PN Gorongosa, Moçambique

O Coração Selvagem de Moçambique dá Sinais de Vida


Brincadeira ao ocaso

Leões juvenis divertem-se na beira relvada do lago Urema.

Pala-Pala

Palanca negra, como é mais conhecida em Angola, cruza a névoa e uma das picadas do PN Gorongosa.

Pivas a perder de vista

Os pivas, de longe a espécie mais visível na Gorongosa.

Desconfiança

Elefante tenta perceber o que se aproxima para logo reagir com fúria e se retirar.

Caça ao crepúsculo

Jovens leões percorrem uma margem do lago Urema dourado pelo ocaso.

Passagem pelos leões

Jipe do PN Gorongosa regressa a Chitengo após um bom tempo de apreciação de alguns dos leões do parque.

De olho no lago

Águia pesqueira atenta aos movimentos na água de um pequeno lago abaixo.

Arranjo de impalas

Pequena manada de impalas observam a passagem de visitantes humanos da Gorongosa.

A grande Gorongosa

Encosta da serra da Gorongosa envolta de nevoeiro, uma cena habitual nas manhãs desta região interior de Moçambique.

Pala-pala II

Um pala-pala macho (pouco) dissimulado na vegetação da Gorongosa.

Coisas de abutres

A equipa de ornitólogos de Greg Kaltenecker obtem dados de um abutre de cabeça branca, espécie que estuda e acompanha na Gorongosa.

Debandada geral

Gansos deixam um lago repleto de vegetação anfíbia. 

Um novo pôr-do-sol

Impala prescruta o tando da Gorongosa sobre o ocaso.

A Gorongosa abrigava um dos mais exuberantes ecossistemas de África mas, de 1980 a 1992, sucumbiu à Guerra Civil travada entre a FRELIMO e a RENAMO. Greg Carr, o inventor milionário do Voice Mail recebeu a mensagem do embaixador moçambicano na ONU a desafiá-lo a apoiar Moçambique. Para bem do país e da humanidade, Carr comprometeu-se a ressuscitar o parque nacional deslumbrante que o governo colonial português lá criara.

O guia zimbabueano Test conduz-nos num dos jipes clássicos de game drive. Após um percurso introdutório entre vegetação arbórea, chegamos a uma savana desafogada, preenchida por erva seca quase rasa, por áreas de tufos fartos e densos, de meia-altura. Salpicavam-na palmeiras exóticas, umas anãs, outras, nem por isso, de leque, ilalas ou afins.

“Bom, eles andavam por aqui, hoje cedo. Vamos lá ver se ainda andam…” O encontro não é imediato. À medida que vasculhamos o labirinto dourado soprado pelo vento, Test chega a duvidar do sucesso da busca e a impacientar-se. Por pouco tempo. “Ah pronto! Lá estão eles. Estão a vê-los?” Claro que estávamos. Dois jovens leões tinham surgido do nada. Arfavam. Davam-nos a ideia de estarem incomodados pelo calor que ainda só era o das dez da manhã. “Comeram com o resto da alcateia durante a madrugada. Agora, tiraram um tempo para eles.” acrescenta Test.

De facto, víamos muitos mais herbívoros em redor: impalas, baualas, pivas e outros. O que interessava aos leões era, no entanto, a sombra mais ventilada das redondezas. De tal maneira a perseguiram para cá e para lá, apareceram e desapareceram no meio do mato tufoso que pareciam connosco jogar às escondidas.  Foi o nosso primeiro avistamento de leões na Gorongosa. Vários se seguiriam. Tão fáceis como esse.

A sua busca, permitiu-nos, em simultâneo, começar a apreciar a beleza singular da Gorongosa, um complexo retalho de ecossistemas disseminado do sopé da serra homónima até ao Planalto de Cheringoma, percorridos por uma série de rios que há séculos irrigam o lago Urema e sustentam a incrível biodiversidade destas paragens: o Vunduzi que nasce nas vertentes da Serra da Gorongosa, o Nhandugue, o homónimo Urema, o Muaredzi e outros menores que, por norma, se somem durante a época seca.

Test conduz-nos em direcção à orla do Urema, o lago. Em Junho, com as chuvas já há uns meses passadas, esta orla é um tando vasto forrado de erva bem verde e suculenta, pejado de herbívoros, em particular de uma quantidade inacreditável de pivas, como não tínhamos visto em nenhuma outra parte do mundo. Constatamos pela primeira vez, o quanto a fauna da Gorongosa recuperara dos seus anos mais negros.

À conversa com Vasco Galante, o Director de comunicação do parque, este mostra-nos um vídeo de um filme promocional, de 1961, realizado por Miguel Spiguel e narrado pelo inconfundível Fernando Pessa. Conta-nos Vasco que, na sua juventude abrantina, aquele mesmo filme, com o imaginário de selva e de safari, o tinha deslumbrado e suscitado o sonho de conhecer o lugar.

Por essa altura, a Gorongosa resplandecia. De 1920 a 1959, fora uma reserva de caça que a Companhia de Moçambique determinou com 1000 km2. Em 1940, tinha-se tornado famosa. De forma incauta, as autoridades dotaram-na de um campo turístico na planície aluvial junto ao rio Mussicadzi. Como muitos receavam, em 1942, inundações danificaram as infraestruturas. Vasco mostra-nos outro filme. Nele vemos como as alcateias lideradas por leões com enormes jubas cor de fuligem se apoderaram dos edifícios, como subiam as escadas em caracol para chegarem ao terraço onde repousavam e perscrutavam os seus domínios e passavam os olhos pelos inúmeros espécimes que por lá deambulavam: pivas (3500), gnus (5500), impalas (2000), zebras (3000), búfalos (14500), elefantes (2200), hipopótamos (3500), centenas de elandes, pala-palas e gondongas, todas as espécies inventariadas, mais tarde, pelo ecologista sul-africano Kenneth Tinley.

Em 1951, uma nova administração do governo colonial teve em conta que a Gorongosa era já visitada todos os anos por mais de 6000 turistas. Ditou a construção de infraestruturas de acomodação, de um restaurante e um bar, tudo no Chitengo. Quatro anos mais tarde, a Gorongosa foi decretada parque nacional. O Chitengo recebeu novas estradas e outras infraestruturas. No final dos anos 60, contava também com uma estação de correios, uma estação de combustível, uma clínica para urgências, uma loja de artesanato, duas piscinas e até um clube nocturno

De 1964 a 1975, a guerra pela independência gerada pela frente de libertação de Moçambique (FRELIMO) quase não afectou o parque. Em 1972, uma Companhia Portuguesa apoiada por vários membros de uma tal de Organização Provincial de Voluntários estacionou na zona para o proteger. Em 1976, nova contagem confirmava vários milhares de animais e bem mais que os 200 leões antes verificados, o maior número até à data. O seu ecossistema provava-se saudável como nunca. Até que, financiada e armada pela África do Sul e pelo governo “branco” da Rodésia do Sul, entrou em cena a Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO), em oposição à FRELIMO.

Chegámos a 1981. A Guerra Civil tomou conta do país e, para a Gorongosa, confirmou-se o pior cenário possível: que a RENAMO não tardaria a usá-a como seu quartel-general. Nesse mesmo ano, a RENAMO atacou Chitengo. Raptou vários dos seus trabalhadores e dois cientistas estrangeiros. Em 1983, o parque foi encerrado. De então em diante, a violência e destruição aumentaram. Batalhas terrestres e bombardeamentos aéreos destruíram os edifícios. Soldados de ambos os lados do conflito abateram centenas de elefantes para venderem o marfim e assim obterem novas armas. Soldados famintos mataram milhares de distintos herbívoros e os próprios leões e outros predadores foram dizimados por pura diversão ou morreram de fome por falta das suas presas.

A guerra civil terminou em 1992 mas a fauna do parque continuou a ser vítima da caça furtiva. No final das atrocidades, quase todos os animais de grande porte tinham sido reduzidos em 90% ou mais. Como é óbvio, ainda há muito a fazer mas as infraestruturas e a fauna recuperaram e de que maneira.

Na manhã seguinte, saímos bem cedo, em novo modo de game drive conduzido por Moutinho, um jovem guia nativo. Um nevoeiro denso envolve a Gorongosa. Pelo caminho, surgem, a espaços, silhuetas fantasmagóricas de animais na estrada de terra exígua que a vegetação tropical se esforçava por invadir: imbabalas, inhacosos e pala-palas – o nome moçambicano das palancas-negras emblemáticas de Angola. Espreitamos lagos legados pelos meses das chuvas (Janeiro a Abril), repletos de aves: gansos do Egipto, íbis, marabus, cegonhas de bico-amarelo, pelicanos e tantos outros. Quanto mais do parque percorríamos, mais nos encantávamos com os seus cinquenta e tal ecossistemas: o tando sem fim, a floresta de acácias-amarelas e as savanas salpicadas de palmeiras exóticas, as margens ervadas e pantanosas do Urema, o próprio lago partilhado por hipopótamos e crocodilos, a floresta tropical das encostas da serra e tantos outros ambientes.

Após intensa procura, lá encontrámos um macho elefante solitário, mais tarde, outro. Não é por acaso que a memória destes paquidermes tem a fama que tem. Na Gorongosa, mal detectam os jipes, os elefantes recordam os traumas passados durante e após a guerra civil. Reagem com imediata suspeição e chegam a perseguir os veículos. Ao contrário dos leões – que voltamos a encontrar com facilidade à beira do Urema – são esquivos.

Mas, com o tempo, tudo sara. Assim considerou o governo moçambicano que, em 1994, com o apoio do Banco Africano para o Desenvolvimento e a União Internacional para a Conservação da Natureza tratou de recuperar infraestruturas, a abrir picadas e estradas, a desminar a região, e a combater a caça furtiva com apoio de oitenta funcionários recém-contratados, alguns antigos trabalhadores do parque e até ex-combatentes.

Após o virar do século, Greg Carr, o norte-americano que inventou o Voice-mail e com ele prosperou, entrou na equação. O multimilionário do Idaho, acolheu uma sugestão do embaixador moçambicano na ONU durante um encontro promovido pela família Kennedy de apoiar a recuperação de Moçambique da guerra. Pouco depois, visitou a Gorongosa. Ficou rendido e convencido de que o parque poderia funcionar como um forte móbil turístico de desenvolvimento do centro de Moçambique. Em 2004, Joaquim Chissano validou uma parceria do Ministério Moçambicano do Turismo com a Fundação Carr, que Greg criara em 1999 para uma gestão de trinta anos da Gorongosa a prever um seu investimento de quase 25 milhões de euros em infraestruturas, reintrodução de animais – como aconteceu com os 54 elefantes que comprou ao vizinho sul-africano Kruger Park –, integração das comunidades da Gorongosa e seu benefício dos lucros estimados do projecto.

Por esta altura, Vasco Galante tornou-se o braço direito de Carr. Farto da vida empresarial que levava em Portugal, decidira já mudar de vida e Moçambique tinha-lhe ficado no coração. Quando descobriu que Greg Carr procurava um responsável para a equipa da Gorongosa, o delicioso filme de Miguel Spiguel com locução de Fernando Pessa passou-lhe em repetido pela mente. Vasco tornou-se parte incontornável da família do parque. Como o é Mateus Mutemba, o administrador com quem temos igualmente o privilégio de conviver, recém-galardoado pela National Geographic como um dos seus “Emerging Explorers” de 2017.

Nos dias em que nos acolhe, Chitengo está num frenesim. Dezenas de norte-americanos do Idaho, quase todos com ligação a Greg Carr ou à sua família, estavam de visita. A presença destes ianques não impede os sucessivos cercos e incursões dos babuínos à cozinha do restaurante. Nem os passeios nutricionais dos bandos de facocheros um pouco por todo o complexo.

Juntamo-nos a um dos jipes em que seguem. Percebemos que, em grande parte dos casos, eram os primeiros safaris em que participavam e como viviam com entusiasmo e interesse redobrado toda a aprendizagem biológica da Gorongosa: uma equipa de ornitólogos a capturar, a pesar e a identificar abutres para posterior estudo, o assombro pelos seus ecossistemas sempre em mutação e o pôr-do-sol, exuberante, a desfazer-se para os lados da Serra.

Quando o escuro se instala, ajudamo-los e ao guia Moutinho – Monty como preferiam chamar-lhe – de foco luminoso em riste, a encontrar espécies nocturnas: ginetas, civetas e estridentes jagras. No churrasco de despedida que se seguiu, um dos seus representantes agradeceu a oportunidade ao parque. Aproveitou para alfinetar as políticas de relações internacionais de Donald Trump que cortou no apoio do USAID e de outros programas dos E.U.A. aos países mais necessitados. “Poupamos nos programas com que ganhamos amigos no mundo, vamos ver-nos a gastar em armas para combater novos inimigos”.

O PN Gorongosa está prestes a ser estendido até às margens do rio Zambeze. Nos dias que correm, tão ou mais crucial para a Gorongosa que a ajuda externa é que Moçambique se mantenha em paz.

Ibo, Moçambique

Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.

Bazaruto, Moçambique

A Miragem Invertida de Moçambique

A apenas 30km da costa leste africana, um erg improvável mas imponente desponta do mar translúcido. Bazaruto abriga paisagens e gentes que há muito vivem à parte. Quem desembarca nesta ilha arenosa exuberante depressa se vê numa tempestade de espanto.

Ilha de Moçambique

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.

Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

Diogo Cão desembarcou neste cabo de África em 1486, instalou um padrão e fez meia-volta. O litoral imediato a norte e a sul, foi alemão, sul-africano e, por fim, namibiano. Indiferente às sucessivas transferências de nacionalidade, uma das maiores colónias de focas do mundo manteve ali o seu domínio e anima-o com latidos marinhos ensurdecedores e intermináveis embirrações.

PN Hwange, Zimbabwé

O Legado do Saudoso Leão Cecil

No dia 1 de Julho de 2015, Walter Palmer, um dentista e caçador de trofeus do Minnesota matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbabué. O abate gerou uma onda viral de indignação. Como constatamos no PN Hwange, quase dois anos volvidos, os descendentes de Cecil prosperam.

Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilômetros de Nampula, fruta tropical é coisa que não falta.
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

PN Amboseli, Quénia

Uma Dádiva do Kilimanjaro

O primeiro europeu a aventurar-se nestas paragens masai ficou estupefacto com o que encontrou. E ainda hoje grandes manadas de elefantes e de outros herbívoros vagueiam ao sabor do pasto irrigado pela neve da maior montanha africana.

Esteros del Iberá, Argentina

O Pantanal das Pampas

No mapa mundo, para sul do famoso pantanal brasileiro, surge uma região alagada pouco conhecida mas quase tão vasta e rica em biodiversidade. A expressão guarani Y berá define-a como “águas brilhantes”. O adjectivo ajusta-se a mais que à sua forte luminância.

Costa Rica

Um Fenómeno da Natureza

A Costa Rica tem uma das democracias mais antigas do mundo, abdicou de exército e quase não passou por ditaduras. Mas o que salta à vista é a forma incomum como preserva o seu meio-ambiente exuberante.

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Masai Mara, Quénia

Um Povo Entregue à Bicharada

A savana de Mara tornou-se famosa pelo confronto entre os milhões de herbívoros e os seus predadores. Mas, numa comunhão temerária com a vida selvagem, são os humanos Masai que ali mais se destacam.

Savuti, Botswana

O Domínio dos Leões Comedores de Elefantes

Um retalho do deserto do Kalahari seca ou é irrigado consoante caprichos tectónicos da região. No Savuti, os leões habituaram-se a depender deles próprios e predam os maiores animais da savana.

Delta do Okavango, Botswana

Nem Todos os Rios Chegam ao Mar

Terceiro rio mais longo do sul de África, o Okavango nasce no planalto angolano do Bié e percorre 1600km para sudeste. Perde-se no deserto do Kalahari onde irriga um pantanal deslumbrante repleto de vida selvagem.

Norte de Queensland, Austrália

Uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Gentlemen Club & Steakhouse
Arquitectura & Design

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Indígena Coroado
Cerimónias e Festividades

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

Bom conselho Budista
Cidades

Chiang Mai, Tailândia

300 Wats de Energia Espiritual e Cultural

Os tailandeses chamam a cada templo budista wat e a sua capital do norte tem-nos em óbvia abundância. Entregue a sucessivos eventos realizados entre santuários, Chiang Mai nunca se chega a desligar.

Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Cultura
Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Ferry Nek Luong
Em Viagem

Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso

MAL(E)divas
Étnico

Malé

As Maldivas a Sério

Contemplada do ar, a capital das Maldivas pouco mais parece que uma amostra de ilha atafulhada. Quem a visita, não encontra coqueiros deitados, praias de sonho, SPAs ou piscinas infinitas. Deslumbra-se com o dia-a-dia maldivano genuíno que nenhuma brochura turística poderia revelar.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Manobras a cores
História

Seul, Coreia do Sul

Um Vislumbre da Coreia Medieval

O Palácio de Gyeongbokgung resiste protegido por guardiães em trajes sedosos. Em conjunto, formam um símbolo da identidade sul-coreana. Sem o esperarmos, acabamos por nos ver na era imperial destas paragens asiáticas. 

Litoral Gentil
Ilhas

Ilhabela, Brasil

Depois do Horror, a Beleza

90% de Mata Atlântica preservada, cachoeiras idílicas e praias gentis e selvagens fazem-lhe jus ao nome. Mas, se recuarmos no tempo, também desvendamos a faceta histórica horrífica de Ihabela.

Lenha
Inverno Branco

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Transbordo
Natureza

Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a “Survivor”

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

O grande Salto Angel
Parques Naturais

PN Canaima, Venezuela

O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra

Tempo de surf
Património Mundial Unesco

Ilha do Norte, Nova Zelândia

A Caminho da Maoridade

A Nova Zelândia é um dos países em que descendentes de colonos e nativos mais se respeitam. Ao explorarmos a sua lha do Norte, inteirámo-nos do amadurecimento interétnico desta nação tão da Commonwealth como maori e polinésia. 

Gang de 4
Personagens

Tombstone, E.U.A.

A Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.

Promessa?
Praia
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Rumo ao vale
Religião

Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.

White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Autoridade bubalina
Sociedade

Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem a maior manada bubalina e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.

Fim da Viagem
Vida Quotidiana

Talkeetna, Alasca

Vida à Moda do Alasca

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.

Campo de géiseres
Vida Selvagem

El Tatio, Chile

Uma Ida a Banhos Andina

Envolto de vulcões supremos, o campo geotermal de El Tatio surge como uma miragem dantesca de enxofre e vapor a uns gélidos 4300 m de altitude. Os seus geiseres e fumarolas atraem hordas de viajantes. Ditou o tempo que uma das mais concorridas celebrações dos Andes e do Deserto do Atacama passasse por lá partilharem uma piscina aquecida a 30º pelas profundezas da Terra.

Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.