Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia


Budismo XXL

O mosteiro budista de Tawang, o maior da Índia e segundo maior do mundo, atrás do de Potala, Lhasa, Tibete.

Um torneio a valer

Monges budistas jogam badminton ao fim da tarde no mosteiro de Thinmey.

Vista para a vida

Cozinheira do mosteiro de Thinmey, espreita a diversão dos monges, no exterior.

Formação matinal

Jovens monges aprendizes rezam, alinhados, no grande terraço do mosteiro de Tawang

Cântico & Palmas

Sacerdote do mosteiro de Tawang canta e leva a cabo uma oração budista.

Pequeno-almoço lacteo

Monge serve leite a outros aprendizes durante a cerimónia matinal do mosteiro de Tawang.

Tawang city

Casario da cidade de Tawang, disposto no vale homónimo, junto à fronteira conflituosa com a China.

Suave sorriso

Monja do convento de Ani, vence uma a timidez e, ao fim de algum tempo, posa.

Total devoção

Sacerdote prostra-se no chão do mosteiro de Tawang em oração, perante dezenas de jovens monges aprendizes.

Fé rotativa

Monge criança faz rodar duas rodas de oração na alameda que conduz ao mosteiro de Tawang.

Festa camuflada

Soldados do exército indiano durante um pequeno banquete que animou uma celebração do seu regimento. 

O Peso da fé

Monge carrega sacas pesadas no mosteiro de Tawang

Circuito da crença

Devotos caminham em redor de uma grande estátua de Buda, em Tawang.

Mosteiro vislumbrado

Vista longínqua do mosteiro de Tawang entre bandeiras de oração.

Primo entre Pares

Sacerdote percorre uma alameda do templo principal do mosteiro de Tawang entre jovens monges.

Fé versão militar

Dilbag Singh um oficial Punjabi de um batalhão estacionado em Tawang para evitar que a invasão chinesa de 1962 se repita.

Budismo XXL II

O mosteiro budista de Tawang, o maior da Índia e segundo maior do mundo, atrás do de Potala, Lhasa, Tibete.

O monge eleito

Raio solar madrugador incide num dos monges no interior do templo principal do mosteiro de Tawang.

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.

Arrasta-se, longo, íngreme e sinuoso, o percurso da planura de Assam para o âmago rugoso de Arunachal Pradesh. A certo ponto, aproxima-se dos 4170 metros de altitude do Sela Pass, uma portela frígida e ventosa que separa Kameng Ocidental de Tawang. Cruzamos o pórtico budista entre as suas bandeiras de oração esvoaçantes. Contornamos o lago semi-gelado que a moldura nos desvenda e continuamos pelo último dos distritos adentro. Tanto alguns quilómetros aquém como para lá de Sela, os esses da estrada surgem salpicados de lona verde e de camuflado de campanha.

Sucedem-se tendas e paióis dissimulados, camiões e outros veículos menos pesados. Milhares de soldados, oriundos um pouco de toda a Índia, povoam e operam estas estratégicas colónias bélicas, que veríamos repetir-se até aos derradeiros metros do norte indiano.

Das alturas de Sela, atingimos a vertente que conduz à orla do vale de Tawang e as povoações que nele se instalaram: Dungkhar, Khalengche, Tongsheng. Tawang, a cidade, mantinha-se destacada, bem acima, na encosta contrária. O plano era nela nos abrigarmos para a noite. Antes de o concretizarmos, impõe-se um derradeiro desvio a Thinmey, lugar de um mosteiro de monta, ainda assim, na sombra do maior e mais famoso da região.

Chegamos sobre o último estertor da tarde. Distraímo-nos algum tempo com uma roda gigantesca de oração até que uma súbita algazarra vinda das traseiras do complexo nos desperta a curiosidade. Um barracão delgado que servia de aposento separava o edifício principal de um pátio elevado de terra batida, munido de uma rede de vólei e de badminton. Lá se concentravam os monges do mosteiro, em pleno torneio do desporto arraquetado. Dois pares aguerridos tinham-se já livrado da quase totalidade dos trajes cor-de-vinho. Defrontavam-se com uma fúria contida em função da sacralidade do lugar e da presença de jovens discípulos. Estes, acompanhavam o dramatismo da partida a bebericar chá. Ansiavam pela sua vez de jogar. E por que o fumo libertado pelas grandes panelas estorricadas que atravessava o telhado de zinco da cozinha e subia aos céus, se sublimasse na hora do jantar comunal.

O ocaso ditou o término do torneio, a hora de nos refugiarmos no Hotel Yangzom e a iminência do nosso próprio repasto. Vínhamos de doze horas de fascinante mas dolorosa expedição rodoviária. Não resistimos muitas mais. Despertamos para o novo dia bem antes do sol. Espreitamos a casa que viu nascer Tsangyang Gyatso, o sexto Dalai Lama, um jovem da etnia mompa predominante nestas paragens. Na sequência, atravessamos a Tawang urbana e visitamos uma enorme estátua do  seu inspirador: Bhudda.

Mal tinha ainda amanhecido. Um pelotão de crentes circundava a base vermelha do trono colorido do sábio, a desfiar as contas dos seus malas, os rosários budistas. Os raios solares começaram a dourar um santuário longínquo, de tal forma resplandecente que nos arrebatou de vez o olhar.

Era muito mais que apenas outro mero mosteiro, o castro de edifícios brancos e amarelos que admirámos e fotografámos até a exaustão, contra um recorte caprichoso de montanhas sombrias.

Fundado em 1680-81, a 3000 metros de altitude, o mosteiro budista de Tawang mantém-se o maior da Índia. É, aliás, o segundo maior do mundo, logo a seguir ao de Potala que resiste à sino-invasão chinesa no coração tibetano de Lhasa.

Por volta das oito, o mosteiro e os monges residentes estavam entregues às suas rotinas. Vimo-los concentrarem-se em frente a uma longa ala escolar, logo, agruparem de frente para o edifício, costas voltadas para cidade e o cenário de cordilheira que a envolvia. Outros, surgem do interior das salas de aula e de partes distintas do complexo. Trazem cadernos e blocos. Formam novos grupos no terraço e dão início a uma animada sessão de debate budista, repleta de palmas, gritos silogísticos e réplicas desafiantes.

Uma hora e meia depois, o debate e os ensinamentos são encerrados. Um batalhão de monges e monginhos forma sobre o terraço e assiste a um discurso vagaroso de um dos mentores do mosteiro. Segue-se uma oração de grupo que os mais novos acompanham, os da fila da frente compenetrados e de olhos fechados, sob a supervisão bafejante dos velhos tutores. Entretanto, também aquela sessão de fé e disciplina chega ao fim. Os adolescentes e a criançada dispersam entre um óbvio alívio e o êxtase, muitos deles para a alameda de acesso de mosteiro que não tardam a varrer em cadeia.

Deixamos os monges ocupados com a sua fascina. Tawang acolhia também um convento, o de Ani. John, o guia local era da opinião de que o devíamos visitar. Fizemo-nos, assim, ao caminho mas, sem que alguma vez o esperássemos, vimo-nos emboscados por um batalhão militar que controlava não só a estrada de acesso, como uma vasta área em redor.

Por motivos que não tardaremos a explanar, Arunachal Pradesh é uma das províncias indianas mais delicadas em termos de segurança e presença de estrangeiros. Fazíamos parte de uma comitiva de jornalistas, todos munidos de vistos especiais que lhes granjeavam a cobertura do lugar. Mesmo assim, quando um enorme soldado sikh faz deter o carro em que seguíamos, ocorre-nos pensar que podemos estar em sarilhos. É pobre o inglês do militar, pelo que nos assiste a tradução do motorista. “Organizaram uma festa Punjabi lá no batalhão deles. Fazem questão de que participem.”

De início, torcemos o nariz. A outra metade do nosso grupo tinha já chegado ao convento. Não queríamos perder o lado feminino da religiosidade budista de Tawang. Mas, quando o motorista nos diz que temos tempo; que não ia haver problema se chegássemos ao convento mais tarde, deixamos de sentir restrições e valorizamos o convite como merecia.

Momentos depois, damos por nós a conviver com dezenas de oficiais e soldados indianos: punjabis e sikhs, quase todos robustos e de postura altiva, como é seu apanágio. Oferecem-nos papad e outras especialidades em thalis sortidos. Depressa percebemos que nos faltava estômago para o picante usado, desculpamo-nos e passamos a suaves sobremesas de kheer, o arroz doce indiano. Mais e mais militares e populares se juntam ao convívio e ao ataque aliado de uma longa mesa de bufê. Soa musica festiva mas, contida pela seriedade da missão do batalhão, a festa nunca chega a descambar para devaneios bollywoodescos. Ali, como em redor do Sela Pass e noutros lugares de Arunachal Pradesh, a presença do exército indiano tem uma razão histórica e outra actual de ser. Entre ambas, jaz a segurança e a supremacia da sua vasta e megapopulosa nação.

Por volta de 500 a.C., a região de Tawang era já dominada pela etnia Mompa. Fez parte do reino do Butão. Mais tarde, viu-se incorporada no do Tibete e assim permaneceu durante séculos a fio. Em 1914, com os Britânicos cada vez mais predominantes nesta zona da Ásia, um tal de Acordo de Shimla entre a Grã-Bretanha, a Índia e o Tibete, forçou o Tibete a ceder várias centenas de km2 à Grã-Bretanha. O tratado foi desprezado pela China. Durante todo este período, mesmo separada do Tibete, Tawang manteve-se sempre acessível aos tibetanos. Em 1950, a China invadiu o Tibete. Tawang tornou-se-lhes gradualmente inacessível. Uma ferida aberta entre a China e a República indiana, declarada independente apenas três anos antes. Desde o início da sublevação e em especial durante as revoltas de 1959, a Índia prestou apoio aos tibetanos, incluindo ao Dalai Lama a quem concedeu, de imediato, asilo. Em simultâneo, deu início à sua Forward Policy em que estabeleceu diversos entrepostos militares, até mesmo a norte da Linha Fronteiriça de McMahon (definida pelo Secretário para os Assuntos Estrangeiros Henry McMahon).

Por seu lado, meses após o acordo de Shimla, a China tinha já estabelecido os seus próprios entrepostos a sul dessa linha. Como seria de esperar, a divergência levou ao confronto.

Incapazes de fazer valer os seus intentos, os chineses lançaram ofensivas na região de Ladakh e, ao mesmo tempo, através da Linha McMahon. Fizeram-no em plenos Altos Himalaias, num dos cenários de guerra mais agrestes de sempre. E em plena Crise dos Misseis Cubana quando o atrevimento soviético em Cuba deixou os E.U.A. em apuros e indisponível para apoiar a Índia. Em 1962, Tawang viu-se, assim, ocupada pela China, à imagem de uns quase 40.000 km2 antes pertencentes à Índia ou sob disputa.

Satisfeitos com o resultado da sua invasão mas cautelosos, os chineses declararam um cessar-fogo unilateral e recuaram de algumas das posições. Tawang foi uma delas.

A partir de Novembro de 1962, regressou a controlo indiano. Como seria de esperar, Dehli nunca recuperou do trauma. Com a casa roubada, colocou trancas à porta.

Deixamos o banquete, agradecidos pelo convívio e pelas gentis fotos de grupo, apostados em recuperar os planos originais. Quando chegamos ao convento, a outra metade do grupo estava de saída. Acolhe-nos apenas um pórtico com a mensagem tibetana de “Tashi Delek” traduzível como “Benção e Boa-sorte” ou “Saudações Auspiciosas”.

Chateamos, em segunda mão, as poucas freiras esquivas que por lá encontramos. Do convento, regressamos ao coração de Tawang e exploramos o seu mercado de rua frenético. À tarde, visitamos, Tipki, uma aldeia tradicional mompa no fundo do vale, onde somos recebidos com tal festa, pompa e cerimónia que o preferimos narrar num artigo dedicado. Deixamos a aldeia já sobre o pôr-do-sol e voltamos ao abrigo nocturno do hotel.

Novo dia, novo despertar sofredor, ainda mais madrugador que o prévio. Regressamos ao mosteiro de Tawang decididos a assistir à reza matutina dos monges aprendizes. Quando entramos no complexo ainda é de noite e não detectamos vivalma. Sentamo-nos à porta do templo principal, numa expectativa sonolenta. Por fim, com os primeiros raios solares a furarem as nuvens a leste, uma torrente de “pequenos budas” surge da ala habitacional do mosteiro, atravessa o pátio e irrompe templo adentro em grande correria. Os jovens monges sentam-se em várias linhas e recebem uma taça de leite que lhes quebra o jejum. Na sequência, um sacerdote adulto dá início à cerimónia com cânticos e orações ressonantes que nem a nossa cada vez mais dinâmica intromissão atrapalham.

Deixamos o mosteiro sob pressão de John que, nesse resto de dia, tinha que nos conduzir a todos de regresso a Guwahati, a capital da província vizinha de Assam. O sol que entrava em força pelas janelas do templo, atingia as faces de uns poucos monges eleitos. E reanimava a missão defensiva dos muitos batalhões do exército indiano por ali destacados.

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.

Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.

Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. 

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.

Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção himalaia da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos creem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.

Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Cria(ra)m Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes vegetais deslumbrantes às futuras gerações.

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Pela sombra
Arquitectura & Design

Miami, E.U.A.

Uma Obra-Prima da Reabilitação Urbana

Na viragem para o século XXI, o bairro de Wynwood mantinha-se repleto de fábricas e armazéns abandonados e grafitados. Tony Goldman, um investidor imobiliário astuto, comprou mais de 25 propriedades e fundou um parque mural. Muito mais que ali homenagear o grafiti, Goldman fundou o grande bastião da criatividade de Miami.

Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Cansaço em tons de verde
Cerimónias e Festividades

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Sem corrimão
Cidades

Brasília, Brasil

Da Utopia à Euforia

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Verão Escarlate
Cultura

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Pórtico do tempo
Em Viagem

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Viagem Pelo Pseudo-Alcatrão do Usbequistão

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Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

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O grande Salto Angel
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O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra

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Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

Promessa?
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Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Estante Sagrada
Religião

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Quando a Cabala é Vítima de Si Mesma

Nos anos 50, Tsfat congregava a vida artística da jovem nação israelita e recuperava a sua mística secular. Mas convertidos famosos como Madonna vieram perturbar a mais elementar discrição cabalista.

A Toy Train story
Sobre carris
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Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Sociedade
Mercados

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A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Dança dos cabelos
Vida Quotidiana

Longsheng, China

A aldeia chinesa dos maiores cabelos do mundo. Nutridos a arroz, claro

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

Brincadeira ao ocaso
Vida Selvagem

PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.

Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.