PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil


Respeito felino

Jovem leão hesita em aproximar-se de uma das muitas manadas de elefantes do PN Hwange.

Um bebedouro conveniente

Elefantes bebem água num tanque instalado pelo Somalisa Expeditions Lodge.

Na peugada

Robert analisa marcas de animais deixadas na areia do deserto do Kalahari.

O clã juvenil

Alcateia de leões reunida junto a uma lagoa artifical do  PN Hwange.

Robert "Kalahari"

Guia Robert Chadyendia  junto a uma das lagoas frequentadas pelos animais do parque. 

Familiaridade

Roberta observa a alcateia descendente dos já falecidos leões Cecil e Jericho.

Cecil Jr.

Um dos jovens leões descendentes de Cecil.

Cecil Jrs.

Dois outros leões acabam de devorar uma zebra capturada durante a madrugada.

De olho nos olhos

Robert perscruta as imediações do caminho de regresso ao Somalisa Expeditions Camp, em busca de animais nocturnos.

Somalisa Expeditions Camp

A área de BOMA (em redor da fogueira) do Somalisa Expeditions Camp.

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.

São os elefantes, mais que os leões, os animais emblemáticos e predominantes do PN Hwange. Ainda assentamos os pés na elegante sala principal do Somalisa Expeditions quando alguns espécimes nos surpreendem. “Venham cá, espreitem aqui!” apela-nos Nônô da abertura da grande tenda militar. Quando chegamos à sua companhia, vemos quatro enormes paquidermes alinhados a sorver água do tanque que o lodge instalara nos fundos do seu pátio exterior. “Podem lá ir sem problema. Não passem é das cadeiras para diante. Eles estão habituados a encontrar gente!”. Avançamos com a desconfiança natural de quem não gosta de arriscar a vida ao desbarato. Aos poucos, chegamos a dois ou três metros dos bichos que interrompem o sorvedouro barulhento para perceber o se aproximava. Um deles solta um ténue rugido de alerta mas continuam a hidratar-se. Nós, sentamo-nos no estrado a apreciar a sua portentosa beleza. Até que a sede se dissipa, a quadra nos vira as costas e se some na vastidão do Kalahari. A partir desse momento de tão próxima comunhão, avistaríamos centenas de outros elefantes. As suas visitas ao Somalisa Expeditions haveriam de se repetir, algumas não tão tranquilas.

Tudo isto se passa no tempo entre chegarmos de jipe e nos instalarmos na tenda que nos tinham destinado. Nessa tarde, ainda saímos para um game drive, conduzidos e guiados por Robert Chadyendia, um dos especialistas em vida animal do Kalahari dos Somalisa.

Robert inteirou-se de que não era propriamente o primeiro game drive que fazíamos. Não precisávamos de lhe dizer que gostávamos de encontrar grandes predadores. Pelo caminho, os elefantes eram tantos que, aos poucos, deixaram de nos entusiasmar. Por mais que se revelassem, os herbívoros de estilo antílope nunca nos encheriam as medidas. Consciente desta exigência, Robert aponta para um dos charcos reabastecidos de forma artificial para manter os animais na área do parque. “Vamos lá espreitar, nunca se sabe. A esta hora podem andar por qualquer parte mas eles adoram beber ali ao fim da tarde…” A sua aposta foi ganha: “Está ali um jipe de outro campo. Eu diria que sim, temos leões …”

Ao chegarmos às imediações da lagoa, a primeira coisa em que reparamos é na estranheza do atardecer. Duas enormes árvores mortas tinham os seus ramos recortados contra o céu. Um bando de patos chafurdava de cabeça enfiada na água e duas tarambolas piavam, como sempre, incomodadas e estridentes. O grupo de leoas e jovens leões repousava, soberbo, uns poucos metros para lá da margem oposta. “Estão a vê-los? São os descendentes do Cecil. Depois de o Cecil morrer, o Jericho – o outro leão com quem ele se aliou – ficou com duas alcateias. Mas o Jericho morreu em Outubro do ano passado, de causas naturais. Daí em diante, os leões com mais idade de uma das alcateias tomaram conta do recado. São aqueles … “

Escureceu em três tempos. Ao lusco-fusco, os leões que pouco mais tinham feito que dormitar e espreguiçar-se, levantam-se e seguem pelo mesmo trilhado de que tínhamos vindo. Quando se metem na vegetação baixa da savana, perdemos-lhes o rasto. No primeiro dia de Julho de 2015, aconteceu o mesmo aos rangers do PN Hwange – e aos cientistas da Universidade de Oxford – quanto ao grande leão Cecil, a estrela do parque.

Cecil tinha sobrevivido a confrontos com os Askaris, leões de uma alcateia rival com poder consolidado. Para lhes resistir, associou-se a um outro macho solitário, Leander. Leander foi mortalmente ferido pelo líder dos Askaris quando este, mais volumoso e agressivo, resistiu a um ataque concertado de Cecil e Leander. Cecil sofreu, ele próprio, danos consideráveis mas recuperou. Decorrido algum tempo, foi expulso pelos restantes Askaris para a ala sudeste do parque. Ali, cresceu e floresceu. Tornou-se num leão majestoso, com uma juba negra exuberante inconfundível. Entre leoas e crias, a sua alcateia chegou a congregar vinte e dois espécimes. Em 2012, dois jovens leões recém-chegados afugentaram-no. Jericho, que tinha previamente uma outra aliança, teve o seu parceiro abatido por um caçador de trofeus. No início de 2013, os arquirivais Cecil e Jericho (um Askari) viram-se frente a frente. Em vez de lutarem, perceberam que estariam melhor aliados. De início, a sua relação foi conturbada, com ambos a tentarem desancar-se para afirmar supremacia. Ainda assim, vieram a formar um duo inseparável e imbatível. Em breve, comandavam duas alcateias num território vasto de uma zona muito frequentada por visitantes. Tornaram-se os protagonistas do PN Hwange. Até que nova e horrífica intervenção humana pôs cobro à vida de Cecil.

Como quase todos os rangers do Somalisa e de outros campos do parque, Robert sabe a história de cor e salteado. Conta-nos uma parte no fascinante regresso nocturno ao ponto de partida, sob um dos firmamentos mais carregados de estrelas que alguma vez tínhamos visto e, aqui e ali, de foco poderoso em riste, em busca de animais nocturnos.

Apesar da oposição activa de muitas instituições ambientalistas e de incontáveis figuras públicas, a caça recreativa de trofeus angaria, todos os anos vários milhões de euros. Principalmente por este motivo financeiro mas, claro está, devido à persistente procura por parte de criaturas humanas perversas, o “desporto” prospera em países como a África do Sul, a Namíbia e … o Zimbabué. Uma das organizações que mais o fomenta é o Safari Club International (SCI), uma organização com sede em Tucson, Arizona. O SCI conglomera milhares de caçadores de troféus de todo o mundo mediante joias anuais que vão dos 65 aos 225 USD. Além de estar por detrás dos mais influentes lobbies pró-caça de vida selvagem, organiza expedições em que esta mesma é levada a cabo, selada com carnificinas dos animais, assim justifica o direito dos caçadores a colocarem os troféus nas paredes de suas casas. Apesar de considerado um leão especial, Cecil foi só mais uma das milhares de vítimas anuais do SCI.

Em 1 de Julho de 2015, Jericho e Cecil estavam numa área que se tornara seu território mas que ficava fora dos limites do PN Hwange, numa reserva privada em que a caça recreativa era permitida. Walter Palmer, um norte-americano do Minnesota, sócio do SCI, tinha pago cerca de 50.000 dólares americanos a um guia de caça profissional, Theo Bronkorst, para este o auxiliar a matar um leão, se possível com arco e flecha. Bronkorst atraiu alegadamente Cecil com isco de carne de elefante. Palmer feriu-o com uma flecha. Ambos perseguiram o leão horas a fio. Palmer afirma que matou Cecil – então com treze anos – com mais uma flecha. As autoridades reclamam que o terá abatido com uma espingarda. O caso foi reportado por instituições de protecção de vida selvagem. Tornou-se um escândalo mundial. Palmer viu-se perseguido e insultado, tanto nas redes sociais como em todo o lado em que era visto. Teve que encerrar a clínica dentária que mantinha em Bloomington, no Minnesota. O exterior da sua casa de férias da Flórida foi adornado com sucessivas mensagens de repúdio e ódio. Figuras públicas como Leonardo di Caprio insurgiram-se contra ele e ditaram a extensão da sua perseguição. O dentista-caçador fez questão de sublinhar que não fazia ideia de que Cecil era um leão famoso mas nunca mostrou qualquer arrependimento por matar animais selvagens. Nada indica ter deixado a caça de trofeus.

Palmer livrou-se de qualquer condenação quer nos E.U.A. quer no Zimbabué, isto por ter todos os papéis em ordem na altura da caçada.

A aflição depressa lhe passou. No dia em que se cumpriu um ano do abate de Cecil, os paparazzi apanharam-no a conduzir um Porsche Cayenne Turbo e a exibi-lo ao pessoal do vallet parking dum bar faustoso de Minneapolis. Foi descrito como satisfeito da vida.

E, no entanto, a animosidade gerada em seu torno causou mudanças na atitude de várias autoridades nacionais face à caça recreativa de troféus. Nos E.U.A. e na União Europeia, os legisladores esforçaram-se por banir de vez a importação de trofeus de leões. A polémica fez com que as três maiores companhias aéreas americanas proibissem o seu transporte. Entretanto, uma petição de nome “Justiça para Cecil” que reclamava que o governo do Zimbabué parasse de emitir permissões de caça para animais em perigo de extinção foi assinada por 1.2 milhões de pessoas, isto apesar de, como fez notar o jornal zimbabueano “The Chronicle”, 99.99% dos seus compatriotas não fazerem ideia de quem era o tal leão.

O governo do Zimbabué cedeu. Decretou que tais mortes passariam a ter que ser justificadas e autorizadas pela Direcção Geral dos Parques Nacionais e da Vida Selvagem do país. Para bem dos leões que encontrámos no PN Hwange – vários deles filhos e netos de Cecil e de Jericho – e de tantos outros.

O dia seguinte amanhece com Warthog – um elefante assim baptizado pelo pessoal do Somalisa por ter as presas a apontar para fora como os javalis-africanos – a tentar ultrapassar a barreira de troncos que protegia o pátio do campo. Warthog mostra-se uma vez mais ansioso por devorar os frutos das acácias acumulados no solo. A obsessão do elefante é tal que Nônô se vê obrigada a chamar Robert. Com recurso a um pau e a repetido bater de palmas, este, consegue, por fim, afugentá-lo para logo detectarem um babuíno escondido na casa de banho oposta à grande tenda. “Este agora habituou-se a isto”, contam-nos como se de nada se tratasse. “Esconde-se ali e fica a ver se nós deixamos a sala. Quando saímos, entra e rouba bolachas e açúcar!”

Robert relembra a Nônô que se deve manter de olho na bicharada. Logo em seguida, retomamos o jipe e a descoberta do PN Hwange. Passamos por um outro charco frequentado por dezenas de elefantes e a que acorrem dezenas mais, em longas caravanas. Num parque qualquer, seria este o foco das atenções mas o Hwange é especial. Robert recebe uma comunicação via rádio. “Já os acharam outra vez. Agora estão lá todos.” Dez minutos depois, damos connosco a cinco ou seis metros da alcateia deixada aos seus destinos por Cecil e Jericho. Tinham caçado uma zebra durante a noite. Um jovem leão afirmava-se num lugar privilegiado para devorar o que restava da carcaça. Se algum dos outros esboçava uma aproximação, ameaçava-os com o pior do seu mau-feitio. Não é que fosse necessário, mas Robert deixou bem claro que, na já longa ausência de Cecil e Jericho, aquele jovem da alcateia se afirmava como um provável novo líder.

Neste momento, no Zimbabwe, arrasta-se uma batalha entre o movimento pró-caça da ignóbil SCI e a força de ambientalistas e conservacionistas que tudo fazem para lhe resistir. No meio, está o governo do Zimbabué, liderado pelo decano Robert Mugabe, o “leão” mais resiliente de toda a África. Bom mesmo, seria que a Natureza se conseguisse defender da loucura humana.

 

Artigo criado no PN Hwange, Zimbabwé, com o apoio precioso dos AFRICAN BUSH CAMPS

 

Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.

Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.

PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.

Great Zimbabwe

Pequena Dança Bira, Grande Zimbabwe

A aldeia KwaNemamwa está situada junto ao lugar mais emblemático do Zimbabwé, aquele que, decretada a independência da Rodésia colonial, inspirou o nome da nova nação. É ali que vários habitantes de etnia Karanga exibem as danças tradicionais Bira aos visitantes privilegiados das ruínas de Great Zimbabwé.
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.

Masai Mara, Quénia

Um Povo Entregue à Bicharada

A savana de Mara tornou-se famosa pelo confronto entre os milhões de herbívoros e os seus predadores. Mas, numa comunhão temerária com a vida selvagem, são os humanos Masai que ali mais se destacam.

Savuti, Botswana

O Domínio dos Leões Comedores de Elefantes

Um retalho do deserto do Kalahari seca ou é irrigado consoante caprichos tectónicos da região. No Savuti, os leões habituaram-se a depender deles próprios e predam os maiores animais da savana.

Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Praia soleada
Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Aterragem sobre o gelo
Aventura

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.

Folia Divina
Cerimónias e Festividades

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

Arranha-céus maltês
Cidades

Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta será a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que haverá memória.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Indígena Coroado
Cultura

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Las Cuevas
Em Viagem

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De Um Lado ao Outro dos Andes

Saída da Mendoza cidade, a ruta N7 perde-se em vinhedos, eleva-se ao sopé do Monte Aconcágua e cruza os Andes até ao Chile. Poucos trechos transfronteiriços revelam a imponência desta ascensão forçada

Todos a bordo
Étnico

Viti Levu, Fiji

Uma Partilha Improvável

Em pleno Pacífico Sul, uma comunidade numerosa de descendentes de indianos recrutados pelos ex-colonos britânicos e a população indígena melanésia repartem há muito a ilha chefe de Fiji.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
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Uma Sequela Da Febre do Ouro

Dois séculos após o apogeu da prospecção, perdida no tempo e na vastidão do Planalto Central, Goiás estima a sua admirável arquitectura colonial, a riqueza supreendente que ali continua por descobrir.

MAL(E)divas
Ilhas

Malé

As Maldivas a Sério

Contemplada do ar, a capital das Maldivas pouco mais parece que uma amostra de ilha atafulhada. Quem a visita, não encontra coqueiros deitados, praias de sonho, SPAs ou piscinas infinitas. Deslumbra-se com o dia-a-dia maldivano genuíno que nenhuma brochura turística poderia revelar.

Doca gelada
Inverno Branco

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

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Literatura

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A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Caminhada sob brasas
Natureza

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O Ressuscitar do Lugar Mais Quente

Desde 1921 que Al Aziziyah, na Líbia, era considerado o lugar mais quente do Planeta. Mas a polémica em redor dos 58º ali medidos fez com que, 99 anos depois, o título fosse devolvido ao Vale da Morte.

Aposentos dourados
Outono

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Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Entusiasmo Vermelho
Parques Naturais

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Ao fim da tarde
Património Mundial Unesco

Ilha de Moçambique

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.

Palestra
Personagens

Christchurch, Nova Zelândia

O Feiticeiro Amaldiçoado

Apesar da sua notoriedade nos antípodas, Ian Channell o bruxo da Nova Zelândia não conseguiu prever ou evitar vários sismos que assolaram Christchurch. O último obrigou-o a mudar-se para casa da mãe.

Tambores e tatoos
Praia

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Um matrimónio espacial
Religião

Samarcanda, Usbequistão

O Sultão Astrónomo

Neto de um dos grandes conquistadores da Ásia Central, Ulugh Beg preferiu as ciências. Em 1428, construiu um observatório espacial em Samarcanda. Os seus estudos dos astros levaram-lhe o nome a uma cratera da Lua. 

À pendura
Sobre carris

São Francisco, E.U.A.

Uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.

Sociedade
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
O projeccionista
Vida Quotidiana

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Glaciar Meares
Vida Selvagem

Prince William Sound, Alasca

Alasca Colossal

Encaixado contra as montanhas Chugach, Prince William Sound abriga alguns dos cenários descomunais do 49º estado. Nem sismos poderosos nem uma maré negra devastadora afectaram o seu esplendor natural.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.