Tanna, Vanuatu

Daqui se Fez Vanuatu ao Ocidente


Passagem

Nativa de Tanna desce uma escadaria em direcção a uma das praias nas imediações de Port Resolution.

À espera da lava

Habitantes e visitantes de Tanna aguardam nova erupção sobre a cratera do vulcão Yasur.

Explosão de lava

Pequena erupção estromboliana ilumina as profundezas escuras da cratera do Monte Yasur.

Desolação vulcânica

Areia e cinza impedem o proliferar da vegetação tropical em redor do vulção Yasur, um pequeno vulcão activo de Tanna.

Pesca pouco submarina

Duas crianças tentam capturar peixes retidos na maré vazia, numa praia selvagem de Tanna.

À Moda de Nasiroro

Nativos à entrada de uma das palhotas da aldeia de Nasiroro.

Pura melanésia

Habitantes de Tanna durante o regresso a casa do mercado de Bethel.

Corridas vulcânicas

Crianças de Tanna divertem-se a descer a encosta mais suave do monte Yasur em tobogãs feitos de folhas de coqueiros.

Tronco-ponte

Dena Charlie atravessa uma ponte improvisada sobre um riacho, em Yakel.

Trio da Vida Airada

Jovens ni-vanuatu (habitantes de Vanuatu) divertem-se numa praia de Tanna.

Conversa no Nakamal

Jovens de Yakel conversam no Nakamal (largo cerimonial) da aldeia.

À porta de casa

Mulher e porcos à porta de uma das cabanas de Yakel.

Carga pesada

Ancião de Yakel carrega uma pilha de canas de bambu.

O programa de TV “Meet the Natives” levou representantes tribais de Tanna a conhecer a Grã-Bretanha e os E.U.A. De visita à sua ilha, percebemos porque nada os entusiasmou mais que o regresso a casa.

As infra-estruturas são inexistentes mas as árvores em redor ostentam enormes copas que se encarregam de obstruir o sol tropical. À sua sombra, o pequeno mercado de Bethel resplandece de cor. O Inverno do Pacífico do Sul anunciou-se faz apenas uns dias. Um pouco por to

da a ilha, as tangerinas estão prontas a colher e surgem expostas como parte de longos cachos artificiais que as nativas arranjam em redor de estacas. Quase não passam homens neste entreposto comercial improvisado. E os longos vestidos garridos e florais das matronas melanésias

destacam-se do cenário verdejante e atraem vizinhas que acabam por se abastecer também de taros, de mandioca, de abacaxis e de enormes toranjas.  

Jimmy Nasse não tem compras a fazer. Está ansioso por mostrar os seus lugares preferidos da ilha e aparece do

outro lado da rua para nos resgatar do feitiço étnico que nos retém muito para lá da hora marcada. “Vamos lá amigos, há imenso para descobrir em Tanna. Se se prendem tanto no primeiro lugar em que paramos vai ser difícil levar-vos a todo o lado. E olhem que as estradas não ajudam”.

Aterrámos vindos de Port Vila, ilha de Efate, há duas horas e o fascínio pelo que encontramos é tal que continuamos a adiar a entrada no pequeno Tanna Lodge. De novo a caminho, passamos junto à foz de um rio e à enseada de areia negra que o acolhe. Algumas mulheres banham-se e lavam roupa nos últimos metros de água doce do caudal e o contraste dos tecidos berrantes contra o fundo cinza do solo e o azulão do oceano exigem-nos mais um ligeiro desvio. Jimmy reforça os seus níveis de paciência e começa a habituar-se ao que o espera. Em breve, há-de nos confessar a sua fé Bahai. Conhecemos o templo maior desta religião, situado em Haifa, Israel, e os seus princípios de união das diferentes crenças, da busca da justiça e da paz na Terra. Depressa percebemos que estamos entregues a uma espécie de anjo ni-vanuatu (nativos de Vanuatu).

Instalamo-nos e regressamos à pick up nuns poucos minutos. Jimmy conduz-nos encosta acima em direcção à cascata de Yakel, vencendo uma estrada enlameada que reclama toda a tracção do veículo. Passamos por Nasiroro, uma aldeia formada por centenas de palhotas e com centro espiritual numa grande clareira abrigada por três figueiras-da-India majestosas. É neste nakamal, que somos recebidos por Dena Charlie, o jovem anfitrião encarregue de nos apresentar à aldeia e revelar o caminho para o riacho. O trilho é cruzado por porcos e cães da tribo. Serpenteia entre as palhotas e as árvores mas, quando menos se espera, desce para um vale amplo e verdejante que mais parece saído de um livro antigo de ficção científica. O inglês de Dena está ao nível do bislama nativo e o rapaz semi-nu desempenha o seu papel com um à vontade irrepreensível.

Entretanto, o sol põe-se e Dena abraça-se e queixa-se do frio que começa a incomodá-lo. Nós vestimos t-shirts e continuamos com calor. Dá-nos a sensação que nunca chegou a baixar dos vinte graus mas outros habitantes da aldeia andam já com capotes de palhinha. Quando questionamos Dena sobre a vulnerabilidade dos nativos àquelas temperaturas, este justifica-se com elegância e boa-disposição. “Pois é, somos diferentes em tanta coisa. Já devem ter reparado na forma dos nossos pés, certo? Os vossos são bem mais estreitos e achatados e muitos ocidentais acham piada aos nossos. Outra distinção está na resistência ao frio. Aqui, com esta temperatura, ficamos todos a tremer.”

Em seguida, e como parte do protocolo tribal leva-nos à cabana do chefe da aldeia Yakel. Kauia tem 111 anos e combateu a invasão japonesa na 2a Guerra Mundial. Como a idade justifica, encontramo-lo bastante enfraquecido, deitado sobre uma cama de bambu e subsumido na escuridão fumarenta do interior da palhota.

Trocamos algumas palavras mas o chefe mostra-se demasiado débil e surpreso. Dena relembra-nos que a sua vida é das mais longas que há em Vanuatu, em toda a Melanésia e, segundo lhe dizem, no mundo. Conta-nos ainda que Kauia foi um dos chefes que protagonizaram a formação do mito do Príncipe Filipe.

A Enigmática Fé De Tanna Na Realeza Britânica

Por alguma razão, a tribo Yahohnanen começou a acreditar que o Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo e consorte da rainha Isabel II era um ser divino, filho de Keraperamun, o deus da montanha mais elevada de Tanna. E também que tinha, em tempos, viajado a uma terra distante, casado com uma mulher poderosa e que regressaria. Esta ideia foi reforçada quando os nativos observaram a reverência com que os oficiais coloniais britânicos tratavam a rainha Isabel II. Mais tarde, em 1974, o casal real visitou as Novas Hébridas e os nativos puderam observar o príncipe Filipe que os impressionou ainda mais do que nas imagens que antes haviam visto.

O príncipe não conhecia o culto mas foi dele informado pelo comissário residente que sugeriu que enviasse uma fotografia sua após o regresso à Grã-Bretanha. Filipe seguiu o conselho. Quando a fotografia chegou, os aldeões retribuíram oferecendo-lhe um bastão tradicional nal-nal. E o príncipe enviou uma nova fotografia sua empunhando aquele bastão.

Essas fotografias foram guardadas pelo chefe Jack Naiva e ajudaram a prolongar o culto. De tal forma que, em 2007, o Channel 4 da BBC criou Meet the Natives uma espécie de reality show protagonizado por um grupo de nativos pertencentes ao Prince Philip Movement de visita à Grã Bretanha. O seu périplo culminou num encontro com o príncipe em que foram trocadas prendas incluindo mais uma fotografia de Filipe. E acabou a revelar a felicidade indisfarçável dos nativos por voltarem à sua amada Tanna que os recebia em festa, mesmo depois de terem revisto o seu messias e descoberto as maravilhas civilizacionais do Ocidente. Enquanto descemos de Yakel para a beira-mar, Dena Charlie e  Jimmy Nasse acrescentam pormenores sórdidos em redor dos cultos que contemplam desentendimentos entre as tribos.

Mas depressa chegamos a novos lugares imperdíveis e passam a transmitir-nos outras informações. Inspeccionamos a enseada idílica de Port Resolution, em que ancorou, em 1774, o navio homónimo de James Cook. Passamos ainda por White Sands, uma praia invadida pela vegetação tropical luxuriante, com grandes areais brancos em que brincam e pescam dezenas de crianças visivelmente felizes no seu paraíso melanésio.

Ao Ritmo de um Pequeno Vulcão

Dali, dirigimo-nos ao monte Yasur, a principal expressão vulcânica de Tanna. Jimmy Nasse conduz-nos por cursos de água com pequeno caudal que usa como atalho. Pelo caminho vemos manadas de cavalos selvagens que vagueiam na planície forrada por feno tropical, passamos por mulheres que regressam do mercado e por um grupo de homens que acaba de sacrificar uma vaca.

A determinada altura, chegamos a um ponto elevado que nos revela a vastidão florestal predominante e a ilha de areia e cinza nela aberta pelo vulcão. Depois, regressamos à planura e entramos nesta área de aparência desértica e inóspita decorada, aqui e ali, por plantas e arbustos exóticos isolados.

Aproximamo-nos da encosta do Yasur e encontramos miúdos que rejubilam a exibir-nos a sua arte de descer a vertente sentados em tobogãs feitos de troncos de coqueiros. Contornamos aquela enorme rampa arenosa para chegarmos ao ponto de acesso mais fácil à cratera, situada a uns meros 361 metros de altitude. A meio desse trilho, damos com a caixa de correio emblemática do vulcão em que, mesmo algo receosos, depositamos dezenas de postais. Quando chegamos ao topo, o sol está prestes a pôr-se e o vento muda frequentemente de direcção e pulveriza gases tóxicos sobre os forasteiros e nativos em redor do cume. O ocaso pinta de laranja as nuvens e o fumo disperso e serve de introdução aquele que é o espectáculo mais esperado.

Com o lusco-fusco já instalado, dá-se finalmente uma primeira erupção que projecta para os ares um repuxo profuso de lava incandescente. As erupções do Yasur são estrombolianas e quase regulares. Conscientes desse facto, aguardamos pelo cair da noite e pela próxima, mas Jimmy respira já com alguma dificuldade, vítima de um contacto quase diário com o gás sulfuroso. E nós, desprovidos de máscaras realmente eficazes, também começamos a sentir alguma irritação dos olhos e dos brônquios. Concordamos em descer para a segurança da Sulphur Bay. O dia tinha sido longo e, na manhã seguinte, esperava-nos uma visita ao santuário de outra das intrigantes personagens messiânicas de Tanna.

À Espera de John Frum e do Seu “Cargo”

As Novas Hébridas ainda eram governadas em condomínio pelos franceses e pelos britânicos quando se falou, pela primeira vez, de John Frum. Segundo os primeiros testemunhos, um nativo de nome Manehivi, (entretanto mais conhecido por John Frum) começara a aparecer aos anciãos da ilha trajando um fato ocidental e dizendo que iria dotar os nativos de casas, roupa e meios de transporte. Uma versão do mito interpretou esta personagem como um espírito induzido pelo consumo excessivo de kava (uma bebida sedativa e anestesiante tradicional do Pacífico do Sul, feita a partir de uma planta), outra defendia que se tratava de uma manifestação de Keraperaum. Fosse o que fosse, John Frum prometia o despontar de uma nova era em que todos os brancos, incluindo missionários  abandonariam as Novas Hébridas deixando aos melanésios o acesso à riqueza material de que os colonos usufruíam.

Para que isto acontecesse, o povo de Tanna teria apenas que rejeitar todos os aspectos da sociedade europeia (dinheiro, educação, Cristianismo, trabalho nas plantações de copra etc.) e regressar aos princípios kastom (tradicionais) da sua.

Por volta de 1940, os seguidores de John Frum começaram a livrar-se do seu dinheiro. Deixaram as missões, escolas, aldeias e plantações e mudaram-se para o interior onde participaram em festins e outros rituais.

As autoridades europeias procuraram prender os líderes do culto e exilá-los para outra ilha. Nesse mesmo ano, chegaram às Novas Hébridas 300.000 tropas norte-americanas preparadas para reconquistar o Pacífico aos Japoneses e portadoras de enormes quantidades de equipamento e outros bens a que os locais chamaram simplesmente “cargo”.

Com o fim da 2a Guerra Mundial, os norte-americanos partiram e levaram consigo a maior parte desse “tesouro”. Insatisfeitos, os seguidores de John Frum construíram pistas de aterragem simbólicas para encorajar os aviões a voltarem e a trazer-lhes mais “cargo”. E o culto deu também origem a um movimento politico que se opôs à formação do estado independente de Vanuatu por achar que um governo centralizado só iria favorecer a modernidade do Ocidente e o Cristianismo.

A crença mantém-se activa. O Chefe Isaak Wan Nikiau – o líder – declarou à BBC: “John Frum é o nosso deus, o nosso Jesus. Um dia vai regressar”. O aspecto desta personagem mitológica não é, todavia, consensual. Dependendo do crente em questão, poderá tratar-se de um ni-vanuatu, de um branco, ou de um GI norte-americano. Na realidade, para os crentes e outros nativos, tanto faz. Até que a profecia se cumpra, com ou sem o “cargo” devido, a vida continuará a florescer em Tanna.

Wala, Vanuatu

Cruzeiro à Vista, a Feira Assenta Arraiais

Em grande parte de Vanuatu, os dias de “bons selvagens” da população ficaram para trás. Em tempos incompreendido e negligenciado, o dinheiro ganhou valor. E quando os grandes navios com turistas chegam ao largo de Malekuka, os nativos concentram-se em Wala e em facturar.

Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a "Survivor"

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Pentecostes, Vanuatu

Naghol: O Bungee Jumping sem Modernices

Em Pentecostes, no fim da adolescência, os jovens lançam-se de uma torre apenas com lianas atadas aos tornozelos. Cordas elásticas e arneses são pieguices impróprias de uma iniciação à idade adulta.

Honiara e Gizo, Ilhas Salomão

O Templo Profanado das Ilhas Salomão

Um navegador espanhol baptizou-as, ansioso por riquezas como as do rei bíblico. Assoladas pela 2a Guerra Mundial, por conflitos e catástrofes naturais, as Ilhas Salomão estão longe da prosperidade.

Gizo, Ilhas Salomão

Gala dos Pequenos Cantores de Saeraghi

Em Gizo, ainda são bem visíveis os estragos provocados pelo tsunami que assolou as ilhas Salomão. No litoral de Saeraghi, a felicidade balnear das crianças contrasta com a sua herança de desolação.

La Palma, Espanha

O Mais Mediático dos Cataclismos por Acontecer

A BBC divulgou que o colapso de uma vertente vulcânica da ilha de La Palma podia gerar um mega-tsunami. Sempre que a actividade vulcânica da zona aumenta, os media aproveitam para apavorar o Mundo.

Pentecostes, Vanuatu

Bungee Jumping para Homens a Sério

Em 1995, o povo de Pentecostes ameaçou processar as empresas de desportos radicais por lhes terem roubado o ritual Naghol. Em termos de audácia, a imitação elástica fica muito aquém do original.

Espiritu Santo, Vanuatu

Divina Melanésia

Pedro Fernandes de Queirós pensava ter descoberto o grande continente do sul. A colónia que propôs nunca se chegou a concretizar. Hoje, Espiritu Santo, a maior ilha de Vanuatu, é uma espécie de Éden.

Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula

Filhos da Mãe-Arménia
Arquitectura & Design

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Lenha
Aventura

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Chegada à festa
Cerimónias e Festividades

Perth, Austrália

Em Honra da Fundação, de Luto Pela Invasão

26/1 é uma data controversa na Austrália. Enquanto os colonos britânicos o celebram com churrascos e muita cerveja, os aborígenes celebram o facto de não terem sido completamente dizimados.

Gentlemen Club & Steakhouse
Cidades

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Seydisfjordur
Cultura

Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando a frota pesqueira de Seydisfjordur foi comprada por armadores de Reiquejavique, a povoação teve que se adaptar. Hoje captura discípulos de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.

Bola de volta
Desporto

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O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Em Viagem
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Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
As Cores da Ilha Elefante
Étnico

Assuão, Egipto

Onde O Nilo Acolhe a África Negra

1200km para montante do seu delta, o Nilo deixa de ser navegável. A última das grandes cidades egípcias marca a fusão entre o território árabe e o núbio. Desde que nasce no lago Vitória, o rio dá vida a inúmeros povos africanos de tez escura.

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Um
História

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Pacífico celestial
Ilhas

Mo'orea, Polinésia Francesa

A Irmã que Qualquer Ilha Gostaria de Ter

A meros 17km de Taiti, Mo’orea não conta com uma única cidade e abriga um décimo dos habitantes. Há muito que os taitianos veem o sol pôr-se e transformar a ilha ao lado numa silhueta enevoada para, horas depois, lhe devolver as cores e formas exuberantes. Para quem visita estas paragens longínquas do Pacífico, conhecer também Mo’orea é um privilégio a dobrar.

Aurora fria II
Inverno Branco
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Barcos em seco
Natureza

Mar de Aral, Usbequistão

O Lago que o Algodão Absorveu

Em 1960, era um dos 4 maiores lagos do mundo mas projectos de irrigação secaram grande parte da água e do modo de vida dos pescadores. Em troca, a URSS inundou o Usbequistão com ouro branco vegetal.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Vista de Selkirk
Parques Naturais

Ilha Robinson Crusoe, Chile

Na Pele do Verdadeiro Robinson Crusoe

A principal ilha do arquipélago Juan Fernández foi abrigo de piratas e tesouros. A sua história fez-se de aventuras como a de Alexander Selkirk, o marinheiro abandonado que inspirou o romance de Dafoe

De visita
Património Mundial Unesco

Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Acima de tudo e de todos
Personagens

Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.

Pura Vida em risco
Praia

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

Estante Sagrada
Religião

Tsfat, Israel

Quando a Cabala é Vítima de Si Mesma

Nos anos 50, Tsfat congregava a vida artística da jovem nação israelita e recuperava a sua mística secular. Mas convertidos famosos como Madonna vieram perturbar a mais elementar discrição cabalista.

White Pass & Yukon Train
Sobre carris

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Sphynx
Sociedade

Tóquio, Japão

Ronronares Descartáveis

Tóquio é a maior das metrópoles mas, nos seus apartamentos exíguos, não há lugar para mascotes. Empresários nipónicos detectaram a lacuna e lançaram "gatis" em que os afectos felinos se pagam à hora.

Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Um rasto na madrugada
Vida Selvagem

Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das suas etnias. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.

Radical 24h por dia
Voos Panorâmicos

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.