Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão


Debate ao molho

Monges aglomerados confrontam um colega que propõe uma premissa polémica.

Desafio

Monge lança novo argumento com a projecção do corpo para frente e um bater de palmas.

Porta para o Debate

Portal tibetano anuncia a entrada para o pátio do debate do Mosteiro de Sera.

Moto para dois

Espectadores do debate abandonam o Mosteiro de Sera numa mota sui generis.

Expressão de convicção

Monge fervilha ao transmitir as suas razões a um adversário de discussão.

Chaminé dourada

Pormenor arquitectónico-religioso do Mosteiro de Sera.

Reflexão no escuro

Lama reflecte durante uma argumentação com um colega aprendiz do budismo.

Fé na discussão

Monge segura um juzu (rosário budista).

Contra a montanha

Fachada lateral de um dos edifícios do Mosteiro de Sera com as montanha de Pubuchok em fundo.

Confronto de argumentos

Monge afundado no meio de outros e de uma discussão intensa.

Incredibiilidade infantil

Bebé tibetano assiste espantado à comoção intelectual protagonizada pelas dezenas de monges à sua frente

Arquitectura Tibetana

Transeuntes passam por um edifício do Mosteiro de Sera, no sopé da montanha de Pubuchok, arredores de Lhasa.

Tibetanas Rosadas

Duas mulheres seguram termos junto ao mosteiro de Sera, em mais uma manhã Invernal de céu limpo mas gélida do planalto tibetano.

Descrença

Monge do mosteiro de Sera reflecte, com cepticismo, sobre premissas apresentadas por um congénere entusiasmado

Roda de fé

Crente faz girar um roda budista tibetana enquanto percorre uma longa fachada do mosteiro de Sera, iluminado pelo sol quase sempre incidente sobre o planalto tibetano.

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Estamos no pico do Inverno e não há um pingo de nuvem no céu azulão sobre Lhasa ou a maior parte do Planalto Tibetano. Lobsang, o anfitrião indígena destacado pela agência de viagens chinesa diz-nos que chegámos na época mais genu&iacu

te;na possível, que não devem estar sequer 20 estrangeiros em todo o Tibete.

Depressa percebemos que se sente contrariado por ter que trabalhar para o invasor. Desde que chegámos que faz questão de atalhar ao mínimo possível o tempo que nos dedica.

Essa manhã, solarenga mas gélida, como se provaria cada uma das seguintes, não seria excepção.

“Mas querem mesmo ir ao Sera?”, tenta enrolar-nos, ainda atordoado do convívio alcoolizado da noite anterior. “Já visitaram tantos mosteiros aqui em Lhasa. O Sera é só mais um. A arquitectura é igual à dos outros e o que lá vão ver pouca diferença fará para o que encontraram nos anteriores, garanto-vos.”

Por sorte, tínhamos lido sobre o lugar e sabíamos bem o que o tornava distinto. Não cedemos. Lobsang optou, então, por uma estratégia de não confrontação: “Bom, eu hoje de manhã tenho que ir tratar dos papéis de uns alemães que vêm em Maio. Se querem mesmo lá ir, chamo-vos táxis e ligo a um camarada que vos pode acompanhar”.

Fá-lo sem apelo. Alguns minutos depois, aparecem dois carros modernos com matrículas e condutores chineses. O tal camarada já vem num deles. Metemo-nos no da frente. Ryan, um “valet” (encarregado de estacionar veículos em hotéis, casinos etc.) norte-americano e Jacob, adolescente sueco estudante de mais de 1 metro e 90 que atraía em redor de si grupos de tibetanos fascinados com a sua altura eram parceiros de viagem que tínhamos conhecido ainda em Chengdu (a capital da província chinesa de Sichuan). Entraram os dois no táxi de trás.

O mosteiro distava menos de 2 km mas o motorista equipado a rigor para a condução, de luvas e óculos escuros, decide que é uma distância mais que suficiente para desafiar o colega. Percorrem, assim, o trajecto como se de uma competição de rali se tratasse, com arranques chiados e saltos precipitados pelo declive rebaixado de condutas de água.

Ainda nos debatíamos com uma mal das alturas horripilante provocado por termos recentemente viajado, numa hora e meia apenas, dos 500 metros de altitude de Chengdu, para os 3650 de Lhasa.

Quando saímos dos táxis, já com a montanha ressequida de Pubuchok como fundo e nas imediações do mosteiro, a conversa manteve-se centrada neste tema: “Realmente estes chineses dão cabo de tudo! queixa-se Ryan, o único que se tinha furtado ao voo. ”Vim eu três dias apertado no comboio para me safar da dor de cabeça e bastou uns minutos naquele carro infernal para me sentir a rebentar tão ou mais que vocês!”

O amigo de Lobsang convida-nos a caminharmos ao longo de uma alameda delimitada por árvores desfolhadas e edifícios tibetanos brancos. No cimo, damos com a entrada principal do templo, construído, em 1419, por Jamchen Chojey, discípulo de um dos principais mestres budistas de então.

Para não variar, no interior, é proibido fotografar ou filmar e tresanda a manteiga de iaque, o combustível eleito pelos tibetanos para assegurarem a iluminação e a manutenção da chama nas velas oferecidas pelos crentes.

Fazemos o circuito integral das várias salas do templo e seguimos as explicações exaustivas do recém-empossado novo guia do grupo. Somos obrigados a dar razão parcial ao que o anfitrião original nos havia tentado transmitir: a sua dissertação soa-nos bastante repetitiva face ao que ouvíramos noutros templos e mosteiros.

E, tal como Lobsang, também este amigo se furtava compreensivelmente a abordar a melindrosa integração à força do Tibete na Grande China, quanto mais a contribuição dramática de Sera para a revolta de 1959.

Nesse ano, o exército chinês danificou vários dos colégios do mosteiro e assassinou centenas dos mais de 5000 monges residentes. Depois de o Dalai Lama se ter asilado na Índia, muitos dos sobreviventes refugiaram-se em Bylakuppe, próximo da cidade indiana de Mysore, estado de Karnataka. Estabeleceram, ali, um mosteiro de Sera paralelo, com os seus próprios colégios budistas e um Grande Salão de Assembleia com as mesmas linhas arquitectónicas do original.

A assistência do governo indiano permitiu que neles se estabelecessem mais de 3.000 monges tibetanos que desenvolvem actividades missionárias budistas na Índia e em diversos outros países.

Além da arquitectura religiosa e compaixão professada por Buda, os monges também levaram do Tibete o hábito de se reunirem dia após dia para discutirem, da forma o mais dialéctica possível, os ensinamentos do seu mestre iluminado.

A seita Gelupga (Chapéu Amarelo) do Budismo Tibetano a que pertencem os 600 monges aprendizes que ainda resistem em Sera tornou-se predominante no Tibete, a partir do final do século XVI. Estuda as doutrinas budistas através de um processo passo-a-passo. Durante a sua aprendizagem, os lamas devem participar nestes debates por forma a aperfeiçoarem a sua capacidade de compreensão e evoluírem para níveis mais avançados de estudo. Por norma, as sessões têm lugar às três da tarde de 2ª a 6ª. Duram, em média, uma hora e meia e só são suspensas em virtude de uma celebração ou cerimónia religiosa coincidente ou de mau tempo.

Quando deixamos o interior lúgubre do mosteiro, damos de caras com uma porta que anuncia “Debating Courtyard”. Nesse recreio amplo, entre árvores despidas pelo longo Inverno do planalto e sobre uma brita farinhenta, as múltiplas disputas já se faziam ouvir.

Dispersos pelo pátio, vários núcleos de monges trajados apenas com os seus hábitos vermelhos e que seguram “juzus” (rosários budistas) nas mãos, trocam argumentos atrás de argumentos. Em certos grupos, um ou dois dos religiosos apoderaram-se do protagonismo. São atentamente seguidos ou desafiados por pequenas plateias amontoadas com relativa intimidade. Para melhor expressarem os seus argumentos, estes profetas da ocasião puxam pelos interlocutores e fazem soar os seus juzus ou, mais frequentemente,  repetem um mesmo movimento de recuo, avanço e projecção do corpo para a frente que termina com um batimento de palmas exuberante.

Os “claps” sucessivos ressoam por todo o pátio. Fazem as mãos dos autores tão vermelhas como os seus trajes mas parecem ajudar a convencer os adversários. Quando se vêm forçados a reconhecer a razão, estes, soltam “oooooohhhhhs” prolongados em coro, e voltam a analisar as falhas e virtudes das suas alegações perante a examinação pouco criteriosa do público, então, na sua maioria, tibetano.

Passa a hora e meia. Os lamas recolhem ao conforto quase espartano dos edifícios do mosteiro de Sera. A assistência debanda alameda abaixo.

De acordo com instruções telefónicas de Lobsang, regressamos ao centro de Lhasa de autocarro. Aquele a que subimos vai lotado. Entre passageiros intrigados pela presença dos forasteiros e já vestidos para mais um fim de tarde enregelante, não tardámos a reencontrar os sorrisos incondicionais dos tibetanos e o seu aroma familiar a manteiga de iaque. 

Dali, China

A China Surrealista de Dali

Encaixada num cenário lacustre mágico, a antiga capital do povo Bai manteve-se, até há algum tempo, um refúgio da comunidade mochileira de viajantes. As mudanças sociais e económicas da China fomentaram a invasão de chineses à descoberta do recanto sudoeste da nação.

Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. 

Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.

Mal de Altitude: não é mau. É péssimo!

Em viagem, acontece vermo-nos confrontados com a falta de tempo para explorar um lugar tão imperdível como elevado. Ditam a medicina e a experiência que não se deve arriscar subir à pressa.

Nara, Japão

Budismo Hiperbólico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Bagan, Myanmar

A Planície das Compensações Celestiais

A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.

Chiapas e Iucatão, México

Uma Estafeta de Fé

Equivalente católica da Nª Sra. de Fátima, a Virgem de Guadalupe move e comove o México. Os seus fiéis cruzam-se nas estradas do país, determinados em levar a prova da sua fé à patrona das Américas.

Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se

Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir de Koya San, pode ser ainda mais fácil.

Um
Arquitectura & Design

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Cerimónias e Festividades
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Detectamo-los por todo o lado, mesmo em tempos de paz. A maior parte dos que encontramos a postos, nas cidades, cumpre apenas missões rotineiras que requerem, acima de tudo, rigor e paciência.
Canal de Lazer
Cidades

Amesterdão, Holanda

Numa Holanda Surreal (Sempre a Mudar de Canal)

Liberal no que a drogas e sexo diz respeito, Amesterdão acolhe uma multidão de forasteiros. Entre canais, bicicletas, coffee shops e montras de bordéis, procuramos, em vão, pelo seu lado mais pacato. 

Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Indígena Coroado
Cultura

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Bark Europa
Em Viagem

Canal Beagle, Argentina

No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Casinhas de outros tempos
Étnico
Chã das Caldeiras, Cabo Verde

Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Madeira Excêntrica
História

Sitka, Alasca

Memórias de Uma América que Já foi Russa

134 anos após o início da colonização, o czar Alexandre II teve que vender parte do actual 49º estado dos EUA. Em Sitka, encontramos heranças desses colonos e dos nativos que os combateram.

Vale de Kalalau
Ilhas

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.

Frígida pequenez
Inverno Branco

Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor” mas Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.

Baie d'Oro
Literatura

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Antes da chuva
Natureza

Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Campo de géiseres
Parques Naturais

El Tatio, Chile

Uma Ida a Banhos Andina

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4300 m de altitude. Os seus geiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes. Ditou o tempo que uma das mais concorridas celebrações dos Andes e do Deserto do Atacama passasse por lá partilharem uma piscina aquecida a 30º pelas profundezas da Terra.

Enseada do Éden
Património Mundial Unesco

Praslin, Seichelles

O Éden dos Enigmáticos Cocos-do-Mar

Durante séculos, os marinheiros árabes e europeus acreditaram que a maior semente do mundo, que encontravam nos litorais do Índico com forma de quadris voluptuosos de mulher, provinha de uma árvore mítica no fundo dos oceanos.  A ilha sensual que sempre os gerou deixou-nos extasiados.

Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Perigo de praia
Praia

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Auto-flagelação
Religião

Gasan, Filipinas

A Paixão Filipina de Cristo

Nenhuma nação em redor é católica mas muitos filipinos não se deixam intimidar. Na Semana Santa, entregam-se à crença herdada dos colonos espanhóis.A auto-flagelação torna-se uma prova sangrenta de fé

White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Formação
Sociedade

Jerusalém, Israel

Em Festa no Muro das Lamentações

Nem só a preces e orações atende o lugar mais sagrado do judaísmo. As suas pedras milenares testemunham, há décadas, o juramento dos novos recrutas das IDF e ecoam os gritos eufóricos que se seguem.

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana

Longsheng, China

A aldeia chinesa dos maiores cabelos do mundo. Nutridos a arroz, claro

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

Vida Selvagem

Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.

Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.