Nikko, Japão

O Derradeiro Cortejo do Grande Xógum


Embaixada

Figurantes passam por baixo do tori (portal xintoísta) que abençoa os visitantes do santuário Futarasan e do mausoléu de Ieyasu Tokugawa.

Último olhar

Criança figurante contempla o cortejo majestoso que o segue.

Coração de Dragão

Figurantes do cortejo Shunki Reitaisai ajeitam um traje de dragão dourado.

Samurai de óculos

Rapaz encarna um dos muitos samurais a tomar parte na celebração.

Portal xintoista

Visitantes passam por baixo do tori que abençoa quem chega ao santuário Tosho gu.

Fim do Cortejo

Participante do festival Shunki Reitaisai carregam o caixão dourado, centro da simulação da transladação do xógum Ieyasu Tokugawa.

Conversa no templo

Sacerdote xintoísta fala com uma fiel num santuário de Nikko.

Irmãs de Quimono

Duas irmãs em trajes tradicionais durante uma visita ao santuário Toshogu de Nikko.

Beiral adornado

Pormenor arquitectónico de um dos edifícios do santuário Toshogu.

Gamman-Ga-Fuchi

Longa sequência de jizos (figuras religiosas xintoístas) à beira do rio Daiya.

Jizo solitário

Jizo encapuçado, parte do santuário xintoísta de Gamman-Ga-Fuchi.

Em 1600, Ieyasu Tokugawa inaugurou um xogunato que uniu o Japão por 250 anos. Em sua homenagem, Nikko re-encena, todos os anos, a transladação medieval do general para o mausoléu faustoso de Toshogu.

A velocidade parcimoniosa, o número de paragens demoradas, a instabilidade na carruagem e a paisagem campestre atravessada pela linha JR Nikko não deixavam grande margem para dúvidas. A grande e sofisticada Tóquio tinha ficado para trás.

Mais duas ou t

rês estações e apeadeiros anunciados com som estridente e confirma-se a gare terminal de Nikko. Os passageiros confluem para o final da plataforma e afunilam-se na porta de saída. Pouco depois, disputam também um lugar nos autocarros que os irão poupar à ladeira que conduz ao complexo dos templos.

Continuamos sem pressas e desperta-nos curiosidade a vida local. Subimos, assim, ao ritmo marcado pelas pernas carregadas e vamos examinando a panóplia de estabelecimentos térreos, do restaurante que sugere o bife irrepreensível de Ishigaki a antiquários recatados e excêntricos. Torna-se óbvio que, quanto mais nos afastamos da estação, mais dificuldade têm os negócios de prosperar, mesmo sendo Nikko um dos lugares predilectos entre os viajantes tanto os nipónicos como os forasteiros que se aventuram por estas terras sagradas do imperador.

A estrada urbana 119 desemboca no rio Daiya e submete-se a uma espécie de recuo forçado no tempo quando introduz a passagem pela ponte Shinkyo, laqueada a vermelhão. O caudal desce de uma encosta verdejante e frondosa. Flui apressado e forma águas brancas que se debatem com rochas polidas e determinadas. De acordo com a lenda, Shodo Shonin, um sacerdote budista que estabeleceu um retiro na zona no século VIII, atravessou este rio sobre duas serpentes gigantes.

Durante a época medieval, a ponte serviu apenas os membros da corte imperial e os generais. Já nos dias que correm, a pequena ponte faz parte do santuário Futarasan e podemos considerar que é para todos mesmo se cobra a cada transeunte uma portagem turística inflacionada de 500 ienes (quase 4 euros). 

Do lado de lá do Daiya, impõe-se a sombra da encosta florestada que abriga o reduto histórico de Nikko. Vencemos as escadarias na companhia de alguns outros visitantes nipónicos idosos de perna curta mas vigor preservado. A meio do trilho, confrontamo-nos com um grupo de campesinos fora de tempo e contexto. Percorremos toda uma rua ajardinada que esconde templos e estalagens e deparamo-nos com uma alameda de terra batida que serve o complexo dos principais monumentos. Não somos propriamente os primeiros a chegar. Há uma multidão organizada e tranquila de ambos os lados, contida por linhas duplas de cordas esticadas e pela presença de agentes de autoridade austeros.

Um Cortejo Grandioso

A espera prolonga-se. Intensifica a ansiedade e dá origem a pequenas contendas de cada vez que espectadores soberbos em lugares com visibilidade reduzida  tentam instalar-se sobre os pequenos escadotes ou bancos trazidos de casa. Entretanto, é inaugurado o espectáculo e estas diferenças são debeladas. 

A procissão tinha partido das imediações da ponte Shinkyo às dez da manhã em ponto. Vencida a primeira curva, surgem na dianteira religiosos que carregam três relicários com os espíritos dos três principais xoguns da era Tokugawa. É, assim, reproduzida a cerimónia original em que, de acordo com a sua vontade em vida, a sepultura do fundador da dinastia Ieyasu Tokugawa (1543-1616) foi movida do monte Kuno para Nikko.

Dão seguimento ao séquito mais de mil outros participantes divididos por categorias. Vemos sacerdotes xintoístas a cavalo, centenas de samurais sob capacetes dourados e armaduras garridas e listadas, em tons combinados de amarelo e negro, também de azul e branco. Integram ainda a parada figuras reais e imaginárias da época, membros das classes e posições mais humildes: simples soldados, arqueiros, falcoeiros, cortesãos, porta-estandartes, músicos e … Tengu, um cão celestial semi-deus xintoísta, representado com a sua habitual face vermelha e nariz exagerado. 

O cortejo prova-se tão pomposo quanto colorido. Move-se em jeito de câmara lenta até que passa sob o torii (portal) imponente de granito, ao lado de um pagode de cinco andares com 35 metros e entra finalmente no santuário-mausoléu Tosho Gu com a bênção dos dois reis Deva escarlates que examinam cada um dos visitantes dos pés à cabeça. 

À sua maneira, Ieyasu Tokugawa fez por merecer toda esta reverência. Nascido em 1541, tornou-se num xogun temido e conquistador. Os portugueses chegaram ao Japão em 1543 e relataram um arquipélago em que o Imperador tinha um poder quase simbólico, semelhante ao do Papa na Europa e em que a autoridade sobre território era disputada por vários clãs liderados por senhores da guerra.

Um conjunto de circunstâncias e ironias do destino fizeram com que, em 1600, o domínio do Japão fosse disputado na Batalha de Sekigahara, por dois exércitos desses clãs. Ieyasu liderava o vitorioso. Apesar de terem passado mais três anos até que consolidasse o seu poder sobre o clã rival Toytomi e os restantes senhores feudais do Japão (os daimyo), esta batalha é reconhecida como o início oficioso do último xogunato supremo e indisputado. Depois dela, até à restauração Meiji que, em 1868, pôs cobro ao período feudal Edo (ou Tokugawa) o Japão viveu em paz e viu reforçada a sua nacionalidade.

Ieyasu, o fundador da dinastia e principal responsável por esta mudança granjeou inúmeros tributos póstumos dos descendentes e súbditos, incluindo a dedicação de 15.000 artesãos vindos de todo o Japão para trabalhar durante dois anos na reconstrução do seu mausoléu.

Popularizou-se a noção de que tinha as qualidades ideais para ascender ao poder. Era corajoso mas, quando necessário, cuidadoso. Estabeleceu alianças calculistas sempre que sentiu que com elas poderia beneficiar. Viveu numa era de brutalidade, violência e morte súbita mas foi fiel a quem o apoiou e recompensou, sem reservas, os vassalos que o seguiram. 

Ieyasu teve dezanove esposas e concubinas que lhe concederam onze filhos e cinco filhas. Sabe-se que tinha sentimentos fortes pelos descendentes mas também podia ser cruel com quem o atraiçoava ou se lhe opunha. Ordenou a execução da sua primeira mulher e do filho mais velho, alegadamente por motivos políticos. O grande xogun também nadava com frequência. Sabe-se que, num período mais avançado da sua vida, o fazia no fosso no castelo de Edo (actual Tóquio). 

Mas o seu passatempo favorito sempre foi a falcoaria que considerava um treino perfeito para a guerra. Ieyasu defendia que “quando se vai para o campo falcoar, aprende-se a compreender o espírito militar e também a vida dura das classes mais baixas. Exercita-se os músculos e treina-se os membros. Caminha-se e corre-se. É-se indiferente ao calor e ao frio e é menos provável que se fique doente.” Também esta sua paixão é recuperada com frequência em Nikko.

Num dos dias em que exploramos a povoação, passamos por debaixo do torii e constatamos uma secção pré-delimitada para um outro qualquer evento. Entramos na área do santuário Tosho Gu e vemos um grupo de falcoeiros trajados com elegância histórica e alinhados com as suas aves de rapina sobre os braços esquerdos.

Soa música xintoísta. A estranha melodia religiosa deixa pouco espaço para dúvidas sobre o cariz da cerimónia. Pouco depois, um sacerdote que empunha uma vara harai gushi purifica os falcoeiros brandindo as longas fitas shide em frente das suas cabeças e dos falcões. 

Findo o ritual, os falcoeiros descem as escadarias do recinto em fila, dirigem-se para a saída e ocupam os lugares respectivos. Já cercados por uma multidão entusiasta, dão início às suas exibições. Atam pedaços de carne a cordas e fazem-nas girar no ar em contínuo. Então, soltam as aves que ganham altitude, preparam-se para a investida e, em quase todos os casos, capturam as presas a fingir em plena rotação, para sua recompensa imediata e sensação de dever cumprido dos mestres.

Tosho Gu: o Mausoléu de Todas as Reverências

Regressamos ao interior de Tosho Gu para o explorarmos sem diversões. Do lado de lá do pórtico de entrada, damos com os Sanjinko, três casas de armazenamento sagradas, uma delas com imagens em relevo de elefantes criadas por um artista que se acredita nunca ter visto a verdadeira criatura. À esquerda da entrada fica o Shinyosha, o templo sagrado que abriga um cavalo branco esculpido, desta feita mais credível. Este estábulo está adornado por várias imagens alegóricas de macacos, também em relevo. Na mais famosa, três das figuras primatas aconselham por mímica “não oiça o mal, não veja o mal, não fale o mal” e demonstram, assim, os três princípios do budismo Tendai. 

Continuamos o percurso. Na sequência, encontramos uma fonte de granito em que, de acordo com a prática xintoísta, dezenas de fiéis japoneses disputam as colheres douradas disponíveis para lavarem as bocas, depois de já terem feito o mesmo às mãos.

Logo após, encontramos o edifício exuberante da biblioteca do santuário, com mais de 7000 pergaminhos e livros religiosos. Passado novo pórtico e lance de escadas, emergem a torre do tambor e o campanário. Nas imediações, surge o Honji-do, um salão conhecido por ter no tecto uma pintura de Nakiryu, um dragão que chora.

Ali, de quando em quando, ouvimos monges baterem duas barras uma contra a outra para demonstrarem a acústica do salão, em concreto que o dragão ruge quando o som é feito debaixo da sua boca.

O próximo edifício a destacar-se é o pórtico do Pôr-do-sol (Yomei-mon), coberto de folha de ouro, esculpido de forma intrincada e pintado com flores, dançarinas, animais míticos e sábios chineses. Para a posteridade, ficou a crença de que, preocupados com que a sua perfeição pudesse despertar a inveja dos deuses, os responsáveis pela construção decidiram colocar o derradeiro pilar de pernas para o ar. 

Deixamos para trás o Jin-yosha que serve de abrigo aos santuários portáteis usados durante os festivais. Chegamos ao Salão Principal e ao de Veneração que alojam pinturas dos 36 poetas “imortais” de Quioto e um tecto com cem dragões todos distintos. Aos poucos, aproximamo-nos de Sakashita-mon, um pórtico adicional que se abre para um trilho ascendente entre enormes cedros que conduz, por fim, ao túmulo de Ieyasu, tal como esperávamos, solene.  

Os japoneses têm um ditado popular que professa que não se pode dizer “belo” (kekko) até se ter visto Nikko. Nesse fim-de-semana, milhares levaram a expressão à letra e confluíram para a zona sagrada da cidade determinados em descobrir mais sobre a alma e a história do país.

Percorremos, na sua companhia, a avenida que liga Tosho Gu a Futarasan –  o templo mais antigo de Nikko, fundado pelo eremita Shodo Shomin, em 1619 –  ao mausoléu Taiyu-byo. 

Após o prioritário Tosho Gu, por norma, os visitantes dirigem-se a Futasaran para venerar três divindades xintoístas: Okuninushi, Tagorihime e Ajisukitakahikone e descobrir o santuário protector de Nikko, dedicado à montanha Nantai-san que, com 2248m, contribui em grande parte para a rigidez climatérica da região.

Já no mausoléu Taiyu-byo, prestam homenagem ao neto de Ieyasu, Iemitsu Tokugawa (1604-51) que decretou que o seu sepulcro não pudesse ofuscar o do avô.

Não demoramos a perceber que o Taiyu-byo agrupa vários dos elementos do modelo original mas é mais pequeno e mais intimista, com algum mistério adicional emprestado pelas dezenas de lanternas de pedra doadas pelos daimyo e pela sombra lúgubre da floresta de cedros japoneses em redor.

Os cedros são, aliás, omnipresentes na área histórica de Nikko. Por ali se situa uma avenida que é recordista mundial, registada no livro do Guiness como a mais longa via do mundo ladeada de árvores, com 35.41 km de extensão e guarnecida de 200.000 criptomérias japónicas. Trata-se da única propriedade cultural japonesa designada pelo governo nipónico ao mesmo tempo como Sítio Histórico Especial e Monumento Natural Especial.

O lugar para onde nos mudamos em seguida, ávidos por alguma reclusão, é igualmente singular. Demoramos a achá-lo, atrasados pela incompatibilidade linguística e por indicações dúbias ou disfuncionais. Mas, quando vislumbramos finalmente a colecção sublime de jizos de Gamman-Ga-Fuchi, tudo muda. Estas esculturas budistas protectoras das crianças e dos viajantes surgem dispostas sem fim aparente numa franja de floresta à beira do rio Daiya. Insinuam-se-nos estranhamente arredondadas, clonadas, cobertas de musgo e agasalhadas pelos crentes com gorros e babetes vermelhos. Bake-jizo, uma delas a meio da longa sequência, goza com quem tenta contar os congéneres, alegadamente incontáveis. Começamos por tentar a tarefa mas depressa nos rendemos à razão daquele jizo castrador e ao tédio.

O comboio JR Nikko para Tóquio partia dentro de duas horas. Percorremos os derradeiros quilómetros no domínio Tokugawa de regresso à estação da cidade. Pouco depois, regressámos ao Japão futurista.

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