Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai


Vale de Kalalau

Um dos cenários emblemáticos da Napali Coast.

Voo raso

Helicóptero voa ao longo de um desfiladeiro do Waymea Canyon.

Erosão intensa

Arestas afiadas e verdejantes da encosta íngreme da Napali Coast.

A Ilha Jardim do Havai

Uma vista aérea de um dos extremos da Napali Coast revela porque Kauai é considerada a mais verdejante das ilhas havaianas.

Deslumbre Abrigado

Mãe e filha admiram as profundezas do Waymea Canyon, em Kauai.

Vertente multicolor de Kauai

Secção mais colorida da Napali Coast, junto ao Waymea Canyon.

Água Precipitada

Queda d'água longa precipita-se numa extremidade do Waymea Canyon.

Desfiladeiros encharcados

Meandros luxuriantes para o interior das encostas norte de Kauai.

Rumo ao Pacífico

Riacho percorre um vértice verdejante das montanhas da Napali Coast.

Praia da ilha Jardim

Areal no prolongamento de um recanto meio selvagem meio rural do norte de Kauai.

Grande Waymea Canyon

Panorâmica do amplo Waymea Canyon, bastante mais seco que a Napali Coast que retém a maior parte da humidade vinda do Pacífico.

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.

Não existe em Kauai, um fenómeno urbano que se assemelhe, nem de leve, ao da capital havaiana Honolulu. A atmosfera desta ilha anciã é bucólica e os habitantes distribuem-se invariavelmente por povoações pacatas com menos de 10.000 habitantes. São todos moradores de domicílios antigos ou com aspecto histórico, por lei, sempre mais baixos que um coqueiro.

Escolhemos Lihue – a principal e maior das povoações – como base e damos entrada num motel-restaurante simpático, explorado por uma família nipónico-havaiana extensa que durante a hora de almoço serve comida tradicional polinésia e muda radicalmente de decoração para os jantares, refeição em que o restaurante se transforma num verdadeiro japonês.

Do lado oposto da rua, várias casas ostentam cartazes políticos que aconselham Carvalho para Mayor. Os 13.000 emigrantes portugueses depressa se multiplicaram e formaram uma comunidade actual com mais de 60.000 luso-descendentes. Entre tantos e há tanto tempo radicados, vários entraram na esfera política havaiana com grande aceitação.  Em Kauai, o segredo do sucesso é, aliás, simples. Por norma, basta conceder aos forasteiros as melhores condições para se encantarem com os panoramas da ilha e gastar com honestidade e eficiência os dinheiros que estes ali deixam, como aqueles os que o governo federal concede. Ao contrário do que se passa em Oahu, a ilha havaiana do encontro e a mais cosmopolita do Havai, as grandes atracções de Kauai são 100% naturais.

Atravessamos a ilha de leste a oeste para chegarmos à primeira, o canyon furtivo de Waimea, um cenário dramático comparável ao Grand Canyon norte-americano em termos de formas, texturas e tons.

Waimea esconde-se nas profundezas da ilha mas é alcançável pelas estradas Koke’e e Waimea Canyon Drive que o cruzam até atingir o seu limite ocidental. Foi escavado ao longo das eras pela lenta passagem do rio homónimo e seus afluentes. Mas também pela actividade sísmica e vulcânica, da mesma maneira que o congénere gigantesco do Arizona.

Se é verdade que a dimensão do canyon de Waimea fica muito aquém da do modelo continental, já a configuração impressionante dos desfiladeiros e da sua palete de cores quase se confundem.

Espantamo-nos com as subtis variações de tons de cada vez que o caminho nos leva a novo ponto de observação e revela diferentes perspectivas e, à medida que as nuvens e a chuva se dissipam, distintas luminosidades.

Por fim, a Koke’e Road chega ao seu término e às imediações da entrada do Parque Estadual Napali Coast. Deixa-nos abismados de frente para Kalalau, um vale recortado e exuberante só acessível pelo seu sopé contíguo ao oceano Pacífico ou por um trilho exigente de tal forma concorrido que as autoridades têm que controlar, dia após dia, a quantidade de caminhantes que o percorrem.

Até ao século XX, muitos havaianos nativos viveram neste cenário luxuriante e colorido em que plantavam taro em socalcos conquistados à vegetação. Nos dias que correm, o estatuto do parque proíbe toda e qualquer edificação.

Vista no mapa, a Napali Coast surge apenas uns quilómetros para norte do canyon de Waimea. A ausência de estrada a ligar as duas seria, por si só, um bom motivo para a explorarmos apenas no dia seguinte. Tínhamos, no entanto, outra razão incontornável. Íamos fazê-lo a partir do ar.

Regressamos a Lihue, a meio da tarde, apenas com tempo para nos metermos num helicóptero panorâmico. Somos conduzidos entre o escritório da empresa e o aeroporto da cidade por Kurt, um funcionário meio desvairado que faz questão de nos tratar e aos restantes clientes por “kids”.

Michael, o piloto assegura aos passageiros que vão embarcar numa das experiências mais solenes das suas vidas. Depois, tira os sapatos para o lado dos pedais e faz o helicóptero elevar-se para o céu. Num ápice, deixamos para trás Lihue e a civilização. Regressamos ao canyon de Waimea que, visto do ar, se prova duplamente fascinante.

Entretanto, Michael aumenta o volume da 5ª Sinfonia de Beethoven que escolhera como banda sonora para o voo e faz a aeronave penetrar num manto de nuvens retidas contra a montanha. À saída da névoa, o piloto acentua a pompa da locução e anuncia o ponto alto do percurso, a Napali Coast.  

Desvenda-se perante nós o oceano Pacífico e toda a costa noroeste de Kauai, esculpida pela chuva intensa e pelo vento que desde sempre castigam as montanhas vulcânicas.

Mais que se aproximar, o piloto prenda e assusta os passageiros com incursões fílmicas em desfiladeiros e vales profundos. Acompanha longas quedas de água e penhascos cobertos de musgos e vegetação verdejante que contrastam com os vermelhos e castanhos das paredes rochosas a que se agarram. Acima de nós, impera o cume fulcral do monte Wai’ale’ale (1570 m) que retêm a humidade proveniente do Pacífico do Norte e, de acordo, é um dos pontos mais encharcados do planeta com uma média anual de pluviosidade superior aos 1160mm.

Nada se ouve a bordo além da música clássica e o seguimento da locução do piloto que disserta acerca da antiguidade geológica do lugar e aproveita para enumerar alguns dos seus mais recentes prodígios na 7ª arte.

Sublime como poucas, Kauai e, em particular, a Napali Coast abismam quem quer que as descubram incluindo incontáveis realizadores e produtores de Hollywood. Como consequência, os seus cenários foram usados em mega-sucessos como “Parque Jurássico”, “King Kong” o musical “Ao Sul do Pacífico”, “Salteadores da Arca Perdida”, a série televisiva “Ilha da Fantasia” e “Feitiço Havaiano” que lançou Elvis Presley para um prolífico estrelato, entre outros.

Esta presença regular nos ecrãs constitui há muito a prova mais mediática de como o tempo só favoreceu Kauai.

Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.
Maui, Havai

Divino Havai

Maui é um antigo chefe e herói do imaginário religioso e tradicional havaiano. Na mitologia deste arquipélago, o semi-deus laça o sol, levanta o céu e leva a cabo uma série de outras proezas em favor dos humanos. A ilha sua homónima, que os nativos creem ter criado no Pacífico do Norte, é ela própria prodigiosa.

Big Island, Havai

À Procura de Rios de Lava

São 5 os vulcões que fazem a Big Island aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.

Monte Mauna Kea, Havai

Um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra

Pearl Harbour, Havai

O Dia em que o Japão foi Longe Demais

A 7 de Dezembro de 1941, a Marinha Imperial Japonesa atacou a base militar de Pearl Harbour. Partes do Havai parecem colónias nipónicas mas os E.U.A nunca esquecerão a afronta.

Waikiki, Havai

A Invasão Nipónica do Havai

Décadas após o ataque a Pearl Harbour e da capitulação na 2ª Guerra Mundial, os japoneses voltaram ao Havai armados com milhões de dólares. Waikiki, o seu alvo predilecto, faz questão de se render.

Arquitectura & Design
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras do Circuito Annapurna pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Folia Divina
Cerimónias e Festividades

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

Acolhedora Vegas
Cidades

Las Vegas, E.U.A.

Capital Mundial dos Casamentos vs Cidade do Pecado

A ganância do jogo, a luxúria da prostituição e a ostentação generalizada fazem parte de Las Vegas. Como as capelas que não têm olhos nem ouvidos e promovem matrimónios excêntricos, rápidos e baratos.

Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Intersecção
Cultura

Hungduan, Filipinas

Filipinas em Estilo “Country”

Os GI's partiram com o fim da 2a Guerra Mundial mas a música do interior dos EUA que ouviam ainda anima a Cordillera de Luzon. É de tricycle e ao seu ritmo que visitamos os terraços de arroz Hungduan.

Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Platipus = ornitorrincos
Em Viagem

Atherton Tablelands, Austrália

A Milhas do Natal (parte II)

A 25 Dezembro, exploramos o interior elevado, bucólico mas tropical do norte de Queensland. Ignoramos o paradeiro da maioria dos habitantes e estranhamos a absoluta ausência da quadra natalícia.

Étnico
Cidade Velha, Cabo Verde

Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Champagne Beach
História

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Divina Melanésia

Pedro Fernandes de Queirós pensava ter descoberto o grande continente do sul. A colónia que propôs nunca se chegou a concretizar. Hoje, Espiritu Santo, a maior ilha de Vanuatu, é uma espécie de Éden.

Arranha-céus maltês
Ilhas
Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta foi a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que há memória.
Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

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Literatura

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Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Pose mais à mão
Natureza

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A Vida nos Limites

Quando menos se espera, o lugar mais seco do mundo revela novos cenários extraterrestres numa fronteira entre o inóspito e o acolhedor, o estéril e o fértil que os nativos se habituaram a atravessar.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono
Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
No rumo da Democracia
Parques Naturais

PN Thingvelir, Islândia

Nas Origens da Remota Democracia Viking

As fundações do governo popular que nos vêm à mente são as helénicas. Mas aquele que se crê ter sido o primeiro parlamento do mundo foi inaugurado em pleno século X, no interior enregelado da Islândia.

Vale de socalcos
Património Mundial Unesco

Batad, Filipinas

Os Socalcos que Sustentam as Filipinas

Há mais de 2000 anos, inspirado pelo seu deus do arroz, o povo Ifugao esquartejou as encostas de Luzon. O cereal que os indígenas ali cultivam ainda nutre parte significativa do país.

Curiosidade ursa
Personagens

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Hotel à moda Tayrona
Praia

Santa Marta e PN Tayrona, Colômbia

O Paraíso de que Partiu Simón Bolívar

Às portas do PN Tayrona, Santa Marta é a cidade hispânica habitada em contínuo mais antiga da Colômbia.  Nela, Simón Bolívar, começou a tornar-se a única figura do continente quase tão reverenciada como Jesus Cristo e a Virgem Maria.  

Sombra vs Luz
Religião

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Ijen-Inferno
Sociedade

Vulcão Ijen, Indonésia

Escravos do Enxofre

Centenas de javaneses entregam-se ao vulcão Ijen onde são consumidos por gases venenosos e cargas que lhes deformam os ombros. Cada turno rende-lhes menos de 30€ mas todos agradecem o martírio.

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana
Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Perigo de praia
Vida Selvagem

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Os sounds
Voos Panorâmicos

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Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.