Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga


Cortejo garrido

Sacerdotes ortodoxos levam a cabo uma procissão em honra de Santo Eutímio.

Ciclismo pós-dilúvio

Ciclistas passam em frente ao Convento da Intercessão.

Lada ainda não deposto

Velho Lada circula junto à fachada da Catedral da Deposição.

Conversa Ortodoxa

Crianças falam na escadaria que dá acesso à igreja principal do Convento da Intercessão.

Passeio abençoado

Casal percorre um trilho ao longo da fachada do Mosteiro de Santo Eutímio.

Igrejas de madeira, veste do campo

Funcionária em trajes tradicionais no Museu de Arquitectura de Madeira e Vida Camponesa.

Fé a negro

Padre ortodoxa cumprimenta uma Madre Superiora, em Suzdal.

Suzdal Blues

Jovem toca viola para duas amigas na margem elevada do rio Kamemka.

Medovukha

Garrafas de Cerveja de Mel numa loja de Suzdal.

Pressa Paternal

Morador de Suzdal empurra criança num carrinho de bébé, junto a uma casa tradicional de madeira colorida (isba).

Travessia

O rio Kamenka, nas imediações do museu de Arquitectura de Madeira.

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Dona Irina Zakharova, a matryoshka proprietária da casa-pousada e híper-atenciosa anfitriã dá os últimos retoques na lida da cozinha. Pouco depois, incorre num longo briefing em russo que atrasa as aventuras gastronómicas dos seus mais recentes h

óspedes. Alexey Kravchenko absorve cada uma das palavras metralhadas pela sopeira e responde o menos que pode num compromisso delicado entre a cortesia e a fome. Mal se liberta da pena, espreita para dentro do nosso quarto e dá o alerta porque esperávamos. “Cozinha livre!

Vamos ao almoço!”

Há dias que este petersburguês pachorrento nos tentava impingir, em inglês, um tal de buckwheat. Não tínhamos a tradução presente e, quando comprámos o cereal no supermercado, ficámos quase

na mesma ignorância. Comprovou-se, ao menos, a teoria de Alexey de que era fácil de preparar. Alguns minutos de frigideira depois, estamos à mesa a saborear uma refeição improvisada de peixe guarnecida com trigo sarraceno e vegetais que acompanhamos com diferentes medovukhas, cidras de mel com sabor de cerveja adocicada. Esta bebida conventual de Suzdal tornou-se num delicioso hábito maldito que nos acompanharia até ao norte da Rússia: a Novgorod no nosso caso; ao seu domicílio de São Petersburgo, no que disse respeito ao cicerone.

Alexey tinha colocado sobre a mesa vários pepinos pequenos, lavados mas por descascar. Devorava um atrás do outro quando reparou que não lhes tocávamos: “Então e os pepinos? “ pergunta-nos indignado. Explicamos-lhe que não estamos para aí virados até porque partilhávamos da noção portuguesa de que o pepino era indigesto e poderia facilmente arruinar-nos a tarde de exploração que se aproximava. À sua maneira eslavo-contida, Alexey quase salta da cadeira: “O quê? Estão a brincar, não? Eu sou louco por pepinos e não faço ideia do que estão a falar. Indigesto? Mas são só água. A mim não me dá problema nenhum, muito pelo contrário. Aliás… na Rússia, em geral, somos quase todos viciados. Por estes lados, ainda mais. Dentro de uns dias vão poder ver o quanto.” E continua a devorar mini-pepino atrás de mini-pepino.

Terminado o repasto e a recuperação da cozinha para uso dos restantes hóspedes regressámos à descoberta da bucólica Suzdal. 

Ao contrário de muitas das cidades medievais no Golden Ring – cintura histórica que envolve Moscovo – que tiveram que ceder à modernidade, devido à sua importância primordial, Suzdal conquistou um estatuto de protecção federal que limitou o desenvolvimento urbanístico e lhe permitiu permanecer como que parada no tempo, entregue à sumptuosidade e elegância das suas inúmeras e variadas igrejas e catedrais ortodoxas, aos mosteiros e conventos assim como a outros edifícios dentro e fora do kremlin local. 

À medida que caminhamos ao longo das margens ou quando atravessamos as pontes que o cruzam constatamos a graciosidade com que o rio Kamenka serpenteia vagarosamente pela povoação. E como a sua aparente imobilidade reforça o ambiente da época em que Suzdal atingiu o auge enquanto capital de diversos principados, séculos depois de os colonos viquingues terem navegado rio Volga acima, ocupado parte substancial da Rússia ocidental, Bielorússia e Ucrânia actuais – incluindo estas paragens por onde andamos – e fundado aquela a que chamaram Sursdalar ou Sudrdala (Vale do Sul), um termo que se repete nas sagas nórdicas. Tudo isto teve lugar sob a liderança de uma dinastia de nome Rus’ que viria a dar origem à nação russa.

Falta ao Kamenka a dimensão e fluidez do Volga. Mesmo assim, alguns descendentes menos destemidos dos fundadores escandinavos têm dificuldade em nele se meterem. Caminhamos com vista privilegiada sobre o rio quando nos apercebemos de um pai e filho receosos de mergulhar na água gélida enquanto a matriarca da família os incita e desespera pelo momento de máquina fotográfica em riste.

Mais à frente, um de tantos pintores em formação na cidade esboça a os cenários e o que se vai passando, sentado contra a muralha, sob as cúpulas verdes e dourada que se projectam do interior.

Em Suzdal, as igrejas e catedrais ortodoxas estão por todo o lado. A sua proliferação dispersa mas harmoniosa empresta ao lugar um estranho visual de conto de fadas. Uma vez que passamos junto da entrada do Mosteiro do Salvador, aproveitamos para nos inteirarmos um pouco mais da história a sério. 

Examinamos a torre do sino e os aposentos do Padre Superior. Deixamos a Catedral da Transfiguração do Salvador para o fim. Quando entramos, cinco homens todos vestidos em estilo negrume-Matrix parecem guardar a entrada para a nave principal. Num momento de fertilidade imaginativa, conjecturamos que esperavam por um qualquer multimilionário mafioso moscovita de visita à terra natal. Avançamos para o interior e examinamos as pinturas religiosas ortodoxas na companhia de duas crianças e dos pais que fazem o mesmo no sentido inverso.

Toca o sino lá fora. Os homens de negro entram de rompante na sala e fecham a porta. Ocorre-nos que podíamos estar em apuros. Os “seguranças” alinham-se sobre um degrau elevado de acesso ao altar e dão início a um recital de canto coral relâmpago em russo, amplificado pela acústica perfeita do templo. Menos de dois minutos depois, a cantoria fabulosa termina. Nós e os outros adultos batemos palmas contidas pelo espanto que perdurava. As crianças recuperam da surpresa. Os intérpretes apressados, esses, saem disparados pela porta como se nada se tivesse passado. 

Os eventos surpresa não se ficariam por aí.   Num dos dias seguintes tínhamos planeado sair cedo em direcção a Bogolubovo, uma de várias povoações menores nas redondezas mas, Alexey acorda mais uma vez tarde e atrasa a partida. Por estranho que pareça, em boa hora.

Já são onze da manhã quando nos aproximamos do centro de Suzdal. Sem que o esperássemos, avistamos um cortejo garrido que se interna numa rua recolhida em que se alinham dezenas de izbas, as casas rurais de madeira típicas destas zonas campestres, construídas sem recurso a metais e pintadas em tons fortes.

Pedimos a Alexey para estacionar na berma e corremos para nos juntarmos à procissão. Na cauda da marcha seguem beatos masculinos e femininos. Lideram-na sacristãos e acólitos porta-estandartes, seguidos de sacerdotes ortodoxos quase todos com barbas fartas e grisalhas. Faz um calor desconfortável mas os religiosos trajam phelons e phelonions, batinas litúrgicas todas negras ou bordadas e debruadas que combinam dourados com cores vivas. Quatro destes padres carregam sobre os ombros um pequeno relicário também ele dourado envolto num pano aveludado escarlate. Vencidas algumas centenas de metros, apurámos que se tratava de uma cerimónia dedicada a Santo Eutímio, um asceta  do século XIV que, abençoado por outro monge mais conceituado de nome Dionísio, conquistou a admiração do Príncipe Boris Konstantinovich de Novgorod e Suzdal e, em 1332, fundou o Mosteiro do Salvador, nesta última povoação.

Respeitado devido à fé profunda que mantinha, Eutímio viria a ascender a Padre Superior do mosteiro, onde empregava aquela devoção para aperfeiçoar a vida eclesiástica. A sua hagiografia descreve ainda que rezava com disciplina espartana, por vezes, em lágrimas e que transpôs para o mosteiro o estilo de vida cenobita que havia levado anos antes, com o exemplo inspirador de Dionísio. Eutímio morreu em 1404 e foi enterrado na Catedral da Transfiguração. Em 1547, foi canonizado e o seu culto disseminou-se por toda a nação, com vigor acentuado entre os fiéis de Suzdal. 

Quase todos os participantes do cortejo entoam salmos religiosos ortodoxos a viva voz, se bem que incomparavelmente mais desafinados que o blitz-quinteto que nos havia assustado. Até que a procissão entra pelo portão apertado da Igreja Sinodal do Ícone Ibérico da Mãe de Deus, o seu destino final.

Os padres sobem a escadaria curta, depositam o relicário no interior do templo e dispõem-se em frente ao altar, preparados para dar início à liturgia. Os crentes distribuem-se de pé aquém de um grande lustre e de uma panóplia exuberante de artefactos religiosos dourados, coroas de flores e imagens de Santo Eutímio. Quando o sacerdote que conduz a missa dá início às orações e cânticos, imitam-no com dedicação. 

Numa lenta mistura química, a profusão de velas acesas, os muitos crentes e a meteorologia da zona geram um bafo pesado que intensifica a mistura dos cheiros da cera queimada, dos incensos e de suor. Os fiéis seguem a eucaristia entregues a Deus, mas alguns perdem a concentração e deixam-se levar em mesquinhices. Pela nossa parte, na confusão da entrada, tínhamo-nos esquecido das pernas removíveis que promoviam os calções a calças e poderiam legitimar a nossa presença aos olhos da Igreja Ortodoxa. Duas senhoras em particular reparam na falha. Em vez de cantarem e acompanharem a cerimónia, dedicam-se a reportá-la aos crentes em redor que, felizmente, a ignoram. Apreciamos a comunhão, outros ritos e rituais encerrados pouco depois de os crentes beijarem um crucifixo dourado que o sacerdote que reza a missa segura contra o peito. Finda a cerimónia, os crentes regressam à rua, seguidos dos padres que aproveitam para cumprimentar a Madre Superiora do convento anexo com sentimento.

Nesse e noutros fins de tarde, apreciamos a vida pacata de Suzdal. Os grupos de amigos reunidos em redor de cervejas e guitarras em frente a um meandro do Kamenka, nas costas ervadas das arcadas do mercado. Na face contrária, vendedores entretêm-se com longos diálogos só interrompidos quando surgem compradores dos seus frutos silvestres. Vemos enormes bandos de corvos ora esvoaçantes ora pousados dedicados a devorar os vermes e insectos no relvado em frente à igreja de madeira de São Nicolau. Por ali, admiramos ainda cumulus nimbus ameaçadores deslizarem detrás da projecção das cúpulas e cruzes ortodoxas da Catedral da Natividade da Virgem. 

Seriam estes os últimos dias de pacatez indisputada de Suzdal.

Chegamos a Sábado de manhã. Deliciamo-nos com o mingau de arroz que Dona Irina nos tinha preparado para o pequeno-almoço, deixamos Alexey mais uma vez no sétimo sono e saímos a pé. 

Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.
Guwahati, India

A Cidade que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.
Novgorod, Rússia

A Avó Viking da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de "Crime e Castigo"

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Wilkommen in Africa
Arquitectura & Design
Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.
Radical 24h por dia
Aventura

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

Dragão Humano
Cerimónias e Festividades

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Madeira Excêntrica
Cidades

Sitka, Alasca

Memórias de Uma América que Já foi Russa

134 anos após o início da colonização, o czar Alexandre II teve que vender parte do actual 49º estado dos EUA. Em Sitka, encontramos heranças desses colonos e dos nativos que os combateram.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
As forças ocupantes
Cultura

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Um rasto na madrugada
Em Viagem
Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das etnias da Namíbia. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.
Promessa?
Étnico
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Memória cruel
História

Hiroxima, Japão

Uma Cidade Rendida à Paz

Em 6-8-1945, Hiroxima sucumbiu à explosão da primeira bomba atómica usada em guerra. Volvidos 70 anos, a cidade luta pela memória da tragédia e para que as armas nucleares sejam erradicadas até 2020.

Vai-e-vem fluvial
Ilhas

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Uma Busca solitária
Natureza

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Recompensa Kukenam
Parques Naturais

Monte Roraima, Venezuela

Uma Ilha no Tempo

Perduram no cimo do Mte. Roraima cenários extraterrestres que resistiram a milhões de anos de erosão. Conan Doyle criou, em "O Mundo Perdido", uma ficção inspirada no lugar mas nunca o chegou a pisar.

Cidade dourada
Património Mundial Unesco

Jerusalém, Israel

Mais Perto de Deus

Três mil anos de uma história tão mística quanto atribulada ganham vida em Jerusalém. Venerada por cristãos, judeus e muçulmanos, esta cidade irradia controvérsias mas atrai crentes de todo o Mundo.

Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Sol nascente nos olhos
Praia

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Folia Divina
Religião

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

Assento do sono
Sobre carris

Tóquio, Japão

Os Hipno-Passageiros de Tóquio

O Japão é servido por milhões de executivos massacrados com ritmos de trabalho infernais e escassas férias. Cada minuto de tréguas a caminho do emprego ou de casa lhes serve para passarem pelas brasas

Comodidade até na Natureza
Sociedade

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana
Huang Luo, China

Huang Luo: a Aldeia Chinesa dos Cabelos mais Longos

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de Huang Luo renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os cabelos mais longos do mundo, anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e arrôz.
Trio das alturas
Vida Selvagem

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.