Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana


Templo Kongobuji

Visitantes contornam o templo Kongobuji de Koya San.

Vegetação outonal

Visitantes percorrem uma alameda de Koya San sob a vegetação outonal.

Contornos montanhosos

Montanhas em redor de Koya San.

Estátua só

Pequena estátua no cemitério de Okunoin.

Cerimónia budista

Monge Kurt Kubli durante uma cerimónia budista madrugadora.

Fim do dia

Monge fecha uma porta do templo Kongobuji.

Exército de monges

Monges atravessam a povoação a passo largo.

Lanternas budistas

Lanternas budistas iluminam o anoitecer de Koya San.

Chegada do teleférico

Teleférico proveniente de Gokurakubashi chega a Koya San.

Ishidoros

Lanternas budistas iluminam o caminho aos fiéis entre os vários templos de Koya San.

Budismo Outonal

Velho templo budista de madeira no coração de Koya San.

Aviso campanal

Monge faz soar um sino gigantesco na proximidade do templo Kongobuji.

Encontro budista

Sacerdota conduz peregrinos que saem do interior do enorme templo Kongobuji.

Início do ritual

Fiéis acendem velas no interior de um templo budista.

Evasão budista-outonal

Casal passeia em redor de um outro velho edifício budista nas imediações do templo Kongobuji.

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir de Koya San, pode ser ainda mais fácil.

A cabine vermelha parte de Gokurakubashi e progride lentamente encosta acima, ao longo da floresta circundante. Segue carregada de habitantes locais, de novos visitantes e da sua bagagem mas, apesar do peso e da inclinação acentuada, termina o percurso nos cinco minutos previstos.

O teleférico é só mais uma evidência de como os tempos mudaram e de como, nas últimas décadas, a antes apartada Koyasan se entregou ao exterior. De início, admitiram-se os visitantes nipónicos, a determinada altura, já não necessariamente apenas os peregrinos que chegavam de dias de caminhada. Depois, em 2004, quando a UNESCO inscreveu os lugares e rotas de peregrinação circundantes da Cordilheira Kii na lista de património mundial, a fama crescente da “montanha” tornou definitivamente insustentável a sua desgastada reclusão.

Como resumiu Shoto Habukawa o Ajari (sacerdote líder) do templo Murykoin: “Nesta era, Koyasan vai deixar de ser Koyasan se não abraçarmos as pessoas de fora … ”.

Assumida e comunicada a alteração de princípios, o organismo nacional de promoção do Japão passou a divulgar o destino também no estrangeiro, uma tarefa que depressa se viria a confirmar recompensadora.

A simpatia ocidental pelo budismo, o enorme interesse por tudo o que é japonês e a beleza das imagens que começaram a circular do complexo de templos e da paisagem circundante criaram uma aura de fascínio que continua a adensar-se sobre Koyasan, uma ilha de tranquilidade e espiritualidade que observa e analisa o Japão atarefado e consumista das metrópoles.

À boa maneira nipónica, alguns responsáveis religiosos redobraram esforços para cumprir com o voto. Assim se espalhou pelos  mosteiros da vila o fenómeno shukubo, a forma de acolhimento e integração dos visitantes oficial de Koyasan. E assim foi nomeado Relações Públicas da vila Kurt Genso, na realidade, chamado Kurt Kubli, 58 anos, a personagem que viria a transformar a nossa visita, numa experiência ainda mais inesquecível. 

Durante cerca de 1200 anos, tudo foi diferente. A ideia do monge Kukai – conhecido por Kôbo Daishi após a sua morte – por detrás da fundação de um centro para o estudo e prática da sua interpretação do budismo Vairocana, era encontrar um refúgio que assegurasse o retiro e a protecção das interferências externas. A importância deste isolamento manteve-se crucial ao longo dos séculos. Foi de tal maneira respeitada que, até ao fim da era Meiji (1871), as mulheres não eram simplesmente admitidas na povoação, tendo-lhes sido reservado um templo exclusivo, construído à entrada, o Nyonindô. 

Em claro desrespeito de uma directiva imperial japonesa de que deveria permanecer em estudo na China então governada pela dinastia Tang, durante 20 anos, Kukai regressou logo ao fim do segundo. Voltou enriquecido pela sabedoria do Mestre Huiguo – o patriarca da corrente Vairocana – mas foi proibido pelos governantes nipónicos de entrar na capital.

Os seus novos ensinamentos já davam, no entanto, que falar. O perdão foi-lhe concedido ao fim de mais alguns anos assim como a permissão para desenvolver a doutrina e a cultura nipónica que continuava a seguir as novidades do outro lado do estreito.

Assim que obteve autorização do Imperador Saga, em 819, Kukai reuniu um grande número de seguidores e trabalhadores e começou a construção gradual de Koyasan, num vale perdido a 880 metros de altitude, entre os oito picos das montanhas que os habitantes da região de Wakayama denominaram Monte Koya e os monges consideraram as oito pétalas de um lótus, um simbolismo muito forte do budismo para a natureza real das coisas que ascendem à beleza e à clareza do iluminismo. 

De volta ao Muryoko Inn, a surpresa não é japonesa, nem chinesa, nem sequer verdadeiramente asiática.

“Olá, sejam bem-vindos a Koya San” profere o monge Gensou com um sorriso acolhedor. Ao longe, o cabelo rapado engana-nos por algum tempo. Mas a aproximação revela os traços germanófilos requintados de Kurt Kubli, o nome de baptismo do anfitrião, um suíço que cortou com um passado mais florentino que helvético de banqueiro, homem de negócios, artista, estudante de ioga, flamengo e de filosofia indiana para se juntar ao fluxo espiritual do Monte Koya. Ali, além da devoção requerida, Kurt é responsável por consolidar a recente  internacionalização do lugar e da religiosidade peculiar que desenvolve.

A nossa visita faz parte das suas incumbências. Como a noite está a cair, o monge começa por sugerir que nos instalemos o mais depressa possível para, em seguida passearmos, entre os templos, ao lusco-fusco.  

A noite instala-se e o frio do Inverno japonês aperta sobre o vale. Kurt caminha indiferente à penumbra, pelo meio do Danjô Garan, o conjunto local de templos, pagodes, salões, estátuas e outros monumentos que conhece ao pormenor. À partida, o objectivo era apenas conduzir-nos ao centro de visitantes mas, em vez de seguir directo, faz um desvio para que possamos começar a sentir a magia de Koyasan. Abafado pelos cedros que envolvem a povoação, o silêncio é apenas quebrado pelo grasnar longínquo dos corvos e pela dissertação entusiasmada e multilingue do monge que, entre instruções genéricas relacionadas com a estadia, vai transmitindo os nomes e a razão budista de ser de cada edifício.  

O frio intensifica-se à medida que escurece e convida-nos a recolher. Por essa altura, vive-se em frenesim, no Muryoko Inn o que obriga Kurt a desdobrar-se para atender um grupo de alunos de fotografia australianos a que nos juntamos. 

Os estudantes aussie aguardam sentados no chão de tatami de uma das trinta salas, onde lhes foi servido o jantar. Kurt afasta as portas fusuma de papel, entra sem cerimónias, apresenta-se e pergunta se alguém quer uma cerveja. O espanto apodera-se dos presentes. “Não façam essa cara. Não é um problema para o templo que bebam cerveja. Aqui nem lhe chamamos cerveja, preferimos tratá-la por erva da sabedoria…” Recusada a sugestão, começa a dissertar sobre Koyasan, o budismo e, forçando o tema, outro dos seus assuntos preferidos: ele próprio.

Conta episódios e informações pessoais do passado: que renasceu em Zurique mas que sente uma ausência de laços com o país de origem até porque viveu vinte anos em Florença. “Não retenho nenhuma afeição em especial pela minha pátria. Nem sequer gosto de queijo que é algo com que se cresce na Suíça. Já vivi em muitos outros lugares e, no meu coração, sou um cidadão do mundo.” Por esta altura, as perguntas que lhe foram sendo colocadas revelaram já experiências como banqueiro, homem de negócios, artista contemporâneo, estudante de ioga e flamengo, de economia e de filosofia indiana, para mencionar apenas uma pequena parte. A conversa estende-se por mais de uma hora. Antes do final, somos informados que o jantar nos aguarda no quarto e vamos investigar. 

Ao contrário do que aconteceu com outros mosteiros, no Moryoko-in, as refeições shojin-ryori – como os seus horários e os das cerimónias, os banhos tradicionais comuns e o facto do calçado que vem da rua ser substituído por chinelos específicos para diferentes áreas  – são alguns dos elementos indígenas preservados para melhor integrar os visitantes na atmosfera budista. Muitos chegam a imaginar a comida escassa e sem sabor. A realidade, completamente distinta, é servida, todos os dias, às oito da manhã e as seis da tarde.

As refeições vegetarianas de Koyasan, Goma-dôfu e Koya-dôfu foram aperfeiçoadas e preservadas desde os tempos da sua fundação graças à longa dedicação dos monges. Baseiam-se nos preceitos da cozinha Sôbô, há muito relacionada com o treino mental budista e que incorpora o sentido das estações do ano combinando cinco métodos, cinco sabores e cinco cores. 

A que nos tinham acabado de servir era budista e ao mesmo tempo kaiseki (tradicional japonêsa). Encontramos sobre uma mesa baixa dois tabuleiros preenchidos com diferentes pratos, tigelas e outros recipientes de porcelana e plástico. É visto de cima, que os conjuntos, organizados ao milímetro, melhor revelam o seu requinte e  beleza tradicional. Há uma sopa miso e doses apetitosas e com preocupações medicinais de diferentes tofus,  acompanhados de pickles, tempura, feijão adocicado, cogumelos, vegetais cultivados em redor do mosteiro, algas e sésamo. Salvo outras instruções do hóspede, para beber, é servido chá verde. A infusão  complementa o repasto delicioso e revigorante que o monge Kurt se orgulha de ter reformulado, aniquilando os noodles instantâneos e com MSG (Glutamato Monossódico) antes servidos aos hóspedes. 

Quando fazemos o elogio ao monge-aprendiz Fusumi – que viveu dois anos em São Paulo e vem recolher os tabuleiros – , este atreve-se a esclarecer num português abrasileirado mas tímido: “Tinha que ser assim ‘né? Na maior parte do ano, faz muito frio por aqui”. 

Na manhã seguinte, aderimos à disciplina monástica e, apesar do frio, madrugamos para assistir ao ritual Homa (Goma em Japonês) do Fogo, um cerimonial de invocação da divindade Acala exclusivo do budismo esotérico que tem como função uma purificação psicológica e espiritual.   Espera-se que as suas chamas destruam energias negativas, se oponham a pensamentos e desejos prejudiciais e concretizem preces e orações. 

É realizado numa sala semi-escondida, dourada de apetrechos religiosos e perfumada de incenso. E conduzido por um ajari (mestre) que lê as orações na intimidade de um velho livro. Durante noventa minutos, acompanham-no vários acharyas (monges instrutores) que, ajoelhados, recitam e cantam alternadamente o sutra gerando coros místicos que, à luz ocre da sala sugerem uma espécie de transe colectivo.

Apesar desta experiência sensorial, em contraste com as normas do budismo exotérico segundo o qual as doutrinas são ensinadas através de escrituras, o ramo shingon segue o princípio Mikkyo (esotérico) de transmissão pessoal e espiritual de conhecimentos e experiências. E, enquanto no budismo exotérico as leituras são feitas simultaneamente por grandes grupos de monges, em Koya San e no restante “universo” shingon, há um mestre para cada praticante e são tidas em conta as suas  personalidades quando se ensinam os métodos de libertação dos desejos e preocupações mundanas.

Kurt acaba por desempenhar um pouco de ambos os papéis e, no tempo que resta, continua a mostrar-nos Koya San.

Enquanto caminhamos entre a floresta sombria de cedros, explica-nos o passado e a razão de ser budista dos principais edifícios do Danjô Garan, o reduto religioso da povoação. Começamos pelo Kompon Daito, um pagode imponente e exuberante, centro de uma mandala que, segundo a crença shingon, abarca todo o Japão. Contornamos também templos antigos de madeira agora gasta que, apesar de desactivados, preservam uma certa elegância histórica. E visitamos o Kongobuji, a sede secular e emblemática da corrente.

“O cemitério Okunoin! Já sei para onde vamos agora!” Começa a cair um nevoeiro frio. E Kurt lembra-se do seu sítio predilecto de Koya San para quando o tempo assim fica. Na deslocação, ultrapassa-nos, em corrida lenta, um exército de monges shingon embalado para outra das práticas budistas.

Ao nosso ritmo, entramos na alameda estreita do cemitério e durante quase duas horas, ficamos entregues à sabedoria recém-adquirida de Kurt, às inúmeras stupas, jizos (pequenas estátuas), sepulturas e túmulos, em grande parte subsumidas num tapete verdejante de líquenes e musgo.

O Okunoin é o maior cemitério do Japão. E é também o lugar mais sagrado de Koya San por abrigar o mausoléu de Kobo Daishi que os crentes acreditam estar em meditação eterna desde 21 de Março de 835.

Percorrem-no pequenos pelotões de peregrinos apressados, chegados dos trilhos árduos da cordilheira Kii, e ansiosos pela proximidade transcendente do mestre supremo.

Kurt entoa, ali, o sutra indicado para cantar na ocasião especial e espera que o repitamos várias vezes até passarmos o teste.

Em seguida, damos início ao caminho de volta, por zonas limítrofes mas não menos interessantes do vasto cemitério. E entre as sepulturas comuns, e de shoguns e samurais, descobrimos outras, corporativas como as da Komatsu e da Nissan. Algumas empresas ergueram monumentos fúnebres peculiares aos seus fundadores e empregados e honram-nos com símbolos da actividade ou produção a que se dedicaram. Destacam-se a enorme chávena de café instalada pela companhia UCC e a escultura simplificada do foguetão Apollo 11 montado em jeito de homenagem pela Shinmaywa Industries (que nada teve a ver com o seu lançamento).

À moda do budismo shingon, em sintonia com a criatividade de cada pessoa, em Koya San, o Nirvana é o derradeiro objectivo.  

Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem desembarca no Desfiladeiro dos Mil Budas, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.
Nara, Japão

O Berço Colossal do Budismo Nipónico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Bagan, Myanmar

A Planície das Compensações Celestiais

A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.

Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se

Templo Nigatsu, Nara, Japão
Kikuno
Nara, Japão

Budismo vs Modernismo: a Face Dupla de Nara

No século VIII d.C. Nara foi a capital nipónica. Durante 74 anos desse período, os imperadores ergueram templos e santuários em honra do Budismo, a religião recém-chegada do outro lado do Mar do Japão. Hoje, só esses mesmos monumentos, a espiritualidade secular e os parques repletos de veados protegem a cidade do inexorável cerco da urbanidade.
Uma Cidade Perdida e Achada
Arquitectura & Design

Machu Picchu, Peru

A Cidade Perdida em Mistério dos Incas

Ao deambularmos por Machu Picchu, encontramos sentido nas explicações mais aceites para a sua fundação e abandono. Mas, sempre que o complexo é encerrado, as ruínas ficam entregues aos seus enigmas.

Aventura
De Barco

Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Verificação da correspondência
Cerimónias e Festividades

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Coração Budista do Myanmar
Cidades

Yangon, Myanmar

A Grande Capital Birmanesa (Delírios da Junta Militar à Parte)

Em 2005, o governo ditatorial do Myanmar inaugurou uma nova capital bizarra e quase deserta. A vida exótica e cosmopolita mantém-se intacta, em Yangon, a maior e mais fascinante cidade birmanesa.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Celebração newar, Bhaktapur, Nepal
Cultura
Bhaktapur, Nepal

As Máscaras Nepalesas da Vida

O povo indígena Newar do Vale de Katmandu atribui grande importância à religiosidade hindu e budista que os une uns aos outros e à Terra. De acordo, abençoa os seus ritos de passagem com danças newar de homens mascarados de divindades. Mesmo se há muito repetidas do nascimento à reencarnação, estas danças ancestrais não iludem a modernidade e começam a ver um fim.
Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Ferry Nek Luong
Em Viagem

Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso

Conversa entre fotocópias
Étnico

Inari, Finlândia

A Assembleia Babel da Nação Sami

A nação sami é afectada pela ingerência das leis de 4 países, pelas suas fronteiras e pela multiplicidade de sub-etnias e dialectos. Mesmo assim, no parlamento de Inari, lá se vai conseguindo governar

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Glamour vs Fé
História
Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.
Antes da chuva
Ilhas

Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.

Esqui
Inverno Branco

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

Baie d'Oro
Literatura

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Vista aérea de Moorea
Natureza
Moorea, Polinésia Francesa

A Irmã Polinésia que Qualquer Ilha Gostaria de Ter

A meros 17km de Taiti, Moorea não conta com uma única cidade e abriga um décimo dos habitantes. Há muito que os taitianos veem o sol pôr-se e transformar a ilha ao lado numa silhueta enevoada para, horas depois, lhe devolver as cores e formas exuberantes. Para quem visita estas paragens longínquas do Pacífico, conhecer também Moorea é um privilégio a dobrar.
Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Vista aérea da Ilha de Principe, São Tomé e Principe
Parques Naturais
Príncipe, São Tomé e Príncipe

O Nobre Retiro de Príncipe

A 150 km de solidão para norte da matriarca São Tomé, a ilha do Príncipe eleva-se do Atlântico profundo num cenário abrupto e vulcânico de montanha coberta de selva. Há muito encerrada na sua natureza tropical arrebatadora e num passado luso-colonial contido mas comovente, esta pequena ilha africana ainda abriga mais estórias para contar que visitantes para as escutar.
De visita
Património Mundial UNESCO

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Palestra
Personagens

Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

Desembarque Tardio
Praias

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Paz de "cenote"
Religião

Iucatão, México

O Fim do Fim do Mundo

O dia anunciado passou mas o Apocalipse teimou em não chegar. Na Mesoamérica, os maias da actualidade observaram e aturaram, incrédulos, toda a histeria em redor do seu calendário.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Sociedade
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Mulheres com cabelos longos de Huang Luo, Guangxi, China
Vida Quotidiana
Longsheng, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Ovelhas e caminhantes em Mykines, ilhas Faroé
Vida Selvagem
Mykines, Ilhas Faroé

No Faroeste das Faroé

Mykines estabelece o limiar ocidental do arquipélago Faroé. Chegou a albergar 179 pessoas mas a dureza do retiro levou a melhor. Hoje, só lá resistem nove almas. Quando a visitamos, encontramos a ilha entregue aos seus mil ovinos e às colónias irrequietas de papagaios-do-mar.
Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.