Fort-de-France, Martinica

Liberdade, Bipolaridade e Tropicalidade


Forte de Saint Louis

Crianças brincam no Mar das Caraíbas, em frente ao forte de Saint Louis.

San Chènn

Banda San Chènn toca numa rua de Fort-de-France.

Estilo Crioulo

Jovem residente repousa junto ao forte de San Louis, na marginal de Fort-de-France.

Parada

Cortejo patriótico levado a cabo durante o funeral de um militar da Martinica.

Capital Tropical

Coqueiros verdejantes elevam-se sobre um casario colorido e quase térreo de Fort-de-France.

Wall Street

Transeuntes passam por uma loja de roupa exuberante.

Reflexo mosaico

A catedral de Saint Louis numa versão mosaico-reflectida.

Sabado laboral

Duas vendedoras descarregam mercadoria dum camião.

Trenelle-Citron

Casario do bairro Trenelle-Citron, nos arredores de Fort-de-France.

Liberte, Egalité, Fraternité

Entrada de um edifício histórico.

Cerimónia francófona

Militares, familiares e amigos reunidos junto à catedral de Saint Louis durante um funeral.

Na capital da Martinica confirma-se uma fascinante extensão caribenha do território francês. Ali, as relações entre os colonos e os nativos descendentes de escravos ainda suscitam pequenas revoluções.

Em contactos online anteriores Philippe Lucien já nos tinha alertado que andava deprimido. Pouco depois de o encontrarmos numa das casas de férias que gere, acaba por desabafar o motivo: “Sabem, não é fácil a minha vida em Martinica. Nasci cá mas mu

dei-me cedo para França, casei-me lá e tive filhos. Mas nunca me senti integrado. Perguntavam-me a toda a hora se era da Argélia ou de Marrocos, meio desconfiados com o meu visual. Depois, quando voltei para cá, também me senti sem identidade. Estamos num paraíso oficialmente francês mas, aqui, há que escolher de que lado se vive, se do dos pretos ou do dos brancos… eu não pertenço a nenhuns.”

Nos vários fins de dia que passamos à mesa com ele e com a namorada Severine, as contradições francófonas das Antilhas vêm à baila vezes sem conta, com os mais distintos desenvolvimentos. Depois, nas manhãs seguintes, saímos bem cedo para explorar Martinica e viver o tema no terreno.

Philippe Lucien é filho de um advogado abastado de Fort-de-France. Foi nestas duas gerações de Luciens que a capital da ilha mais mudou.

A rivalidade de Fort-de-France com a vizinha Saint Pierre pelo estatuto de capital prolongou-se até ao virar do século XX, quando as duas cidades tinham quase o mesmo número de habitantes e dividiam instituições administrativas e militares. Por essa altura, Saint Pierre estava na dianteira por a sua população ser mais concentrada e urbana. Mas em 1902, o vulcão Monte Pelée entrou em erupção e devastou-a. Só dois dos seus quase 30.000 habitantes resistiram e os sobreviventes dos arredores tiveram que se mudar para Fort-de-France. Desde então, a cidade assumiu-se como a verdadeira capital de Martinica e nunca mais parou de crescer.

Com os adventos da crise económica dos anos 30 e da 2ª Guerra Mundial, Fort-de-France entrou em descontrole à medida que a população se aproximou dos 100.000 habitantes, muitos instalados em bairros de lata.

De 1945 a 2001, o maire Aimé Cesaire procurou restabelecer a ordem da sua cidade mas nem todos os problemas foram completamente resolvidos.

Encontramos num deles – o quartier de Trenelle-Citron – um inesperado apelo visual que acaba por originar uma das peripécias mais curiosas que vivemos em Martinica. Sondamos as ruelas abaixo de um viaduto do subúrbio de Shoelcher para encontrarmos um ponto para fotografarmos o casario de Trenelle quando damos com uma tal de Rue du Photographe. Em má hora, decidimos registar a sua placa.

De imediato, abre-se a porta de uma casa ao lado e um jovem morador de tronco nu e barba rija sai para o exterior a berrar de forma intimidante. “Que é que vocês querem? Desapareçam daqui! Não têm nada que se meter na nossa vida.”

Reagimos com estupefacção e demoramos vários minutos a acalmar o residente, entretanto acompanhado por 5 amigos todos de boné, roupas desportivas e, felizmente bem mais cool.

Com a paciência necessária, explicamos e provamos-lhes que não temos nada a ver com a polícia. É o suficiente para nos contarem que são do Haiti e da República Dominicana, e o motivo de tanta inquietação: “Desde que abriram a esquadra ali para baixo, não param de nos controlar. Já não temos paciência para os aturar e colocámos aquela câmara sobre a porta para percebermos quando aqui vêm. Foi assim que vos vimos. Aqui prendem-nos por tudo e por nada. Fazemos um cavalinho com a mota e vamos dentro. Fumamos uma ervinha e vamos outra vez dentro…”

Acabamos a conviver com os “gangsta” Rolando e António de Castilla e falamos de tudo um pouco incluindo do desconhecido Portugal, do Carnaval e das mulheres brasileiras e as políticas económicas de Sarkozy e dos békés, os descendentes dos primeiros colonos da ilha, alguns deles de famílias ainda e sempre poderosas que a população responsabiliza pelo custo de vida cada vez mais incomportável da Martinica. Depois, despedimo-nos com respeito mútuo e continuamos para o coração da capital.

Percorremos o passadiço de madeira que avança ao longo do mar das Caraíbas com vista para o jardim da Place de La Savane e até à muralha imponente do forte e base militar de St. Louis, em que ondulam coqueiros e uma inevitável bandeira tricolor.

Durante o dia, Fort-de-France está entregue à actividade das suas inúmeras lojas térreas, na maioria, sapatarias e boutiques com exércitos de manequins.  Atravessamos o Grand Marché, repleto de fruta tropical, aromas de especiarias, de artesanato e garrafas de rum, ti-punch e outras especialidades licorosas vendidas por senhoras com grande porte e dotes promocionais ainda maiores que nos perguntam “De quel departement êtes-vous…” curiosas sobre de que recanto francês vimos. Em redor, falamos ainda com dois egípcios que baptizaram a sua loja de Adham e engrossaram uma comunidade imigrante já significativa oriunda do Médio Oriente e arredores. Também conhecemos a família Chen que resolveu mudar-se há 3 anos de Cayenne e abrir o seu bazar Mei Dieda por a Guiana Francesa se ter tornado demasiado perigosa.

De tempos a tempos, esta Fort-de-France mais terra-a-terra e multiétnica faz-nos esquecer a quem pertence mas a sensação raramente perdura.

Quando chegamos às imediações da catedral de St. Louis, tem lugar o funeral de um antigo veterano de guerra, uma cerimónia que decorre com pompa e circunstância militar. O cortejo lento surge da zona da marginal decorado por mais bandeiras e insígnias francesas. Oficiais, familiares e amigos de perfil gaulês saúdam e cumprimentam outros afro e, o momento, tão delicado, volta a baralhar os dados. Precisávamos de um ou dois anos de vida nestes confins francófonos para percebermos melhor os seus verdadeiros princípios universais.

Martinica, Antilhas Francesas

Caraíbas de Baguete debaixo do Braço

Circulamos pela Martinica tão livremente como o Euro e as bandeiras tricolores esvoaçam supremas. Mas este pedaço de França é vulcânico e luxuriante. Surge no coração insular das Américas e tem um delicioso sabor a África.

Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.

Ilha de Goreia, Senegal

Uma Ilha Escrava da Escravatura

Foram vários milhões ou apenas milhares os escravos a passar por Goreia a caminho das Américas? Seja qual for a verdade, esta pequena ilha senegalesa nunca se libertará do jugo do seu simbolismo.​

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Lençois da Bahia, Brasil

Uma Liberdade Pantanosa

Escravos foragidos subsistiram séculos em redor de um pantanal da Chapada Diamantina. Hoje, o quilombo do Remanso é um símbolo da sua união e resistência mas também da exclusão a que foram votados.

Guadalupe

Um Delicioso Contra-Efeito Borboleta

Guadalupe tem a forma de uma mariposa. Basta uma volta por esta Antilha para perceber porque a população se rege pelo mote Pas Ni Problem e levanta o mínimo de ondas, apesar das muitas contrariedades.

Saint-Pierre, Martinica

A Cidade que Renasceu das Cinzas

Em 1900, a capital económica das Antilhas era invejada pela sua sofisticação parisiense, até que o vulcão Pelée a carbonizou e soterrou. Passado mais de um século, Saint-Pierre ainda se regenera.
Gentlemen Club & Steakhouse
Arquitectura & Design

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Totens tribais
Aventura

Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula

Tédio terreno
Cerimónias e Festividades
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Cidades
Guilin, China

O Portal Para o Reino Chinês de Pedra

A imensidão de colinas de calcário afiadas em redor é de tal forma majestosa que as autoridades de Pequim a imprimem no verso das notas de 20 yuans. Quem a explora, passa quase sempre por Guilin. E mesmo se esta cidade da província de Guangxi destoa da natureza exuberante em redor, também lhe achámos os seus encantos.
Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
As forças ocupantes
Cultura

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Radical 24h por dia
Desporto

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

Num equilíbrio fluvial
Em Viagem

Chiang Kong - Luang Prabang, Laos

Por Esse Mekong Abaixo

Os custos mais baixos e a beleza dos cenários são as principais razões para fazer esta viagem. Seja como for, a descida pelo rio "mãe de todas as águas" pode ser tão pitoresca como incómoda.

Frescura da manhã
Étnico
Nzulezu, Gana

Uma Aldeia à Tona do Gana

Partimos da estância balnear de Busua, para o extremo ocidente da costa atlântica do Gana. Em Beyin, desviamos para norte, rumo ao lago Amansuri. Lá encontramos Nzulezu, uma das mais antigas e genuínas povoações lacustres da África Ocidental.
Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Passerelle secular
História

Galle, Sri Lanka

Nem Além, Nem Aquém da Lendária Taprobana

Camões eternizou o Ceilão como um marco indelével das Descobertas onde Galle foi das primeiras fortalezas que os portugueses controlaram e cederam. Passaram-se cinco séculos e o Ceilão deu lugar ao Sri Lanka. Galle resiste e continua a seduzir exploradores dos quatro cantos da Terra.

Fajazinha (Ocaso)
Ilhas
Flores, Açores

Os Confins Inverosímeis de Portugal (e da Europa)

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
Solidariedade equina
Inverno Branco

Husavik a Myvatn, Islândia

Neve sem Fim na Ilha do Fogo

O nome mítico desencoraja a maior parte dos viajantes de explorações invernais. Mas quem chega fora do curto aconchego estival, é recompensado com a visão dos cenários vulcânicos sob um manto branco.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Frígida pequenez
Natureza
Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor”. Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.
Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
O Pequeno Tibete Português
Parques Naturais
Peneda-Gerês, Portugal

Do “Pequeno Tibete Português” às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo ao vale do Vez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de “tibetanas”.  Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras minhotas.
Portal para uma ilha sagrada
Património Mundial Unesco

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Pura Vida em risco
Praia

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

Àgua doce
Religião

Maurícias

Uma Míni-Índia nos Fundos do Índico

No século XIX, franceses e britânicos disputaram um arquipélago a leste de Madagáscar antes descoberto pelos portugueses. Os britânicos triunfaram, re-colonizaram as ilhas com cortadores de cana-de-açúcar do subcontinente e ambos admitiram a língua, lei e modos francófonos precedentes. Desta mixagem, surgiu a exótica Maurícia.    

White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Encarregado da iluminação
Sociedade

Barragem Itaipu, Brasil

A Febre do Watt

Em 1974, milhares de brasileiros e paraguaios confluíram para a zona de construção da então maior barragem do Mundo. 30 anos após a conclusão, Itaipu gera 90% da energia paraguaia e 20% da do Brasil.

Gado
Vida Quotidiana

Colónia Pellegrini, Argentina

Quando a Carne é Fraca

É conhecido o sabor inconfundível da carne argentina. Mas esta riqueza é mais vulnerável do que se imagina. A ameaça da febre aftosa, em particular, mantém as autoridades e os produtores sobre brasas.

Um rasto na madrugada
Vida Selvagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.