Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Cria(ra)m Raízes


Jingkieng Wahsurah

Outra ponte de raízes de Nongblai que atravessa o rio às margens da povoação logo acima de uma queda d'água.

Quase em casa

Jovem de Nongriat desce uma escadaria, carregado, prestes a chegar à sua aldeia.

Um repouso sombrio

Família do chefe Longneh Khong Sni na sala da sua exígua palafita da aldeia de Nongblai.

Jingkieng Wahlangseng

Chefe Longneh Khong Sni com dois dos filhos sobre uma das pontes da aldeia de Nongblai

A noz de Betele

As frutas amareladas que viciam e estimulam boa parte da população de Meghalaya, da Índia e da Ásia.

Nohkalikai

A queda d'água mais elevada da Índia, com 350 metros. Precipita-se num enorme desnível do planalto de Shillong, Montes Khasi.

Aldeia de Tyrna

Aldeia dos Montes Khasi situada acima de Nongriat, a jusante da base da queda d'água de Nohkalikai.

Risada maternal

Mulher brinca com o seu filho no mercado principal de Cherrapunjee, ou Sohra como chama o povo Khasi a esta cidade.

Cachimbo de paz

Chefe de Nongblai Longneh Khong Sni fuma cachimbo sobre a ponte de raízes de Jingkieng Wahlangseng.

A caminho do outro lado

Crianças de Nongblai cruzam a ponte curva de Wahsurah.

No poleiro

Despertadores recarregam para o serviço da madrugada.

A meia-encosta

Moradora de Nomblai num trecho sombrio da longa subida da povoação até ao cimo do vale em que se situa.

Foto da foto

Guia Morning Star detem-se para uma foto na descida para Nongblai.

Palmeiras do vício

Floresta de palmeiras de nozes de bétele, consumidas em grande quantidade em Meghalaya e também em Nongblai. 

Quase noite nas montanhas

Ocaso encerra mais um dia produtivo em Nongblai, por volta das 17h.

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes vegetais deslumbrantes às futuras gerações.

Estava longe de ser a realidade dos dias de Natal que por ali passamos: solarengos durante o dia, mais frescos após o ocaso, mas secos. A província de Meghalaya que se traduz como “morada das nuvens”, é, de longe, a mais chovida da Índia. Conta com v&aacute

;rias povoações no top 10 da pluviosidade mundial. Delas, Cherrapunjee e Mawsynram ostentam números na ordem dos 25.000 mm anuais. Disputam o recorde absoluto entre si e com outras povoações colombianas.

Por norma, quando chega Maio, o calor gera uma intensa evaporação do oceano Índico, Mar Arábico e Baía de Bengala. Nuvens carregadas de humidade são empurradas sobre o subcontinente por ventos de sul. Quanto mais elevada é a terra próxima mais chuva proporciona. Ora, Meghalaya ocupa o planalto acima do aluvial Bangladesh, a poucos quilómetros do litoral da Baía de Bengala. Não tardamos a observar a ruptura na paisagem entre as duas regiões.

Tínhamos como base Shillong, a capital do estado. De lá partimos manhã atrás de manhã rumo a sul. Numa dessas jornadas, saímos com Cherrapunjee como destino final. Muita curva e contracurva por montes e vales depois, Gus e Don, o condutor e o guia que nos auxiliavam na descoberta da província, fizeram o carro deter-se na beira de um precipício em forma de ferradura, repleto de vendedores. Mal nos aproximamos da falésia, percebemos como o cenário e os diferentes visuais que dele antes tínhamos visto espelhavam o contraste entre as duas épocas meteorológicas do ano.

Uma queda d’água longínqua – por sinal a mais alta da Índia, com 340 metros – precipita-se do cimo florestado da meseta para dentro de uma lagoa entre o verde e o azul.

O seu nome anglófono, Seven Sisters Falls, alude ao facto de, na época chuvosa, o salto que ali víamos se multiplicar por sete, cada qual representativo de um dos estados do distinto Nordeste Indiano: Assam, Anurachal Pradesh, Tripura, Nagaland, Manipur, Meghalaya e Mizoram. Em plena fase mais-que-ensopada da monção, as nuvens preenchem o anfiteatro natural no sopé. Invadem e irrigam também a maior parte da zona rugosa e luxuriante acima das Nohkalikai, o nome khasi (dialecto local) da queda d’água, inspirado numa lenda que envolve Likai, uma mulher local, o seu filho, marido e canibalismo familiar. De tal forma macabra que nos furtamos a entrar em pormenor.

Nos dias realmente chuvosos, mais que uma sequência de torrentes verticais, as Nohkalikai provêm de todo e qualquer sulco no relevo. Tornam-se um listado fluvial dissimulado pela névoa que por ali sempre paira. Após o derradeiro chuáa do embate nas rochas na base, os seus caudais prosseguem, fartos, rumo às planícies arenosas do Bangladesh. Pelo caminho, passam por uma série de aldeias Khasi e Jaintia autodegredadas no fundo dos vales.

Uns dias depois, na ascensão de regresso de Nongblai, uma dessas povoações, perguntamos ao jovem guia nativo Morning Star Kongthaw o que tinha feito as pessoas habitarem lugares de tão doloroso acesso. Morning Star pouco adorna a explicação: “Há séculos atrás, a sobrevivência não era como hoje. As famílias tinham que encontrar fontes de alimento fiáveis. Os rios passavam lá em baixo. Além de lhes garantirem peixe e outros animais, permitiam o cultivo de vegetais e frutas. Para as pessoas, o cansaço tinha pouco significado quando comparado com o terem a vida assegurada. Para muitas, ainda é assim.”

Duas etnias em particular, ocuparam os recantos ribeirinhos férteis de Meghalaya. Foram elas a Khasi e a Pnar, ou Jaintia, ambas matrilineares e que os missionários Britânicos converteram ao ponto de os Khasi e os Pnar formarem, em Meghalaya, o estado mais Cristão e eventualmente menos “indiano” da Índia, onde as pessoas partilham uma noção de espaço individual e de recato perante o próximo incomuns no subcontinente. Enquanto a explorávamos, Meghalaya mantinha-se rendida a intensas celebrações de Natal, como nenhum outro estado indiano o fazia.

Quando se instalaram no fundo dos vales dos Montes Khasi, tanto os Khasi como os Pnar tiveram que aprender a obter víveres dos caudais e das suas margens. Mas não só. Viram-se obrigados a prever as enormes oscilações sazonais no volume dos rios e o espaço de manobra a salvaguardar as suas habitações e cultivos. A outra questão a requerer o melhor do seu engenho foi como garantir a travessia dos caudais aumentados. A solução a que chegaram primou por um espantoso pragmatismo orgânico, bem mais moldável e resistente às torrentes furiosas que aço e betão e virtualmente sem custos. Agora que o turismo chega a toda a parte e lhes bateu à porta, fascina o resto do mundo. Em muitos casos, também representa um meio de subsistência profícuo.

Demos início à incursão a Nongblai, desta feita, conduzidos por Sadam, um chofer hindu, mais que peculiar, tragicómico. Apanhamos Morning Star a poucos quilómetros do início da longa escadaria que tínhamos que percorrer. Durante uma boa hora, descemos pelos degraus de pedra altos e irregulares e, em zonas de sombra, cobertos de musgo escorregadio, diz-nos o guia que, durante a época das chuvas, formava um enorme tapete verde. Nessa hora, só vimos a vegetação diversificada que envolvia as escadas e o lado de lá do vale. Deparamo-nos apenas com dois ou três aldeãos vindos do sentido ascendente, menos cansados do que poderíamos supor. Por fim, percebemos o sulco do rio e vislumbrámos o casario da povoação algumas dezenas de metros acima.

Mandava o ritual que nos recebesse o chefe da aldeia. Morning Star ainda nos ensina umas palavras em dialecto khasi – por exemplo, o sempre útil obrigado, khublei shibun – mas Longneh Khong Sni, de inglês, nada falava pelo que toda a comunicação fluiu através do guia.

Morning Star conta-nos que as autoridades de turismo de Meghalaya o haviam avisado da nossa visita à última hora. Por arrasto, a família do chefe não pudera acolher-nos como gostaria.

A descida tinha-nos deixado esfomeados. Os anfitriões sabiam-no. De acordo, dizem-nos para nos instalarmos no chão de madeira da pequena palafita e servem-nos chá, logo, arroz branco com omelete que devoramos como se do mais irresistível pitéu se tratasse.

Findo o repasto, o chefe puxa umas baforadas do seu cachimbo. Eu, aproveito a boleia de Morning Star e experimento pela primeira vez mascar noz de bétele, tão popular por aquelas paragens, um pouco por toda a Índia e Ásia.

O sabor revelou-se horrível. Como se não bastasse, o líquido semi-ácido causou-me uma enorme afta. Após dez minutos de salivação acentuada, cuspi, aliviado, o líquido avermelhado, lavei a boca e jurei que nunca mais. “Só lá vai com o hábito!” assegurou-me Morning Star, a conter uma risada. Por essa altura, estava convencido que era algo a que nunca me iria habituar.

Deixamos o lar do chefe apontados ao rio. Há mais de três horas que tínhamos deixado o conforto do hotel de Shillong com um propósito bem vincado em mente. Dez minutos de caminhada adicional depois, deparamo-nos com a razão de ser superior da excursão: Jingkieng Wahlangseng. Uma ponte arbórea massiva e musgosa abraçava o vasto leito rochoso, com raízes aéreas profusas esticadas a partir dos troncos mais grossos, alinhadas, entrançadas e esculpidas para formarem um passadiço seguro. Outras, mais jovens e finas, caíam sobre a água cristalina em jeito de franjas decorativas. Por intervenção dos aldeãos de Nongblai que as orientam com canas-de-bambu, a árvore-da-borracha (ficus elastica) que a gerara, crescera para o lado, com ramificações poderosas apontadas à direcção onde o sol se arrastava antes de sumir atrás da montanha.

Atravessamo-la para cá e para lá num absoluto êxtase vegetal. Enquanto isso, o chefe instala-se sobre o tronco na companhia de dois dos seus filhos infantes. Puxa de algumas derradeiras baforadas e fica a contemplar, na mais pura tranquilidade, o cenário abendiçoado em que vivia.

“Gostaram desta?” indaga-nos Morning Star. Em Meghalaya existem centenas. Demoram quase meio século até atingirem esta dimensão mas, se ninguém as cortar, só ficam maiores e mais fortes. Aqui, na aldeia, são umas outras cinco. Vamos à próxima?”.

Claro que fomos. Com pena de não termos tempo para acompanharmos Morning Star dias, semanas a fio, pelos vales de Meghalaya. Para as descobrirmos, apreciarmos e cruzarmos a todas, de preferência, na época das chuvas quando a paisagem é ainda mais luxuriante e verdejante.

Jingkieng Wahsurah, a ponte que se seguiu, surgiu num sector do mesmo rio cortado por um grande socalco e que abrigava uma queda d’água. A luz entrava ali bem menos que na zona da ponte anterior. Ainda assim, durante mais de um século, a ficus elastica residente tinha-se ali desenvolvido e largado os seus tentáculos de forma sôfrega. Mal percebíamos se os ramos e raízes atapetados pelo musgo pertenciam a uma ou a mais espécimes.

Morning Star some-se. Quando o descobrimos a partir do passadiço, estava empoleirado num dos ramos que se prolongavam para jusante, a fotografar a ponte de baixo para cima. Não resistimos a ele nos juntarmos pelo mesmo trilho íngreme. Para espanto dos filhos do chefe da aldeia e de duas outras crianças recém-aparecidas, pouco ou nada habituados a ver forasteiros em tais aventuras.

O sol já se insinuava ao limiar sul do vale e ainda tínhamos duas horas ou mais de volta às terras altas. Consciente da dificuldade adicional da subida no escuro, Morning Star apressou-nos. Retornámos à casa de Longneh Khong Sni, agradecemos o privilégio da visita à aldeia e despedimo-nos da esposa e filhos. O chefe tinha uma reunião na povoação no cimo da escadaria pelo que subiu connosco.

Até mais de meio, cumprimos a ascensão cansados mas sem demasiado queixume. A partir da hora e três quartos, com o breu instalado e as pernas a cederem ao peso das mochilas fotográficas e ao intenso desgaste, quase nos arrastámos para atingirmos o derradeiro degrau, sempre estimulados por Morning Star que se entreteve a renovar a promessa de que só faltavam cinco minutos.

Ainda bebemos juntos um chá masala numa casa de chá local. Por fim, enfiamo-nos no carro entregues aos caprichos de Sadam. Estávamos os dois prestes a adormecer, embalados pelas curvas, quando reparamos que o motorista tinha um leitor de vídeo instalado sobre o volante. Assistia a um qualquer êxito Bollywoodesco enquanto nos conduzia pela estrada, quase sempre ladeada de precipícios. Mesmo assim, chegámos sãos e salvos a Shillong. Passámos o dia seguinte doridos como há muito não sentíamos.

A tareia não nos demoveu de repetirmos a dose. Dois dias depois, descemos (e, claro está, subimos) 3000 degraus tão ou mais torturantes às profundezas de Nongriat. Lá encontrámos e reverenciámos Umshiang, de 180 anos. Uma das incríveis mas raras pontes duplas de raízes de Meghalaya. Provavelmente a mais visitada do estado, digna da sua própria estória.

 

Os autores agradecem o apoio na realização deste artigo às seguintes entidades:  Embaixada da Índia em Lisboa; Ministry of Tourism, Government of India e Meghalaya Tourism.

Agradecem e aconselham ainda os interessados em descobrir esta região única da Índia a contarem com o "especialista nativo em Pontes de Raízes e na natureza e cultura de Meghalaya" Morning Star Kongthaw:

Telm e Whats App: +91 80144 70908​

Facebook: MorningStar Kongthaw (Bah Morning) 

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.

Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.

Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.

Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção himalaia da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos creem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.

Avenida dos Baobás, Madagáscar

O Caminho Malgaxe para o Deslumbre

Saída do nada, uma colónia de embondeiros com 30 metros de altura e 800 anos ladeia uma secção da estrada argilosa e ocre paralela ao Canal de Moçambique e ao litoral piscatório de Morondava. Os nativos consideram estas árvores colossais as mães da sua floresta. Os viajantes veneram-nas como uma espécie de corredor iniciático.

Ooty, Índia

No Cenário Quase Ideal de Bollywood

O conflito com o Paquistão e a ameaça do terrorismo tornaram as filmagens em Caxemira e Uttar Pradesh um drama. Em Ooty, constatamos como esta antiga estação colonial britânica assumia o protagonismo.

Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Wilkommen in Africa
Arquitectura & Design

Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.

Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Portal para uma ilha sagrada
Cerimónias e Festividades

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Forte de Saint Louis
Cidades

Fort-de-France, Martinica

Liberdade, Bipolaridade e Tropicalidade

Na capital da Martinica confirma-se uma fascinante extensão caribenha do território francês. Ali, as relações entre os colonos e os nativos descendentes de escravos ainda suscitam pequenas revoluções.
Ilha menor
Comida

Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.

Transbordo
Cultura

Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a “Survivor”

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Budismo majestoso
Em Viagem
Circuito Anapurna: 4º – Upper Pisang a Ngawal, Nepal

Do Pesadelo ao Deslumbre

Sem que estivéssemos avisados, confrontamo-nos com uma subida que nos leva ao desespero. Puxamos ao máximo pelas forças e alcançamos Ghyaru onde nos sentimos mais próximos que nunca das Anapurnas. O resto do caminho para Ngawal soube como uma espécie de extensão da recompensa.
A ver a vida passar
Étnico

Dali, China

A China Surrealista de Dali

Encaixada num cenário lacustre mágico, a antiga capital do povo Bai manteve-se, até há algum tempo, um refúgio da comunidade mochileira de viajantes. As mudanças sociais e económicas da China fomentaram a invasão de chineses à descoberta do recanto sudoeste da nação.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Embaixada
História

Nikko, Japão

O Derradeiro Cortejo do Grande Xógum

Em 1600, Ieyasu Tokugawa inaugurou um xogunato que uniu o Japão por 250 anos. Em sua homenagem, Nikko re-encena, todos os anos, a transladação medieval do general para o mausoléu faustoso de Toshogu.

Um mahu integrado
Ilhas

Papeete, Polinésia Francesa

O Terceiro Sexo do Taiti

Herdeiros da cultura ancestral da Polinésia, os mahu preservam um papel incomum na sociedade. Perdidos algures entre os dois géneros, estes homens-mulher continuam a lutar pelo sentido das suas vidas.

Lenha
Inverno Branco

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Suspeitos
Literatura

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Respeito felino
Natureza

PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Madeira Excêntrica
Parques Naturais

Sitka, Alasca

Memórias de Uma América que Já foi Russa

134 anos após o início da colonização, o czar Alexandre II teve que vender parte do actual 49º estado dos EUA. Em Sitka, encontramos heranças desses colonos e dos nativos que os combateram.

Pesca Preciosa
Património Mundial Unesco

Colónia del Sacramento, Uruguai

Um Vaivém Colonial

A fundação de Colónia del Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Insólito Balnear
Praia

Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

Debate ao molho
Religião

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

No coração amarelo de San Cristóbal
Sociedade

San Cristóbal de Las Casas, México

O Lar Doce Lar da Consciência Social Mexicana

Maia, mestiça e hispânica, zapatista e turística, campestre e cosmopolita, San Cristobal não tem mãos a medir. Nela, visitantes mochileiros e activistas políticos mexicanos e expatriados partilham uma mesma demanda ideológica.

Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Hipo-comunidade
Vida Selvagem

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Radical 24h por dia
Voos Panorâmicos

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.