos neozelandeses nas duas guerras mundiais.

No Coração de Christchurch

Indicações apontam algumas das áreas de Christchurch em que o feiticeiro Ian Channel se costumava mover antes do sismo demolidor de 2011.

Palestra esotérica

Espectadores tentam acompanhar as premissas pouco mundanas do bruxo Ian Channel.

Gôndola Kiwi

Punter conduz um passeio de "punting" no rio Avon, um dos passatempos mais famosos de Christchurch.

Manhã axadrezada

Jogadores disputam partidas de xadrez na Cathedral Square de Christchurch.

Torre catedral

Torre da catedral de Christchurch, danificada no tremor de terra de Fevereiro de 2011.

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

A província neozelandesa de Canterbury vivia a sua habitual paz bucólica quando encontrámos o Wizard pela primeira vez. A vida já longa de Ian Channell tinha-o feito passar por vários recantos do mundo anglófono, da velha Álbion aos confins do downunder mas era na Cathedral Square de Christchurch que mais se sentia em casa e a manhã solarenga favorecia o impacto da sua pregação. Na praça, duas rulotes coloridas disputavam os primeiros clientes do dia, uma a promover comida chinesa e a outra os seus wraps de kebab. No extremo oposto, espectadores casuais acompanhavam os movimentos decididos por xadrezistas de rua em confronto, todos reunidos em volta de um enorme tabuleiro pintado no chão. Enquanto isso, vários eléctricos número 18 coloridos chegavam e partiam da estação terminal.

Ian já nem precisava de chegar aos últimos degraus do seu escadote para se destacar na praça. O feiticeiro vestia uma túnica branca em que assentavam uma barba e cabelo compridos e grisalhos. Apoiava-se na derradeira tábua do palco improvisado e enunciava as suas mais recentes teorias para uma pequena multidão de curiosos: “And ladies and gents … this is the eternal truth …” insistindo em como o tempo se cruza com o espaço e ambos se projectam num Universo Intencional da Vontade que converge para a identidade suprema de cada Eu que, reflecte, em cada pessoa, o Cosmos.   

À luz da sua existência exotérica, a conjectura parece fazer todo o sentido. O feiticeiro nasceu em Londres, em 1932. Dez anos depois, graduou-se na Universidade de Leeds, em Psicologia e Sociologia. Mais tarde, aceitou integrar o Adult Education Board da Universidade de Western Australia onde geriu o programa de artes comunitárias. E viria ainda a fazer parte da equipa de professores que dotou a recém-criada Escola de Sociologia da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney.

Por essa altura, ganhou dimensão um movimento de protesto estudantil que, entre outros problemas, contestou o conservadorismo do ensino. Ian Channell sentiu as vibrações e interveio. Criou um movimento de acção directa a que chamou ALF (Action for Love and Freedom). A sua implementação, por sua vez, passou pela que chamou “The Fun Revolution”. E as duas reformas resultaram numa forte revitalização, de tal maneira que o conceituado jornal Sydney Morning Herald passou a chamar à instituição antes envelhecida “the university that swings”.

Tanto o movimento como o seu mentor enfrentaram reacções negativas mas também apoios inesperados. O director do departamento a que pertencia Channell, convencido de que era louco, despediu-o sob o pretexto de não ver progressos na sua tese no campo da Sociologia da Arte. Mas o Vice-Chanceler tinha-se tornado simpatizante e apoiou a continuação das suas experimentações sociais. O professor aproveitou e convenceu-o a nomeá-lo Feiticeiro da Universidade e a atribuir-lhe uma pequena remuneração. Assim teve início a sua longa carreira. E a construção de uma personagem ficcional a que se entregou de corpo e alma, e a que fez questão de sacrificar a carta de condução, identificação de segurança social, passaporte e restantes documentos.

Assumindo-se como Wizard a tempo inteiro, Ian Channell promoveu-se e aos seus ideais como nunca e conseguiu novos cargos: cosmólogo, Obra de Arte Viva e Shaman da Universidade de Melbourne e ainda Professor de Cosmologia Sintética. Channell usou ainda a fama conquistada em lutas ideológicas, políticas e até económicas. Algo desgastado pelo permanente confronto do conservadorismo académico aussie e a precisar de novos desafios, mudou-se para a cidade kiwi de Christchurch e deu início a uma sequência duradoura de palestras sobre escadote, a que tivemos a fortuna de assistir. 

De volta à Cathedral Square, as gaivotas invadem o espaço aéreo e até mesmo o solo. Como forças do mal asadas, debatem-se e soltam guinchos estridentes. Perturbam a cadência de pensamentos do orador e a clareza das suas palavras que o vento nor’wester vinha a propagar pela praça, convocando mais e mais curiosos. Nem sempre a presença da plateia foi um dado adquirido.

Nos primeiros tempos da sua experiência kiwi, as autoridades tentaram prendê-lo. Mas o feiticeiro conseguiu evitá-las e regressou a horas diferentes trajando um fato de falso profeta da Igreja de Inglaterra e um chapéu pontiagudo. Depressa se tornou numa atracção da cidade, mencionado nos guias turísticos e com direito a opinar e actuar sobre os temas relevantes primeiro de Christchurch, depois da província de Canterbury, de todo o país e até do downunder.

Em 1990, Mike Moore, um velho amigo, então primeiro-ministro, nomeou-o Feiticeiro Oficial da Nova Zelândia. Cinco anos depois, com o apoio do Mayor, Christchurch acolheu um Conclave de Feiticeiros a que compareceram vários colegas que ajudaram a construir um ninho de feiticeiros no topo da torre da biblioteca da universidade. Ian Channell viria a sair de um ovo gigante posto numa galeria de arte local. Cantou ainda um feitiço dedicado a uma das principais partidas de râguebi da época, enquanto fazia queda livre e, acompanhado por 42 assistentes, desceu o rio da cidade de gôndola, viagem excêntrica que aproveitou para exibir o URL do seu novo site em diversas tabuletas.

Apesar de todas as acções promocionais, o Wizard prestava a maior parte dos serviços de forma gratuita e os seus rendimentos eram parcos. Os honorários atribuídos pela Câmara Municipal nunca foram suficientes mas o apoio financeiro prestado pelo amor da sua vida, Alice Flett, permitia-lhe prosseguir com o seu estilo de vida, conceptualmente arrojado e destemido. Novos feitiços maléficos viriam a enfraquecê-lo.

Em 2003, a casa de madeira em que habitava foi arrasada por um incêndio que a polícia de Christchurch considerou fogo posto. O Wizard, a sua companheira e dois inquilinos conseguiram escapar incólumes mas Ian Channell perdeu a sua colecção de vídeos e de livros. Também o WizardMobile – construído com duas frentes de Volkswagens Carochas – foi vandalizado. Mas forças muito superiores entrariam ainda em acção.

A Nova Zelândia está situada sobre o Anel de Fogo e a actividade tectónica nas imediações do país e da província de Canterbury é enérgica. No ano seguinte a termos encontrado o Wizard, Christchurch recebia ameaças constantes das profundezas da Terra. Vários sismos com altas intensidades – incluindo um de 7.1 – abalaram a região. Não causaram baixas mas os estragos foram consideráveis. Continuámos a viajar pelo Pacífico e regressámos a Portugal mas, em Fevereiro do ano seguinte, estávamos de novo a caminho da Nova Zelândia quando um abalo muito mais próximo da cidade que os anteriores a devastou e foi responsável por 185 mortes, uma das maiores catástrofes de que tinha sido vítima a nação kiwi. Acompanhámos os acontecimentos dramáticos e, desde então, que nos inteiramos das suas consequências na vida do Wizard com interesse redobrado.

O tremor de terra e as suas frequentes réplicas deixaram a catedral de Christchurch e vários outros edifícios em redor em ruínas. A Canterbury Earthquake Recovery Authority ordenou a sua demolição e suscitou a oposição de várias entidades incluindo da UNESCO World Heritage Center, de grupos de arquitectos e, como era de esperar, do Wizard que cumpre, em Dezembro próximo, 80 anos. Em declarações à TV, no meio dos destroços, o feiticeiro manifestou preocupação por ser duvidoso que a população de Christchurch possa continuar a viver segura na cidade reconstruída. Mas Ian Channell também revelou a sua angustia particular: “Se a Cathedral Square for destruída, perco o meu espaço emblemático, o meu lar espiritual, o meu espaço de exibição, a minha instalação. As pessoas que me seguem até podem ficar mas sem a minha praça não acho que faça muito sentido.”

Aconselhou ainda os habitantes de Canterbury a não se tornarem chorosos ou românticos como os italianos ou os gregos que dão abraços e beijos por tudo e por nada e apelou para o reforço do famoso stiff upper lip britânico, da sua solidariedade e bravura.

Mais recentemente, o feiticeiro decidiu retirar-se e abandonar Christchurch de vez. Mudou-se para sul, para Oamaru, para casa da mãe. Há três meses atrás, regressou à capital de Canterbury para protestar mais uma vez contra a demolição da sua catedral.

Nelson a Wharariki, Nova Zelândia

O Litoral Maori em que os Europeus Deram à Costa

Abel Janszoon Tasman explorava mais da recém-mapeada e mítica "Terra Australis" quando um equívoco azedou o contacto com nativos de uma ilha desconhecida. O episódio inaugurou a história colonial da Nova Zelândia. Hoje, tanto a costa divinal em que o episódio se sucedeu como os mares em redor evocam o navegador holandês.
Bay of Islands, Nova Zelândia

O Âmago Civilizacional da Nova Zelândia

Waitangi é o lugar chave da Independência e da já longa coexistência dos nativos maori com os colonos britânicos. Na Bay of Islands em redor, celebra-se a beleza idílico-marinha dos antípodas neozelandeses mas também a complexa e fascinante nação kiwi.
Wanaka, Nova Zelândia

Que Bem que Se Está no Campo dos Antípodas

Se a Nova Zelândia é conhecida pela sua tranquilidade e intimidade com a Natureza, Wanaka excede qualquer imaginário. Situada num cenário idílico entre o lago homónimo e o místico Mount Aspiring, ascendeu a lugar de culto. Muitos kiwis aspiram a para lá mudar as suas vidas.

Ilha do Norte, Nova Zelândia

A Caminho da Maoridade

A Nova Zelândia é um dos países em que descendentes de colonos e nativos mais se respeitam. Ao explorarmos a sua lha do Norte, inteirámo-nos do amadurecimento interétnico desta nação tão da Commonwealth como maori e polinésia. 

Península de Banks, Nova Zelândia

Divinal Estilhaço de Terra

Vista do ar, a mais óbvia protuberância da costa leste da Ilha do Sul parece ter implodido vezes sem conta. Vulcânica mas verdejante e bucólica, a Península de Banks confina na sua geomorfologia de quase roda-dentada a essência da sempre invejável vida neozelandesa.

Napier, Nova Zelândia

De volta aos Anos 30 - Calhambeque Tour

Numa cidade reerguida em Art Deco e com atmosfera dos "anos loucos" e seguintes, o meio de locomoção adequado são os elegantes automóveis clássicos dessa era. Em Napier, estão por toda a parte.

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

Mount Cook, Nova Zelândia

O Monte Fura Nuvens

O Aoraki/Monte Cook até pode ficar muito aquém do tecto do Mundo mas é a montanha mais imponente e elevada da Nova Zelândia.

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.

Praia soleada
Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Doca gelada
Aventura

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Dragão Humano
Cerimónias e Festividades

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Coreografia pré-matrimonial
Cidades

Old Jaffa, Israel

Onde Assenta a Cidade que Nunca Pára

Telavive é famosa pela noite mais intensa do Médio Oriente. Mas, se os seus jovens se divertem até à exaustão nas discotecas à beira Mediterrâneo, é cada vez mais na vizinha Old Jaffa que dão o nó.

Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Cultura
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Em Viagem
De Barco

Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Moldura
Étnico

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
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Silhueta e poema
Literatura

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Natureza
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A Irmã Polinésia que Qualquer Ilha Gostaria de Ter

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Filhos da Mãe-Arménia
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Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Oeste Dourado
Património Mundial Unesco

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Nos anos 80, dirigentes soviéticos renovaram Khiva numa versão amaciada que, em 1990, a UNESCO declarou património Mundial. A URSS desintegrou-se no ano seguinte. Khiva preservou o seu novo lustro.

Verificação da correspondência
Personagens

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Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

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Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

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O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

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Da Nova Zelândia à Ilha da Páscoa e ao Havai nenhuma monarquia resistiu à chegada dos descobridores europeus e da modernidade. Para Tonga, durante várias décadas, o desafio foi resistir à monarquia.

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Vai-e-vem fluvial
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