Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro


Túnel de gelo

Marco C. Pereira dentro de um iceberg do Glaciar Valdez.

Glaciar Meares

O glaciar Meares detrás de um meandro florestado.

Prince William Sound

Florestas de coníferas do Prince William Sound.

Leões-Marinhos

Leões-marinhos no litoral de um fiorde nas imediações de Valdez.

Terminal petrolífero

Tanques do terminal petrolífero de Valdez, colocados a salvo de tsunamis.

Porto de Valdez

Embarcações no porto de Valdez.

Alasca frígido

Pequenos icebergs libertados pelo enorme glaciar Columbia, possivelmente semelhantes aos que provocaram o rombo no "Exxon Valdez".

Debaixo do azul

Viajantes asiáticos manobram um caiaque por baixo de um túnel de gelo do glaciar Valdez.

Gelo de Verão

Fragmentos de gelo nas imediações do glaciar Meares.

Lu Lu Belle

Um barco deixa o porto de Valdez para mostrar a visitantes da região os cenários extremos de Prince William Sound.

Jogada de antecipação

Jovem passageiro segura um leão-marinho de peluche, pouco depois de avistar várias colónias destes animais a sério.

Mini-Alasca

Ilhéu ínfimo nas imediações de Valdez.

De Fuga

Papagaio-do-mar foge da súbita aproximação de uma embarcação.

Conversa de Popa

Passageiros conversam e contemplam os cenários grandiosos do Prince William Sound.

Embarque

Amigos exploradores preparam-se para entrar de caiaque num lago alimentado pelo glaciar Valdez.

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.

Rainier personifica e protagoniza a vida genuína do Alasca, tão complexa e assumida que não deixa lugar a críticas ou reparos.Vem ao nosso encontro junto ao porto de Valdez, num dia de trabalho mais incomodativo que os restantes.

“Filho da mãe do chinês, desabafa sem pudor.” Logo hoje é que tinha que aturar aquilo”. “O namorado deixou-o e agora parece uma criança descontrolada a quem tiraram todos os brinquedos”. Gerry ri-se tranquilamente e tenta acalmá-la “Está tudo bem querida. Já não tens que voltar mais para lá, hoje”. E beijam-se pela quinquagésima vez.

Seguimos o jipe de Rainier até um atrelado plantado num trailer park nas proximidades do aeroporto local. À chegada informa-nos sem cerimónia: “É aqui. Eu vivo numa vivenda com o meu marido. Este atrelado, uso-o para estar com o Gerry.” “Fiquem à vontade. Eu já volto. Tenho que ir dizer ao Chris que já chegaram. Ele está cheio de vontade de vos conhecer.”

Gerry é distribuidor e vendedor da marca de refrigerantes Dr. Pepper, Chris é um dos responsáveis pela segurança da Alyesca Pipeline, a empresa que explora a conduta que traz o petróleo alasquense do longínquo oceano Árctico até ao Golfo do Alasca.

Em comum têm apenas Rainier e Valdez. Gerry foi em tempos colega de trabalho no bar de Pepe, um espanhol  ganancioso e mal visto, com negócios obscuros que brilharia em qualquer filme de Almodovar. Gerry é o namorado actual. Chris é o marido oficiosamente separado de Rainier e pai de Forest, a filha de ambos.

Conversa puxa conversa, vêm à baila a prosperidade de Valdez, concedida pelo ouro negro do Mar do Alasca. Rainier riposta motivada em impressionar-nos.

“Bom, se isso vos desperta curiosidade, ainda mais interessante vão achar o meu ex-marido. Ele sabe quase tudo sobre o petróleo do Alasca.”

Continuamos o repasto no atrelado com entusiasmo até que o bonacheirão Chris aparece com salmão seco, pedaços de alce e de foca, estes, embebidos na sua gordura, além de distintos doces de frutos silvestres, e assim renova o convívio à moda dos antepassados. Enquanto provamos as iguarias e admiramos algumas das suas esculturas em ossos penianos baculum de focas, morsas e leões-marinhos macho (oosik em vários dialectos nativos), Chris explica-nos melhor a sua improvável origem helénico-inupiaq e as lógicas étnicas do Alasca: como, por norma, a etnia Athabaskan – dispersa pelo sul do território e por grande parte do Lower 48 – é aquela com que os “verdadeiros” indígenas alasquenses mais embirram e como o termo esquimó não faz sentido nem ao seu grupo étnico inupiaq nem a nenhum outro. Em seguida, a conversa muda de rumo. Chris tem um irmão gémeo, Joe, que é considerado o Top Cop do Alasca e objecto de reportagens das principais publicações locais. Ele, por sua vez, há muito que trabalha para a Alyeska Pipelines Service Company, uma empresa do consórcio multimilionário Alyeska (grande terra, no dialecto arcaico aleuta) formado pelas  companhias proprietárias do sistema de condutas Trans-Alasca que exploram e comercializam o petróleo do 49º estado norte-americano.

“Uma das principais condições das autoridades nativas para autorizar a construção do sistema de condutas nas suas terras foi uma determinada cota de empregados indígenas ao serviço. Eu sou só um de muitos. Cheguei  a um cargo elevado e ganho bem (confessa-nos que uma média de 120.000 dólares por ano) mas tenho responsabilidade a condizer. A conduta tem 1300km. Quando não são proprietários frustrados, são os ambientalistas radicais e irracionais ou um maluco qualquer. Há sempre alguém interessado em danificar ou sabotar aquele cano.” Pelo que acrescenta, apuramos que a paranóia yankee se disseminou pelos confins da nação e contribui para o estado de permanente sobressalto. 

”No 11 de Setembro, espalhou-se por Valdez que os terroristas iam fazer despenhar um dos últimos aviões desviados sobre os reservatórios da cidade ou a conduta. Foi uma agonia em directo até que todos aterrassem.”

Na ocasião, a pequena cidade saiu incólume mas, em 1989, não teve a mesma sorte. Essa confirmou-se vinda do mar.

Três anos antes, a companhia National Steel and Shipbuilding de San Diego, Califórnia construiu duas embarcações gémeas com historiais díspares. O USNS Mercy foi adoptado como navio hospital pela Cruz Vermelha com o propósito de auxiliar missões humanitárias um pouco por todo o Mundo. O Exxon Valdez seria escalado para assegurar o transporte de crude entre o Alasca e a Califórnia. Como o nome na quilha deixava antever, Valdez seria uma das duas paragens obrigatórias dos percursos. Aquando da concretização do projecto de exploração do crude ao largo da costa norte do Alasca, confirmou-se a conclusão que o gelo ali impediria um fluxo regular e seguro de petroleiros, por mais reforçados que fossem. A alternativa passou por construir uma conduta a atravessar todo Alasca de norte para sul e encontrar, numa menor latitude, um porto livre de gelo compacto. Abrigada num dos vários fiordes do Prince William Sound, Valdez provou-se o local eleito para acolher esse terminal e os actuais 18 tanques. 

A economia da cidade, como a do estado, acelerou ao ritmo do transporte do combustível levado a cabo por uma média de 3 a 5 petroleiros por semana. Viria a ser vítima de negligência.

No dia 23 de Março, às 9.12 da noite, o Exxon Valdez zarpou para uma refinaria de Long Beach. Um piloto do porto guiou-o pelos estreitos de Valdez antes de devolver as manobras ao comandante. Este, desviou o petroleiro da pista de navegação normal para evitar icebergs que flutuavam ao largo do glaciar Columbia. Pouco depois, passou os comandos para dois outros tripulantes que ficaram encarregues da ponte. Diz-se que, por engano, o barco foi colocado em piloto automático. Logo após, o comandante obteve nova autorização para rejeitar a pista de saída – ainda obstruída pelo gelo flutuante – e permanecer na de entrada. Às 12.04 a.m. do dia 24 de Março, o Exxon Valdez mantinha-se numa rota errónea e colidiu com o recife de Bligh. O casco da embarcação era simples, em vez de reforçado, e não resistiu.

Muito graças à resposta tardia da companhia Exxon – que enfureceu a população local e os ambientalistas em geral – derramaram-se e espalharam-se pelos fiordes e canais do Prince William Sound e numa extensão de 2000km, um mínimo de 41 milhões dos 200 milhões de litros a bordo, naquele que foi considerado o maior desastre ecológico registado no Alasca. O impacto na natureza revelou-se brutal. Milhares de animais perderam a vida: entre 250.000 e 500.000 aves marinhas, mais de 1000 lontras, 300 focas, 250 águias pesqueiras e 22 orcas já para não falar dos biliões de ovos de salmão e arenque então depositados nas águas e do plancton que era a base da cadeia alimentar da região.

Valdez, grande parte das povoações do Prince William Sound e o Alasca em geral sofreram e viram as vidas das suas populações afectadas a vários níveis. Alguns anos depois, a zona parecia ter recuperado, pelo menos à superfície já que muito crude permanece como sedimento subterrâneo poluente do litoral e do leito do mar.

Rainier e Chris eram colegas de trabalho, criavam a sua recém-nascida filha Forest e prosperavam. Tal como a Meares, uma de várias empresas de navegação que nos permite fazer o derradeiro percurso fatídico do Exxon Valdez ao som de uma narrativa da tragédia e deslumbrarmo-nos com o “responsável” glaciar Columbia, com outros glaciares e icebergs imponentes e maravilhas naturais concorrentes das redondezas. Apesar das cicatrizes ambientais duradouras,  o recobro beneficiava toda a cidade, por onde voltariam a passar muitos milhares de litros de crude e de turistas, como Henry Kissinger ou o Rei Olavo V da Noruega, os participantes mais famosos de excursões que visitavam os pontos curiosos ou emblemáticos da pipeline.

São estes os visuais em que crescem os indígenas alasquenses que, como resumiu Rainier, se dividem em duas classes: os que conseguem estudar e ser empregados pela Alyesca Pipeline (como Chris) e os que não conseguem e se entregam ao álcool, ou no melhor dos casos, se submetem à vida árdua proporcionada pelas empresas de pesca e processamento de peixe como a Peter Pan Seafoods que emprega centenas de Sugpiacs, Yupiks, Tananas, Haidas e os “rivais” históricos oriundos do Lower 48, os Athabascans.

Agora que a região recuperou de vez do trauma ambiental e atrai mais visitantes que nunca, assim que o Verão se anuncia, juntam-se aos trabalhadores fixos, milhares de outros sazonais que, por três meses, fazem funcionar os negócios da cidade.

Encontramos, em Valdez, turcos, russos, polinésios de Tonga e Samoa e, claro está, os americanos mais jovens ou pobres que migram do Oregon, Washington, Montana, dos dois Dakotas e até do norte da Califórnia, atraídos pelos ordenados chorudos, pouco ou nada taxados.

Terminadas todas as disputas legais, a empresa-mãe, a Exxon, pagou mais de 600 milhões de euros em indemnizações. O Exxon Valdez, esse, foi proibido de voltar às redondezas. Depois das reparações, mudou várias vezes de nome e de áreas de acção. Em 2010, já na Ásia, denominado Dong Fang Ocean e registado no Panamá, colidiu no Mar da China do Sul com um cargueiro maltês. Ambos os navios ficaram bastante danificados. Em Março passado, foi comprado para sucata e, após uma complexa batalha judicial, acabou nas praias lodosas de Gujarat (região indiana) para ser desmantelado no estaleiro surreal de Alang, já sob o nome algo eufémico de Oriental Nicety.

A relação de Rainier e Chris também navegou por águas agitadas e acabou por se afundar sob inúmeras agruras conjugais. Foi restabelecida numa misteriosa e dinâmica versão tríptica. Por enquanto, goza de uma bonança que permite a convivência dos dois com Jerry. Cabe ao tempo decidir os rumos das suas vidas no Alasca, como o futuro lucrativo mas periclitante de Valdez.

Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.

Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Denali, Alasca

O Tecto Sagrado da América do Norte

Os indígenas Athabascan chamaram-no Denali, ou o Grande e reverenciam a sua altivez. Esta montanha deslumbrante suscitou a cobiça dos montanhistas e uma longa sucessão de ascensões recordistas.

Glaciares

Planeta Azul-Gelado

Formam-se nas grandes latitudes e/ou altitudes. No Alasca ou na Nova Zelândia, na Argentina ou no Chile, os rios de gelo são sempre visões impressionantes de uma Terra tão frígida quanto inóspita.

Sitka, Alasca

Memórias de Uma América que Já foi Russa

134 anos após o início da colonização, o czar Alexandre II teve que vender parte do actual 49º estado dos EUA. Em Sitka, encontramos heranças desses colonos e dos nativos que os combateram.

Juneau, Alasca

Na Capital Diminuta do Grande Norte

De Junho a Agosto, Juneau desaparece por detrás dos navios de cruzeiro que atracam na sua doca-marginal. Ainda assim, é nesta cidade ínfima que se decidem os destinos do 49º estado norte-americano.

Talkeetna, Alasca

Vida à Moda do Alasca

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.

Prince William Sound, Alasca

Alasca Colossal

Encaixado contra as montanhas Chugach, Prince William Sound abriga alguns dos cenários descomunais do 49º estado. Nem sismos poderosos nem uma maré negra devastadora afectaram o seu esplendor natural.

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Wilkommen in Africa
Arquitectura & Design

Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.

Lenha
Aventura

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Coragem
Cerimónias e Festividades

Pentecostes, Vanuatu

Bungee Jumping para Homens a Sério

Em 1995, o povo de Pentecostes ameaçou processar as empresas de desportos radicais por lhes terem roubado o ritual Naghol. Em termos de audácia, a imitação elástica fica muito aquém do original.

O Semáforo de Mao
Cidades

Pequim, China

O Coração do Grande Dragão

É o centro histórico incoerente da ideologia maoista-comunista e quase todos os chineses aspiram a visitá-la mas a Praça Tianamen será sempre recordada como um epitáfio macabro das aspirações da nação

Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Casal Gótico
Cultura

Matarraña a Alcanar, Espanha

Uma Espanha Medieval

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Desporto
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Uma Espécie Sempre à Prova

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Pedaço de Maldivas
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Maldivas

De Atol em Atol

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Pesca no Paraíso
Étnico

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Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
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Aurora fria II
Inverno Branco
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Silhueta e poema
Literatura

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Uma Escritora à Margem do Mundo

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Um Apocalipse Televisionado
Natureza

La Palma, Espanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Vista de Selkirk
Parques Naturais

Ilha Robinson Crusoe, Chile

Na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe

Abençoado repouso
Património Mundial Unesco

Hoi An, Vietname

O Porto Vietnamita Que Ficou a Ver Navios

Hoi An foi um dos entrepostos comerciais mais importantes da Ásia. Mudanças políticas e o assoreamento do rio Thu Bon ditaram o seu declínio e preservaram-na como as cidade mais pitoresca do Vietname.

Gang de 4
Personagens

Tombstone, E.U.A.

A Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.

Cap 110
Praia

Martinica, Antilhas Francesas

Caraíbas de Baguete debaixo do Braço

Circulamos pela Martinica tão livremente como o Euro e as bandeiras tricolores esvoaçam supremas. Mas este pedaço de França é vulcânico e luxuriante. Surge no coração insular das Américas e tem um delicioso sabor a África.

Paz & Amor
Religião

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

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Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
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Em 1603, o shogun Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é frequentemente invadido por uma turba ansiosa por evasão.

O projeccionista
Vida Quotidiana

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Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Trio das alturas
Vida Selvagem

PN Manyara, Tanzânia

Na África Favorita de Hemingway

Situado no limiar ocidental do vale do Rift, o parque nacional lago Manyara é um dos mais diminutos mas encantadores e ricos em vida selvagem da Tanzânia. Em 1933, entre caça e discussões literárias, Ernest Hemingway dedicou-lhe um mês da sua vida atribulada. Narrou esses dias aventureiros de safari em “As Verdes Colinas de África”.

Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.