Príncipe, São Tomé e Príncipe

O Nobre Retiro de Príncipe


Príncipe da Selva

vista aérea de Príncipe, com a habitual cobertura de nuvens que abafa o seu clima tropical.

Muro das Aspirações

Crianças de Príncipe alinhadas ao longo do muro que fecha a cidade de Santo António do Atlântico do Sul, nas suas melhores roupas devido a ser Dia da Criança.

O vale verde de Santo António

Casario de Santo António, a única cidade e capital da ilha de Príncipe.

À sombra da vida

Moradores de Santo António ocupam os bancos ao lado da igreja de Nª Senhora de Conceição.

Uma espécie de Vale Tudo

Rapazes da roça de Porto Real entregues a brincadeiras e risadas fáceis.

Barba

Barbeiro numa das margens do rio Papagaio, em Santo António. Além de barbeiro, o pequeno estabelecimento também é usado por vários rapazes da cidade para lá verem filmes na TV.

Pormenor de uma banca do mercado de Santo António, sempre repleto de frutas e vegetais produzidos na ilha.

Chico Roque e outros músicos da ilha ensaiam numa sala, espécie de estúdio improvisado, do centro de Santo António.

A igreja de Nª Senhora da Conceição, o centro religioso de Santo António, na altura na companhia de um cartaz da UNITEL.

A Praia Banana, uma das melhores praias de África, em tempos usada pela marca Bacardi, num anúncio promocional do seu rum.

Vista do centro histórico de Santo António com o Pico Papagaio bem elevado sobre o casario da cidade.

Duas jovens habitantes da roça Porto Real, uma das roças em tempos mais produtivas de Príncipe.

Rochedos com formas caprichosas, adornam a vista luxuriante a partir da roça São Joaquim.

Guarda à entrada da roça Terreiro Velho, hoje propriedade do produtor de chocolate italiano Claudio Corallo, residente em São Tomé.

Pequena casa de Santo António, envolta da vegetação que cresce às margens do rio Papagaio.

Mãe e filha sobre o muro que separa Santo António do oceano Atlântico, durante o Dia da Criança celebrado nas escolas da ilha.

Cremilda, Márcia e Eula compõem as trancinhas afro de Kélsia enquanto esta segue chats no seu telemóvel.

A 150 km de solidão para norte da matriarca São Tomé, Príncipe eleva-se do Atlântico profundo num cenário abrupto e vulcânico de montanha coberta de selva. Há muito encerrada na sua natureza tropical arrebatadora e num passado luso-colonial contido mas comovente, esta pequena ilha africana ainda abriga mais estórias para contar que visitantes para as escutar.

O voo fica-se pelos quarenta minutos. E, no entanto, o facto de seguirmos quase só nós na cabine e de, lá em baixo, o azul-marinho profundo monopolizar o cenário, faz com que o tempo se pareça arrastar. A monotonia não tarda a ser recompensada. Um súbito vislumbre revela-nos um manto de nuvens densas. Pairam sobre um pedaço luxuriante de Terra salpicada de protuberâncias geológicas. O piloto ajeita o avião à ilha. Passados uns minutos, estamos a aterrar os pés no solo morno de Príncipe. E, na manhã que se segue, numa das mais belas beira-mares de África, a da Praia Banana. Nos anos 80, o rum Bacardi exibiu-a num dos seus anúncios. Esse crédito mediático perdura.

O vaivém das vagas esmeralda sobre a areia dourada sugere um memorável recreio balnear mas, não nos demoramos. Atrai-nos, em simultâneo, um miradouro no topo de uma pilha de grandes rochedos basálticos. Damos com o caminho para as suas alturas por entre o coqueiral sombrio da Banana. Vários meandros íngremes depois, recuperamos o fôlego apoiados no seu muro decrépito, a contemplarmos a sumptuosidade do que, ao nível do mar, nos havia já deliciado.

Aquele mirante e a sua propriedade Belo Monte marcaram a primeira de várias visitas a antigas roças de Príncipe. A Belo Monte estava, contudo, transformada em hotel. Limitám-nos a espreitá-la.

De volta ao Bom Bom resort, apanhamos boleia de uma das pick ups de serviço para Santo António, a cidade solitária da ilha. Pelo caminho, o Sr. João dá boleia a boa parte dos caminhantes na beira da estrada. Às tantas, a carrinha carrega uma lotação considerável. Todos a bordo se conhecem. Todos estranham a nossa presença naquela caixa metálica por norma indigna dos clientes. Mal a admiração se desvanece, os parceiros de viagem entregam-se às suas galhofas e gargalhadas descomplexadas. Não tarda, convocam-nos para conversas entre a curiosidade e uma forçada formalidade.

Passamos uma série de casas básicas em que cirandam uma criançada reguila e animais domésticos. Deixamos o aeroporto para trás. Por fim, descemos para o vale rumo à baía em que se alojou a capital.

O fluir de um rio, o Papagaio, cavou a planície aluvial em que hoje se espraia o casario semi-colonial gasto, delimitado por todos os lados por uma selva de montanha, excepto a oeste-noroeste, onde o caudal negro do rio encontra um Atlântico domado pela baía.

Descemos da carrinha em frente à igreja amarela e vermelha da cidade. Ali mesmo, um cartaz da operadora angolana UNITEL que exibe um surfista de telemóvel colado ao ouvido profetiza “Para Melhor Muda-se Sempre”. Basta-nos uma hora de deambulação para percebermos que, salvo raras excepções, Santo António evoluía devagar devagarinho. Ao lado da igreja, sentados em quatro bancos de jardim, número igual de moradores veem o dia esvair-se, impávidos e serenos, à sombra de uma árvore frondosa.

Só a estrada principal, ostenta real animação urbana, em redor das suas mercearias desarrumadas, das lojas de roupa, do parque central das mototáxis e, mais abaixo, da escola secundária. Ali, num intervalo das aulas, Cremilda, Márcia e Eula compõem as trancinhas afro de Kélsia. Esta, de olhos enfiados no telemóvel, mantém-se em modo multichat com amigos online e as colegas “cabeleireiras”.

Do lado oposto da avenida, a velha sede do Sporting Clube de Príncipe já teve melhores dias. Só uma árvore que desponta do betão musgoso de um dos seus recantos, dá sinais de saudável verdura. Na fachada do edifício roçado, um painel de prevenção de saúde aconselha: “Prolongue a sua vida bebendo água tratada”. Examinamo-lo quando, do meio da estrada, Chico Roque, nos confronta. A hora é matinal, mas Chico já vem bebido e se de água se tratasse, só poderia ser ardente. Após uma introdução arrastada, promove-se como músico. Convence-nos a gravarmos um show musical dele e de um colega. Combinamos às duas horas de daí a dois dias na praça Marcelo da Veiga, o coração administrativo de Santo António, um dos seus agradáveis jardins e retiros lúdicos.

Até lá, deambulamos por aquela que chegou a ser capital e assento da diocese da colónia de São Tomé e Príncipe, de 1753 a 1852, três séculos após a descoberta do arquipélago em 1471, alguns anos antes de D. João II a ter baptizado em honra do Príncipe Afonso, seu filho favorito, que viria a falecer, apenas com 16 anos, tombado de um cavalo nas imediações do Tejo.

Quando regressamos às margens do Papagaio, contrariado pela praia-mar, o rio local fluía na direcção do Pico homónimo que desde sempre se impõe à cidade. Metemos o nariz numa barbearia sobranceira à margem. Mesmo surpreendido, o artista capilar proprietário dá-nos as boas-vindas e continua a embelezar o cliente do momento. Mais para dentro do estabelecimento de madeira azul-celeste, uma catrefada de miúdos sentados num banco comprido, mal descola os olhos de um filme que passa na TV daquele seu “Cinema Paraíso” remediado.

Numa rua paralela, damos com o restaurante da Dª Juditinha. É lá que evitamos o pior da brasa vespertina e repomos energias.

Durante o repasto, vemos passar pais com os filhos pela mão, carregados com bolos e outras sobremesas. Tão elegantes quanto possível, dirigem-se a uma escola daquela rua. “Sabem, hoje é dia da Criança!” informa-nos Dª Juditinha enquanto nos serve cervejas Rosema que provamos pela primeira vez, em detrimento das marcas portuguesas do costume. “Cá em Príncipe, tratamos a data com carinho.”

Outra das escolas em festa ficava de frente para o longo muro branco que separa a cidade do Atlântico. Ali, à medida que o ocaso se insinua, os adultos e as suas crianças, confraternizam, uns debruçados, outros sentados sobre o muro, todos eles com a vista hipnótica da baía viçosa por diante.

Durante o almoço, tínhamos recebido uma chamada do Secretário Regional da Economia. Convocava-nos para o seu gabinete, paredes meias com a estação de correios da cidade que mais parecia tirada de uma vila portuguesa dos anos 50.

Entusiástico, Silvino Palmer explana-nos projectos para o futuro de Príncipe e os obstáculos ao seu desenvolvimento, em particular, a escala anã da economia, vítima do isolamento e de a nação ser a segunda mais diminuta de África, atrás apenas das Seicheles. Silvino, também faz fé na nossa missão divulgadora. Prenda-nos com o uso da sua pick up de serviço e com a ajuda de dois guias.

Às oito em ponto do novo dia, já saudámos o condutor Armandinho, Francisco Ambrósio e Eduardo. Apontamos ao sul da ilha.

A selva que envolve o Papagaio sufoca o caminho sinuoso aberto na profundeza dos tempos coloniais. Mesmo assim, prova-se bem menos cerrada que a abaixo no mapa, esta, parte da Reserva da Biosfera de Príncipe. Ao longo da história, admitiu roças e povoados, hoje, relíquias umas mais decadentes que outras. Como o que resta da mansão e propriedade de Maria Correia, filha de uma nativa de Príncipe e de um emigrante brasileiro que ficou para a história como dona e senhora dos seus dois maridos e de centenas de servos. Apesar dos bloqueios britânicos à escravatura portuguesa no arquipélago popularmente abordados por Miguel Sousa Tavares em “Equador”, Maria Correia terá ludibriado as suas verificações vezes sem conta. Mesmo mulata, até falecer em 1862, foi uma das maiores proprietárias de escravos da ilha. Com o tempo, tornou-se uma personagem lendária, digna de aturada investigação, ou vá lá que seja, de um bom filme.

A próxima roça porque passamos, a de Porto Real, guarda bem mais da sua era auspiciosa. Foi desenvolvida pela Sociedade Agrícola Colonial, com áreas laborais, habitacionais, com hospital e um caminho-de-ferro de 30km que escoava uma produção agrícola diversa, incluindo um óleo de palma prodigioso. Agora, abriga uma comunidade que, longe de a conseguir recuperar e explorar, se limita a subsistir em boa parte do que a terra e os animais domésticos providenciam.

No mesmo itinerário, deparamo-nos com a de São Joaquim, uma antiga dependência da de Porto Real. Encontramo-la arruinada, então, entregue a mulheres e crianças que partilham as antigas sanzalas e o pátio ervado com uma manada de vacas, porcos malhados e outros animais domésticos. Intriga-as a nossa inesperada visita, para mais, num veículo do governo.

“Cheguem, aqui! Vão gostar disto.” apela-nos Francisco Ambrósio, professor da ilha que as crianças com que nos cruzamos provocam a chamar de vampiro (com os erres longos e carregados, à boa moda nativa) devido à sua parecença com o Wesley Snipes que os assombra, em “Blade”, nas TVs da cidade.

Ao longe, entre a selva que cobria o Monte Papagaio e parte das nuvens que havíamos avistado do avião, impunham-se dois rochedos graníticos. A erosão esculpira o menor à laia de pilar.

Àquela distância, o duo megalítico resplandecia, projectado do estranho panorama clorofilino. Estimulou-nos a irmos até Terreiro Velho, roça ainda repleta de cacau, histórias e vistas litorâneas de encantar. Já só regressamos à cidade em cima do anoitecer. A jornada seguinte, dedicamo-la ao extremo noroeste da ilha.

Foi ali, a oeste do ilhéu do Bom Bom que os descobridores portugueses fundaram Ribeira Izé, a primeira povoação de Príncipe. Exploramos as ruínas da igreja percursora que a abençoou e que a predação secular das figueiras-da-índia envolveu de enigma. Em seguida, o sr. Armandinho mete-nos num atalho encosta acima, de tal forma sumido na vegetação e no solo encharcado que reclama da pick up toda a sua potência. Mesmo assim, conduz-nos ao destino desejado: a roça Sundy.

Na origem, a Sundy, surgiu como mais uma plantação de cacau e café da ilha. Num determinado período áureo, os seus lucros determinaram a expansão e uma maior complexidade orgânica. Também a Sundy sucumbiu à produção menos dispendiosa e em maior escala de outras partes do Mundo. A roça acabou como casa de férias da realeza portuguesa. Não seriam os novos condóminos quem mais contribuiria para a sua notoriedade.

Em 1919, o astrofísico britânico Sir Arthur Stanley Eddington estimou em Príncipe um lugar ideal para examinar um eclipse previsto. Visava exemplificar que a luz das estrelas era desviada pela gravidade solar e provar, dessa forma, a Teoria da Relatividade de Einstein sobre a há muito vigente Lei da Gravidade de Newton. Eddington certificou a esperada curvatura da luz, instalado na roça Sundy. Tal honra permanece assinalada numa das varandas aterraçadas do edifício principal que, na altura em que o espreitámos, sofria – à imagem da já terminada na roça Belo Monte – uma séria conversão em hotel histórico. Esperava-se que o projecto viesse a contribuir para melhorar a vida da verdadeira povoação em que Sundy se transformou, com dezenas de famílias a residir lado a lado em sanzalas exíguas e espartanas, outras, em casas recentes, instaladas em redor.

Percorremos as suas ruelas cinzentas para lá e para cá, logo, as muralhas até aos seus recantos e os dos palacetes no coração colonial e funcional da enorme fazenda. Fazemo-lo com o fascínio de quem assiste à História a reciclar e baralhar algumas da suas já quase esquecidas variáveis. Até que nos lembramos do compromisso com Chico Roque e antecipamos o regresso a Santo António.

Pouco passava da hora combinada e os dois músicos esperavam-nos sentados junto aos canhões que protegem a imagem de Marcelo da Veiga. Ao nosso sinal, desfilam um reportório de canções ora populares, ora da sua autoria. Assistimos e registamos a sua actuação quando um grupo de miúdos que brincava no jardim, se aproxima e debruça sobre os canhões. O duo rejubila. Cantam, então, um tema ecologista popular em São Tomé e recrutam a criançada para coro. É com esta banda sonora infantil e orelhuda de “Biosfera” na cabeça (cantada Biosferrrrrrra) que nos despedimos de Santo António. Na tarde seguinte, da tão ou mais memorável ilha de Príncipe.

 

A TAP voa para São Tomé 3as, Sábados e Domingos com partida de Lisboa às 09h35 e chegada às 17h35. A viagem de São Tomé para Lisboa faz-se 3as Sábados, Domingos e 5as com partidas às 20h e chegada às 04h10 do dia seguinte. 

Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.

Ilha de Moçambique

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.

Cabo Verde 

O Milagre de São Vicente

Uma volta a esta ilha revela uma aridez tão deslumbrante como inóspita. Contra todas as probabilidades, por um capricho da história, São Vicente viu o Mindelo prosperar como a segunda cidade mais populosa de Cabo Verde e a sua indisputada capital cultural.

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.

Goiás Velho, Brasil

Uma Sequela Da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.

Praia soleada
Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Pleno Dog Mushing
Aventura

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.

Dragão Humano
Cerimónias e Festividades

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Manobras a cores
Cidades

Seul, Coreia do Sul

Um Vislumbre da Coreia Medieval

O Palácio de Gyeongbokgung resiste protegido por guardiães em trajes sedosos. Em conjunto, formam um símbolo da identidade sul-coreana. Sem o esperarmos, acabamos por nos ver na era imperial destas paragens asiáticas. 

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Cultura
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Convés multifuncional
Em Viagem

Puerto Natales-Puerto Montt, Chile

Cruzeiro num Cargueiro

Após longa pedinchice de mochileiros, a companhia chilena NAVIMAG decidiu admiti-los a bordo. Desde então, muitos viajantes exploraram os canais da Patagónia, lado a lado com contentores e gado.

Tatooine na Terra
Étnico

Sudeste da Tunísia

A Base Terráquea da Guerra das Estrelas

Por razões de segurança, o planeta Tatooine de "O Despertar da Força" foi filmado em Abu Dhabi. Recuamos no calendário cósmico e revisitamos alguns dos lugares tunisinos com mais impacto na saga.

 

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Oeste Dourado
História

Khiva, Usbequistão

A Fortaleza da Rota da Seda que os Soviéticos Aveludaram

Nos anos 80, dirigentes soviéticos renovaram Khiva numa versão amaciada que, em 1990, a UNESCO declarou património Mundial. A URSS desintegrou-se no ano seguinte. Khiva preservou o seu novo lustro.

Tambores e tatoos
Ilhas

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Santas alturas
Inverno Branco

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Natureza

Glaciares

Planeta Azul-Gelado

Formam-se nas grandes latitudes e/ou altitudes. No Alasca ou na Nova Zelândia, na Argentina ou no Chile, os rios de gelo são sempre visões impressionantes de uma Terra tão frígida quanto inóspita.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Parques Naturais
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Glamour vs Fé
Património Mundial Unesco

Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Pura Vida em risco
Praia

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

As forças ocupantes
Religião

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Colosso Ferroviário
Sobre carris

Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.

Mini-snorkeling
Sociedade

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilômetros de Nampula, fruta tropical é coisa que não falta.
Trio das alturas
Vida Selvagem

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Radical 24h por dia
Voos Panorâmicos

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.