Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água


Antes da chuva

Cenário palafítico do manguezal de Katungan.

Senhor chofer

Excursão de crianças juntas para um ensaio para o Festival dos Lanzones segue a bordo de um jeepney sobrecarregado.

Barqueiro de bangka, prepara-se para arrumar a sua embarcação na praia de areia negra junto ao Cemitério Afundado de Camiguin.

Camponeses recolhem arroz recém-colhido na iminência de uma forte chuvada de monçao.

Banhistas na piscina de água termal Soda Pool, uma de várias de Camiguin.

Soda water

Vendedora de lanzones (fruta tropical das Filipinas, Tailândia, Indonésia e outros) conversa com clientes no sopé do Vulcão Velho.

Época de lanzones

Guia local Ken, a bordo da caixa de passageiro de um jeepney.

Febre de Sábado à noite

Longa sequência de bangkas ancoradas na ilha de Mantiguin, ao largo de Camiguin.

Bangkas sem fim

Funcionária do porto de bangkas de Camiguin dá como encerrada a actividade das viagens à White Island devido ao vento e ondulação trazida pela aproximação do furacão Sarika.

Navegação encerrada

Dois proprietários de bangkas falam com a cruz do Cemitério Afundado em fundo, após o encerrar das idas-e-voltas à cruz.

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.

A monção habagat continuava a saturar o grande arquipélago filipino de humidade produzida mais abaixo no mapa, da evaporação dos mares mornos das Celebes, Banda e cia. Seguimos a bordo de um avião que descolara de Mactan-Cebu para um céu coberto de

nuvens densas, dispostas em camadas. No solo, a falta de luz solar directa achatava os cenários. Nem assim deixámos de reconhecer as Chocolate Hills de Bohol, uma vasta colónia de outeiros redondos e verdejantes espalhados a meio do caminho para o destino final. Cruzamos o Mar de Bohol e, com relativa facilidade, reconhecemos Camiguin. São quase oito mil as ilhas filipinas. Nenhuma outra se revela assim, ao longe, como um cone achatado solitário, projectado das águas.

O piloto faz o avião descer e, com um círculo apertado, alinhar-se com o extremo da pista de chegada. Vinte minutos depois, já aterrávamos no eco-hotel Bahay Bakasasyunan. Sentimos a manobra mais como de borregagem tão curto foi o tempo de repouso. À hora combinada, lá estávamos os dois sob o tecto da recepção feito de metades de cocos secos. Michael, o guia que nos acompanhava desde Manila, apresenta-nos o anfitrião local, Ken. Ken, revela-nos o motorista Jamie. Este último dá-nos a conhecer o veículo em que nos transportaria a todos. Devíamos tê-lo suspeitado: era um jeepney. Mais moderno, não tão típico ou exuberante que aqueles que os filipinos se habituaram a fabricar com motores dos jipes abandonados pelos norte-americanos no fim da 2ª Guerra Mundial. Ainda assim, de um verde quase fluorescente, decorado com um homem-aranha a levantar voo de entre os faróis dianteiros.

Tínhamos dormido quatro horas mas fizemo-nos fortes como o super-herói e demos início aquele novo almanaque filipino. Como bom cristão, Ken sugere começarmos a explorar a ilha pela igreja San Nicolas de Tolentino, a maior da capital Mambajao e de toda Camiguin. Encontramos a sua nave à pinha de jovens de uniforme escolar que assistem a uma eucaristia matinal com a quietude possível. Depressa nos tornamos no principal foco de distração pelo que precipitamos a debandada para outras paragens. Não fazíamos ideia do quão longe a missa ia do adro, no que dizia respeito a Cristianismo. Voltamos a deter-nos, agora na base de um vulcão que os nativos apelidaram de “Old” apesar de ser o mais recente da ilha, nascido em 1871, de uma chaminé do Monte Hibok-Hibok, este, o único em actividade. A população da ilha conhece bem o histórico de destruição causada pelo Hibok Hibok, com uma erupção violenta em 1951 que arrasou 20km2 da ilha, provocou três mil mortes e uma emigração massiva que fez diminuir para metade os 70.000 habitantes da ilha. De acordo, rogam-lhe clemência na forma de uma Via Crucis disposta monte acima, com cada uma das estações ilustradas por estátuas tão kitsch quanto coloridas. Ken informa-nos que são dois mil os degraus até à última estação. Habituados a pagar promessas afins pelo amor à descoberta, metemo-nos a caminho, ao mesmo tempo que três crentes femininas, uma delas de cinquenta e tal anos e duas jovens, uma das quais mais bonitinha, com um ego reforçado e memória fotográfica para selfies a condizer.

As estações sucedem-se. Cristo caminha derreado para a sua cruz, ladeado de centuriões abonecados. Nós, tanto passamos pelo trio como somos por ele ultrapassado consoante o tempo que nos detemos em determinadas estações.

Da décima estação em diante, a vegetação tropical da encosta concede planos panorâmicos daquela vertente da ilha, no imediato, coberta por plantas espanadores, mais abaixo e até à beira-mar, de coqueirais.

Deixamos a 12ª estação em que Jesus morre na cruz. A 13ª surge dentro de uma cova coberta de musgo. Quando entramos, deparamo-nos com as três mulheres já em oração, ajoelhadas sobre a estátua de Cristo deposto e acarinhado pela mãe. Acompanhamos as suas preces em silêncio. Ainda assim, a mais velha pressente-nos. Quando se vira para trás e nos contempla, as lágrimas correm-lhe, abundantes, face abaixo. Trocamos sorrisos tímidos e deixamo-las entregues à sua fé. Regressados ao início da escadaria, uma nativa tinha montado uma banca e vendia lansiums, ou lanzones como lhes chamam os filipinos, uma fruta do estilo da líchia. Durante o trecho de jeepney que se seguiu, devorarmos dezenas das suas polpas e recuperámos boa parte dos nutrientes suados na subida. Era a primeira vez que ouvíamos falar de lanzones, muitas mais se repetiriam.

Como acontece com frequência nos redutos vulcânicos, brotavam das profundidades de Camiguin fartas águas termais. Passámos por umas primeiras conhecidas por Soda Waters. Seguimos para a nascente e piscina de Santo Niño, esta bem mais desafogada e, assim viemos a constatar, com um importante papel social na ilha.

Ken instalou-nos e a Michael sob abrigo usado para refeições. Logo, surgiu uma senhora que nos serviria o almoço. A piscina de água fria resplandecia de vida. No seu interior, peixes pédicures mordiscavam-nos os pés de molho. Sediado do lado oposto do muro mas em permanente movimento, um grupo protagonizava um festival de galhofa, partidas e acrobacias. Michael examina-os com atenção: “Não é normal os filipinos terem corpos assim naquelas idades. São polícias de Cagayan de Oro. Tiveram o fim-de-semana de folga, apanharam o ferry e vieram até cá descontrair.

Camiguin distava uma mera hora de barco da capital de Mindanao, a má afamada grande ilha do sul das Filipinas.

Terminamos o almoço e enfiamo-nos na piscina para nosso próprio recreio. Um grupo de crianças lideradas por um treinador, junta-se a nós, reclama várias das pistas inexistentes e dá início a um treino de natação. Era o estímulo de que precisávamos para deixarmos o lugar e o descanso.

Quilómetros adiante, passámos por uma escola em que um elenco de miúdos ensaiava ao som de tambores. “Ah, é verdade…” atira Ken. “Nós, cá, temos o Festival dos Lanzones. É já daqui a uns dias. Agora há ensaios em todas as escolas.” Durante vinte minutos, apreciámos as coreografias dos alunos, munidos de estandartes pintadas com cachos amarelos. Por fim, lá nos dedicámos ao fito original da visita.

Ao longo da sua colonização das actuais Filipinas, os espanhóis ergueram torres de vigia que facilitavam o avistamento dos inimigos mouros de etnia malaia. Uma delas, até então escondida pelo edifício escolar, abrigava reguilices de várias outras crianças.

Prosseguimos o manguezal de Katungan que a maré baixa deixara descoberto. Atravessámo-lo sobre passadiços de madeira que entravam floresta adentro com extensões para intrigantes refúgios lacustres. Haviam sido construídos nos recantos mais encantadores da paisagem que se reflectia no mar raso e estático. Por essa altura, nuvens arroxeadas filtravam a luz solar e tornavam aquela natureza viva ainda mais especial. Casais de namorados conhecedores do lugar, ocupavam vários dos refúgios, distantes de outros partilhados por famílias barulhentas. O crepúsculo não tardou a envolver o mangal e a precipitar o reentrada no hotel.

Acordámos pela primeira vez em Camiguin. O conforto do descanso não chegou sequer ao pequeno-almoço. Andávamos de olho na meteorologia caprichosa da monção habagat e o vento forte já chegara a Camiguin. Quando nos encontrámos à mesa, tanto nós como Michael sabíamos que um tal de furacão Sarika (Karen) se aproximava de Luzon, seguido de outro, o Haima (Lewin). A comitiva de uma reunião familiar convivia numa grande mesa ao lado. Não tardaram perseguir um chapéu de senhora que voou para o mar.

Longínqua mas poderosa, a tempestade tornou aventureira a incursão de bangka (embarcação tradicional) à ilha menor de Mantique. No regresso, subimos ao observatório do vulcão Hibok Hibok. Vencida a resistência de Edmund, o único funcionário do lugar, ficámos uma hora no terraço do edifício atentos ao momento em que as nuvens lhe revelassem a cratera. Contamos-lhe que tínhamos subido ao cume do Pico (Açores) uns dias antes. A narrativa fascina-o e inspira uma profícua conversa sobre vulcões.

Cumprida a descida vertiginosa para o litoral, detemo-nos na iminência da enorme cruz que assinalava o Cemitério Afundado da ilha. Primeiro no cimo das escadarias, depois sobre o areal negro abaixo, entretemo-nos a apreciar os vaivéns excitados das famílias a bordo de bangkas operadas em regime de turnos e num engenhoso modo de puxa-corda.

O novo dia amanheceu mais uma vez ventoso e com o mar revolto, pelo que a capitania local suspendeu as viagens de bangka até à White Island. A White Island era bem mais que um enorme banco de areia coralífera. Em dias de esplendor tropical proporcionava fabulosos momentos balneares com vista privilegiada para a ilha de Camiguin. Tornou-se, assim, uma das mais reputadas imagens de marca das Filipinas, um manancial de fotogenia que nos continuava barrado. Conformámo-nos e retornámos ao jeepney. Dirigimo-nos para a velha igreja espanhola de Bonbon quando, à passagem pela aldeia de Yubeng, avistamos camponeses a trabalhar num arrozal muito amarelo. A essa hora, era tanta a água acumulada no céu azul-escuro que parecia ir desabar mais minuto menos minuto. O dilúvio apanhou-nos à beira do arrozal. Ken activou o seu modo de protecção civil: “Venham por aqui. Eu conheço os donos desta casa, o filho foi da minha turma!”. Bateu à porta sem grandes modos. Do interior, abriram-nos caminho ao refúgio, tudo isto a acontecer sob o olhar incrédulo de dezenas de vizinhos que participavam numa reunião daquele mesmo barangay (freguesia) realizada debaixo de um telheiro. Assim mesmo, autorizado à força, Ken instalou-nos numa espécie de canapé frente a frente com um ancião que via T.V. na companhia de três netos. O senhor manteve-se em silêncio, ou indignado ou acanhado pela nossa presença. Durante mais de meia-hora, passaram muitas mais pessoas, pela sala e por um varandim acima, ligado a diferentes quartos. Era extensa a família que partilhava aquele lar. Com a ajuda de Ken, fotografámo-nos na companhia de todos. Quando a chuva deu tréguas, retomámos o circuito.

Mesmo encharcada e desabrigada como estava, a velha igreja hispânica do século XVII deslumbrou-nos. Um sismo tinha-lhe derrubado o telhado e o piso era já de terra. A humidade das monções cobria-lhe as paredes de musgo. Nada disso impedia que acolhesse uma missa mensal em que os crentes da ilha participavam com redobrado entusiasmo.

Às quatro da tarde, o vento amainou e as nuvens cederam a um céu azul. Não nos saía da cabeça a frustração da White Island mas sendo Domingo, a actividade das bangkas continuava barrada pela proibição matinal da capitania.

Habituados a forçar soluções, re-despertámos Michael e Ken para a importância da missão. Ken, percebeu a urgência do apelo complementar de Michael. Findos três ou quatro telefonemas arrastados em tagalog, comunicou-nos que, muito excepcionalmente, nos tinham disponibilizado uma bangka com um dos melhores timoneiros de Camiguin. Jamie fez o jeepney voar até ao porto. Ignorámos o melhor possível as experiências passadas do quanto as bangkas eram desadequadas para navegar com ondas e entregámo-nos à viagem. O timoneiro sossegou-nos a todos. “Não se preocupem. Está agitado mas não é nada de especial.” De facto, dez minutos de montanha-russa marinha depois, ancorámos do lado protegido. Corremos desenfreados para a sua extremidade norte. Quando nos viramos para trás, ofegantes, somos prendados com a vista sublime da enorme língua de areia, curva e deserta. Para diante, Camiguin surgia projectada do oceano. Sobrepunha-se ao mar, imponente, luxuriante e, agora com todas as cores do casario no sopé, dos seus coqueiros e da vegetação espraiada encosta acima, até às crateras supremas. Desde a permissão conseguida por Ken, o sol baixava sobremaneira no horizonte. O barqueiro, por seu lado, tinha instruções para nos fazer voltar à ilha às cinco e meia. Atrasámos a hora o mais que pudemos. Quando o sol caiu atrás de nuvens baixas, rendemo-nos às evidências e metemo-nos na bangka. Vencemos mais dez minutos de sobe-e-desce algo assustadores e desembarcámos numa praia ao lado do porto. A salvo e até secos, entregámo-nos a um delicioso êxtase que se prolongou pelo jantar adentro. Na manhã seguinte regressámos a Cebu.

 

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Cebu, Filipinas

O Atoleiro de Magalhães

Tinham decorrido quase 19 meses de navegação pioneira e atribulada em redor do mundo quando o explorador português cometeu o erro da sua vida. Nas Filipinas, o carrasco Datu Lapu Lapu preserva honras de herói. Em Mactan, uma sua estátua bronzeada com visual de super-herói tribal sobrepõe-se ao mangal da tragédia.

White Beach, Filipinas

A Praia Asiática de Todos os Sonhos

Foi revelada por mochileiros ocidentais e pela equipa de filmagem de “Assim Nascem os Heróis”. Seguiram-se centenas de resorts e milhares de veraneantes orientais mais alvos que o areal de giz.

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Hungduan, Filipinas

Filipinas em Estilo "Country"

Os GI's partiram com o fim da 2a Guerra Mundial mas a música do interior dos EUA que ouviam ainda anima a Cordillera de Luzon. É de tricycle e ao seu ritmo que visitamos os terraços de arroz Hungduan.

Filipinas

Os Donos da Estrada

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, os filipinos transformaram milhares de jipes norte-americanos abandonados e criaram o sistema de transporte nacional. Hoje, os exuberantes jeepneys estão para as curvas

Vigan, Filipinas

A Mais Hispânica das Ásias

Os colonos espanhóis partiram mas as suas mansões estão intactas e as kalesas circulam. Quando Oliver Stone buscava cenários mexicanos para "Nascido a 4 de Julho" encontrou-os nesta ciudad fernandina

Marinduque, Filipinas

Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.

Gasan, Filipinas

A Paixão Filipina de Cristo

Nenhuma nação em redor é católica mas muitos filipinos não se deixam intimidar. Na Semana Santa, entregam-se à crença herdada dos colonos espanhóis.A auto-flagelação torna-se uma prova sangrenta de fé

Filipinas

Quando só os Galos Despertam um Povo

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.

Busuanga, Filipinas

Uma Armada Pouco Secreta

Na 2a Guerra Mundial, uma frota nipónica falhou em ocultar-se ao largo de Busuanga e foi afundada pelos aviões norte-americanos. Hoje, os seus destroços subaquáticos atraem milhares de mergulhadores.

Bohol, Filipinas

Filipinas do Outro Mundo

O arquipélago filipino estende-se por 300.000 km2 de oceano Pacífico. No grupo Visayas, Bohol abriga pequenos primatas com aspecto alienígena e colinas extraterrenas a que chamaram Chocolate Mountains

Batad, Filipinas

Os Socalcos que Sustentam as Filipinas

Há mais de 2000 anos, inspirado pelo seu deus do arroz, o povo Ifugao esquartejou as encostas de Luzon. O cereal que os indígenas ali cultivam ainda nutre parte significativa do país.

Lenha à Pressa
Arquitectura & Design

Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.

Totens tribais
Aventura

Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula

Tempo de MassKara
Cerimónias e Festividades

Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.

Gang de 4
Cidades

Tombstone, E.U.A.

A Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Parada e Pompa
Cultura

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Tóquio
Em Viagem
Couchsurfing (Parte 1)

Mi Casa, Su Casa

Em 2003, uma nova comunidade online globalizou um antigo cenário de hospitalidade, convívio e de interesses. Hoje, o Couchsurfing acolhe milhões de viajantes, mas não deve ser praticado de ânimo leve.
Entusiasmo Vermelho
Étnico

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Tsumago em hora de ponta
História

Magome-Tsumago, Japão

O Caminho Sobrelotado Para o Japão Medieval

Em 1603, o shogun Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é frequentemente invadido por uma turba ansiosa por evasão.

Voo marinho
Ilhas

Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Natureza

Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Patrulha réptil
Parques Naturais
Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.
Budas
Património Mundial Unesco

Nara, Japão

Budismo Hiperbólico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Palestra
Personagens

Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

Tambores e tatoos
Praia

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Templo Kongobuji
Religião

Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir de Koya San, pode ser ainda mais fácil.

A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Formação
Sociedade

Jerusalém, Israel

Em Festa no Muro das Lamentações

Nem só a preces e orações atende o lugar mais sagrado do judaísmo. As suas pedras milenares testemunham, há décadas, o juramento dos novos recrutas das IDF e ecoam os gritos eufóricos que se seguem.

Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.

Abastecimento
Vida Selvagem

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.