Singapura

A Ilha do Sucesso e da Monotonia


Repuxo Merlion

Estátua de Merlion, a criatura meio peixe meio leão símbolo de Singapura projecta um repuxo sobre o mar da Marina Bay.

Rua do lampião

Lampiões vermelhos enfeitam uma rua sobrelotada durante uma época festiva da Chinatown de Singapura.

Meia bola e força

Paragem de autocarro transformada promove um campeonato de snooker a ter lugar em Singapura.

Sino-arquitectura

Um prédio decorado com caracteres chineses destaca-se do casario típico da Chinatown.

Numa espécie de Trono

Denise Ang, uma jovem singapurense de origem chinesa, à data, directora do Hotel Scarlett.

The Clinic

Jovens conversam sobre as camas de hospital instaladas pelo clube nocturno The Clinic.

Multidão multiétnica

Transeuntes de distintas etnias cruzam-se ao longo da Orchard Rd, uma avenida moderna de Singapura.

Estátua ao Fundador

Estátua de Sir Stamford Raffles, o inglês ambicioso que, contra todas as probabilidades fundou Singapura em 1819 e fez da ilha um território invejado.

Tempo de repouso

Condutor de rickshaw a pedal descansa sobre o seu veículo.

Requinte

Mulher atravessa uma velha ponte de ferro nas imediações do Fullerton Hotel, uma das zonas mais sofisticadas de Singapura.

Paredes garridas

Bicicleta repousa encostada contra uma fachada viva do bairro malaio de Kampong Glam.

Céu como limite

Arranha-céus da Marina Bay vistos do Clarque Quay de Singapura.

Exercício colectivo

Habitantes de Singapura fazem ginástica sob um prédio de escritórios junto ao Clarque Quay.

Compras à pressa

Mulheres singapurenses de etnia malaia deixam uma loja de roupa do distrito de Kampong Glam.

Noite Púrpura

Um bar de Singapura. Até meio da década de 80, a vida nocturna de Singapura era restringida pelo Nanny State da ilha. A partir de então, não parou de aumentar.

Em Nome da Saúde

Recepcionista à entrada do clube nocturno The Clinic, um dos mais originais de Singapura.

Convívio à beira-rio

Família conversa numa margem do rio Singapura, na zona de Clarke Quay.

Religião e modernidade

Cúpula dourada de uma mesquita de Kampong Glam contrasta com a arquitectura moderna de um prédio em frente.

Burguer-talk

Amigas põe as novidades em dia numa hamburgaria do Clarke Quay.

Negócio itinerário do ano

Erich Sollbok ganhou um Prémio Spirit of Enterprise e muitos dólares singapurenses graças ao itinerário asiático que cumpriu com as suas "Wuerstelstand", bancas em que vendia salsichas austríacas.

Vista da Marina Bay

O edifício revolucionário da Esplanade – Theatres on the Bay, à esquerda da imagem.

Anoitecer na Chinatown

Crepúsculo apodera-se da Chinatown de Singapura, decorada de forma especial por estar em festa.

Na moda

Uma transeunte passa pela fachada iluminada de uma loja de roupa.

Damas coloridas

Moradores disputam uma partida de damas num tabuleiro cheio de cor.

Néons bilingues

Neónes da Chinatown anunciam negócios do bairro.

Habituada a planear e a vencer, Singapura seduz e recruta gente ambiciosa de todo o mundo. Ao mesmo tempo, parece aborrecer de morte alguns dos seus habitantes mais criativos.

Apesar de toda a sua ambição, o fundador da cidade de Singapura, Stamford Raffles, não podia imaginar a visão que tem da sua ex-colónia quem, como nós, chega por mar.

A ilha indonésia de Batam está quarenta minutos para trás

. À medida que o ferry serpenteia por entre a vasta frota de petroleiros e cargueiros que percorre o estreito de Singapura, torna-se mais nítida a silhueta novaiorquina, formada pela linha de arranha-céus do CDB (Central Business District). Para quem vem de mês e meio no m

aior país muçulmano do mundo, terminado no interior de Sumatra, aquele horizonte cinzento deixa antever uma espécie de retorno a um mundo não igual, mas do tipo do que conhecemos.

O ferry contorna a ilha de Sentosa e atraca na doca de Harbour Front. Assim que de

sembarcamos, deparamo-nos com a sofisticação tecnológica com que se processa o controle fronteiriço. Não restam dúvidas: estamos de volta à modernidade pura e dura. Há caixas multibanco reluzentes, passadeiras rolantes e vários balc&otil

de;es de apoio ao turista, repletos de informação; sobressaem anúncios a produtos familiares e reconhecemos os franchisings, dos mais óbvios aos menos populares. Regressamos à esfera capitalista; o MRT – Mass Rapid Transit – parte dali com ligações aos recantos mais longínquos da ilha. Não se pode comer, fumar e transportar duriões malcheirosos no metro. Deixa de haver lugar para o desleixo, tomado pelas proibições.

Singapura ocupa actualmente uma área de 6823 km2, atravessada pelo rio homónimo. Os arranha-céus que vislumbrámos do ferry ficam a sul da foz, contíguos à Marina Bay. Em conjunto, estas duas zonas formam a parte mais imponente da cidade. Instalamo-nos à pressa na proximidade do bairro de Little India, e é nessa mesma tarde, que inauguramos a descoberta dos lugares mais emblemáticos da ilha .

A Esterilidade Funcional de Singapura

Continuamos a acompanhar o rio Singapura seguindo a movimentação dos seus sampans, os barcos típicos de casco com listas garridas e providos de olhos. Quando não atracados no Clifford Pier, cruzam o rio em direcção à marginal das esplanadas, situada logo ao lado do CBD para facilitar a vida dos executivos que assim que deixam os escritórios, ali se instalam em grupos barulhentos, para beber uns copos e depois jantar. Até a vida de rua, em Singapura, é programada ao pormenor e demasiado fácil. 

Desta zona de refeições, rio acima, até aos Clarke, Boat e Robertson Quays, onde se concentra a vida nocturna, é só um pulo, ou uma estação de MRT. Tudo por aqui está organizado, de tal forma que, para não perturbar em demasia a harmonia da ilha, até há três décadas atrás, a vida nocturna era limitada ao mínimo possível com os poucos estabelecimentos permitidos a fecharem tão cedo que mal tinham tempo para lucrar.

Entretanto, até por razões económicas (nenhum jovem executivo promissor se quereria mudar para um país sem vida nocturna) o panorama foi-se alterando.

Hoje, os bares e as discotecas como o The Clinic, o The Cannery ou o Ministry of Sound ostentam imagens de marca fortes e decorações temáticas hiper-criativas. Os clientes, esses, provenientes dos quatro cantos do mundo, transpiram estilo e sofisticação e pagam o que for necessário pela entrada nos clubes da moda. Para que a chuva, frequente, não perturbe este festival de glamour, as ruas do Clarke Quay foram dotadas de coberturas de vidro. Até quando os seus filhos e enteados se preparam para entrar num bar com striptease o Nanny State singapurense está presente, a evitar que se constipem. Como pudemos constatar, alguns não estão preparados para tanto mimo.

Um dos comentários frequentes dos singapurenses mais exigentes acerca do seu próprio país é: “Isto aqui é tão estéril”.

Não são precisos muitos dias para compreendermos a que se referem. Percebemos também que a segunda queixa mais comum se prende com o isolamento. Em termos civilizacionais, a maior parte dos singapurenses – excepção feita para a etnia malaia – e dos ocidentais ali expatriados sentem-se fisicamente cercados pelo vasto mundo muçulmano em redor. Mas a questão também não acaba aí.

Situada logo acima do equador, Singapura parece viver dentro de uma panela de pressão. O calor e a humidade são opressivos. Quando não há sol, nuvens densas e altas, vindas da Indonésia com o vento de monção, pairam sobre o país, ameaçadoras, e, a qualquer momento, descarregam em bátegas diluvianas, acompanhadas de trovoadas fulminantes. Se as nuvens abrem um pouco, a luz solar incide tão forte que branqueia um panorama já de si, dominado pelo aço e o cimento.

Não é que faltem jardins e outros espaços verdes mas, como se queixava um motorista de táxi, demasiados edifícios históricos porque se lembrava de passar deram lugar a construções modernas sem alma. Parece que a ilha está tão preocupada em facturar para triunfar – o espírito singapurense kiasu criticado pelos vizinhos malaios e indonésios – que não se apercebe do seu aspecto pré-fabricado. 

Quando passamos sobre a Elgin Bridge, somos abordados por uma holandesa que percebe que também somos estrangeiros. Pergunta-nos o que estamos a achar. Hesitamos na resposta. Ela aproveita para acrescentar: “Estou cá há dois dias e até agora só vi lojas e galerias comerciais… não me aconselham nada mais genuíno?“ Enviamo-la para a Little India, no Domingo que se aproxima. Avisamos, obviamente, que vai mudar de país por uns tempos.

Perante o seu desapontamento, estava fora de questão aconselhar o Kampong Glam, o distrito malaio dominado pela Mesquita do Sultão e pelas boutiques caras. Muito menos a Chinatown, em que vagueiam milhares de visitantes ávidos por gastar e onde, sob a arquitectura típica dos edifícios coloniais coloridos, se escondem mais lojas orientadas para o turista; mais empregados de esplanada que exigem o pagamento da despesa de forma seca, assim que despejam a bandeja.

Quando visitamos o distrito chinês, balançam candeeiros de papel vermelhos. Assinalam o aproximar de nova época de celebrações chinesas, a culminar com a inauguração de um novo templo budista, o Tooth Relic Temple. Vamos investigar a obra e reparamos que parte considerável dos trabalhadores são indianos. Como, se não bastasse, alguns metros à frente, mas em pleno coração da Chinatown, achamos  o templo dravidiano Sri Mariamman, com o seu gopuram (torre repleta de divindades) sobre a portada. Somos atraídos por trajes garridos e cânticos exóticos e entramos para observar a cerimónia que se revela fascinante e hipnótica. De um momento para o outro, a estéril e aborrecida Singapura de que se queixam os singapurenses surpreende. 

A noite já se apodera do Sudeste Asiático quando chegamos à majestosa Marina Bay, a que os imigrantes trazem as famílias de visita para lhes exibir a magia do lusco-fusco quando as luzes das ruas e dos escritórios nas alturas se acendem, a pouco e pouco, e pintam o cenário – durante o dia deslavado – de todas as cores. O ponto de observação eleito, permanentemente repleto de locais e estrangeiros equipados com máquinas de fotografar e filmar, é o Merlion Park, um cais com plataforma panorâmica sobre a àgua de que se destaca a estátua enorme do estranho meio-peixe, meio-leão designado, em 1960, como mascote de Singapura.

Aceitam-se estrangeiros. Excelente ambiente de trabalho

A sobrevivência e posterior riqueza asseguradas por Singapura contra todas as probabilidades, após a expulsão da Federação da Malásia, deveu-se essencialmente aos programas de industrialização e urbanização levado a cabo por Lee Kuan Yew. 

Por volta dos anos 90, a cidade tinha o maior rácio de posse de casas do mundo e, apesar da ausência total de matérias-primas, o fabrico e exportação de produtos de alta-tecnologia assegurou-lhe o bem-estar da sua população e um papel de destaque na esfera económica mundial. 

Esta bonança foi e continua a ser ameaçada pela ascenção súbita de países concorrentes com custos de produção muito mais baixos, sendo a China o caso óbvio.

De 33% dos seus 2.5 milhões de trabalhadores há dez anos atrás, a força produtora industrial encolheu para apenas 20%. Como consequência directa, os singapurenses perderam poder de compra. Confrontados com a crise, os mais novos passaram a procurar emprego no estrangeiro. Os que ficam têm cada vez menos filhos. 

Os números são claros: Singapura debate-se com um grave problema de estagnação mas trabalhar na solução faz já algum tempo. Literalmente. Desde 2008, 2009 que as gruas e escavadoras não param.

O objectivo, herculiano, então estabelecido foi passar rapidamente de 4.4 para 6 milhões de habitantes recrutando empresas e trabalhadores qualificados de outros países. O governo chegou à conclusão de que a fama de entreposto comercial próspero mas, aborrecido, era, de certa forma, merecida. Resolveu contra-atacar transformando a ilha de Sentosa – situada apenas a 500 metros da costa sul de Singapura – num mega-parque de diversões ligado a Harbour Front por uma linha de MRT.

Foram importadas centenas de toneladas de areia para criar praias artificiais. Protegeram-se as novas praias da corrente, do tráfego marítimo infernal do estreito de Singapura e da vista desagradável das suas refinarias recorrendo a enormes muros de pedra de que brotam coqueiros e palmeiras.

Além das praias, várias outras atracções surgiram do nada: museus, um Water World com SPA, uma torre e teleférico panorâmicos, cinemas, espectáculos multimédia, campos de golf e pistas de bicicleta, para mencionar apenas uma ínfima parte. A juntar ao pacote, foram construídos condomínios de habitação VIP que os promotores estão a fazer tudo, mas mesmo tudo, para despachar, incluindo promovê-los em enormes outdoors com imagens dos areais de Sentosa tão pós-produzidas e falsas que mais parecem o Caribe. 

Mas a batalha contra a estagnação não se ficou por aqui e obrigou a concessões inesperadas por parte dos senhores das leis. Até 2002, os clubes nocturnos eram proíbidos, em Singapura, e o jogo mantinha-se tema tabu. De um momento para o outro, tudo mudou. 

Na orla leste da Marina Bay, foram erguidos novos edifícios que a urbanizaram por completo: as torres triplas do complexo Marina Bay Sands, um casino-resort gigantesco construído com arquitectura revolucionária pelo operador Las Vegas Sands que, quando completo (em 2009) disponibilizou mais de 2500 quartos de hotel, um centro comercial atravessado por canais, uma pista de patinagem no gelo, dois teatros cada um com 2000 lugares, destinados a espectáculos da Broadway e um museu. A partir da última torre deste empreendimento para oeste e até à proximidade do CDB surgiram mais arranha-céus destinados a albergar as empresas que empregaram os esperados imigrantes.

Após sacrificar alguns dos seus antigos princípios em nome da sobrevivência da nação, Lee Kuan Yew, transformou-se num dos vendedores mais activos do projecto. A metamorfose foi tal que, no seu discurso anual do Ano Novo Chinês, depois de menções a acordos de comércio livre e fortalecimento de laços políticos na região, passou para referências repetidas a jantares ao ar livre, bandas de jazz, vela, windsurf e pesca, tentando impingir a qualidade de vida superior com que pensava atrair trabalhadores especializados estrangeiros. Como resumiu: “Singapura será uma versão tropical de Nova Iorque, Paris e Londres numa só”.

Perante expectativas tão elevadas, há que pensar positivo. Se o plano de Kuan Yew falhar, Singapura será sempre uma cidade-país invulgar, com uma fascinante população multiétnica e uma das gastronomias mais variadas do mundo.

Da vingança de Raffles ao paternalismo de Lee Kuan Yew

Após Napoleão ter invadido a Holanda, em 1795, os Britânicos procuraram a todo o custo evitar uma expansão da França nos territórios do Sudeste Asiático e ocuparam Malaca e Java. Com a derrota dos franceses na Europa, decidiram-se pela devolução desses territórios aos holandeses. A medida permitiu evitar um provável conflito e consolidar a cada vez mais rentável presença britânica na Península Malaia. Não evitou, no entanto, o enorme ressentimento do Tenente-Governante de Java, Stamford Raffles, que viu todo o seu trabalho ser entregue a uma potência concorrente quando sentia que a Grã-Bretanha, a nação mais poderosa da Europa, devia estender a sua influência no Sudeste Asiático. 

Humilhado mas não vencido, Raffles persuadiu a East India Company que o estabelecimento de uma colónia na ponta da península malaia era fulcral para lucrar com a rota marítima entre a China e a Índia. Em 1819, Raffles desembarcou em Singapura, então, parte do sultanato de Johor. Imiscuindo-se em conflitos de sucessão e linhagem, depressa conquistou a protecção de uma das partes e o direito a construir um entreposto comercial. Cinco anos depois, assinou um segundo tratado que entregava Singapura à Grã-Bretanha em troca de dinheiro e uma pensão vitalícia a ser paga ao sultão que apoiara e a um chefe local.

Em apenas cinco anos, o seu novo território surgia no mapa. O próximo plano de Raffles era fazer dele um bastião económico do Império Britânico, apostando em não cobrar taxas pelas transacções comerciais.

Por essa altura, Singapura era habitada por cerca de 150 pescadores malaios e agricultores chineses. Com a perspectiva

da “adopção” britânica e da riqueza anunciada pelo projecto, acorreram à ilha milhares de outros chineses e malaios. Alguns dos primeiros desposaram mulheres malaias e formaram o povo e a cultura Perakanan (meia-casta) .

Em 1821, a população de Singapura (do malaio Singa=leão + Pura=cidade) contava 10.000 habitantes. Tal como planeado, o porto atraía cada vez mais comércio e a colónia evoluía a olhos vistos, entretanto com o contributo de milhares de indianos recrutados por Raffles que os considerava mais aptos para a construção de edifícios e dos caminhos de ferro.

Foram erguidas ruas amplas com lojas e passadiços cobertos, docas, igrejas e até um jardim botânico. Toda a obra tinha como fim fazer de Singapura uma colónia imponente e importante do império.

Curiosamente, em termos sociais, a estratégia de Raffles passava por dividir e administrar a população de acordo com a sua origem étnica. Já nessa altura, europeus, indianos, chineses e malaios viviam nos seus bairros respectivos.

Mais recentemente, passado o susto da invasão japonesa da 2ª Guerra Mundial e separação forçada pela expulsão da Federação da Malásia (a quem os britânicos haviam já concedido a independência), causada pela recusa da ilha em conceder privilégios institucionais aos malaios residentes, em 1965, Singapura seguiu o seu próprio caminho receosa do que o futuro guardava.

Com a saída dos britânicos da cena política, a gestão do território ficou entregue aos chineses do People Action Party (PAP). Estes, ao longo das vigências paternalísticas de Lee Kuan Yew – um advogado educado em Cambridge que governou mais de 30 anos – e Goh Chok Tong – no poder de 1990 até muito recentemente – elevaram Singapura do terceiro mundo ao primeiro, utrapassando problemas tão graves como a crise cambial asiática de 1997 e conseguiram recuperar o passado  de prosperidade herdado dos britânicos.

Com o avançar dos anos, a estrutura étnica da população de Singapura definiu-se inequivocamente. Hoje, dos seus 3.3 milhões de habitantes fixos, 77% são chineses; 14% malaios e 8% indianos. Vivem, ainda, permanentemente na ilha, 1.1 milhões de estrangeiros que trabalham nas muitas multinacionais com sedes e sucursais no país. 

Valletta, Malta

As Capitais Não se Medem aos Palmos

Por altura da sua fundação, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários apodou-a de "a mais humilde". Com o passar dos séculos, o título deixou de lhe servir. Em 2018, Valletta será a Capital Europeia da Cultura mais exígua de sempre e uma das mais recheadas de história e deslumbrantes de que haverá memória.

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Little India, Singapura

Singapura de Sari

São uns milhares de habitantes em vez dos 1.3 mil milhões da pátria-mãe mas não falta alma à Little India, um bairro da ínfima Singapura. Nem alma, nem cheiro a caril e música de Bollywood.

Brasília, Brasil

Da Utopia à Euforia

Desde os tempos do Marquês de Pombal que se falava da transferência da capital para o interior. Hoje, a cidade quimera continua a parecer surreal mas dita as regras do desenvolvimento brasileiro.

Sentosa, Singapura

O Recreio de Singapura

Foi uma fortaleza em que os japoneses assassinaram prisioneiros aliados e acolheu tropas que perseguiram sabotadores indonésios. Hoje, a ilha de Sentosa combate a monotonia que se apoderava do país.

Oslo, Noruega

Uma Capital Sobrecapitalizada

Um dos problemas da Noruega tem sido decidir como investir os milhares milhões de euros do seu fundo soberano recordista. Mas nem os recursos desmedidos salvam Oslo das suas incoerências sociais.

Arquitectura & Design
Cemitérios

A Última Morada

Dos sepulcros grandiosos de Novodevichy, em Moscovo, às ossadas maias encaixotadas de Pomuch, na província mexicana de Campeche, cada povo ostenta a sua forma de vida. Até na morte.
Lenha
Aventura

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Bebé entre reis
Cerimónias e Festividades

Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.

Verde sem fim
Cidades
Terceira, Açores

Terceira: e os Açores continuam Ímpares

Foi chamada Ilha de Jesus Cristo e irradia, há muito, o culto do Divino Espírito Santo. Abriga Angra do Heroísmo, a cidade mais antiga e esplendorosa do arquipélago. Estes são apenas dois exemplos. Os atributos que fazem da Terceira especial não têm conta.
Comodidade até na Natureza
Comida

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Gentlemen Club & Steakhouse
Cultura

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Fogo-de-artifício branco
Desporto

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Verão Escarlate
Em Viagem

Valência a Xàtiva, Espanha

Do outro Lado da Ibéria

Deixada de lado a modernidade de Valência, exploramos os cenários naturais e históricos que a "comunidad" partilha com o Mediterrâneo. Quanto mais viajamos mais nos seduz a sua vida garrida.

Torres Kanak
Étnico

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O Grande Calhau do Pacífico do Sul

James Cook baptizou assim a longínqua Nova Caledónia porque o fez lembrar a Escócia do seu pai, já os colonos franceses foram menos românticos. Prendados com uma das maiores reservas de níquel do mundo, chamaram Le Caillou à ilha-mãe do arquipélago. Nem a sua mineração obsta a que seja um dos mais deslumbrantes retalhos de Terra da Oceânia.

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Viagem Pelo Pseudo-Alcatrão do Usbequistão

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Ilha de um Moçambique Ido

Foi fortificada, em 1791, pelos portugueses que expulsaram os árabes das Quirimbas e se apoderaram das suas rotas comerciais. Tornou-se o 2º entreposto português da costa oriental de África e, mais tarde, a capital da província de Cabo Delgado. Com o fim do tráfico de escravos na viragem para o século XX e a passagem da capital para Porto Amélia, Ibo viu-se no fascinante remanso em que se encontra.

Esqui
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Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

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A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Casinhas de outros tempos
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Um Clã “Francês” à Mercê do Fogo

Em 1870, um conde nascido em Grenoble a caminho de um exílio brasileiro, fez escala em Cabo Verde onde as beldades nativas o prenderam à ilha do Fogo. Dois dos seus filhos instalaram-se em plena cratera do vulcão e lá continuaram a criar descendência. Nem a destruição causada pelas recentes erupções demove os prolíficos Montrond do “condado” que fundaram na Chã das Caldeiras.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Caminhada Suprema
Parques Naturais

Savuti, Botswana

O Domínio dos Leões Comedores de Elefantes

Um retalho do deserto do Kalahari seca ou é irrigado consoante caprichos tectónicos da região. No Savuti, os leões habituaram-se a depender deles próprios e predam os maiores animais da savana.

Parking de Kalesas
Património Mundial Unesco

Vigan, Filipinas

A Mais Hispânica das Ásias

Os colonos espanhóis partiram mas as suas mansões estão intactas e as kalesas circulam. Quando Oliver Stone buscava cenários mexicanos para "Nascido a 4 de Julho" encontrou-os nesta ciudad fernandina

Verificação da correspondência
Personagens

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Pedaço de Maldivas
Praia

Maldivas

De Atol em Atol

Trazido de Fiji para navegar nas Maldivas, o Princess Yasawa adaptou-se bem aos novos mares. Por norma, bastam um ou dois dias de itinerário, para a genuinidade e o deleite da vida a bordo virem à tona.

Paz & Amor
Religião

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A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Mini-snorkeling
Sociedade

Ilhas Phi Phi, Tailândia

De regresso a “A Praia”

Passaram 15 anos desde a estreia do clássico mochileiro baseado no romance de Alex Garland. O filme popularizou os lugares em que foi rodado. Pouco depois, alguns desapareceram temporária mas literalmente do mapa mas, hoje, a sua fama controversa permanece intacta.

Um
Vida Quotidiana

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Abastecimento
Vida Selvagem

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.