Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar


A galope

Joquéis conduzem camelos numa eliminatória da corrida de camelos do festival, realizada nas Sam Sam Dunes, a 40km de Jaisalmer.

Festival dos sentidos

Uma dançarina transsexual hijra, dança atrás de um grupo de músicos rajputs.

ContraLuz

Público feminino tenta apreciar o cortejo que inaugura o Festival do Deserto, a ter lugar contra o sol da manhã.

Utsav Fashion

Jovens participantes montam camelos ao longo de uma ruela que liga o lago Gadisar à base da fortaleza de Jaisalmer.

Celebração rosada

Troupe de rajputs celebram o Festival do Deserto de forma efusiva.

Moda rajasthani

Um rajput com bigode e barba extravagantes, eventual participante no concurso de Mr. Desert.

Séquito barbudo

Um concorrente da prova de Mr. Desert chega ao estádio Sahid Poonam Singh sobre um camelo.

À sombra

Participante no cortejo inaugural do Festival do Deserto, já em pleno estádio Sahid Poonam Singh.

Banda do deserto

Músicos da banda a camelo, desmontados após o cortejo ter já terminado no estádio Sahid Poonam Singh de Jaisalmer.

Em caravana

Participantes num concurso de camelos desfilam em frente à bancada única do estádio Dedansar, nos arredores de Jaisalmer.

Pauliteiros do deserto

Pauliteiros exibem uma sua dança no intervalo das competições realizadas no estádio Dedansar.

Convívio nas areias

Donos de camelos aguardam o início da corrida de camelos à beira da estrada que atravessa as Sam Sam Dunes.

Fraternidade das areias

Gesto de afecto entre dois irmãos donos de camelos, nas Sam Sam Dunes.

Rei sobre rodas

Um dos motoqueiros que protagonizam a espécie de "Poço da Morte" nas dunas de Sam Sam.

Bancada central

Bancada improvisada no cimo de uma haveli, durante o cortejo inaugural do Festival do Deserto.

Montada decorada

Militar indiano sobre um camelo trajado à moda rajastani.

Uma assistência garrida

Bancada multicolor do estádio Sahid Poonam Singh repleta dos saris das mulheres rajastani. 

Puro interesse

Espectadores do deserto seguem as corridas de camelos realizadas nas Sam Sam Dunes.

 

Trio do sol

Donos de camelos descem do cimo das Sam Sam Dunes, depois de uma tarde a venderem pequenos passeios no deserto ao público atraído pelo festival.

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.

Dia 1 – O Desfile

O encanto da noite passada no cimo da fortaleza de Mil e Uma Noites de Jaisalmer e o cansaço acumulado durante a longa viagem desde Varanasi (26h seguidas a bordo do Howrah – Jodhpur Express mais 5h de autocarro) fazem-nos ignorar o desper

tador. Desperta-nos o receio de perdermos a inauguração do Festival do Deserto da cidade. Levantamo-nos, assim, em sobressalto, rearranjamos as mochilas e saímos disparados. Percorremos as ruelas cimeiras do forte. Descemos quase em corrida até à sua entrada onde, provavelmente por ali passar o cortejo, nenhum dos riquexós da habitual frota lá nos esperava. Prosseguimos por outras vielas sinuosas até darmos com o Satya Dev Park e com a Gadisar Rd. a avenida desafogada nas imediações do lago homónimo. A comoção e a confusão geradas pelo evento concentram-se por ali e as iniciativas voluntariosas dos polícias e sinaleiros pouco ou nada as aliviam. Atravessamos a Gadisar Rd. Do lado de lá, distintos agrupamentos de músicos, dançarinos e de donzelas trajados à boa moda sedosa e exuberante do Rajastão, convivem e ensaiam os seus dotes. Um grupo de pauliteiros exibe distintas coreografias, o carmesim dos angrakhas, dos dhotis e pyjamas e o laranja intenso dos pagaris, os turbantes simples ou elaborados usados pelos rajputs em geral e que, em muitos casos, definem a casta a que pertencem, a sua religião, e até o seu estatuto social e económico.

Para cima na rua, centenas de damas rajastanis envoltas em ghagras (espécie de saris) garridos, enfeitadas com a prolífica bijuteria da região e com as mãos adornadas por intrincadas pinturas mahendis, portam, cada qual, uma vasilha de metal à cabeça. Aguardam aquém de uma fila paralela de músicos de uma banda montada em camelos e dromedários. Na dianteira da parada, uma dançarina transexual hijra em vestes tão ou mais exóticas que as demais damas concentra as atenções do público com a subtileza e a sensualidade de um complexo rodopio.

Por fim, os músicos recebem indicação para tocarem em marcha e inauguram o cortejo Shoba Yatra. Corremos para os anteciparmos. Não tardamos a perceber que o desfile subiria a rua por que havíamos chegado.

Jaisalmer tinha adiado por algumas horas a azáfama habitual do seu dia-a-dia para assistir ao cortejo. Na expectativa, milhares de espectadores entusiasmados disputavam ambos os lados das ruela, ora sobre o asfalto, ora um nível acima, sobre os passeios elevados na extensão das fachadas das havelis, os edifícios seculares de arenito, rendilhados e encantadores, da cidade.

Passam por nós os músicos. Seguem-se os pauliteiros e as dançarinas. E, logo, uma comitiva de foliões, distinguidos por vestimentas brancas coroadas por turbantes cor-de-rosa. Livre de qualquer exibição artística, a sua troupe celebra o dia e o festival como nenhuma outra, entregue a cânticos populares e a pregões que entoam, uns virados para os outros de mãos apontadas ao céu. Sucedem-se os músicos da banda montada a camelo e outros participantes, com direito a tal montada por ostentarem alguns dos bigodes e/ou barbas mais longos e deslumbrantes do Rajastão.

O desfile contorna o sopé da encosta que acolheu o forte e a rotunda de Hanuman. Corta para a avenida homónima e desvia para o interior do estádio Sahid Poonam Singh. Como seria de esperar nestas partes áridas da Índia, o recinto é de terra batida. De acordo, à sua passagem, os camelos levantam uma poeira que o vento atira sobre a bancada do recinto, repleta de crianças e de mulheres que, enfiadas em saris vermelhos, laranja e rosa formam a assistência mais garrida que alguma vez pudemos apreciar.

O desfile encerra-se diante deste público folclórico, mas também do mais altivo e formal da bancada VIP, preenchida com políticos e altos dignitários vindos de diferentes partes da India e do estrangeiro para, com a sua presença, honrarem e louvarem Jaisalmer e o festival.

Então, os camelos são conduzidos para fora do estádio.  Os restantes desfilantes debandam para a aridez do campo de futebol onde se deixam fotografar com o público ansioso. Pouco depois, removem parte dos trajes da cerimónia que, debaixo do calor do meio-dia, os oprimem e fundem-se com a multidão, já dividida em sectores estabelecidos por cordas.

Seguem-se diversas competições de que se destacam as provas de Mr. Desert – em que competem os bigodes mais longos e felpudos do Rajastão – e uma outra de colocação de turbantes. Esta, tem início com uma disputa mais séria levada a cabo pelos concorrentes nativos. E continua com outra que envolve participantes forasteiros, entre os quais, um ou dois portugueses. Os eventos do dia são encerrados uma hora depois, a tempo de evitar que a fornalha verspertina causasse baixas. Regressa à noite, de novo num modo de palco, com música ao vivo, acrobacias dos ginastas locais Kalabazes, espectáculos de encantadores de cobras, de marionetas e fogo de artifício.

 

Dia 2 – Esplendor a Camelo

Na manhã seguinte, acordamos a horas. Com tempo inclusive para o pequeno-almoço que o atraso nos forçara a saltar na anterior. Às nove, já dividimos um riquexó com outros passageiros, também eles a caminho do estádio Dedansar, à imagem do Sahid Poonam Singh, um mero pelado dotado de uma bancada solitária.

Quando chegamos, encontramos dezenas de rajputs altivos, cada qual sobre o seu camelo, qualquer um dos animais trajado com um casaco multicolor pitoresco de pompons de lã e de berloques que pendem e oscilam abaixo do dorso dos animais, alguns com miniaturas de bandeiras indianas projectadas das cabeças. Os rajputs sentados entre as suas bossas, por sua vez, estão vestidos de branco, coroados por turbantes especiais com faixas de várias cores.

Quando a competição é inaugurada, desfilam bem hirtos sobre as montadas e empunham distintos tipos de espadas e sabres característicos dos seus clãs ou batalhões. Outros, sem filiação militar, seguram guarda-sóis vermelhos e amarelos tradicionais. Os júris nas bancadas analisam os sucessivos participantes ao pormenor enquanto, para cá e para lá, estes se tentam impingir aos seus votos. Não tarda, os pauliteiros da manhã anterior e outros músicos entram em cena para animar as hostes até o anúncio dos resultados. Ao que se segue-se um cabo-de-guerra entre uma equipa local e uma composta por estrangeiros. O programa continua com uma longa partida de polo a camelo, disputada, claro está, entre duas dotadas equipas indianas.

Mais ou menos a metade do jogo, decidimos regressar à cidade. Fugimos a uma vaca enlouquecida que dissemina a confusão à saída do estádio e metemo-nos num riquexó já recrutado por dois polícias. É a conversa com este inesperado duo da autoridade que regressamos à nossa base no cimo do forte de Jaisalmer.

 

Dia 3 – Por fim, as dunas do Thar

No seu derradeiro dia, o festival muda-se em peso para as dunas Sam Sam, situadas a pouco mais de 40km a oeste de Jaisalmer, e a uns poucos do Paquistão. Nós, seguimo-lo. Descemos do forte até à rotunda de Hanuman. Lá regateamos lugares num dos jipes que asseguravam transporte para o deserto. Acabamos por o partilhar com Adil, um turista gujarati à descoberta do Rajastão. Chegamos às dunas bem antes do início das hostilidades. A tempo de negarmos centenas de vezes os passeios a camelo que nos propõem os proprietários dos animais disseminados por quase um quilómetro, em ambos os lados da estrada.

Faz um calor ainda mais atroz que o de Jaisalmer. De acordo, refugiamo-nos os três num pasquim ali próximo. Salvos pela sombra do humilde café, bebemos refrigerantes e partilhamos batatas fritas. Entregamo-nos a uma cavaqueira animada sobre as peculiaridades do Rajastão, a riqueza cultural da Índia e a da história colonial indiana de Portugal. “Sei que a nossa Diu foi até algum tempo portuguesa. Goa, também, certo? A Diu já fui mais que uma vez, a Goa ainda não. Tenho que tratar disso.”

A meio da conversa, reparamos numa pequena manada de vacas que deambulava estrada fora. No cenário em que estávamos, aquela visão tinha o seu quê de surreal pelo que pedimos umas desculpas aceleradas, nos despedimos e perseguimos os animais até se desviarem da via para um descampado cheio de lixo.

Entretanto, boa parte dos visitantes instalados em Jaisalmer deram entrada nas Sam Sam dunes e aquele reduto híper-turístico do Thar ficou a entregue a uma multidão desejosa de evasão e de diversão.

Malgrado o braseiro que ainda se fazia sentir, passeamos a pé pelas dunas, entre grandes clãs de homens de etnias Bhil, Bishnoi e outras e os seus camelos, sempre a resistimos às repetidas ofertas de passeios.

Por volta das 17h30, uns enquanto espectadores, outros como participantes, todos eles atravessam a estrada e tomam posição para a corrida de camelos prestes a começar. Os polícias presentes forçam o publico a alinhar-se ao longo de duas cordas estendidas nas extremidades do descampado poeirento que servia de pista.

Após um longo compasso de espera, os camelos e os jóqueis lá saem disparados do sopé de umas dunas distantes, galopam na nossa direcção e na da tenda de campanha que servia o certame.

A competição realizava-se por eliminatórias. Aquela correria repetiu-se, assim, várias vezes até que um duelo final apurou o vencedor.

Excitada com a aura da entrega dos prémios, a multidão ignora o espartilho da cordas. Engole os participantes e venera o vencedor como o herói do deserto a que, triunfo após triunfo, se havia promovido. Mas, como declarara aquele semideus das areias, a corrida também designou o mais dramático perdedor. Um dos camelos tinha partido uma perna. Debatia-se com um enorme sofrimento. Para desgosto do dono, o veterinário de apoio examinou-o. Sem vislumbrar esperança de cura, injectou-lhe uma qualquer substância e pôs-lhe cobro à vida.

A multidão em êxtase pouco ou nada se deixa afectar pelo revês. Finda a cerimónia, volta a cruzar a estrada e invade as dunas que ali, para sul e rumo ao Paquistão, ascendem a alturas majestosas. Os donos dos camelos puderam por fim facturar com os incontáveis passeios camelídeos que proporcionaram. Num vale arenoso ali próximo, outra atracção espontânea e gratuita competia com a sua oferta. Vários motoqueiros locais circundavam as dunas a grande velocidade, numa espécie de Poço da Morte do deserto que reuniu e manteve absortos umas boas centenas de curiosos.

O sol não tardou a mergulhar para trás do vasto Thar amarelado. Inspirou incontáveis fotografias de grupo e ainda mais selfies. Quando o deixámos de volta a Jaisalmer, o concurso de papagaios de papel tinha já terminado.  Vários resistentes faziam os seus cirandar naquele céu seco e quase-escuro do Rajastão prestes a acolher o Universo.

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.

Cape Coast, Gana

O Festival da Divina Purificação

Reza a história que, em tempos, uma praga devastou a população da Cape Coast do actual Gana. Só as preces dos sobreviventes e a limpeza do mal levada a cabo pelos deuses terão posto cobro ao flagelo. Desde então, os nativos retribuem a bênção das 77 divindades da região tradicional Oguaa com o frenético festival Fetu Afahye.

Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.

Tawang, Índia

O Vale Místico da Profunda Discórdia

No limiar norte da província indiana de Arunachal Pradesh, Tawang abriga cenários dramáticos de montanha, aldeias de etnia Mompa e mosteiros budistas majestosos. Mesmo se desde 1962 os rivais chineses não o trespassam, Pequim olha para este domínio como parte do seu Tibete. De acordo, há muito que a religiosidade e o espiritualismo ali comungam com um forte militarismo.

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Dooars, Índia

Às Portas dos Himalaias

Chegamos ao limiar norte de Bengala Ocidental. O subcontinente entrega-se a uma vasta planície aluvial preenchida por plantações de chá, selva, rios que a monção faz transbordar sobre arrozais sem fim e povoações a rebentar pelas costuras. Na iminência da maior das cordilheiras e do reino montanhoso do Butão, por óbvia influência colonial britânica, a Índia trata esta região deslumbrante por Dooars.

Gangtok, Índia

Uma Vida a Meia-Encosta

Gangtok é a capital de Sikkim, um antigo reino da secção himalaia da Rota da Seda tornado província indiana em 1975. A cidade surge equilibrada numa vertente, de frente para a Kanchenjunga, a terceira maior elevação do mundo que muitos nativos creem abrigar um Vale paradisíaco da Imortalidade. A sua íngreme e esforçada existência budista visa, ali, ou noutra parte, o alcançarem.

Meghalaya, Índia

Pontes de Povos que Cria(ra)m Raízes

A imprevisibilidade dos rios na região mais chuvosa à face da Terra nunca demoveu os Khasi e os Jaintia. Confrontadas com a abundância de árvores ficus elastica nos seus vales, estas etnias habituaram-se a moldar-lhes os ramos e estirpes. Da sua tradição perdida no tempo, legaram centenas de pontes vegetais deslumbrantes às futuras gerações.

Bacolod, Filipinas

Um Festival para Rir da Tragédia

Por volta de 1980, o valor do açúcar, uma importante fonte de riqueza da ilha filipina de Negros caia a pique e o ferry “Don Juan” que a servia afundou e tirou a vida a mais de 176 passageiros, grande parte negrenses. A comunidade local resolveu reagir à depressão gerada por estes dramas. Assim surgiu o MassKara, uma festa apostada em recuperar os sorrisos da população.

Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.

Ooty, Índia

No Cenário Quase Ideal de Bollywood

O conflito com o Paquistão e a ameaça do terrorismo tornaram as filmagens em Caxemira e Uttar Pradesh um drama. Em Ooty, constatamos como esta antiga estação colonial britânica assumia o protagonismo.

Hampi, India

À Descoberta do Antigo Reino de Bisnaga

Em 1565, o império hindu de Vijayanagar sucumbiu a ataques inimigos. 45 anos antes, já tinha sido vítima da aportuguesação do seu nome por dois aventureiros portugueses que o revelaram ao Ocidente.

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Marinduque, Filipinas

Quando os Romanos Invadem as Filipinas

Nem o Império do Oriente chegou tão longe. Na Semana Santa, milhares de centuriões apoderam-se de Marinduque. Ali, se reencenam os últimos dias de Longinus, um legionário convertido ao Cristianismo.

Pirenópolis, Brasil

Cruzadas à Brasileira

Os exércitos cristãos expulsaram as forças muçulmanas da Península Ibérica no séc. XV mas, em Pirenópolis, estado brasileiro de Goiás, os súbditos sul-americanos de Carlos Magno continuam a triunfar.

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

Tataouine, Tunísia

Os Castelos de Areia que Não Desmoronam

Os ksour foram construídos como fortificações pelos berberes do Norte de África. Resistiram às invasões árabes e a séculos de erosão. A Tunísia presta-lhes, todos os anos, uma devida homenagem.

Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se

São Francisco, E.U.A.

Com a Cabeça na Lua

Chega a Setembro e os chineses de todo o mundo celebram as colheitas, a abundância e a união. A enorme sino-comunidade de São Francisco entrega-se de corpo e alma ao maior Moon Festival californiano.

Albuquerque, E.U.A.

Soam os Tambores, Resistem os Índios

Com mais de 500 tribos presentes, o "Gathering of the Nations" celebra o que de sagrado subsiste das culturas nativo-americanas. Mas também revela os danos infligidos pela civilização colonizadora.

Cocquete
Arquitectura & Design

Napier, Nova Zelândia

De Volta aos Anos 30

Devastada por um sismo, Napier foi reconstruida num Art Deco quase térreo e vive a fazer de conta que parou nos thirties. Os seus visitantes rendem-se à atmosfera Great Gatsby que a cidade encena.

Pleno Dog Mushing
Aventura

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.

Cerimónias e Festividades
Apia, Samoa Ocidental

Fia Fia: Folclore Polinésio de Alta Rotação

Da Nova Zelândia à Ilha da Páscoa e daqui ao Havai, contam-se muitas variações de danças polinésias. As noites samoanas de Fia Fia, em particular, são animadas por um dos estilos mais acelerados.
Pesca Preciosa
Cidades

Colónia del Sacramento, Uruguai

Um Vaivém Colonial

A fundação de Colónia del Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.

Comida
Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.
Filhos da Mãe-Arménia
Cultura

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Ferry Nek Luong
Em Viagem

Ho Chi-Minh a Angkor, Camboja

O Tortuoso Caminho para Angkor

Do Vietname em diante, as estradas cambojanas desfeitas e os campos de minas remetem-nos para os anos do terror Khmer Vermelho. Sobrevivemos e somos recompensados com a visão do maior templo religioso

Um outro templo
Étnico

Tulum, México

A Mais Caribenha das Ruínas Maias

Erguida à beira-mar como entreposto excepcional decisivo para a prosperidade da nação Maia, Tulum foi uma das suas últimas cidades a sucumbir à ocupação hispânica. No final do século XVI, os seus habitantes abandonaram-na ao tempo e a um litoral irrepreensível da península do Iucatão.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Nacionalismo Colorido
História

Cartagena de Índias, Colômbia

Cidade Apetecida

Muitos tesouros passaram por Cartagena antes da entrega à Coroa espanhola - mais que os piratas que os tentaram saquear. Hoje, as muralhas protegem uma cidade majestosa sempre pronta a "rumbear".

Cabana de Brando
Ilhas

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Praia Islandesa
Inverno Branco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Picos florestados
Natureza

Huang Shan, China

A Montanha dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Antes da chuva
Parques Naturais

Camiguin, Filipinas

Uma Ilha de Fogo Rendida à Água

Com mais de vinte cones acima dos 100 metros, a abrupta e luxuriante, Camiguin tem a maior concentração de vulcões que qualquer outra das 7641 ilhas filipinas ou do planeta. Mas, nos últimos tempos, nem o facto de um destes vulcões estar activo tem perturbado a paz da sua vida rural, piscatória e, para gáudio dos forasteiros, fortemente balnear.

Recanto histórico
Património Mundial Unesco

Tasmânia, Austrália

À Descoberta de Tassie

Há muito a vítima predilecta das anedotas australianas, a Tasmânia nunca perdeu o orgulho no jeito mais rude que aussie de ser e mantém-se envolta em mistério no seu recanto meridional dos antípodas.

Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Tambores e tatoos
Praia

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Wall like an Egyptian
Religião

Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Comodidade até na Natureza
Sociedade

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilômetros de Nampula, fruta tropical é coisa que não falta.
Vai-e-vem fluvial
Vida Selvagem

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.