Castro Laboreiro, Portugal  

No Cimo Raiano-Serrano de Portugal


Correria equina

Manada de garranos galopa no Planalto acima de Castro Laboreiro, com a Galiza à vista.

Vislumbre de gente

O casario de Castro Laboreiro além da fraga que acolheu o velho castelo da agora vila.

Puro canyoning

João Barroso desliza pela Ribeira da Varziela abaixo, na frente de um grupo de visitantes espanhóis.

Nª Sª de (A) Numão

O púlpito exterior de granito da Capela da Senhora de Anumão, em que os noivos de fora pediam a mão às donzelas da terra. 

Duas gerações castrejas

Dª Maria da Conceição e a filha Alzira de Fátima, a apanharem batatas num seu terreno da aldeia de Barreiro.

Cabras pseudo-montesas

Cabras domésticas com comportamento montês refrescam-se num dia abafado, sobre os penhascos acima de Castro Laboreiro.

Castro-Laboreiro

Ramon, um cachorro da raça autóctone castro-laboreiro, à entrada de uma das casas da Aldeia de Pontes.

Travessias sem igual

Sara Wong atravessa a Ponte de Dorna, uma de várias pontes com origem romana ou até celta na região da Peneda-Gerês.

Tradição I

Dª Sara Domingues, vestida à moda castreja, entre algumas das vacas cachenas pertença da sua família.

Fauna de pedra local

Pedra-tartaruga, uma estranha visão geológica no trilho que conduz ao castro da povoação.

Mãos de trabalho

Dª Maria da Conceição repousa os braços sobre o cabo da sua enxada.

Tradição II

Dª Sara Domingues e Ramon, um cachorro castro-laboreiro, na Aldeia de Pontes, uma povoação Inverneira abaixo de Castro Laboreiro.

Gente mais próxima

O casario do centro histórico de Castro Laboreiro, ao longe, na sua maioria feito de granito e telha avermelhada.

Confins do dia I

Pôr-do-sol exuberante acima da serra da Peneda e da vila de Castro Laboreiro.

Tradição III

Dª Sara Domingues, trajada à moda castreja na Aldeia de Pontes.

Gente (ainda) mais próxima

Telhados do núcleo histórico de Castro Laboreiro, uma povoação milenar do extremo norte de Portugal.

Entre montes e vales

Visitante contempla os cenários silvestres das serras da Peneda e de Laboreiro.

E - P

Marco em granito assinala um ponto em que Portugal e Espanha se encontram.

Confins do dia II

Ocaso enche de cor a silhueta da Serra da Peneda.

Safari no asfalto

Manada de vacas cachenas numa estrada à saída de Castro Laboreiro faz parar o trânsito.

Chegamos à eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.

São oito e meia da manhã. Faz já algum tempo que o alvor estival se impinge às montanhas e incita os castrejos a retomarem a sua labuta. A nós, impunha-se uma distinta missão matinal: conquistar o castro sobranceiro da vila que, depois de séculos de regência visigótica, leonesa, muçulmana, portucalense e, por fim, portuguesa, resiste à ditadura do tempo, da chuva, da neve e do vento.

Tomamos o trilho que parte do extremo sul da povoação. Entre rochedos, tojos, giestas, fetos e silvas que nos prendam com amoras, ascendemos à colina que o acolheu o velho, desgastado castelejo. Uma escadaria cavada no granito leva-nos a atravessar uma das portas ogivais e às alturas do reduto muralhado. Lá nos damos a uma disputa aguerrida entre a visão e a imaginação. A norte, no vale de pedra e telhas abaixo, estendia-se o casario cinzento-avermelhado da Castro Laboreiro de agora. Nos nossos imaginários, desenrolavam-se as aventuras e desventuras do conde Hermenegildo (Mendo) Guterres e de um tal de Dux Vitiza que se rebelou contra Afonso III das Astúrias. A mando do monarca, o mayordomo Dom Mendo aglutinou a nobreza, pôs cobro à revolta já com sete anos que sabotava a solidez do reino da Galiza e aprisionou o renegado. Como recompensa, decorria a primeira metade do século X, foi prendado com os domínios ainda repletos de encanto medieval que, a muito custo, deixamos de contemplar.

Anos depois, os muçulmanos vindos do norte de África tomaram-nos. Só em 1141, Afonso Henriques os conseguiu reconquistar para o lado cristão, reforçou o antigo castelo de Mendo Guterres e transformou-o numa fortaleza chave da linha de defesa na da cada vez menos embrionária nação portuguesa.

Neste encanto, as nove da manhã tinham por nós passado. Regressamos ao sopé do castro e deixamo-nos fluir na história e nas estórias de Castro Laboreiro. Encontramo-nos com o anfitrião e cicerone Paulo Azevedo junto ao restaurante “Miradouro do Castelo” que os seus pais construíram, após quinze anos de emigração prolífica noutro dos territórios anciãos do topo montanhoso da Ibéria: Andorra.

Paulo nasceu e viveu até aos oito anos nas terras mais fundas de Ribeiro de Baixo, em pleno desfiladeiro no sopé das Serras da Peneda e da Laboreiro, com a fronteira e a aldeia espanhola de Olelas à vista. De um lado para o outro daquela raia, constrangedora só para os menos industriosos, como tantas outras, a sua família encontrou sustento: “O meu avô levou muitas vacas para Espanha. E de lá trouxe café e chocolate tão raros e valiosos por aqueles lados. Nessa altura, sair daqui era uma aventura. Nós sonhávamos em ir nem que fosse só até Melgaço. Na 4ª classe lembrei-me de inventar uma dor para ter que ir lá ir ao médico, mas a brincadeira fugiu-me ao controle. Quando dei por ela, o médico estava a mandar-me para Viana do Castelo. Na escola, já eram quase heróis os que iam a Melgaço. Sem saber bem como, eu era o único que tinha chegado a Viana do Castelo.”

Desde cedo que Paulo e a sua industriosa família aprenderam a estabelecer pontes. Com ele serpenteamos na estrada e, uma vez mais, no tempo. Até encontrarmos uma das muitas sobre os rios e riachos que sulcam os montes e vales da Peneda e de Laboreiro.

A da Varziela surge-nos sobre a ribeira homónima, envolta de uma daquelas pequenas lagoas fluviais em que apetece de imediato mergulhar. Crê-se ter sido reformulada entre os séculos XII a XIV, a partir de uma base erguida muito antes pelos romanos, parte da rede de Vias que ligavam Bracara Augusta (Braga) a Astúrica Augusta (Astorga) e tantas outras. A Rómulo, que nos conduzia e acompanhava desde a primeira das urbes, uma pausa para banhos parecia ali fazer tanto sentido como a origem mitológica do seu nome.

Na era há muito latina em que nos deslumbrávamos com os sucessivos cenários idílicos e cristalinos, a ponte de Varziela resistia tão arredondada e firme como havia sido esboçada. À falta dos comitatenses e limitanei que antes cruzavam a região rica em ouro, um pequeno destacamento espanhol de praticantes de canyoning liderado pelo guia português João Barroso, desfilava pelo caudal imaculado em uniformes contemporâneos de neopreno e capacetes garridos. Invejamo-los por alguns instantes. Após o que retomamos a nossa bem mais enxuta jornada em busca de algumas vizinhas, a ponte Nova e, nas imediações, a ponte da Cava da Velha, ou da Cavada Velha, erguida com surpreendente engenho anti-gravitacional sobre o rio Castro Laboreiro que, mais acima, a ribeira Varziela abastece, no século I, pelos romanos. Apesar da solidez dos factos, também chamada pelo povo de Ponte Nova.

Interrompemos o périplo para um almoço revigorante no “Miradouro do Castelo” onde Paulo nos prenda com novas estórias e com deliciosas especialidades gastronómicas castrejas. À saída do restaurante, passamos os olhos pelo castelo e pelo fraguedo massivo que coroa a serrania em redor. Reparamos que, das brenhas longínquas, se destacam vultos animais. Paulo diz-nos que são cabras. Vamos buscar a nossa objectiva mais poderosa e examinamos os espécimes. De facto, eram cabras. Mas domésticas, não as montesas que abundam no Parque Nacional Peneda-Gerês. “Quando formos ao Planalto, é provável vermos das outras.”

Subimos a encosta da Serra de Laboreiro em direcção a outras enormes fragas, território de águias-reais que vemos pairar num inesperado bando de sete ou oito. Mais abaixo na estrada de terra batida, na base de uma dessas penhas, damos com uma capela de granito. Um enxame de abelhas silvestres instalava-se de armas e bagagens numa fenda sobre a porta fechada. A capela tinha sido erguida para celebrar um milagre. Nem um milagre salvou Paulo de uma fatídica ferrada.

Ainda que os mais ateus e incrédulos clamem que eram os próprios crentes que lá colocavam as figuras, reza a lenda que, aquando da perfuração de um penedo, terá sido encontrada uma imagem de Nª Senhora, logo levada para a Igreja Matriz de Castro Laboreiro. Reza ainda que de lá escapava e voltava onde havia sido achada ou às imediações, mesmo após ser reconduzida à igreja-mãe. Tal terá sido a persistência dessa Nª Senhora que mereceu o seu próprio santuário de Nª Senhora de (A) Numão, envolto de rochedos de granito e de um púlpito peculiar acrescentado à face de um deles, adornado com um uma flor de água asturiana, de provável raiz celta, uma rosácea de seis pétalas simbolizadora de pureza e de beleza associada às janas (fadas asturianas) e à restante mitologia que, vinda do norte próximo, chegou a estas paragens.

Várias missas foram ditas na capela. Algumas em tempo gélido quando, de acordo com o livro Santuário Mariano, de 1712, da autoria de Frei Agostinho de Santa Maria “…para prova de frialdade da terra, baste que o vinho congelasse no Inverno, de modo que para a Missa é necessário aquentá-lo”.

Segundo nos descreve Paulo do imaginário popular, o púlpito também foi usado para selar uniões em que o noivo oriundo de outras paragens se propunha a donzelas da terra. Nesses casos, a donzela subia ao púlpito. E de lá escutava as palavras que o noivo proferia a partir do chão.

De Anumão regressamos a zonas povoadas da encosta de Laboreiro. Passamos pela aldeia de Barreiro. E por duas anciãs em trajes negros tradicionais que lá trabalham campos geminados separados por vedações modernas que impedem que o seu gado se tresmalhe. Num deles, dona Maria da Conceição, de 85 anos, colhe batatas para a única de várias sacas por encher. “Boa tarde, foi a senhora que já apanhou essas todas?” metemos assim conversa. “Não, acham que sim. Com a minha idade já não dá para aquilo tudo. Foi a minha filha que tratou de boa parte delas.” Continuamos a falar e não tardamos a pedir-lhe permissão para a fotografar, o que fazemos em alternância e com bastante persistência. “Ai que estes senhores de Lisboa são mesmo malandrecos”, queixa-se Dª Maria da Conceição, sem nunca desistir da sua paciência, simpatia e bondade. Alzira de Fátima, a sua filha entra campo a dentro à frente de um rebanho. As ovelhas não perdem tempo. Atiram-se à rama e também às batatas. Paulo tinha-se juntado a nós e afiançava à senhora que era lá da terra. “Ah! já estou a ver!”, diz-lhe Maria da Conceição, tu és o filho da Maria dos Prazeres, do restaurante. Casasteis com uma brasileira não foi?”  A anciã e a filha alternam esforços. Ora interrogam Paulo para porem a coscuvilhice em dia, ora se viram para atrás e apedrejam as ovelhas que insistiam em devorar as batatas. Como se diz com lógica acrescida no campo, alguém tem que trabalhar. Não queríamos atrapalhar mais a lida das senhoras. Comunicamos-lhes que íamos subir ao Planalto e despedimo-nos. “Planalto? E isso fica onde?” questiona Maria da Conceição intrigada, que nunca ouvira tratar por tal nome as terras mais planas acima da sua aldeia.

Regressamos ao jipe. Atravessamos Curral do Gonçalo que, a quase 1200 m, é a aldeia mais elevada da freguesia de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, uma das mais altas de Portugal. Conquistamos a encosta íngreme da Serra de Laboreiro. Damos entrada num mundo inabitado e silvestre bem destacado acima da realidade que vínhamos a viver, mas há muito percorrido pelos povos que por ali se sucederam. Detemo-nos na pequena Ponte dos Portos que se crê ter sido erguida pelos Celtas parte da rede viária que ligava estas paragens ao iminente norte da Galiza.

Algumas centenas de metros depois, o verde dá lugar a um vasto prado multicolor de tojo em flor verde-amarelo, de feto e de urze roxa. Nas zonas de nascente, manadas de vacas cachenas e barrosãs partilham os pastos tenros com outras de garranos semi-selvagens e ariscos. Alguns de tal forma avessos a incursões humanas que, para nos evitarem, galopam, desalmados, de crinas ao vento.

A fauna não se fica por aí. Num outro meandro do trilho, já com a Galiza à vista, deparamo-nos com uma família de javalis também eles apressados. Após alguma discussão, concordamos que, pelo menos até se sumirem nos fetos altos, os perseguia um lobo juvenil. Prosseguimos ao largo da raia planáltica com Espanha. Espreitamos uma das antas que dotam o prolífico campo megalítico. Conformados com a ausência de cabras montesas, apreciamos o ocaso de um promontório fronteiriço com vista para a armada de hélices eólicas que agora giram sobre os cumes das Serras da Peneda e Laboreiro.

 

 

Os autores agradecem às seguintes entidades o apoio prestado à criação deste artigo:

Turismo Porto e Norte

Montes de Laboreiro

Reserve o seu passeio e actividades na Região da Peneda-Gerês no site, Facebook e App Montes de Laboreiro

Peneda-Gerês, Portugal

Do "Pequeno Tibete Português" às Fortalezas do Milho

Deixamos as fragas da Srª da Peneda, rumo ao vale do Vez e às povoações que um imaginário erróneo apelidou de “tibetanas”.  Dessas aldeias socalcadas, passamos por outras famosas por guardarem, como tesouros dourados e sagrados, as espigas que colhem. Caprichoso, o percurso revela-nos a natureza resplandecente e a fertilidade verdejante destas terras minhotas.
Terceira, Açores

Terceira: e os Açores continuam Ímpares

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. Estes são apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da Terceira especial não têm conta.
Flores, Açores

Os Confins Inverosímeis de Portugal (e da Europa)

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.

São Miguel, Açores

O Grande Éden Micaelense

Uma biosfera imaculada que as entranhas da Terra moldam e amornam exibe-se, em São Miguel, em formato panorâmico. São Miguel é a maior das ilhas portuguesas. E é uma obra de arte da Natureza e do Homem no meio do Atlântico Norte plantada. 

Pico, Açores

Com o Atlântico aos Pés

Por um mero capricho vulcânico, o mais jovem retalho açoriano projecta-se no apogeu de rocha e lava do território português. O Pico é a sua montanha aguçada mas não só. É um testemunho da resiliência e do engenho dos açorianos que domaram esta deslumbrante ilha e o oceano em redor.

Santa Maria, Açores

Ilha-Mãe dos Açores há só Uma

Foi a primeira do arquipélago a emergir do fundo dos mares, a primeira a ser descoberta, a primeira e única a receber Cristovão Colombo e um Concorde. Estes são alguns dos atributos que fazem de Santa Maria especial. Quando a visitamos, encontramos muitos mais.

Praia soleada
Arquitectura & Design

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Aventura
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-Braga, Nepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Cocquete
Cerimónias e Festividades

Napier, Nova Zelândia

De Volta aos Anos 30

Devastada por um sismo, Napier foi reconstruida num Art Deco quase térreo e vive a fazer de conta que parou nos thirties. Os seus visitantes rendem-se à atmosfera Great Gatsby que a cidade encena.

Marcha Patriota
Cidades

Taiwan

Formosa mas Não Segura

Os navegadores portugueses não podiam imaginar o imbróglio reservado à ilha que os encantou. Passados quase 500 anos, Taiwan prospera, algures entre a independência e a integração na grande China.

Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Combate
Cultura

Filipinas

Quando só os Galos Despertam um Povo

Banidas em grande parte do Primeiro Mundo, as lutas de galos prosperam nas Filipinas onde movem milhões de pessoas e de Pesos. Apesar dos seus eternos problemas é o sabong que mais estimula a nação.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Recanto histórico
Em Viagem

Tasmânia, Austrália

À Descoberta de Tassie

Há muito a vítima predilecta das anedotas australianas, a Tasmânia nunca perdeu o orgulho no jeito mais rude que aussie de ser e mantém-se envolta em mistério no seu recanto meridional dos antípodas.

Indígena Coroado
Étnico

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
História
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Detectamo-los por todo o lado, mesmo em tempos de paz. A maior parte dos que encontramos a postos, nas cidades, cumpre apenas missões rotineiras que requerem, acima de tudo, rigor e paciência.
Transbordo
Ilhas

Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a “Survivor”

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Santas alturas
Inverno Branco

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Suspeitos
Literatura

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Natureza
Miranda, Brasil

Maria dos Jacarés: o Pantanal abriga criaturas assim

Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Parques Naturais
Estradas Imperdíveis

Grandes Percursos, Grandes Viagens

Com nomes pomposos ou meros códigos rodoviários, certas estradas percorrem cenários realmente sublimes. Da Road 66 à Great Ocean Road, são, todas elas, aventuras imperdíveis ao volante.
Pastéis nos ares
Património Mundial Unesco

Campeche, México

Campeche Sobre Can Pech

Como aconteceu por todo o México, os conquistadores chegaram, viram e venceram. Can Pech, a povoação maia, contava com quase 40 mil habitantes, palácios, pirâmides e uma arquitetura urbana exuberante, mas, em 1540, subsistiam menos de 6 mil nativos. Sobre as ruínas, os espanhóis ergueram Campeche, uma das mais imponentes cidades coloniais das Américas.

Verificação da correspondência
Personagens

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Fila Vietnamita
Praia

Nha Trang-Doc Let, Vietname

O Sal da Terra Vietnamita

Em busca de litorais atraentes na velha Indochina, desiludimo-nos com a rudeza balnear de Nha Trang. E é no labor feminino e exótico das salinas de Hon Khoi que encontramos um Vietname mais a gosto.

Àgua doce
Religião

Maurícias

Uma Míni-Índia nos Fundos do Índico

No século XIX, franceses e britânicos disputaram um arquipélago a leste de Madagáscar antes descoberto pelos portugueses. Os britânicos triunfaram, re-colonizaram as ilhas com cortadores de cana-de-açúcar do subcontinente e ambos admitiram a língua, lei e modos francófonos precedentes. Desta mixagem, surgiu a exótica Maurícia.    

Em manobras
Sobre carris

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Ijen-Inferno
Sociedade

Vulcão Ijen, Indonésia

Escravos do Enxofre

Centenas de javaneses entregam-se ao vulcão Ijen onde são consumidos por gases venenosos e cargas que lhes deformam os ombros. Cada turno rende-lhes menos de 30€ mas todos agradecem o martírio.

Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.

Curiosidade ursa
Vida Selvagem

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.