Cebu, Filipinas

O Atoleiro de Magalhães


O atoleiro de Magalhães

Homem e crianças procuram moluscos nas águas ao largo do santuário de Lapu Lapu.

Honra na morte

Inscrição do marco erguido em Mactan, em honra de Fernão de Magalhães.

Lapu Lapu resort

Visitantes percorrem um passadiço em frente a um outdoor que promove a cidade resort de Lapu Lapu

História de bronze

Parte do Monumento da Herança de Cebu dedicada à chegada dos conquistadores espanhóis à ilha.

Aos pés do Cristianismo

Fieis filipinas rezam junto a estátuas da Virgem Maria no interior da Basílica de Santo Niño, em Cebu.

Um Lapu Lapu dourado

A estátua de Lapu Lapu, em frente ao local da batalha em que os seus homens mataram Fernão de Magalhães.

Cruz da colonização filipina

Cruz de Magalhães abrigada sob um tecto pintado com cenas da chegada do descobridor português às Filipinas.

De menino Jesus a Santo Niño

Velas acesas junto a uma escultura que ilustra a estátua do Menino Jesus mais tarde idolatrada como Santo Niño. 

Um ídolo ancestral

Jovens fazem-se fotografar em frente à estátua do herói nacional Lapu Lapu.

Tinham decorrido quase 19 meses de navegação pioneira e atribulada em redor do mundo quando o explorador português cometeu o erro da sua vida. Nas Filipinas, o carrasco Datu Lapu Lapu preserva honras de herói. Em Mactan, uma sua estátua bronzeada com visual de super-herói tribal sobrepõe-se ao mangal da tragédia.

É precisamente na pequena Mactan que aterra quem hoje visita estas partes das Filipinas, encaixadas entre 7500 ilhas, no coração do arquipélago das Visayas. Ao contrário da ilha-mãe Cebu que acolhe a segunda maior cidade da nação, Mactan é tão plana quanto possível. Reclamou vastas áreas ao mar para receber uma zona industrial livre de impostos e algumas das maiores fábricas e projectos empresariais das Filipinas, cerca de metade, japoneses.

Cumprido o desembarque e as respectivas formalidades, encontramos muitos dos nativos a bordo de incontáveis triciclos, motorizados ou nem por isso, de jeepneys e também de transportes mais modernos. Outros tratam de pequenos negócios fixos de beira-estrada, cada vez mais orientados para o turismo galopante.

Só na base da sua geologia, a ilha se mantém a mesma de 1521 quando, proveniente do longínquo ocidente, Fernão de Magalhães e a sua frota pela primeira vez ali aportaram. António Lombardo Pigafetta era um italiano que se diz ter pago para fazer parte da tripulação. Contou-se entre os 18 homens a regressar a Sevilha no Victoria, quase um ano e meio depois. E foi um dos 90 que sobreviveram à aventura e voltaram à Europa por outros meios.  Muito do que se sabe da longa jornada em redor do mundo, foi por ele reportado.

Sabe-se, por exemplo, que a fome já grassava a bordo quando, após uma travessia quase em branco do oceano Pacífico, Fernão de Magalhães se tentou abastecer de víveres nas Marianas e em Guam. Contra o desejado, foram os indígenas que se abasteceram da sua frota. Segundo narrou Pigafetta “os nativos entraram no navio e roubaram tudo aquilo a que puderam deitar mão, incluindo o barco pequeno atado à popa do Vitoria. À conta disso, a tripulação baptizou aquelas ilhas de “Ilhas dos Ladrões”.

A 16 de Março, ainda com 150 homens da sua tripulação multinacional inicial de 270 homens (40 dos quais portugueses), a frota ancorou por fim na ilha de Homonhon. Foi detectada por Siagu de Mazaua, um rajá local com quem Magalhães, com recurso à tradução de Enrique – um servo malaio que havia recrutado em Malaca – trocou presentes e que acabou por o conduzir a Cebu. Ali, Humabon, um outro rajá, revelou-se amigável ao ponto de aceitar o baptismo com o nome de Carlos (em honra do rei espanhol), a oferta à sua esposa e rainha de uma figura do Menino Jesus e o Cristianismo como nova fé. Essa figura veio mais tarde a revelar-se crucial na conversão da maior parte da população filipina ao Cristianismo, um fenómeno ainda hoje único na Ásia. Está exposta na Basílica del Santo Niño da cidade de Cebu e foi benzida pelo Papa João Paulo II em 1990. Os filipinos chegam de todas as partes para a louvarem. É uma das principais atracções da ilha, a par da Cruz de Fernão de Magalhães que surge a uns poucos metros.

Em Mactan, o apelo é outro. Dezenas de resorts e operações ou pasquins simbióticos instalaram-se na franja litoral da pequena ilha, suficientemente distantes do seu âmago industrial. Em pouco tempo, despertaram o desejo de evasão e de paz e descanso dos trabalhadores de nações asiáticas vizinhas. Entre estes, os sul-coreanos conquistaram um óbvio predomínio. As ruas estão repletas de negócios com letreiros comerciais no seu alfabeto de proprietários tanto filipinos como coreanos. E as praias repletas de famílias de banhistas de Seul, Busan, Incheon etc etc, pálidos como a areia de coral.

Já Fernão de Magalhães, chegou às Filipinas incumbido de uma missão inequívoca e sem tempo a perder. A sua reputação em Portugal terá ficado manchada quando se viu acusado de negociar com os Mouros no Norte de África. Na sequência, o rei Manuel I recusou as suas insistentes propostas de liderar uma expedição com o fim de descobrir uma rota para as ilhas das especiarias navegando para oeste.

Frustrado, Magalhães mudou-se para Sevilha. Ali, propôs o mesmo projecto ao rei Carlos V, futuro Imperador do Sacro Império Romano-Germânico com o objectivo adicional de provar que as Molucas estariam fora da esfera portuguesa acordada no Tratado de Tordesilhas e que só os espanhóis delas poderiam obter proveitos. Uma vez chegado às Filipinas, apercebeu-se que tanto as ilhas que descobria como as Molucas se encontravam, na realidade, na esfera portuguesa.

Em Cebu, o rajá Humabon e Datu Zula, um seu aliado, terão persuadido Magalhães a matar o arquirrival Datu Lapu Lapu. Magalhães convenceu-se de que o converteria ao Cristianismo como fizera com os outros dois rajás. Lapu Lapu rejeitou as suas intenções. Provocou a ira de Magalhães que, por sua vez, desrespeitou as ordens de Carlos V de que não deveria desperdiçar tempo e energias em conflitos com nativos. Magalhães resolveu submeter Lapu Lapu pela força.

O lugar em que tudo se passou é um dos mais importantes das Filipinas. Apressamo-nos a visitá-lo, na companhia de um guia local resoluto que nos debita informações com um nível de pormenor surpreendente.

“Foi uma série infeliz de erros que Magalhães cometeu, não foi só um. Para começar, nunca pensou que fossem tantos os homens de Lapu Lapu. A ideia inicial teria sido intimidar os nativos com tiros de canhão mas o explorador foi surpreendido pela distância a partir do ponto em que o recife de coral impedia maior aproximação da Vitoria. Como se não bastasse, um mangal extenso separava-o de terra-firme, o mesmo mangal que veem à vossa frente.”

Para diante, uma floresta densa e verdejante de mangue impedia-nos de avistar o mar em que se havia detido a embarcação espanhola. A maré-cheia instalava-se. Alagava a base daquela vegetação anfíbia até ao limite do parque memorial de Punta Engaño.

Um canal ladeado por bangkas permitia-nos um vislumbre insuficiente para estabelecer uma ligação visual. Num outro, alguns nativos vasculhavam o leito em busca de moluscos e crustáceos. Bastaram uns instantes até que um deles apanhasse um polvo que exibiu, com orgulho, a nós e aos proprietários de um dos restaurantes instalados à beira d’água. Logo ao lado, visitantes filipinos percorriam passadiços elevados sob um grande outdoor garrido que promovia os atributos da cidade baptizada em honra chefe nativo: Lapu-Lapu: The Historic Resort City.

Tanto Magalhães como Lapu Lapu se eternizaram mas, no seguimento da batalha de Mactan, seria Lapu-Lapu a ditar a história.

Tal como narrou Pigafetta, Magalhães zarpou de Cebu com 60 homens protegidos por capacetes e coletes. Acompanhavam-no o recém-baptizado rei Humabon, o príncipe e alguns dos seus homens, a bordo de vinte e tal embarcações tradicionais. Chegaram a Mactan três horas antes da alvorada e anunciaram a Lapu Lapu que Magalhães não desejava lutar mas que deveria submeter-se ao rei de Espanha, reconhecer o rei Cristão como seu soberano e pagar tributo, caso contrário veriam como as lanças os feririam. Os nativos responderam que também tinham lanças. Ter-se-ão dado ao luxo de alertar que haviam escavado vários buracos repletos de estacas afiadas para que os invasores neles caíssem.

Apesar do aviso, mesmo com a água até às coxas, quarenta e nove homens fiéis a Magalhães investiram. Tiveram que assim caminhar, como descreveu Pigafetta, “durante dois voos de seta de besta”. Quando chegaram a terra, mais de 1500 guerreiros de Lapu Lapu organizados em três divisões carregaram sobre eles com gritos estridentes. Os mosqueteiros de Magalhães tinham-se atrasado. Os seus contínuos mas lentos disparos ficavam aquém dos nativos. Magalhães decidiu incendiar várias casas ribeirinhas dos inimigos o que só os enfureceu mais. Voltaram a atacar em grande número. Magalhães foi atingido na perna direita por uma seta envenenada. Os nativos passaram a disparar as suas setas apenas para as pernas desprotegidas dos europeus. Não tardaram a perceber a vulnerabilidade em que aqueles se encontravam, também ao alcance de incontáveis lanças e pedras. Vários deles cercaram Magalhães. O líder foi ferido num braço por uma lança. Um outro indígena feriu-lhe uma perna com uma kampilan, uma espécie de cimitarra então usada pelas tribos filipinas. Magalhães tombou por terra. Os guerreiros de Lapu Lapu continuaram a chacina-lo enquanto os soldados europeus e Pigafetta, desesperados, batiam de retirada para os pequenos barcos já a zarpar. Os rajás aliados – que não tinham participado na batalha por sugestão de Magalhães – limitaram-se a apreciar os acontecimentos da carraca fundeada ao longe.

Hoje, Lapu-Lapu mantém o estatuto retroactivo de primeiro herói nacional das Filipinas, considerado o primeiro filipino a resistir a ingerências estrangeiras, mesmo se, por essa altura, a nação filipina estava longe de existir.

Além da Cruz de Magalhães e da figura do Santo Niño, filipinos de todas as ilhas do país visitam o santuário de Lapu-Lapu. Fazem-se fotografar aos pés da sua estátua exuberante de bronze em que, munido de um escudo e de uma grande bolo (faca filipina) parece supervisionar do alto e para todo o sempre o mangal da sua glória.

O chefe indómito teve direito a uma outra estátua no parque Luneta, no centro de Manila, o mesmo parque onde José Rizal, um escritor e oftalmologista herói e mártir da resistência ao colonialismo hispânico foi executado pelos espanhóis e homenageado pelos filipinos com os seus próprios dois monumentos.

Todos os anos, a 27 de Abril, realiza-se mesmo em frente ao palco dos acontecimentos originais o Kadaugan sa Mactan, um festival que reencena a batalha de 1521.

Entre os nativos desta época, popularizou-se uma lenda: em vez de ter mais tarde morrido, Lapu Lapu ter-se-á transformado em pedra e guarda os mares de Mactan. Ainda hoje, os pescadores da ilha atiram moedas a uma rocha com o perfil de homem para obterem permissão para pescarem no território do chefe. Há menos tempo, formou-se outro mito urbano acerca da sua estátua que antes segurava uma besta. Três mayors da cidade de Lapu Lapu morreram de seguida vítimas de ataque cardíaco. Supersticioso, um dos seguintes preferiu não arriscar. Substituiu a besta pela espada actual.

Quanto a Magalhães, só a sua fama chegou aos dias de hoje. Ainda segundo Pigafetta, o rajá Humabon tentou comprar a devolução do seu corpo mutilado. Lapu Lapu voltou a recusar. Crê-se que o manteve como troféu de guerra.

A missão de Magalhães nunca foi cumprida mas quando, em 6 de Setembro de 1622, Sebastião del Cano substituiu o navegador português e comandou a Vitoria de volta a Sevilha fechou a primeira viagem de circum-navegação do mundo.

Apesar de as Filipinas também estarem na esfera portuguesa do Tratado de Tordesilhas, os espanhóis não perderam tempo a regressar e a colonizá-las.

Em jeito de lamento histórico, acrescentamos nós que caso D. Manuel I não tivesse Fernão de Magalhães em má conta ou, pelo menos, se não tivesse recusado o seu projecto, as Filipinas seriam muito provavelmente uma fabulosa herança colonial portuguesa.

 

Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Elmina, Gana 

O Primeiro Jackpot dos Descobrimentos Portugueses

No séc. XVI, Mina gerava à Coroa mais de 310 kg de ouro anuais. Este proveito suscitou a cobiça da Holanda e da Inglaterra que se sucederam no lugar dos portugueses e fomentaram o tráfico de escravos para as Américas. A povoação em redor ainda é conhecida por Elmina mas, hoje, o peixe é a sua mais evidente riqueza.

Canal Beagle, Argentina

No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Minhocas
Arquitectura & Design

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Nana Kwame V
Cerimónias e Festividades

Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.

A Crucificação em Helsínquia
Cidades

Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.

Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Mini-snorkeling
Cultura

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Sol nascente nos olhos
Desporto

Busselton, Austrália

2000 metros em Estilo Aussie

Em 1853, Busselton foi dotada de um dos pontões então mais longos do Mundo. Quando a estrutura decaiu, os moradores decidiram dar a volta ao problema. Desde 1996 que o fazem, todos os anos, a nadar.

Em Viagem
Chefchouen a Merzouga, Marrocos

Marrocos de Cima a Baixo

Das ruelas anis de Chefchaouen às primeiras dunas do Saara revelam-se, em Marrocos, os contrastes bem marcados das primeiras terras africanas, como sempre encarou a Ibéria este vasto reino magrebino.
Aldeia luxuriante
Étnico

Navala, Fiji

O urbanismo tribal de fiji

Fiji adaptou-se à invasão dos viajantes com hotéis e resorts ocidentalizados. Mas, nas terras altas de Viti Levu, Navala conserva as suas palhotas criteriosamente alinhadas.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Pastéis nos ares
História

Campeche, México

Campeche Sobre Can Pech

Como aconteceu por todo o México, os conquistadores chegaram, viram e venceram. Can Pech, a povoação maia, contava com quase 40 mil habitantes, palácios, pirâmides e uma arquitetura urbana exuberante, mas, em 1540, subsistiam menos de 6 mil nativos. Sobre as ruínas, os espanhóis ergueram Campeche, uma das mais imponentes cidades coloniais das Américas.

Eden Polinésio
Ilhas

Maupiti, Polinésia Francesa

Uma Sociedade à Margem

À sombra da fama quase planetária da vizinha Bora Bora, Maupiti é remota, pouco habitada e ainda menos desenvolvida. Os seus habitantes sentem-se abandonados mas quem a visita agradece o abandono.

Esqui
Inverno Branco

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Tempo de aurora
Natureza

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Água grande
Parques Naturais

Cataratas Iguaçu, Brasil/Argentina

O Grande Splash

Após um longo percurso tropical, o rio Iguaçu dá o mergulho dos mergulhos. Ali, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, formam-se as cataratas maiores e mais impressionantes à face da Terra.

A fortaleza e a catedral
Património Mundial Unesco

Novgorod, Rússia

A Avó Viquingue da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Curiosidade ursa
Personagens

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Insólito Balnear
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Sul do Belize

A Estranha Vida ao Sol do Caribe Negro

A caminho da Guatemala, constatamos como a existência proscrita do povo garifuna, descendente de escravos africanos e de índios arawaks, contrasta com a de vários redutos balneares bem mais airosos.

Em louvor do vulcão
Religião

Lombok, Indonésia

Hinduísmo Balinês Numa Ilha do Islão

A fundação da Indonésia assentou na crença num Deus único. Este princípio ambíguo sempre gerou polémica entre nacionalistas e islamistas mas, em Lombok, os balineses levam a liberdade de culto a peito

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Uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.

Comodidade até na Natureza
Sociedade

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São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

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O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Hipo-comunidade
Vida Selvagem

PN Chobe, Botswana

Um Rio na Fronteira da Vida com a Morte

O Chobe marca a divisão entre o Botswana e três dos países vizinhos, a Zâmbia, o Zimbabwé e a Namíbia. Mas o seu leito caprichoso tem uma função bem mais crucial que esta delimitação política.

Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

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A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.