Gili Islands, Indonésia

As Ilhas que Não Passam Disso Mesmo


Lombok

Vista de Lombok a partir de Trawangan.

Banhos e mergulhos

Crianças usam um barco colorido como base para mergulhos.

Surfista loura

Uma surfista regressa da praia à sua guest-house.

Vida livre

Menina indonésia junto a uma praia de Trawangan.

Crepúsculo

Barco ondula no mar tranquilo ao largo das ilhas Gili.

A bordo

Crianças divertem-se sobre uma prancha.

Quinas

Menino veste uma t-shirt da selecção portuguesa e dá expressão a uma paixão dos jovens indonésios pelo futebol português.

Barco colorido

Embarcação com construção tradicional da região.

Verão azul

Crianças divertem-se nas águas idílicas ao largo das Gili.

Estátua

Estátua no jardim de uma pousada de Trawangan.

Navegação

Nativo segue na proa de um barco que se dirige a Lombok.

São tão humildes que ficaram conhecidas pelo termo bahasa que significa apenas ilhas. Apesar de discretas, as Gili tornaram-se o refúgio predilecto dos viajantes que passam por Lombok ou Bali.

A confusão estava instalada na derradeira sala do aeroporto de Mataram com os taxistas a abordarem os recém-chegados com determinação exagerada. Habituados a estas provas mas, nem por isso, imunes à irritação, retiramo-nos por alguns minutos para decidirmos qual a melhor abordagem e o preço em redor do qual estaríamos dispostos a prosseguir. Um outro passageiro faz o mesmo. Acabamos os três num recanto e o forasteiro mete conversa: “está aqui uma bela trapalhada, não é? Vão para as Gili? Olha que maravilha. Também vou para lá. Querem dividir o táxi? Sai-nos mais barato e, assim, protegemo-nos melhor da máfia de Bangsal.”

Concordamos em absoluto com o plano. Seguimos um taxista que não tirava os olhos do trio e damos início à viagem rodoviária. Pelo caminho, bem mais tranquilos, prolongamos o diálogo que Brandon tinha inaugurado e descobrimos muito mais sobre o aussie oportuno.

“Eu trabalho com ouro, diz-nos sem entrar em pormenores.” A ambiguidade da profissão deixa-nos intrigados. Perante a dupla insistência, o rapaz não vê como se esquivar: “Bom, trabalho numa mina enorme do Território do Norte australiano. Ganha-se bom dinheiro mas é desgastante. De tal maneira que só podemos operar seis meses de seguida. Este ano nem aguentei  tanto. Fiz quatro e decidi tirar umas férias para recuperar. É por isso que aqui estou. Já cá vim várias vezes. As Gili são perfeitas para levantar os ânimos!”

Chegamos à costa norte de Lombok e ao litoral de Bangsal, uma povoação conhecida entre quem viaja pela Indonésia e temida por quase todos os seus pequenos empresários turísticos tentarem enganar quem por ali passa a caminho do arquipélago ao largo.

O taxista havia prometido que nos ajudava e levou-nos directo a amigos, donos de um barco supostamente de confiança. Tudo se resolveu sem contratempos. Pouco depois, o sol estava a pôr-se. Foi com a penumbra a instalar-se que zarpámos para travessia do estreito do Mar de Bali que separa o arquipélago secundário das Gili, de Lombok. 

Se Senggigi – a cidade mais turística da ilha-mãe – alicia e concentra os visitantes endinheirados, atraídos pelos resorts luxuosos e os bares com música ao vivo que passam futebol europeu a toda a hora, Kuta, a Meca do surf do sul e, acima de tudo, as Gili são desejadas pelos remediados, com destaque óbvio para os australianos jovens que vivem logo abaixo no mapa.

Trawangan, a Air e a Meno estão rodeadas de recife de coral e de praias de areia branca com águas cristalinas onde se encontram tartarugas, mantas e uma panóplia de peixes tão folclóricos quanto algumas das decorações dos bares locais. Em nenhuma delas há estradas, carros ou motas. O mais parecido são os cidomos, carroças puxadas por pilecas. Também não existe no arquipélago qualquer autoridade. As questões que possam existir resolvem-se entre os locais ou estes e os visitantes. Até agora, o sistema tem funcionado na maior parte dos casos que, diga-se de passagem, foram escassos.

A maior das três ilhas, a Trawangan, fica-se pelos 3km de norte a sul e dois de leste a oeste. Concentra a grande fatia do alojamento e assegura festa até às tantas, apesar de não ter uma única discoteca digna desse nome.

Em comparação, as ainda mais pequenas Air e Meno, são tranquilas. Logo bem cedo, recebem as visitas dos foliões ensonados de Trawangan, temporariamente arrependidos de se terem inscrito nas saídas madrugadoras de mergulho e de snorkeling. Foi algo de que nos precavemos de forma estratégica, pelo menos no que dizia respeito à primeira manhã.

Em época alta, as Gili são reforçadas com centenas de jovens de Lombok e ilhas vizinhas do arquipélago Nusa Tenggara que vão trabalhar nos bares e restaurantes.

Num dos dois jantares que tivemos em Trawangan, assim que descobriu de onde éramos, o empregado de mesa não descansou enquanto não se lembrou todas as palavras portuguesas que enriqueciam bahasa indonesia, o dialecto malaio nacional. Depois da enunciação da “janela”, da “bandeira”, da “manteiga” e do “sapato” continuou a explicar-nos o seu interesse especial pela pátria ex-colona. “a mãe era timorense, chamava-se Adolfina. Casou com um indonésio muçulmano e, como tal, foram forçados a mudar de apelido. Tanto ele como a progenitora tiveram pena de perder o antigo apelido, Lobo.

A conversa prolongou-se para mais uma (são tão frequentes na Indonésia) rendição à selecção nacional (a nossa) e à sua nova vedeta. A verdade é que o futebol português e, principalmente Cristiano Ronaldo, conseguiram um milagre diplomático entre Portugal e a Indonésia, pelo menos, a popular. 

Mais de duas décadas volvidas sobre o massacre do Cemitério de Santa Cruz, o assunto Timor Leste ainda suscita nalguns indonésios alguma ironia maldosa. Esse ressabiamento foi, todavia, significativamente aliviado pela visita de Cristiano Ronaldo à Banda Aceh devastada pelo tsunami de 2005 onde cumprimentou o jovem Martunis (caso não se lembre, o miúdo que foi achado com a t-shirt das Quinas e trazido a Portugal para ver um jogo da selecção). Cristiano Ronaldo, a selecção portuguesa e o Real Madrid são, agora, temas bem mais discutidos entre os visitantes portugueses e os anfitriões.

Nas Gili, em particular, o desporto-rei é, todavia, o surf. Uma barreira de recife próxima duma secção da costa de Trawangan gera ondas de dimensão, por norma, mediana mas perfeitas para a prática da modalidade. Dezenas de jovens indonésios locais ou deslocados de outras partes da nação aproveitam a benesse. Dia após dia, vemo-los determinados em aperfeiçoar as suas manobras e a competir entre si e com forasteiros por um ambicionado protagonismo aquático.

Ao largo, mais e mais barcos se aproximam das Gili, repletos de adolescentes desejosos de darem entrada naquele pequeno recreio insular.

PN Bromo Tengger Semeru, Indonésia

O Mar Vulcânico de Java

A gigantesca caldeira de Tengger eleva-se a 2000m no âmago de uma vastidão arenosa do leste de Java. Dela se projectam o monte supremo desta ilha indonésia, o Semeru, e vários outros vulcões. Da fertilidade e clemência deste cenário tão sublime quanto dantesco prospera uma das poucas comunidades hindus que resistiram ao predomínio muçulmano em redor.

Ilha Moyo, Indonésia

Uma Ilha Só Para Alguns

Poucas pessoas conhecem ou tiveram o privilégio de explorar a reserva natural de Moyo. Uma delas foi a princesa Diana que, em 1993, nela se refugiou da opressão mediática que a viria a vitimar.

Morro de São Paulo, Brasil

Um Litoral Divinal da Bahia

Há três décadas, não passava de uma vila piscatória remota e humilde. Até que algumas comunidades pós-hippies revelaram o retiro do Morro ao mundo e o promoveram a uma espécie de santuário balnear.

Lombok, Indonésia

Na Sombra de Bali

Há muito encobertos pela fama da ilha vizinha, os cenários exóticos de Lombok continuam por revelar, sob a protecção sagrada do guardião Gunung Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia.

Lombok, Indonésia

Hinduísmo Balinês Numa Ilha do Islão

A fundação da Indonésia assentou na crença num Deus único. Este princípio ambíguo sempre gerou polémica entre nacionalistas e islamistas mas, em Lombok, os balineses levam a liberdade de culto a peito

Herança colonial
Arquitectura & Design

Lençois da Bahia, Brasil

Nem os Diamantes São Eternos

No século XIX, Lençóis tornou-se na maior fornecedora mundial de diamantes. Mas o comércio das gemas não durou o que se esperava. Hoje, a arquitectura colonial que herdou é o seu bem mais precioso.

Totens tribais
Aventura

Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula

Parada e Pompa
Cerimónias e Festividades

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Manobras a cores
Cidades

Seul, Coreia do Sul

Um Vislumbre da Coreia Medieval

O Palácio de Gyeongbokgung resiste protegido por guardiães em trajes sedosos. Em conjunto, formam um símbolo da identidade sul-coreana. Sem o esperarmos, acabamos por nos ver na era imperial destas paragens asiáticas. 

Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Correria equina
Cultura
Castro Laboreiro, Portugal  

No Cimo Raiano-Serrano de Portugal

Chegamos à eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Verão Escarlate
Em Viagem

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Por Chame
Étnico
Circuito Anapurna: 1º Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.
Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
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O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
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História
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Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.
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Ilhas

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As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.

Doca gelada
Inverno Branco

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Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Silhueta e poema
Literatura

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Uma Escritora à Margem do Mundo

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Recompensa Kukenam
Natureza

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Uma Ilha no Tempo

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Filhos da Mãe-Arménia
Outono
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Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.
Observatório Dourado
Parques Naturais

Monte Mauna Kea, Havai

Um Vulcão de Olho no Espaço

O tecto do Havai era interdito aos nativos por abrigar divindades benevolentes. Mas, a partir de 1968 várias nações sacrificaram a paz dos deuses e ergueram a maior estação astronómica à face da Terra

Abastecimento
Património Mundial Unesco

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Acima de tudo e de todos
Personagens
Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.
Mme Moline popinée
Praia

Lifou, Ilhas Lealdade

A Maior das Lealdades

Lifou é a ilha do meio das três que formam o arquipélago semi-francófono ao largo da Nova Caledónia. Dentro de algum tempo, os nativos kanak decidirão se querem o seu paraíso independente da longínqua metrópole.

Solovestsky Outonal
Religião

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Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

A Toy Train story
Sobre carris
Darjeeling Himalayan Railway, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Sociedade
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações de Moçambique dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilómetros de Nampula, as vendas de fruta eram sucediam-se, sempre bastante intensas.
Trio das alturas
Vida Selvagem

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.