Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso


Santas alturas

A igreja Ortodoxa da Santa Trindade de Gergeti bem acima desta povoação e de Kazbegi mas muito abaixo do cume do monte Kazbegi. 

Cristianismo de granito

O edifício principal da Igreja de Santa Trindade lado a lado com a sua torre de sinos nas alturas enregeladas do Cáucaso.

Vista do cimo

Tamara Giorgadze fotografa o casario de Kazbegi e de Gergeti na garganta ampla de Dariali, de ambos os lados do rio Terek.

O grande Cáucaso

Neve e névoa tornam difuso o cume do monte Kazbegi, o terceiro mais elevado da Geórgia e o sétimo da cordilheira do Cáucaso.

Caminho para o panorama

Visitantes detêm-se no cimo de uma colina a algumas centenas de metros da igreja de Santa Trindade para a admirarem contra as encostas nevadas acima de Kazbegi e Gergeti.

Arco-Ortodoxia

A torre dos sinos da igreja de Santa Trindade, tão granítica e espartana quanto o edifício principal.

Amizade vencida

Dois homens apreciam a paisagem de uma das varandas do monumento de amizade entre a Geórgia e a Rússia, cada vez menos justificado pela História.

Uma fortaleza dourada

O castelo medieval de Ananuri, assento fortificado da dinastia Araqvi que dominou a região do século XIII ao XVIII.

Águas sombrias

Reservatório Zhinvali, formado pela acumulação e pelo espraiar do rio Araqvi que tomou o nome da dinastia ali vigente.

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

É Domingo de manhã cedo. Tbilissi está deserta. Viajamos nos bancos de trás de um Lada Niva que flui pelas suas avenidas largas, interrompido apenas por um ou dois semáforos inconvenientes. À frente, seguem Apo, ao volante, e Tamara Giorgadze, com quem falamos em castelhano. Chegamos num ápice à entrada Mtskheta, uma das cidades mais antigas da Geórgia, situada na confluência de dois dos grandes rios da nação, o Mtkvari e o afluente Aragvi. Ignoramo-la por uns dias mais. Prosseguimos até às imediações do campo de refugiados Tserovani. Foi neste campo que o governo de Tbilissi instalou os habitantes georgianos que abandonaram os seus lares na Ossétia do Sul quando se acendeu o conflito militar que opôs a Geórgia e os separatistas ossetas eslavos, apoiados pela Rússia. A E-60 corta a 90 graus para oeste. Transforma-se numa auto-estrada sofisticada e cruza a maior parte do país até ao Mar Negro. Nós, trocamo-la pela bem mais antiga e verdejante E-117, conhecida como a Estrada Militar da Geórgia. Esta via avança contra o fluxo do rio Aragvi pela rota histórica de retorno de comerciantes e invasores oriundos do lado de lá do Cáucaso. É de tal forma antiga que Strabo a mencionou na sua Geographica.

Progredimos para norte, em direcção às montanhas do Cáucaso e à Rússia. Sucedem-se bancas e pequenos negócios de berma repletos de fruta outonal e outros víveres. Até que nos internamos num desfiladeiro que estreita o acesso à grande cordilheira que se diz separar a Europa da Ásia. O cenário torna-se inóspito, ressequido pelo vento e pelo frio. Alguns quilómetros para diante, encharcam-no as águas frígidas do reservatório de Zhinvali, sobrevoadas por uma névoa que filtra a luz solar ansiosa por aquecer a terra e sublima a atmosfera. Uma descida íngreme conduz-nos ao lugar em que o Araqvi se ramifica e se entrega ao lago. Em simultâneo, desvenda um castelo que nos parece saído de um conto de encantar. Tínhamos chegado a Ananuri. “A ideia era pararmos aqui no regresso.” adianta-se Tamara – ou Tamo, como preferia que a tratássemos – ao perceber a nossa inquietação. E, rende-se, de imediato, quando a lembramos que só por milagre encontraríamos um ambiente tão mágico como aquele, isto, se ainda voltássemos de dia. Aproveitamos o acordo. Exploramos e fotografamos o castelo, as margens do reservatório e a estranha ponte negra que se estendia de um lado ao outro de um braço de rio lamacento.

Do século XIII ao XVIII, foi aquele o assento fortificado da dinastia feudal Araqvi de que o rio tomou nome. Nesse período, a fortaleza foi palco de inúmeras batalhas. Por fim, em 1739, os seus senhores foram massacrados por um clã rival. Apesar de incendiada, a fortaleza manteve-se de pé. A UNESCO tarda em lhe atribuir o estatuto de Património Mundial, devido a alterações na estrutura causadas pela formação do reservatório. Assim como a conhecêramos, resistiria para sempre nas nossas mentes uma Ananuri resplandecente que suplantava o que alguma vez tínhamos esperado. Satisfeitos, retomámos a viagem.

A altitude aumentou e a neve não tardou a tomar conta da paisagem e da estrada. Fazia um frio de rachar. Uma temperatura semelhante à das relações entre a Geórgia e a Rússia após a guerra que travaram de 7 a 12 de Agosto de 2008 e que, nos dias que correm, continua a causar danos. Apo ainda sente a comoção do conflito e faz questão de nos explicar: ”durante anos a fio, as autoridades russas baniram por completo a entrada de cidadãos e produtos georgianos, principalmente a nossa água mineral e o vinho”. Até à guerra, exportávamos quase 80% para a Rússia. Hoje, nunca sabemos o que vai ou não passar e os produtos que passam fluem para norte da fronteira a conta-gotas, de acordo com a predisposição dos guardas que se habituaram a lucrar com a aflição dos camionistas.”

O que admirávamos, incrédulos, era uma fila interminável de camiões, sobretudo arménios e russos estacionados na berma da estrada; os seus condutores entregues a conversas repetidas ou a tarefas que se esforçavam por diversificar. A sequência de TIRs era tão longa que desistimos de lhe tentar prever o fim. “Têm ideia de por quantos camiões passámos”, pergunta-nos Apo que, até então, conduzia em silêncio. “Eu sei quantos. Quando vou a Kazbegi gosto de os contar. Estavam ali 184 camiões. Mas, até à Rússia, ainda vão aparecer muitos mais.”

Detemo-nos numa estação de serviço à entrada de Gudauri, a estância de neve por excelência da região. Tamo fala ao telemóvel por algum tempo. Transmite-nos complicações de última hora. Nevara imenso na noite anterior. As autoridades cortaram, por estar gelada, a secção Gudauri-Gobi, uma das mais traiçoeiras da Estrada Militar da Geórgia, enfiada num grande vale em que, devido à sua configuração, grande parte do asfalto ficava à sombra. Além deste vale, em particular, também um caminho às alturas de Kazbegi teria ficado intransponível ou, pelo menos, para os pneus e condições oferecidas pelo Lada Niva em que seguíamos. Tamo conferencia com Apo e faz chamadas atrás de chamadas para Tbilissi e para Kazbegi. Esperamos quase uma hora naquela estação de serviço. Pelo meio, tentamos obter boas novas de polícias e autoridades do parque que por lá paravam. Meia-hora depois dessa hora, é Tamo quem as transmite, mais animada:” OK, parece que já estão a abrir a estrada. Isso era o mais importante. Vamos até Kazbegi, depois lá vemos o resto.”

Retomamos a viagem. Não tarda, voltamos ter a visão surreal de novas filas de camiões, tão ou mais extensas que as anteriores, provavelmente atrasados em simultâneo pelos procedimentos da aduana russa de Zemo-Larsi e pelo congelamento da estrada.

Ao chegarmos a Kazbegi – ou a Stepantsminda como pretendem as autoridades georgianas que seja conhecida – Tamo já tinha o imbróglio local resolvido. “Vamos passar para um outro veículo, OK?” Apresenta-nos Xvicha, o novo condutor que, sem mais demoras, nos leva à sua carrinha estilo Hiace artilhada. Acima de tudo, imperava que ascendêssemos dos 1740 metros da povoação aos 2170 da Igreja da Santa Trindade que dali vislumbrávamos como que suspensa. Devíamos cumpri-lo e regressar a tempo de evitar a frigidez do fim da tarde que nos poderia bloquear tanto no cimo da igreja como em qualquer trecho montanhoso do regresso a Tbilissi.

Xvicha inaugura o caminho por ruelas apertadas de Gergeti, a aldeia a oeste do rio Terek. Fá-lo entre casas de campo com inspiração de isbas soviéticas e desgaste a condizer. Logo, livra-se do casario e mete-se por uma estrada de encosta, apertada, serpenteante e subsumida na floresta. Seria provavelmente de terra batida mas nunca o poderíamos saber tal era a quantidade de neve acumulada nas suas bermas e sobre o solo da floresta e o gelo entretanto picotado que cobria a superfície da via e que transformava a ramagem marginal da vegetação em estranhos candelabros brancos.

Xvicha e a carrinha pareciam mover-se no seu ambiente predilecto. O condutor já levava vários anos a ganhar a vida com aquele percurso. Não só não receava os resvalares inesperados, como os usava para apressar a locomoção, seguro da tracção adicional conferida pelas correntes nas rodas traseiras.

Entretínhamo-nos com este rali de montanha quando um meandro da estrada nos desvendou o cume altivo do monte Kazbegi (o terceiro da Geórgia e sétimo da cordilheira do Cáucaso) a libertar laivos de névoa contra o azulão do céu. Daí, até atingirmos o planalto que acolheu a Igreja da Santa Trindade, decorreram apenas alguns minutos. Detectámos a silhueta escura do templo ao longe, bem definida contra a vertente branca das montanhas opostas ao monte Kazbegi. Xvicha seguiu o trilho deixado pela anterior passagem de carrinhas e jipes, cavado numa altura impressionante de neve. Atingimos a base da igreja ao mesmo tempo que um outro Lada Niva, esse, ao contrário do de Apo, preparado e equipado para a rudeza da ascensão.

Vencemos uma derradeira escadaria, entramos no precinto e caminhamos em redor do edifício secular, espantados com o isolamento a que foi votado nas alturas, também com a negrura espartana da sua arquitectura, eventualmente mais apurada que a maior parte das muitas igrejas que tínhamos visitado no Cáucaso, admitimos que devido ao contraste com a alvura da neve.

Tamo explica-nos que vivem 6 a 8 monges na igreja. No tempo que lá permanecemos, só vemos um deles passar, esquivo e de feições fechadas condizentes com o visual do seu lar espiritual.

As suspeições e intrigas anti-religiosas da era soviética terão contribuído para aquela postura comum entre os monges. Nessas décadas, os serviços religiosos estavam proibidos mas a Igreja da Santa Trindade não deixou de atrair visitantes. Séculos antes, também servira para esconder relíquias preciosas trazidas de Mtskheta em tempos de perigo. A mais importante foi a Cruz de Santa Nino, uma mulher que, no século IV d.C. introduziu a Geórgia ao Cristianismo e é, hoje, a padroeira da nação. O interior da igreja revela-se escuro quanto escuro podia ser. Ainda abrimos a porta pesada para melhor o apreciarmos, mas o vento que de imediato nos fustigava e a outros visitantes frustrou-nos. Virámos a atenção para o exterior: para as montanhas caucasianas majestosas e enregeladas em redor, para a torre do sino independente do edifício principal e para o casario de Gergeti e Kazbegi, disposto de forma geométrica e coberto de neve, no fundo da Garganta de Dariali que, dali se estendia por 18 km até à problemática fronteira Russo-Georgiana.

A descida de volta à povoação evoluiu atribulada. Não pelo tarde que se fazia ou por qualquer desleixo de Xvicha. Originaram a desventura uma série de turistas que estimaram que, por viajarem em modelos invejáveis, os seus veículos também eram invencíveis. No tempo que passámos no cimo, o gelo em certos trechos da estrada tinha-se reconstituído. Foi preciso um desses jipes quase resvalar encosta abaixo e um sermão pragmático de Xvicha para aquela embaixada surreal da teimosia se render. Acabámos por acolher o transbordo da esposa alemã e dos dois filhos desse condutor georgiano. A senhora pouco ou nada se atreveu a dizer enquanto o marido fazia regressar o jipe, a passo de caracol e a empatar a vida de alguns guias/condutores residentes.

Às três da tarde, despedimo-nos do guia de Kazbegi, sentámo-nos à mesa de um restaurante local e entregámo-nos a um dos banquetes com que os georgianos prendam os seus convidados. O repasto incluiu mais algumas maravilhas da gastronomia da nação. Só uma hora depois, e a grande esforço, conseguimos regressar à Estrada Militar da Geórgia e à sua capital.

Circuito Anapurna: 1º Pokhara a Chame, Nepal

Por Fim, a Caminho

Depois de vários dias de preparação em Pokhara, partimos em direcção aos Himalaias. O percurso pedestre só o começamos em Chame, a 2670 metros de altitude, com os picos nevados da cordilheira Annapurna já à vista. Até lá, completamos um doloroso mas necessário preâmbulo rodoviário pela sua base subtropical.

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

Uplistsikhe e Gori, Geórgia

Do Berço da Geórgia à Infância de Estaline

À descoberta do Cáucaso, exploramos Uplistsikhe, uma cidade troglodita antecessora da Geórgia. E a apenas 10km, em Gori, damos com o lugar da infância conturbada de Joseb Jughashvili, que se tornaria o mais famoso e tirano dos líderes soviéticos.

Gentlemen Club & Steakhouse
Arquitectura & Design

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Aventura
Circuito Annapurna: 5º- Ngawal-Braga, Nepal

Rumo a Braga. A Nepalesa.

Passamos nova manhã de meteorologia gloriosa à descoberta de Ngawal. Segue-se um curto trajecto na direcção de Manang, a principal povoação no caminho para o zénite do circuito Annapurna. Ficamo-nos por Braga (Braka). A aldeola não tardaria a provar-se uma das suas mais inolvidáveis escalas.
Folia Divina
Cerimónias e Festividades

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

Coreografia pré-matrimonial
Cidades

Old Jaffa, Israel

Onde Assenta a Cidade que Nunca Pára

Telavive é famosa pela noite mais intensa do Médio Oriente. Mas, se os seus jovens se divertem até à exaustão nas discotecas à beira Mediterrâneo, é cada vez mais na vizinha Old Jaffa que dão o nó.

Basmati Bismi
Comida

Singapura

A Capital Asiática da Comida

Eram 4 as etnias condóminas de Singapura, cada qual com a sua tradição culinária. Adicionou-se a influência de milhares de imigrados e expatriados numa ilha com metade da área de Londres. Apurou-se a nação com a maior diversidade e qualidade de víveres do Oriente. 

Santuário sobre a floresta II
Cultura

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

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Radical 24h por dia
Desporto

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Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

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De Atol em Atol

Trazido de Fiji para navegar nas Maldivas, o Princess Yasawa adaptou-se bem aos novos mares. Por norma, bastam um ou dois dias de itinerário, para a genuinidade e o deleite da vida a bordo virem à tona.

Étnico
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Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
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História

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Uma Aldeia Fiel ao “A”

Ogimashi revela uma herança fascinante da adaptabilidade nipónica. Situada num dos locais mais nevosos à face da Terra, esta povoação aperfeiçoou casas com verdadeiras estruturas anti-colapso.

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Hinduísmo Balinês Numa Ilha do Islão

A fundação da Indonésia assentou na crença num Deus único. Este princípio ambíguo sempre gerou polémica entre nacionalistas e islamistas mas, em Lombok, os balineses levam a liberdade de culto a peito

Tempo de aurora
Inverno Branco

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Sombra vs Luz
Literatura

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Aurora fria II
Natureza
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Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Victoria falls
Parques Naturais

Victoria Falls, Zimbabwe

O Presente Trovejante de Livingstone

O explorador procurava uma rota para o Índico quando nativos o conduziram a um salto do rio Zambeze. As quedas d'água que encontrou eram tão majestosas que decidiu baptizá-las em honra da sua raínha

A Toy Train story
Património Mundial Unesco
Darjeeling Himalayan Railway, Índia

Ainda Circula a Sério o Comboio Himalaia de Brincar

Nem o forte declive de alguns tramos nem a modernidade o detêm. De Siliguri, no sopé tropical da grande cordilheira asiática, a Darjeeling, já com os seus picos cimeiros à vista, o mais famoso dos Toy Trains indianos assegura há 117 anos, dia após dia, um árduo percurso de sonho. De viagem pela zona, subimos a bordo e deixamo-nos encantar.
Curiosidade ursa
Personagens

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Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Tambores e tatoos
Praia

Taiti, Polinésia Francesa

Taiti Para lá do Clichê

As vizinhas Bora Bora e Maupiti têm cenários superiores mas o Taiti é há muito conotado com paraíso e há mais vida na maior e mais populosa ilha da Polinésia Francesa, o seu milenar coração cultural.

Àgua doce
Religião

Maurícias

Uma Míni-Índia nos Fundos do Índico

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White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

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Sociedade

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Singapura de Sari

São uns milhares de habitantes em vez dos 1.3 mil milhões da pátria-mãe mas não falta alma à Little India, um bairro da ínfima Singapura. Nem alma, nem cheiro a caril e música de Bollywood.

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana

Longsheng, China

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Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

Vida Selvagem

Cape Cross, Namíbia

A Mais Tumultuosa das Colónias Africanas

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Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.